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quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Cinque Terre e uma viagem de barco pelo Golfo dos Poetas


O dia acordou com o sol a brilhar num céu azul sonhador. O percurso para este dia estava definido, depois de uma reunião com os nossos amigos e companheiros de viagem, o Nuno e a Graciete, e de pelo meio termos ainda uma deliciosa conversa com o empregado de mesa do hotel sobre futebol. O modo como José Mourinho é amado pelos italianos é verdadeiramente comovente, ao ponto de deixar-nos orgulhosos e felizes por sermos portugueses.

De Montecatini iríamos até às Cinque Terre. A ideia que tinha das Cinco Terras, pequenas aldeias de pescadores situadas nas encostas escarpadas ao pé do Golfo dos Poetas, era algo de romântico e que me fazia sonhar com boa comida, ruas estreitas, casas coloridas e mulheres italianas a fazer pasta junto à entrada das casas.

Apanhámos o barco em La Spezia ao final da manhã. O sol era tão quente que tive que improvisar e fazer do casaco um chapéu para colocar na cabeça. A viagem durou aproximadamente uma hora. Partimos de La Spezia e fomos passando por Portovenere e pelas famosas Cinque Terre, a saber, Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso al Mare.


As casas penduradas nas rochas, pintadas com cores coloridas parecem verdadeiros postais. É curioso como conseguiram construir nestas encostas. Mas o que mais me impressionou foi ver a luta silenciosa e pacífica dos veraneantes por um bocado de rocha para estender a toalha e aproveitar o sol e o mar. Ali só pensei, que boas praias nós temos em Portugal!

Decidimos parar apenas em Monterosso al Mare. A última localidade do percurso de barco. Aqui deparámos com pessoas a aproveitarem o sol com as toalhas estendidas nas rochas, mas também uma praia com areal e muitos chapéus de sol. Decidimos ir almoçar, num bar/restaurante mesmo junto à praia.

Escolhemos uma salada de farro, meloa com presunto, mexilhões recheados e cerveja bem fresca. No final, pedimos ainda uma enorme taça de gelado que nos soube a dias frescos, às sombras das árvores e a grossas gotas de chuva gelada. Com o calor que se fazia sentir, estar a almoçar a ver e a sentir o aroma do mar transformou esta refeição num momento muito especial.


Depois do almoço pensámos em ir molhar os pés no mar, mas descobrimos que a praia era paga. Dezassete euros por dia com direito a chapéu e duas cadeiras. Com espreguiçadeira o valor passava para vinte e três euros.


Um pouco antes do pôr-do-sol apanhámos o barco de regresso. Na viagem, a sentir o aroma fresco da água do mar, pensei que também gostaria de fazer o percurso a pé pelo Caminho do Amor que liga as Cinque Terre ou até mesmo a respectiva viagem de comboio.

De La Spezia seguimos viagem por uma estrada cheia de curvas até Collecchio, nome que me fez lembrar um dos júris do programa americano de cozinha Top Chef. No dia seguinte, a viagem continuaria.

Este apontamento integra-se no relato da minha viagem, o ano passado, a Itália.

segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

Da terra do Pinóquio até Montecatini


Ficámos duas noites em Montecatini Terme. A primeira noite chegámos cansados e recolhemos logo aos quartos. A segunda noite já nos permitiu dar um passeio com calma pelas ruas centrais desta cidade termal. Eram quase onze da noite e ainda havia lojas e cafés abertos. Imensas pessoas a passear na rua. Qualquer cidade em Itália tem movimento. Pessoas na rua. Comércio. Cafés e restaurantes com clientes.

O passeio deste dia tinha começado em Lucca. Depois de Lucca seguimos viagem até Collodi, terra do carpinteiro Gepeto que deu vida a Pinóquio. Ali existe um parque temático do Pinóquio e os jardins históricos de Garzoni, para além de vendedores com bonecos do Pinóquio de todos os tamanhos e preços. A nossa visita foi curta. A noite estava quase a chegar e ainda queríamos visitar Montecatini Alto


O caminho até Montecatini Alto é feito a subir. Uma subida com algumas curvas fechadas, que às vezes nos deixam o coração apertado, mas com uma vista fabulosa e inspiradora para o vale que rodeia esta localidade. Assim que chegámos e saímos do carro, eis que se aproximam uns noivos e os seus fotógrafos. Não resisti a tirar uma foto.


