quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Cuscuz de couve-flor com queijo feta e amêndoa


Cá em casa, procuramos fazer uma alimentação variada mas em que os legumes são, muitas vezes, a base para vários pratos ou acompanhamentos. Hoje em dia, fala-se muito em alimentação, alimentação saudável, super alimentos, mas para mim, a base de uma alimentação equilibrada está no consumo de legumes. Muitos de preferência!

A comida é sempre uma questão de sabor e é fundamental que nos saiba bem. Por vezes, temos que aprender a confeccionar os legumes de forma diferente do que estamos habituados. Cá em casa, gostamos muito de couve-flor. Se for cozida, resulta bem para acompanhar uma carne com o respectivo molho ou um caril de peixe, por exemplo. Mas a verdade, é que nos cansamos em termos de sabor da couve-flor quando é só cozida em água e sal. Por isso usamo-la, muitas vezes, assada no forno com azeite, alho, açafrão da Índia e por vezes sementes de cominhos. Come-se até sem vontade. Fica muito saborosa!

Quando se tenta fazer uma alimentação com muitos legumes acabamos por procurar maneiras diferentes de os cozinhar. A minha máxima, em termos de alimentação saudável, é variar. Não comermos sempre a mesma coisa e nem da mesma maneira. É importante abrirmos o nosso palato a novas aventuras em termos de sabor e textura. Aprende-se a gostar. O palato educa-se desde que nascemos. A couve-flor é um legume muito versátil e trago-vos, hoje, uma receita em que ela faz toda a diferença no prato.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Arroz de lulas


Cá em casa procuramos todos os dias ter uma alimentação variada e equilibrada, Iniciamos, normalmente, as refeições com sopa. Faço a maior parte das minhas sopas sem batata. Uso chuchu, curgete ou cabeça de nabo, em substituição. Procuramos fazer refeições, alternadamente, com pratos de carne e de peixe. Habitualmente, é, à sexta-feira que tentamos acabar com todas as sobras que existam no frigorífico. Nestes momentos, faz-se quase sempre uma grande salada como acompanhamento. Em todas as refeições procuro incluir vegetais e legumes, principalmente da época.

Nesta altura do ano, chega-me imenso tomate da horta que temos em Santarém. Gosto de o usar em sopas, saladas, em pão, nos doces e compotas. Mas um destes dias para o almoço resolvi fazer um prato de que já tinha saudades, arroz de lulas, malandrinho, com muito tomate.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ideias para decorar frascos de doce


O Verão traz a abundância de frutas. No quintal, em Santarém, temos várias árvores que alimentam as fruteiras cá de casa, nesta altura do ano. O facto de termos um quintal com uma horta, onde produzimos frutas e legumes, é algo que me deixa muita grata. As frutas do quintal apanhadas por nós têm logo outro sabor! Costumo trazer ameixas, pêssegos, figos, uvas, abrunhos, melão, meloas, melancia e marmelos.

Talvez porque seja algo que me deixou boas recordações de infância, a verdade é que nesta altura do ano procuro fazer sempre doces de fruta para guardar e depois ir oferecendo aos amigos e à família.

Ao longo do ano vou guardando frascos de vidro. Lavo-os e retiro-lhes os rótulos. Quando a cola dos rótulos teima em não sair, depois das lavagens, ensopo um disco de maquilhagem em benzina e passo na zona com a cola. Sai logo! Gosto de guardar frascos de diferentes tamanhos e formas. Hoje em dia, encontram-se frascos de vidro facilmente à venda. Mas o facto de guardar os frascos de produtos que vamos consumindo é uma maneira de reciclar e de poupar. Era assim que fazíamos em casa da minha mãe e acho que gosto de fazer o mesmo.


Ao guardar frascos, de isto e daquilo, deparo-me com tampas diferentes, muitas têm a indicação do produto que usei. Ao oferecer, não gosto de dar um frasco com uma marca ou com a indicação do nome do produto original. A solução que encontrei é simples, forro as tampas dos frascos. Podemos forrá-las usando papel - gosto de usar papel pardo - ou tecido. Pode-se também usar papel autocolante.

O processo é simples, envolve cortar o papel ou o tecido com tamanho suficiente para forrar a tampa. E depois colar. Podem fazer um círculo no papel com a medida da tampa usando um compasso e depois com a tesoura recortar. Para obterem a medida, com uma régua tiram o diâmetro da tampa e depois juntam os centímetros referentes à altura. Um frasco com a tampa forrada, fica logo diferente.


