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terça-feira, 5 de julho de 2011

Em busca de Alhambra e das memórias arábes de Granada


Foi a primeira vez que fui a Granada. Cheguei de carro, após uma viagem que passou por Sevilha, onde fomos para aproveitar os feriados de 10 e 13 de Junho, com direito a fim-de-semana prolongado. O calor que se fazia sentir foi minimizado pelo ar condicionado do carro, graças a Deus! Ao longo do percurso fomos acompanhados por uma paisagem dominada, não pelas oliveiras tão comuns na Andaluzia, mas por extensões e extensões de campos cultivados com girassóis, que transformaram todas aquelas planícies num mar de verde e amarelo, muito bonito.


Depois de nos alojarmos num hotel perto do centro, escolhemos jantar no restaurante Tendido 1, localizado num dos cantos da Praça de Touros, com uma esplanada, onde se estava lindamente. Ambos os restaurantes da praça estavam cheios. Optámos por uma selecção de queijos e peixe fumado, a dividir por todos. É claro, que os rapazes insistiram primeiro em pedir um salmorejo e um gaspacho! :)


No dia seguinte partimos à descoberta de Alhambra e de Generalife. O calor era tanto que nem as lagartixas se atreviam a sair do fresco. Chegámos por volta da hora do almoço. Comprámos bilhete e iniciámos a nossa caminhada. Começámos por visitar o Palácio de Carlos V e uma exposição com trabalhos de Escher, que numa visita a Alhambra se encantou com os mosaicos de um dos palácios árabes e pelo modo como as figuras se entrelaçavam e repetiam. Este foi o ponto de partida para alguns dos seus trabalhos mais famosos onde o artista procurou preencher regularmente o espaço. Daqui fomos para a alcáçova. Antes de entrarmos, comprámos uma sanduíche para cada um (só havia de presunto!) e água. Comer presunto num dia de calor! Ui! :( Haveríamos de nos aguentar. Para além disso, o almoço ficava para mais tarde.

Comemos as sanduíches à sombra de uma das grandes tílias, em flor, que encontrámos no jardim, entre o Palácio de Carlos V e a alcáçova, a zona do aquartelamento militar. À nossa frente um grupo de jovens francesas sentadas num dos muros apanhavam todo o sol que conseguiam, enquanto davam pequenos pedacinhos de comida a muitos dos gatos que por ali vivem e se aproximam dos turistas.

Quando entrámos na alcáçova, era ver-nos a andar encostados aos muros, em busca de fresco ou de alguma pouca sombra que existisse. Acompanhou-nos um grupo de turistas japoneses, bem mais equipados do que nós. Chapéus de chuva a proteger do sol, as caras carregadas de creme e, algumas das senhoras ostentavam umas proteções para os braços. Quem sabe, sabe!


As visitas ao complexo de palácios têm hora marcada. Quando compramos o bilhete é indicada a hora a que pudemos entrar. Quando chegou a hora da nossa visita juntámo-nos à fila.

Quando penso em Alhambra penso em Isabel de Solís, a cristã cativa por quem o rei de Granada Muley Hacen se apaixonou. Diz a lenda que Isabel era uma mulher muito bonita, beleza a que o rei não foi indiferente. Isabel converteu-se ao islamismo, recebeu o nome de Zoraya, que significa estrela da manhã, e o rei tornou-a a sua esposa favorita. Depois de muitas intrigas, o rei abdica a favor do seu irmão e parte para o exílio com Isabel e os dois filhos. A lenda é inspiradora. Alhambra fica assim para sempre associada ao nome de uma bela cativa, de nome Isabel! :)

Os interiores dos palácios são a prova viva da excelência da arte islâmica e da habilidade dos artesãos árabes dos séculos XIII e XIV. Andar por aqueles palácios, ver toda aquela beleza arquitetónica, os pátios, as janelas, os jardins, não nos deixa indiferentes.


Depois de visitarmos Alhambra e o Generalife, já que estávamos tão perto fomos até à Serra Nevada. Ao subir, numa das encostas, do lado direito vi portas, como se tivessem escavado casas na encosta. Achei tão curioso e surpreendente. Casas feitas em grutas, será?! Não comentei nada e seguimos a nossa viagem.

Quando chegámos, ao longe, a Serra ainda com neve olhava para nós com ar imponente. Sem saber bem ao que íamos começámos por andar nas ruas desta famosa estância de ski. Surpresa das surpresas. Assim que estacionámos o carro, entrámos numa rua à direita e nada. Nada é como quem diz, as lojas estavam todas fechadas. Algumas das janelas estavam tapadas, as montras das lojas pareciam abandonadas há semanas. Parecia que estávamos numa cidade deserta, fantasma.

