Próximos Eventos
Loures 24 de Junho de 2017
Sábado:
16h00 - 17h00      Showcoking receitas frescas para o verão
 
Inscrições: IKEA   Loja IKEA de Loures

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Favas Contadas visita o país do sol nascente


Gosto de conhecer o trabalho de jovens chefs cozinheiros. O futuro está nestes jovens que agora começam a chegar aos restaurantes, a marcar o seu caminho, a definir linhas para as suas cozinhas, a inovar. Um destes dias fui convidada para o almoço de apresentação do projecto Favas Contadas do promissor chef Daniel Estriga, no seu restaurante Conceito Food Store, em Cascais.

Favas Contadas é um projecto gastronómico que procura levar os comensais a viajar por diferentes destinos. A primeira edição é dedicada ao Japão e os jantares decorrem nos dias 30 e 31 de Maio. Cada experiência, que pode ser sob a forma de jantar ou almoço, será realizada sempre por dois chefs e pelos seus convidados. É uma forma de dar visibilidade a jovens cozinheiros que ainda não têm um espaço seu. O chef Daniel Estriga, para este primeiro evento tem na cozinha ao seu lado, o chef Tiago Penão que conheci no restaurante Midori, e o chef pasteleiro, Diogo Lopes.

O restaurante Conceito Food Store abriu sensivelmente há um ano, com uma decoração moderna e acolhedora, junta no mesmo espaço um outro conceito, o de food store, onde se pode adquirir vinhos, compotas e produtos utilizados na confecção dos pratos. Da sala é possível ver o trabalho dos chefs na cozinha.

Esta viagem por sabores do país do sol nascente começou com ostras ao natural servidas com espuma citronella e pérola de ponzu. Refrescantes, com um delicioso sabor a mar e no final de boca um ligeiro picante dado pela mistura de especiarias japonesas, nanami togarashi. Uma mistura de chilli, casca de laranja, sementes de sésamo, pimenta e algas.


De seguida foi servido mexilhão em tempura de cenoura e gengibre, escabeche de legumes e gelatina de lima. Uma combinação cheia de sabor, com uns aromas ligeiramente ácidos no final de boca, a marcarem a personalidade do prato. Os vinhos estiverem a cargo do escanção João Chambel e para este amuse-bouche, foi escolhido um vinho branco Quinta do Gradil Viognier de 2013, que ajudou a manter a frescura e o sabor a mar na boca.


Para entrada foi-nos servido niguiri de unagui, foie e cereja, e niguiri de carapau com escalivada de pimentos. Adorei a combinação dos pimentos. Muito bom. Os niguiri foram acompanhados de uma aromática Quinta do Gradil Aguardente Xo.


Nos pratos de peixe deliciámo-nos com usuzukuri de pregado em caldeirada, um prato a representar o fundo do mar e bacalhau confitado (meia cura) com molho dengaku e legumes nimono. Um prato com texturas e excelente combinação de sabores. O vinho escolhido para estes pratos foi um tinto Quinta do Gradil Petit Verdot de 2012, um vinho, que na minha opinião resultou melhor com o bacalhau.


Antes do prato de carne, refrescámos o palato com sakura (flor de cerejeira ou cerejeiras em flor em japonês) com crumble de cereja e uma base de amêndoa. A flor de cerejeira é a flor símbolo do Japão.


Terminámos os pratos principais da melhor forma com ramen de bochecha de porco. Ramen é uma sopa japonesa muito aromática. Existe até um filme romântico, The Ramen Girl, em que a história anda à volta de uma rapariga que decide aprender a fazer este prato.


Este almoço do projecto Favas Contadas foi finalizado com uma sobremesa de coco, ananás e coentros, pela mão do chef pasteleiro Diogo Lopes. Uma combinação muito interessante. É curioso como os coentros funcionaram deliciosamente nesta sobremesa.


Estes jantares são oportunidades únicas. Momentos especiais de viajar pelo mundo através da comida.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um almoço com sabores a Primavera no restaurante Hotel Aviz


Há dois nomes que me vêm logo à memória sempre que vou ao restaurante do Hotel Aviz, e são eles, o do mestre João Ribeiro e de Calouste Gulbenkian. João Ribeiro, esteve à frente da cozinha do restaurante desde a sua inauguração em 1933 e Calouste Gulbenkian foi um famoso hóspede do hotel já nos últimos anos de vida. O hotel esteve situado até 1962 no local onde hoje está o Sheraton, e por lá passaram conhecidas actrizes e muitas outras ilustres figuras do mundo da música à política. O Hotel Aviz foi considerado o mais importante hotel de luxo na altura na cidade de Lisboa e re-abriu em 2005 no local onde hoje se encontra, na rua Duque de Palmela.