Ao oferecer um doce ou compota, gosto que o frasco fique bonito. A notar-se que foi feito em casa mas com amor e muito carinho. Gosto de decorar os frascos com tampas. As tampas podem ser de tecido. Ou melhor, sobras de tecidos coloridos. Uso normalmente tecidos ao xadrez ou às bolinhas. Encontram-se facilmente à venda em lojas de tecidos, às vezes compro pedaços com medidas irregulares que já não têm saída e estão em saldo. Corto o tecido. Coloco em cima da tampa e prendo-o com um elástico. Depois uso ráfia ou outro tipo de material para atar e fazer um laço. As decorações podem ser alusivas à época. Por exemplo, no Natal, uso fitas mais coloridas e tecidos com motivos da quadra. Na Páscoa ou para o Dia da Mãe, uso tecidos e fitas alegres, com cores vivas.


Para além dos tecidos, gosto de usar papel para decorar as tampas dos frascos de doce. O processo é também muito simples. Recortam-se discos de papel com tamanho suficiente para tapar as tampas. Não se preocupem se os discos não ficarem bem recortados! No final, quando se coloca nos frascos até é giro não ficar tudo muito certinho.

Podem decorar o papel usando carimbos, com motivos ou dizeres. Eu gosto de usar os que podem ver na imagem em cima. Com um cordel colorido atam o papel ao frasco, ajuda para esta tarefa prenderem o papel previamente com um elástico, principalmente se fizerem esta operação sozinhos. Podem escrever na tampa o nome do doce ou então colocarem etiquetas com a designação e a data de confeccção.

Uso normalmente dois tipos de etiquetas que compro já feitas e onde é só escrever o que pretendemos. As que uso são para colocar penduradas no frasco, como podem ver nas fotografias. Há etiquetas que também se podem colar nos frascos. Mas gosto assim, de modo a que se veja também o doce, principalmente quando os frascos são mais pequenos.

Também costumam aproveitar a fruta da estação para fazerem doces e compotas? E como decoram os vossos frascos?

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Vamos fazer pão: Como fazer massa-mãe


Quando se faz pão, há processos que fazem toda a diferença no resultado final. Um dos processos mais importantes, no fabrico de pão, é a fermentação. Ela ocorre quando alguns dos açúcares presentes na farinha são convertidos em álcool e gás - dióxido de carbono. Outros aspectos importantes, envolvem o amassar, os tempos de descanso, o enrolar o pão e a cozedura no forno. Para fazermos pão, precisamos de tempo. Ou melhor, precisamos de dar tempo às massas para que a magia aconteça, que o sabor se desenvolva.

Ao longo das semanas, na rubrica Vamos fazer pão procurei explicar como podemos fazer pão em casa, usando o método directo ou recorrendo a pré-fermentos. Nos pré-fermentos apresentei-vos a biga e o poolish. Este último, é um pré-fermento líquido, que pode ser usado em massas pobres ou enriquecidas. Ainda vos quero falar da massa pré-fermentada e na esponja. Expliquei também como se pode fazer fermento natural. O fermento natural pode ser usado directamente para fazer pão, depois de ser refrescado, ou podemos fazer com ele, uma massa-mãe.

O termo massa-mãe, ou massas-mãe, com as suas leveduras selvagens preenche-nos o imaginário e remete-nos para processos ancestrais e artesanais de fazer pão. É como que um regresso às coisas autênticas, mas a designação mais correcta seria pré-fermento. A biga e o poolish também são conhecidos como massas-mãe. Há quem chame massa-mãe líquida ao poolish.


Mas, como podemos fazer uma massa-mãe a partir de um fermento natural?

Para responder a esta questão, consultei a obra A Arte do Pão de Emmanuel Hadjiandreou, onde nos aconselha a fazer a massa-mãe usando 15g de fermento natural, 150g de farinha e 150g de água morna. Fui-me apercebendo que há diferentes maneiras de fazer massa-mãe a partir do fermento natural. Acabei por seguir as indicações do livro Artisan Breads Every Day de Peter Reinhart, onde o autor apresenta a seguinte fórmula para a massa-mãe ( mother-starter ):

Farinha - 100%
Água filtrada - 75%
Cultura de fermento - 33,3%

A partir desta fórmula, comecei a fazer massa-mãe para muitos dos meus pães da seguinte maneira:

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Como podemos fazer uma alimentação saudável?


« Coma comida. Mas não em excesso. Vegetais, sobretudo. » - é desta forma que Michael Pollan começa o seu livro Em Defesa da Comida e do qual já aqui vos tinha falado. Esta frase define para mim os princípios do que considero ser uma alimentação saudável.

