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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Pode uma Laranjinha espalhar felicidade?


Desde que me iniciei neste mundo da blogosfera, decorria o ano de 2005, que sempre acompanhei blogues nacionais e estrangeiros dos mais variados temas. Lá fora, os blogues participavam em encontros, palestras e conferências e eu pensava sempre, que bom que seria assistir. Poder participar, trocar experiências com outros que têm os mesmo interesses que eu, poder aprender. Mas todos estes eventos que fui tendo conhecimento, ou se realizavam por terras de Sua Majestade ou do outro lado do Atlântico em alturas completamente impensáveis para mim. Por isso, quando o meu telefone tocou e recebi o convite para participar numa conferência, com várias actividades associadas, que ia reunir pela primeira vez em Portugal num evento com estas características, um conjunto de blogues das mais variadas áreas, os meus olhos brilharam e disse prontamente, sim, eu quero participar!

E foi assim, que integrei a lista de participantes da #ABC - A Bloggers Conference, co-organizada pelo Coworklisboa, pela Marta Valente e pela IAMIN, que irá ter lugar no próximo dia 14 de Dezembro de 2013 às 10h da manhã no LEAP Center, nas Amoreiras.

Nesta conferência vou estar ao lado da Catarina Beato do Dias de uma princesa, Filipe Gil do Correr na Cidade, Marta Valente do It's Monday But it's OK!, Pedro Rolo Duarte, Sofia Castro Fernandes do Às nove no meu blogue e de Raquel Prates. Os moderadores desta conversa serão o André Casado e a Patrícia Dias. Acho que vai ser um encontro muito interessante. Com bloggers de áreas muito variadas, o que torna o encontro ainda mais apelativo, com imenso para contar e partilhar com todos os que irão assistir. Eu confesso, que estou muito entusiasmada com esta iniciativa.

Da parte da tarde, decorrerão um conjunto de oito workshops subordinados a variadíssimos temas sobre os quais podem consultar no programa do evento.

Penso que vai ser um dia muito bem passado. Encontramo-nos lá?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Uma noite de estrelas portuguesas no Vila Joya


A noite estava fresca. Vesti o casaco de malha e parei para ouvir ao longe o barulho das ondas a fustigar a areia. Inspirei fundo e senti-me feliz. Era a primeira vez que estava num dos mais prestigiados restaurantes portugueses, detentor de duas estrelas Michelin. Mas não era só isso que me fez sorrir e sentir como se houvesse um mundo mágico e eu tivesse a sorte de fazer parte dele. A noite em que fui jantar ao Vila Joya (duas estrelas Michelin), no âmbito do International Gourmet Festival, foi a noite dedicada aos chefs e restaurantes premiados pelo famoso guia Michelin em Portugal.

Antes do jantar, teve lugar a apresentação do azeite da primeira colheita de 2013/2014 da Oliveira da Serra, a que agradeço desde já, a minha ida a tão prestigiado festival, incluindo o respectivo transporte. Para esta apresentação o chef Matteo Ferrantino preparou grissinos e uma focaccia que ensopada no azeite, soube muito bem. Do azeite virgem extra Oliveira da Serra apresentado, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a cor. Um verde intenso, dourado. Quando provei, sobressaiu um aroma frutado com um final de boca ligeiramente picante. Muito bom. Tivemos ainda a possibilidade de experimentar uns bolinhos de azeite, feitos pelo chef Vitor Sobral, preparados com esta primeira colheita. Para finalizar a apresentação foi servido gin com uma esferificação em que o azeite marcava presença.


Já sentados à mesa, sabia que a noite ia ser longa, no menu, contei onze pratos. E como num baile, a dança começou e as entradas vieram aos pares, o que de certa maneira, acelerou o ritmo do serviço, que neste tipo de jantares acaba inevitavelmente por se prolongar noite dentro. Ostra Gillardeau, ponzu e tangerina da Madeira, com uns mini pepinos que nunca tinha visto, por Benôit Sinthon, do restaurante madeirense Il Gallo d'Oro (uma estrela Michelin), abriram-nos o apetite, servida com um vinho Quinta de Camarate branco doce fez-nos sonhar com o mar azul em dias de céu limpo. Polvo, limão e batata decorados com folha de ostra, um prato bonito, do chef luso descendente, George Mendes, foi a segunda entrada. Confesso que tinha imensa curiosidade no trabalho deste chef, que conquistou uma estrela Michelin com o seu Aldea em Nova Iorque. Às vezes colocamos as expectativas tão altas, que quando chega ao momento achamos que afinal faltou qualquer coisa. A acompanhar o polvo, um vinho Cortes de Cima Sauvignon Blanc de 2012.


A segunda dupla de entradas foi atum toro envolvido num crocante de quinoa, com beringela e miso, do talentoso chef Hans Neuner do restaurante Ocean (duas estrelas Michelin), e salmão escocês marinado com caviar imperial do chef Henrique Leis, do restaurante Henrique Leis (uma estrela Michelin). Fiquei rendida ao salmão e ao trabalho deste chef. Ambas as entradas foram acompanhadas por um vinho branco Herdade da Calada Baron de B Reserva 2012.


A abrir os pratos principais, foi a vez do chef Ricardo Costa do restaurante The Yetman (uma estrela Michelin) que nos presenteou com salmonete, vieira, lulas e carpaccio de cozido. Que maravilha. O molho com um toque de champanhe, reforçou a grandiosidade deste prato. Acompanhámos o salmonete com champanhe Dom Pérignon.


