quinta-feira, 29 de Março de 2012

Portugal, O Melhor Peixe do Mundo

A nossa história e localização liga-nos ao mar e às artes da pesca. Ser português é sinónimo de gostar de peixe. E a nossa gastronomia é tão rica que de norte a sul encontramos os mais variados pratos de peixe e marisco, que as mãos sábias de gerações e gerações foram apurado e melhorando.

Hoje em dia, na divulgação da nossa gastronomia e do nosso peixe, o papel dos chefs e das boas obras de cozinha são determinantes. Por isso fiquei muito contente quando vi publicada a obra Portugal, O Melhor Peixe do Mundo de Fátima Moura, pela Assírio & Alvim. Foi dos livros que coloquei logo na minha lista de livros a ler. Na minha opinião, há muito que o nosso peixe merecia um obra assim.

Uma das coisas deliciosas da vida são as improbabilidades, os acasos. E a vida deu uma volta e colocou-me num final de tarde à conversa com Fátima Moura. Falámos sobre livros, comida, chefs, restaurantes. Gostei tanto da nossa conversa, de ter descoberto múltiplas afinidades com a autora que decidi fazer-lhe uma entrevista, que desde já agradeço.

A Fátima Moura nasceu em Angola, passou algum tempo no Brasil e actualmente vive em Portugal na zona de Cascais. Já foi professora, assistente de bordo, tradutora e editora. Neste momento, escreve na área da gastronomia: os livros ( O Grande Livro dos Chefs, Cataplana Experience e Portugal, O Melhor Peixe do Mundo ), uma página no Facebook e crónicas.



Entrevista a Fátima Moura, autora do livro Portugal, O Melhor Peixe do Mundo:

1. A gastronomia sempre foi uma paixão?

Sempre gostei de estar na cozinha. Em pequena tinha muita curiosidade de estar a ver trabalhar o Rodrigues, que foi nosso cozinheiro quase 20 anos em Luanda e que tinha muita paciência para me ensinar. A minha mãe era muito criativa na cozinha e tinha "fases" como os pintores, em que fazia variações sobre o mesmo ingrediente. Lembro-me da fase da cenoura, que durou quase dois meses e em que tudo era cor de laranja.


2. Sei que é licenciada em filosofia. Como passou desse mundo das letras para o mundo da gastronomia?

Em 1984 fiz um curso de cozinha profissional na Escola Hoteleira do Estoril. Depois aproveitei esses conhecimentos para os livros. Comecei por traduzir e depois editar livros ligados à cozinha, para as Selecções do Reader's Digest.


3. O Grande Livro dos Chefs, Cataplana Experience e Portugal, O Melhor Peixe do Mundo não são apenas livros de receitas. Como os define e como os prepara?

Gosto de dar informação nos livros que faço. Tenho imenso prazer no tempo que passo a investigar e adoro ir ao terreno, como tenho feito no livro que estou a fazer agora. Corro o país todo com o Mário Cerdeira, um grande fotógrafo, à procura das melhores fontes e para cruzar a informação. Por outro lado, as receitas são complementos que me permitem trabalhar e aprender mais com os chefs.


4. Portugal, O Melhor Peixe do Mundo - porquê?

Porque o peixe é um dos grandes tesouros no Portugal virado para o turismo gastronómico. Todos nós Portugueses somos guardiões desse tesouro e temos de ter consciência de que só o conseguiremos manter se pensarmos sempre em termos de sustentabilidade. É indispensável controlarmos a pesca e o consumo, sabermos quando é aconselhável comer certas espécies, quais as épocas da reprodução e defeso e consumirmos uma grande diversidade de espécies.


5. Como seleccionou os chefs para o melhor peixe do mundo?

Foi muito difícil, visto que nós temos muitos chefs de topo e optei por apenas cinco. O critério foi optar pelos que trabalham mais o peixe, seja de um modo mais tradicional seja de maneira mais vanguardista.


6. Na elaboração do seu livro assistiu à preparação dos pratos pelos chefs? Houve algum momento especial que possa partilhar?

Começamos sempre por uma ou mais reuniões para escolher os pratos a preparar. Depois assisto e participo sempre em todas as sessões de fotografia. Lembro-me de uma sessão no estúdio com o Bertílio Gomes. Tínhamos começado às 3 da tarde e já eram duas da manhã e ainda faltava a cataplana de cavala fumada. Era preciso que o fumo fosse bem visível na fotografia e o Mário lembrou-se de que o mais fácil seria fumo de cigarro. Como nenhum de nós fumava lá foi ele à procura de uma bomba de gasolina para comprar um maço. E depois lá me pus eu a fumar e, claro, acabou tudo em risota e com tanta fome que comemos os pratos fotografados!


7. A identidade gastronómica portuguesa é marcada pela riqueza e variedade dos nossos pratos de peixe. Quais, na sua opinião, são os mais representativos?

O mais representativo é mesmo a qualidade do nosso peixe. A grelha é icónica, mas não podemos esquecer os assados, as açordas, as sopas e as frituras.


8. O melhor peixe português é ... ?

Não consigo escolher um, mas gosto muito de salmonete, sardinha e robalo.


9. O próximo projecto será?

Está em curso e é um livro para a colecção de Filatelia (livros com selos) dos CTT sobre enchidos. Tenho especial carinho por uma página de gastronomia que criei recentemente no Facebook e que se chama Conversas à Mesa com Fátima Moura.

Obrigada Isabel por esta oportunidade de aparecer no seu blogue, que costumo seguir regularmente e que muito aprecio.


Do livro Portugal, O Melhor Peixe do Mundo fiz a receita de Polvo assado com batata-doce de Aljezur do chef Bertílio Gomes.


Ingredientes:
2 cebolas às rodelas
4 tomates maduros em rodelas
2 dentes de alho
1 ramo de salsa
1 polvo com 2kg inteiro e arranjado
2 dl de azeite
600 g de batata-doce
sal

para a fritada de tomate:
1 dl de azeite
2 cebolas médias, em cubos
4 tomates maduros em cubos, limpos de peles e sementes


1. Pré-aquecer o forno a 200ºC.

2. Num tabuleiro fazer uma cama de legumes: as rodelas de cebola, as rodelas de tomate, o alho e o ramo de salsa. Dispor o polvo e regar com o azeite.

3. Tapar com papel de alumínio e levar ao forno a assar durante 1h30. Noutro tabuleiro, colocar a batata-doce com casca. Temperar com sal grosso. Tapar com papel de alumínio e levar a assar ao forno durante 45 minutos.

