Próximos Eventos
Lisboa 24 de Março de 2019
Domingo:
09h30 - 13h30      Workshop Vamos fazer Pão?
 
 
15h00 - 19h00      Workshop Vamos fazer Pão?
Inscrições/Vouchers: escola@istofaz-se.pt   218 078 640 IstoFaz-se
Porto 30 de Março de 2019
Sábado:
10h30 - 14h00      Workshop Pré-preparações p/ as Refeições da Semana
 
 
15h30 - 19h30      Workshop Pão e Broa
Inscrições/Vouchers: work@sott.pt   WORK espaço criativo
Mostrar mensagens com a etiqueta Ilha de São Miguel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ilha de São Miguel. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Morcela assada com ananás ...


Nas férias de verão, antes de ir para S. Miguel, Açores, a minha amiga Sandra Palma indicou-me algumas iguarias açorianas que não poderia perder. Uma delas era morcela assada com ananás.

Provei-a logo no primeiro dia que lá estive, no restaurante Alabote na Ribeira Grande. Uma delícia.

Ontem, foi a entrada do almoço de carnaval cá em casa. Comprei uma morcela de Arganil e assei-a, nos recipientes de barro próprios para o efeito com álcool.

Servi a morcela cortada às rodelas com pedaços de ananás. Acompanhei com vinho tinto, Quinta da Mimosa da Casa Ermelinda de Freitas.

domingo, 4 de novembro de 2007

Ananás de S. Miguel

Em Agosto deste ano passei três dias na Ilha de S. Miguel, Açores. Muitas eram as coisas que levava indicadas no meu bloco de notas para visitar. Um desses pontos, era as estufas de ananases em Fajã de Baixo, mesmo junto à cidade de Ponta Delgada.


Cheguei a Fajã de Baixo depois da tentativa aventurosa de ir visitar a Lagoa do Fogo. A sinalética está bem colocada e foi fácil encontrar as famosas estufas.

As estufas podem ser visitadas livremente, dentro do horário de funcionamento. Depois de dar uma volta. Tirar fotografias e ir percebendo as variações de temperatura de estufa para estufa, fiquei com vontade de saber mais. Esta visita estava a saber a pouco. As minhas expectativas em relação à produção do ananás micaelense eram mais elevadas. Mas eis senão quando, chega ao recinto uma visita guiada. Um conjunto de emigrantes portugueses nos EUA e outros turistas acompanhados por um guia. Assim como quem não quer nada fui me juntando ao grupo. E ainda bem que o fiz, porque aprendi muito mais. No local não há informação sobre o processo de produção deste famoso ananás, ou pelo menos eu não a encontrei.

O guia era daquelas pessoas com que se apetece ficar a conversar a tarde toda. Um pessoa cheia de estórias e de sabedoria sobre os Açores e o cultivo do ananás.


Sobre a introdução e evolução do cultivo do ananás, o Eng.º Ponte Tavares escreveu assim:

«A introdução da planta do ananás na Região Açores teve lugar na primeira década do século XIX. A variante aqui introduzida, a Smooth-Cayenne, era originária da América Central e do Sul.

A sua primeira utilização foi como planta ornamental, e cultivada em vasos em estufas de pequena dimensão.

A sua real projecção só chega quando se origina a regressão da cultura da laranja, fruto de uma doença que começou a afectar estas culturas. Foi então, pela mão de José Bensaúde e de Manuel Botelho de Gusmão que tem início uma fase experimental da cultura do ananás, que anos mais tarde assumiu o título de Rei dos Frutos.

Foi na profunda experimentação da cultura da planta que, graças a Manuel Botelho de Gusmão, se revelou um nova forma económica em termos produtivos nos Açores. Carecendo de ser cultivado em estufas, face ao clima diferente do da sua origem, o desenvolvimento (em termos comerciais) teve o seu início por volta do ano de 1864, depois de boas experiências com ananases enviados para Londres. E foi rápida a exportação para o exterior. Dez anos apenas passados da exportação atrás referida, a Região havia exportado, em 1874, qualquer coisa como 17 mil toneladas. Um ano mais tarde, em 1875, existiam três estufas a produzir, com capacidade para as 40.000 plantas.

Perante a 1ª Grande Guerra, a cultura do ananás sofreu o primeiro abalo na sua comercialização, voltando à normalidade alguns anos mais tarde. Aliás, entre o período de anos que decorreu entre a 1ª e a 2ª Grandes Guerras, a cultura do fruto atingiu excelentes resultados.

Foi no eclodir da 2ª Guerra Mundial que se registou uma das piores crises na produção da fruta. Nos dois anos posteriores ao fim da Guerra conseguiu-se retomar a exportação para Londres, mas pelo caminho haviam ficado vários produtores que, sem capacidade de suportar os custos inerentes à crise provocada pela guerra, deixariam cair a sua actividade. A debilidade económica de Londres levou os produtores a encontrarem novos destinos para acolherem o fruto. Surgem como hipóteses países como a Bélgica, a França, a Alemanha, a Suíça, a Holanda, a Itália, Estados Unidos da América, Portugal Continental e a própria Região Autónoma da Madeira. (...)»


A produção do ananás micaelense é feita em estufas de madeira e vidro. Na Primavera as estufas são caiadas de branco de modo a impedir a entrada dos raios solares, pois o ananás necessita de calor, mas não da força directa do sol.

O solo da estufa é também tratado. Antigamente, segundo o guia, era preparado com a chamada "lenha de estufa". Na preparação do solo, entra a leiva, lenha, terras de anteriores culturas, aparas de madeira, etc.

