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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A aprender com a chef Justa Nobre


O pretexto que me levou ao Pavilhão Altântico, na passada sexta-feira, ao Mercado de Sabores do Continente, foi a apresentação de Justa Nobre, chef do restaurante Spazio Boundi, em Lisboa. Durante esta iniciativa vários dos chefs nacionais convidados tinham a seu cargo os pratos típicos de uma região. À chef Justa Nobre coube a região norte. Apresentou-nos três receitas de Trás-os-Montes, de onde é natural. A sopa de alheiras, que curiosamente não leva esse enchido, mas ficou com esse nome pois era a sopa que se fazia no dia em que se preparavam as alheiras e era cozinhada com as carnes utilizadas na confecção das mesmas. Apresentou ainda um fricassé de pato com canela e, para sobremesa, chila dourada com nozes e amêndoas. A audiência teve a possibilidade de provar os pratos confeccionados e pelo que vi, todos gostaram.

Depois de assistir à sua apresentação, troquei algumas impressões sobre a sua experiência em showcookings. Tive ainda o prazer de a acompanhar numa breve visita à banca do produtor de enchidos Bísaro, o sr. Alberto, ali presente, e que tive a honra de conhecer e de falar sobre as alheiras e sobre o famoso porco Bísaro.


O Mercado de Sabores do Continente, é uma iniciativa que procura dar a conhecer alguns dos produtores nacionais que fornecem esta cadeia de distribuição. O que me agradou neste evento foi a possibilidade de se dar voz aos produtores e de estes poderem contactar directamente com o grande público. É uma forma de aproximar os produtores dos consumidores. Saber quem produz o quê, é importante. Cria-se confiança, podem-se esclarecer dúvidas, identificar rostos, pessoas, a determinados produtos. Cada vez mais as cadeias apostam na chamada marca branca, o que indiretamente rouba a identidade de quem produz. Este mercado de sabores é uma maneira de potencializar o bom que se produz a nível nacional. Por outro lado, é também uma excelente forma de apresentar novos produtos ou de os promover a quem ainda não os conhece.

Foi bom ver ali peixe fresco, fruta apetitosa de várias regiões do país, desde a zona oeste, passando pela Madeira e pelos Açores. Enchidos de várias regiões demarcadas, assim como produtores de carne, desde a carne alentejana até à dos Açores. Queijos de norte a sul do país, pão regional de Rio Maior, doçaria conventual, entre muitas coisas boas e apetitosas. Eu não resisti ao pão quentinho acabado de fazer, aos enchidos e às alheiras de Vinhais, e às uvas, pretas e brancas que estavam tão convidativas. O jantar de sexta, penso que conseguem adivinhar o que foi.

Aproveito ainda para agradecer às leitoras que sabendo que eu estava a assistir à apresentação fizeram questão de me cumprimentar.


Que venham mais iniciativas que promovam o bom que se produz em Portugal.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mercado da Ribeira e uma receita de mexilhões


Ao Mercado da Ribeira associo sempre o conhecido cacau quente da Ribeira. Para esta série de apontamentos sobre mercados fui a este mercado duas vezes. Na última tive que passar pelo café que servia um delicioso cacau quente logo pela madrugada, quando com grupos de amigos vínhamos de algum bar ou discoteca, principalmente da 24 de Julho, ou fazia alguma maratona fotográfica pela cidade, na altura já com o Ricardo. Nesses tempos costumava ir ao Bar 24, à Gare Tejo, ao Alcântara Terra. Recordo-me de um bar, na 24 de Julho, que tinha uma flor na porta e dizia Power Flower. As entradas dos bares estavam apinhadas de gente, com cervejas na mão. Parte da Avenida era um mar de gente. Eu sempre que podia guardava um copo de vidro com o logótipo do bar. Ainda hoje guardo alguns. As saídas envolviam o cacau quente na Ribeira ou então comer um cachorro quente com tudo o que tinha direito à saída do Alcântara Terra. Que tempos bons. Sem grandes preocupações, a vida corria com um sorriso largo estampado no rosto.

Hoje já não conseguiria sair até tarde e no outro dia levantar-me cedo e estar com atenção nas aulas. Deveria bocejar a cada segundo, as pálpebras pesadas cairiam a cada instante e claro, o mau humor e a falta de paciência aliam-se nestas alturas e o dia não iria correr nada bem. Há tempos para tudo e é bom que as coisas sejam vividas na altura certa, não é?