4. Depois de assado, cortar o polvo em pedaços irregulares e reservar.

5. Depois de assadas as batatas-doces, descascar e cortar em cubos.

6. Para a fritada de tomate, colocar numa frigideira grande que possa ir ao forno e o azeite e a cebola. Levar ao lume e refogar. Juntar o tomate e fritar.

7. Adicionar a batata-doce e levar ao forno até alourar.


A fritada de tomate e a batata-doce tornaram-se um acompanhamento perfeito para o polvo, que ficou tenro e delicioso.


Ter um bom produto não chega. Mas ter um bom produto e saber cozinhá-lo com arte e paixão, é algo sublime e magnífico. Por isso e por muito mais, podemos afirmar que Portugal tem o melhor peixe do mundo!

quarta-feira, 28 de Março de 2012

Coxas de frango com limão


Há dias em que chego a casa e apetece-me fazer um prato que não me roube muito tempo na preparação. Assar coxas de frango com limão no forno é um prato que faço de vez em quando e que entra na secção dos pratos que considero muito fáceis de confeccionar. Prepara-se num piscar de olhos e depois é só esperar que asse no forno.


Ingredientes:
6 coxas de frango
sumo de 1 limão
1 limão cortado às rodelas
1 colher de chá de paprika
3 dentes de alho espremidos
1 dl de azeite
1 piripiri (facultativo)
sal e pimenta preta de moinho


1. Temperar as coxas com sal, pimenta e o alho espremido.

2. Regar com o sumo de limão, juntar o piripiri desfeito com os dedos e polvilhar a carne com a paprika.

3. Regar com o azeite. Dispor as rodelas de limão por cima das coxas.

4. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 50 minutos.


Acompanhar as coxas de frango com arroz branco, salada mista ou legumes cozidos. Simples mas delicioso.

terça-feira, 27 de Março de 2012

Peixe assado no forno com batatas, tomate e salsa


Ter um blogue é como falar todos os dias com pessoas amigas. Há sempre alguma coisa para dizer.

Na grande maioria das vezes, as conversas prendem-se com os aspectos ditos pequenos da vida. Começa-se, normalmente, pelo estado do tempo. Ora se está calor é porque queríamos que não estivesse. Ou se está, queríamos estar na praia e não a caminho do trabalho. Na nossa natureza está definitivamente inscrita a insatisfação. E ainda bem!

Se vos encontrasse hoje na rua, puxaria para a nossa conversa não o estado do tempo, mas, por exemplo, se já andam a pensar no menu da Páscoa, se seguem a tradição e colocam na mesa borrego ou cabrito, se irão comprar amêndoas ou se irão fazê-las vocês mesmos, qual o Folar que mais gostam, se já repararam que as árvores estão cada vez mais bonitas, cheias de flores. Que os dias estão maiores e que sabe bem chegar a casa com luz e com a sensação que ainda temos muito tempo antes da noite chegar.

Falar-vos-ia também de um prato de peixe assado que me soube muito bem. Provavelmente perguntar-me-iam como é que eu o fiz e eu com todo o gosto, explicava-vos. Para o caso de hoje não nos encontrarmos, aqui fica a receita.


Peixe assado no forno com batatas, tomate e salsa

Ingredientes:
3 besugos ou outro peixe para assar
4 batatas cortadas às rodelas
4 tomates limpos de peles e sementes cortados
1 cebola cortada às rodelas
3 dentes de alho picados
1 ramo de salsa
1dl de azeite
sal e pimenta q.b.


1. Colocar num tabuleiro as batatas cortadas. Se seguida colocar a cebola e o alho.

2. Dispor o peixe temperado com sal e pimenta por cima da cama de batata, cebola e alho. Adicionar o tomate picado e a salsa.

3. Regar com o azeite e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 40 minutos.


Este peixe assado fica delicioso. O tomate e a salsa dão-lhe um gostinho especial.

Um bom dia a todos!

segunda-feira, 26 de Março de 2012

Milaneses


Este fim-de-semana passou quase como um piscar de olhos. Mesmo assim, no sábado ainda consegui ver o filme Soul Kitchen, um filme alemão que conta a história de Zinos e do seu restaurante. Zinos namora com Nadine que decide ir para a China trabalhar. Zinos tenta preparar tudo para ir ter com ela. Contrata um chef, que revoluciona o menu do seu restaurante e o faz perder a antiga clientela. O irmão, que se encontra a cumprir pena, precisa de um emprego e acaba por ir trabalhar para o restaurante de Zinos. E aqui todos os problemas começam ...

Soul Kitchen é uma história bem disposta sobre a vida e as relações entre as pessoas, tendo como pano de fundo a comida e a cozinha.

Este fim-de-semana ainda houve tempo para fazer um miminho para a minha mãe. Sempre que visito os meus pais, gosto de lhe levar um bolo, neste caso, uns bolinhos. A receita é da já bem velhinha Teleculinária, de Janeiro de 2000.


Ingredientes:
4 ovos
200g de açúcar
200g de farinha com fermento
raspa de 1 limão
manteiga para untar
farinha para polvilhar
açúcar em pó para polvilhar


1. Untar com manteiga 18 formas de queijadas e polvilhá-las com farinha.

2. Aquecer o forno a 180ºC.

3. Bater os ovos com o açúcar. Adicionar-lhe a farinha e a raspa de limão.

4. Dividir a massa pelas formas, enchendo-as até 2/3.

5. Colocar as formas num tabuleiro e levar ao forno durante 20 minutos.

6. Depois dos bolos cozidos, retirá-los das formas e colocá-los em caixinhas de papel frisado. Polvilhar com açúcar em pó.


Os bolinhos ficam deliciosos, com o sabor do limão a fazer toda a diferença. Estes bolos são do género dos bolos secos. Excelentes para acompanhar um chá, que nestes dias ainda vai apetecendo.

Boa semana a todos.

sexta-feira, 23 de Março de 2012

Arroz de grelos com farinheira


A Primavera é uma das estações mais bonitas do ano. É sem dúvida a estação das flores. Para onde quer que olhemos, nesta altura do ano, encontramos os campos cheios de malmequeres, bem-me-queres e papoilas. E no que toca à comida, é a época em que temos à nossa disposição grelos, sejam de couve ou de nabiças, cá em casa adoramos.

A mãos com um molho de grelos tenros e viçosos que trouxe de Santarém, um dos destinos que lhes coube em sorte foi um delicioso arroz com farinheira.


Ingredientes:
350g de arroz carolino
1dl de azeite
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 farinheira
1,1L de água quente
250g de grelos
sal e pimenta preta de moinho


1. Retirar a pele à farinheira e cortá-la em pedaços pequenos ou desfazê-la grosseiramente com um garfo.

2. Refogar a cebola e o alho no azeite.

3. Acrescentar a água, o arroz e a farinheira. Temperar com sal e pimenta.

4. Depois de deixar ferver o arroz cinco minutos, acrescentar os grelos cortados. Assim que o arroz estiver cozido, retirar do lume e servir.