Outra particularidade no cultivo deste ananás é o recurso ao fumo. É colocado, ao final do dia, na estufa, um recipiente de lata com vários furos, que ajuda o fumo a sair. Nessa lata faz-se uma fogueira com restos de, por exemplo, folha de bananeira, entre outro tipo de matéria orgânica que ajuda a fazer muito fumo. O fumo fica na estufa durante toda a noite. Só pela amanhã se abrem as portas para arejar a estufa. Este processo repete-se durante 8 meses e permite que as plantas floresçam ao mesmo tempo.

Cada uma destas flores vai dar lugar a uma escama da casca do ananás.

Pelo que se sabe esta técnica foi descoberta por acaso. Um dia, um cigarro mal colocado, de um grupo de trabalhadores, levou ao acender de um pequeno incêndio que encheu de fumo as estufas. O que parecia ser uma desgraça para o proprietário com a consequente morte das plantas, afinal revelou-se o contrário.

Um ananás demora, sensivelmente, dois anos a produzir. É obra , não é?

No final da visita, tive a oportunidade de provar um maravilhoso licor de ananás, à venda na loja que dá apoio às estufas.


P.S.: Vale a pena visitar o The Azores Islands para se conhecer um pouco mais do que aqui foi dito.

sábado, 8 de setembro de 2007

Cozido em terra quente

A minha viagem de férias, deste ano, teve início na ilha de S. Miguel nos Açores. Eu e o meu marido chegámos ao aeroporto no dia 12 de Agosto e resolvemos partir logo à descoberta da ilha, deixando a cidade de Ponta Delgada para outro dia.

Nesse dia demos a volta a ilha e ficámos alojados em Povoação. Mas não é das minhas férias que vos quero falar, quero partilhar convosco algumas das experiências gastronómicas que experienciei.

Nos Açores saboreei para além da morcela assada com ananás, queijo fresco com massa de pimentão (servido usualmente como couvert), lapas na grelha com alho e limão, Frangalho, excelente peixe grelhado, carne de vaca maravilhosa, os famosos bolos lêvedos, as queijadas de Vila Franca do Campo, entre outras iguarias. Para além destes prazeres gustativos, assisti, na Lagoa das Furnas, ao processo de realização do famoso Cozido das Furnas que, como não poderia deixar de ser, também tive o prazer de saborear. Este cozido deve ser único no mundo, dado o processo de cozedura.

Em Ribeira Grande também se faz cozido nas caldeiras, mas de maneira um pouco diferente do das Furnas.

Na Lagoa das Furnas, a Junta de Freguesia disponibiliza um funcionário que vai fazendo a gestão do espaço. Restaurantes e particulares tiram partido destes buracos quentes, não havendo lugares reservados. A distribuição é feita por ordem de chegada. Aqui ficam algumas fotos que documentam o processo:

«(...) No chão, fazem-se buracos com um sacho onde se faz o tão apreciado cozido das furnas. Numa toalha de mesa (que apenas servia para aquele fim), espalhavam-se em circunferência, folhas de repolho e em cima colocavam-se carnes, de porco, vaca, galinha, e toucinho e um saquito onde se metia a morcela (para que ao cozer não se desfizesse e se espalhasse), batatas, doces e da terra e ainda cenouras partidas ao meio, ao alto. Novamente se colocavam folhas de repolho. Claro que as carnes tinham sido previamente temperadas de sal.

A toalha era depois dobrada por cima das últimas folhas, sendo tudo novamente embrulhado noutro pano e depois metido numa saca de sarapilheira, bem amarrada, que se introduzia no tal buraco e se tapava com a mesma terra. Ao fim de 4 a 4 horas e meia o cozido estava pronto. Desenterrava-se e então servia-se. Devo dizer-vos que o sabor daquele cozido não tinha comparação com qualquer outro. Repararam talvez, que me servi sempre dos verbos no passado. É que hoje raramente se faz o cozido como o descrevi. Foi determinado que, em área delimitada, as covas fossem igualmente feitas na terra, mas forradas com uma camada de cimento.

O cozido é agora feito em panela de alumínio, usando os mesmos ingredientes a que me referi, mas em camadas. É tapado com uma tampa de alumínio, bem presa com corda de asa a asa, metida na saca e introduzida na cova e tapada com uma tampa também de cimento. Aí o tempo de cozedura é mais longo, de 5 a 6 horas.

Da mesma maneira se faz o bacalhau "com todos", usando também chouriço, a feijoada e os bolos doces (de chocolate, de mel, de laranja e outros), bem como arroz doce e até compotas. »

LIMA, Zita (2007) - A Cozinha Açoriana, ed. Everest, p.11

Segundo informação no local, passadas 6 a 6 horas meia o cozido está pronto e é retirado das covas ...

Provei este famoso cozido no restaurante Águas Quentes, nas Furnas, onde o chefe Paulo Arruda nos recebeu com inexcedível simpatia e disponibilidade.

Nos ingredientes do cozido, para além das tradicionais carnes e enchidos, da batata da terra e da batata doce, os açorianos juntam também inhame.


Restaurante Águas Quentes
Rua Água Quente, nº 15
9675-040 Furnas
São Miguel - Açores
Tel.: 296 584 482
eMail: aguasquentes@mail.telepac.pt


P.S.: Vale a pena descobrir um pouco mais sobre os Açores através do seguinte blogue: The Azores Islands.