A grande maioria das vezes, penso que existe uma confusão entre comer de forma saudável e fazer dieta para emagrecer. Podemos mudar e reeducar os nossos hábitos alimentares para perdemos peso, mas podemos também querer comer de modo a vivermos melhor. A comida pode-nos trazer felicidade. E se nos privarmos constantemente, se não comermos um pecadinho de boca, em determinados momentos, a felicidade estará sempre fora do nosso alcance. E aqui, chegamos ao que eu considero ser o bom senso alimentar. Para comermos de forma saudável temos que encontrar um equilíbrio.

Nos finais de Julho, estive, a convite do Ministério da Saúde, na apresentação das estratégias para a Promoção da Alimentação Saúdavel, que decorreu no Mercado de Alvalade e contou com a presença de vários chefs portugueses de renome entre outras individualidades. Tive a possibilidade de participar num painel de debate ao lado da Raquel Fortes, do blogue It's Up to You.

( Fotografia de Rute Moura )

O documento com a estratégia pode ser consultado aqui. Nesta proposta, são apresentadas algumas linhas orientadoras em prol de uma alimentação saudável, que tem como principais objectivos « (...) incentivar o consumo alimentar adequado e a consequente melhoria do estado nutricional dos cidadãos, com impacto direto na prevenção e controlo das doenças crónicas ».

Os hábitos alimentares dos portugueses revelam que nos últimos anos se têm afastado da Dieta Mediterrânea, considerada uma dieta de padrão saudável. Portugal tem elementos de herança cultural mediterrânica como os olivais, as vinhas, um estilo de vida de partilha à volta da mesa, feita com produtos frescos da época. Tem também um padrão alimentar Atlântico principalmente no norte do país.

O estilo de vida e as influências de outros modelos alimentares acabaram por se imporem no nosso dia-a-dia, levando-nos a abandonar, em parte, muitas das nossas heranças e tradições em termos de alimentação. Devido aos muitos problemas de saúde, relacionados com a alimentação, que têm vindo ao longo dos anos a aumentar, é importante falarmos do que comemos e do modo como comemos. Entre a correria de casa para o trabalho, muitas vezes, com pouco tempo para cozinhar, como podemos fazer uma alimentação saudável?

Alexandra Bento no seu livro Comer Bem é o Melhor Remédio, diz-nos que a alimentação saudável « é a forma corrente de comer que assegura variedade, equilíbrio e quantidade justa de alimentos escolhidos pela sua qualidade nutricional e pela sua segurança, submetidas a correctas confecções culinárias. Esta deve proporcionar bem-estar físico e psicológico, dar prazer e auxiliar na manutenção de um peso saudável ».

Quem procura fazer uma alimentação saudável deve apostar na variedade e no equilíbrio. Deve ter em atenção alguns aspectos, como por exemplo, o consumo de sal, de açúcar, de gorduras e de produtos processados.

O consumo de sal recomendado, por dia, são 5 g. Ou seja, 5 g a distribuir por tudo o que comemos num dia. No que toca ao sal, lembro-me sempre do conto de Teófilo Braga intitulado O Sal e a Água, em que uma princesa diz ao pai que gosta tanto dele como a comida do sal. O rei só percebeu o que a filha queria dizer quando provou a comida insossa. O sal torna tudo mais saboroso? Ou é uma questão de hábito?

Comer é um prazer e a comida tem que ser saborosa. Mas a verdade é que não precisamos de comer tanto sal. E como podemos reduzir o consumo de sal? Em primeiro lugar tenham atenção aos rótulos de alguns alimentos que consomem, principalmente comida já feita. Em casa, comecem por medir a quantidade de sal que usam para cozinhar e depois, aos poucos, vão reduzindo. Usem uma colher medidora, por exemplo. Outra forma, é substituírem o sal por ervas aromáticas ou especiarias. Em certos pratos, podem usar salicórnia, que hoje em dia, já se encontra com alguma regularidade nos supermercados. Aos poucos e poucos, conseguem ir reduzindo a quantidade de sal usado. Cá em casa, já não coloco sal nas saladas. O importante é começar, depois o palato habitua-se e a nossa saúde agradece!

O açúcar está escondido em muitos alimentos. Desde o pão, passando pelos cereais do pequeno-almoço até aos refrigerantes. O importante, é procurar reduzir alimentos que tenham açúcar na sua composição. A Organização Mundial de Saúde recomenda que o consumo de açúcar seja de cerca de 50g por dia. Se tivermos atenção aos rótulos e aos produtos açucarados no nosso dia-a-dia, podemos comer o bolo de domingo, feito para a família, sem peso de consciência ou ceder à tentação de comer um pastel de nata com o café num dia em que nos encontramos para um lanche com uma amiga. O doce faz parte da nossa vida, mas quando queremos fazer uma alimentação saudável, é fundamental  encontrar o equilíbrio.