Mas para mim, um dos melhores pratos da noite foi o do chef Vincent Farges, do restaurante do Hotel da Fortaleza do Guincho (uma estrela Michelin), pregado selvagem servido num caldo de vitela e champanhe com alcachofras de Jerusalém, avelã e trufa de Alba. Uma brisa de Atlântico vinda do Guincho inundou de sorrisos satisfeitos cada garfada deste prato. A acompanhar, um vinho Pelada de 2003.


O chef Albano Estrela, do restaurante Arcadas em Coimbra, também brilhou nesta noite de estrelas. Fez-nos chegar à mesa um cappuccino de trufas pretas e Sot l'Y Laisse (pedaço de frango do dorso) que nos surpreendeu a cada colherada. Um dos pratos que conseguiu captar os tons românticos de Outono como se de um poema se tratasse, foi o chef Leonel Pereira do restaurante São Gabriel. Fez-nos chegar foie gras cozido em vinho tinto, marmelada de açafrão, cebola caramelizada e couve-flor em diferentes texturas. A mim, fez-me lembrar um passeio pelo campo ao pôr do sol num dia de Outono, em que as parras das videiras se enchem de tons amarelos dourados e grenás. Um prato poema, que provamos e queremos voltar a repetir.

( Fotografia da direita da autoria de Vasco Célio )

Trocando a ordem inicial do menu, os anfitriões da noite, Dieter Koschina e Matteo Ferrantino, confeccionaram sela de corça, uma carne terna e suculenta - que foi a primeira vez que comi - servida com três texturas de salsify, foie gras fresco e azeite esferificado. Um prato digno de deuses. Terminámos os pratos de carne com lebre, fígado de ganso, feijão branco e cogumelos do conhecido chef José Avillez do restaurante Belcanto (uma estrela Michelin) que nos tem surpreendido com várias criações pautadas sempre pela criatividade e inovação. O prato de lebre estava decorado com uma folha de massa tenra em forma de plátano a lembrar uma filhós, numa alusão ao Outono. Exageradamente, a folha enchia o prato. O sabor da lebre estava demasiado apurado para o meu gosto. A acompanhar as carnes um vinho Batuta de 2010.

( Fotografia da esquerda da autoria de Vasco Célio )

A sobremesa veio pela mão do talentoso chef Vitor Matos que nos apresentou uma variação de grandes crus com frutos silvestres e violetas, servido numa original garrafa de vinho do Porto espalmada a fazer de prato. Uma sobremesa colorida, fresca mas que, na minha opinião, não reflecte o brilhante trabalho que já tive a possibilidade de degustar no restaurante Largo do Paço (uma estrela Michelin) na Casa da Calçada em Amarante. A acompanhar a sobremesa, um Porto Pintas Vintage 2007.

( Fotografia da autoria de Vasco Célio )

Antes dos mignardises e do café, foi-nos servido um batido de rúcula e azeite Oliveira da Serra, geladinho, soube mesmo bem.

Este jantar no Vila Joya foi uma festa de estrelas, em que os nossos mais conceituados chefs brilharam, cada um à sua maneira. Um jantar a doze mãos não é uma tarefa fácil, mas Dieter Koschina e os restantes convidados mostraram que merecem muitas estrelas e tornaram esta noite inesquecível e especial. E especial é também este International Gourmet Festival, que desde 2006, tem vindo a promover a alta cozinha.


Outros olhares sobre este jantar:
- Noite portuguesa, noite feliz por Duarte Calvão;
- International Gourmet Festival: A gloriosa noite dos 12 magníficos por Paulo Brilhante.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Bolo de abóbora com especiarias e queijo


Há cheiros característicos que nos fazem felizes. Assim que chega o Outono, um dos cheiros que invade as ruas é o das castanhas assadas. Um cheiro doce, reconfortante ... não resisto a castanhas assadas, quentinhas! Um dos cheiros que me faz lembrar o Natal é o das especiarias, gengibre, estrela de anis, canela ... fritos acabados de fazer polvilhados com canela e açúcar ou arroz-doce, polvilhado com esta especiaria ainda quente, é tão bom! E foi um cheiro bom, a lembrar o Natal, que invadiu a minha cozinha quando fiz este bolo de abóbora com especiarias e queijo que desenvolvi para a rubrica Momentos Président avec Plaisir.

Ingredientes:
300 g de farinha com fermento
2 g de gengibre em pó
5 g de canela em pó
Uma pitada de noz moscada
1 embalagem de queijo Président Rondelé Nature
150 g de tâmaras sem caroço
50 g de sultanas pretas
1 dl de vinho do Porto Ruby
300 g de açúcar amarelo
200 g de manteiga à temperatura ambiente
4 ovos médios
350 g de abóbora manteiga
80 g de nozes


1. Picar as tâmaras e as sultanas. Regar com o vinho do Porto e deixar a macerar pelo menos durante 1h30.

2. Cozer a abóbora em água. Depois de cozida escorrer.

3. Colocar a abóbora num pano e torcer de modo a retirar água. Espremer até obter 150g de polpa.

4. Triturar a abóbora.

5. Bater a manteiga com o açúcar.

6. Acrescentar os ovos, mexendo entre cada adição.

7. Adicionar o puré de abóbora, as frutas maceradas, o queijo, a farinha, as especiarias e as nozes picadas grosseiramente. Mexer.

8. Colocar o preparado numa forma previamente untada com manteiga.

9. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 40 a 45 minutos. Antes de retirar do forno, verificar com um palito a cozedura. Deixar arrefecer e desenformar.


