sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Uma refeição com Brio


Quando os supermercados Brio me propuseram o desafio, eu não hesitei e prontamente disse que sim. Os desafios deixam-me sempre a imaginação a trabalhar e para mim, funcionam como um exercício. O desafio colocado consistia em ir às compras a uma das lojas Brio e com os produtos confeccionar uma refeição.

Os supermercados Brio são supermercados biológicos e estão direccionados para um público muito exigente no que toca à qualidade dos produtos, nomeadamente os alimentares. Para mim o supermercado Brio foi uma surpresa. A variedade de produtos biológicos é muito grande. Desde os frescos, passando pela carne, produtos de mercearia (arroz, massas, farinhas, etc.), azeites, vinhos e sumos até aos lacticínios, a oferta é muito variada, desmistificando a ideia de que o que é biológico é obrigatoriamente vegetariano. Ali também encontrei ingredientes que dificilmente encontro noutros supermercados, por exemplo, sementes de papoila, quinoa e outros cereais - vendidos ao peso - diferentes ervas aromáticas (tomilho e o tomilho-limão), tomate cereja, tomate lirose, tomate green zebra, tomate ameixa preta, tomate pêra amarela e tomate de rama. Alguns dos quais, eu nem conhecia.


No meu saco de compras da secção das frutas e vegetais, não resisti às diferentes variedade de tomate, às beringelas frescas e brilhantes, à batata-doce, às abóboras manteiga, às ervas aromáticas e ao ruibarbo. Na secção das carnes optei por um frango do campo.



Sopa de tomate assado com beringela


Ingredientes:
700g de tomate limpo de sementes
1 beringela grande
1 colher de sopa de folhas de tomilho frescas
2 cebolas médias
4 dentes de alho
1dl de azeite
1 cubo de caldo de legumes biológico
5dl de água a ferver
sal
1 pitada de pimenta caiena
queijo feta
cebolinho picado


1. Colocar o tomate, o alho, a beringela cortada em pequenos cubos e as cebolas num tabuleiro de forno. Juntar as folhas de tomilho e mexer. Regar com o azeite e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 45 minutos.

2. Triturar os legumes assados juntamente com um cubo de caldo de legumes, sal, a pimenta caiena e a água.

3. Servir a sopa com queijo feta desfeito e cebolinho picado.


A sopa fica deliciosa. O toque da pimenta caiena com o queijo feta e o cebolinho faz toda a diferença nesta sopa. Eu assei a beringela com a casca, mas quem preferir poderá descascá-la para tornar o creme mais homogéneo. A quantidade de água a utilizar depende da consistência desejada.



Frango do campo assado com tomate, abóbora manteiga e azeitonas


Ingredientes:
1 frango do campo
2 dentes de alho
1 raminho de tomilho
1 raminho de cebolinho
sal e pimenta preta de moinho
200g de cebolinhas para assar
400g de abóbora manteiga
600g de tomate variado (cereja, lirose, green zebra, ameixa preta e pêra amarela)
70g de azeitonas
1dl de azeite
20g de manteiga


1. Picar o alho com o tomilho e o cebolinho. Juntar sal e pimenta acabada de moer. Com esta mistura barrar o frango.

2. Colocar o frango num tabuleiro de forno com as pernas atadas. Em volta dispor as cebolinhas, o tomate, a abóbora manteiga cortada e as azeitonas. Polvilhar os legumes com um pouco de sal.

3. Regar o frango com o azeite. Dispor umas nozinhas de manteiga em cima do peito do frango. Levar a assar em forno pré-aquecido a 180ºC durante 1h20 aproximadamente.


Servi este frango assado com puré de batata-doce. O frango do campo assado tem diferenças em termos de sabor e na textura da carne comparativamente com o frango de aviário. Neste assado, a carne faz a diferença. Eu gosto do tomate bem assado, mas quem preferir menos poderá juntar o tomate ao frango meia hora depois de estar no forno.



Cheesecake com doce de ruibarbo


Ingredientes:
225g de bolachas de cacau
75g de manteiga à temperatura ambiente
175g de queijo creme
200ml de natas para bater frias
1 colher de sopa de açúcar
150ml de leite condensado
4 folhas de gelatina


1. Triturar as bolachas. Misturar as bolachas com a manteiga.

2. Forrar a base de uma tarteira com fundo amovível com a mistura anterior. Levar ao frigorífico.

3. Bater as natas com uma colher de sopa de açúcar. De seguida adicionar o queijo e o leite condensado e misturar muito bem.

4. Demolhar as folhas de gelatina em água fria. Escorrer e dissolver levando ao microondas ou em três colheres de sopa de leite a ferver.

5. Juntar a gelatina derretida ao preparado e envolver muito bem.

6. Colocar o preparado na tarteira. Levar ao frio até solidificar.

7. Servir o cheesecake com uma cobertura de doce de ruibarbo.


Ingredientes para doce de ruibarbo para a cobertura:
370g de ruibarbo cortado
1,5dl de sumo de laranja
80g de açúcar
1 colher de sopa de mel
1/2 vagem de baunilha
3 colheres de sopa de compota de morango
1 colher de chá de amido de milho (facultativo)


1. Colocar num tacho o ruibarbo, o sumo de laranja, o açúcar, a baunilha aberta e o mel. Levar ao lume, assim que começar a ferver, baixar o lume e adicionar o amido de milho e a compota de morango. Quando o ruibarbo estiver cozido, retirar do lume. Deixar arrefecer e servir com o cheesecake.


A compota de morango poderá ser substituída por morangos frescos. O doce de ruibarbo fica muito agradável, deixando transparecer um ligeiro sabor acidulado que resulta muito bem com o cheesecake.


