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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A visita ao BioFontinhas


O final do mês de Agosto levou-me até à ilha Terceira, nos Açores. Eu e o Ricardo temos a intenção de visitar todas as nove ilhas do arquipélago, mas ainda nos faltam quatro. Este ano em vez de continuarmos este nosso projecto, decidimos ficar apenas pela Terceira, onde já tínhamos estado por duas vezes. A Terceira é conhecida como a ilha que está sempre em festa e isso deve-se talvez ao espírito acolhedor dos terceirenses. O que é certo é que gosto imenso da ilha. Paisagens bonitas, verde e mais verde, e com a presença das vaquinhas por todo o lado e claro, comida da boa.

Num dos dias que passei na Terceira fui convidada pela Ilídia Bettencourt do blogue Acre e Doce a visitar o espaço BioFontinhas. Fomos num sábado de manhã com sol e eu ia cheia de entusiasmo para conhecer o espaço e o seu mentor, Avelino Ormonde. As duas horas que ali passei foram momentos deliciosos em que procurei beber toda a informação que o Avelino nos ia transmitindo à medida que visitávamos as diferentes estufas. É bom ouvir e conversar com alguém que sabe tanto e que tem preocupações de qualidade com o que produz.

Nas estufas e nos espaços adjacentes encontramos uma enorme variedade de plantas, algumas das quais nunca tinha ouvido falar. Desde a planta do gelo, uma planta com sabor a mar e com um aspecto algo misterioso, com o que nos parece pequenas gotículas de água cristalizada, o amaranto chinês, o alecrim do norte, óptimo para aromatizar azeite, hortelã laranja, nirá, um cebolinho com sabor a alho, tetragónia ou o falso espinafre da Nova Zelândia - que cheguei a ter no meu quintal e conhecia apenas como espinafres - aipo aromático, um aipo parecido com o que encontramos no supermercado mas com o caule mais fino, yacon, uma raiz para comer crua ou usar para fazer xarope, amaranto roxo ou ópio vermelho entre muitas outras. Ao longo da visita tive a possibilidade de ir experienciando algumas das diferentes espécies.


A minha visita ao BioFontinhas foi também uma possibilidade de reflectir um pouco sobre a nossa alimentação. Dizia-me o meu anfitrião, quando nos sentamos à mesa, uma das questões que devemos fazer é: - o que comeu a comida que eu vou comer? Aqui a conversa encaminhou-se para o peixe que comemos e o que come esse tipo de peixe. O melhor para nós é o que se alimenta à base de algas devido ao facto de não estar no fim da cadeia alimentar como é o caso de peixes de maior porte tendo assim menor probabilidade de não acumular tantas substâncias potencialmente perigosas.

Falámos também de hidroponia, que não aconselha e de aquaponia, que até tive a possibilidade de ver uma pequena experiência e pensar que uma família poderia ser auto-suficiente na produção da proteína e dos vegetais para a sua alimentação. Fui ver os cantinhos de agricultura selvagem e de permacultura que o Avelino criou e mantém no seu quintal.


Terminámos a nossa visita a falar da influência da família nos nossos hábitos alimentares. Questionada sobre a influência que a minha tetravô teria na minha cozinha, respondi, nenhuma. E a sua mãe? Muita, claro. Existe uma herança de hábitos, costumes, maneiras de estar à mesa que inevitavelmente passam para nós, de geração em geração. Para mudarmos, é necessário uma consciência e uma reviravolta de mentalidades. Pouco a pouco encontro cada vez mais pessoas preocupadas com a sua alimentação e a origem da comida.

Ao Avelino e à Ilídia o meu muito obrigada!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Terceira, uma ilha sempre em festa

O ano passado passei em trânsito pela ilha Terceira. Estive apenas umas horas na cidade de Angra do Heroísmo e fiquei com vontade de voltar. A cidade, a arquitectura, os edifícios coloridos e bem arranjados deixaram-me cheia de vontade de voltar e, foi o que fizemos nestas férias durante cinco dias.

A viagem pela ilha começou com o reconhecimento da zona costeira desde a saída do aeroporto nas Lajes até à cidade de Angra do Heroísmo. Nesse reconhecimento fomos parando ao longo da costa. Nos Biscoitos tomámos o nosso primeiro banho de mar nesta ilha. É curioso observar as diferenças entre o Continente e as ilhas em relação às praias. Por cá o conceito de praia está associado a areia por lá são poucas as praias de areia. Encontramos imensos pontos para ir ao banho no mar, recantos trabalhados na rocha, piscinas com água salgada, pontões com escadas com entrada para o mar. Se no início estranhámos o facto de não haver areia, para o final preferíamos tomar banho em mar aberto, em água transparente, e com alguns peixinhos a nadar por perto. Único.