Quem preferir que o bolo fique mais húmido, pode aumentar a quantidade de abóbora usada.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Azeite aromatizado com louro e alecrim


Uma das coisas que caracteriza as cidades é o seu comércio. O comércio tradicional, com os mercados de rua, com a venda de frutas e legumes, com lojas pitorescas onde é possível encontrar produtos de todas as regiões do país e que dificilmente entram nas redes das grandes superfícies. É esta especificidade que distingue este comércio que tanto precisamos nas nossas cidades. Quando viajo, uma das coisas que gosto de ver é o fervilhar de pessoas nas ruas, nos cafés e nas esplanadas. Adoro encontrar lojas, que considero diferentes. Em Lisboa, é com bom grado que vejo a praça do Comércio ganhar vida, com cafés e restaurantes, adoro passear desde o Príncipe Real até à Baixa e espreitar as várias lojas com produtos portugueses, daqueles que não estão ainda massificados, oriundos de várias regiões nacionais.

Acredito nos projectos que procuram desenvolver os recursos regionais. Houve uma altura, em que se sentiu, um virar de costas à agricultura. A pouco e pouco vou vendo nascer projectos que procuram promover a ligação à terra, às gentes locais, com ideias inovadoras, novos produtos a nascer e isso é muito gratificante. É bom para quem produz, para os revendedores e para o consumidor final. E para isso, é importante que hajam acções como a que decorreu a semana passada, em Almodôvar, para a apresentação da Rota dos Recursos Silvestres, promovida pela ADRAL - Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, a que tive o prazer de assistir.

Esta rota procura promover e divulgar alguns dos recursos silvestres do Alentejo. Durante a apresentação teve lugar um showcooking com o chef António Nobre, que conheci na minha ida a Marvão, e que confeccionou alguns pratos com os produtos locais. Desde um creme de couve-flor com cogumelos salteados, que estava maravilhoso - de certeza uma receita a experimentar cá em casa - até migas de pão com chocolate. Depois da demonstração culinária seguiu-se uma degustação.


Na degustação tivemos a possibilidade de provar algumas das receitas que o chef desenvolveu para este projecto, para além das apresentadas na sessão de showcooking. Espargos brancos com ovos e pão alentejano torrado com alho, fez as delícias de todos os que provaram. O prato de feijão branco com bacalhau e tengarrinhas, encheu-me de curiosidade. O que seriam tengarrinhas? Descobri que são cardos.

Tivemos também a oportunidade de experimentar os filetes de cação fritos em azeite com migas de feijão manteiga e hortelã da ribeira. Confesso que quando olho para a gastronomia alentejana e penso no cação, é sempre na forma de sopa. Mas estes filetes com as migas e o toque da hortelã estavam divinos. Penso que deve ter sido a primeira vez que comi hortelã da ribeira. Quando provei, o primeiro pensamento foi, poejo. Mas não. A hortelã da ribeira apesar de ser muito semelhante ao poejo tem as folhas mais pequenas.

O prato de carne foi lombinho do bom porco de raça Alentejana recheado com azeitonas pisadas, migas de poejo com linguiça e a refrescar o prato, salada de laranja. Para sobremesa, figos da Índia com queijo fresco, mel e amêndoas e migas doces de chocolate com pão alentejano, que vimos o chef confeccionar. No Alentejo temos produtores de figo da Índia como a Cactus Extractus. Felizmente que já os encontrei à venda, até nas grandes superfícies. Mas penso que em termos de utilização, ainda muito há a fazer. Se tiverem possibilidade experimentem esta receita.

As migas doces de chocolate foram uma surpresa. Feitas com aguardente de medronho, souberam mesmo bem. O Alentejo tem tanto para nos dar. Bons produtos, desde os cogumelos, às ervas aromáticas em que sobressai o poejo, figos da Índia, mel, entre vários produtos que vão surgindo, passando pelos medronhos, que tanto adoro, até ao seu receituário, que nos enche de orgulho e nos alimenta de satisfação. Agora é importante haver um trabalho de divulgação de modo a sabermos onde comprar estas coisas boas nas lojas de comércio local das nossas cidades.

Já agora, uma das coisas boas que o Alentejo produz é o azeite. Hoje deixo-vos uma sugestão para um presente de Natal em que o azeite é o elemento central e que desenvolvi para a edição de Dezembro de 2012 da revista Saber Viver.

Azeite picante com louro e alecrim


Ingredientes:
18 malaguetas secas
2 malaguetas secas picadas
8 folhas de louro
8 hastes de alecrim
5 g de pimenta-preta em grão
5 g de pimenta-branca em grão
1,15 L de azeite


1. Lavar e secar muito bem as hastes de alecrim.

2. Colocar os ingredientes, com excepção do azeite numa garrafa.

3. Aquecer o azeite em lume brando sem deixar de ferver, até atingir os 50ºC.

4. Colocar o azeite na garrafa e tapar.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

20 ideias de presentes para oferecer no Natal


Já há magia no ar. Por todo o lado já se sente que o Natal está a chegar. Esta é das épocas mais bonitas do ano. O Natal é a festa por excelência para reunir a família à volta da mesa. Por cá, já temos a abóbora para os tradicionais fritos da época e começamos a pensar nos presentes a oferecer. Também já é habitual fazermos as nossas próprias etiquetas.

Nos últimos anos tenho procurado encontrar ou fazer presentes personalizados, com um toque especial, daqueles que não se encontram à venda e que feitos por nós têm outro sabor. Para quem como eu gosta de preparar uns miminhos especiais para surpreender a família e os amigos, hoje deixo-vos vinte ideias para presentes bem saborosos que de certeza vão fazer felizes quem os receber:
Para além destas sugestões, deixo-vos ainda uma outra para incluírem nos vossos cabazes. O meu livro, Cozinha para Dias Felizes, é um excelente presente para quem gosta de livros.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sandes aberta de queijo com tomate cereja e agrião


O Outono tens-nos brindado com dias bonitos. Estes dias, apesar de frios, convidam a uma refeição leve ou um lanche mais demorado. Uma sandes aberta ao estilo das tartines francesas, pode ser uma excelente opção. Desenvolvi esta receita para a rubrica Momentos Président avec Plaisir.


