terça-feira, 21 de abril de 2015

Geleia de tangerina


As histórias à volta da comida e dos ingredientes despertam-me sempre a curiosidade. A receita que hoje vos trago é uma geleia de tangerina que confeccionei quando trouxe do quintal dos meus pais em Santarém uma caixa de tangerinas, lindas e perfumadas. Lembrei-me de partilhar as seguintes curiosidades: as origens dos nomes Tangerina, Mandarina e Clementina, citrinos que encontramos facilmente à venda.

Fortunato da Câmara, diz-nos no seu livro Alimentos ao Sabor da História o seguinte:

« Os Espanhóis levaram a laranja para o Novo Mundo. Enquanto a descoberta do caminho marítimo para a Índia, impulsionou de tal forma os portugueses para o comércio de laranjas que ainda hoje o fruto se chama "Portugal" em países como a Grécia, a Turquia ou a Roménia. É assim que surgem espécies como a Citrus reticulata, mais conhecida como mandarina e cuja pele se "despe" como se fosse uma peça de roupa. É que no séc. XVIII na região de Cochinchina, o missionário João de Loureiro classifica a mandarina como citrus nobilis. É provável que o botânico português tenha associado o fruto à cor  de laranja vibrante que ostentavam as vestes dos altos funcionários do Império chinês, os mandarins. (...) Mais tarde surge então a tangerina (...). Esta laranja aromática nasceu em Marrocos, fruto do "casamento" entre  uma mandarina e uma laranja azeda. A adstrigência deu-lhe um perfil mais  refrescante que a laranja. Por ser pequena consideravam-na "comida de bolso". Era levada do porto de Tânger para Espanha, o que deu origem ao nome tangerina. (....)
Em 1892 o monge Vital Rodier chega  à Argélia para dirigir o orfanato de Misserghin. Foi o religioso francês que abençoou esta nova "união" na família dos citrinos. O padre Clément, como era conhecido, casou uma mandarina com uma laranja doce. A experiência hostícola deu origem a uma variedade sem sementes e mais pequena que a "prima" tangerina, que foi baptizada de clementina em homenagem ao padre horticultor.» Pags. 156 e 157


E é com estas curiosidades, que vos deixo a receita de geleia de tangerina, que podem fazer também com mandarina ou clementina. Haja escolha!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Workshop Entradas e Petiscos II em Lisboa


No dia 9 de Maio, sábado, das 10h30 às 13h00 terá lugar o workshop Entradas e Petiscos II, cá em Lisboa, agora com novas receitas a pensar nos dias quentes que se avizinham. Iremos confeccionar mais de uma dezena de receitas práticas para petiscar ou para servir como entrada num dia de festa, desde mexilhão à espanhola, pastéis de cogumelos, rolinhos de massa filo, wraps, asinhas de frango picantes até pataniscas, entre muitas outras coisas boas e especiais para juntar a família e os amigos à mesa. No final, degustaremos todos os pratos realizados, num ambiente bem disposto e divertido.

O workshop vai ter lugar na ACPP - Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal, perto do Jardim da Estrela.

À tarde, das 14h30 às 17h00, terá lugar o workshop de Doces e Sobremesas. Quem se inscrever nos dois workshops terá 10% de desconto.

Conto com a vossa participação. Inscrevam-se!

Inscrições e mais informações:
formacao@acpp.pt   21 362 2705   ACPP


Que temas gostavam que eu abordasse nos meus próximos workshops? Deixem as vossas sugestões no formulário. Obrigada.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Pão caseiro de trigo e centeio


Fazer pão exige mais do que trabalho, tempo. Não se pode pensar em fazer pão como se faz um bolo ou uma refeição. Não é algo que se prepara e já está. E o tempo, no caso do pão, está associado ao sabor.

Há uns tempos atrás decidi fazer uma broa de centeio da revista Comer. Mas para essa broa era necessário fazer um isco, que se preparava da forma abaixo indicada. Com o isco preparado comecei a ter curiosidade em usá-lo nos meus pães. Um dos que fiz recentemente foi este de trigo e centeio que hoje vos trago.

A massa-mãe, feita com o isco, dá ao pão um sabor ligeiramente azedo, a lembrar o pão alentejano. Para além do sabor, permite que se use menos fermento o que nos ajuda na sua digestão. Um pão feito com isco aguenta-se muito mais tempo sem ganhar bolor comparativamente a outro que leve só fermento.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Beringelas assadas com cebola caramelizada e queijo feta


Existem várias espécies de beringelas com tamanhos, formas e cores diferentes. Por cá encontramos facilmente à venda as roxo escuro. Nos últimos tempos, nos supermercados, têm aparecido as brancas mosqueadas de roxo, que acho muito bonitas. No mercado já vi à venda brancas. Mas as menos comuns que me lembro de ter visto foi nos mercados por onde passei, tanto em Boston como em Nova Iorque. Eram grandes, mais finas do que as de forma oblonga que encontramos por cá, e em tons de violeta.

A beringela é ingrediente de vários pratos conhecidos. Os franceses não a dispensam no seu ratatouille de legumes, os gregos preparam a conhecida moussaka, na Turquia e alguns países do médio oriente encontramos a deliciosa baba ghanoush. É também muito utilizada na Índia.