Tem à frente da cozinha, actualmente, o chef Cláudio Pontes, que conheci no jantar dedicado ao capão do projecto Endógenos. Este jovem chef procura conjugar a tradição e os pratos cheios de história deixados pelo mestre, com o seu cunho pessoal. E foi num dia cheio de sol que tive a oportunidade de visitar o restaurante e de experimentar a carta com sabores da Primavera.


Depois de provar os diferentes pães com queijo, chegou à mesa um delicioso e reconfortante consommé de lagosta. Um caldo rico e cheio de sabor, a que se seguiu um apetitoso salmonete com sabor a mar, servido com batata-doce, que adoro, e molho vilão.


E como um delicioso passeio por Lisboa, num dia bonito e inspirador, chegou à mesa um prato que me despertou os sentidos. Codorniz em massa recheada com alheira e servida com ovo, iscas e ginja. Irresistível.


E para terminar a refeição de forma doce e feliz, chegou à mesa um morango. Ou melhor, uma sobremesa em forma de morango gigante, recheado com mousse de morango, que tive que partir para chegar ao recheio, a fazer lembrar-me também a surpreendente sobremesa que tive o prazer de degustar no referido jantar do projecto Endógenos dedicado ao capão. E foi assim de forma doce que terminou este delicioso almoço num dos mais emblemáticos restaurantes da cidade de Lisboa.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Croquetes de alheira com maionese de marmelada


A Feira do Livro de Lisboa começa já esta quinta-feira dia 29 de Maio e estende-se até dia 15 de Junho. Eu vou lá estar no stand da minha editora, a Marcador, no dia 10 e no dia 15 de Junho de 2014. Nestes dias conto com a vossa visita.

Para uma apaixonada de livros como eu, esta é uma oportunidade especial para adquirir alguns livros que vou colocando na minha lista de obras a comprar. A Feira do Livro de Lisboa é uma boa oportunidade, especialmente pelos livros do dia, e pelos variados descontos que proporciona.

Nos últimos anos, tenho tentado aumentar a minha biblioteca dedicada à gastronomia e gostaria de ter nas minhas estante alguns livros sobre a história da cozinha portuguesa ou que incidam sobre os sabores portugueses. Entre eles, destaco: O Porco, com sua licença de Maria Antónia Goes, Memórias da Culinária Alentejana de António Almodôvar, Doçaria Portuguesa de João Luís, Sabores Judaicos de Trás-os-Montes de Graça Sá-Fernandes e Naomi Calvão, O livro de Mestre João Ribeiro de José Quitério e de José Labaredas e Escritores à Mesa (e outros artistas) de José Quitério. Estou curiosa também para ver o programa, esta é uma excelente oportunidade para contactar autores, assistir a palestras e lançamento de livros. E claro, para mim não há feira do livro, sem comer uma ou duas farturas. Quentinhas, são uma maravilha!

Enquanto a Feira do Livro não chega, deixo-vos uma sugestão para um dia de festa com sabores bem portugueses, alheira e marmelada.


Croquetes de alheira com maionese de marmelada

Ingredientes para aproximadamente 10 croquetes:
1 alheira
1 ovo
8 g de salsa picada
Farinha de trigo q.b.
Pão ralado q.b.
Óleo para fritar q.b.
Maionese de marmelada q.b.


1. Retirar a pele à alheira e esmagá-la com um garfo.

2. Adicionar a gema de ovo e a salsa picada.

3. Formar bolinhas com a mistura, com a ajuda de um pouco de farinha.

4. Passar as bolas de alheira primeiro pela clara ligeira batida e de seguida pelo pão ralado.

5. Fritar as bolas de alheira em óleo quente até ficarem douradas.

6. Escorrer os croquetes de alheira em papel absorvente.

7. Servir os croquetes com maionese de marmelada.


Podem fazer variantes desta receita. Podem fazer uma mistura de alheira e farinheira ou alheira e azedo, um enchido típico de Trás-os-Montes. O aroma ligeiramente ácido da alheira combina de forma harmoniosa com o doce da marmelada. Experimentem e digam-me o que acharam.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Maionese de marmelada


Em tempo de marmelos, cá por casa, faz-se sempre marmelada. Já fiz com vinho do Porto, com limão, em cubos e uma marmelada cremosa. A minha preferida é a que fica bem vermelhinha e que se corta às fatias, a fazer-me lembrar a que o meu avô Augusto vendia na sua mercearia. Descobri há uns tempos a Marmelada Branca de Odivelas e fiquei com curiosidade em experimentar. Conhecem?