Agradeço aos supermercados Brio esta oportunidade. Para mim, foi um desafio muito interessante, que me permitiu conhecer uma das suas lojas e confeccionar uma refeição muito saborosa onde pretendi destacar a qualidade superior dos ingredientes utilizados.


Convido os meus leitores a visitar uma das cinco lojas dos supermercados Brio: Campo de Ourique, Carnaxide, Alcântara, Chiado e agora também no Estoril, a primeira a integrar uma secção de talho.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Siena, uma cidade de tradições


Siena é uma cidade bonita, com ruas estreitas cuidadas, onde as casas pintadas em tons terra contrastam com o verde da paisagem Toscana. Siena seduz-nos com o seu casario medieval, com as festividades e a boa comida. Segundo a lenda foi fundada por Sénio, filho de Remo, por isso encontramos várias estátuas pela cidade da loba a amamentar duas crianças, tal como na cidade de Roma. Nasceu ali também o Monte dei Paschi di Siena, actualmente, o banco mais antigo do mundo.

Assim que ali chegámos, a primeira coisa que procurámos visitar foi a Piazza del Campo, um dos ex-libris da cidade. Todos os caminhos da cidade vão dar a esta praça em forma de meia lua e ligeiramente inclinada. A praça estava preparada para receber um evento especial, as corridas de cavalos sem sela, uma tradição local a que dão o nome de Palio e se realiza duas vezes por ano, uma delas a 16 de Agosto. A praça estava cheia de turistas, alguns sentados nas esplanadas a almoçar, outros, como nós, de passagem. Os edifícios ostentavam estandartes (bandeiras de seda), os palios, com os brasões das paróquias (contrade) da cidade. Ali na praça, junto à Fonte Gaia, lembrei-me do filme Sob o sol da Toscana, que vi antes de ir, quando um dos protagonista participa numa festa local e, vestido de pajem, faz uma dança com bandeiras estandarte. Essa festa deveria ser em Siena.


Depois seguiu-se um passeio pelas ruas estreitas que nos levou desde a Piazza del Campo até à Piazza del Mercato. Aí, a zona do mercado estava vazia, mas, por sua vez, no espaço envolvente estavam parados vários camiões de diferentes televisões para fazerem a cobertura da corrida. Mais uma subida, por ali algumas das ruas são íngremes, bastante íngremes mesmo. Siena é uma cidade com muito comércio. Encontramos várias lojas de artesanato, produtos alimentares, mercearias com fruta fresca à porta, massas variadas, cogumelos secos, azeites, entre outras coisas. Também se encontram galerias de arte com obras de artistas da região ou nacionais. As obras são quase todas quadros com paisagens da Toscana, campos de girassóis, vinhas, papoilas e casas, que transmitem uma enorme tranquilidade. Quase que apetece trazer um pouco daquela paisagem connosco.


À hora de almoço escolhemos o restaurante Hostaria Il Rialto, numa rua estreita e escondida das artérias principais e cheias de turistas. Para almoçar escolhemos pici com cogumelos, uma massa maravilhosa, cheia de sabor, ravioli com manteiga e sálvia, papardelle com ragú, ossobuco - que estava magnífico - peito de frango grelhado, um prato de tripas com molho de tomate - típico da região - e para acompanhamento feijão cozido com tomate e sálvia. As sobremesas foram um bacio, um bolinho com frutas cristalizadas e cobertura de chocolate e Cantucci di Prato, uns biscoitos de amêndoa e anis servidos com vin santo (vinho doce). A comida estava muito boa, saborosa, bem confecionada. O cozinheiro e dono do restaurante, veio até à mesa conversar um pouco connosco, falar da sua cozinha e de alguns pratos. Esta foi uma das nossas melhores refeições desta viagem.


Depois do almoço visitámos uma loja de artesãs onde assistimos à preparação de flores com uma cobertura de cera, que lhe dá um aspeto brilhante e vivo, e velas. Achei muito interessante o processo de realização das velas, que são feitas através da passagem por tanques com ceras de diferentes cores. Uma passagem pela Catedral de Siena, com uma fachada magnífica, cheia de estátuas e seguimos viagem.


Fomos então à procura do melhor gelado do mundo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Bruschetta de tomate cereja assado com vinagre balsâmico


O pão, o tomate e o azeite são uma saborosa combinação que faz parte da nossa identidade gastronómica e que nos liga à dieta mediterrânica. Um destes dias para acompanhar uma taça de sopa ao jantar, juntei estes três ingredientes numa deliciosa bruschetta.


Ingredientes:
550g de tomate cereja
3 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de vinagre balsâmico
1 pitada de sal
1 dente de alho
6 fatias de pão torrado
folhas de manjericão
azeite


1. Colocar o tomate num tabuleiro de forno. Temperar com uma pitada de sal. Regar com o azeite e o vinagre balsâmico. Levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 35 minutos.

2. Cortar o dente de alho ao meio. Passá-lo pelo pão torrado ainda quente.

3. Servir as fatias de pão com o tomate assado, regado com um fio de azeite e folhas de manjericão.


O tomate assado fica muito saboroso. Dá um toque especial à bruschetta. Eu servia-a como acompanhamento, mas funciona muito bem como entrada.

sábado, 24 de setembro de 2011

Peitos de pato com marmelos salteados


O sol continua a sorrir no céu azul, mas a chegada do Outono já se fez sentir. Ainda não se notam as folhas secas e amarelas no chão, o vento ainda não rodopia nas árvores, os cachecóis, os sapatos fechados e os casacos quentes ainda estão guardados. Os vendedores de castanhas ainda não encheram as ruas com aquele cheirinho agradável e convidativo que a castanha lança quando estala com o calor das brasas. No entanto, as manhãs e as noites estão mais frescas. E pouco a pouco já se nota que os dias começam a ficar mais pequenos. A noite parece que já chega mais cedo.

