Próximos Workshops
Lisboa 2 de Abril de 2017
Domingo:
10h00 - 13h00      Doces e Folares de Páscoa
Inscrições: escola@istofaz-se.pt   218 078 640 IstoFaz-se

sexta-feira, 24 de março de 2017

Vamos fazer pão: Pão de Deus


Só conheci o que era pão de Deus quando vim estudar para Lisboa. Lembro-me que entrei num café, e pedi uma arrufada e como estavam mesmo à minha frente, apontei para a montra. Fui logo corrigida, pão de Deus foi o nome que ouvi. Durante uns anos ainda andei baralhada. Se em zonas diferentes do país o mesmo bolo teria nomes diferentes. Mas não. O pão de Deus leva uma cobertura de coco ralado, enquanto que a arrufada, característico da zona de Coimbra, tem no topo açúcar. Mesma massa, coberturas diferentes, logo bolos com nomes diferentes. O meu preferido é o que leva uma cobertura de coco. Adoro! O coco dá-lhe um toque tão especial.

O pão de Deus resulta bem para começar o dia, para um lanche, ou para fazer com os miúdos em dia de festa. É sempre uma alegria! Na rubrica Vamos Fazer Pão, hoje, vamos preparar pão de Deus. Gostam?

quinta-feira, 23 de março de 2017

Caril de borrego com grão-de-bico


Não me lembro da primeira vez que comi um prato com caril. Por isso, posso dizer que gosto de caril desde sempre. Gosto do perfume, gosto do sabor misterioso das especiarias que nos fazem viajar para outras zonas do mundo, gosto do toque picante que fica no final de boca. Para mim, a personalidade do caril reside no perfume das especiarias e na subtileza do picante. Tem que ter um toque suave mas picante, sem ser um fogo a arder na boca.

O caril é um ingrediente que associo sempre à Índia, apesar de ser usado em outras cozinhas. A comida tem esta capacidade maravilhosa, transporta-nos através do paladar por outros países e culturas. A receita de hoje é um tentador caril de borrego com grão-de-bico que fica mesmo muito bom! Espero que seja uma receita que vos ajude a viajar.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Pizzaria ZeroZero em Lisboa


Num sábado do início do mês de Fevereiro, o Ricardo e eu fomos almoçar à Pizzaria ZeroZero. Assim que recebi o convite para este almoço, ao ler o nome da pizzaria, lembrei-me logo da farinha 00. Esta farinha é sinónimo de pizza. É uma farinha que descobri em Itália e que é usada para a confeccão da massa da piza. Tem uma grande capacidade de absorção de água. É uma farinha de força, que pelas suas características faz uma massa com grande elasticidade. Um nome fantástico para uma pizzaria!

Confesso que sempre que entro numa pizzaria faço uma pequena viagem até Itália, país que tanto adoro, não só pelos aspectos culturais, como também pela comida! Assim que entrei na pizzaria ZeroZero deparei-me com um espaço de mercearia/charcutaria, onde se podem comprar vários dos bons produtos italianos, como queijos e enchidos, e uma zona de bar, perfeita para os apreciados de Proseeco.


Na sala, escolhemos sentarmo-nos numa das mesas mesmo em frente ao forno de lenha, onde se cozem as pizzas, e simultaneamente, com vista para um pátio interior, cheio de mesas que em dias bonitos de sol, devem encher-se de comensais. A decoração do espaço é elegante, a fazer lembrar cidades cosmopolitas, com candeeiros de cobre e paredes acinzentadas, que à primeira vista nos parecem rebocadas a cimento. Numa das paredes da sala, vemos disposta a madeira de azinho que alimenta o forno.

Para entrada escolhemos uma salada caprese, que é sempre, para mim, uma boa opção. A simplicidade deste prato conquista-nos pela frescura e pelo sabor bom do queijo com o tomate misturado com o azeite de manjericão.


Pedimos também panzanela. A ideia que tenho deste prato italiano é de uma salada de tomate com pedaços de pão, que aqui foi elegantemente empratada. O pão foi esmagado na panela com tomate e azeite, quase como a nossa açorda, e foi servida com pepino, pimento e queijo de cabra. O queijo cabra faz aqui toda a diferença.


E para prato principal escolhemos duas pizzas, que dividimos. Uma com presunto e cogumelos, que se revelou uma deliciosa surpresa. Massa fina, saborosa. Comeu-se tão bem! Percebi que na ZeroZero fazem a massa com um pré-fermento, o poolish, de que vos já falei aqui, e com uma fermentação longa. E este método, indirecto, faz toda a diferença em termos de sabor final da massa.