Depois de um breve passeio por Montecatini Alto, de ver o funicular a chegar, de subir até perto da torre, decidimos jantar na praça principal. Ao princípio da noite, grande parte dos restaurantes já tinham as suas esplanadas cheias. Nós lá conseguimos arranjar lugar num dos restaurantes e para jantar eu optei por uma sopa de farro, muito deliciosa, fiquei com vontade de a reproduzir. Para a mesa veio também zonzellone con prosciutto, uma salada Caprese e pratos de pasta.


Depois do passeio nocturno pelas ruas movimentadas de Montecatini Terme, regressámos ao hotel. No dia seguinte esperava-nos um passeio de barco pelas Cinco Terras.

domingo, 20 de Novembro de 2011

Em Lucca a falar português


Chegámos a Lucca, na viagem de férias de Agosto, a meio da manhã de sábado, no dia a seguir de termos jantado em Pisa. A maior parte das lojas estava fechada, mas nas ruas circulavam muitos turistas. Lucca, como quase todas as cidades italianas, tem um passado histórico rico. Foi fundada pelos Etruscos, os Romanos estabeleceram ali uma colónia e, em 1799 foi conquistada por Napoleão. O centro histórico de Lucca está dentro de muralhas.

Depois de um passeio pelas ruas da cidade, de espreitar algumas lojas com pasta fresca à venda, de passar pela Piazza dell'Anfiteatro, um dos ex-libris da cidade, eis que o estômago começa a dar horas e antes que seja tarde, o melhor é encontrar um restaurante para almoçar.


Nem sempre aquilo que nos parece fácil o é. Nesta nossa viagem a Lucca encontrar o restaurante previamente escolhido revelou-se uma verdadeira saga com tantos caminhos percorridos quase como os episódios da série de TV Dallas.

Quando visitamos uma cidade, uma das primeiras coisas que procuramos fazer logo é arranjar um mapa para nos conseguirmos orientar. Em Lucca, quando chegámos, o ponto de informação turística estava fechado. Pensámos que estando Lucca dentro de umas muralhas não nos deveria ser difícil encontrar o que quer que fosse. Por isso, andámos de rua em rua à procura do restaurante escolhido para o nosso almoço. Mas estávamos bem enganados. Lucca tem muitas ruas, umas largas, outras bem estreitas e muitas, umas parecidas com as outras, especialmente aos olhos de uma pessoa que ali vai pela primeira vez. É já ali. Afinal não era. Se calhar é para acoli e não era. Mais uma tentativa. E mais outra. Isto tudo com o Ricardo a não querer perguntar indicações - mas porque é que os homens acham sempre que conseguem descobrir um local numa terra estranha sem perguntar aos locais?


Eu já farta de tanto andar e voltar ao mesmo sítio sem encontrar o tão desejado restaurante resolvi meter conversa com um jovem que estava parado com a sua bicicleta, cheio de sacos, em frente a uma loja. Meti conversa em italiano, a frase decorada para perguntar onde é, mas eis que o moço não me entende. Nisto, apercebe-se que sou portuguesa e diz-me que o melhor é falarmos em português, pois de certo que nos iríamos entender muito melhor. Eu, cheia de fome e cansada de andar às voltas, achei que era uma fantástica ideia. E foi assim que conheci o Stefano.

O Stefano esteve um ano em Portugal, na cidade do Porto, a estudar. Para ele, esta foi uma excelente oportunidade para colocar em prática os seus conhecimentos de português. Amavelmente, disponibilizou-se a servir-nos de guia até ao restaurante Vecchia Trattoria Buralli, situado numa praça pacata, longe da confusão dos turistas. Durante o percurso, Stefano falou-nos de Lucca, das suas noventa igrejas, e é que comum as pessoas perderem-se ali pois há muitas ruas, falou-nos da diferença entre Portugal e Itália. Disse-me que cá em Portugal, as pessoas falam com mais calma e que ele gosta imenso disso. Durante o percurso, Stefano ia-nos trauteando algumas das conhecidas óperas de Puccini e de Luigi Boccherini, ambos filhos da terra.