No mercado, hoje, já vi tangerinas, castanhas, romãs e desde o início de Setembro, marmelos. Mesmo que o tempo não mude, a Natureza diz-nos que já estamos a celebrar outra estação. E para comemorar a chegada do Outono preparei uma receita quente e reconfortante com alguns produtos da estação.


Ingredientes:
2 peitos de pato
1 colher de sopa de azeite
1dl de natas
1dl de vinho da Madeira
1 colher de chá de farinha Maizena
4 marmelos (aproximadamente 1 kg)
sumo de 1 limão
1 pau de canela
100g de açúcar
1 colher bem cheia de manteiga
folhas de tomilho frescas
sal e pimenta
água


1. Descascar e retirar as sementes ao marmelo. À medida que são limpos, colocá-los num recipiente com água e sumo de limão para não oxidarem.

2. Colocar o marmelo numa panela e tapar com água. Levar ao lume com 1 pau de canela e 100g de açúcar. Assim que o marmelo estiver cozido retirar do lume.

3. Cortar o marmelo em fatias.

4. Levar uma frigideira ao lume com a manteiga. Assim que derreter adicionar o marmelo e deixar alourar as fatias de um lado e outro.

5. Fazer, na pele do pato, uns cortes cruzados na diagonal. Temperar com sal, pimenta e folhas de tomilho frescas.

6. Colocar o azeite numa frigideira anti-aderente. Assim que estiver quente colocar os peitos de pato com a pele virada para baixo. Deixar cozinhar até a pele ficar bem douradinha. Voltar a carne e deixar alourar do outro lado.

7. Depois dos peitos de pato alourados retirá-los da frigideira e reservar.

8. Levar novamente a frigideira ao lume e adicionar as natas, o vinho da Madeira, a Maizena e os sucos que entretanto os peitos de pato libertaram. Deixar engrossar o molho.

9. Servir o peito de pato cortado às fatias, regado com o molho de natas e vinho da Madeira, e com o marmelo salteado.


Poderão acompanhar também este prato com castanhas assadas ou cozidas e uma salada.

Eu prefiro que a carne fique rosadinha por dentro, pois assim fica mais suculenta, por isso não a deixo cozinhar demasiado. O pato combina na perfeição com o travo ácido do marmelo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pastéis de nata e os sabores de Lisboa


O Coronel pegou na caixa de madeira pintada e sentou-se na cadeira de baloiço, que nos últimos anos o tem amparado. Colocou a caixa em cima dos joelhos e agarrou a pequena chave presa com uma fita gasta, já sem cor, para a abrir. Mas antes, levantou o olhar, suspirou e contemplou o céu cerrado, negro, que anunciava mais um final de tarde chuvoso.

Há muito que se tinha refugiado nesta casa, perto da cidade, mas ao mesmo tempo escondida da confusão de Lisboa. A casa, hoje parcialmente desabitada, teve em tempos vida, crianças a correr e a rir pelos corredores de madeira. A sua memória é tão viva, que quase as consegue ouvir! Quantas vezes escolhiam o seu quarto para brincar às escondidas. - Rita, Pedro, Carolina, onde é que é que vocês estão? - gritava ele. O quarto do pai não é para brincadeiras! Voltem já para o jardim. E as crianças saiam do quarto apressadas e com um ar envergonhado. Quando chegavam ao corredor lançavam-se numa corrida para ver quem chegava primeiro ao jardim. Foram tempos tão felizes! Mas a vida é mesmo assim. A andorinha protege as suas crias até ao momento em que estas aprendem a voar. O mesmo se passa com os filhos. Crescem, têm as suas próprias responsabilidades, os seus próprios caminhos a seguir. E a pouco e pouco, deixam de precisar e acabam por não aparecer.

Depois de um forte relâmpago, a chuva começa a cair. O Coronel pousa a chave da caixa. Pega na chávena de café que aguardava na mesa ao lado, a fumegar. As paredes envidraçadas, deixam escorrer a água e do jardim fica apenas uma mancha única verde, desfocada. No ar começa-se a sentir o aroma doce da Dama-da-Noite. Aconchega a chávena quente de café nas mãos e suspira. Como gostava de saborear uma chávena de café. Este aroma inconfundível, caramelizado e amargo, era delicioso. Transmitia-lhe uma sensação na boca sólida e inquieta, como o cheiro fumado do crepitar de uma lareira ou quando as narinas se dilatam perante o perfume doce das especiarias.

O café fez-lhe lembrar Maria Ana. A empregada d'A Brasileira, o café, no Chiado, onde costumava passar algumas tardes, no tempo em que a vida era fácil e em que acreditava. Acreditava que era capaz de tudo. A juventude é o tempo das doces ilusões.

Maria Ana, a empregada de mesa, roliça e de sorriso fácil com quem gostava de trocar galanteios. A cintura era delgada e a perna cheia. Uns olhos grandes, verdes, enchiam-lhe o rosto de boneca. Os lábios pareciam bagos de romã de um vermelho vivo. Como adorava escrever-lhe bilhetinhos de amor, que deixava debaixo das chávenas de café. Maria Ana sempre que os encontrava, baixava os olhos e sorria de alegria. Rapidamente escondia as folhinhas de papel dobradas no bolso do avental. Oh! Que doce recordação esta!