A sugestão de hoje não é uma receita de marmelada, mas uma forma de a usar para servir, por exemplo com uns croquetes, com uns ovos de codorniz cozidos, com uns palitos de curgete panados com especiarias ou outros ingredientes que funcionem bem com o sabor doce e ligeiramente ácido da marmelada.


Maionese de marmelada

Ingredientes:
150 g de marmelada
50 g de maionese

1. Colocar os ingredientes num copo e com a varinha mágica, triturar.


A marmelada de compra deixa a maionese mais clara, mas se usarem caseira, bem vermelhinha, o resultado final fica ainda mais bonito. Esta maionese fica tão boa, que cá por casa, a primeira vontade foi comê-la à colherada!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Bacalhau confitado com puré de batata e curgete salteada


Uma das coisas que me acompanha nos meus dias são livros. Adoro ler romances, aventuras, relatos de viagens, poesia. Desde que comecei o Cinco Quartos de Laranja que procuro ler romances em que a comida é também um ingrediente, um personagem, à volta do qual os outros giram, constroem laços. Há uns tempos atrás li a obra A Viagem dos Cem Passos, que conta a história de um chef indiano em França, desde os primeiros passos até à conquista da primeira estrela Michelin e que vai chegar este ano às salas de cinema. Confesso que já estou cheia de curiosidade. O modo como o cinema mostra as cozinhas, os chefs a trabalharem e a comida servida, é sempre muito inspirador.

E inspirador espero que seja também este prato que vos trago hoje e que desenvolvi para a rubrica Batatas com Sabor.

Bacalhau confitado com puré de batata e curgete salteada

Ingredientes para 4 pessoas:
4 postas de lombo de bacalhau
380 ml de azeite
7 grãos de pimenta-da-Jamaica
10 grãos de pimenta-branca
4 hastes de tomilho
6 dentes de alho
475 g de batatas para puré
60 g de manteiga sem sal
1 dl de natas
1,5 dl de leite
2 curgetes
Noz-moscada q.b.
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Colocar o bacalhau numa assadeira. Adicionar quatro dentes de alho com a camisa, as pimentas em grão e três hastes de tomilho. Regar com 3,5dl de azeite.

2. Levar o bacalhau ao forno pré-aquecido a 100ºC durante aproximadamente 35 a 40 minutos.

3. Descascar e cortar as batatas em cubos.

4. Colocar as batatas numa panela com água fria e sal a gosto. Levar ao lume e deixar cozinhar.

5. Depois das batatas cozidas, escorrer e reduzir a puré com a ajuda de um passe-vite.

6. Adicionar a manteiga, o leite e as natas previamente aquecidas. Temperar com sal, pimenta-preta e noz-moscada a gosto. Mexer. Se necessário retificar os temperos.

7. Cortar a curgete com a casca em pequenos cubos.

8. Levar ao lume 30ml de azeite com dois dentes de alho picados. Assim que o alho começar a frigir, adicionar a curgete cortada e uma haste de tomilho. Temperar com sal e pimenta-preta a gosto. Deixar saltear a curgete até estar macia, mas crocante.

9. Servir o bacalhau com o puré e a curgete salteada.

O bacalhau confitado fica muito saboroso e combina na perfeição com o puré de batata e o crocante da curgete

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Compota de morango com tomilho


Os morangos são uma das frutas preferidas cá em casa. Comem-se normalmente ao natural, dispensando as natas. Uso-os também muito nos sumos que faço quando chego a meio da tarde a casa.

Este ano para aproveitar uma caixa de morangos que comprei no mercado, decidi fazer compota. E que boa que ficou!