A minha relação com a beringela nem sempre foi de amor. Confesso que ainda hoje a olho com algumas hesitações apesar de cada vez, e receita a receita, me ir conquistando. Este meu namoro com a beringela começou fora de casa. Sempre que ia a um restaurante e vinham pratos de beringela para a mesa, eu gostava. E assim, pouco a pouco, fui-me rendendo aos encantos desta maçã de Sodoma, como era inicialmente conhecida. Por isso, hoje, trago-vos uma receita em que o ingrediente principal é a beringela, que bem assada combina muito bem com o doce caramelizado da cebola.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Salada de favas com arroz integral e queijo


Visitar os meus pais é sempre uma alegria. Entre muitos beijinhos de saudades e abraços que revelam o quanto gostamos uns dos outros, adoro conversar, sem fim, com eles. Procuro saber as novidades. O que têm feito, como vão os vizinhos, a família, como tem reagido o nosso cão mais velho - Neco ou melhor, Nequinho - à chegada do filho, um cachorro lindo, todo branco, gordinho, que faz as delícias da família. Nem imaginam, os ciúmes e o amuo com a chegada deste novo elemento que começa a ocupar os mesmo espaços que eram só dele e a receber muita atenção. Tão engraçado!

Sempre que os visito, gosto de andar com a minha mãe pelo quintal, nas traseiras da casa. Gosto de espreitar as galinhas. Nem imaginam o prazer que é segurar um ovo, morno, acabado de ser posto. Há como que uma alegria infantil de descoberta e prazer que não conseguimos conter assim que o seguramos nas nossas mãos. Gosto de ver o cantinho onde crescem as ervas aromáticas, salsa, coentros, hortelã, erva-cidreira e alecrim. Eu já tentei que cultivassem tomilho, sálvia, manjericão, cebolinho, mas como não usam, acaba por ser mais difícil que eu consiga que tratem destas ervas. E eu peço com muito cuidado!

Em cada visita há quase sempre um ritual. Sair da casa principal, passar pelas hortas e ir até ao laranjal. Quando está em flor, o cheiro fresco, adocicado, a citrinos é tão intenso e delicioso, que não somos capazes de ficar indiferentes. Nós e as abelhas que correm de um lado para o outro para aproveitarem o pólen doce que até se sente no ar.

E depois há a horta. Há legumes que os meus pais procuram ter como couves, galega e por vezes de fechar, cebolas, batatas, alhos, feijão verde, tomate, abóboras, curgetes, pimentos, alfaces e nesta altura do ano têm sempre uma boa sementeira de favas. E o que eu adoro favas! Guisadas com entrecosto, em sopas e saladas, são uma delícia. Este é daqueles legumes que raramente compro congelado. Acho que têm muito mais sabor nesta altura do ano. Adoro a época das favas. Na minha última ida a Santarém trouxe do quintal dos meus pais um grande saco de favas, uma das receitas que usei para as aproveitar foi a salada que hoje vos trago.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Hambúrguer de vaca com ovo a cavalo


Os hábitos que os nossos pais têm em casa são as nossas primeiras referências e influenciam-nos sem qualquer sombra de dúvida. Não quer dizer que não se aprenda, não se mudem ideias e práticas, mas de qualquer forma estão sempre presentes na nossa maneira de estar, de viver e de comer. Em casa dos meus pais nunca me lembro de comer carne picada. A carne chegava à mesa sempre com alguma forma, possibilitando perceber de que lado do animal vinha, por exemplo costeletas do lombo ou costeletas do cachaço, pá de porco ou perna, etc. Mas a pouco e pouco e com alguma insistência por parte do Ricardo, a carne picada vai tendo lugar em mais pratos cá em casa. Gosto de carne picada, mas não sei se foi por ter crescido sem a ver à mesa, que me esqueço muitas vezes que a posso usar. Reconheço que é muito prática e versátil, e que se podem preparar pratos deliciosos.

No fim-de-semana passado, para um almoço mais apressado preparei uns hambúrgueres de vaca para o nosso almoço. Deveriam ter visto a cara de contente do Ricardo.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Entrecosto estufado com cerveja


Desde que comecei o Cinco Quartos de Laranja que tenho procurado aprender mais sobre comida e sobre como cozinhar. Como em qualquer área há tanto para aprender que sinto sempre que ainda sei muito pouco. Sempre que posso, procuro frequentar cursos de cozinha, participar em workshops temáticos, ver apresentações de chefs, ler artigos e livros da especialidade. A minha biblioteca gastronómica aumenta em média dois livros por mês. Houve uma altura em que escolhia muitos livros de receitas, mas agora tenho procurado preenchê-la também com obras dedicadas à história da alimentação, tema que adoro. Isto sem esquecer os romances em que a comida é um dos ingredientes principais.

Por mais que se aprenda, que se veja, que se experimente há alturas em que procuramos o conforto da comida de casa, que nos lembra as nossas origens. Sabe tão bem! Deixo-vos, hoje, uma receita com sabor à cozinha das nossas mães. Espero que gostem.