Ingredientes:
1 embalagem de queijo Président Rondelé Ail et Fines Herbes
4 fatias de pão de mistura
150 g de tomate cereja
8 rabanetes
10 g de folhas de agrião
2 colheres de sopa de azeite
Pimenta-preta q.b.
Sal grosso q.b.


1. Barrar as fatias de pão com o queijo.

2. Por cima, dispor os rabanetes cortados em fatias finas, o tomate cereja cortado ao meio ou em quatro. Temperar com sal grosso e pimenta preta.

3. Finalizar com as folhas de agrião. Regar com azeite e servir.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Bolo de mel com especiarias


Este fim-de-semana houve encontro de família. A minha sogra fez anos e reunimo-nos todos à volta da mesa. Em jeito de presente preparámos o almoço. Eu fiz uma salada de cuscuz para entrada, perna de borrego com ervas, assada a baixa temperatura durante toda a manhã e por fim, um bolo de mel com especiarias, que encontrei na revista BBC GoodFood de Dezembro de 2013.


Ingredientes:
140 g de manteiga sem sal
300 g de mel
100 g de açúcar
375 g de farinha com fermento
5 g de gengibre
3 g de canela
1 g de cravinho em pó
Uma pitada de noz moscada e pimenta-preta
3 ovos

Ingredientes para o recheio:
200 g de compota de ameixa ou outra a gosto

Ingredientes para a cobertura:
200 ml de natas
140 g de chocolate 70% de cacau
3 colheres de sopa de mel


1. Colocar o mel, a manteiga e o açúcar num tacho. Levar ao lume médio até a manteiga ter derretido. Mexer bem. Deixar arrefecer.

2. Colocar a farinha e as especiarias numa taça.

3. Assim que a mistura de mel tiver arrefecido, adicionar os ovos e mexer muito bem. Colocar esta mistura por cima dos ingredientes secos. Envolver bem, tendo o cuidado de não mexer demasiado para o bolo não ficar seco.

4. Colocar a massa numa forma redonda de 26cm, previamente untada com manteiga. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 30 a 35 minutos. Antes de retirar do forno, verificar a cozedura com um palito.

5. Deixar arrefecer o bolo e depois cortá-lo ao meio.

6. Rechear o bolo com a compota.

7. Para a cobertura, colocar o chocolate, as natas e o mel numa caçarola. Levar ao lume até o chocolate derreter, ir mexendo até obter uma mistura uniforme.

8. Regar o bolo com o chocolate.


O bolo fica perfumado, com um aroma delicioso a especiarias.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Sopa de peixe, uma receita económica


Quem gosta de cozinhar gosta também de ver programas de cozinha. Eu sempre que posso tento acompanhar. Desde programas de receitas como os de Gordon Ramsay, Nigella Lawson, Jamie Oliver, Raymond Blanc, Paul Hollywood, passando pelos programas de viagens e comida de Anthony Bourdain e terminando nos concursos de cozinha, Top Chef americano, que vi várias épocas ou ao MasterChef australiano, que considero dos mais pedagógicos dentro deste género.

Por isso, foi com bom grado que assisti na quarta-feira à apresentação de um novo programa dedicado à cozinha, Chefs' Academy. Este programa estreia no dia 23 de Novembro de 2013 às 22h, na RTP. Confesso que estou curiosa. O formato, promete. O programa vai funcionar como uma escola, com aulas temáticas (carne, peixe, caldos, etc.) e vão existir visitas de estudo a produtores nacionais. E como numa escola, haverão também avaliações, o que irá permitir aos concorrentes acumular pontos. Neste formato não vai haver expulsões. O director da escola é o conhecido chef José Cordeiro e os professores que acompanham os alunos são a chef Marlene Vieira, o chef António Alexandre, o chef Henrique Sá Pessoa e o chef Kiko Martins. Será apresentado por Catarina Furtado.

Quem gosta de cozinhar, vê programas de cozinha em diversos formatos, para aprender, para tirar ideias e experimentar fazer. Espero que este novo programa da RTP nos permita tudo isto. Não sei se no programa haverá aulas sobre sopas. Se houver, vou querer ver, de certeza. Cá por casa a sopa é uma constante, seja como início da refeição ou como refeição por si mesma. Hoje, apresento uma sopa de peixe bem económica que desenvolvi para para a edição de Outubro de 2013 da revista Saber Viver inserida numa rubrica em que o ingredientes principal teria que ter um custo inferior a dois euros.


Ingredientes:
500 g de rabos de pescada congelados
1 cebola
2 dentes de alho
1 dl de azeite
225 g de batata
400 g de curgete
150 g de cenoura
200 g de tomate maduro
1,7 L de caldo de cozer o peixe
200 g de massa cotovelos
2 ovos
10 g de coentros
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Cozer os rabos de pescada, depois de descongelados, em água temperada com sal. Depois de cozida, reservar o caldo de cozedura.