O Coronel acaba de beber o café. Olha para o jardim. A chuva parou. O céu continua negro. Por certo a noite não será tranquila. Um cheiro vindo da cozinha começa a invadir a casa e afasta-o dos seus pensamentos. Que cheirinho apetitoso, pensa. O que será que a Rosa está a preparar na cozinha? É melhor ir espreitar – disse para si mesmo. O coronel pousa a caixa e levanta-se.

Quando abriu a porta da cozinha viu que Rosa tirava do forno um tabuleiro cheio de pastéis de nata queimadinhos e apetitosos.

Pastéis de Nata


Ingredientes:
0,5L de leite gordo
275g de açúcar
35g de farinha sem fermento
uma pitada de sal
1 noz de margarina
5 gemas
1 ovo
raspa de 1/2 limão
1 embalagem de massa folhada fresca


1. Colocar o leite ao lume com a margarina.

2. Misturar a farinha com o açúcar e o sal.

3. Quando o leite levantar fervura adicionar a mistura anterior mexendo muito bem com uma vara de arames. Deixar engrossar um pouco o preparado.

4. Retirar do lume e deixar arrefecer um pouco.

5. Adicionar o ovo e as gemas. Aromatizar com raspa de limão.

6. Forrar as formas com a massa folhada.

7. Colocar o creme nas formas. Não encher demasiado.

8. Levar ao forno pré-aquecido a 250ºC durante 12 a 15 minutos ou até ficarem dourados.


Esta receita de pastel de nata é do sítio Portugal Roteiro Gastronómico.


Rosa, sabia como o fazer feliz!

Com esta estória início uma viagem gastronómica por Lisboa. Um percurso feito através das memórias de um personagem, pautadas pelo sabor da vida, que nos conduzirá a alguns dos tradicionais locais da cidade de Lisboa e à sua gastronomia.

Sejam muito bem-vindos!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Doce de tomate e as memórias das tardes de Verão


Fazer doce ou compotas é uma tarefa demorada. Por um lado, o tempo de preparar os frutos e depois o tempo que leva o doce a apurar ao lume. Mas no final o resultado vale mesmo a pena.

Se me perguntarem qual o doce de que mais gosto, acho que terei alguma dificuldade em identificar apenas um. Mas de certeza que nos primeiros lugares da minha preferência está sem duvida alguma o doce de tomate. Este doce é tão simples e é um dos meus preferidos. Talvez porque o associe a boas memórias, a tardes passadas com a minha mãe a fazer doce no verão. Nessa altura fazíamos doce para termos durante o ano inteiro. Eu adorava ajudar a pelar o tomate e a tirar-lhe as sementes. Recordo-me que a casa se enchia com os aromas adocicados e quentes da canela. Era uma fragrância tão boa. Assim que o doce estava pronto, eu era logo chamada para provar. Que sensação tão boa. Que memórias tão agradáveis que o doce de tomate me deu!


Ingredientes:
2kg de tomate limpo de peles e sementes
1kg de açúcar amarelo
1 pau de canela
1 pitada de sal
1 fio de azeite


1. Colocar o tomate numa panela. Deixar ferver uns 15 a 20 minutos.

2. De seguida triturar o tomate com a ajuda da varinha mágica e adicionar o açúcar, a canela, o sal e o azeite. Deixar apurar até obter o ponto estrada. Mexer de vez em quando.

3. Guardar o doce acabado de fazer em frascos.


Para tirar a pele do tomate basta fazer dois cortes na base em forma de X. De seguida escaldá-los durante uns minutos com água a ferver. Assim, a pele sai facilmente.

Para além da canela este doce também fica muito agradável se acrescentarmos a casca de 1 limão. Quem preferir pode não triturar o tomate e deixar apurar.

Este doce fica com uma cor linda, um vermelho intenso dado pela junção do tomate e do açúcar amarelo, e ao paladar é uma maravilha. Cá por casa come-se mesmo sem vontade com pão ou bagels barradas com generosas colheres de doce. Uma perdição!

[ Published in English as Tomato jam and the sweet memories of Summer afternoons ]

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Borrego guisado com tomate, harissa e grão


A presença do tomate fresco ainda se faz sentir cá por casa. Quando decido fazer alguma receita penso igualmente em como é que poderei incluir tomate. Na receita de hoje, o tomate faz a diferença.


Ingredientes:
750g de borrego cortado em cubos
1dl de azeite
1kg de tomate limpo de peles e sementes
50g de pimento verde cortado em tiras
1dl de água
2 cenouras cortadas às rodelas
2 colheres de chá de harissa
500g de grão de bico cozido
1 ramo de coentros picados
sal e pimenta q. b.


1. Colocar num tacho a carne de borrego, o tomate, o azeite, a harissa, o pimento, as cenouras, a água, o sal e a pimenta. Levar ao lume, assim que começar a ferver, baixar o lume e deixar cozinhar em lume brando com o tacho tapado durante 1 hora.

2. Adicionar o grão cozido e deixar levantar fervura.

3. Servir o guisado polvilhado com coentros picados.


Acompanhámos este guisado com fatias de pão fresco. Este guisado de borrego com tomate, grão e um ligeiro toque picante da harissa fica uma delícia.

A carne de borrego pode ser substituída por porco ou vaca.

[ Published in English as Lamb, tomato and chickpea stew with harissa ]

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pizas com pequenos e graúdos


Adoro receber amigos em casa. Uma forma divertida de termos uma refeição juntos é fazermos pizas. Vamos para a cozinha e a nossa diversão assemelha-se a uma festa. Falamos, rimos, vimos o que é que cada um coloca na sua piza, usamos ingredientes uns dos outros e no final saboreamos tudo sentados à mesa. Uma refeição de pizas em que os convidados vão para a cozinha é sempre uma refeição bem disposta e agradável.