Os grelos são uma excelente companhia para a farinheira. Juntos transformaram este arroz num prato delicioso, que, obrigatoriamente se repete.

Outras receitas com grelos:
- Arroz de enchidos com grelos de couve;
- Arroz de grelos com camarão e feijão encarnado;
- Arroz integral com grelos;
- Bacalhau confitado com migas de broa e grelos;
- Bacalhau salteado com grelos;
- Cabrito assado no forno com grelos;
- Risotto de bacalhau com grelos;
- Sopa de bacalhau com grelos e ovos;
- Sopa de feijão branco, grelos e morcela;
- Sopa de feijão frade com grelos.

Bons cozinhados!

quarta-feira, 21 de Março de 2012

A que sabe a Primavera? - 25 receitas


A que sabe a Primavera? Esta foi a pergunta que fiz a alguns escritores amigos e eis o que me responderam:

“Este ano aqui na Nova Inglaterra já o Inverno soube a Primavera. Estranhamente, porque não me lembro de nada semelhante. Por isso nem dei pela sua chegada no calendário; faz muito já que ciranda lá por fora a brincar no jardim. Todavia creio que a pergunta puxa para uma resposta mais metafísica. Ora, com o rolar da idade, a Primavera sabe cada vez mais a sabia. Mas isso é coisa de sexagenário como eu. Você, Isabelinha, e o Ricardo ainda habitam nela. Espero bem que saibam sabê-la em pleno.”


“A Primavera sabe a um cesto aconchegado de frutas frescas, sumarentas e coloridas de sorriso alegre.
A Primavera sabe a pétalas vaidosas que provocam curiosidade nas papilas gustativas e embelezam os outros ingredientes.
A Primavera sabe a doces leves e prazerosos como a suave brisa que percorre a nossa pele ao ser tocada com delicadeza.
A Primavera sabe a tudo o que nos recorda natureza e impulsiona o desejo de partilhar uma refeição ao ar livre com quem nos faz feliz.”


“A Primavera sabe a Páscoa. Sabe a borrego assado no forno, com um ligeiro travo a cravinho da Índia, ou guisado, com ervilhas. Sabe a queijadas de requeijão, a bolos de faca de Vila Boim e aos biscoitos da minha avó, cuja receita ninguém sabe onde pára. Sabe a amêndoas com canela e a confeitos de chocolate de todas as cores. Sabe a Elvas, a noites de lua cheia e à Procissão do Mandato. Sabe a tardes de sol, a pescarias no Guadiana e a aguaceiros inesperados a caminho de Juromenha. Sabe a olhares rendidos, a doces beijos roubados e a desencontros amargos. Sabe a livros de Stevenson e a música de Vivaldi e de Bach. Sabe a tempo em fuga e às memórias que ficam.”


“Não sei já a que sabe a Primavera, as alterações no clima misturam tudo e é incerto que a Primavera saiba a um gosto só. Mas se a Primavera for um estado mental, então ao paladar da imaginação apetece-lhe recolocar o grelhador no quintal e atear desejos e brasas onde crestarão as carnes ou os peixes da felicidade comensal. Acontecerá uma espécie de milagre que transmuta o tinto em branco, fresco. Haverá saladas e frutas. Mas na melhor Primavera cai a chuva, como uma melancolia súbita, que entardece e é bonita. Nesses casos sigo o preceituário dos avós: afiguro, revisito essa cozinha que dá para o mesmo quintal, onde a chuva cai, inunda o ralo, sonora. Almoço, com gosto, o prato de feijão-frade dos dias pluviais, que acompanhasse um bacalhau assado no forno.”


“A Primavera sabe a flores frescas do campo. Devemos preparar as papoilas gustativas.”






“A primavera é um caminho que se faz com olhos nas flores e os ouvidos no canto dos pássaros, é uma outra possibilidade que o tempo nos dá para refazermos o resto do ano, uma nova caixa de lápis de cor. A primavera sabe a novas possibilidades, como uma caixa de chocolates por abrir e, como disse a mãe de Forrest Gump, you never know what you're gonna get.”



“A minha Primavera sabe a abreijos de filhos ou como diz o meu filho Martim "faz calor dentro da minha boca" (quando ela, a Primavera, chega). A receita do meu filho é um sortido caro de receita esquecida mas que nunca se esquece.”






Para hoje escolhi uma selecção com sabor a Primavera, que ontem nos brindou com a sua chegada. Para saborearmos a estação, nada melhor do que 25 pratos com ingredientes da época:

Sopas, saladas e entradas:
- Ovos mexidos com espargos;
- Salada de espargos com ovo quente;
- Salada de espargos, com ovo, salmão e mozzarella;
- Salada de favas;
- Salada de mozzarella com tomate, morangos e manjericão;
- Sopa de bacalhau com grelos e ovos;
- Sopa de feijão branco com acelgas;
- Sopa de feijão frade com grelos;
- Sopa de legumes com feijão branco.

Prato principal:
- Arroz de favas;
- Arroz de grelos com camarão e feijão encarnado;
- Bacalhau assado com batatas;
- Bacalhau salteado com grelos;
- Borrego estufado com ervilhas;
- Coelho com favas;
- Favas guisadas;
- Frango com favas;
- Risotto de ervilhas, cogumelos, manjericão e limão;
- Tagliolini nero com lulas salteadas e puré de ervilhas.

Sobremesas:
- Carpaccio de laranja com calda de anis;
- Gelado de baunilha com molho de morango;
- Morangos com mel;
- Parfaits de frutos vermelhos com chantilly de lima e gengibre;
- Risotto de morango;
- Salada de fruta com molho de iogurte e sementes de papoila.


Para mim, a Primavera sabe a dias de céu azul sem nuvens, a ervilhas e favas doces e tenras. A morangos frescos e suculentos. Sabe a espargos selvagens acabados de colher. A tardes de leitura com um sumo fresco na mão. Sabe a flores e a abundância. Sabe a saladas e a pratos coloridos. Sabe a vida e ao vigor do renascer.

E para vocês, a que sabe a Primavera?

terça-feira, 20 de Março de 2012

Rolinhos de espadarte fumado com puré de abacate


Entusiasmada e com uma ideia já pensada, um destes dias comprei abacates. Quando cheguei a casa, coloquei-os no cesto da fruta e ali ficaram a amadurecer. De verde passaram a uma cor que não consigo identificar com certeza, diria um castanho escuro, bonito. O abacate foi das poucas frutas em que a primeira vez que comi, regado com limão ao natural, disse para mim mesma, nunca mais. Não. Daquela fruta não gostava.