Quem procura fazer uma alimentação saudável deve tentar cultivar alguns hábitos. Começar as refeições com sopa. Colocar, de forma regular, produtos hortícolas na mesa. Seja incluídos no prato principal seja como acompanhamento. Às vezes passamos a gostar de determinado legume se o cozinharmos de forma diferente do que temos sempre feito. Não se esqueçam que o palato se educa e que os pais dão o exemplo. Se não comerem legumes, os vossos filhos vão ter resistência a comê-los também. Outro aspecto é a hidratação. Beber água de forma regular. Recomenda-se pelo menos 8 copos por dia.

Para uma alimentação saudável é importante planear as refeições. O planeamento permite dar uma visão geral das refeições da semana e assim saber o que a família irá comer. No planeamento das refeições, em casa, dar preferências aos pratos de peixe. Ter atenção ao excesso de consumo de carne, principalmente das carnes vermelhas. É também muito importante, ter consciência que é fundamental variar o que se come. Todas as semanas procuro ter fruta e legumes diferentes em casa. Esta semana temos couve-flor, tomate, curgete e beterraba, para a semana iremos ter endívias, abóbora e batata-doce, por exemplo. Na fruta acontece o mesmo. Procuro variar o que se come semana a semana.

E por favor, não se esqueçam de tomar o pequeno-almoço. É fundamental não saltarem a primeira refeição do dia. Quando dava aulas, via muitos adolescentes a tomar o pequeno-almoço no bar. A maioria deles pedia um leite com chocolate e um bolo. Quando se decidiu que o bar deveria ter opções mais saudáveis, muitos passaram a comprar o seu pequeno-almoço num supermercado ao lado da escola. Com isto quero mostrar que só se mudam os hábitos alimentares através de uma educação para a alimentação. Que é importante sabermos o que estamos a comer. Sabermos o que é que determinados alimentos contribuem ou não para a nossa saúde. Não sou fundamentalista. Gosto de comer um pouco de tudo. Mas há alimentos que sei que são só para quando o rei faz anos!

No nosso dia-a-dia, todos podemos fazer uma alimentação mais saudável. Basta termos consciência dos alimentos que podemos comer e quais os que devemos consumir de forma pontual.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Salada de massa com tomate e queijo


Lisboa, em Agosto, é uma cidade em que se tem tempo. As ruas com menos trânsito deixam descobrir cantos e recantos que em tempos de azáfama casa/trabalho deixamos escapar diante dos nossos olhos. Vivo em Lisboa, faz brevemente, 26 anos. Como o tempo passa! Desde o primeiro dia que me apaixonei por esta cidade. Pela vida. Pela luz. Pelos bairros antigos. Pelas ofertas culturais. Pelas livrarias que tanto adoro visitar.

Acho que não passa um mês em que não passe pelo Chiado ou pela zona do Saldanha. Entre as mil e uma coisas que gosto de Lisboa, poder olhar para o Tejo, deixa-me feliz. Vejo-o, todos os dias, da minha janela.

E na tranquilidade dos dias em que Lisboa, nesta altura do ano, mergulha, aproveito e dou algum descanso também à minha cozinha. Nestes dias quentes a prioridade tem sido comidas frescas. Deixo-vos, hoje, mais uma salada feita com o tomate da horta.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Molho de tomate


Quando trago tomate fresco, carnudo, cheio de sabor da horta em Santarém sinto-me nas nuvens. Assim que chego a casa começo logo a pensar nas receitas que vou fazer para lhe dar destino.

Na última vez que estive em Santarém trouxe uma caixa com tomate coração de boi. Para acompanhar as refeições costumo cortá-lo às fatias, polvilhar com um pouco de flor-de-sal e um fio de azeite. Fica maravilhoso. O sabor do tomate em toda a sua plenitude numa salada em que a simplicidade domina.

Outro destino que o tomate coração de boi teve foi ir para o tacho. Decidi fazer molho de tomate.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Vamos fazer pão: Pãezinhos de azeitona com tomilho


Cá em casa, todas as semanas, temos pão fresco. Gosto de misturar farinhas e de juntar outros ingredientes à massa. Nesta altura do ano, faço muitas vezes pão para as sandes da praia ou para os lanches a meio da tarde. Os pãezinhos individuais são tão práticos! Vamos fazer pão?

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Salada de tomate com queijo e figos


As coisas boas da horta em Santarém continuam a chegar. Esta é uma época de abundância, principalmente em termos de tomate e outras frutas, como ameixas e pêssegos. Todos os anos, a minha mãe faz uma horta com tomate. Ao longos dos anos foi acedendo aos meus pedidos e hoje temos diferentes variedades de tomate no quintal.