Em Julho, quando o nosso amigo Nuno esteve cá de férias, fizemos dois encontros de pizas. Um com os amigos de longa data e outro, um almoço com crianças. Neste almoço estiverem presentes o David e o Daniel, o Nuno Santos, a Graciete e o Nuno Vaz, que já é um veterano nestes encontros e costuma fazer sempre das melhores pizas. A última dele a fazer furor foi num encontro em casa da Carlota, em que o Nuno nos surpreendeu com uma piza de tâmaras e bacon.

O nosso encontro de pizas com o David e o Daniel começaram com estes na cozinha a fazerem o sumo de frutas que iriam beber ao almoço. Escolheram as suas frutas favoritas e depois com a ajuda do Ricardo, que se estava a divertir tanto quanto eles, fizeram um delicioso sumo de laranja, pêssego e ameixas que foi bebido na altura com tanto gosto que por pouco não chegava à mesa. Das várias ameixas, deliciaram-se à sobremesa com o doce das ameixas de Elvas (Rainhas-Cláudia verde). É interessante ver a reação das crianças à descoberta de um novo sabor.

Depois do sumo vieram as pizas. O David e o Daniel cada um fez a sua. O Daniel preferiu não usar molho de tomate. Como ingredientes escolheram ananás, frango, cogumelos, bacon, brócolos, orégãos e queijo mozzarella ralado. Estas foram as pizas mais originais de todos os encontros, não pelos ingredientes em si, mas pela forma como os colocaram. Com eles, cada um desenhou um rosto pitoresco na piza. O Daniel, na sua piza fez o cabelo com os raminhos dos brócolos e o David utilizou para fazer as sobrancelhas dois pedaços de ananás. A imaginação das crianças é fabulosa. Nem calculam o modo como estavam entusiasmados e divertidos por fazerem a sua piza e por irmos todos provar. E nós graúdos, estávamos tão entusiasmados quanto eles. As suas pizas estavam muito boas.


O Nuno Vaz e a Graciete fizeram uma piza com molho de tomate, farinheira de porco Ibérico, ananás, azeitonas, segurelha e queijo mozzarella ralado. Mais uma vez, estava muito boa. Eu e o Ricardo fizemos uma piza com molho de tomate, chouriço, cogumelos, azeitonas, queijo mozzarella fresco e ralado.


Para sobremesa tivemos um delicioso pudim de coco feito pela Manuela, a mãe do Nuno Santos, daqueles que toda a gente gosta e repete. Eu fiz um clafoutis de cereja, receita de Maria de Lourdes Modesto.


Este foi mais um daqueles encontros que me fez sentir feliz. Espero que um dia o David e o Daniel se lembrem deste almoço com um sorriso nos lábios.

[ Published in English as Pizzas for kids and grown ups ]

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Carapaus no forno


O carapau é dos peixes menos amados nas nossas cozinhas, na minha opinião. Eu adoro carapaus grelhados, mas agora como não tenho quintal não arrisco a grelhar peixe em casa. E por isso, para o dia a dia confesso que quando vou comprar peixe não penso nos carapaus. Até que um destes dias não resisti e trouxe dois bonitos carapaus, bem fresquinhos com os olhos a brilhar, pescados pelo meu pai.

A conselho de uma colega, já tinha experimentado carapaus assados no forno que resultaram muito bem. Desta vez quis voltar a assar mas com tomate para ficar um prato colorido ainda a saber a Verão.


Ingredientes:
2 carapaus grandes
3 dentes de alho laminados
1 cebola cortada às rodelas
1 dl de azeite
2 tomates limpos de peles e sementes
1 raminho de coentros picados
Batatas cozidas para acompanhar
sal e pimenta q.b.


1. Temperar os carapaus com sal e pimenta.

2. Numa frigideira ou tacho colocar o azeite, a cebola e o alho. Levar ao lume, assim que a cebola quebrar adicionar o tomate picado grosseiramente. Deixar refogar até o tomate estar cozinhado. Depois de pronto, adicionar um ramo de coentros picados.

3. Colocar os carapaus num prato de forno e regá-los com o refogado. Tapar com papel de alumínio.

4. Levar ao forno pré-aquecido a 220ºC durante 10 minutos tapado e depois mais 15 minutos para acabar de assar.

5. Servir com batata cozida.


Para a receita de hoje inspirei-me nesta do sítio Receitas de Culinária. O meu toque pessoal foi apenas o de fazer o refogado primeiro e depois levar ao forno. Assim, na minha opinião fica ainda mais saboroso este prato. Desta forma é tão fácil cozinhar carapaus!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Florença, a cidade mágica do Renascimento


Florença é uma cidade magnífica, que esconde encantos, histórias e que cada edifício, praça ou escultura é de uma beleza ofuscante. Voltar lá passados dois anos deixou-me muito entusiasmada. O dia estava quente e os magotes de turistas já enchiam as ruas. Por lá várias vezes ouvi falar português de ambos os lados do Atlântico. Quando num país estrangeiro ouço a minha língua, tenho uma sensação de conforto, de aparente cumplicidade, como se não andasse por ali sozinha.

O dia em Florença começou numa esplanada com um capuccino e um croissant, na companhia de vários pombos que irritantemente insistiam em visitar a nossa mesa.

Um passeio pelas ruas, umas fotos junto à imponente Basílica de Santa Maria del Fiore, uma passagem pelo mercado de San Lorenzo e uma visita mais demorada ao Mercado Central. Não resisto a visitar os mercados.