2. Limpar o peixe de peles e espinhas.

3. Numa panela, refogar em azeite a cebola e os dentes de alho picados.

4. Descascar e cortar em pedaços a batata, a curgete, a cenoura e o tomate.

5. Assim que a cebola quebrar, adicionar os legumes cortados e regá-los com o caldo de cozedura do peixe.

6. Temperar com sal e pimenta preta a gosto.

7. Quando os legumes estiveram cozidos, com uma varinha mágica, reduzi-los a puré.

8. Juntar o peixe e a massa cotovelos.

9. Quando a massa estiver cozida, adicionar os ovos batidos. Mexer.

10. Retirar do lume e juntar os coentros picados.


Esta sopa fica muito rica e pode constituir por si só uma refeição. Eu, na confecção optei por que a sopa ficasse mais grossa, mas quem preferir pode acrescentar mais caldo de peixe.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um jantar de elogio ao medronho


Desde que me interesso por questões de gastronomia e pela nossa cozinha, que me tenho apercebido da existência de muito produtos portugueses esquecidos ou muito pouco usados. Acho louvável quando surgem iniciativas que tentam recuperar esses produtos. Ainda bem que alguém olha para as coisas boas que temos, que as promove de modo a fazê-las chegar a um público mais alargado. Por isso, foi com bom grado que aceitei participar no primeiro jantar do projecto Endógenos, organizado por Nuno Nobre no restaurante Belém 2 a 8, em Lisboa.

Em relação a alguns produtos portugueses que considero que andam um pouco esquecidos, vêm-me logo à cabeça, as túberas, conhecidas como as nossas trufas e que nunca vi à venda em lojas ou até mesmo em mercados da capital. De seguida os espargos selvagens, que só consegui encontrar no Alentejo, a alfarroba, apesar de hoje em dia conseguirmos encontrar facilmente este produto em farinha é ainda pouco divulgado, as camarinhas, que só me lembro de comer na Nazaré, vendidas pelas praieiras, com um ligeiro travo ácido delicioso e que nunca mais vi. O chícharo, com um aspecto semelhante ao tremoço e que para o encontrar foi uma carga de trabalhos, é pouco conhecido e para (des)ajudar, em algumas regiões do país, o chícharo designa o feijão frade. As cilarcas, que comprei pela primeira vez numa ida ao mercado em Évora e que cozinhei com arroz, bacon e óregãos. Morangos silvestres - temos? Há à venda? A primeira vez que vi morangos silvestres foi num mercado em Bolonha. Por cá, descobri-os, junto à Caldeira numa visita com amigos na Ilha do Faial. A escorcioneira, os cardos - que só provei em conserva, o medronho, para além dos que referi, integram uma lista de recursos endógenos que mereciam ser mais conhecidos e divulgados. De há uns tempos para cá, começaram a aparecer nas grandes superfícies beldroegas à venda. Por que não começarem a apostar em outros produtos? Às vezes, as coisas estão perto de mais para vermos o seu potencial. Temos tantos produtos que mereciam mais destaque, e sei que há por aí muitos consumidores, como eu, à procura de coisas diferentes.

O ingrediente de eleição escolhido para este jantar foi o medronho. E confesso que fiquei logo entusiasmada. Nunca consegui encontrar medronhos à venda. Há uns tempos tive a sorte de uma amiga se lembrar e de me surpreender com uma caixa cheia, a que dei logo destino.

O jantar começou com um cocktail de boas vindas. Uma bebida fresca com aguardente de medronho, Brandymel, sumo de lima e hortelã. Tão boa. Ainda bem que os convidados foram pontuais, porque acreditem, a minha vontade de repetir era grande. Quando nos sentámos à mesa, começámos por petiscar peixinhos da horta em que o polme foi feito com aguardente de medronho o que tornou estes peixinhos mais crocantes. Provámos também uns croquetes de beijinho, penso, que seja a ponta do bife da pá com um ligeiro veio ao meio, o que torna esta carne tão deliciosa. Os croquetes foram servidos com compota de medronho e revelaram-se tenros e suculentos. O toque doce da compota de medronho tornou esta entrada ainda mais apetecível.


Enquanto comíamos os últimos peixinhos, eis que chega à mesa um prato de bacalhau e sardinha ao medronho. A primeira coisa que me chamou a atenção foi um filete de sardinha enrolado e no centro um medronho. Adorei. O bacalhau tinha uma crosta de pão com medronho, e foi servido sobre uma cama de puré de batata-doce. Um prato de sabores tipicamente portugueses, que resultou muito bem.

Arroz malandrinho de medronho com bochechas de porco estufadas com folhas e ramos do medronheiro, foi o prato seguinte. A carne estava tenra e suculenta. Desfiava-se ao toque do garfo. Aqui no arroz, curiosamente, já senti as sementinhas dos medronhos, o que pode não agradar a toda a gente.


A escolha da sobremesa recaiu numa sericaia com medronhos salteados e mel do mesmo fruto. A estrela desta sobremesa foi o mel de medronho, com um travo ácido prolongado que comido só por si, era bastante forte, mas com a sericaia ganhava uma outra dimensão. De tal maneira, que dei por mim a repetir e a experimentar várias vezes o mel.


No final, a acompanhar o café foi-nos servida uma aguardente de medronho, entre muitas conversas e boa disposição, facilitados pelo facto de ter passado este jantar ao lado da Catarina do blogue Dias de Uma Princesa e autora do livro com o mesmo nome.

Um palavra de apreço ao chef Luís Miguel Rodrigues que nos demonstrou as diversas aplicações do medronho num menu. Estamos tão habituados a olhar para este fruto sempre na perspectiva do licor ou aguardente. Este jantar veio mostrar que é possível confeccionar este ingrediente de múltiplas maneiras. O medronho mereceu este elogio. E de certo, merece muitos mais na(s) nossa(s) cozinha(s).

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Bolinhos de chocolate com queijo para oferecer neste Natal


Novembro já cheira a Natal. As lojas enchem-se de ideias para oferecer aos familiares e amigos. Esta para mim, é das épocas mais bonitas do ano. Ruas enfeitadas, luzes a piscar e no coração de cada um de nós, a vontade de partilhar e fazer sorrir quem nos é mais próximo. A cada ano que passa tenho cada vez mais vontade de fazer os meus presentes. De há uns anos para cá, aos amigos e colegas de trabalho, ofereço quase sempre um presente caseiro e especial. O ano passado foi este bolo de chocolate com nozes e especiarias num frasco.