Mas os anos passam. O paladar apruma-se. E eis, que agora, de vez em quando gosto de utilizar o abacate, principalmente em saladas. Quando comprei estes abacates tinha intenção de fazer guacamole. Mas ao trazer do supermercado, nas últimas compras, uma embalagem de espadarte fumado, eis que o destino dos abacates se alterou. Um foi feito em puré. Dos outros ainda não há história!


Rolinhos de espadarte fumado com puré de abacate

Ingredientes:
2 fatias de espadarte fumado (80g)
1 abacate maduro
1 colher de sopa de limão
1 dente de alho pequeno
1 raminho de salsa picada
sal
salada mista (verdes e tomate cereja)


1. Cortar as fatias de espadarte em tiras.

2. Num recipiente colocar a polpa do abacate. Juntar o sumo de limão, o alho, a salsa e uma pitada de sal. Com a ajuda da varinha mágica triturar.

3. Barrar as tiras de espadarte com o puré de abacate. Enrolar e colocar num prato com salada mista.

4. Servir com vinagreta de mostarda.


Vinagreta de mostarda

Ingredientes:
1 pitada de sal
pimenta preta de moinho
2 colheres de sopa de vinagre
6 colheres de sopa de azeite
1 colher de sobremesa mal cheia de mostarda inglesa


1. Colocar o sal num taça. Juntar o vinagre e mexer para que o sal se dissolva.

2. Juntar o azeite, a mostarda. Mexer muito bem.


Se quiserem podem alterar as quantidades sempre na proporção de três partes de azeite para uma de vinagre. O espadarte encontra-se à venda nas grandes superfícies, junto ao salmão fumado. O puré de abacate fica cremoso, fresco, com os aromas da salsa e do alho a sobressaírem. É mesmo a estrela deste prato.

segunda-feira, 19 de Março de 2012

Bolo de laranja e azeite para o dia do pai


Ter um pai é construir referências. É criar raízes que nos ligam à vida e moldam o carácter.

Ter um pai é poder sorrir num dia cinzento e enublado. É ter alguém que nos estende a mão quando tropeçamos ou nos deixamos cair. É acordar no meio de um deserto de emoções e saber que não estamos sozinhos.

Ter um pai é receber de forma incondicional. É ser amado como nunca seremos por outro ser que exista ou venha a existir. É ser perdoado sem ressentimentos.

Ter um pai é sentir o orgulho a crescer no peito de reconhecimento e respeito. É olhar para o tempo passado e sentir um elo de pertença.

Ter um pai é poder dizer eu existo! Eu sou alguém!

Para comemorar o dia do Pai, nada melhor do que um mimo em forma de bolo.


Ingredientes:
5 ovos
2dl de azeite
150g de açúcar
225g de farinha com fermento
raspa de 2 laranjas
raspa de 1 limão
sumo de 1 laranja


1. Bater os ovos. De seguida acrescentar o azeite em fio, mexendo sempre.

2. Acrescentar o açúcar e mexer.

3. Juntar a farinha e envolver muito bem.

4. Acrescentar as raspas de laranja e limão e o sumo de laranja.

5. Colocar o preparado numa forma untada com margarina.

6. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 40 minutos.


Quem preferir pode pincelar o bolo, depois de desenformado, com um pouco de sumo de laranja misturado com açúcar.

A todos, votos de um feliz dia do Pai.

sexta-feira, 16 de Março de 2012

Ovos mexidos com farinheira e vinho do Porto


Eu adoro farinheira. Algo que é feito de uma forma tão simples, no fundo é juntar farinha, gordura de porco e temperos. Fica tão delicioso! Encontramos de norte a sul do país uma grande variedade de enchidos. Cada região tem a sua tradição e o modo de confeccionar vai variando um pouco de zona para zona.

Eu tenho a sorte de a minha mãe, uma vez por outra, ter a paciência, o conhecimento e as condições para fazer alguns enchidos. Bem, que já lhe pedi para tentar fazer alheiras, mas ainda não a consegui convencer! Ver se fazemos as duas. Do seu reportório constam as farinheiras, como já disse, chouriços de carne e de sangue e as mais deliciosas morcelas de arroz do mundo.

A farinheira que utilizei nestes ovos mexidos foi feita por ela. E foi das melhores que já fez e das que já comi.


Ingredientes:
6 ovos
1 farinheira
3 colheres de sopa de manteiga
3 colheres de sopa de água
2 colheres de sopa de vinho do Porto
sal e pimenta preta de moinho
salsa picada para servir


1. Tirar a pele à farinheira e cortar em pedacinhos.

2. Colocar a manteiga numa frigideira. Assim que derreter juntar a farinheira e mexer.

3. Bater os ovos com a água, o sal e a pimenta.

4. Juntar os ovos à farinheira e envolver. Regar com o vinho do Porto, mexer e deixar acabar de cozinhar. Não deixar secar muito.

5. Servir polvilhado com salsa picada.


A farinheira faz toda a diferença. Pode transformar os ovos mexidos numa entrada deliciosa que não nos apetece deixar de comer ou então, fica a notar-se que a farinheira não enriqueceu os ovos e que é mesmo o segredo desta entrada.

quinta-feira, 15 de Março de 2012

Salada de queijo feta com sésamo e salmão


Há dias em que chego a casa e a vontade de cozinhar é tanta como a de ir correr a meia-maratona. Abro o frigorífico para ver o que se pode colocar na mesa. Quase sempre tenho sopa feita, o que dá um jeito enorme para um jantar que requeira pouco tempo na cozinha. A seguir, para estas ocasiões penso sempre nuns ovos mexidos, que adoro, sejam eles simples ou misturados com ervas, queijos ou enchidos, ou então uma salada. A escolha desta semana, para um dos meus jantares apressados foi uma salada de queijo feta com sementes de sésamo e salmão. O que se faz rapidamente, não significa que não surpreenda e que não deixe de estar saboroso. Esta minha salada conquistou. O queijo feta envolvido nas sementes de sésamo deu uma ajuda.


Ingredientes:
1/2 cebola roxa cortada em meias luas finas
1/2 bolbo de funcho cortado em fatias finas
100g de queijo feta
2 colheres de sopa de sementes de sésamo
200g de salmão fumado
salada de folhas verdes
sal
azeite e vinagre q.b.