Gosto dos cheiros, das cores, de ver os produtos e de os comparar com a nossa realidade. Gosto de ver o que as pessoas compram, o que preferem, de as ouvir falar com os vendedores. No mercado, encontrámos tomate seco, cogumelos frescos e secos de várias variedades, flores de courgette, tomate cereja lindo, frutos silvestres, queijos e mais queijos, massas de diversos tamanhos, cores e feitios, diferentes variedades de pão e até milho preto, que para mim foi uma novidade. Neste mercado era também possível comprar comida já feita.


Depois do mercado, passámos de fugida pela Piazza della Signoria e fomos seguidos pelos olhares atentos de David e de Neptuno, atravessámos o rio Arno pela Ponte Vecchio, com imensas joalharias, e fomos almoçar ao restaurante Alfredo sull'Arno, um restaurante de cozinha típica da Toscana e com uma vista privilegiada sobre a ponte. Aqui começámos a nossa refeição com crostini de fígado de galinha. Depois vieram para a mesa um inesquecível risotto de cogumelos, um apetitoso arroz com camarão, um interessante taglierini all'alfredo com cogumelos porcini e prosciutto gratinado no forno e um bife com um magnífico molho de vinagre balsâmico. A escolha das sobremesas recaiu num doce de frutos silvestres e numa fatia de tarte merengada, que souberam muito bem. O vinho escolhido foi um vinho chianti tinto Caspriano. Esta foi uma das nossas melhores refeições desta viagem por Itália.


Depois do almoço fomos até à Piazzale Michelangelo de onde se tem uma vista fabulosa sobre a cidade de Florença. Sentámo-nos numa esplanada e passámos umas boas duas horas a olhar a cidade lá do alto. Perante a beleza de Florença foi fácil perceber o síndrome de Stendhal.


Ao final da tarde voltámos ao centro de Florença. Mais um passeio demorado pelas ruas, ver os artistas a trabalhar nas praças, olhar os edifícios e uma passagem mais atenta pela Piazza della Signoria e as suas estátuas. A estátua de David, cópia do original de Michelangelo, é uma das imagens mais conhecidas da praça e da cidade. Não me canso de olhar para ela. De a fotografar de vários ângulos. Adoro fotografar os rostos e alguns pormenores das estátuas.


Ao final do dia sentámo-nos na esplanada da Pizzeria i'Lorenzaccio e pedimos para começar a nossa refeição uma sopa cheia de legumes e depois para cada um uma pizza. Pedimos de queijo com rúcula, de legumes grelhados com presunto, de queijo e pimentos. As pizzas souberam muito bem, mas em Itália haveríamos de comer muito melhor.


Depois do jantar, assistimos a um concerto de música na Piazza della Signoria inserido nas comemorações do 65º aniversário da libertação da cidade pelos Aliados, ao mesmo tempo que nos deliciávamos com um gelado, sob um céu estrelado e uma noite quente. Antes de sairmos de Florença demos mais um passeio e contemplámos o rio na Ponte Vecchio.


Florença é uma cidade mágica, expoente máximo do Renascimento, uma cidade que nos conquista e apaixona. É uma cidade que precisa de tempo para ser visitada. Tempo para ver e olhar cada pormenor, sentir a magia fascinante dos vários monumentos, obras de arte e das grandes personalidades históricas a ela associadas. A quantidade de turistas que invadiu a cidade no mês de Agosto não nos deu coragem para ficar à espera nas filas de tudo o que era interessante ver. Com grande pena nossa não visitámos a Galleria degli Uffizi. Por isso e por tudo o que nos faltou ver, Florença exige uma nova visita.


No dia seguinte Siena esperava por nós.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Courgette recheada com farinheira e tomate


Setembro continua quente. Parece que finalmente temos os dias de calor que Agosto não trouxe. Agora que as férias terminaram, com estes dias assim, o que apetece realmente é uma ida à praia. Mesmo com calor, por cá o forno continua a funcionar. A sugestão de hoje são uma deliciosas courgettes no forno recheadas com farinheira e tomate. Uma delícia.


Ingredientes:
5 courgettes pequenas
1 farinheira de porco Ibérico
0,5dl de azeite
2 chalotas picada
2 tomates grandes maduros
2 ovos
umas folhas de segurelha ou um raminho de salsa picada
sal e pimenta
2 colheres de sopa de pão ralado
2 colheres de sopa de queijo parmesão ralado


1. Cortar as courgettes ao meio. Com a ajuda de uma faca ou de uma colher Paris retirar o interior das courgettes.

2. Picar a polpa das courgettes.

3. Colocar o azeite numa frigideira com as chalotas picadas. Adicionar a courgette picada. Mexer e deixar cozinhar um pouco.

4. Juntar o tomate picado, previamente limpo de peles e sementes. Deixar cozinhar um pouco.

5. Retirar a pele à farinheira e cortá-la em rodelas. Juntá-la ao preparado anterior e mexer. Temperar com sal e pimenta a gosto.

6. Adicionar os ovos, previamente mexidos e as folhas de segurelha ou a salsa picada.

7. Rechear as courgettes com o preparado anterior.

8. Numa taça misturar o queijo e o pão ralado. Polvilhar as courgettes recheadas com esta mistura.

9. Colocar as courgettes num tabuleiro e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 30 minutos.


Bom apetite!