Em termos gastronómicos a ilha é rica e tem uma oferta variada. Ao longo da minha estada segui várias das sugestões que me indicaram. A primeira referência digna de registo foi no restaurante Boca Negra em Porto Judeu. Nesse dia depois de uma breve visita à cidade da Praia da Vitória, fomos à procura desse restaurante famoso pela Alcatra de Peixe. Entrei na sala que me parecia um café e perguntei se ainda se podia almoçar ao que o senhor por detrás do balcão me respondeu para seguir em frente, o restaurante era depois da porta que me indicava. Assim que passei a porta encontrei a sala do restaurante e algumas pessoas sentadas a almoçar. Depois de escolhermos a mesa e de nos acomodarmos, começámos a nossa refeição com queijo, um pires de favas coadas, muito boas, e um vinho produzido na ilha, Resistência.

Para prato principal escolhemos Alcatra de Peixe com espinha. Sim, leram bem. O restaurante também serve alcatra de peixe sem espinha. A diferença está na variedade de peixe, na primeira são servidas três qualidades (boca negra, garoupa e safio) e na segunda apenas uma.

Assim que a Alcatra chegou à mesa a borbulhar, o dono do restaurante, o senhor José, disse-nos: "Isto não é sopa, não se coloca a colher até ao fundo. E come-se com isto - apontando para o pão." O peixe é então acompanhado com fatias de pão que deverá ser regado com o molho da alcatra. A alcatra de peixe estava mesmo muito boa. O pão ensopado no molho fica divino. Mas para além da alcatra, o senhor José conquistou-nos com o seu discurso bem humorado, atrevido e até um pouco apimentado.

O restaurante Ti Choa, na Serreta, era uma sugestão que este ano eu não iria deixar fugir porque, após a recomendação da Elvira, várias outras pessoas também mo referiram. O Ti Choa é um restaurante de gestão familiar com cozinha tradicional açoriana. A sala está decorada com objectos tradicionais da ilha e tem uma lareira com forno onde às sextas-feiras se faz pão.

Aqui experimentámos uma morcela, magnífica, onde sobressaem os sabores das especiarias, a alcatra de carne tenra e saborosa servida com fatias de massa sovada. A acompanhar um vinho branco da terra, de seu nome Donatário. Mas a alma do restaurante, é quem lhe dá vida. A jovem que serve a sala marca a diferença, alia a simpatia à arte de bem servir e rapidamente nos conquista. Não posso deixar de referir o modo delicioso como a jovem Delisa nos apresentou a ementa. Através de um pequeno quadro de ardósia explica os pratos um a um e vai descrevendo o que contêm e como cada um é confeccionado. Confesso que no fim da explicação fiquei a salivar e com vontade de provar um pouco de tudo! Para além disso, ao longo do jantar vai-nos brindado com pequenas atenções, como por exemplo: "Então meus queridos ainda estão vivos?".

Das nossas experiências gastronómicas destaco a sopa no pão no restaurante do Hotel Beira-Mar, o restaurante O Caneta, em Altares, onde provámos sopa de tomate, peixão grelhado e filetes de abrótea com molho de camarão e para sobremesa doce de vinagre. Acompanhámos esta refeição com mais um vinho branco da ilha, o Magma.

Doce de vinagre.

No último dia na Terceira ao almoço, escolhemos o restaurante Beira-Mar em São Mateus da Calheta, com vista para o porto. Aqui escolhemos lapas na chapa e boca-negra grelhado. Magnífico. Para além do modo como é confeccionado, destaca-se pela qualidade dos produtos. Frescos.

A visita à ilha Terceira também teve outras surpresas. Conheci, numa quinta-feira ao final da tarde, a Manuela que organizou um encontro com outras simpáticas bloggers açorianas, a Ana, a Isa e a Olguinha. Depois de um final de tarde de boa conversa, seguiu-se uma outra surpresa. Um encontro com a Elvira e o seu marido, João, que simpaticamente nos abriram as portas da sua nova casa e, à volta de alguns petiscos típicos da ilha com que nos presentearam, ficámos agarrados à conversa pela noite dentro.

