quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Manteiga de alho preto


Quem visita o Cinco Quartos de Laranja sabe como gosto de descobrir e experimentar ingredientes menos comuns na nossa cozinha. Desde há algum tempo que vos gostava de falar sobre o alho preto, muito usado na cozinha asiática, principalmente na coreana.

Provei pela primeira vez este alho, com um sabor adocicado, macio e com um toque ligeiramente ácido, a fazer lembrar a doçura e acidez do vinagre balsâmico, numa apresentação de produtos japoneses e fiquei logo com vontade do o usar cá em casa.

O alho preto resulta de um processo de "fermentação" natural, em que o alho é mantido a uma determinada temperatura e humidade, durante várias semanas. O alho preto tem um cheiro e sabor muito diferentes do alho cru. Existem várias receitas com este ingrediente, incluindo gelados. Mas eu, comecei por usar o alho preto numa manteiga.

Manteiga de Alho Preto

Ingredientes:
1 cabeça de alho preto
150 g de manteiga sem sal
Sal e pimenta-preta q.b.
Flor de sal para servir


1. Descascar os dentes de alho.

2. Colocar os alhos descascados e a manteiga num copo. Temperar com sal e pimenta-preta a gosto.

3. Triturar a mistura com a varinha mágica.

4. Servir a manteiga polvilhada com um pouco de flor de sal.


quem faça este alho em casa. Por cá, já alguém se aventurou?

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Bolachas de chocolate


Os últimos dias têm sido agitados. Por um lado, fechar todas as tarefas que tenho pendentes associadas ao final do ano lectivo, por outro, as actividades e compromissos que vou assumindo através do Cinco Quartos de Laranja. Este mês de Julho levou-me duas vezes ao Porto, uma para um workshop de Doces de Chocolate e outra para uma tarde a cozinhar no Porto Wine Fest. Voltar ao Porto, é sempre muito gratificante para mim. Este mês concretizei um dos meus desejos que era visitar Paris. Finalmente, pisei a Cidade das Luzes.


Julho trouxe-me também a publicação do meu segundo livro, Delicioso Piquenique, sobre o qual foi realizado um anúncio de televisão que passou em todos os canais da RTP e que me deixou muito contente. Quando se vê o resultado de vários meses de trabalho ganhar forma, é assim uma satisfação enorme. Espero que gostem do Delicioso Piquenique.


E Julho traz-me também as férias! E para quem como eu, entra hoje de férias ou que já está em plena fase de descanso, deixo-vos estas bolachas de chocolate que preparei para o workshop de Doces de Chocolate que realizei no Porto.

Ingredientes:
200 g de farinha sem fermento
130 g de manteiga sem sal fria
1 ovo médio
100 g de açúcar
70 g de chocolate em pó
1 pitada de sal
1 colher de café de canela em pó
1 colher de sopa de extracto de baunilha


1. Trabalhar a manteiga com o açúcar e o sal.

2. Adicionar a farinha, o chocolate, o ovo , a canela e o extracto de baunilha. Mexer.

3. Envolver a massa em película aderente e levar ao frigorífico durante pelo menos 1h.

4. Estender a massa com um rolo em cima de uma superfície polvilhada com farinha.

5. Colocar as bolachas num tabuleiro de forno forrado com papel vegetal.

6. Levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 15 minutos.


A massa para estender e moldar as bolachas deve estar bem fria. Há alturas, para acelerar o processo, coloco-a um pouco no congelador. Nota-se a diferença nas bolachas quando são feitas com a massa bem fria e quando não são. Caso façam estas bolachas agora em férias, aconselho a rechearem-nas com gelado. Pura tentação!

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

O que me inspira nas cidades de Lisboa e Porto


A American Express desafiou-me a divulgar os locais que me inspiram em termos gastronómicos, nas cidades de Lisboa e Porto. Locais que tenham cheiros e sabores a comida. Locais onde eu goste de parar, olhar e que associe por algum motivo a coisas boas e saborosas.