Já no restaurante, fizemos os nossos pedidos e para a mesa veio bruschetta com tomate e outra com lardo, javali com polenta, que já tinha comido, noutra viagem, em Bolonha, carne de porco assada com batatas, salmão grelhado e pasta com molho de tomate. O vinho escolhido foi Il Selvatico, de Montecarlo, uma localidade próxima de Lucca. Aqui uma vez mais, achei que o pão que serviram deixou muito a desejar. Achei-o seco e quase sem sal. Bom pão, tínhamos comido nós em Florença.


Depois do almoço ainda houve tempo para visitar a Catedral. Uma das coisas curiosas de Lucca é a torre Guinigi. É uma torre com árvores no topo. Segundo o nosso anfitrião, na altura da construção da torre, como não podia ser mais alta, colocaram árvores, para assim estarem mais perto do céu.


E assim, a falar português saímos de Lucca. A terra do pai do Pinóquio esperava por nós.

quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Um jantar em Pisa


Chegámos a Pisa vindos de San Gimignano. A paisagem pelo caminho foi marcada por campos de vinhas, girassóis e muito verde. A Toscana é uma região magnífica em termos de paisagem. Em Pisa, depois de me enganar no caminho e de fazer os meus companheiros de viagem andarem mais do que era suposto, acabámos por fizer uma visita rápida à famosa torre inclinada, a que se seguiu algumas fotografias antes de o sol se esconder.


De seguida e sem recomendações, fomos escolher o local para jantar. A escolha recaiu na Osteria I Santi. Decidimos ficar na esplanada. Aqui escolhemos uma salada Caprese e bruschettas de tomate, um arroz do mar, tagliatelle com cogumelos, lasanha, ravioli com courgette e pinhões. A refeição soube bem. Agradável numa noite quente de Verão.


Daqui, cansados, partimos para Montecatini Terme. No dia a seguir estaríamos em Lucca.

San Gimignano e o melhor gelado do mundo


Depois de almoçar em Siena partimos para San Gimignano, uma localidade em plena região da Toscana. San Gimignano é conhecida pelas suas catorze torres e pelo centro histórico de arquitetura medieval. Depois de andarmos pelas ruas empedradas e limpas, de ver os edifícios cuidados e com flores, de visitar algumas lojas de artesanato e de produtos alimentares, de ouvir um grupo de jovens a cantar fomos até à Piazza della Cisterna.


Com o fim da tarde a aproximar-se, fomos à procura do verdadeiro motivo da nossa visita a San Gimignano, a Gelateria di Piazza, considerada a melhor do mundo (de 2006 a 2009). O espaço era pequeno, mas estava cheio de gente a querer provar os gelados. Eu não resisti especialmente ao aroma de figo. Foi este gelado que me motivou a que no dia dos meus anos usasse pela primeira vez a máquina de gelados. Por estes gelados, de certeza que voltaria a esta encantadora vila medieval.


Antes de sairmos de San Gimignano tivemos a oportunidade de contemplar a paisagem envolvente, típica da região da Toscana. Os campos verdes, as vinhas, os ciprestes e as casas cor-de-terra amarelada a destacarem-se na paisagem, foram também um dos pontos altos desta nossa viagem. E foi a sonhar com esta paisagem inspiradora que seguimos viagem. Pisa seria o nosso próximo destino.

quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

Siena, uma cidade de tradições


Siena é uma cidade bonita, com ruas estreitas cuidadas, onde as casas pintadas em tons terra contrastam com o verde da paisagem Toscana. Siena seduz-nos com o seu casario medieval, com as festividades e a boa comida. Segundo a lenda foi fundada por Sénio, filho de Remo, por isso encontramos várias estátuas pela cidade da loba a amamentar duas crianças, tal como na cidade de Roma. Nasceu ali também o Monte dei Paschi di Siena, actualmente, o banco mais antigo do mundo.

Assim que ali chegámos, a primeira coisa que procurámos visitar foi a Piazza del Campo, um dos ex-libris da cidade. Todos os caminhos da cidade vão dar a esta praça em forma de meia lua e ligeiramente inclinada. A praça estava preparada para receber um evento especial, as corridas de cavalos sem sela, uma tradição local a que dão o nome de Palio e se realiza duas vezes por ano, uma delas a 16 de Agosto. A praça estava cheia de turistas, alguns sentados nas esplanadas a almoçar, outros, como nós, de passagem. Os edifícios ostentavam estandartes (bandeiras de seda), os palios, com os brasões das paróquias (contrade) da cidade. Ali na praça, junto à Fonte Gaia, lembrei-me do filme Sob o sol da Toscana, que vi antes de ir, quando um dos protagonista participa numa festa local e, vestido de pajem, faz uma dança com bandeiras estandarte. Essa festa deveria ser em Siena.