O Mercado da Ribeira foi inaugurado em 1882 e tem cerca de mil metros quadrados de área coberta. Tem dois pisos, no inferior encontramos várias floristas, vendedores de frutas, legumes, carne e peixe. No piso superior lojas de artesanato e um restaurante. Aqui têm lugar alguns eventos, como feiras de livros e os bailes da Ribeira. Uma das coisas que marca este mercado para além da área, é a luz. O tecto, tem uma cobertura que deixa entrar a luz, o que é fabuloso e dá-nos uma perspectiva diferente.


Da última vez que tinha ido ao mercado foi num curso de escrita que envolvia a ida às compras com o chef Ljubomir Stanisic e tinha gostado muito da secção do peixe. Desta vez decidi fazer compras e uma das coisas que trouxe foi um saco com mexilhões.


Mexilhões com vinho branco


Ingredientes:
1Kg de mexilhão fresco
1dl de azeite
0,5dl de vinho branco
5 dentes de alho
1 raminho de salsa
1 colher de sopa de tomilho fresco
1 a 2 piripiri


1. Limpar o mexilhão.

2. Picar muito bem dois dentes de alho com o piripiri, a salsa e o tomilho. Reservar.

2. Colocar o azeite num tacho com 3 dentes de alho esborrachados. Levar ao lume e deixar frigir um pouco.

3. Acrescentar o vinho branco, quando levantar fervura adicionar o mexilhão. Tapar o tacho e deixar assim mais ou menos um minuto.

4. Mexer o mexilhão. Tapar o tacho e deixar cozinhar mais um minuto.

5. Polvilhar o mexilhão com a mistura de ervas picadas e mexer. Assim que o mexilhão estiver aberto, retirar do lume e servir com fatias de pão.


Estes mexilhões podem servir como entrada quando se recebe amigos em casa. Para nós foi um almoço. Com pão fresco ensopado no molho e uma cerveja acompanhar. Soube tão bem. A seguir deu-nos uma soneira. Ainda bem que estou de férias!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mercado 31 de Janeiro e uma receita de figos com creme de iogurte e queijo


Ainda me lembro da primeira vez que fui ao Mercado 31 de Janeiro. Foi no ano em que vim estudar para a faculdade e Lisboa era uma cidade fantástica, com imensa coisa para descobrir. Nos primeiros anos fiquei alojada numa residência perto das instalações da Polícia Judiciária e na altura do registo civil, onde se faziam e renovavam os bilhetes de identidade. Ainda me lembro da quantidade de gente que ali ia e que se juntava à porta. Lembro-me perfeitamente de ficar surpreendida por ver pessoas a vender os impressos para a renovação e mais, ajudavam a preencher. Na altura, na flor da juventude, não compreendi como era possível, alguém ganhar dinheiro assim e haver pessoas a pagar. Da última vez que renovei o Bilhete de Identidade percebi, depois de assistir a uma conversa e compreender que a iliteracia é uma realidade, mesmo em gente nova.

Na altura o Mercado 31 de Janeiro não era neste edifício cuidado e espaçoso onde está hoje. Era num espaço improvisado, tipo pré-fabricado. Só voltei a este novo edifício quando comecei a trabalhar no Liceu Camões, mesmo ali ao lado, e uma vez por outra íamos comer peixe fresquinho num restaurante, dedicado ao peixe, no piso superior do mercado. Comia-se lá muito bem e curiosamente nunca mais lá voltei.

Desde que pensei em escrever sobre mercados que voltei ao Mercado 31 de Janeiro duas vezes, em dias e horas diferentes. Nunca consegui ver o espaço cheio. Está certo que é muito grande, mas quando digo cheio, é com várias pessoas a fazerem compras, pessoas de um lado para o outro, a dar uma certa dinâmica e azáfama ao local. Talvez não tenha visto essa azáfama por estarmos em Agosto e ser um mês de férias. Deve ser isso.


O mercado está dividido em dois pisos. No piso inferior encontramos talhos e as bancadas com venda de frutas e legumes. No piso superior o peixe, com forte presença de Açucena Veloso, que costuma estar no Peixe em Lisboa, aqui também encontramos uma florista e venda de flores em vasos. Os vendedores são simpáticos, vão metendo conversa com os potenciais clientes que passam. O espaço está limpo e assim que se entra vem um cheiro a fruta madura misturado com o cheiro da terra molhada e a frescura dos legumes acabados de colher. Por ali encontramos batatas, abóboras, cenouras, nabos com e sem rama, cebolas, maçãs, bananas penduradas em ganchos, louro, alfaces, couves, grelos, brocólos, tomate, tomate cereja, entre muitas outras coisas. Aqui no mercado rendi-me à fruta. Não resisti às uvas encarnadas doces e saborosas, figos pretos e as ameixas Rainha Cláudia, que adoro e que nesse dia consegui comer uma barrigada. Conseguimos matar as saudades de comer figos e os que sobraram dessa nossa investida foram para uma sobremesa bem fresquinha.