Compota de morango com tomilho

Ingredientes:
1 kg de morangos
800 g de açúcar amarelo
Sumo de 1 laranja
Sumo de 1 limão
1 colher de sopa de folhas de tomilho frescas picadas
Uma pitada de sal


1. Limpar e cortar os morangos ao meio.

2. Colocar os morangos e os restantes ingredientes numa panela.

3. Levar ao lume até obter ponto estrada.

4. Guardar a compota em frascos esterilizados.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Bolachinhas de manteiga


O mês de Maio é um mês feliz. Os mercados enchem-se de cor. Encontramos ervilhas, favas, cebolas novas, nêsperas, cerejas e pêssegos. Ou seja, tantos bons motivos para cozinhar. Para mim, tem sido um mês ocupado. Workshops no Porto, uma aula de cozinha na Cozinha Popular da Mouraria, onde confeccionámos croquetes de alheira, caldo verde e um arroz de polvo malandrinho. Participei enquanto jurada num pequeno passatempo de cozinha no lançamento do livro Paixão pela Cozinha, que se revelou muito bem disposto. Tive também a possibilidade de participar no workshop dado pelo chef Nuno Diniz no espaço Kiss the Cook organizado pela IVO Cutelarias. Estive em filmagens à volta dos tachos com a Mónica do blogue A Mulher é que Manda. Para a semana, dia 22 às 18h30, vou estar a cozinhar receitas práticas para comer ao ar livre, no El Corte Inglés, juntamente com a Catarina do blogue Dias de uma Princesa. Marquem na vossa agenda.


Deixo-vos, hoje, uma sugestão doce para fazerem em família e levarem para um piquenique ou para um lanche em casa.

Bolachinhas de manteiga
(adaptada de uma receita de bolachas da edição de Abril 2014 da revista Mulher Moderna na Cozinha)

Ingredientes:
200 g de açúcar amarelo
200 g de manteiga sem sal
1 ovo pequeno
500 g de farinha sem fermento
6 colheres de sopa de leite
1 colher de sopa de extracto de baunilha
Uma pitada de sal


1. Bater a manteiga com o açúcar.

2. Adicionar o sal, o ovo, a farinha, o leite e a baunilha. Amassar.

3. Formar uma bola com a massa, envolver com película aderente e levar ao frigorífico durante 1h30 a 2h.

4. Estender a massa numa superfície polvilhada com farinha. Com a ajuda de um cortante, cortar a massa em forma de bolachinhas.

5. Colocar as bolachas num tabuleiro forrado com papel vegetal.

6. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC e deixar cozer durante 12 minutos.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Chef Hélio Loureiro no Peixe em Lisboa 2014


Todos os anos, sempre que posso acompanho as actividades do Peixe em Lisboa. Para mim, é uma forma de ver de perto alguns dos grandes chefs da cozinha portuguesa e muitos estrangeiros que vêm a esta iniciativa mostrar o seu trabalho. Ao ver estes cozinheiros em acção, aprendo como fazem, tiro dicas para colocar em prática. As apresentações são como aulas a que tenho a sorte de poder assistir e que gosto de partilhar com os meus leitores.

Este ano o chef Hélio Loureiro do Porto Palácio Hotel, que conheci em Bragança, fez uma apresentação no auditório do Peixe em Lisboa. Nesta apresentação para além de falar de alimentação enquanto cozinheiro da selecção nacional de futebol, confeccionou bacalhau fresco ou skrei, que em norueguês significa nómada, e é capturado logo a seguir à desova durante os meses de Fevereiro a Abril, num processo de pesca controlado e com quantidades limitadas. O skrei migra contras as fortes correntes das águas frias e cristalinas do Mar de Barents até chegar à zona costeira da Noruega. O valor deste bacalhau foi descoberto pelos Vikings noruegueses por volta do século X e chegou a ser alvo de tributo pelo rei Øystein Magnusson.

O bacalhau fresco vai ganhando alguns adeptos e encontra-se à venda, no período referido, em várias superfícies comerciais, apesar de o bacalhau salgado seco ainda ser rei. Entre as várias espécies comercializadas como bacalhau destacam-se duas, a Gadus Morhua - que é o "verdadeiro" bacalhau, habita as águas frias do Atlântico, e apresenta uma cor palha depois de seco. E a Gadus Macrocephalus ou bacalhau do Pacífico, da região do Alasca, apesar de ser semelhante ao Gadus Morhua no aspecto, não lasca tão bem e é mais fibroso. Para além destas, existem outras espécies comercializadas como bacalhau. Para que não haja confusões, o skrei ou Gadus Morhua, é comercializado com um selo que atesta a sua autenticidade.