Depois seguiu-se um passeio pelas ruas estreitas que nos levou desde a Piazza del Campo até à Piazza del Mercato. Aí, a zona do mercado estava vazia, mas, por sua vez, no espaço envolvente estavam parados vários camiões de diferentes televisões para fazerem a cobertura da corrida. Mais uma subida, por ali algumas das ruas são íngremes, bastante íngremes mesmo. Siena é uma cidade com muito comércio. Encontramos várias lojas de artesanato, produtos alimentares, mercearias com fruta fresca à porta, massas variadas, cogumelos secos, azeites, entre outras coisas. Também se encontram galerias de arte com obras de artistas da região ou nacionais. As obras são quase todas quadros com paisagens da Toscana, campos de girassóis, vinhas, papoilas e casas, que transmitem uma enorme tranquilidade. Quase que apetece trazer um pouco daquela paisagem connosco.


À hora de almoço escolhemos o restaurante Hostaria Il Rialto, numa rua estreita e escondida das artérias principais e cheias de turistas. Para almoçar escolhemos pici com cogumelos, uma massa maravilhosa, cheia de sabor, ravioli com manteiga e sálvia, papardelle com ragú, ossobuco - que estava magnífico - peito de frango grelhado, um prato de tripas com molho de tomate - típico da região - e para acompanhamento feijão cozido com tomate e sálvia. As sobremesas foram um bacio, um bolinho com frutas cristalizadas e cobertura de chocolate e Cantucci di Prato, uns biscoitos de amêndoa e anis servidos com vin santo (vinho doce). A comida estava muito boa, saborosa, bem confecionada. O cozinheiro e dono do restaurante, veio até à mesa conversar um pouco connosco, falar da sua cozinha e de alguns pratos. Esta foi uma das nossas melhores refeições desta viagem.


Depois do almoço visitámos uma loja de artesãs onde assistimos à preparação de flores com uma cobertura de cera, que lhe dá um aspeto brilhante e vivo, e velas. Achei muito interessante o processo de realização das velas, que são feitas através da passagem por tanques com ceras de diferentes cores. Uma passagem pela Catedral de Siena, com uma fachada magnífica, cheia de estátuas e seguimos viagem.


Fomos então à procura do melhor gelado do mundo.

quarta-feira, 14 de Setembro de 2011

Florença, a cidade mágica do Renascimento


Florença é uma cidade magnífica, que esconde encantos, histórias e que cada edifício, praça ou escultura é de uma beleza ofuscante. Voltar lá passados dois anos deixou-me muito entusiasmada. O dia estava quente e os magotes de turistas já enchiam as ruas. Por lá várias vezes ouvi falar português de ambos os lados do Atlântico. Quando num país estrangeiro ouço a minha língua, tenho uma sensação de conforto, de aparente cumplicidade, como se não andasse por ali sozinha.

O dia em Florença começou numa esplanada com um capuccino e um croissant, na companhia de vários pombos que irritantemente insistiam em visitar a nossa mesa.

Um passeio pelas ruas, umas fotos junto à imponente Basílica de Santa Maria del Fiore, uma passagem pelo mercado de San Lorenzo e uma visita mais demorada ao Mercado Central. Não resisto a visitar os mercados.


Gosto dos cheiros, das cores, de ver os produtos e de os comparar com a nossa realidade. Gosto de ver o que as pessoas compram, o que preferem, de as ouvir falar com os vendedores. No mercado, encontrámos tomate seco, cogumelos frescos e secos de várias variedades, flores de courgette, tomate cereja lindo, frutos silvestres, queijos e mais queijos, massas de diversos tamanhos, cores e feitios, diferentes variedades de pão e até milho preto, que para mim foi uma novidade. Neste mercado era também possível comprar comida já feita.