1. Numa taça misturar a salada de folhas verdes, a cebola e o funcho cortado.

2. Envolver os cubos de feta nas sementes de sésamo.

3. Juntar o queijo e o salmão à mistura anterior.

4. Temperar com sal, azeite e vinagre a gosto.


Nesta salada é importante cortar o funcho em fatias finas, para ficar crocante.

quarta-feira, 14 de Março de 2012

Sopa de abóbora com camarão picante


A sopa. Nos últimos tempos não tenho feito muitas sopas. Talvez seja porque os dias têm estado muito quentes e tenho preferido outras comidas. A ideia desta sopa veio no seguimento de algumas receitas que fiz para dar uso a uma abóbora grande que chegou à minha cozinha.

Houve alturas em que procurava logo aproveitar e congelar a abóbora. Agora ando numa fase que procuro logo aproveitar e cozinhar ao máximo com ela ainda fresca. Os congelados dão muito jeito, prepara-se uma sopa ou outra refeição num instante. Mas se posso usufruir de todo o sabor de um fruto ou legume fresco, porquê congelá-lo? Não há nada melhor de que usar os produtos sem passarem pelo congelador.


Sopa de abóbora

Ingredientes:
1Kg de abóbora cortada em pequenos cubos
1 cenoura
1 alho francês sem rama
1 cebola
1 cabeça de funcho
1,5dl de azeite
sal
1L de água quente
cebolinho picado para servir


1. Colocar os legumes numa panela com o azeite. Levar ao lume e deixar cozinhar um pouco, até os legumes começarem a perder volume.

2. Temperar com sal. Juntar a água e deixar os legumes acabarem de cozer.

3. Depois dos legumes cozidos, triturá-los.

4. Servir a sopa com salteados camarões picantes e cebolinho picado.


Camarões picantes

Ingredientes:
200g de camarão sem casca
azeite
1 a 2 dentes de alho picados
1 colher de chá de harissa ou 1 pitada de pimenta caiena
sal q.b.


1. Colocar um fio de azeite num frigideira. Juntar o alho picado e deixar frigir um pouco.

2. Adicionar o camarão juntamente com a harissa ou um pouco de pimenta caiena. Temperar com um pouco de sal a gosto. Mexer.

3. Servir o camarão com a sopa.


O picante é facultativo. Quem não apreciar este contraste de sabores, pode simplesmente saltear o camarão com o alho picado. Já fiz esta sopa duas vezes. Quando se repete é porque se gosta e muito. Cá em casa, adorámos!

terça-feira, 13 de Março de 2012

Peitos de pato com redução de vinho do Porto e puré de aipo


Este fim-de-semana que passou desenrolou-se sem pressas. O sábado levou-me para os lados de Santarém. Um almoço com a família. À tarde, sob um céu azul e um sol risonho, apanhei laranjas e limões. É impossível resistir ao chamamento dos citrinos!

O domingo foi passado em casa. Este fim-de-semana nem fui ao mercado. Para a semana não posso faltar. De manhã entretive-me com experiências na cozinha e à tarde procurei recuperar algumas leituras que tinha em atraso. No final do mês de Fevereiro e no início de Março andei cheia de trabalho, o que me levou a rever muito bem as minhas prioridades. Agora, parece-me, que a vida e o ritmo de trabalho voltou ao normal. E isso é bom.

E como ao fim-de-semana faço sempre uma ou outra refeição com tempo, desta vez a escolha recaiu nuns peitos de pato servidos com um molho redução de vinho do Porto e especiarias, acompanhados de puré de raiz de aipo.


Peitos de pato

Ingredientes:
2 peitos de pato
sal e pimenta preta de moinho


1. Fazer cortes na pele dos peitos de pato em forma de xadrez.

2. Temperar com sal e pimenta preta de moinho.

3. Colocar uma frigideira ao lume e alourar, primeiro do lado da pele e depois virar.

4. Servir os peitos de pato com molho redução de vinho do Porto e puré de aipo.


Molho redução de vinho do Porto com especiarias

Ingredientes:
1dl de água
1,5dl de vinho do Porto
1 pau de canela
1 estrela de anis
2 cravinhos
1 haste de tomilho
raspa de 1/2 laranja


1. Na frigideira onde alourou os peitos de pato colocar a água, a canela, a estrela de anis, os cravinhos e o tomilho. Levar ao lume. Assim que começar a ferver, adicionar o vinho do Porto e a raspa de laranja. Deixar reduzir até ficar mais ou menos quatro colheres de molho.

2. Servir o molho com os peitos de pato fatiados.


Puré de aipo

Ingredientes:
1 raiz de aipo
2 batatas
3 colheres de sopa leite
2 colheres de sopa de manteiga
noz moscada q.b.


1. Cozer o aipo previamente descascado e cortado ao pedaços com as batatas em água temperada com sal.

2. Depois de cozido, escorrer e triturar.

3. Adicionar a manteiga e mexer muito bem. Juntar um pouco de leite e temperar com noz moscada e sal, se necessário.


Os peitos de pato podem ser servidos mais bem passados. Eu gosto mais para o mal passado, para que a carne fique suculenta. Muito passados, acho que a carne fica seca e perde muito da sua grandiosidade. O molho redução de vinho do Porto com especiarias fica ligeiramente adocicado, o que combina muito bem com a carne de pato. O puré de raiz de aipo foi a surpresa, talvez por nunca ter usado. Como gostei, já tenho algumas ideias para outras experiências.

segunda-feira, 12 de Março de 2012

Gelatina e um adeus às tangerinas


Este fim-de-semana disse adeus às tangerinas. As últimas tangerinas da época transformaram-se em gelatina. Uma das coisas que mais gosto neste fruto é o seu perfume. O cheiro a tangerina não nos deixa indiferentes, é dos que acho mais deliciosos. Mais ainda do que o aroma cítrico da laranja. Claro que se enumerasse uma lista dos meus aromas preferidos teria que começar talvez com o cheiro a pão no forno, que mesmo sem fome, nos leva a sonhar logo em comer pão a fumegar, servido com uma noz de manteiga a derreter-se, isto é qualquer coisa de divino. O cheiro a café desperta-me os sentidos. Adoro o cheiro de um café acabado de fazer. O aroma do chocolate quente, conquista-me. O aroma de um bolo no forno abre-me o apetite.


Ingredientes:
1L de sumo de tangerina
sumo de 1 limão
2 colheres de sopa de mel
1 pau de canela
1 estrela de anis
2 saquetas de gelatina em pó (20g)


1. Juntar o sumo de limão ao de tangerina.

2. Dissolver a gelatina em 0,5L de sumo.

3. Levar o sumo restante ao lume com o mel, a estrela de anis e o pau de canela. Deixar ferver durante dois minutos.

4. Retirar as especiarias e juntar o sumo fervido ao que tem a gelatina. Mexer muito bem.

5. Colocar em recipientes individuais ou numa forma grande. Levar ao frigorífico.


A gelatina fica muito agradável. O sabor da fruta sobressai sobre os outros aromas.