Figos com creme de iogurte grego e queijo ricotta


Compota de figos com vinho do Porto

Ingredientes:
250g de figos pretos
1 pau de canela
0,5dl de vinho do Porto
0,5dl de água
50g de açúcar
1 colher de sopa de sumo de limão


1. Colocar os figos cortado em pedaços num tacho. De seguida acrescentar os restantes ingredientes e levar ao lume. Deixar apurar.

2. Deixar arrefecer.


Creme de iogurte grego com queijo ricotta

Ingredientes:
250g de iogurte grego natural
125g de queijo ricotta
1 colher de sobremesa de extracto de baunilha (facultativo)


1. Colocar os ingredientes numa taça e mexer muito bem.

2. Servir o creme com a compota de figos.


A compota e o creme dão para quatro boiões de iogurte. Coloquei quatro colheres de sobremesa de creme na base dos copos, de seguida coloquei duas colheres de compota, mais iogurte e finalizei com a compota de figos. Coloquei no frigorífico umas horas antes de servir e foi sucesso total. O Ricardo acha que fiz pouco!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mercado biológico do Príncipe Real e uma receita


Uma das coisas que me dá imenso prazer quando viajo é visitar mercados. Adoro os cheiros, as cores, a variedade de produtos e o modo como estão expostos. Costumo fazer compras semanalmente num mercado perto de minha casa onde compro principalmente vegetais e pão fresco.

Um dos desafios que coloquei aos leitores, durante o mês de Julho, num dos textos que escrevi para o Bla Bla Blog da IKEA foi uma visita a um dos mercados da cidade. A variedade de produtos que encontramos num mercado é muito maior do que numa grande superfície. Para além da variedade temos também acesso a comparar preços, a conhecer pessoas que muitas das vezes produzem o que têm exposto. E para mim, as compras que faço no mercado são sempre muito boas. A fruta tem cheiro e os legumes estão viçosos e convidam a que venhamos para casa cozinhá-los logo, para os aproveitar da melhor forma.


Durante esta semana, vou relatar a minha visita a alguns mercados da cidade onde comprei produtos que a seguir cozinhei. O primeiro mercado que visitei foi o mercado biológico do Príncipe Real. Fui ao mercado num sábado de manhã com o Ricardo. O dia estava bonito e deixámos o carro de modo a passearmos um pouco pela cidade antes e depois de fazermos as compras. Quando chegámos, a esplanada do café do parque estava cheia de gente, principalmente jovens e alguns turistas. A zona de mercado é pequena, não terá mais de 7 a 8 tendas com venda de produtos. Mas ali encontramos um pouco de tudo. Abóboras de diferentes variedades, ervas aromáticas frescas e secas, rúcula e rúcula selvagem ao quilo, cenouras de várias cores, ervas aromáticas em vasos, e principalmente produtos que considero diferentes e menos usuais. Um desses produtos, é a mizuna que acabei por comprar.

Salada de mizuna com manjericão, beterraba, laranja e salmão grelhado


Ingredientes para a salada:
100g de mizuna
1 beterraba cozida
1 laranja
20g de nozes picadas
20 folhas de manjericão


1. Lavar e cortar com as mãos a mizuna. Colocá-la numa taça.

2. Retirar a casca à laranja, cortar os gomos sem a pele.

3. Juntar à mizuna os gomos de laranja, a beterraba cortada, as nozes e as folhas de manjericão rasgadas com as mãos.

4. Temperar com o molho vinagreta.


Ingredientes para o molho vinagreta:
0,5dl de azeite
1 colher de sopa de vinagre de espumante
pimenta preta de moinho
1 colher de chá de mostarda em grão
sumo que resultou do corte da laranja (facultativo)
sal (facultativo)


1. Colocar os ingredientes num copo e com um garfo ou vara de arames misturar muito bem.


Ingredientes para o salmão grelhado:
2 lombos salmão com pele
coentros em pó
1/2 colher de café de sementes de funcho
sal


1. Temperar o salmão da parte sem pele, com o sal, uma pitada de coentros em pó e as sementes de funcho.

2. Aquecer a chapa. Assim que estiver quente, colocar o salmão do lado que tem a pele. Deixar grelhar e depois virar.

3. Servir o salmão com o molho vinagretta e a salada.


A salada fica tão boa. A mizuna foi uma boa descoberta!