Depois do mercado, passámos de fugida pela Piazza della Signoria e fomos seguidos pelos olhares atentos de David e de Neptuno, atravessámos o rio Arno pela Ponte Vecchio, com imensas joalharias, e fomos almoçar ao restaurante Alfredo sull'Arno, um restaurante de cozinha típica da Toscana e com uma vista privilegiada sobre a ponte. Aqui começámos a nossa refeição com crostini de fígado de galinha. Depois vieram para a mesa um inesquecível risotto de cogumelos, um apetitoso arroz com camarão, um interessante taglierini all'alfredo com cogumelos porcini e prosciutto gratinado no forno e um bife com um magnífico molho de vinagre balsâmico. A escolha das sobremesas recaiu num doce de frutos silvestres e numa fatia de tarte merengada, que souberam muito bem. O vinho escolhido foi um vinho chianti tinto Caspriano. Esta foi uma das nossas melhores refeições desta viagem por Itália.


Depois do almoço fomos até à Piazzale Michelangelo de onde se tem uma vista fabulosa sobre a cidade de Florença. Sentámo-nos numa esplanada e passámos umas boas duas horas a olhar a cidade lá do alto. Perante a beleza de Florença foi fácil perceber o síndrome de Stendhal.


Ao final da tarde voltámos ao centro de Florença. Mais um passeio demorado pelas ruas, ver os artistas a trabalhar nas praças, olhar os edifícios e uma passagem mais atenta pela Piazza della Signoria e as suas estátuas. A estátua de David, cópia do original de Michelangelo, é uma das imagens mais conhecidas da praça e da cidade. Não me canso de olhar para ela. De a fotografar de vários ângulos. Adoro fotografar os rostos e alguns pormenores das estátuas.


Ao final do dia sentámo-nos na esplanada da Pizzeria i'Lorenzaccio e pedimos para começar a nossa refeição uma sopa cheia de legumes e depois para cada um uma pizza. Pedimos de queijo com rúcula, de legumes grelhados com presunto, de queijo e pimentos. As pizzas souberam muito bem, mas em Itália haveríamos de comer muito melhor.


Depois do jantar, assistimos a um concerto de música na Piazza della Signoria inserido nas comemorações do 65º aniversário da libertação da cidade pelos Aliados, ao mesmo tempo que nos deliciávamos com um gelado, sob um céu estrelado e uma noite quente. Antes de sairmos de Florença demos mais um passeio e contemplámos o rio na Ponte Vecchio.


Florença é uma cidade mágica, expoente máximo do Renascimento, uma cidade que nos conquista e apaixona. É uma cidade que precisa de tempo para ser visitada. Tempo para ver e olhar cada pormenor, sentir a magia fascinante dos vários monumentos, obras de arte e das grandes personalidades históricas a ela associadas. A quantidade de turistas que invadiu a cidade no mês de Agosto não nos deu coragem para ficar à espera nas filas de tudo o que era interessante ver. Com grande pena nossa não visitámos a Galleria degli Uffizi. Por isso e por tudo o que nos faltou ver, Florença exige uma nova visita.


No dia seguinte Siena esperava por nós.

quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

De Assis ao Lago Trasimeno


Fazia calor e o céu brilhava de azul intenso. O estômago dizia-nos que já passava da hora de almoço. Quando chegámos a Assis, vindos de Perúgia, a nossa primeira preocupação foi encontrar um local para nos sentarmos e almoçar. O primeiro sítio que escolhemos foi uma simpática esplanada coberta pela sombra de uma grande árvore. O sítio parecia-nos fresco e acolhedor, com várias mesas redondas tapadas com toalhas de tecido. À pergunta se nos poderíamos sentar, fomos rapidamente recebidos com: "Já não servimos. Só até às duas", respondeu-nos educadamente o empregado. Ora bem, seguimos em peregrinação até outra porta que nos servisse almoço. Escolhemos um restaurante pequeno, com vários comensais sentados, junto a uma escadaria com missionários e alguns turistas sentados. Perante a pergunta, se ainda serviam almoço, a jovem que andava atarefada a servir às mesas disse-nos:"Não. Só até às duas!". Entre nós, trocámos olhares e pensámos que em Assis só servem refeições até às duas da tarde!? Estávamos tramados! É que o ponteiro do relógio já estava nas três.


Perante o desejo fracassado de um almoço farto e reconfortante, acabámos por nos sentar na esplanada de um café. O que pedir? Uma fatia de piza para cada um e uma salada caprese. A salada foi quase por favor, pois ao meu pedido informaram-me prontamente que a cozinha estava fechada, mas vá lá iam fazer. Esta não foi uma das refeições dignas de registo da nossa viagem, mas pelo menos ficou-nos o aviso. Em terra alheia, o melhor é almoçar cedo!

