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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Cozinha de Ensaio em Bragança


Há desafios e grandes desafios. Há desafios que nos colocam à prova e nos levam a pensar, será que somos capazes? Foi isto que pensei, quando recebi o convite para participar no concurso Cozinha de Ensaio, durante a feira Norcaça, Norpesca & Norcastanha 2013, no passado fim-de-semana, na cidade de Bragança.

Uma coisa é cozinharmos, fotografarmos e escrevermos sobre o que fazemos, no conforto de casa, por detrás de um ecrã, com todo o tempo do mundo. Outra coisa é cozinhar em público, receitas que já testámos, que sabemos de cor, em que os riscos estão mais ou menos calculados. Outra coisa ainda é cozinhar de improviso, sem receitas pensadas ou testadas e ali no momento, com os ingredientes fornecidos, colocar os tachos ao lume e seguir em frente. É por este motivo, que a ida a Bragança, para mim, era um grande desafio.


Este concurso contou com a presença de outros bloggers, a Cristina Lebre do Olhapim, a Maria João do Clavel's Clock, a Naida Folgado do Frango do Campo, a Olívia Rocha do Alquimia dos Tachos, o Rodrigo Menezes do Foodie.pt, a Sandra Santos do Marmita e a Vera Ferraz do Hoje para jantar. Um grupo muito bem disposto, de quem trago boas memórias e de certeza, mais amigos. Ao longo do fim-de-semana fomos colocados perante quatro provas, três das quais com quarenta e cinco minutos de duração e a final, no domingo, com duração de uma hora.


A primeira prova consistiu em cozinhar alheira, azedo e tordos. Dos três ingredientes, a novidade, para mim, eram os tordos. Lembro-me que quando era miúda, a minha mãe chegou a fazer tordos fritos em azeite, louro, muito alho, uma malagueta e um pouco de colorau. Comidos com pão, eram um grande petisco. O azedo, tinha-o descoberto no evento do ano passado. Mas conhecer os ingredientes, não me deu grande descanso.

Nestes momentos, sente-se um peso grande que nos impele a cozinhar. Temos que cozinhar e pronto. O quê? Como? Em segundos passam-nos variadas opções e nenhuma nos parece a melhor. Mas, o que é certo, é que temos que cozinhar. Juntamos energias e vamos buscar o que sabemos, o que achamos que conseguimos fazer. Tinha que começar, ao meu lado, já via panelas a fumegar, gente a cozinhar. Por isso, comecei por temperar os tordos com sal e tomilho. De seguida cortei toucinho alto branco para uma frigideira e levei ao lume. Deixei frigir um pouco e adicionei azeite e dois dentes de alho esmagados com a camisa, de seguida juntei os tordos e deixei alourar. Entretanto, cortei alheira que desfiz juntamente com um pouco de tomilho. Recheei os tordos com a alheira e levei ao forno. Servi-os com pão frito. Para o azedo, fiz uma esmagada com batata cozida, azeite aquecido com três dentes de alho picados e barriga de porco cortada em pequenos cubos. Servi o azedo passado na frigideira com a esmagada e grelos cozidos.

Na segunda prova os ingredientes obrigatórios eram o coelho bravo, os cogumelos e as nabiças. Temperei uma perna de coelho com ervas, salva e tomilho, bem picadinhas, sal e pimenta. Coloquei toucinho branco numa frigideira, deixei frigir, de seguida juntei azeite, a perna de coelho, mais ervas, e deixei alourar. Reguei com vinho tinto e cozinhou mais um pouco. De seguida, coei o molho. Coloquei a perna de coelho num tabuleiro com o molho e levei ao forno. Entretanto fui preparando os cuscos em jeito de risotto. Refoguei cebola e alho picado. De seguida juntei bem picadinho algumas miudezas do coelho. Coloquei os cuscos e reguei com vinho branco. Temperei com sal e pimenta, e fui acrescentando água quente aos poucos e poucos. Uns minutos antes de retirar, juntei as nabiças e os cogumelos. Antes de servir juntei manteiga e mexi. Servi a perna de coelho com os cuscos.


À noite assisti ao showcooking do chef Vincent Farges, do restaurante do Hotel Fortaleza do Guincho, que nos brindou com vários pratos feitos com produtos da região, nomeadamente a castanha, a perdiz e a truta. É sempre um prazer ver este chef a cozinhar, para além do que se aprende.


No domingo de manhã, mais uma prova, desta vez tínhamos que cozinhar perdiz. Decidi estufar a perdiz. Fiz um refogado com cebola e alho. De seguida juntei um bouquet garni feito com alho-francês, salva, tomilho e alecrim. Acrescentei ainda uma cenoura e um talo de aipo. Juntei a perdiz, temperada com sal e pimenta, reguei com vinho branco e deixei estufar. Quando achei que a perdiz estava cozinhada, acrescentei castanhas e cogumelos. Entretanto, cortei uvas brancas e vermelhas ao meio e retirei-lhes as grainhas. Levei uma frigideira ao lume com manteiga. Assim que derreteu, juntei as uvas e uma colher de sopa de mel. Deixei caramelizar um pouco e retirei do lume. Juntei as uvas ao estufado de perdiz e servi.


No domingo à tarde foi a final destes dois dias de concurso, numa prova de equipas, onde tivemos que cozinhar uma refeição, com três pratos em que os ingredientes obrigatórios eram a castanha, a truta, o javali e o Queijo Terrincho. No final, a Cristina Lebre foi a vencedora desta iniciativa, uma cozinheira de mão cheia que nos surpreendeu a todos pelo seu empenho e dedicação.


As provas foram avaliadas por um júri, constituído pelo chef Luís Barradas, especialista em cozinha japonesa, pela Fátima Moura, autora de livros de gastronomia, entre eles, O Melhor Peixe do Mundo e do recentemente publicado Sabores do Ar e do Fogo. E pelo músico Miguel Gameiro, que também nos presenteou com algumas das suas músicas, cantadas ao vivo, como por exemplo, Dá-me um abraço.


Quando participamos em eventos que nos colocam à prova há sempre riscos, há sempre coisas que correm bem e outras, menos bem. O importante é aprendermos com estas experiências. Para mim esta Cozinha de Ensaio foi um desafio que nos colocou a todos à prova. Todos os participantes superaram os desafios, muitos deles a cozinhar pela primeira vez alguns dos excelentes ingredientes transmontanos, num clima de entreajuda, amizade e muito boa disposição. Por tudo isto, valeu a pena ir a Bragança, onde sou sempre bem recebida.