Continuámos a andar. Parámos junto ao teleférico. Em frente, num campo verde, pastavam duas vacas leiteiras enormes que pareciam andar por ali à vontade, sem dono por perto. Sons de gente, nada. Olhámos em volta e os hotéis, lojas e escolas de ski, restaurantes, tudo encerrado. Aquela localidade deserta fez-nos lembrar o filme The Shining, de Stanley Kubrik, com Jack Nicholson no papel principal. O filme apresenta-nos uma família que vai cuidar de um hotel durante o Inverno numa zona isolada. Recordo-me da cena em que a criança anda de carrinho de rodas pelos corredores do hotel completamente deserto e a música a sugerir-nos que alguma coisa de mal vai acontecer ... Lembram-se? Quando vimos duas pessoas a almoçar numa esplanada, começámos a rir, é claro. Era melhor deixarmo-nos de filmes. Assim que soubemos que ainda serviam almoços, respirámos de alívio. Numa localidade deserta, a cheirar a filme de terror, cheios de fome, encontrar pessoas e saber que podíamos almoçar foi um alívio. Acreditem, com a fome que nós estávamos até o espírito do mal que vagueava pelo hotel deserto de The Shining, se afastava. Nem houve disposição para as fotos documentais.

À noite, petiscámos na Meson Alegria, no centro de Granada. Assim que nos sentámos, pedimos cervejas e a acompanhar veio uma tapa de frango guisado, que comemos com imensa satisfação. Quando recebemos a conta, percebemos que esta tapa não estava incluída. Em Granada, há tapas grátis, como por cá temos em certos locais os pires de tremoços. Para compor o estômago, pedimos ainda uma salada de bacalhau com batata e azeitonas e bacalhau assado em papelote com salada. Para sobremesa, decidimos passar numa gelataria, situada perto da Plaza Campillo, que nos chamou a atenção pelo enorme e esplendoroso candeeiro que ostentava. Depois de comermos o nosso gelado seguimos de carro até ao bairro Albaicín.


No dia seguinte, partimos com destino a Marbelha. Ali, almoçámos num bar na rua marginal à praia. Depois, fomos tomar a sobremesa e o café, na esplanada de um restaurante, a poucos metros do mar. Enquanto esperávamos pelas sobremesas, decidi fotografar o peixe que um dos empregados do restaurante colocou a assar. Curioso, não é? Assam o peixe num espeto. Parece muito prático, assim não têm o problema do peixe se pegar à grelha! :)


Ali, à beira mar, num dia de sol, com gente na praia, soube muito bem saborear um pudim com arroz-doce. O Ricardo, o Nuno e a Graciete optaram pelos gelados. Quando acabámos, retomámos a nossa viagem. O jantar seria em Badajoz.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Voltar a Sevilha


Calor. Apanhei imenso calor. Ao pôr-do-sol, na Andaluzia estavam por volta dos trinta graus centígrados! Mesmo com calor foi bom voltar a Sevilha, agora sem o peso da tradição pascal e a funcionar em pleno. Visitar uma cidade em festa, não nos permite perceber como é que respira, como é o seu pulsar. Agora sim, teria essa oportunidade.

Sevilha é uma cidade com ritmo, com gente, com história e boa comida. Gosto das várias esplanadas que encontramos pela cidade. As esplanadas são reveladoras de como os habitantes se relacionam com o chamado "viver a cidade". A meio da tarde, o calor exige a sombra de uma esplanada, algumas borrifadas com pequenos jactos de gotículas de água que ajudam a refrescar. Sentados na esplanada, o calor pede como uma fera faminta a frescura de uma bebida. Eu não me contentava só com uma. Primeiro optava por uma água com limão e depois por um copo de limonada, que naquele calor, para quem não está habituado, sabiam como água no deserto.


Em Sevilha almoça-se e janta-se tarde, comparativamente com os nossos horários e por isso, os sevilhanos passam muito tempo na rua. Isto sem esquecer a sua hora da siesta, feita normalmente entre as 14h e as 17h00, onde tudo fecha, à exceção de bares, restaurantes e algumas lojas de cadeias internacionais.

Sevilha tem imenso comércio. Lojas e mais lojas, de muitas marcas que por cá e por quase todas as grandes cidades encontramos facilmente. O desafio é procurar e encontrar alguma que seja um pouco diferente. Por isso num dos passeios pelas ruas da cidade voltei a uma lojinha deliciosa de bolinhos e chocolates - La Cure Gourmande - que por cá ainda não vi! As lojas de regalitos estão por todo o lado, anunciadas com referências às Sevilhanas, especialmente aos seus fatos com folhos e bolinhas, os abanicos e as t-shirts com alusões à festa dos touros. Nesta visita, voltei também à Praça de Espanha, onde as andorinhas se fizeram notar, ora cruzando o céu azul, ora chilreando intensamente de uma felicidade quase louca, ao Real Alcazar e tinha intenções de visitar a Catedral, mas encontrava-se encerrada temporariamente. Mais um pretexto para voltar a Sevilha! ;)

Em Sevilha há passeios de charrette. Por várias vezes parei para ver os cavalos com o seu pêlo luzidio. São mesmo bonitos! Ali parados, juntos, entre a Catedral e o Real Alcazar, ou junto à Praça de Espanha, com as charrettes cuidadas, com as rodas pintadas de preto e amarelo, dão um ar ainda mais interessante à cidade.


No sábado foi dia de casamentos em Sevilha. Encontrámos pelos menos cinco. Entre eles, houve uma noiva que me chamou a atenção. O que me prendeu o olhar não foi o vestido, nem o ramo e nem mesmo o véu. De aliança no dedo, sentada junto à berma de uma praça, foi a sua expressão que me fez querer registar a sua imagem. Pelo olhar, pelo rosto não vi indicações de que estivesse a sonhar com o doce encanto da noite de núpcias. E o noivo? Onde estaria? Ali sentada, acendeu um cigarro e bafurada atrás de bafurada, revelou que os seus pensamentos estariam longe daquela praça, longe do encanto de ser princesa por um dia. Em que estaria a pensar esta noiva de olhar caído?