Assis é uma cidade limpa, cuidada e cheia de turistas (nomeadamente de cariz religioso). Ruas estreitas, com caminhos empedrados. Casas bonitas e cuidadas. Com varandas cheias de flores. No centro, encontrámos várias lojas de doces e gelados. Montras cheias de suspiros.


Para além de contemplarmos a bonita vista sobre o vale em volta da cidade, entrámos na Basílica de São Francisco de Assis. Foi aqui que nasceu e morreu São Francisco. Na Basílica pode-se visitar o seu túmulo.


Saímos de Assis ao final da tarde. Chegámos a Passignano Sul Trasimeno, uma localidade veraneante, junto ao Lago Trasimeno ao pôr-do-sol. Um passeio junto ao lago e depois de algumas fotos escolhemos jantar na esplanada do restaurante do Hotel Lido, com uma vista privilegiada sobre a Ilha Maggiore e com a Lua, lá no alto, a olhar para nós.


Decidimos começar a refeição com uma mistura de peixes do lago fritos. Em Itália as frituras de peixe ou marisco são muito comuns. Eu nesse dia, para prato principal, optei por um risotto de mascarpone com meloa cantalupe. Curiosa combinação de sabores. O ligeiro travo doce do arroz era cortado com o sabor fresco da meloa. Depois do jantar, assim que entrei no carro adormeci. Quando acordei, já tínhamos chegado ao nosso próximo destino, Florença.

quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

Em Perúgia com a boca a saber a chocolate


Chegámos a Perúgia ao princípio da noite, vindos de Roma. Uma das primeiras coisas que fizemos foi procurar um restaurante para jantar. Depois de passarmos pelo centro histórico cheio de esplanadas e de gente na rua, de ver alguns menus, optámos pelo Il Falchetto, um restaurante de comida típica da região da Úmbria.

É bom chegarmos a uma cidade e sermos bem recebidos gastronomicamente. Quando sou bem recebida, lembro-me sempre do episódio sobre os Açores, do programa No Reservations, em que Anthony Bourdain diz que os povos que não dão importância à comida são povos compostos por pessoas sem graça. Em Itália as pessoas são belíssimas e a comida, mamma mia, così buona! Perúgia não foi excepção.

No Il Falchetto comemos penne com molho de tomate e azeitonas, escolha da Graciete, gnocchi de espinafres com ricotta e molho de tomate no forno, opção do Ricardo, risotto de gambas com courgette e tomate cereja, preferência do Nuno e eu rendi-me aos tortellacci com abóbora e açafrão. Uma refeição deliciosa e um excelente cartão de boas-vindas a esta cidade.


Depois do jantar, seguiu-se um passeio pela zona histórica e uma paragem na gelataria Gambrinus. Aqui o gelado de melancia foi uma revelação. Por Itália escolhi sempre que possível as gelatarias com a palavra artigianale. Esta palavrinha faz muita diferença quando se fala em sabor e qualidade. A Gambrinus, em Perúgia, tornou-se uma das nossas gelatarias de eleição desta viagem.

O centro histórico de Perúgia é feito de ruas estreitas, edifícios de pedra bem cuidados, uma zona central cheia de esplanadas e espaços comerciais. É notória a antiga presença dos etruscos e romanos. Aqui visitei o Palazzo dei Priori e a Catedral de San Lorenzo. Andei pelas ruas pequenas e estreitas, passei pelo Arco Etrusco e contemplei a paisagem envolvente. Gostei de Perúgia. Uma cidade interessante, sem o peso de turistas que encontramos em Roma, e muito acolhedora. Uma cidade em que senti que conseguia pensar e olhar. Mas não podia sair de Perúgia sem provar o seu famoso chocolate!


Antes de partirmos rumo a Assis, fizemos uma visita à Augusta Perusia, uma lojinha decorada com cartazes alusivos a filmes em que o chocolate é protagonista. Aqui encontrámos diferentes tipos de massa com chocolate, gelados e pequenos bombons com nomes apelativos, alguns de artistas italianos como Leonardo da Vinci, Caravaggio, entre outros, e o famoso Baci que ajudou a afirmar Perúgia como a cidade do chocolate.


