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segunda-feira, 14 de março de 2011

A caminho de Santiago de Compostela


Chegámos a Santiago de Compostela, capital da Galiza, na terça-feira de Carnaval de manhã. O dia estava muito bonito, cheio de sol, mesmo convidativo ao passeio. O primeiro local que escolhi para visitar foi o mercado. Sempre que viajo procuro conhecer os mercados dos locais por onde passo. A variedade de produtos, a apresentação, as pessoas nas compras, todo o ambiente dos mercados me cativa. Este era pequeno, estava organizado por espaços e edifícios. De um lado peixe, do outro carne, num outro edifício os legumes, queijos e enchidos. Em termos de produtos, os que me chamaram a atenção foram a carne de porco salgada, especialmente ossos, cabeça e toucinho branco alto e os queijos. A região da Galiza produz os famosos queijos Tetilla, com uma forma muito engraçada. :) No mercado comprei sementes de açafrão, vamos ver como se dão por cá. Serão semeadas em finais de Abril ou no princípio de Maio. Percebi que é uma planta que precisa de cuidados. Depois conto a experiência.

Em Santiago andámos pelas ruas, visitámos a respectiva Catedral, presenciámos na praza do Obradoiro a chegada de um pequeno grupo de peregrinos portugueses dos cerca de 100.000 de todas as nacionalidades que se dirigem a Santiago de Compostela por ano. À medida que o grupo foi chegando, foi emocionante ver como se sentiam felizes por terem cumprido o seu objectivo. Abraçavam-se, perguntavam uns pelos outros e no meio disto tudo, quase todos choravam.


Almoçámos no restaurante Orella. Eu pedi uma Sopa de Marisco e o Ricardo preferiu um Caldo Galego. Uma delícia de sopas. A sopa escolhida pelo Ricardo fez-me lembrar algumas das sopas da minha mãe, com batata e couve, mas com um caldo cheio de sabor. A sopa de marisco era um caldo cheio de berbigão, amêijoas e mexilhões. De seguida, pedimos polbo á feira (polvo à galega) e mexilhões ao vinagrete. Mais uma vez, a cozinha galega nos surpreendeu pela excelente qualidade dos pratos. O polvo tenrinho e delicioso e os mexilhões frescos e suculentos.


As pastelarias e as lojas em Santiago de Compostela revelaram-se uma constante tentação. Quis provar a famosa torta de Santiago. Esta é uma tarte feita à base de amêndoa que um destes dias quero reproduzir. Só me falta arranjar o molde da cruz (da ordem) de Santiago. Provei ainda chocolate cor-de-laranja. Uma tablete de chocolate com esta cor chama logo a atenção de qualquer laranjinha! ;)

À tarde, seguimos viagem até ao cabo Finisterra, que significa o fim da terra, e é o ponto mais ocidental de Espanha. É aqui também que termina o caminho de Santiago. Ao longo da viagem, foi interessante ir observando os recortes da costa e todas as localidades com praia, que no Verão provavelmente se enchem de veraneantes. A vista do cabo é fabulosa. Ali sentimo-nos pequeninos perante a imensidão de mar.


Para jantar fomos até à Corunha. Uma visita rápida de carro pela cidade, as baías. Aqui optámos por, como diz uma amiga, "tapear".

No último dia desta nossa pequena incursão pela Galiza, saímos do nosso alojamento, uma sossegada e muito bem decorada casa rural, Casal dos Celenis. Aqui conhecemos a Paula, uma simpática galega que fala e estuda português. Ao receber dois lusitanos, a Paula entusiasmou-se e colocou em prática os seus conhecimentos. De tal forma, que no último dia a avó, uma senhora aparentemente reservada, chegou-se ao pé de nós e disse apontando para a neta: "É portuguesa?!". :) No jardins da casa descobri uma laranjeira que também é limoeiro ou será um limoeiro que é laranjeira? A enxertia tem destas coisas!


A nossa última paragem antes de regressar a Lisboa, foi na cidade de Vigo. Aqui comemos uma das melhoras sopas de alho que me lembro de alguma vez ter comido. Excelente, com farrapos de ovo e alhos fritos laminados.