E vocês, quais são os aromas que vos conquistam?

sexta-feira, 9 de Março de 2012

Bolo de courgette e cenoura e o mistério das nozes pretas


Com o fim-de-semana à porta, hoje deixo-vos como sugestão um bolo de courgette com cenoura, mas desta vez feito com azeite.

Ingredientes:
400g de farinha com fermento
1 colher de chá de bicabornato de sódio
1 colher de sopa de canela
1/2 colher de chá de erva doce moída
6 ovos
350g de açúcar amarelo
2dl de azeite
100g de cenoura ralada
180g de courgette ralada com a casca
2 colheres de sopa de sementes papoila ou 50g de nozes picadas ou outro fruto seco a gosto


1. Numa taça misturar a farinha com o bicabornato, a canela, a erva doce, os ovos, o açúcar e o azeite. Mexer muito bem.

2. De seguida, adicionar a cenoura e a courgette raladas. Por fim, juntar as sementes de papoila ou outro fruto seco a gosto.

3. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 50 a 60 minutos, numa forma (26 cm) untada com margarina ou manteiga. Verificar com um palito a cozedura do bolo antes de o tirar do forno.



O bolo fica grande, rende boas fatias, que acompanham muito bem um chá a meio da tarde. Fiz este bolo já duas vezes. A primeira vez, usei sementes de papoila e os convidados num almoço, em Santarém, em casa dos meus pais, adoraram as bolinhas pretas que estalam na boca. A segunda vez fiz com nozes. E aqui deu-se algo misterioso. Os químicos deverão ter uma explicação, mas eu, assim empiricamente não consigo dizer o que se poderá ter passado com os ingredientes do bolo. Só sei que quando cortei a primeira fatia apercebi-me que as nozes tinham mudado de cor. A película exterior ficou preta. O sabor do bolo não foi afectado e nem houve consequências posteriores. No entanto, fiquei intrigada. Terão as nozes reagido com o azeite? Com o bicarbonato de sódio? O que poderá ter acontecido para que as nozes tenham mudado de cor?

Bom fim-de-semana.

quinta-feira, 8 de Março de 2012

Filetes de sargo com legumes e puré de beringela


Quando abri, ontem, o congelador para ver o que poderia fazer para o jantar, deparei-me com um saco com sargos, vindos das pescarias do meu pai. Quando se tem em abundância, às vezes é difícil pensar em receitas e maneiras diferentes de confeccionar o mesmo produto. Penso muitas vezes, se tivesse um quintal com grelhador, ao tempo que este peixinho já tinha sido comido ao ar livre. Como não tenho, só me resta uma saída, pensar em alternativas para o utilizar da melhor forma possível. Para o jantar de ontem, arranjei dois sargos em filetes que por sua vez se transformaram num excelente jantar.


Filetes de sargo com legumes

Ingredientes:
4 filetes de sargo ou outro peixe a gosto
200g de abóbora cortada em cubos
1 courgette cortada em cubos
2 dentes de alho picados
0,5dl de azeite
sal e pimenta preta de moinho
tomilho fresco


1. Pré-aquecer o forno a 200ºC.

2. Colocar o azeite numa frigideira com o alho e saltear a abóbora e a courgette. Temperar com sal, pimenta e tomilho.

3. Temperar com sal e pimenta os filetes

4. Cortar 4 tiras de papel vegetal e 4 tiras de papel de alumínio. Em cada tira de papel vegetal colocar uma cama de legumes e por cima um filete. Fechar o papelote e embrulhá-lo na tira de papel de alumínio. Repetir a operação para cada filete.

5. Colocar os embrulhos num tabuleiro de forno.

6. Levar ao forno durante 10 a 15 minutos.


Puré de Beringela

Ingredientes:
3 a 4 beringelas
1dl de azeite
2 dentes de alho picados
1 colher de chá de harissa (ou picante a gosto)
20g de salsa picada
sal


1. Colocar num tacho antiaderente ou numa frigideira o azeite e os alhos picados. Levar ao lume e deixar frigir um pouco.

2. Juntar a beringela cortada em pequenos cubos. Temperar com sal, pimenta e harissa. Mexer. Tapar o tacho e deixar cozinhar. Mexer de vez em quando para não deixar queimar.

3. Quando a beringela estiver cozida, juntar a salsa picada e triturar.



Quem me ouviu e quem e me ouve agora falar de beringela. Nem pareço a mesma pessoa. Eu que nem gostava muito, agora posso dizer que estou encantada. Este puré é uma verdadeira delícia.

quarta-feira, 7 de Março de 2012

Arroz de frango com açafrão no forno para um aniversário


É curioso como os nossos caminhos se cruzam e se entrelaçam. Mesmo que não tenhamos verdadeiramente consciência disso, as pessoas que se cruzam connosco marcam-nos quer seja por uma ideia, pela maneira de estar na vida, quer seja pelo modo como manifestam a sua bondade e carinho, que nos ajudam a olhar para o mundo de maneira diferente. As pessoas que contam na nossa vida são aquelas que nos afectam de alguma forma, aquelas que nos tocaram pela positiva, que nos fizeram sentir bem.

O ano passado a Manuela encontrou-me e concorreu ao desafio Conte-me a sua receita e partilhou com todos nós um bolo muito especial. O Bolo da Tia Rosa. Bolo este que se veio a transformar num delicioso blogue, onde a Manuela nos conta histórias, nos oferece receitas e nos mostra um pouco da sua maneira de estar na vida e com os outros. Conhecia-a na Feira do Livro. Voltamo-nos a encontrar no lançamento do livro de M. Margarida Pereira Muller, Receitas com Cerveja, onde a Manuela me falou de uma cerveja com sabor a chocolate, de que nunca mais me esqueci. A Manuela e eu temos uma história. A história de duas pessoas que se cruzam e que a partir daí nasce uma amizade. Este é o verdadeiro poder dos blogues. Juntar as pessoas.

Para a festa do 1º aniversário do O Bolo da Tia Rosa levo um arroz de frango com açafrão no forno. Um prato que me faz lembrar a minha infância e as festas de família.

Para cozer o frango

Ingredientes:
1/2 frango do campo
450g de arroz agulha ou arroz vaporizado
1 cebola
6 bagas de pimenta-da-Jamaica
3 cravos-da-Índia
1 chouriço
sal


1. Colocar o frango e o chouriço numa panela e adicionar água até tapar a carne. Juntar sal, a pimenta e a cebola com os cravinhos espetados.