Eu quase que me perdia perante a montra de bombons com ar delicioso e convidativo. Experimentei vários, alguns repeti e não contente, ainda provei uma bolinha de gelado de chocolate. Que "chocoloucura"! E foi com a boca a saber a chocolate que seguimos viagem.

segunda-feira, 29 de Agosto de 2011

Em busca dos segredos do Vaticano e da Capela Sistina ...


Um dos dias em que estive em Roma foi dedicado a visitar a Cidade do Vaticano. A visita aos museus e à Capela Sistina já ia marcada, o que nos valeu passar à frente de uma fila que não parecia ter fim, mesmo debaixo de um sol abrasador.

A viagem do hotel até ao Vaticano foi feita de metro. Quando visito uma cidade evito andar de transportes públicos. Para se conhecer uma cidade não há nada como andar a pé, mas há alturas em que para poupar tempo, recorre-se aos transportes públicos. Andar de metro em Roma foi como descer a umas catacumbas escuras, em obras, quentes e apinhadas de gente. Comparativamente, podemos dizer quão excelente rede de metro é a nossa!

Foi com imensas expectativas que visitei os Museus do Vaticano. O que vi correspondeu ao que pensava. A quantidade de obras é enorme e de uma riqueza sem limites. Existem salas cheias de bustos, pátios cheios de obras da antiguidade greco-romana, mobiliário, mapas, entre outras coisas. Mas o que mais me impressionou foram os frescos de Rafael. Ver o original de A Escola de Atenas, imagem sempre presente nos livros de filosofia do secundário, ao vivo foi algo de muito especial e com um certo sabor a nostalgia.

Para o fim da visita ficou algo de impressionante, de uma beleza e grandiosidade indescritíveis, a famosa Capela Sistina. Entrar ali e começar a olhar para todos aqueles frescos de Miguel Ângelo é de nos deixar de boca aberta. Miguel Ângelo, deveria ter em si um pozinhos de divindade, algo entre o humano e o sobrenatural. A obra é impressionante.

Depois de comer rapidamente uma fatia de pizza com cogumelos quentinha, que se encontram à venda por Itália como por cá as nossas sandes, e de um café numa das esplanadas junto a um dos jardins do Vaticano, seguimos viagem para a Basílica de São Pedro. Entrar ali é de ficar quase sem respiração perante a grandiosidade de tudo o que os nossos olhos vêem. Uma das obras que queria muito, muito ver, era a Pietá de Miguel Ângelo, ali exposta. A Basílica é de uma riqueza estonteante. Depois desta visita, duvido que encontre alguma igreja cristã que se lhe assemelhe.

Depois da sair da Basílica, ainda houve tempo para umas fotos na Piazza San Pietro, que me pareceu bem mais pequena ao vivo do que na televisão. Como conseguem colocar ali as multidões de gente nas efemérides religiosas?


Os segredos do Vaticano e da Capela Sistina continuam a aguardar uma nova visita. Quem sabe, um dos desejos para 2012?!

Ao final do dia, rumámos em direcção a Perúgia.

quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

Em Roma, a vida é bela ...


A minha primeira viagem a Roma foi há muitos anos atrás. Fi-la na companhia da princesa Ana e do jornalista Joe Bradley, personagens do filme Férias em Roma, interpretadas por Audrey Hepburn e Gregory Peck. Como eu me diverti e sonhei com as suas aventuras!

Este verão retornei a Roma, mas com outros companheiros de viagem, bem mais reais, a Graciete, o Nuno e o Ricardo. A nossa viagem de férias começou em Roma e passou por várias cidades italianas, terminando em Milão.

Roma chama para si o peso da história de um império. É impossível ficar indiferente aos edifícios, às igrejas, às fontes que por todo o lado nos lembram a importância desta cidade, associada aos irmãos Rómulo e Remo. Os vestígios da imponência de Roma e do seu império são visíveis. Em cada passo dado sentimos a presença de personagens importantes que fizeram história e marcaram a cultura a que chamamos nossa. O Império Romano é relembrado a cada momento, nas estátuas dos vários imperadores, nas ruínas ou no imponente Coliseu, que à noite, iluminado, atinge o seu esplendor. Quantas histórias escondem aquelas paredes? De gladiadores, escravos obrigados a combater? Quantas paixões, negócios e traições ali se terão executado? Trágico, mas simultaneamente misterioso e romântico.