Em Vigo subimos até ao Monte do Castro, onde tivemos uma vista magnífica sobre a cidade e o porto. Vigo pareceu-me um centro de negócios moderno, com bastante movimento. Depois de assistirmos à colocação de alguns enfeites de Carnaval numa das ruas principais, de visitarmos algumas lojas de produtos para a casa, rumámos em direcção a Portugal.

sábado, 12 de março de 2011

Do Minho à Galiza


No passado domingo visitei Viana do Castelo. Comecei por descobrir os doces típicos de Viana na pastelaria Natário, uma referência na cidade, visitada em tempos pelo escritor Jorge Amado que ficou cliente. A acompanhar um café escolhi um pastel Santa Luzia, ou não fosse eu nessa manhã visitar o Templo do Sagrado Coração de Jesus também conhecido por Basílica de Santa Luzia. Ainda em Viana provei as famosas Bolas de Berlim e um Sidónio, entre uma grande oferta de doces tradicionais.

Na Basílica, subi até ao zimbório, de onde se tem uma vista fantástica. Subir até subi, mas depois a descer é que as minhas pernas nunca mais foram as mesmas! ;) Viana do Castelo é uma cidade que achei bonita, limpa, com referências ao passado, especialmente a Praça da República, por onde gostei particularmente de passar. As flores são uma presença nas ruas de Viana. Encontramos canteiros floridos desde as ruas principais até às mais pequenas.

Nesse dia o almoço foi no restaurante Camelo em Santa Marta de Portuzelo, uma referência da cozinha minhota na região. O restaurante divide-se por várias salas. Quando chegámos eram quase duas horas e estavam todas as salas cheias, com lista de espera. Depois de aguardarmos, sentados à mesa começámos o nosso almoço com umas moelas guisadas, tenras e apetitosas. O Ricardo pediu Arroz de sarrabulho com rojões e enchidos. Hummm, o arroz tinha um delicioso cheiro a cominhos!

Eu pedi Galo caseiro "Pé descalço" com arroz de cabidela. Galo "Pé Descalço" - achei uma delícia este nome - lembrei-me logo de um episódio da nossa história, a revolta popular da Maria da Fonte no século XIX, nesta região, feita por populares de pés ao léu contra a lei que proibia os enterros nas igrejas.


Os pratos vieram muito bem servidos, tanto que nem metade conseguimos comer. Acompanhámos a refeição com um vinho tinto Quinta da Pacheca de 2008. Achei curioso, que em muitos restaurantes o prato do dia, no domingo, era cozido à portuguesa. Por cá, não me tinha apercebido desta tradição.

Depois de Viana do Castelo a nossa viagem seguiu até Caminha, onde decorria o evento Caminha Doce. Em Caminha gostei da praça central, cheia de esplanadas e muita gente. Graças ao evento Caminha Doce, sentia-se um ambiente de festa em todo o lado. Tendas com venda de artesanato, pão cozido em forno e num café, junto à esplanada, até vi um porco assado no espeto. A carne de porco cozinhada assim, fica muito saborosa.


Ainda tivemos tempo para um passeio ao pôr-do-sol junto à foz do rio Minho. Adoro estar perto da água, caminhar na areia, sem pressas, é tão relaxante.


No dia seguinte, parámos em Vila Nova de Cerveira, que achei uma localidade muito bem cuidada. Mais uma vez reparei na praça central, com esplanadas, mesmo convidativa a ficar.


Passámos ainda por Valença. Valença foi uma surpresa, as ruas estão cheias de lojas, especialmente dedicadas aos atoalhados, turcos, restaurantes, etc, tudo muito virado para o turista espanhol. De Valença, atravessámos o rio Minho e seguimos viagem para a Galiza.


Pontevedra foi a primeira cidade galega onde parámos. A minha vontade de ir almoçar era tanta, que o pobre do Ricardo já não me podia ouvir. Com fome, sou impossível! É o que dizem. ;) Antes de visitar a cidade, o melhor era definitivamente ir almoçar! O dia estava solarengo, mesmo convidativo a uma refeição ao ar livre. Escolhemos o restaurante Cáncamo Mariscos, junto a um jardim, próximo da Praça de Espanha. Da ementa pedimos uma empanadilha de atum com ovo cozido, calamares e polvo à Galega.


O polvo era tenrinho, delicioso. Uma das coisas que acho curioso por toda a Galiza é o modo como confeccionam o polvo. A pele não se desfaz depois de cozido. Tentei perceber como cozem o polvo e acho que o segredo está no facto do polvo ser cozido lentamente, mas não tenho a certeza. Já agora, alguém sabe?


Em Pontevedra, achei curioso que em muitas pastelarias tinham à venda Orejas de Carnaval. E nós, qual é o nosso doce de carnaval? Temos tradições gastronómicas de Carnaval?