Do mercado do Príncipe Real trouxe os melhores rabanetes que comi nos últimos tempos. Com aquele ligeiro picante que os caracteriza e tão tenros. Eu adoro rabanetes mas aflige-me a falta de qualidade deste produto, muitas das vezes. Não sei se já vos aconteceu, mas a mim, é recorrente, comprar um saco com rabanetes e estarem ocos, rendilhados. Não gosto nada. É deitar dinheiro fora. Mas estes não. Perfeitos. Trouxe também cenouras com rama, manjericão e um raminho de sálvia. Ir aos mercados vale mesmo a pena, principalmente pelos produtos frescos e saborosos.

Amanhã teremos a visita a outro mercado.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Florença, a cidade mágica do Renascimento


Florença é uma cidade magnífica, que esconde encantos, histórias e que cada edifício, praça ou escultura é de uma beleza ofuscante. Voltar lá passados dois anos deixou-me muito entusiasmada. O dia estava quente e os magotes de turistas já enchiam as ruas. Por lá várias vezes ouvi falar português de ambos os lados do Atlântico. Quando num país estrangeiro ouço a minha língua, tenho uma sensação de conforto, de aparente cumplicidade, como se não andasse por ali sozinha.

O dia em Florença começou numa esplanada com um capuccino e um croissant, na companhia de vários pombos que irritantemente insistiam em visitar a nossa mesa.

Um passeio pelas ruas, umas fotos junto à imponente Basílica de Santa Maria del Fiore, uma passagem pelo mercado de San Lorenzo e uma visita mais demorada ao Mercado Central. Não resisto a visitar os mercados.


Gosto dos cheiros, das cores, de ver os produtos e de os comparar com a nossa realidade. Gosto de ver o que as pessoas compram, o que preferem, de as ouvir falar com os vendedores. No mercado, encontrámos tomate seco, cogumelos frescos e secos de várias variedades, flores de courgette, tomate cereja lindo, frutos silvestres, queijos e mais queijos, massas de diversos tamanhos, cores e feitios, diferentes variedades de pão e até milho preto, que para mim foi uma novidade. Neste mercado era também possível comprar comida já feita.


Depois do mercado, passámos de fugida pela Piazza della Signoria e fomos seguidos pelos olhares atentos de David e de Neptuno, atravessámos o rio Arno pela Ponte Vecchio, com imensas joalharias, e fomos almoçar ao restaurante Alfredo sull'Arno, um restaurante de cozinha típica da Toscana e com uma vista privilegiada sobre a ponte. Aqui começámos a nossa refeição com crostini de fígado de galinha. Depois vieram para a mesa um inesquecível risotto de cogumelos, um apetitoso arroz com camarão, um interessante taglierini all'alfredo com cogumelos porcini e prosciutto gratinado no forno e um bife com um magnífico molho de vinagre balsâmico. A escolha das sobremesas recaiu num doce de frutos silvestres e numa fatia de tarte merengada, que souberam muito bem. O vinho escolhido foi um vinho chianti tinto Caspriano. Esta foi uma das nossas melhores refeições desta viagem por Itália.


Depois do almoço fomos até à Piazzale Michelangelo de onde se tem uma vista fabulosa sobre a cidade de Florença. Sentámo-nos numa esplanada e passámos umas boas duas horas a olhar a cidade lá do alto. Perante a beleza de Florença foi fácil perceber o síndrome de Stendhal.


Ao final da tarde voltámos ao centro de Florença. Mais um passeio demorado pelas ruas, ver os artistas a trabalhar nas praças, olhar os edifícios e uma passagem mais atenta pela Piazza della Signoria e as suas estátuas. A estátua de David, cópia do original de Michelangelo, é uma das imagens mais conhecidas da praça e da cidade. Não me canso de olhar para ela. De a fotografar de vários ângulos. Adoro fotografar os rostos e alguns pormenores das estátuas.


Ao final do dia sentámo-nos na esplanada da Pizzeria i'Lorenzaccio e pedimos para começar a nossa refeição uma sopa cheia de legumes e depois para cada um uma pizza. Pedimos de queijo com rúcula, de legumes grelhados com presunto, de queijo e pimentos. As pizzas souberam muito bem, mas em Itália haveríamos de comer muito melhor.