Comi já várias vezes o skrei em restaurantes, mas nunca o cozinhei. Depois de ver a apresentação e a explicação dada sobre o bacalhau fresco, acho que para o ano não deixo passar a oportunidade de o experimentar cá em casa.

O chef Hélio loureiro apresentou três pratos no auditório do Peixe em Lisboa:


Tártaro de bacalhau

Torricado de bacalhau

E por fim, umas apetecíveis sardinhas panadas

O que gostei de ver na apresentação de Hélio Loureiro é a paixão deste chef pelos sabores e história da nossa cozinha, a forma pedagógica como fala sobre o que faz e o facto de confeccionar tudo no local. O chef Hélio Loureiro, é um grande senhor da cozinha portuguesa.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Brulhão, uma tradição da Beira Baixa


A cozinha portuguesa é um mundo maravilhoso com tantas coisas boas para descobrir. Cada vez mais tenho curiosidade em perceber algumas das nossas tradições, usar produtos ditos "esquecidos", recuperar muitas coisas boas da nossa cozinha que merecem mais destaque. Foi por isso que aceitei participar num jantar dedicado ao brulhão promovido pelo FestiVales 2014, 5ª edição da Festa da Tradição, da Folia e do Brulhão. Penso que nunca tinha ouvido falar em brulhão. Já tinha experimentado maranhos, bucho recheado que, nas minhas idas a Arganil, trazia algumas vezes, agora brulhão era mesmo uma novidade.

O jantar teve lugar no restaurante Bica, na Lx Factory em Lisboa, e foi confeccionado pelo chef Alexandre Silva. Mas antes de nos sentarmos à mesa tivemos a possibilidade de ver preparar o brulhão.

Primeiro foi colocada a carne de porco cortada num alguidar. De seguida juntaram chouriço picado, cebola, alho, salsa, sal, vinho branco, tomate sem pele e polpa de tomate, colorau, azeite, arroz carolino e as folhas de serpão. As diferenças entre os brulhões e os maranhos, reside na carne usada, que nos maranhos é de cabra ou de ovelha e nas ervas, serpão para o brulhão e hortelã para os maranhos. Depois do recheio preparado, são enchidos e cozidos com linha uns sacos feitos de bucho de cabra ou ovelha, que foram bem lavados e passados por aguardente. Depois de prontos vão para a panela cozer durante uma hora. Existem outras expressões para esta iguaria de Vales do Rio, como brolhão, borulhão, burlhão, burunhão, e todas igualmente válidas.


O serpão é uma espécie de tomilho (Thymus pulegioides) que pode ser usado para aromatizar carnes, entre outros pratos, como o tomilho que usamos normalmente. Dá um sabor fresco aos brulhões. É indispensável, é o que ajuda a definir a personalidade desta iguaria beirã. O serpão comparativamente com o tomilho e com o tomilho limão, tem um cheiro mais intenso, a lembrar o campo, um cheiro a mato.

Para este jantar o chef Alexandre Silva preparou-nos um gaspacho de nêspera com requeijão de Seia, cogumelos, espargos e presunto. Uma combinação que me surpreendeu. A frescura e acidez da nêspera resultou de forma muita agradável com os restantes elementos do prato.


De seguida foi servido a estrela da noite, brulhão com chalotas e puré de beterraba. Um dos primeiros sabores que senti quando levei a primeira garfada da mistura de arroz à boca foi o serpão. Muito bom. Ao conversar com um dos promotores do evento percebi que toda a aldeia de Vales de Rio se envolve para promover esta tradição. Em Fevereiro de cada ano é dado o mote para a grande festa dos brulhões através do cultivo de vasos com serpão que estarão prontos a usar em Maio, altura em que decorre o FestiVales. Uma festa que tem no brulhão a sua iguaria de referência. Quem a quiser provar, pode neste fim-de-semana, de 17 e 18 de Maio, visitar Vales do Rio na bonita região da Covilhã e deliciar-se.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Peitos de frango com molho de chocolate e vinho do Porto


Há filmes que nos marcam e despertam vontades. Lembro-me de The Bucket List que me deixou cheia de vontade de fazer uma lista das coisas que gostaria de fazer antes de morrer. Com desejos comedidos, tenho tentado fazer a lista a curto prazo, por isso todos os anos elaboro uma lista com alguns pequenos objectivos a realizar durante o ano. Em termos gastronómicos, lembro-me do filme Festa de Babette e de como sonhei com as requintadas Codornizes em Sarcófago com molho Perigourdine, que Babette preparava no Café Anglais. Devem ser divinais.