Adoro tomate nesta altura do ano. Acreditam que todos os dias comemos tomate, ou é em saladas, ou no arroz de acompanhamento, ou nas sopas, ou nos estufados. E até em pão. Como diz o ditado, em tempo de tomate não há más cozinheiras!

A receita, de hoje, é uma salada fresca e muito colorida. Para além da base de tomate decidi acrescentar figos. Uma salada perfeita para saborear num dia quente de Verão.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Foi em Julho que ...


Foi em Julho que os meus amigos Nancy e Nuno se casaram. Uma festa bonita que nos levou de Tuc-Tuc, desde a Avenida da Liberdade até ao Castelo de São Jorge, em Lisboa. É tão bom podermos viver estes momentos com os amigos. Festejar a vida, o amor, com os outros, torna-nos mais felizes e gratos.

Em Julho recebi a Paula, o Ricardo e a Mafalda, amigos de longa data, cá em casa. Num dos dias, Domingo, preparei-lhes um pequeno-almoço em jeito de brunch, com muitas coisas boas, ovos, sumos, leite, café, pão fresco e torrado (acho que conquistei mais uns fãs para o pão que faço cá em casa!), queijos, presunto, compotas e fruta fresca. Nem imaginam o gosto com que preparo estes momentos. A partilha à mesa é uma dádiva. É tão bom podermos dar carinho, amizade, simpatia, o nosso cuidado com os outros, em forma de refeição. Há amigos que merecem muito!


Fui pela primeira vez à praia este ano, num dos primeiros dias de Julho. O Ricardo e eu gostamos de ir até à praia ao final do dia, quando a força do sol já se foi. Fazemos um passeio à beira-mar. E quando o pôr-de-sol chega, acabamos o nosso dia a tomar um café numa das esplanadas que ainda estejam abertas. Confesso que há dias em que trocamos o café por um gelado. Sabe tão bem!


As minhas sobrinhas estiveram, num fim-de-semana de Julho, cá em casa. Fizemos pizzas e pão. A alegria delas a mexer na massa foi contagiante. A alimentação é saúde e se envolvermos as crianças na preparação da comida, vão valorizá-la de outra maneira. Acreditem que até comem os legumes a que muitas vezes fazem cara feia!

Uma das coisas que adoro sempre que vou a Santarém, é visitar a horta, no quintal, dos meus pais. E nesta altura está ainda tudo tão bonito. Aproveito e trago sempre muitos produtos hortícolas. Trouxe curgetes e flores de curgete. Apanhei ameixas vermelhas e amarelas, abrunhos, amoras e o primeiro tomate da época. Espreitei os marmelos e as romãs. Ter uma terra com uma horta é tão bom!

Em Julho, fui aprender um pouco mais sobre peixe e marisco num workshop Pescanova realizado no Mercado da Ribeira pelo chef Miguel Mesquita. Podem ver aqui as receitas que preparámos.

O Mercado de Alvalade foi renovado, tem agora um espaço de lazer para crianças e uma zona com mesas, muito acolhedora. Nesta renovação foi criado também um espaço para exposição de fotografia. Eu estive lá a cozinhar no dia da inauguração. Foi uma manhã deliciosa. O desafio era preparar receitas com produtos à venda no mercado. Entre as várias coisas que fiz contam-se uma limonada, um gaspacho, uma salada de bacalhau e uma deliciosa cataplana de peixe e marisco.


Voltei ao mercado no dia 22 de Julho, a convite do Ministério da Saúde para participar num painel de debate durante a apresentação do programa de Promoção da Alimentação Saudável. Um destes dias volto a falar-vos deste programa e de algumas das minhas ideias sobre como podemos ter uma alimentação saudável. Para já, podem consultar o programa. A alimentação é saúde, o nosso bem mais precioso.

Em Julho, houve tempo para as primeiras sardinhas assadas, comidas num almoço de família com a tradicional salada de tomate com pimentos assados. Adoro. Uma das minhas comidas de Verão são as sardinhas assadas!


Julho consolidou os dias quentes de Verão. Trouxe a vontade de partir de férias. Que Agosto nos traga a magia dos dias longos de Verão. Que nos traga a possibilidade de olhar para o céu numa noite estrelada e agradecer cada dia, cada minuto, de alegria. Que Agosto seja um mês de descanso, que nos possibilite reunir forças e recuperar energias. Bom mês de Agosto para todos vocês!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Doce de ameixa branca


Tenho a sorte de ter um quintal com muitas árvores de fruto. Algumas levei-as de Lisboa, quando vivi durante muitos anos num segundo-andar com um delicioso quintal. Quando nos mudámos para a casa onde hoje vivo, decidi dar um bocadinho do quintal à família e aos amigos. Distribui flores e ervas aromáticas.