Mas nem só de compras e passeios vive uma pessoa, é importante também escolher os locais para comer. No primeiro dia, optei pela simpática sugestão do Join Nets e fui almoçar ao restaurante Eslava. Quando lá chegámos, estava cheio. Cheio, a abarrotar, como costumamos dizer. Nem ao balcão tínhamos um espacinho. Já eram quase três da tarde e tivemos que esperar por uma mesa isto entre umas canhas, uns pires de tremoços com azeitonas e o barulho cantado dos castelhanos que nos rodeavam.

Mas quando é um bom restaurante a espera vale a pena. Eu antes mesmo de me sentar, dizia que dali já não saía sem comer um apetitoso ovinho sobre um bolo de boletos e vinho caramelizado, que estava constantemente a ser servido. Quando vou a um restaurante gosto de ver o que as outras pessoas pedem, gosto de ver o aspecto dos pratos e aquele ovinho simpático e amoroso não me saía da cabeça. Dito e feito. Foi a primeira tapa que pedi. Eu, o Ricardo e os amigos que nos acompanharam nesta viagem.


Os nuestros hermanos quando se trata de mesa, têm por hábito compartilhar. Um prato, que pode ser uma tapa ou uma ración, vários garfos e assim, acompanhados de uma canha ou um copo de vinho vão comendo, falando alto, rindo. E imbuídos deste espírito de partilha, pedimos para a mesa gaspacho, salmorejo, espetada de carne de boi sobre molho de mel, vieiras sobre creme de algas, peito de pato com pão de queijo e marmelada de laranja. Partilhámos ainda uma tarte de chocolate com essência de laranja e um gelado de torrón com chocolate quente. Depois deste repasto magnífico só apetecia procurar a sombra de uma laranjeira e dormir a sesta! Mas em vez disso, mergulhámos nas ruas estreitas e frescas do bairro de Santa Cruz, a judiaria de Sevilha.


Outra das nossas refeições memoráveis foi no restaurante Robles Placentines. Aqui refastelámo-nos com tortitas de choco fritas, ovos revueltos da matanza, queijo brie frito com creme de framboesa, rollitos robles com mostarda fresca, salada de lagostins, espinafres com grão e delícias de ibérico que estava, nem vos digo! A carne simplesmente maravilhosa, desfazia-se ao mais leve toque do garfo.


Antes de sairmos de Sevilha ainda jantámos no restaurante Taberna Azafrán, perto do hotel onde ficámos e estava cheio. A opção foi tapas e como os sevilhanos fazem tapas de tudo, foi mais uma vez uma excelente oportunidade para provar vários pratos. Aqui pedimos calamares recheados com ovas, polvo ao pimentão La Vera, almôndegas de choco na sua tinta, ventresca de atum ao brandy, bife de porco com bacon e molho diabla, alcachofras recheadas com presunto e ovo, salmão com picadinho de alcaparras, salada de gambas e rolitos de beringela e queijo. Depois do jantar foi obrigatório darmos uma voltinha ao quarteirão!


Nesta visita houve a promessa de visitar o terraço do hotel EME, que se destaca, perto da catedral, por um certo encanto exótico e uma atmosfera luxuosa. Mas o cansaço do final do dia, não nos permitiu fazer jus à nossa vontade. Bem, lá terá de ficar para a próxima!

Nesta visita a Sevilha não descobri nenhum mercado de frutas e legumes, não vi nenhuma tourada. No entanto, fiquei ainda mais enamorada pela cidade do pintor de Las Meninas, das elegantes Carmencitas e dos aspirantes a Don Juan.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sevilha, o começo para outras viagens


Tínhamos que voltar a Sevilha, Espanha. A primeira visita soube a pouco e a chuva não nos deixou explorar a cidade como gostaríamos. Por isso voltámos. Saídos de Córdova no domingo de Páscoa, onde deixámos uma cidade a fervilhar de turistas, chegámos a Sevilha a meio da tarde. O local para ficarmos hospedados foi o hotel da vez anterior, Virgin de los Reys. Depois de já estarmos no hotel, onde decidimos descansar um pouco, começou a trovejar e a chover. Será possível? Fizemos a viagem com um sol tão bonito, o céu estava azul e agora chuva?! Será que estávamos fadados a visitar Sevilha sempre com chuva? Felizmente, que foram apenas uns aguaceiros. Quando saímos do hotel em direção ao centro histórico, ainda existiam vestígios da chuva, mas o céu parecia despreocupado e sem nuvens. Ainda bem! :)

Quando viajamos gostamos de conhecer as cidades andando a pé. Só assim podemos descobrir ruas, cafés e sentir o pulsar do local onde estamos. Antes de jantarmos passámos novamente em frente à Catedral. É imponente. Na rua, poucos já eram os vestígios da Semana Santa, restavam apenas uma ou outra pilha de cadeiras para recolher.