Outro filme que me deixou a sonhar com receitas foi Chocolate. Os pratos de chocolate servidos em casa de Armande deixaram-me a sonhar. O filme mostrava que o chocolate não é só para sobremesas, e que usado em pratos salgados pode ser uma boa surpresa. Apresento, hoje, uma receita de peitos de frango com molho de chocolate e vinho do Porto que desenvolvi para um artigo sobre pratos salgados com chocolate na edição de Abril de 2014 da revista Saber Viver.


Peitos de frango com molho de chocolate e vinho do Porto

Ingredientes para 4 pessoas:
4 peitos de frango
45 ml de sumo de limão
1 colher de chá de gengibre em pó
4 batatas
80 g de manteiga sem sal
30 ml de azeite
1 colher de sopa de folhas de tomilho fresco
20 g de pinhão
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Temperar os peitos de frango com sal, pimenta-preta e gengibre. regar com o sumo de limão e deixar a marinar durante 30 minutos.

2. Levar uma frigideira ao lume com 40 g de manteiga. Quando derreter, colocar os peitos de frango e deixar alourar de ambos os lados.

3. Colocar os peitos de frango num tabuleiro de forno. Regar com o azeite e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante aproximadamente 15 minutos.

4. Colocar uma panela ao lume com as batatas e água fria. Temperar com sal e deixar cozer as batatas.

5. Depois das batatas cozidas, deixar arrefecer um pouco e retirar-lhes a pele. Cortar as batatas às rodelas.

6. Alourar as batatas, numa frigideira, na restante manteiga. Antes de virar as rodelas de batata, para alourarem de ambos os lados, polvilhar com o tomilho. Se necessário retificar o sal.
7. Numa frigideira anti-aderente tostar os pinhões.

8. Servir os peitos de frango com o molho de chocolate e vinho do Porto, os pinhões tostados e as batatas.


Molho de chocolate com vinho do Porto

Ingredientes:
1 cebola
2 dentes de alho
1 colher de chá de cominhos em pó
2 a 3 piripíris
1 dl de azeite
1 dl de vinho do Porto Ruby
50 g de chocolate 70% de cacau
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Levar uma frigideira ao lume com a cebola picada, os dentes de alho e o azeite. Temperar com sal e pimenta-preta a gosto. Adicionar os cominhos e os piripíris. Deixar frigir até a cebola quebrar.

2. Regar com o vinho do Porto e cozinhar até o vinho se ter evaporado.

3. Passar o refogado para um copo. Adicionar o chocolate e triturar.


O molho de chocolate combina de forma tentadora com a carne de frango. Experimentem!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Batata com brócolos e atum


As sextas-feiras são sempre especiais, principalmente porque se sente a chegada do fim-de-semana. Com estes dias bonitos de sol, já apetece fazer planos, juntar a família e partir para uma refeição ao ar livre.

E quando se quer aproveitar o bom tempo e sair de casa, dá muito jeito fazer umas refeições rápidas com os ingredientes que se têm à mão, como é o caso da receita de batata com brócolos e atum que apresento hoje e que desenvolvi para a edição de Março de 2014 da revista Saber Viver.

Batata com brócolos e atum

Ingredientes para 1 pessoa:
1 batata assada
100 g de brócolos cozidos
2 dentes de alho
20 ml de azeite
1 lata de filetes de atum em azeite
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Levar os dentes de alho picados com o azeite ao lume. Deixar frigir um pouco e acrescentar os brócolos cortados.

2. Temperar com sal e pimenta-preta a gosto. Saltear os brócolos durante um minuto.

3. Fora do lume, misturar os brócolos com o atum, previamente escorrido.

4. Servir a mistura de brócolos e atum com a batata assada cortada ao meio.


Como assar as batatas:
1. Lavar muito bem as batatas.

2. Picar as batatas com um garfo.

3. Temperar com sal e regar com um pouco de azeite.

4. Levar ao forno pré-aquecido a 220ºC durante 50 minutos.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Workshop Entradas e Aperitivos para Dias Felizes no Porto


Comecei a organizar workshops recentemente, uns de âmbito privado, outros abertos ao público. No passado sábado, da parte da tarde, estive no Porto para orientar um workshop de Entradas e Aperitivos para Dias Felizes no WORK IT - espaço criativo, ao lado do restaurado e lindíssimo Mercado Bom Sucesso.