Depois do jantar, assistimos a um concerto de música na Piazza della Signoria inserido nas comemorações do 65º aniversário da libertação da cidade pelos Aliados, ao mesmo tempo que nos deliciávamos com um gelado, sob um céu estrelado e uma noite quente. Antes de sairmos de Florença demos mais um passeio e contemplámos o rio na Ponte Vecchio.


Florença é uma cidade mágica, expoente máximo do Renascimento, uma cidade que nos conquista e apaixona. É uma cidade que precisa de tempo para ser visitada. Tempo para ver e olhar cada pormenor, sentir a magia fascinante dos vários monumentos, obras de arte e das grandes personalidades históricas a ela associadas. A quantidade de turistas que invadiu a cidade no mês de Agosto não nos deu coragem para ficar à espera nas filas de tudo o que era interessante ver. Com grande pena nossa não visitámos a Galleria degli Uffizi. Por isso e por tudo o que nos faltou ver, Florença exige uma nova visita.


No dia seguinte Siena esperava por nós.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Era uma vez uma Casa Cor-de-rosa na Ilha do Farol

Quando cheguei a Santa Luzia, Tavira, de férias procurei conciliar aquilo que gostaria de fazer com as actividades que a restante família também queria, de maneira a que todos os dias tivéssemos uma actividade diferente e assim aproveitarmos o tempo o melhor possível. Uma das actividades que agendei foi a ida ao mercado de Olhão.

Em Abril quando participei no programa Paladares ao Sul, dinamizado pela Associação do Sotavento Algarvio, falhei a visita a este mercado e agora não quis perder a oportunidade. Na passada quinta-feira o programa era passar o dia na Ilha do Farol - como é usualmente conhecida uma das pontas da Ilha da Culatra onde fica o farol - mas antes de apanharmos o barco e seguirmos viagem ainda tive tempo de visitar o mercado que está dividido em dois edifícios. Um deles dedicado ao peixe fresco e o outro às frutas, legumes e carnes. Por mais mercados que visite continuo a deliciar-me com a qualidade dos produtos, a variedade e a apresentação. De férias faço as compras sempre nos mercados. O peixe é fresquíssimo, as frutas e legumes são saborosas e têm cheiro. Um pêssego cheira a pêssego, o tomate a tomate, etc.

A visita ao mercado foi muito rápida, mas ainda descobri o litão seco, um pequeno tubarão que costuma também ser servido na noite de consoada na zona de Olhão.

A viagem até à Ilha da Culatra demorou sensivelmente 45 minutos. O barco ia cheio de veraneantes carregados de chapéus de sol, sacos com toalhas de praia e lancheiras. Procurei um lugar onde pudesse contemplar as vistas e sentir os salpicos da água fresca do mar. Ao longo da viagem a paisagem é bonita. Descobri que há locais marcados pelos respectivos proprietários para a apanha da amêijoa. As canas e as bandeiras são disso sinal. Chegámos à Ilha do Farol antes das 10 horas da manhã e a nossa missão foi descobrir a Casa Cor-de-rosa, dos primos Téte e Gino. Ora é no final desta rua - diziam os meus sogros ... ora não é. Se calhar é na outra rua, acho que é mais junto à água, diziam o Ricardo e o Hugo - e assim andámos um bom bocado até encontrarmos a Casa Cor-de-rosa. Desde que conheci o Ricardo que ouvi falar da Ilha do Farol, das estórias de verão ali passadas com os primos Telma e André, mas esta foi a primeira vez que ali fui e estava cheia de curiosidade. A ideia que construí não correspondeu àquilo que vi. A zona residencial está bem arranjada e organizada. As casas são bonitas, algumas até parecem de brincar.

A manhã passámo-la na praia. E foi preenchida com muitas idas à água, banhos de sol e muita conversa, especialmente com as primas Telma e Téte sobre a Ilha, a Casa Cor-de-rosa que tem cerca de 45 anos e que sempre foi cor-de-rosa. Falámos também das dificuldades do dia-a-dia dos primeiros moradores, do modo como se abasteciam de víveres - durante muitos anos não houve luz eléctrica e só muito recentemente tiveram água canalizada. Condições duras para usufruírem de um pedacinho de paraíso.

Na Ilha do Farol a água é límpida e de vários tons de azul, azul transparente, azul intenso. Não há carros e à noite deve-se ouvir apenas o som das ondas e pouco mais. Silêncio.