Depois de darmos uma volta pelos restaurantes, alguns cheios com turistas e locais, decidimos sentarmo-nos no Robles Placentines, uma sugestão da Cristina Lebre. Ali, escolhemos tapear. Eu fiquei fã deste conceito. Poder numa refeição provar diferentes pratos, é quase uma versão do paraíso para uma apaixonada por comida. Sentados ao balcão, a olhar para uma fila de presuntos curados e sob o olhar atento de um imponente touro, que nos parecia embalsamado, pedimos muxama de atum com tomate e orégãos, uma delícia. Cá encontramos muxama facilmente na região do Algarve e eu fiquei tentada a reproduzir esta saladinha que tão bem nos soube. Pedimos também queijo velho de ovelha com dois anos, beringelas recheadas com fiambre e rafalito frito, um peixinho entre as nossas petingas e as sardinhas. Ora bem, eu que digo que não sou grande fã de beringelas nesta viagem passei grande parte das refeições a pedir beringelas. Estarei convertida? O Ricardo é que se sente muito feliz. Agora acha que eu vou cozinhar beringelas com muito mais frequência. Provámos ainda almôndegas com legumes, ao estilo da nossa jardineira e uns rolitos de presunto e salsicha com mostarda fresca que me deixaram a sonhar por mais.


No dia seguinte os planos envolviam uma vista ao Real Alcazar e à Catedral. A fila para entrar na Catedral levou-nos a ponderar e decidimos ir primeiro ao Real Alcazar, residência de monarcas, um complexo com vestígios arábes e magníficos jardins. Salas sumptuosas que ilustram o passado árabe, tectos ricamente decorados, e outras a demonstrar a presença dos reis cristãos. Uma das salas está decorada com azulejaria e traços arquitetónicos portugueses. Passámos ali a manhã e só saímos depois de visitarmos os banhos de Maria de Padilha, mulher que, segundo uma lenda local, revelou uma imensa coragem. Pedro I de Castela, conhecido como Pedro, O Cruel, apaixonou-se por Maria. Com o intuito de a ter só para si, mata-lhe o marido. Maria, resiste aos avanços do rei e para o afastar, desfigura a cara com azeite a ferver. Em Sevilha, tornou-se o símbolo da pureza.


Antes de deixarmos Sevilha em direção a Portugal escolhemos o restaurante Pando para almoçarmos. Na nossa primeira visita adorámos algumas das tapas e queríamos repetir. Eu escolhi uma sopa de tomate com camarão e manjericão e o Ricardo optou pelo salmorejo cremoso com ovo, presunto e passas. De seguida, não poderia faltar a torrija de berenjena com queijo de cabra de que ficámos fãs e que já tentei reproduzir sem o sucesso esperado. Como é que farão a beringela? Na minha primeira tentativa passei-as por pão ralado e não resultou. De seguida e para salvar a situação passei-as por ovo, mas ficaram a milhas das servidas no Pando que não me parecem ter ovo. Ainda não desisti de tentar. Da próxima vez, estou a pensar passá-las por pão ralado e levá-las ao forno. Vamos ver como resulta. No entanto, se houver alguém que saiba como se faz esta tapa, não hesite em explicar. Eu fico muito grata. Mas as nossas experiências gastronómicas não terminaram por aqui. Ainda tivemos o prazer de provar uma salada de abacate com bacalhau marinado, tomate raff e vinagrete de laranja, peitos de galinha com molho de caril e alho e bacalhau confitado em azeite com puré de grão. Para sobremesa ainda tivemos a coragem de dividir um toucinho do céu com sopa de laranja, granizado e coulis de erva doce.


Sevilha, será de certeza o ponto de chegada para outras viagens. Ficámos com vontade de voltar.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A cidade velha de Córdova


A viagem de Ronda até ao encontro da auto-estrada que nos levaria até Córdova foi marcada por uma paisagem cheia de oliveiras. Extensões de terra a perder de vista cultivadas com oliveiras. Na altura, cheguei a pensar, como é que o azeite português consegue competir com a produção espanhola?

Chegados a Córdova uma das primeiras coisas que fizemos foi almoçar. Depois de um breve reconhecimento, de espreitar para um ou outro restaurante que íamos encontrando, acabámos por nos decidir pelo Garum 2.1. Um espaço elegante, com cozinha de autor, com balcão para tapas, no piso de baixo e no primeiro andar, restaurante.

Para almoçar escolhi beringelas fritas com salmorejo e ovos rotos para entrada e rabo de boi à cordobesa como prato principal. Eu que nem sou grande fã de beringelas, nesta viagem rendi-me. Fiquei conquistada. Em Espanha as beringelas são cozinhadas de forma magnífica. O rabo de boi estava tenro. Esta carne é mesmo um espetáculo. O Ricardo escolheu salmorejo de tomate com ovo e presunto e salmão com molho de iogurte e pepino, que estavam ambos também muito agradáveis. Finalizámos a nossa refeição com dois cálices de vinho doce Gran Barquero da casta Pedro Ximenes.