Gostei muito desta experiência. Uma das coisas que me tocou, foi o entusiasmo e o carinho que vi os participantes colocarem em tudo o que fizeram. Um workshop é um momento de partilha, e para mim, foi muito gratificante. Gosto de ensinar, mas adoro aprender. E todas as pessoas que fizeram questão de estar presentes acabaram por me darem coisas. A elas o meu obrigada.



Comecei a preparar os próximos workshops para Lisboa e para o Porto, onde espero voltar em Junho. Que temas gostavam que eu abordasse nos meus próximos workshops? Deixem as vossas sugestões no formulário. Obrigada.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Paixão pela Cozinha, o livro


A minha relação com os livros de cozinha é de paixão. Compro todos os que consigo e que me despertam a atenção. Mas confesso que me sabe ainda melhor ser surpreendida, e quando recebo um livro novo, o meu sorriso é do tamanho do mundo. E foi o que aconteceu quando recebi o livro Paixão pela Cozinha que inclui as melhores receitas dos últimos quatro anos da revista Continente Magazine.

A primeira coisa que fiz foi folhear o livro, ver o tipo de receitas de entre as mais de cem, todas elas acompanhadas com lindas fotos. Confesso que para mim, livros de receitas têm que ter fotografias. As imagens, para além de nos inspirarem, dão-nos uma ideia do resultado final da receita, o que para mim, é fundamental.


O Paixão pela Cozinha encontra-se à venda em todas as lojas Continente por EUR 9,99 e está dividido em seis capítulos: Pão e massas salgadas, Carne, Peixe, Vegetais e acompanhamentos, Doces e Truques e dicas.

E ao receber este livro, fui desafiada pelo Continente a escolher e a testar algumas das receitas. Por isso, uma das primeiras coisas que fiz foi marcar as que queria experimentar cá em casa. A primeira que escolhi fazer foi a focaccia de tomate e alecrim (pág. 12), que resultou na perfeição. A segunda foi polvo na frigideira (pág. 132) que desapareceu dos pratos num abrir e fechar de olhos.


Focaccia de tomate e alecrim


Ingredientes para 8 pessoas:
3 colheres de sopa de folhas de alecrim picadas
1 colher de sopa de folhas inteiras de alecrim
500 g de farinha
1 pacote de levedura instantânea
3 colheres de sopa de azeite
250 ml de água morna
14 tomates cherry partidos ao meio
1 colher de chá de sal grosso


1. Num recipiente, colocar a farinha peneirada, o alecrim picado e a levedura e misturar bem.

2. Adicionar 2 colheres de sopa de azeite e, aos poucos, ir adicionando a água. Envolver tudo.

3. Verter o preparado sobre uma superfície polvilhada com farinha e amassar muito bem.

4. Formar uma bola, em seguida colocar num recipiente coberto e deixar levedar durante uma hora, até duplicar o tamanho.

5. Dispor a massa (com um centímetro de espessura) num tabuleiro rectangular. Com a ajuda dos dedos fazer pequenos orifícios onde se colocarão as metades do tomate cherry. Salpicar com o restante azeite e polvilhar com sal grosso e as folhas de alecrim inteiras. (Deixei levedar durante 30 minutos.)

6. Cozer a focaccia na prateleira central do forno previamente aquecido a 220ºC, durante 15 a 20 minutos, até dourar.

7. Deixar arrefecer antes de servir.


Polvo na frigideira


Ingredientes para 4 pessoas:
300 g de polvo cozido
100 g de cogumelos
2 cebolas
2 batatas grandes
Sumo de 1 limão
1 copo de vinho tinto
2 dentes de alho
Azeite q.b.
Colorau q.b.
Piripíri q.b.
Sal q.b.
Salsa q.b.


1. Descascar e cozer as batatas em água e sal. Reservar.

2. Numa frigideira com azeite, colocar as cebolas e os alhos picados. Deixar estufar em lume brando.

3. Adicionar o polvo e refrescar com o vinho tinto. Juntar os cogumelos cortados ao meio e as batatas partidas em quartos. Adicionar o colorau, o piripíri e o sumo de limão. Temperar com sal e polvilhar com a salsa picada.


Nesta receita estava curiosa com a combinação do polvo com os cogumelos. Adorei!

Passem por uma loja Continente e descubram este livro, onde vão encontrar estas e outras receitas práticas com ingredientes conhecidos e económicos.