À família tenho oferecido cabazes. Encho-os com produtos vários, alguns feitos por mim, bolachas, sopa de lentilhas num frasco, garrafas de ginjinha, marmelada, compotas variadas. Para os mais pequenos sigo a mesma filosofia. Encontrar um presente especial. Um ano, ofereci bolachas personalizadas com o nome de cada uma das crianças da família. E digo-vos foi o delírio. Os miúdos adoraram e ainda hoje falam das lindas bolachas da Carlota.

Há ideias para presentes tão bonitas. Daqueles presentes únicos e especiais. Já espreitaram o trabalho da Carolina? Tem umas mão de fada. Ou então os adoráveis bonecos feitos a partir dos desenhos da miudagem pelo Monstro Pintado. E por que não este Natal oferecer uma história pela Costureira de Palavras?

Para quem como eu gosta de personalizar os seus presentes, hoje deixo-vos a sugestão de uns bolinhos de chocolate e queijo que desenvolvi para a rubrica Momentos Président avec Plaisir. Embrulhados ou em sacos de papel celofane com uma fita bonita, resultam num presente muito especial.


Ingredientes:
300 g de farinha
1 colher de chá de fermento em pó
1 embalagem de queijo Président Rondelé Nature
100 g de manteiga sem sal fria
85 g de açúcar amarelo
80 g de chocolate em pó
2 ovos
Uma pitada de sal
Açúcar em pó q.b.


1. Bater a manteiga com o açúcar.

2. Adicionar a farinha, o fermento, o chocolate, os ovos, o sal e o queijo Rondelé. Mexer muito bem.

3. Formar pequenos bolinhos e passá-los por açúcar em pó.

4. Levar ao forno pré-aquecido a 200º durante 15 minutos.


Esta receita dá para aproximadamente trinta bolinhos. Uma das características destes bolos é o cheiro bom a chocolate. Irresistíveis!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Filetes de peixe espada preto com puré de grão e azeite de salsa


De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.

Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inactuais esperanças.

De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.

Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças ...

Cecília Meireles in Canções
De que são feitos os nossos dias? Entre a correria de casa para o trabalho, do trabalho para casa, há momentos em que procuro parar e encontrar forma de valorizar mais um dia da minha vida. As preocupações, as obrigações afastam-nos, e levam-nos a relegar, muitas vezes, tudo o que cada dia tem de bom para nos dar. A pouco e pouco tenho vindo a conseguir encontrar tempo e dedicar-me às coisas que me fazem realmente feliz. Tenho vindo a arranjar tempo para estar com quem gosto, parar uma tarde num café a conversar. Ir a uma livraria. Passar pela biblioteca e trazer mais um livro de poesia. Há alturas em que tenho sede de palavras bonitas.

Os nossos dias fazem-se de encontros. De partilhas. A pouco e pouco vou preenchendo a minha agenda. Hoje à noite vou à Escola Superior de Comunicação Social, falar com alunos do Mestrado em Publicidade e Marketing sobre o projecto que tem sido o Cinco Quartos de Laranja. Projecto que cada vez mais preenche a minha vida e que dou graças por o ter criado. Amanhã, não quero faltar ao lançamento do livro Tratado do Petisco do conhecido gastrónomo Virgílio Nogueiro Gomes. Estou entusiasmada com a minha participação, em Dezembro, na primeira conferência de bloggers a nível nacional, #ABC – A Bloggers Conference, ao lado de pessoas muito interessantes.

Cada dia é um novo começo. Há esperança e novos sonhos. Fazem-se descobertas. Pensamos que somos capazes e vamos à luta. O que torna cada dia diferente, é a nossa atitude. Basta queremos para que tudo mude. E entre poesia, muitas palavras de incentivo, deixo-vos, hoje, um prato com sabor a mar, precisamente no mesmo dia em que as Conservas Nero iniciaram a produção na fábrica de Matosinhos em 1944. Esta empresa procura fazer chegar ao mercado produtos inovadores, como os filetes de peixe espada preto pescado ao largo da costa de Sesimbra que utilizo na receita que desenvolvi para a rubrica Nero - Fish and Flavours.


Ingredientes:
4 latas de filetes de peixe espada preto em azeite Nero
550 g de grão cozido
160 ml de azeite
2 dentes de alho
270 g de cogumelos Portobello pequenos
12 rabanetes pequenos
1 colher de salsa fresca picada
Noz moscada q.b.
Sal e pimenta-preta q.b.

Ingredientes para o azeite de ervas:
10 g de salsa
80 ml de azeite


1. Triturar o grão com 1dl de azeite aquecido com os dentes de alho picados. Temperar com sal, pimenta preta e noz moscada a gosto.

2. Limpar e cortar os cogumelos.

3. Saltear os cogumelos em 60ml de azeite, no fim, polvilhar com um pouco de sal e mexer.

4. Para o azeite, escaldar a salsa com água a ferver, escorrer e colocá-la em água fria, com gelo. Escorrer bem a salsa.

5. Num copo, triturar a salsa com o azeite.

6. Dispor os cogumelos nos pratos, por cima, o puré de grão e os filetes de peixe espada preto. Regar com o azeite de salsa e decorar os pratos com os rabanetes cortados em quatro e a salsa fresca picada.