Assim que saímos do restaurante, a chuva obrigou-nos a abrir o chapéu de chuva. Durante toda a tarde tivemos a sua companhia. Mas mesmo assim, turista que é turista vai à aventura. Andámos toda a tarde pela cidade velha. Atravessámos a ponte romana, entrámos na Calleja de las Flores, passeámos pelas ruas estreitas, cheias de lojas e turistas. Ao final da tarde, fomos visitar a catedral, antiga mesquita construída por cima de uma igreja cristã visigoda. O cruzamento de culturas é mesmo fascinante e esta catedral é resultado disso mesmo. Magnífica.


No dia seguinte acordámos cedo. O dia estava bonito e enquanto houvesse sol, era de aproveitar. De manhã, voltámos a dar a volta pelas ruas da cidade. Com sol, tudo se torna mais bonito. A meio da manhã, fomos visitar o Alcazar dos Reis Cristãos e o seu jardim. Nos jardins achei piada encontrar canteiros de favas e de alcachofras. As laranjeiras, que são uma constante por toda a cidade, estavam aqui a fazer de sebe.


Ao almoço comemos Gaspacho Andaluz, alcachofras, morcela assada e peixe espadarte, este último quando pedimos pensávamos que era peixe espada! :) O Ricardo ficou fã do salmorejo e do gaspacho, eu gosto, mas não me derreto de amores por este tipo de sopas. A morcela, era muito parecida com as nossas, esta tinha era muito mais cebola. As alcachofras estavam saborosas e o peixe espadarte grelhado não surpreendeu.


A cidade velha de Córdova é dominada pela catedral, imenso comércio voltado para os turistas, pelas ruas estreitas e irregulares, algumas vão dar a minúsculas pracetas. Os pátios são muito comuns, tanto em casas particulares como em espaços comerciais, herança dos romanos que foi aprofundada pelos arábes. A comida é o resultado do encontro de culturas, com influências romanas (azeite), arábes (especiarias várias, beringela, frutos secos) e judias (mistura dos frutos secos com legumes) muito vincadas. Na doçaria destaco o pastel cordobés, um bolo feito com massa folhada e recheado com doce de abóbora. Córdova conquistou-me. É uma cidade simpática, com o peso histórico e cultural que cada rua, cada edifício deixa transparecer.


Com o céu limpo, partimos outra vez em direcção a Sevilha.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ronda, em busca da Ponte Nova


De Jerez de la Frontera a Ronda a paisagem é marcada pelo verde e por algumas elevações que cortam o horizonte e nos deixam impressionados.

Chegados a Ronda e depois de fazer o tradicional reconhecimento da cidade de carro, decidimos ir em busca da Ponte Nova, uma ponte construída entre dois penhascos durante o século XVIII e que é a imagem de marca da cidade. A chuva e as nuvens cinzentas no céu fizeram a viagem connosco. De vez em quando faziam sentir a sua presença.


Gostei de Ronda. Achei a cidade romântica, com umas vistas fantásticas. Cativou-me a azáfama das ruas, muitos turistas, cafés, restaurantes e lojas abertas. Não resisti e entrei em algumas lojas. Os queijos, enchidos, presuntos e o azeite estão fortemente representados. Por aqui encontramos lojas que são uma verdadeira promoção aos produtos regionais. Deveríamos aprender um pouco mais com nuestros hermanos nesta matéria.

Depois de um passeio por Ronda que nos levou a ver a Ponte Nova, de frente, passámos por uma loja e não resistimos a uns bolinhos cobertos com açúcar em pó a que deram o nome de Mantecados, feitos com amêndoa e banha de porco. Macios. Uma delícia.


Ao princípio da noite rumámos até ao hotel Cueva del Gato, onde ficámos alojados, a poucos quilómetros da cidade, no meio do campo e em frente à gruta que dá nome ao empreendimento hoteleiro. Como o espaço se revelou muito agradável e o serviço muito atencioso, decidimos jantar no restaurante do hotel.


Começámos a nossa refeição com uma sopa de espargos com ovo escalfado e ovos com espargos e presunto. A sopa estava maravilhosa, que se tiver oportunidade quero replicar. Este ano é sem dúvida nenhuma o ano dos espargos para mim.

De seguida veio para a mesa uma salada de bacalhau com batata e ovo e surpreendentemente rodelas de laranja que ficaram ali muito bem. Não ficando por ali, vieram ainda mais dois pratos, um coelho à D. Elvira cozinhado com pimento e frango com alho, ambos acompanhados com batatas fritas. O vinho escolhido para nos fazer companhia foi um tinto Mures. Uma refeição magnífica.


No dia seguinte, partimos em direcção a Córdoba.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Fugindo da chuva até Jerez de la Frontera


Chegámos a Jerez de la Frontera, vindos de Sevilha, na quinta-feira à noite, depois de uma viagem brindada com alguns momentos de chuva intensa. Não tinha nenhuma ideia formada sobre a cidade. A Jerez de la Frontera apenas associei as concentrações de motards de que já ouvi falar. Ia sem expectativas. Esperava apenas que fosse uma localidade que não estivesse "fechada" com os preparativos da Semana Santa e que se cumprisse o que ali nos levou, que pelo menos de vez em quando o sol espreitasse. Por isso soube muito bem, na sexta-feira sair do hotel com o sol a sorrir lá no alto pelo meio das nuvens.