Para Santarém levei todas as árvores que nasceram dos caroços que colocávamos no quintal. Agora, passados uns anos, começamos, em Santarém, a ter fruta que nasceu no quintal de Lisboa. A vida só tem piada quando lhe damos algum colorido!

E para aproveitar a fruta que vou trazendo, nesta altura do ano, adoro fazer doces e compotas. É uma forma de guardar os sabores e os aromas da fruta de Verão num frasco e depois ir saboreando ao longo do ano. A receita que vos trago, hoje, é doce de ameixa branca. Fica tão bom!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Ovos estrelados com pimentos na frigideira


O mês de Agosto combina com dias de férias, com tardes a passear, sem horário, pelas ruas de Lisboa. Combina com idas à praia, com cervejas geladas, pires de tremoços e sardinhas assadas. Agosto combina com leituras leves, com chinelos e calções, com óculos de sol. Combina com limonadas e outras bebidas geladas.

Em Agosto, por cá, é tempo de trabalho. Pensam-se workshops. Preparam-se as próximas apresentações em público. No passado sábado estive no Mercado Engenheiro Silva, no âmbito da Feira do Livro da Figueira da Foz, para um showcooking, onde usei muitos produtos comprados no mercado. No próximo dia 19 de Agosto, rumo novamente ao norte, desta vez a Espinho. Vou cozinhar no Festival Oito24, às 11h30. Marquem na agenda!

As refeições cá por casa, nesta altura do ano, são sempre com os produtos hortícolas frescos da estação, como o tomate, o pepino, as cebolas e os pimentos coloridos, que nos chegam, agora, em grande abundância. A receita de hoje é com pimentos e é conhecida em Espanha e Itália como peperonata. Acho o nome tão feliz! Gostam?

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Vamos fazer pão: Pão de alheira e chouriço


Adoro fazer pão em casa. E quando se começa nunca mais se quer parar. O nosso pão torna-se único e especial. É nosso. É bom. No pão, por norma, gosto de misturar farinhas. Uso muitas vezes legumes, enchidos, sementes, frutos secos, ervas aromáticas ou até especiarias. Podemos fazer pão para diferentes ocasiões. Para comer no dia-a-dia, ou para partilhar com amigos num dia de festa, num piquenique, num lanche ajantarado, como faço muitas vezes ou, para levar cortado em fatias, para saborear, num dia de praia. A receita de pão que vos trago, hoje, tem esse objectivo. Partilhar. Vamos fazer pão?

Relembro que, no próximo sábado, dia 5 de Agosto, vou estar na Feira do Livro da Figueira da Foz com um showcooking no Mercado Engenheiro Silva. É às 11h00. Apareçam!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

15 livros para ler no Verão


Ler é um prazer, é uma forma de viajar, de encarnarmos personagens, de vivermos aventuras. Não me imagino sem andar sempre a ler.

Com o intuito de aumentar as minhas leituras, defini, este ano novamente, que tenho que ler um romance por mês. Leio muitos livros sobre alimentação, cozinha e gastronomia, mas o romance é um dos meus géneros preferidos.

Como o mês de Agosto é a altura preferida, por muitos de nós para tirar férias, deixo-vos uma lista de livros para lerem e desfrutarem nesta altura do ano.

Romances

- Um Ano para Ser Feliz de Lori Nelson Spielman

Brett tem um ano para mudar a sua vida através de uma lista de objectivos, que a mãe, entretanto falecida lhe impõe de modo a que tenha direito à sua herança. Uma história feliz. Em que a personagem principal se vê confrontada com um conjunto de situações que a impulsionam a procurar o pai, a ajudar os pobres, a voltar a ensinar, a apaixonar-se. Um livro com uma mensagem positiva que se lê de um fôlego. Ideal para saborear nos dias quentes de Verão.


- Arquipélago de Joel Neto

Um livro que nos transporta até aos Açores, ou melhor, até uma das minhas ilhas preferidas, a Terceira. Conta-nos a história de José Artur, que depois do divórcio, volta à ilha. Durante a reconstrução da casa do avô é descoberto o esqueleto de uma criança. E assim começa o desenrolar de um conjunto de segredos que nos mostram locais, tradições e as gentes da ilha.