À hora marcada, sentámo-nos para almoçar. Que privilégio almoçar com vista para a Ria! Começámos a nossa refeição com ovas de choco feitas na frigideira com azeite, alho e colorau. Uma verdadeira surpresa. Nunca tinha visto nem comido ovas de choco. Estavam macias e são completamente diferentes de outro tipo de ovas que já comi, como por exemplo de pescada ou até mesmo de sardinha.

De seguida veio para a mesa amêijoas à Bulhão Pato, umas amêijoas grandes, fresquíssimas (ainda nessa manhã as tinha visto vivinhas num alguidar com água) e saborosas. A simplicidade dos temperos só se consegue se a qualidade do produto for excelente. Estas amêijoas feitas com alho, azeite e coentros estavam divinais!

O prato principal foi uma magnífica feijoada de chocos feita pelo Gino e pela sua irmã Bélinha. Esta feijoada ainda soube melhor sabendo que foram eles que apanharam os chocos numa das suas muitas idas à pesca.

Para sobremesa foram servidas fatias frescas de melancia, comprada essa manhã no mercado de Olhão, encharcada de ovos e bolo.

Finalizámos a refeição com um vinho branco Quinta da Alorna 2007 de colheita tardia, bem fresquinho, que o Gino fez questão de nos dar a conhecer. Sugestão aprovada! ;)

À tarde demos um passeio até ao pontão da barra. Surpreendi-me mais uma vez com a quantidade de peixe que se consegue observar e acima de tudo com a transparência da água.

Pude também ver ao longe a Ilha da Barreta, mais conhecida por Ilha Deserta. Ao pôr-do-sol regressámos a Olhão com a sensação de um dia muito bem passado.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Feira da Serra em Tavira

O programa Paladares ao Sul dinamizado pela Associação do Sotavento Algarvio, incluiu uma ida às compras na cidade de Tavira. No Sábado, antes do almoço descobrimos a loja de produtos biológicos Beterraba, no mercado de Tavira, onde nos deslumbrámos com a variedade de produtos, desde legumes frescos, massas, chocolates, farinhas, lacticínios e até produtos de cosmética.

À tarde passámos pela loja gourmet e garrafeira Vital, na Praça da República, um espaço pequeno mas acolhedor, cheio de produtos portugueses como conservas, doces, vinhos, licores, azeites, entre muitos outros.


Atravessámos a ponte velha de Tavira, também conhecida como ponte romana, contemplámos o Gilão e fomos visitar a loja Ex-Libris Gourmet, na Rua 5 de Outubro. Um outro espaço de mercearia fina em Tavira, com doces regionais, vinhos, licores, sal, chás, compotas, conservas, chocolates e até ginjinha de Óbidos, servida em copo de chocolate.

Acabámos a tarde com uma visita à Feira da Serra, no Jardim do Coreto, junto ao antigo mercado, onde encontrámos artesanato, doces regionais, queijos, azeites, enchidos, compotas, ervas, chás, aguardentes de medronho, entre outros produtos tradicionais da Serra do Caldeirão e de outras zonas do país.

Deslumbrei-me com o expositor das especiarias. Tantas e tão variadas.


O pão com chouriço feito em forno de lenha. Apetecível. Que cheirinho bom. Após tirar a fotografia, a senhora que assistia o nosso padeiro disse em tom divertido: "Amanhã apareces no jornal!". A cestaria.

As compotas e os doces regionais (folar do Algarve, os morgadinhos de amêndoa, broas de alfarroba, os queijos de figo ...), tudo uma tentação.


Depois da prova de doces, reconheço que o doce de alfarroba me conquistou.


Regressámos de táxi ao hotel rural Quinta do Marco, onde estávamos alojadas. E não é que o senhor taxista não sabia ao caminho! Entre andar para cá e para lá ... entre contactar a central e um outro taxista que dizia que sabia o caminho, mas que afinal não sabia, o nosso humor subiu ao rubro. Em vez de desesperar começámos a rir e a brincar com a situação. Dentro de um táxi quatro moçoilas perdidas no interior algarvio, não deve ser história que aconteça todos os dias! No fim, até o taxista ria nervosamente com a situação. No entanto, não me lembrei de lhe pedir para voltarmos à estrada principal, a partir de onde eu sabia o caminho! Isto de ir no banco de trás e na galhofa com a Ameixinha, Mónica e Pipoka, é o que dá! :)