Para além das nossas experiências gastronómicas, ainda tivemos tempo para uma subida à Serra do Cume, a vista para o vale é magnífica. O verde sobressai recortado com os muros de pedra. Uma ida à Serra de Santa Bárbara, para além da vista soberba sobre parte da ilha ainda ficámos maravilhados com um grupo cavalos que encontrámos, apanhámos o pôr do sol na ponta da queimada, percorremos o parque da Serreta e subimos a pé ao Monte Brasil, onde pelo caminho me fui entretendo a apanhar amoras e a comer.

Entrámos nas Grutas do Natal e na do Algar do Carvão, contemplámos os touros bravos na zona do Cabrito, comprámos queijo Vaquinha com massa de malagueta, visitámos o Museu do Vinho e, aqui descobri que existe uma casta com o nome de Isabel. ;)

A Terceira é uma ilha sempre em festa. Só quem por aqui passa pode perceber o espírito da ilha e das gentes que lhe dão vida. E no espírito de festa da ilha existe a largada de touros à corda. Impressionante.
A largada de touros é por aqui uma tradição, está enraizado no espírito festivo da ilha. Assisti a uma largada de bezerros em S. Mateus da Calheta. Novos, velhos, homens e algumas mulheres correm à frente do animal. Em volta, encontramos frango assado, bifanas no pão, bebidas frescas, vendedores de gelados, frutos secos, maçarocas de milho cozidas, cerveja e muita animação.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mercado Duque de Bragança em Angra do Heroísmo


Nas cidades por onde passo, uma das coisas que gosto de descobir são os mercados. Gosto de ver as bancas cheias de fruta, os legumes arrumadinhos, as diferentes cores e tonalidades, e as variedades de produtos. Especialmente as variedades dos produtos e os nomes pelos quais são designados. Aqui encontrei a banana-terra, a laranja-terra e vários outros produtos a que acrescentam terra, e descobri a meloa-ananás. O mercado está cheio de cestos com maracujás, bananas, batata-doce, batata olho de perdiz, ameixas, abóboras, etc. A maior parte dos produtos parece-me que são produzidos localmente ou nas ilhas vizinhas.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Um dia em Angra do Heroísmo ...

Nas férias de verão, deixámos S. Jorge com viagem marcada para o outro lado do Atlântico. Toronto, Canadá, era o nosso destino, mas antes parámos por umas horas em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Assim que saímos do aeroporto entrámos num táxi para a cidade. A sensação foi estranha. Deixámos uma ilha em que existia apenas uma via rápida, muitas vaquinhas e, claro muito pouco trânsito. Ali era notória a diferença. Auto-estradas, imagine-se.

O taxista foi metendo conversa, tentou perceber quem erámos e explicou-nos o que de melhor ali havia, onde é que poderíamos ir almoçar, etc. Em Angra quando nos preparávamos para pagar e sair, perguntou-nos a que hora queriamos que nos viesse buscar. Como? - perguntámos nós. Pagávamos depois, não havia problema. Apresentou-nos um percurso de regresso ao aeroporto pela cidade da Praia da Vitória, para ficarmos a conhecer mais um pouco da ilha e, obviamente um preço. Aceitámos. Uma atitude completamente inesperada e simultaneamente surpreendente. Cá no continente não deve acontecer com frequência de certeza. A mim nunca me tinha acontecido.

Depois de uma volta pela cidade, sentámo-nos numa esplanada. Queria provar os bolinhos D. Amélia, que aqui no blogue me tinham sugerido e que são típicos da ilha.

Dona Amélia é um bolinho maravilhoso. Conta-se que em 1901, a Rainha D. Amélia e o seu marido D. Carlos visitaram a ilha e as gentes da Terceira ofereceram-lhes os melhores bolos da região que na altura eram conhecidos como Bolos Indianos e que, agora, em honra da Rainha se chamam Donas Amélias.

O restaurante Adega Lusitânia foi o escolhido para o nosso almoço na ilha. Começámos com a Sopa da Tia Urânia. Uma sopa deliciosa, quase divina. Com feijão seco cozido triturado que enriquece o caldo, couve, cenoura, rama de funcho picadinha e uns pedaçinhos de carne que mal se notavam de tão bem desfiada que estava. Maravilhosa. Bendita Tia Urânia.

Para prato principal escolhemos Filetes de Abrotea e um Boca Negro grelhado este sim, muito bom. Fresquinho. Maravilhoso. Acompanhámos estas delícias com um vinho Pedras do Lobo, vinho de verdelho da ilha Terceira.

À hora combinada, econtrámo-nos com o nosso taxista e seguimos viagem. A ilha Terceira será de certeza umas das próximas ilhas a visitar.