- A Gorda de Isabela Figueiredo

Um livro delicioso. Para ser lido numa esplanada, com vista para o mar, e uma cerveja bem fresquinha. Neste romance conhecemos Maria Luísa. Uma jovem simpática, inteligente, voluntariosa e gorda. E é esta característica física que condiciona alguns aspectos da sua vida. Mas não pensem que isso a desmotiva. Ela é forte. Dá volta e vai em frente. Vale a pena conhecerem a Maria Luísa. Eu gostei muito de me cruzar com ela nas páginas deste livro.


- A Amiga Genial de Elena Ferrante

Este foi o primeiro livro que li de Elena Ferrante e o que mais me cativou foi a escrita. Uma escrita "simples" e envolvente, aproxima-nos das personagens. Elena nesta obra conta-nos a história de duas amigas que se conhecem na escola primária e que vivem num bairro pobre nos arredores de Nápoles. Separam-se quando uma prossegue os estudos e a outra fica no bairro a lutar por si e pela sua família, na loja do pai, que é sapateiro. Mas a amizade continua.


- A Improbabilidade do Amor de Annah Rothschild

« Um quadro velho e sujo é comprado numa obscura loja de velharias por Annie McDee. Chef talentosa mas falida, apaixonada mas com o coração partido, Annie cedeu a um impulso e gastou nele as últimas 75 libras que tinha no bolso. E enquanto se debate com a solidão e a falta de perspectivas, está longe de imaginar as repercussões da sua humilde extravagância. É que, singelamente pendurada entre os tachos e as panelas da sua cozinha, está agora uma obra-prima. A Improbabilidade do Amor é o quadro perdido de um célebre pintor do século XVIII. Na tentativa de desvendar a verdadeira identidade da obra, Annie vai deparar com um dos segredos mais bem guardados da História da Europa. » Um livro cheio de referências ao mundo da arte mas entre tachos e panelas. Delicioso. Para ler este Verão.


- Deixei-te Ir de Clare Mackintosh

Este livro surpreende. Quando o começamos a ler, parece que estamos a compreender e a perceber qual a personagem que estamos a acompanhar, mas depois tudo muda. Um livro sobre violência doméstica, forte, intenso e que não nos deixa indiferentes. Confesso que ainda hoje penso no modo como a história termina!


- Os Anagramas de Varsóvia de Richard Zimler

Gosto muito do trabalho e da escrita de Richard Zimler. Nesta obra transporta-nos para um gueto em Varsóvia. Aqui somos confrontados com a morte de um rapaz, Adam, de 9 anos, cujo corpo aparece mutilado num dos arames farpados que cercam o gueto. Uma rapariga aparece morta nas mesmas circunstâncias. O mistério adensa-se. E Cohen, um velho psiquiatra, tio de Adam, decidiu começar uma investigação que se revela muito perigosa. Um livro que nos relembra que não podemos esquecer as atrocidades cometidas pelos Nazis aos Judeus. Lembrar, falar, divulgar para que não volte a acontecer.


- A Rapariga no Comboio de Paula Hawkins

Um livro de leitura fácil, que nos prende da primeira à última página. Rachel todos os dias faz a viagem de comboio casa/trabalho. Observa sempre as mesmas casas. Constrói na sua mente vidas perfeitas das pessoas que vê. Num dos dias percebe que algo de errado se passa com um casal. Fala com a polícia e passa a fazer parte da investigação que entretanto começa. Para mim, um dos pontos fortes do livro, é chamar a atenção para o alcoolismo e como este pode destruir a vida de uma pessoa.


- O Ministério da Felicidade Suprema de Arundahti Roy

É a história de Anjum, criada como menino até à altura em que já não foi possível esconder as suas tendências de género. Nessa altura é condenada ao ostracismo numa comunidade de hijras. Depois de um massacre, Anjum tem que enfrentar de novo o mundo. Decidiu ir viver para um cemitério. Um livro cheio de referências à Índia, ao conflito com o Paquistão e ao modo como o país foi mudando. Há uma crítica social e política. Descreve situações de pobreza em contraste com uma Deli moderna. Confesso que achei o livro, por vezes um pouco confuso, com diálogos, paisagens interessantes mas com muitas referências a um universo que conheço muito pouco.