Ninhos de batata com ovos mexidos e chouriço


Há alturas em que são bem vindas ideias para aperitivos e entradas. Quando recebemos amigos, quando festejamos um aniversário ou ocasião especial. É importante ter sempre à mão umas quantas receitas que saem bem e que toda a gente gosta. Uma das sugestões que aconselho a experimentarem é esta, ninhos com ovos mexidos e chouriço. A base do ninho fica crocante, irresistível!

Deixo-vos esta receita, que desenvolvi para a rubrica Batatas com Sabor que tanto pode servir como finger food ou como uma deliciosa entrada.

Ninhos de batata com ovos mexidos e chouriço

Ingredientes para 12 ninhos:
350 g de batata para fritar/puré
20 g de queijo ralado Emmental
7 ovos
70 g de manteiga sem sal
85 g de chouriço de carne
10 g de salsa
1 colher de chá de alho em pó
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Descascar e cortar com a mandolina as batatas em juliana.

2. Numa taça colocar as batatas cortadas, um ovo e o queijo ralado. Temperar com o alho em pó, sal e pimenta-preta a gosto.

3. Untar doze formas de queques com manteiga.

4. Distribuir a mistura de batata pelas formas, espremendo previamente a mistura.

5. Derreter 20g de manteiga sem sal. Regar com uma colher de chá as formas recheadas de batata.

6. Levar ao forno pré-aquecido a 225ºC durante 25 minutos ou até as batatas estarem bem douradas.

7. Retirar os ninhos da forma e deixar arrefecer.

8. Bater os restantes ovos com sal e pimenta-preta a gosto.

9. Levar uma frigideira ao lume com 50g de manteiga. Assim que derreter, adicionar o chouriço, sem pele, e picado grosseiramente. Deixar frigir um pouco.

10. Adicionar os ovos mexidos. Mexer. Assim que estiverem macios, retirar do lume. Se necessário retificar os temperos.

11. Rechear os ninhos com os ovos mexidos. Polvilhar com salsa picada e servir.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Pastéis de quinoa


Maio chegou com sol e dias inspiradores. Tenho planos e expectativas em relação a este mês. As idas ao mercado, lembram-se que as nêsperas, os morangos, as cebolas novas, as favas e as ervilhas já estão ao rubro. Aproveitar os produtos da estação é um dos meus lemas. Os dias inspiradores trazem também a vontade de começar a aproveitar o bom tempo e comer ao ar livre, nestes dias bonitos sabe mesmo bem.

A receita que vos trago hoje é óptima para levar. Levar para um lanche ou almoço no trabalho, para levar para um piquenique com a família, levar para comer em frente ao mar em boa companhia. Preparei esta receita para um artigo sobre diferentes aplicações da quinoa para a edição de Março de 2014 da revista Saber Viver.

Pastéis de quinoa

Ingredientes para 4 pessoas:
130 g de quinoa real
150 g de alho-francês sem rama
3 dentes de alho
3 ovos médios
1 dl de natas
100 g de queijo feta
15 g de pão ralado
10 g de salsa
0,5 dl de azeite
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Cozer a quinoa, depois de lavada. Reservar.

2. Levar uma frigideira ao lume com o azeite, os dentes de alho picados. Deixar frigir um pouco e adicionar o alho-francês cortado. Deixar cozinhar até o alho estar macio.

3. Colocar, numa taça, a quinoa cozida, o alho-francês, as natas, os ovos, o queijo feta cortado, o pão ralado e a salsa picada. Temperar com sal e pimenta-preta a gosto. Mexer muito bem.

4. Distribuir a mistura por doze formas de pastéis, previamente untadas com manteiga.

5. Levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 30 minutos.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Na Praça da Alegria


Ao final da manhã de hoje, voltei ao programa da RTP, Praça da Alegria, apresentado pela sempre simpática Tânia Ribas de Oliveira. Ir à televisão, para mim, é sempre um desafio que me deixa feliz.


O objectivo da minha apresentação, foi, confeccionar um prato rápido, económico, para levar para o trabalho. Pensei numa massa, que faço muitas vezes para aproveitar sobras de frango assado e que fica muito saborosa, um fusilloni com frango e molho de tomate e manjericão. Deixo-vos também uma sugestão, em versão rápida, do molho de tomate e manjericão feito em casa para os dias em que se tem menos tempo e que resulta na perfeição.


Obrigada a todos os que me fizeram chegar mensagens felizes no final do programa!