Roma é uma cidade de amores. Foi aqui que a princesa Ana e Joe Bradley se apaixonaram um pelo outro. Os telhados com pequenos terraços cheios de flores deixam-nos a sonhar. Por todo o lado circulam vespas e ainda se encontram os famosos Fiat Cinquecento. Em quase todas as praças encontramos artistas a vender as suas obras ou vendedores com interessantes reproduções de quadros. A vista da cidade ao pôr do sol a partir dos jardins da Villa Borghese é inspiradora, a Fontana di Trevi, mesmo apinhada de gente, tem um charme especial, as esplanadas, tudo isto nos transmite um ambiente convidativo ao dolce far niente. No final do filme Férias em Roma, a resposta à questão de um jornalista sobre qual seria a cidade europeia que mais a marcou, Ana, responde: - "Roma, sem sombra de dúvida, Roma!". Para mim, passou a ser uma das minhas cidades preferidas.


Roma é uma cidade de boa cozinha. A nossa primeira incursão gastronómica foi no restaurante Antica Enoteca, numa ruazinha entre a Piazza del Popolo, a Piazza di Spagna e o rio, um espaço muito agradável, com frescos alusivos à produção de vinho. No centro do restaurante, junto a uma das paredes, encontramos um balcão comprido de madeira escura, onde é possível sentar e beber uma bebida. Aqui pedimos presunto de Parma com mozzarella de búfala, rolinhos de bresaola com laranja, ravioli de carne com molho de cogumelos, tortellini de ricotta com molho de quatro queijos, tagliata de vaca com batatas. Acompanhámos a refeição com um vinho tinto Colle Ticchio. Para sobremesa escolhemos tiramisù e um mil folhas com morangos e chantilly. Esta primeira refeição foi excelente. A comida estava óptima, principalmente os pratos de pasta.


Outras das refeições dignas de registo foi na Osteria Pucci. Um restaurante de cozinha romana muito boa, situado no bairro Trastevere. Bairro onde começa a história do livro Receitas de Amor. Aqui comemos um carpaccio de polvo e alguns pratos de pasta. Escolhemos macarrão com molho de tomate e manjericão, Cacio e Pepe e lasanha. A comida agradou-nos imenso. Achámos que as pastas estavam excelentes. A massa fresca e um bom molho faz toda a diferença. Mas a revelação foi mesmo o prato Cacio e Pepe, tradicional de Roma e arredores. Uma receita tão simples, mas muito deliciosa. É apenas a combinação de massa cozida, esparguete por exemplo, queijo ralado e pimenta acabada de moer. Em alguns locais é servido num cestinho feito a partir de queijo fundido.


Em relação aos gelados, passámos pela gelataria Alberto Pica e pela mais antiga, Giolitti. Em cada uma delas procurámos provar sabores diferentes. Adorámos o sabor a mirtilo que experimentámos na Giolitti. Ao pequeno almoço pedia invariavelmente um cappuccino e um cornetto, a designação para croissant, em Roma.

Em Roma deliciei-me ainda com as imensas lojas de roupa e de sapatos de design italiano que encontramos por toda a cidade, perfumadas de puro luxo. Visitei a Basílica Papal Santa Maria Maggiore, magnífica, o Panteão - com o seu impressionante tecto abóbado, passei pelo Monumento a Vittorio Emanuel II, conhecido como a máquina de escrever, dedicado ao primeiro Rei da Itália unificada e que actualmente serve de monumento ao soldado desconhecido, pelo Campo di Fiori, pela Piazza Navona, pelo Arco de Constantino, passeei à beira rio e não resisti a tentar visitar a igreja de Santa Maria in Cosmedin. Aqui a fila para entrar, como em muitos locais, era enorme. Tirei uma foto à Boca da Verdade, onde Gregory Peck docemente engana Audrey Hepburn numa cena muito divertida e segui viagem por uma Roma inundada de turistas por todo o lado e onde atravessar uma passadeira é mesmo uma aventura.


Que mais se pode dizer de uma cidade com séculos de existência, com centenas de igrejas, por onde passaram vários povos, pano de fundo de milhares de estórias, ponto de encontro e de paixões. Onde se come e vive muito bem. Onde tudo me parece belo e charmoso. A mim, só me resta dizer que em Roma, a vida é bela!