- Jesus Cristo Bebia Cerveja de Afonso Cruz

Um dos livros que está na minha lista de leituras. Achei o título tão curioso. E a obra é apresentada assim: « Uma pequena aldeia alentejana transforma-se em Jerusalém graças ao amor de uma rapariga pela sua avó, cujo maior desejo é visitar a Terra Santa. Um professor paralelo a si mesmo, uma inglesa que dorme dentro de uma baleia, uma rapariga que lê westerns e crê que a sua mãe foi substituída pela própria Virgem Maria, são algumas das personagens que compõem uma história comovente e irónica sobre a capacidade de transformação do ser humano e sobre as coisas fundamentais da vida: o amor, o sacrifício, e a cerveja. »


- O Livreiro de Paris de Nina George

« Jean Perdu é proprietário de um negócio tão especial quanto extraordinário: a Farmácia Literária, uma livraria instalada num barco atracado no rio Sena, em Paris. Ao invés de vender medicamentos, receita livros como remédio para os males da alma. Porém, embora saiba aliviar a dor dos outros, não consegue atenuar a sua própria dor. » Não acham delicioso este resumo? Cheia de vontade de começar a ler esta obra.


- Manual para Mulheres de Limpeza de Lucia Berlin

Um livro que me foi várias vezes recomendado. São contos, histórias de vida, que poderiam ser as nossas.


Comida e vinhos

- Como Não Morrer de Fome em Portugal de Lucy Pepper

Um livro escrito com muito sentido de humor. Uma visão deliciosa sobre os portugueses e os seus hábitos e costumes, à volta da mesa, e não só. Adorei ler este livro. O texto sobre o cozido e o focinho de porco é fantástico. Identifiquei-me tanto que num destes dias li o excerto à minha sogra, mentora dos muitos cozidos feitos ao longo do ano na minha família. Leiam! Acho que se vão rir tanto quanto eu!


- O Vinho que Lisboa Tem de Ana Marques

Um livro sobre quintas, wine bars e garrafeiras da região de Lisboa. Um livro para quem gosta de vinho ou para quem quer descobrir o vinho que Lisboa tem.


- Uma ideia de felicidade de Luís Sepúlveda e Carlo Petrini

Carlo Petrini é o fundador do movimento slow food. Luís Sepúlveda é um escritor chileno, autor de vários livros, em que se inclui a obra O Caracol que Descobriu a Lentidão. E o que é que o caracol tem a ver com comida? Um livro sobre política, convicções pessoais em busca da felicidade, e claro, comida!


E vocês, que leituras recomendam para este Verão?

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Sopa de couve-flor com cenoura e arroz


Cresci com sopa regularmente às refeições. Um hábito que ainda hoje a minha mãe tem. Cá em casa, há sempre sopa. Para uma emergência ou para os dias em que não há tempo, tenho sopa congelada. 

A sopa é, por um lado, uma forma de comermos mais legumes. Quem não gosta de sopa alega que hoje em dia temos muitas e variadas formas de comermos legumes. Formas essas até mais interessantes do que a sopa, como por exemplo, legumes assados ou grelhados. Mas para mim, sopa é sopa. É um prato de conforto. É uma forma de começarmos a refeição e disciplinarmos o apetite.

As sopas são pratos de confecção simples, apresentam um elevado valor nutricional e fazem bem à nossa saúde. A grande maioria das sopas tem uma boa quantidade de água. Água essa carregada de nutrientes vindos dos hortícolas e das leguminosas usados. Em regra geral são pouco calóricas, ricas em vitaminas e sais minerais. Só encontro bons motivos para iniciarmos as refeições com um prato de sopa para toda a família.E vocês?

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Lombinhos de porco com ameixas secas e vinho do Porto


Bem-vindo querido mês de Agosto. Este é o meu mês. O mês em que nasci! A data do nosso aniversário é a mais importante de todas. Nada supera a alegria de partilharmos, com os outros, a dádiva da vida.

No mês de Agosto, cá por casa, cozinha-se sempre com muito tomate. Nesta altura do ano chega-nos doce e suculento. Tendo em conta que somos o terceiro produtor mundial deste fruto, que quando se diz "à portuguesa", significa que o prato leva tomate. Por tudo isto, acho que se deveria criar o Dia do Tomate aqui em terras Lusitanas! Nesta altura de abundância costumo fazer molho de tomate, congelar e depois ir usando ao longo do ano. A verdade é que não dura assim tanto tempo! Uso-o muito, principalmente, em pratos de carne estufada.

Procuro, nesta altura do ano, fazer muitos doces e compotas. A fruta chega-me madura do quintal, em Santarém, e tenho que lhe dar destino. Faço muitas compotas mas pouca quantidade de cada. Entre um frasco para a mãe, outro para a cunhada, um para a sogra e um ou outro para oferecer às amigas mais chegadas, o que é certo, é que as compotas vão desaparecendo!

A receita que partilho, hoje, foi feita nos finais de Julho, não para destacar e enaltecer as coisas boas do Verão, mas para dar destino a umas ameixas secas que ainda tinha do Natal. O resultado foi um prato cheio de sabor que todos, cá em casa, adorámos!