sexta-feira, 20 de abril de 2012

Apresentação de chefs no Peixe em Lisboa

Nos últimos dias tenho procurado aproveitar o melhor que posso a iniciativa Peixe em Lisboa, que decorre de 12 a 22 de Abril 2012, no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço em Lisboa, como já referi.

Não é todos os dias que se tem a possibilidade de provar especialidades de alguns dos melhores restaurantes da actualidade, sem ser a preços proibitivos e de assistir às apresentações de vários chefs de renome, tanto nacionais como estrangeiros.

No domingo passado, assisti à apresentação de uma das duplas de chefs mais conhecida em Portugal e estou a falar de Nuno Bergonse e de Diogo Noronha, do restaurante Pedro e o Lobo, onde já tive a possibilidade de jantar e que recomendo vivamente. Nuno Bergonse e Diogo Noronha conheceram-se no no restaurante Moo, do hotel Omm em Barcelona, e quando regressaram a Portugal decidiram apostar no seu próprio restaurante.


É notório o modo como esta dupla está em sintonia quer seja pelo processo criativo quer pela inovação que colocam nos pratos que elaboram. Nas suas demonstrações procuraram usar alguns dos produtos da estação, como as favas, e o resultado final foram pratos coloridos e primaveris. Ao ver o trabalho desenvolvido por esta dupla, fica a certeza de que ir para as apresentações de chefs de estômago vazio não é uma boa opção. Dá uma fome!

Foi também com enorme entusiasmo que assisti à apresentação do chef austríaco, Hans Neuner, premiado com duas estrelas Michelin e responsável pela cozinha do restaurante Ocean do Hotel Vita Parc, no Algarve.


A alta cozinha tem alterado o conceito de comida. Ao ver a apresentação de Hans Neuner, tem-se a confirmação disso mesmo. A chamada alta cozinha vive de conceitos e de técnicas que ultrapassam a dita simplicidade de juntar ingredientes. A alta cozinha, para além do apoio de técnicas sofisticadas, vive do modo como se apresenta e conjugam, no prato, os ingredientes. Vive do processo criativo dos chefs e das sensações que transmitem a quem as degusta. É a este nível que podemos dizer que a cozinha se aproxima da arte, em que ultrapassa a necessidade e o fim primário, básico, a que se destina. Não é uma natureza-morta, mas uma obra que interpela o espectador-comensal. Entra no campo da contemplação e do prazer. É pura fruição para os sentidos. E arte foi o que Hans Neuner fez na sua apresentação, como um pintor que elabora com técnica e naturalidade uma grande obra. Como se fosse fácil e simples. Os grandes chefs são assim!

3 comentários:

  1. Olá Isabel,

    Que inveja! São sempre oportunidades fantásticas ver tão de perto o trabalho e a dedicação que estas pessoas colocam num estraordinário prato!

    Espero que tenha tido também a oportunidade de comer um bolo da Pastelaria Alcôa, e beber uma Ginja de Alcobaça!
    Acredite que vale a pena.
    Modéstia à parte (sou de Alcobaça), é do melhor que há por lá, não incluindo as maçãs!

    Um beijinho.

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  2. É deste tipo de iniciativas que tenho falta... Com muito bons olhos vejo que aí em Portugal os Eventos gastronómicos têm vindo a florescer!
    Inspirações facilmente absorvidas, principalmente, pelas camadas mais jovens!!
    Como sempre, adoro as tuas 'reportagens'!
    beijinho e um bom fim de semana*

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  3. Olá
    Também dei uma escapadela ao "Peixe em Lisboa" e fiquei encantada com a sugestão da Chef Marlene Vieira da Escola de Hotelaria de Lisboa (o pargo que preparou estava fabuloso). Não tive oportunidade de ver muito mais (mais vale pouco do que nada)
    Beijinho (já viste a festa da Tia Rosa?)

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