Os filetes de peixe espada combinam muito bem com o azeite de ervas e com o puré. Neste prato, sente-se o sabor bom do peixe. Um sabor a mar que nos faz sonhar. De que são feitos os dias? Certamente, de alguns momentos felizes à mesa.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Cozinha de Ensaio em Bragança


Há desafios e grandes desafios. Há desafios que nos colocam à prova e nos levam a pensar, será que somos capazes? Foi isto que pensei, quando recebi o convite para participar no concurso Cozinha de Ensaio, durante a feira Norcaça, Norpesca & Norcastanha 2013, no passado fim-de-semana, na cidade de Bragança.

Uma coisa é cozinharmos, fotografarmos e escrevermos sobre o que fazemos, no conforto de casa, por detrás de um ecrã, com todo o tempo do mundo. Outra coisa é cozinhar em público, receitas que já testámos, que sabemos de cor, em que os riscos estão mais ou menos calculados. Outra coisa ainda é cozinhar de improviso, sem receitas pensadas ou testadas e ali no momento, com os ingredientes fornecidos, colocar os tachos ao lume e seguir em frente. É por este motivo, que a ida a Bragança, para mim, era um grande desafio.


Este concurso contou com a presença de outros bloggers, a Cristina Lebre do Olhapim, a Maria João do Clavel's Clock, a Naida Folgado do Frango do Campo, a Olívia Rocha do Alquimia dos Tachos, o Rodrigo Menezes do Foodie.pt, a Sandra Santos do Marmita e a Vera Ferraz do Hoje para jantar. Um grupo muito bem disposto, de quem trago boas memórias e de certeza, mais amigos. Ao longo do fim-de-semana fomos colocados perante quatro provas, três das quais com quarenta e cinco minutos de duração e a final, no domingo, com duração de uma hora.


A primeira prova consistiu em cozinhar alheira, azedo e tordos. Dos três ingredientes, a novidade, para mim, eram os tordos. Lembro-me que quando era miúda, a minha mãe chegou a fazer tordos fritos em azeite, louro, muito alho, uma malagueta e um pouco de colorau. Comidos com pão, eram um grande petisco. O azedo, tinha-o descoberto no evento do ano passado. Mas conhecer os ingredientes, não me deu grande descanso.

Nestes momentos, sente-se um peso grande que nos impele a cozinhar. Temos que cozinhar e pronto. O quê? Como? Em segundos passam-nos variadas opções e nenhuma nos parece a melhor. Mas, o que é certo, é que temos que cozinhar. Juntamos energias e vamos buscar o que sabemos, o que achamos que conseguimos fazer. Tinha que começar, ao meu lado, já via panelas a fumegar, gente a cozinhar. Por isso, comecei por temperar os tordos com sal e tomilho. De seguida cortei toucinho alto branco para uma frigideira e levei ao lume. Deixei frigir um pouco e adicionei azeite e dois dentes de alho esmagados com a camisa, de seguida juntei os tordos e deixei alourar. Entretanto, cortei alheira que desfiz juntamente com um pouco de tomilho. Recheei os tordos com a alheira e levei ao forno. Servi-os com pão frito. Para o azedo, fiz uma esmagada com batata cozida, azeite aquecido com três dentes de alho picados e barriga de porco cortada em pequenos cubos. Servi o azedo passado na frigideira com a esmagada e grelos cozidos.

Na segunda prova os ingredientes obrigatórios eram o coelho bravo, os cogumelos e as nabiças. Temperei uma perna de coelho com ervas, salva e tomilho, bem picadinhas, sal e pimenta. Coloquei toucinho branco numa frigideira, deixei frigir, de seguida juntei azeite, a perna de coelho, mais ervas, e deixei alourar. Reguei com vinho tinto e cozinhou mais um pouco. De seguida, coei o molho. Coloquei a perna de coelho num tabuleiro com o molho e levei ao forno. Entretanto fui preparando os cuscos em jeito de risotto. Refoguei cebola e alho picado. De seguida juntei bem picadinho algumas miudezas do coelho. Coloquei os cuscos e reguei com vinho branco. Temperei com sal e pimenta, e fui acrescentando água quente aos poucos e poucos. Uns minutos antes de retirar, juntei as nabiças e os cogumelos. Antes de servir juntei manteiga e mexi. Servi a perna de coelho com os cuscos.


À noite assisti ao showcooking do chef Vincent Farges, do restaurante do Hotel Fortaleza do Guincho, que nos brindou com vários pratos feitos com produtos da região, nomeadamente a castanha, a perdiz e a truta. É sempre um prazer ver este chef a cozinhar, para além do que se aprende.


No domingo de manhã, mais uma prova, desta vez tínhamos que cozinhar perdiz. Decidi estufar a perdiz. Fiz um refogado com cebola e alho. De seguida juntei um bouquet garni feito com alho-francês, salva, tomilho e alecrim. Acrescentei ainda uma cenoura e um talo de aipo. Juntei a perdiz, temperada com sal e pimenta, reguei com vinho branco e deixei estufar. Quando achei que a perdiz estava cozinhada, acrescentei castanhas e cogumelos. Entretanto, cortei uvas brancas e vermelhas ao meio e retirei-lhes as grainhas. Levei uma frigideira ao lume com manteiga. Assim que derreteu, juntei as uvas e uma colher de sopa de mel. Deixei caramelizar um pouco e retirei do lume. Juntei as uvas ao estufado de perdiz e servi.


No domingo à tarde foi a final destes dois dias de concurso, numa prova de equipas, onde tivemos que cozinhar uma refeição, com três pratos em que os ingredientes obrigatórios eram a castanha, a truta, o javali e o Queijo Terrincho. No final, a Cristina Lebre foi a vencedora desta iniciativa, uma cozinheira de mão cheia que nos surpreendeu a todos pelo seu empenho e dedicação.