Tartufi e porcini, foi a outra pizza escolhida. Com mozzarella fresca, cogumelos porcini e queijo asiago. Uma pizza de sabores com personalidade, a destacar-se os aromas perfumados da trufa, mas em que a apresentação não conquista. É uma pizza óptima para dividir, pois tem uma mistura de sabores que cansam mais facilmente o paladar, na minha opinião. Mas na carta da pizzaria tem-se muito por onde se escolher, desde as pizzas mais tradicionais como a margherita, a marinara e a diavola, até outras combinações de sabores mais especiais. Em todas elas se destacam os excelentes produtos italianos.


Terminános a refeição com um mil-folhas de caramelo salgado que estava simplesmente divino. A massa folhada estaladiça, desfazia-se na boca. Que pecado doce tão bom!


Agora que a Primavera chegou, que os dias estão mais bonitos, tenho que voltar à pizzaria ZeroZero e desfrutar do pátio que me fez sonhar. Se quiserem fazer como eu, cheguem cedo, a casa não aceita reservas e rapidamente enche.

terça-feira, 21 de março de 2017

Waffles de banana com canela


Os domingos de manhã, cá em casa, são sempre motivo de alegria acrescida. Temos, por tradição e quando podemos, um pequeno-almoço diferente dos que fazemos durante a semana. Temos sempre o hábito de tomar o pequeno-almoço. Nunca saímos de casa de manhã sem comer, haja muita ou pouca pressa. Aos domingos, os pequenos-almoços são sempre mais especiais. Faço, muitas vezes sumo de laranja natural, coloco queijos na mesa, frutas frescas, iogurte, pão, chá, café, biscoitos e uma vez por outra, temos direito a waffles. Adoro! E vocês?

segunda-feira, 20 de março de 2017

Fevereiro, as coisas boas ...


A felicidade aparece nas nossas vidas de tantas formas, mas nem sempre todas elas muito evidentes. Para a vermos, para a sentirmos, precisamos de estar atentos, despertos para a receber. Desde que me lembro que procuro ser feliz. E a razão da minha felicidade reside no sabor das coisas simples. Procuro a cada dia que passa ou que chega, valorizar tudo de bom que tenho e que recebo.

Vivo com entusiasmo a escolha das flores que alegram as jarras da sala ou da cozinha. Todas as semanas procuro comprar flores frescas, novas, que me ajudam a sentir mais energia. As flores transmitem-nos uma tranquilidade tão especial. Em Fevereiro comprei gerbérias, rosas, malmequeres e cravos para alegrar os meus dias.


Em Fevereiro procurei fazer coisas que me ajudam a ser um bocadinho mais feliz. Gosto de olhar para o céu. Simplesmente, olhar. De ver as formas e as cores das nuvens. De perceber os diferentes tons de azul que o céu nos oferece. E se os dias são cinzentos e chuvosos, procuro também perceber a beleza de um céu zangado, bravo.

Num dos sábados de manhã, de Fevereiro, passei pelo mercado biológico do Príncipe Real. Adoro visitar este mercado. Encontro sempre produtos diferentes. Desta vez trouxe mizuna, beterrabas brancas com veios avermelhados - que comemos cruas, cortadas em fatias finas, numa deliciosa salada - raiz de curcuma, topinambos - que usei numa deliciosa sopa com couve-flor e alho-francês. A ver, se um destes dias, volto a fazer e partilho convosco. Fica mesmo muito boa!

Uma das coisas que me ajuda a ser feliz é a leitura. Acho que ando sempre a ler um ou mais livros. Todos os meses escolho um romance para ler. Em Fevereiro escolhi a obra A Improbabilidade do Amor, uma história feliz com muitas peripécias à volta de um quadro. Lê-se muito bem. Li também A Revolução SmartFood, um livro que nos chama a atenção para o modo como nos alimentamos e destaca alguns alimentos com características muito benéficas para a nossa saúde. Tive também ainda tempo para ler O Diabo na Cozinha de Marco Pierre White. Um livro fantástico sobre a ascensão deste grande chef, que inspirou e formou muitos dos actuais chefs estrela de Inglaterra, incluindo Gordon Ramsay. Uma obra biográfica que nos mostra como se vive e trabalha nas cozinhas profissionais. Muito bem escrito, com sentido de humor, mesmo nas situações mais dramáticas. Um livro que recomendo a quem procura saber mais sobre grandes chefs e sobre o modo como se chega ao mundo das estrelas Michelin.

Fevereiro é um mês muito especial. Foi num dia feliz de Fevereiro, em 2006, que decidi criar um blogue de comida e viagens a que dei o nome de Cinco Quartos de Laranja. Fez, este ano, 11 anos! Que idade tão bonita. Quase a entrar na adolescência! :)

Usei pela primeira vez arandos. Fiz um fantástico bolo de arandos e laranja que fez as delícias cá de casa e de quem teve a oportunidade de o provar. Experimentei também, pela primeira vez, a couve kale. Em chips fica tão boa!