O nosso passeio por Jerez de la Frontera começou pelo Alcázar, de seguida passámos junto à Catedral e andámos pelas simpáticas ruas da cidade. Em Jerez voltámos a encontrar laranjeiras nas ruas e jardins, e nas pastelarias, vários doces tradicionais da Semana Santa. Percebi que esta localidade é marcada pela produção de vinhos e que Tio Pepe é uma referência.


Ao contrário do que eu esperava, também Jerez de la Frontera se preparava para a procissão e algumas das ruas já estavam com as bancadas montadas.

Para almoçar escolhemos o restaurante Gallo Azul, situado na calle Larga, uma movimentada rua de Jerez, com uma esplanada. Aqui comemos choco frito, almôndegas com molho de cogumelos e bochechas de bacalhau fritas com pimentos. Desta refeição não esqueço, principalmente as bochechas de bacalhau. Uma delícia. Muito saborosas. Nas almôndegas o molho de cogumelos brilhou e em Espanha tenho comido sempre bom choco frito - os famosos calamares. Nesta sexta-feira acordámos tarde, ouvimos chover durante toda a noite, quando saímos do hotel decidimos aproveitar o sol e passear um pouco pela cidade. Quando nos sentámos para almoçar a fome era mais do que muita. Entre ora tiras tu, ora tiro eu, o que é certo é não houve paciência para fazer o registo fotográfico da nossa refeição. :)


A seguir ao almoço, rumámos até Ronda.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sevilha e a Semana Santa


As férias da Páscoa, este ano, levaram-me até à Andaluzia. O plano original de viagem foi sendo sucessivamente alterado pois nem tudo correu como era suposto.

Saímos de Lisboa na terça-feira ao início da noite com destino a Monte Gordo. Já vos aconteceu irem na auto-estrada a 100 Km/h e ultrapassarem toda a gente? E a 90? Na primeira paragem para tomar café, surgiu a dúvida, estará o velocímetro avariado? Não, que coisa! Páscoa, é fundamental conduzir com prudência. Eu perante uma situação que se avizinha complicada, tenho sempre tendência a olhar para as coisas de forma positiva. No entanto, a ideia do velocímetro avariado foi rápida e definitivamente confirmada quando estávamos a andar e verificámos que o ponteiro estava parado. Bem, antes a 0 Km/h a andar do que parados! ;)

No dia seguinte, entre alugar um carro e almoçar no Américo, o rei do Peixe assado, em Olhão, foi toda a manhã e parte da tarde de quarta-feira. E isto tudo debaixo de uma chuva forte, como se São Pedro estivesse zangado e não desse ouvidos a ninguém. Em Vila Real de Santo António havia ruas alagadas de tanta água que caiu.

A nossa primeira paragem, destas férias, foi na quarta maior cidade de Espanha e capital da Andaluzia. Sevilha, está situada nas margens do rio Gualdaquivir e viu partir do porto de Palos, Cristóvão Colombo à descoberta do Novo Mundo. Nesta cidade, passeamos pela Praça de Espanha, projectada para a Exposição Ibero-Americana de 1929. Construída em tijolo e cerâmica, em forma semicircular, é rematada por uma torre em cada ponta. Ali é possível observar os painéis de azulejaria feitos em honra de muitas localidades espanholas.

A praça possui também um canal que é atravessado por quatro pontes, onde é possível fazer passeios de barco a remos. Mesmo com chuva, não desistimos de ver a Praça. O conjunto arquitectónico é magnífico. Dos painéis de azulejaria, chamou-me a atenção o de Tarragona - percebem porquê?! ;)


Assistimos a alguma da azáfama para a preparação da procissão de sexta-feira Santa. Houve alturas em que o cheiro das laranjeiras em flor, que existem por toda a cidade, se misturava agradavelmente com o cheiro a incenso saído das igrejas. De vez em quando passavam por nós elementos das confrarias, só ali existem mais de cinquenta, e que preparam as procissões. As suas vestes são tão curiosas e ao mesmo tempo misteriosas. Os sevilhanos, pelo que percebi, vivem a Semana Santa de uma forma muito especial. Só mesmo estando lá é que se percebe toda a envolvente, todo o espírito desta festa tradicional. Para terem uma ideia, vi filas enormes de pessoas para entrarem nas igrejas. É comum, as senhoras apresentam-se de forma extremamente elegante, vestidas de preto e com as mantillas que de lhes dão um ar muito distinto. Este ano, devido à chuva a procissão não se realizou, algo que não acontecia há muitos anos.


Em Sevilha, sê sevilhano, portanto fomos tapear. O local escolhido foi o restaurante Pando. Assim que entrámos, percebemos que o restaurante estava cheio de gente da terra, o que nos pareceu logo um bom presságio. Para a nossa refeição escolhemos presunto de porco ibérico alimentado a bolota servido com batatas fritas, flor de alcachofra com camarão, puré de batata com bacalhau e ovo, tosta de beringela, bacalhau pil-pil e salada de anchova. Para sobremesa pedimos lingote de chocolate e um cálice de vinho Pedro Ximénez. As tapas em termos de porções assemelham-se aos nossos petiscos. O presunto dispensava as batatas fritas, na minha opinião. A alcachofra foi uma surpresa, mas o que adorei foi o bacalhau pil-pil, que é preparado num pequeno fogão com um mecanismo que está sempre a agitar o recipiente onde o bacalhau está com o azeite. Para quem como eu não é grande fã de beringela, aquela tosta obrigou-me a reconsiderar.