As provas foram avaliadas por um júri, constituído pelo chef Luís Barradas, especialista em cozinha japonesa, pela Fátima Moura, autora de livros de gastronomia, entre eles, O Melhor Peixe do Mundo e do recentemente publicado Sabores do Ar e do Fogo. E pelo músico Miguel Gameiro, que também nos presenteou com algumas das suas músicas, cantadas ao vivo, como por exemplo, Dá-me um abraço.


Quando participamos em eventos que nos colocam à prova há sempre riscos, há sempre coisas que correm bem e outras, menos bem. O importante é aprendermos com estas experiências. Para mim esta Cozinha de Ensaio foi um desafio que nos colocou a todos à prova. Todos os participantes superaram os desafios, muitos deles a cozinhar pela primeira vez alguns dos excelentes ingredientes transmontanos, num clima de entreajuda, amizade e muito boa disposição. Por tudo isto, valeu a pena ir a Bragança, onde sou sempre bem recebida.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Bacalhau cozido com grão e brócolos


Em literatura questiona-se muitas vezes a importância da leitura dos clássicos. Essa importância reside, nas ideias, no modo como foram abordadas e exploradas. É curioso ver como autores de épocas distintas pensaram e trataram os mesmos temas, quase sempre universais, como o amor, a traição, o adultério, a coragem, o interesse, as desigualdades sociais, entre outros. A importância da leitura dos clássicos é que nos permite compreender melhor muitas das ideias que surgem actualmente, muitas vezes tidas como inéditas e originais. O mesmo acontece no cinema e até na gastronomia.

Na nossa gastronomia há um conjunto de pratos que são verdadeiros clássicos, desde o Cozido à Portuguesa, a Feijoada à Transmontana, Tripas à moda do Porto, Sopa da Pedra, Caldeiradas, Bacalhau à Brás até ao bacalhau cozido com grão e servido com cebola e salsa picada. Tão bom! Como hoje em dia acontece, parte-se dos clássicos e acrescenta-se algo. A esta receita acrescentei os brócolos cozidos, em vez de batatas.

Publiquei esta receita na edição de Outubro de 2013 da revista Saber Viver inserida numa rubrica onde abordava possíveis aproveitamentos das sobras deste clássico da cozinha portuguesa.


Ingredientes:
4 lombos de bacalhau
900 g de grão cozido
4 ovos
850 g de brócolos
1 cebola
2 dentes de alho
1 folha de louro
20 g de salsa
1,5 dl de azeite
0,5 dl de vinagre de vinho tinto
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Arranjar e cozer os brócolos em água a ferver com sal, durante 4 minutos.

2. Cozer os ovos em água a ferver durante 10 minutos. Depois de cozidos, descascar os ovos.

3. Cozer o bacalhau em água a ferver com a folha de louro durante 3 minutos a 4 minutos.

4. Picar a cebola e a salsa para uma taça. Adicionar os dentes de alho espremidos e mexer.

5. Servir o bacalhau com ovo cozido, grão e brócolos. Polvilhar com a mistura de cebola e salsa. Temperar com pimenta-preta de moinho, azeite e vinagre.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Rolinhos de salmão com queijo e pasta de azeitona


Novembro é mês de festas e encontros. Novembro começa com o Dia de Todos os Santos, com bolos e bolinhos na mesa, depois segue-se o dia de São Martinho, que para além das castanhas e do vinho, pede sempre mais qualquer petisco para partilhar. E para um mês que se quer de reunião, preferencialmente à mesa, deixo-vos uns rolinhos de salmão que preparei para a rubrica Momentos Président avec Plaisir.


Ingredientes:
1 embalagem de queijo Président Rondelé Ail et Fines Herbes
100 g de salmão fumado fatiado
2 colheres de sopa de pasta de azeitona preta
4 fatias de pão de forma sem côdea.
1 colher de sopa de aneto picado (opcional)


1. Dispor as fatias de pão lado a lado, de forma a formar um quadrado. Sobrepor os lados, e com a ajuda de um rolo da massa, pressionar de modo a que as fatia se juntem.

2. Barrar o pão com a pasta de azeitona. Por cima dispor o salmão e o queijo.

3. Enrolar o pão de modo a formar um rolo.

4. Cortar o rolo em fatias e servir.


Quem preferir pode também adicionar ao queijo Président Rondelé uma colher de sopa de aneto picado ou polvilhar o salmão com ele.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sopa de abóbora com cação


Uma sopa é sempre sinal de conforto. Sempre que viajo, no regresso a casa, uma das coisas que me apetece comer é uma sopa. Quentinha, cheia de sabor é tão reconfortante. Este fim-de-semana que passou estive em Bragança, a participar na iniciativa Cozinha de Ensaio integrada na feira Norcaça, Norpesca & Norcastanha. Quando cheguei a casa, soube bem ter o conforto de um prato de sopa a fumegar.


Ingredientes:
1 Kg de abóbora
500 g de cação
1 folha de louro
2 cenouras
2 curgetes
1 cebola
2 dentes de alho
1 dl de azeite
1 L de caldo de peixe (a água de cozer o cação)
Sal q.b.
Coentros (ou salsa) picada para servir


1. Cozer o cação em água temperada com sal e uma folha de louro. Depois de cozido, desfiar e reservar o caldo.

2. Colocar o alho picado e o azeite numa panela, levar ao lume e deixar frigir um pouco. Adicionar a cebola picada e deixar refogar até quebrar.

3. Adicionar a abóbora, as cenouras e as curgetes descascadas e cortadas em pequenos cubos. Deixar cozinhar um pouco.

4. Regar com a água de cozedura do cação. Temperar com sal e deixar cozer os legumes.

5. Assim que os legumes estejam cozidos, triturar. Adicionar os pedaços de cação e servir a sopa polvilhada com ervas frescas.