Nos últimos tempos tenho ido com alguma frequência à cidade do Porto. E é tão fácil apaixonarmos por esta cidade tão cheia de locais inspiradores. Sempre que volto à Invicta gosto de conhecer novos espaços que me permitam descobrir mais da gastronomia local. Alguns dos sítios que me inspiram nesta cidade são:

- A vista da ponte D. Luís, acesso pedonal, para o Douro. Os barcos que partem e chegam, a azáfama das pessoas a passear no cais da Ribeira, levam-me a pensar em juntar os amigos e muitos petiscos típicos do Porto à mesa, como as famosas sandes de pernil com Queijo da Serra, as bifanas cortadas com molho picante e no final um cálice de vinho do Porto branco fresco, sabe mesmo bem!

- A rua Formosa com as suas mercearias antigas, os cheiros quentes dos enchidos, dos queijos, dos presuntos pendurados junto às montras, das frutas maduras. O pão fresco, as conservas e os vinhos inspiram-me a uma refeição de petiscos, uma mesa cheia de amigos e muitas gargalhadas felizes.

- A rua Heróis de França, em Matosinhos. Conseguem imaginar uma rua cheia de restaurantes, cada qual com uma esplanada e o seu respectivo assador a carvão? Terão que vir conhecer esta rua perto da lota de Matosinhos. O cheiro dos pimentos verdes, das salsichas, dos bifes, do bacalhau ou do peixe fresco quase acabado de pescar a cederem aos encantos das brasas, fazem desta rua um local de cheiros apetecíveis. Uma rua que inspira a sentar e a saborear uma refeição em que os grelhados são reis.


Nasci no Ribatejo, mas Lisboa tornou-se a minha cidade. A cidade que escolhi para viver. Lisboa tem tanto para descobrir. Alguns dos locais que me inspiram são:

- As ruas estreitas de Alfama às quais associo sempre ao cheiro das sardinhas assadas servidas com fatias de pão fresco ou saboreadas ao ar livre numa das muitas esplanadas dos vários restaurantes com que nos cruzamos a cada passo dado, num dia quente de Verão. É uma das experiências que quem passa por Lisboa deve procurar ter. As tabernas ou tascas, inspiram a uma paragem para uma cerveja e um pires com tremoços. Ao cair da noite, o Fado invade as ruas.

- O mercado biológico do Príncipe Real repleto de ervas aromáticas, os legumes diferentes que ali se encontram inspiram-me a cozinhar e a experimentar coisas novas, compradas directamente a quem produz. Foi aqui que descobri a mizuna.

- A vista para o Tejo da Ribeira das Naus, um local para descontrair. Ler um livro. Apanhar sol na relva. Comer uma sandes. Beber uma limonada. Ouvir o som da água a correr. Há dias em que quase se sente o cheiro da canela, da noz-moscada, do gengibre que as naus dos nossos descobridores traziam do regresso das Índias. Aromas que se misturam com o cheiro a marisco, amêijoas, ostras, que o Tejo nos faz chegar. Lisboa aqui, sabe ainda melhor.

- O parque da Bela-Vista de onde gosto de ver chegar e partir os aviões ao pôr-do-sol. O silêncio, o verde, inspira-me a piqueniques com a família. Estender a toalha numa das muitas mesas que ali se encontram à sombra dos pinheiros. E para partilhar, frango assado de churrasco, pataniscas, pastéis de bacalhau e muitas coisas boas que sabem ainda melhor quando apreciadas ao ar livre.

- A Feira do Relógio com uma zona de comida onde nos permite encontrar muitos produtos portugueses, desde pão de várias regiões, frutas e legumes, alguns oriundos da zona Oeste, até ovos, vinhos, caracóis, queijos e enchidos. Mas o que me inspira é a possibilidade de poder também comprar produtos típicos das cozinhas de alguns países africanos e asiáticos tudo no mesmo espaço. Esta diversidadee reflecte-se na variedade étnica das pessoas que normalmente frequentam esta feira. Uma visita obrigatória aos domingos de manhã.


Este desafio foi também aceite por outros bloggers de diferentes áreas, nomeadamente, a Ana Sofia Martins do Universo da Ana Sofia, o Bruno Claro do Correr Lisboa, a Maria Guedes do Stylista e a Sancha Trindade do A Cidade na Ponta dos Dedos.