Ainda tivemos oportunidade de jantar pelo menos duas vezes num pequeno restaurante, Pasaje, onde por cima do balcão estavam filas de presuntos pendurados. Em vários bares e restaurantes foi comum encontrarmos os presuntos curados pendurados, cartazes alusivos à Semana Santa e a touradas. Sempre que via os presuntos pendurados, não resistia a olhar. Os presuntos assim expostos ajudam a criar um ambiente convidativo à comida! :)

Num dos dias experimentámos ali presunto ibérico alimentado a bolota, salada de ovas, salada de anchovas em azeite e segui a sugestão do simpático empregado e comi uma sobremesa típica da semana santa que se assemelha às nossas rabanadas, a torrija. Enquanto jantávamos, na televisão desenrolava-se a final da taça do Rei entre o Real Madrid e o Barcelona. A casa estava cheia e com muita gente a tomar atenção ao jogo. Quando Cristiano Ronaldo marcou o golo que deu a vitória ao Real Madrid, na sala, toda a gente gritou de euforia e bateu palmas. Quase que nos apeteceu dizer: somos portugueses! ;)

Noutro dia, quis experimentar espinafres com grão, anchovas fritas recheadas e bifinhos de porco com roquefort. A conclusão a que chegámos é que em Sevilha, se come muito bem.


A chuva não nos largou e de cada vez que consultávamos a previsão do tempo, mais preocupados ficávamos. Nova alteração de planos. Na quinta-feira ao final do dia, demos por nós a caminho de Jerez de la Frontera.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A caminho de Santiago de Compostela


Chegámos a Santiago de Compostela, capital da Galiza, na terça-feira de Carnaval de manhã. O dia estava muito bonito, cheio de sol, mesmo convidativo ao passeio. O primeiro local que escolhi para visitar foi o mercado. Sempre que viajo procuro conhecer os mercados dos locais por onde passo. A variedade de produtos, a apresentação, as pessoas nas compras, todo o ambiente dos mercados me cativa. Este era pequeno, estava organizado por espaços e edifícios. De um lado peixe, do outro carne, num outro edifício os legumes, queijos e enchidos. Em termos de produtos, os que me chamaram a atenção foram a carne de porco salgada, especialmente ossos, cabeça e toucinho branco alto e os queijos. A região da Galiza produz os famosos queijos Tetilla, com uma forma muito engraçada. :) No mercado comprei sementes de açafrão, vamos ver como se dão por cá. Serão semeadas em finais de Abril ou no princípio de Maio. Percebi que é uma planta que precisa de cuidados. Depois conto a experiência.

Em Santiago andámos pelas ruas, visitámos a respectiva Catedral, presenciámos na praza do Obradoiro a chegada de um pequeno grupo de peregrinos portugueses dos cerca de 100.000 de todas as nacionalidades que se dirigem a Santiago de Compostela por ano. À medida que o grupo foi chegando, foi emocionante ver como se sentiam felizes por terem cumprido o seu objectivo. Abraçavam-se, perguntavam uns pelos outros e no meio disto tudo, quase todos choravam.


Almoçámos no restaurante Orella. Eu pedi uma Sopa de Marisco e o Ricardo preferiu um Caldo Galego. Uma delícia de sopas. A sopa escolhida pelo Ricardo fez-me lembrar algumas das sopas da minha mãe, com batata e couve, mas com um caldo cheio de sabor. A sopa de marisco era um caldo cheio de berbigão, amêijoas e mexilhões. De seguida, pedimos polbo á feira (polvo à galega) e mexilhões ao vinagrete. Mais uma vez, a cozinha galega nos surpreendeu pela excelente qualidade dos pratos. O polvo tenrinho e delicioso e os mexilhões frescos e suculentos.


As pastelarias e as lojas em Santiago de Compostela revelaram-se uma constante tentação. Quis provar a famosa torta de Santiago. Esta é uma tarte feita à base de amêndoa que um destes dias quero reproduzir. Só me falta arranjar o molde da cruz (da ordem) de Santiago. Provei ainda chocolate cor-de-laranja. Uma tablete de chocolate com esta cor chama logo a atenção de qualquer laranjinha! ;)

À tarde, seguimos viagem até ao cabo Finisterra, que significa o fim da terra, e é o ponto mais ocidental de Espanha. É aqui também que termina o caminho de Santiago. Ao longo da viagem, foi interessante ir observando os recortes da costa e todas as localidades com praia, que no Verão provavelmente se enchem de veraneantes. A vista do cabo é fabulosa. Ali sentimo-nos pequeninos perante a imensidão de mar.


Para jantar fomos até à Corunha. Uma visita rápida de carro pela cidade, as baías. Aqui optámos por, como diz uma amiga, "tapear".

No último dia desta nossa pequena incursão pela Galiza, saímos do nosso alojamento, uma sossegada e muito bem decorada casa rural, Casal dos Celenis. Aqui conhecemos a Paula, uma simpática galega que fala e estuda português. Ao receber dois lusitanos, a Paula entusiasmou-se e colocou em prática os seus conhecimentos. De tal forma, que no último dia a avó, uma senhora aparentemente reservada, chegou-se ao pé de nós e disse apontando para a neta: "É portuguesa?!". :) No jardins da casa descobri uma laranjeira que também é limoeiro ou será um limoeiro que é laranjeira? A enxertia tem destas coisas!