[ Published in English as Roasted zucchini stuffed with farinheira and tomato ]

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Besugo assado no forno com coentros e tomate cereja


Luísa acordou cedo. Sentiu o silêncio da casa. De vez em quando gostava de ficar sozinha. As criadas, Joana e Juliana tinham pedido folga. Como Jorge não estava - tinha saído, por uns dias numa das suas muitas viagens de negócios - Luísa nem hesitou em dizer que sim ao pedido das empregadas da casa. Juliana ia a uma consulta e depois queria muito visitar a sua tia Vitória. A saída de Joana deveria prender-se com algum namorico, mas nem perguntou. Era bom ficar em casa sozinha. Poder gerir o seu tempo sem dar satisfações, sem ter alguém a perguntar-lhe coisas, a ter que tomar decisões.

Começou por fazer um café numa chávena grande. Adorava o cheiro forte e ligeiramente torrado do café. Partilhava esse gosto com a sua querida amiga de infância, Leopoldina, que infelizmente devido aos insistentes pedidos de Jorge tinha deixado de visitar. Não lhe ficava bem dar-se com a "pão e queijo", uma mulher a que se conheciam vários amantes. Já D. Felicidade detestava café. Quando a visitava, dizia-lhe sempre: "- Filha, para mim chá. Sabes que não me dou bem com o café!"

Depois de beber o seu café, sentou-se no sofá e passou a manhã agarrada a mais um dos romances que adorava ler. Este tinha-lhe sido oferecido pelo seu primo Basílio, antes mesmo de partir para França. Os livros eram uma forma de a fazer sonhar, de a transportar para uma outra dimensão, de viver e sentir um pouco a vida dos outros.

Decidiu almoçar em casa. Poderia combinar com Sebastião ou até mesmo com Julião, os amigos de sempre, um almoço no Chiado, mas não. Preferia ficar em casa e cozinhar. Gostava de cozinhar, embora, desde que casara não o fizesse. Antes da sua mãe morrer, chegou a cozinhar óptimos pratos. Foi ao frigorífico e viu numa travessa um bonito besugo, de boca aberta, a sorrir. Ia cozinhar aquele peixe para o seu almoço.


Ingredientes:
1 besugo ou outro peixe para assar
3 dentes de alho
1/2 limão
10 a 12 tomates cereja
1 raminho de coentros
1 haste de alecrim
sal e pimenta em grão q. b.
azeite


1. Rechear a barriga do peixe com dois dentes de alho com a casca, o alecrim e o limão.

2. Preparar o papelote, colocar em cima de uma folha de alumínio uma folha de papel vegetal. Em cima da folha de papel vegetal, colocar um raminho de coentros e por cima dispor o peixe temperado com sal.

3. Em cima do peixe colocar um dente de alho picado e um raminho de coentros. Em volta dispor o tomate cereja. Por cima do preparado, colocar a pimenta em grão.

4. Regar com um fio de azeite e fechar o papelote. Levar ao forno pré-aquecido durante 40 minutos.


Luísa adorou o seu almoço. O peixe ficou suculento. Delicioso. Estava decidido, iria cozinhar mais vezes esta receita.

Inspirei-me no romance O Primo Basílio de Eça de Queirós para escrever esta pequena história.

[ Published in English as Roasted sea bream with coriander and cherry tomatoes ]

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tarte de courgettes em flor com tomate e requeijão


Num dos sábados de céu azul, bonito, que passei em Santarém tive a oportunidade de ir apanhar courgettes. Encontrei desde as muito grandes, umas verdadeiras abóboras de casca verde escuro, até às pequeninhas, tenras e doces, ainda com a flor na ponta.

Eu adoro courgettes, cozinho-as de variadas maneiras, mas curiosamente ainda nunca as tinha utilizado com flor. Ao vê-las ali à minha disposição, não resisti e apanhei umas quantas. As flores são muito sensíveis, por isso, no dia seguinte procurei logo cozinhá-las. A escolha recaiu numa tarte com tomate e requeijão.


Ingredientes:

Massa:
280g de farinha
90g de manteiga
0,5dl de água

1. Misturar a farinha com a manteiga. De seguida adicionar a água e amassar.

2. Com a ajuda de um rolo, estender a massa.

3. Forrar uma forma de tarte com a massa. Picar o fundo com um garfo.

Recheio:
90g de courgette ralada
2 dentes de alho picados
30g de tomate seco em azeite picado
5 ovos
1 requeijão
1 dl de leite
sal e pimenta q.b.
1 raminho de salsa e coentros picados
2 tomates maduros pequenos
8 mini-courgettes com flor
1 fio de azeite
70g de queijo mozzarella ralado


1. Colocar numa taça a courgette ralada, os dentes de alho picados, o tomate seco, os ovos, o requeijão ligeiramente desfeito com a mão e o leite. Com a ajuda de uma vara de arames misturar os ingredientes muito bem. Temperar com sal e pimenta e juntar as ervas picadas.

2. Colocar parte do preparado anterior na forma de tarte. Adicionar o tomate cortado. Colocar o restante recheio. Dispor em cima do recheio as mini-courgettes com flor. Polvilhar com o queijo ralado.

3. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 40 minutos.


A massa das tartes feita por nós fica muito melhor e esta receita é tão simples que se torna muito prática.

Esta tarte fica uma delícia tanto servida morna como fria. A courgette fica crocante. As flores deram um sabor aveludado e um ligeiro toque adocicado à tarte. Para o ano tenho que experimentar usar apenas as flores.