2. Depois de cozido o frango, limpá-lo de peles e ossos. Desfiar a carne.

3. Cortar o chouriço às rodelas.

4. Coar 1,2L de caldo e reservar.


Arroz de frango com açafrão no forno

Ingredientes:
450g de arroz agulha ou arroz vaporizado
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1dl de azeite
1,2L de caldo de cozedura do frango (quente)
1 colher de chá de açafrão das índias


1. Levar a cebola e o alho num tacho ao lume com o azeite. Deixar frigir um pouco até a cebola quebrar.

2. Juntar o arroz e deixar fritar um pouco mexendo, para não deixar pegar.

3. Adicionar o caldo, sal e o açafrão. Deixar cozinhar durante 20 minutos. Depois de retirar do lume, deixar repousar durante mais ou menos cinco minutos.

4. Colocar uma camada de arroz num tabuleiro de forno. Por cima uma camada de carne desfiada. Terminar com uma camada de arroz. Decorar com as rodelas de chouriço.

5. Levar ao forno pré-aquecido a 220ºC durante 15 minutos.

6. Servir o arroz com rodelas de laranja.


Acompanhar o arroz com uma salada de verdes. Este arroz fica muito saboroso e solto. O açafrão deixa-o com um amarelo dourado, lindo.

segunda-feira, 5 de Março de 2012

Bife com pimenta verde e o desejo de ir a Paris


Este fim-de-semana que passou fiquei em casa. Finalmente vi o filme Meia Noite em Paris de Woody Allen e achei genial. Os diálogos são fabulosos. É uma verdadeira homenagem à cidade e à sua importância cultural. Ao ver o filme fiquei ainda mais apaixonada por Paris. Como eu adoraria passear junto ao Sena, comer croissants estaladiços a derreterem-se na boca num dos cafés da cidade e macarrons. Ir a feiras de velharias e encontrar pequenos tesouros perdidos. Paris! Paris! Este ano tenho que passar por lá.

Quando via algumas das imagens da cidade por onde o protagonista principal passava, perguntei-me várias vezes sobre quando é que Lisboa tem um filme assim? Um filme em que as pessoas fiquem apaixonadas pela cidade.

Entre o trabalho e o visionamento do filme ainda houve tempo para preparar um bife com pimenta verde em conserva. Trouxe a pimenta da minha última ida a Espanha.


Ingredientes:
2 bifes de vaca
1dl de natas com 35% de gordura
1 colher de sopa de manteiga
1 fio de azeite
1 colher de chá de mostarda Dijon
2 colheres de sopa de pimenta verde em conserva
3 colheres de sopa de brandy
1 colher de café de farinha Maizena (facultativo)
pimenta preta de moinho
sal


1. Colocar um fio de azeite numa frigideira e levar ao lume. Assim que estiver quente, alourar os bifes de um lado e do outro. Temperar com sal, pimenta preta de moinho e juntar a manteiga.

2. Assim que a manteiga derreter, juntar a mostarda e a pimenta verde. Adicionar o brandy e flambear.

3. Dissolver a farinha maizena nas natas e juntar aos bifes. Deixar cozinhar um pouco até o molho engrossar e servir.


A pimenta verde dá um toque muito especial aos bifes. Se não encontrarem em conserva podem substituir por pimenta verde em grão seca.

Boa semana.

quinta-feira, 1 de Março de 2012

Seis anos e uma receita com laranja - As participações


Seis anos. Já passaram seis anos desde o dia em que decidi criar o Cinco Quartos de Laranja e parece que foi ontem. Apesar de ter a sensação de ter sido há pouco tempo, já não tenho a mesma percepção em relação às coisas boas e deliciosas que este projecto me tem trazido. Não se resumem a seis, mas a muitas mais. E isso deixa-me muito feliz. Fico com um sorriso enorme e um brilho nos olhos de alegria. E muitas destas coisas devem-se a vocês, caros leitores, que me acompanham e me incentivam a continuar.

O desafio Seis anos e uma receita com laranja chegou, ontem, ao fim. Fiquei muito sensibilizada com as participações. Foram uma enorme manifestação de carinho e apoio, que desde já agradeço. Gostei das receitas de laranja, das doces e das salgadas, das mais simples e das mais complexas. A preocupação em fazer algo especial com laranja, os textos, as fotografias demonstraram uma generosidade enorme, que me deixou com a certeza de que fazer o Cinco Quartos de Laranja com o carinho e autenticidade que coloco nas minhas publicações, deva continuar. Nem imaginam a força que me dão. Sinto que foi um aniversário cheio e especial.

A todos vocês que transformaram estes seis anos numa grande festa, um muito obrigada!

Um especial agradecimento às empresas Mendes Gonçalves e à Esporão S.A., pelo apoio imprescindível que me deram nesta iniciativa, nomeadamente ao disponibilizarem para oferta produtos de qualidade feitos em Portugal.


Para a festa dos seis anos do Cinco Quartos de Laranja tivemos as seguintes sessenta deliciosas participações:

1
Receita:Bolo de Chocolate e Laranja com Gelatina da Mesma
Autor(a):Maria
Blogue:Oficina das Papitas
2
Receita:Creme de lentilhas aromatizado com laranja e crutons
Autor(a):Carla Carmo
Blogue:De Cozinha em Cozinha passando pela Minha
3
Receita:Risotto de Laranja
Autor(a):Bombom
Blogue:O Meu Estaminé
4
Receita:Pudim de Laranja
Autor(a):Mané
Blogue:O Bolo da Tia Rosa
5
Receita:Laranja com molho de chocolate e manteiga de amendoim
Autor(a):Goreti Dinis
Blogue:Coisas da Go
6
Receita:Delícia de Laranja
Autor(a):Rosa Teixeira
Blogue:Rosa C.
7
Receita:Calducho de Laranja com Bacalhau, Poejos e Açafrão
Autor(a):Olhapim
Blogue:Olhapim
8
Receita:Pato assado com Laranja
Autor(a):Maria José Machado
Blogue:7 gramas de ternura
9
Receita:Torta de Laranja com um toque de Lavanda
Autor(a):Luísa Alexandra
Blogue:Luísa Alexandra
10
Receita:Tagliatelle de Laranja com Molho de Ricota
Autor(a):Mariana Teixeira
Blogue:Receitas para a Felicidade
11
Receita:Bifes de Frango com Molho de Laranja
Autor(a):Tixa Pinheiro
Blogue:Tixismos
12
Receita:Panna Cotta de Laranja
Autor(a):Pammy Sami
Blogue:Menu Verde
13
Receita:Rolinhos de Perú com Molho de Laranja
Autor(a):Gisela
Blogue:Pão e Beldroegas
14
Receita:Aletria
Autor(a):Guida Cândido
Blogue:Panela sem (de)pressão
15
Receita:Bolo de Laranja
Autor(a):Conceição
Blogue:Eu e os Tachos
16
Receita:Frango Assado com Alperces e Citrinos
Autor(a):Moira
Blogue:Tertúlia de Sabores
17
Receita:Pudim da Laranjinha
Autor(a):Ana Melo
Blogue:Está Vento
18
Receita:Tajine de Vaca com Beterraba e Laranja
Autor(a):Cláudia Antunes
Blogue:Claudipédia Culinária
19
Receita:Bolo de Baunilha com Fruta e Sumo de Laranja
Autor(a):Helena Mouta
Blogue:Bolachas & Cia.
20
Receita:Salada de Couscous com Especiarias e Laranja
Autor(a):Ginja
Blogue:Ananás e Hortelã
21
Receita:Quadradinhos de Laranja
Autor(a):Catarina Silva
Blogue:Claras em Neve
22
Receita:Mousse de Dióspiro e Laranja
Autor(a):Manuela
Blogue:Cravo e Canela
23
Receita:Tarte de Requeijão, Banana e Laranja
Autor(a):Belinha Gulosa
Blogue:Receitas da Belinha Gulosa
24
Receita:Gambas Laranjinhas
Autor(a):Celeste Vaz
25
Receita:Citrinos e Pêras Caramelizados com Brandy
Autor(a):Lenita
Blogue:Tentações Sobre a Mesa
26
Receita:Madalenas de Laranja e Sultanas
Autor(a):Dália Costa
Blogue:Saudade'Studio
27
Receita:Porridge de Laranja e Flor de Anis
Autor(a):Vera Ferraz
Blogue:E Hoje para o Jantar Temos
28
Receita:Muffins de Laranja, Rosas e Chocolate Branco
Autor(a):Pintea Ramona Alina
Blogue:Piri Piri e Canela
29
Receita:Coxas de Perú Estufadas com Cebolada de Mostarda e Laranja
Autor(a):Dulce Caldeira
Blogue:Cozinha da Duxa
30
Receita:Lombo no Forno com Laranja e 5 Especiarias
Autor(a):Ana Rita
Blogue:Bem Bons
31
Receita:Broinhas de Laranja com Uvas Passas
Autor(a):Susana Canhola
Blogue:Estrela de Anis
32
Receita:Bifinhos de Frango com Molho de Laranja
Autor(a):Maria João Clavel
Blogue:Clavel's Cook
33
Receita:Pão de Iogurte, Laranja e Sementes de Sésamo
Autor(a):Graça Silveira
34
Receita:Pudim de Laranja
Autor(a):Maria
Blogue:Belita, a Rainha dos Couratos
35
Receita:Laranja em Calda com Frutos Secos
Autor(a):Frango do Campo
Blogue:Frango do Campo
36
Receita:Pato com Laranja
Autor(a):Patrícia Almeida Cheio
Blogue:Foodwithameaning
37
Receita:Mousse de Laranja
Autor(a):Manuela Maia
Blogue:Não, não é um blogue
38
Receita:Madalenas de Laranja
Autor(a):Sílvia Paiva
Blogue:Docinhos da UCIC
39
Receita:Geleia de Laranja e Gengibre
Autor(a):Bombom
Blogue:O Meu Estaminé
40
Receita:Sopa Doce de Laranja
Autor(a):Maria Madeira
Blogue:Pedra do Lar
41
Receita:Bifinhos de Porco Preto Salteados com Laranja e Alecrim
Autor(a):Cláudia Rocha
42
Receita:Everlasting Whipsylabub
Autor(a):Ana
Blogue:Anasbageri ~ A Padaria da Ana
43
Receita:Torta de Laranja
Autor(a):Cristina Fonseca
Blogue:Salpicos Doces
44
Receita:Laranja com Nozes
Autor(a):Rosmaninho
45
Receita:Bolo de Laranja Coberto
Autor(a):Catarina Fernandes
Blogue:Ideias e Tempos na Vida!
46
Receita:Escalopes de Porco com Laranja e vinho do Porto em cama de puré de Espargos
Autor(a):Regina
Blogue:Sonhos de Canela
47
Receita:Bolo de Laranja e Sementes de Papoila
Autor(a):Suzana
Blogue:Gourmets Amadores
48
Receita:Bonito em cebolada de Pimento vermelho e Laranja
Autor(a):Margarida
Blogue:Figo Lampo
49
Receita:Panquecas com Laranja caramelizada e xarope de Alecrim
Autor(a):Carolina Queiroz Nunes
50
Receita:Bolo de Abóbora, Laranja e Amêndoas
Autor(a):Paula Fragoso
Blogue:Fio de Algodão
51
Receita:Bolo Mármore
Autor(a):Ilídia
Blogue:Acre e Doce
52
Receita:Tagliatelle de Beterraba com molho de Feijão de Soja e Laranja
Autor(a):Filipa Carmo
53
Receita:Coxas de Perú assadas com Laranja
Autor(a):Susana Soares
Blogue:Belina da Ilha
54
Receita:Salada de Laranja
Autor(a):Susana Antunes
Blogue:A cozinha da família Antunes
55
Receita:Frango Estufado com Cogumelos em Molho de Cerveja e Laranja
Autor(a):Alice
Blogue:Alice na Cozinha Maravilha
56
Receita:Lombo de Porco com molho de Mel e Laranja
Autor(a):Especiarias & Chocolate
Blogue:Especiarias & Chocolate
57
Receita:Pescada com molho de Laranja
Autor(a):Ondina Maria
Blogue:Coentros & Rabanetes
58
Receita:Maçãs em "Robe de Chambre"
Autor(a):Babette
Blogue:A Festa de Babette
59
Receita:Queques de Laranja
Autor(a):Maria João Monteiro
Blogue:Catástrofes Culinárias
60
Receita:Crepes de Chocolate com calda de Laranja
Autor(a):Ana Ferreira
Blogue:1/2 Torradinha e um Pingo

Nota: As imagens utilizadas são da autoria dos(as) respectivos(as) autores(as) acima mencionados(as).


De entre as sessenta participações, foram sorteadas com uma garrafa de vinagre condimentado com Figo e Canela da marca Creative e uma garrafa de azeite virgem extra Herdade do Esporão DOP Moura as seguintes seis entradas:



#12: Pammy Sami;
#29: Dulce Caldeira;
#37: Manuela Maia;
#40: Maria Madeira;
#47: Suzana;
#55: Alice.


Muitos parabéns! Agradecia que me enviassem por eMail (para mailto:nospam_please@hotmail.com) a vossa morada para que os patrocinadores, a saber, Mendes Gonçalves e a Esporão S.A. procedam ao envio do referido presente.