A nossa última paragem antes de regressar a Lisboa, foi na cidade de Vigo. Aqui comemos uma das melhoras sopas de alho que me lembro de alguma vez ter comido. Excelente, com farrapos de ovo e alhos fritos laminados.


Em Vigo subimos até ao Monte do Castro, onde tivemos uma vista magnífica sobre a cidade e o porto. Vigo pareceu-me um centro de negócios moderno, com bastante movimento. Depois de assistirmos à colocação de alguns enfeites de Carnaval numa das ruas principais, de visitarmos algumas lojas de produtos para a casa, rumámos em direcção a Portugal.

sábado, 12 de março de 2011

Do Minho à Galiza


No passado domingo visitei Viana do Castelo. Comecei por descobrir os doces típicos de Viana na pastelaria Natário, uma referência na cidade, visitada em tempos pelo escritor Jorge Amado que ficou cliente. A acompanhar um café escolhi um pastel Santa Luzia, ou não fosse eu nessa manhã visitar o Templo do Sagrado Coração de Jesus também conhecido por Basílica de Santa Luzia. Ainda em Viana provei as famosas Bolas de Berlim e um Sidónio, entre uma grande oferta de doces tradicionais.

Na Basílica, subi até ao zimbório, de onde se tem uma vista fantástica. Subir até subi, mas depois a descer é que as minhas pernas nunca mais foram as mesmas! ;) Viana do Castelo é uma cidade que achei bonita, limpa, com referências ao passado, especialmente a Praça da República, por onde gostei particularmente de passar. As flores são uma presença nas ruas de Viana. Encontramos canteiros floridos desde as ruas principais até às mais pequenas.

Nesse dia o almoço foi no restaurante Camelo em Santa Marta de Portuzelo, uma referência da cozinha minhota na região. O restaurante divide-se por várias salas. Quando chegámos eram quase duas horas e estavam todas as salas cheias, com lista de espera. Depois de aguardarmos, sentados à mesa começámos o nosso almoço com umas moelas guisadas, tenras e apetitosas. O Ricardo pediu Arroz de sarrabulho com rojões e enchidos. Hummm, o arroz tinha um delicioso cheiro a cominhos!

Eu pedi Galo caseiro "Pé descalço" com arroz de cabidela. Galo "Pé Descalço" - achei uma delícia este nome - lembrei-me logo de um episódio da nossa história, a revolta popular da Maria da Fonte no século XIX, nesta região, feita por populares de pés ao léu contra a lei que proibia os enterros nas igrejas.


Os pratos vieram muito bem servidos, tanto que nem metade conseguimos comer. Acompanhámos a refeição com um vinho tinto Quinta da Pacheca de 2008. Achei curioso, que em muitos restaurantes o prato do dia, no domingo, era cozido à portuguesa. Por cá, não me tinha apercebido desta tradição.

Depois de Viana do Castelo a nossa viagem seguiu até Caminha, onde decorria o evento Caminha Doce. Em Caminha gostei da praça central, cheia de esplanadas e muita gente. Graças ao evento Caminha Doce, sentia-se um ambiente de festa em todo o lado. Tendas com venda de artesanato, pão cozido em forno e num café, junto à esplanada, até vi um porco assado no espeto. A carne de porco cozinhada assim, fica muito saborosa.


Ainda tivemos tempo para um passeio ao pôr-do-sol junto à foz do rio Minho. Adoro estar perto da água, caminhar na areia, sem pressas, é tão relaxante.


No dia seguinte, parámos em Vila Nova de Cerveira, que achei uma localidade muito bem cuidada. Mais uma vez reparei na praça central, com esplanadas, mesmo convidativa a ficar.


Passámos ainda por Valença. Valença foi uma surpresa, as ruas estão cheias de lojas, especialmente dedicadas aos atoalhados, turcos, restaurantes, etc, tudo muito virado para o turista espanhol. De Valença, atravessámos o rio Minho e seguimos viagem para a Galiza.


Pontevedra foi a primeira cidade galega onde parámos. A minha vontade de ir almoçar era tanta, que o pobre do Ricardo já não me podia ouvir. Com fome, sou impossível! É o que dizem. ;) Antes de visitar a cidade, o melhor era definitivamente ir almoçar! O dia estava solarengo, mesmo convidativo a uma refeição ao ar livre. Escolhemos o restaurante Cáncamo Mariscos, junto a um jardim, próximo da Praça de Espanha. Da ementa pedimos uma empanadilha de atum com ovo cozido, calamares e polvo à Galega.


O polvo era tenrinho, delicioso. Uma das coisas que acho curioso por toda a Galiza é o modo como confeccionam o polvo. A pele não se desfaz depois de cozido. Tentei perceber como cozem o polvo e acho que o segredo está no facto do polvo ser cozido lentamente, mas não tenho a certeza. Já agora, alguém sabe?


Em Pontevedra, achei curioso que em muitas pastelarias tinham à venda Orejas de Carnaval. E nós, qual é o nosso doce de carnaval? Temos tradições gastronómicas de Carnaval?