Estive na festa de apresentação do Festival do Butelo e das Casulas, num jantar maravilhoso realizado no restaurante Nobre pela chef Justa Nobre, um dos grandes nomes femininos da cozinha portuguesa da actualidade. Fui conhecer as tendências de sabor da Margão num jantar memorável confeccionado pelo chef ribatejano, Rodrigo Castelo n'Apartamento. Este jantar foi uma viagem de sabores incrível.


Em Fevereiro passei pelo mercado do chocolate que teve lugar a praça de touros do Campo Pequeno. Quase todos os anos visito este certame. Tive a oportunidade de conhecer algumas marcas portuguesas e de provar os chocolates do Peru, entre outras deliciosas experiências, que começaram logo no cocktail de apresentação do evento.


Em Fevereiro fiz pão. Pão bom. Com pré-fermentos, que amassei com a força das minhas mãos e que partilhei com a minha família. Nem imaginam como se sinto feliz quando para um encontro ou almoço da família me pedem para levar um pão! Quem já começou a fazer pão em casa? Foi em Fevereiro que fiz o meu primeiro workshop de pão.


Aos domingos, cá em casa, é dia de pequeno-almoço melhorado. É uma forma de nos mimarmos, de podermos desfrutar de uma manhã com calma. De podermos quebrar a rotina da azáfama do dia-a-dia sempre com a agenda preenchida. É um momento para rirmos. Para falarmos das coisas boas da vida.

Em Fevereiro procurei a felicidade nos sorrisos dos outros. Nos dias bonitos de sol e de céu azul, nas tardes passadas em frente à lareira. Nos passeios pelo campo, entre as folhas caídas das árvores e o latir da Patanisca. Num cartucho de castanhas assadas quentinhas, comprado na baixa. Numa caminhada ao final do dia, de mão dada. E como diz Carlos Drummond de Andrade, « Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade ».

Que Março nos traga muitos sorrisos e dias felizes!

Workshop Doces e Folares de Páscoa em Lisboa


No próximo dia 2 de Abril de 2017 vamos ter um workshop de Doces e Folares de Páscoa, na escola de cake design IstoFaz-se, em Lisboa, das 10h às 13h. Este é um workshop único onde terão a oportunidade de trabalhar massas lêvedas doces e aprender algumas receitas tradicionais para colocar na mesa de Páscoa. Vai ser uma manhã muito especial onde iremos confeccionar:

- O folar tradicional com o ovo cozido, um folar de rosas, lindo, com doce de gila e amêndoa;
- Um pão doce entrançado com recheio de doce e fios de ovos;
- Iremos preparar também uma boleima de maçã com nozes que é maravilhosa;
- Um bolo ninho com cobertura de chocolate e decorado com fios de ovos e amêndoas de chocolate;
- E como não poderia deixar de ser, iremos fazer também um pão-de-ló, fofo, tipo de Margaride.

Vamos ter uma mesa de Páscoa doce e muito bem composta! Quem me faz companhia?

EUR 40 Inscrições e mais informações:
escola@istofaz-se.pt   218 078 640   IstoFaz-se
( Realização do workshop sujeito a nº mínimo de participantes )

sexta-feira, 17 de março de 2017

Vamos fazer pão: Pão branco


Há diferentes maneiras de fazermos bom pão. Desde que comecei a rubrica Vamos Fazer Pão que procuro, às sextas-feiras, dar-vos a conhecer um pouco mais do maravilhoso mundo do pão.

O método que hoje vos quero apresentar é a autólise. Este método foi desenvolvido pelo professor Raymond Clavel, químico de formação, mas um verdadeiro conhecedor da arte de fazer pão. O modo como aprendi a fazer pão e como vi sempre a minha mãe a fazer, é, misturar todos os ingredientes, farinha, fermento, água e sal. E de seguida, amassar. Mas o professor Ryamond mostrou que se misturarmos primeiro a farinha com a água e a deixarmos descansar pelo menos durante 20 a 30 minutos, conseguimos obter melhores resultados, ao nível do sabor e da textura.

A autólise serve para relaxar o glúten e encurtar o tempo de amassar, conserva melhor os nutrientes das farinhas pois evita a oxidação resultante de amassadura. A massa fica com uma elasticidade fantástica, o que a torna facilmente moldável. Depois de deixarmos descansar a massa, é que juntamos os restantes ingredientes do nosso pão. Este método pode ser usado em qualquer receita de pão. É tão fácil, não é?