[ Published in English as Zucchini blossoms, tomato and requeijão cheese tart ]

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

De Assis ao Lago Trasimeno


Fazia calor e o céu brilhava de azul intenso. O estômago dizia-nos que já passava da hora de almoço. Quando chegámos a Assis, vindos de Perúgia, a nossa primeira preocupação foi encontrar um local para nos sentarmos e almoçar. O primeiro sítio que escolhemos foi uma simpática esplanada coberta pela sombra de uma grande árvore. O sítio parecia-nos fresco e acolhedor, com várias mesas redondas tapadas com toalhas de tecido. À pergunta se nos poderíamos sentar, fomos rapidamente recebidos com: "Já não servimos. Só até às duas", respondeu-nos educadamente o empregado. Ora bem, seguimos em peregrinação até outra porta que nos servisse almoço. Escolhemos um restaurante pequeno, com vários comensais sentados, junto a uma escadaria com missionários e alguns turistas sentados. Perante a pergunta, se ainda serviam almoço, a jovem que andava atarefada a servir às mesas disse-nos:"Não. Só até às duas!". Entre nós, trocámos olhares e pensámos que em Assis só servem refeições até às duas da tarde!? Estávamos tramados! É que o ponteiro do relógio já estava nas três.


Perante o desejo fracassado de um almoço farto e reconfortante, acabámos por nos sentar na esplanada de um café. O que pedir? Uma fatia de piza para cada um e uma salada caprese. A salada foi quase por favor, pois ao meu pedido informaram-me prontamente que a cozinha estava fechada, mas vá lá iam fazer. Esta não foi uma das refeições dignas de registo da nossa viagem, mas pelo menos ficou-nos o aviso. Em terra alheia, o melhor é almoçar cedo!

Assis é uma cidade limpa, cuidada e cheia de turistas (nomeadamente de cariz religioso). Ruas estreitas, com caminhos empedrados. Casas bonitas e cuidadas. Com varandas cheias de flores. No centro, encontrámos várias lojas de doces e gelados. Montras cheias de suspiros.


Para além de contemplarmos a bonita vista sobre o vale em volta da cidade, entrámos na Basílica de São Francisco de Assis. Foi aqui que nasceu e morreu São Francisco. Na Basílica pode-se visitar o seu túmulo.


Saímos de Assis ao final da tarde. Chegámos a Passignano Sul Trasimeno, uma localidade veraneante, junto ao Lago Trasimeno ao pôr-do-sol. Um passeio junto ao lago e depois de algumas fotos escolhemos jantar na esplanada do restaurante do Hotel Lido, com uma vista privilegiada sobre a Ilha Maggiore e com a Lua, lá no alto, a olhar para nós.


Decidimos começar a refeição com uma mistura de peixes do lago fritos. Em Itália as frituras de peixe ou marisco são muito comuns. Eu nesse dia, para prato principal, optei por um risotto de mascarpone com meloa cantalupe. Curiosa combinação de sabores. O ligeiro travo doce do arroz era cortado com o sabor fresco da meloa. Depois do jantar, assim que entrei no carro adormeci. Quando acordei, já tínhamos chegado ao nosso próximo destino, Florença.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Bife de vaca grelhado com coentros e alho


Há dias em que é preciso fazer uma refeição que nos ocupe pouco tempo. Uma das coisas que gosto de fazer é um bife grelhado, salpicado com uma mistura de ervas aromáticas, alho e azeite. Fica uma delícia. Quase que nem parece uma refeição rápida!


Ingredientes:
2 bifes de vaca da vazia
2 dentes de alho
1 raminho de coentros
flor de sal
pimenta
azeite


1. Grelhar os bifes na chapa.

2. Temperar com flor de sal e pimenta a gosto.

3. Picar o alho e os coentros. Polvilhar os bifes com esta mistura. Regar com um fio de azeite e servir.


Os coentros poderão ser substituído por folhas de alecrim frescas ou outra erva aromática a gosto. Em vez dos bifes também poderão usar costeleta de vitela.

Um dia que exija uma refeição rápida, este bife pode ser uma excelente opção. Experimentem!

[ Published in English as Grilled veal steak with coriander and garlic ]

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Tomate à Provençal com ovo estrelado


Este verão tenho usado de forma entusiasta o tomate. Dediquei-lhe uma semana e nos cozinhados tem sido um companheiro indispensável. Pela minha cozinha passaram tomate cereja, tomate em rama, tomate coração de boi e um tomate redondo, lindo, que não sei o nome, mas que quando olho para ele lembro-me de maçãs grandes e suculentas, perfumadas de um aroma doce. É dos meus preferidos.

Um dos cozinhados que fiz para honrar o tomate que chegou à minha cozinha foi a receita de hoje. Fi-la duas vezes. Uma delas para um almoço com a minha amiga Paula.


Ingredientes:
4 a 6 tomates maduros médios
4 a 6 ovos estrelados
2 dentes de alho espremidos ou picados
salsa picada
10 azeitonas pretas sem caroço picadas
2 colheres de sopa de pão ralado
sal
pimenta
azeite


1. Cortar o tomate ao meio. Colocá-lo num tabuleiro. Polvilhar com sal e regar com um fio de azeite. Levar ao forno pré-aquecido a 190ºC durante 40 minutos.

2. Misturar o alho, a salsa, as azeitonas e o pão ralado. Temperar com pimenta.

3. Dispor a mistura anterior em cima do tomate. Regar com duas colheres de sopa de azeite. Levar ao forno e deixar assar mais 15 a 20 minutos.

4. Servir o tomate com o ovos estrelados polvilhados de pimenta preta acabada de moer e/ou orégãos secos.


O tomate assado com a mistura de pão ralado fica muito agradável. O resultado é uma interessante mistura de sabores e de texturas. Quem preferir poderá juntar também duas colheres de queijo ralado. O ovo estrelado faz a diferença.

[ Published in English as Provençal tomatoes with fried egg ]