quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Cuscuz de couve-flor com queijo feta e amêndoa


Cá em casa, procuramos fazer uma alimentação variada mas em que os legumes são, muitas vezes, a base para vários pratos ou acompanhamentos. Hoje em dia, fala-se muito em alimentação, alimentação saudável, super alimentos, mas para mim, a base de uma alimentação equilibrada está no consumo de legumes. Muitos de preferência!

A comida é sempre uma questão de sabor e é fundamental que nos saiba bem. Por vezes, temos que aprender a confeccionar os legumes de forma diferente do que estamos habituados. Cá em casa, gostamos muito de couve-flor. Se for cozida, resulta bem para acompanhar uma carne com o respectivo molho ou um caril de peixe, por exemplo. Mas a verdade, é que nos cansamos em termos de sabor da couve-flor quando é só cozida em água e sal. Por isso usamo-la, muitas vezes, assada no forno com azeite, alho, açafrão da Índia e por vezes sementes de cominhos. Come-se até sem vontade. Fica muito saborosa!

Quando se tenta fazer uma alimentação com muitos legumes acabamos por procurar maneiras diferentes de os cozinhar. A minha máxima, em termos de alimentação saudável, é variar. Não comermos sempre a mesma coisa e nem da mesma maneira. É importante abrirmos o nosso palato a novas aventuras em termos de sabor e textura. Aprende-se a gostar. O palato educa-se desde que nascemos. A couve-flor é um legume muito versátil e trago-vos, hoje, uma receita em que ela faz toda a diferença no prato.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Arroz de lulas


Cá em casa procuramos todos os dias ter uma alimentação variada e equilibrada, Iniciamos, normalmente, as refeições com sopa. Faço a maior parte das minhas sopas sem batata. Uso chuchu, curgete ou cabeça de nabo, em substituição. Procuramos fazer refeições, alternadamente, com pratos de carne e de peixe. Habitualmente, é, à sexta-feira que tentamos acabar com todas as sobras que existam no frigorífico. Nestes momentos, faz-se quase sempre uma grande salada como acompanhamento. Em todas as refeições procuro incluir vegetais e legumes, principalmente da época.

Nesta altura do ano, chega-me imenso tomate da horta que temos em Santarém. Gosto de o usar em sopas, saladas, em pão, nos doces e compotas. Mas um destes dias para o almoço resolvi fazer um prato de que já tinha saudades, arroz de lulas, malandrinho, com muito tomate.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ideias para decorar frascos de doce


O Verão traz a abundância de frutas. No quintal, em Santarém, temos várias árvores que alimentam as fruteiras cá de casa, nesta altura do ano. O facto de termos um quintal com uma horta, onde produzimos frutas e legumes, é algo que me deixa muita grata. As frutas do quintal apanhadas por nós têm logo outro sabor! Costumo trazer ameixas, pêssegos, figos, uvas, abrunhos, melão, meloas, melancia e marmelos.

Talvez porque seja algo que me deixou boas recordações de infância, a verdade é que nesta altura do ano procuro fazer sempre doces de fruta para guardar e depois ir oferecendo aos amigos e à família.

Ao longo do ano vou guardando frascos de vidro. Lavo-os e retiro-lhes os rótulos. Quando a cola dos rótulos teima em não sair, depois das lavagens, ensopo um disco de maquilhagem em benzina e passo na zona com a cola. Sai logo! Gosto de guardar frascos de diferentes tamanhos e formas. Hoje em dia, encontram-se frascos de vidro facilmente à venda. Mas o facto de guardar os frascos de produtos que vamos consumindo é uma maneira de reciclar e de poupar. Era assim que fazíamos em casa da minha mãe e acho que gosto de fazer o mesmo.


Ao guardar frascos, de isto e daquilo, deparo-me com tampas diferentes, muitas têm a indicação do produto que usei. Ao oferecer, não gosto de dar um frasco com uma marca ou com a indicação do nome do produto original. A solução que encontrei é simples, forro as tampas dos frascos. Podemos forrá-las usando papel - gosto de usar papel pardo - ou tecido. Pode-se também usar papel autocolante.

O processo é simples, envolve cortar o papel ou o tecido com tamanho suficiente para forrar a tampa. E depois colar. Podem fazer um círculo no papel com a medida da tampa usando um compasso e depois com a tesoura recortar. Para obterem a medida, com uma régua tiram o diâmetro da tampa e depois juntam os centímetros referentes à altura. Um frasco com a tampa forrada, fica logo diferente.


Ao oferecer um doce ou compota, gosto que o frasco fique bonito. A notar-se que foi feito em casa mas com amor e muito carinho. Gosto de decorar os frascos com tampas. As tampas podem ser de tecido. Ou melhor, sobras de tecidos coloridos. Uso normalmente tecidos ao xadrez ou às bolinhas. Encontram-se facilmente à venda em lojas de tecidos, às vezes compro pedaços com medidas irregulares que já não têm saída e estão em saldo. Corto o tecido. Coloco em cima da tampa e prendo-o com um elástico. Depois uso ráfia ou outro tipo de material para atar e fazer um laço. As decorações podem ser alusivas à época. Por exemplo, no Natal, uso fitas mais coloridas e tecidos com motivos da quadra. Na Páscoa ou para o Dia da Mãe, uso tecidos e fitas alegres, com cores vivas.


Para além dos tecidos, gosto de usar papel para decorar as tampas dos frascos de doce. O processo é também muito simples. Recortam-se discos de papel com tamanho suficiente para tapar as tampas. Não se preocupem se os discos não ficarem bem recortados! No final, quando se coloca nos frascos até é giro não ficar tudo muito certinho.

Podem decorar o papel usando carimbos, com motivos ou dizeres. Eu gosto de usar os que podem ver na imagem em cima. Com um cordel colorido atam o papel ao frasco, ajuda para esta tarefa prenderem o papel previamente com um elástico, principalmente se fizerem esta operação sozinhos. Podem escrever na tampa o nome do doce ou então colocarem etiquetas com a designação e a data de confeccção.

Uso normalmente dois tipos de etiquetas que compro já feitas e onde é só escrever o que pretendemos. As que uso são para colocar penduradas no frasco, como podem ver nas fotografias. Há etiquetas que também se podem colar nos frascos. Mas gosto assim, de modo a que se veja também o doce, principalmente quando os frascos são mais pequenos.

Também costumam aproveitar a fruta da estação para fazerem doces e compotas? E como decoram os vossos frascos?

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Vamos fazer pão: Como fazer massa-mãe


Quando se faz pão, há processos que fazem toda a diferença no resultado final. Um dos processos mais importantes, no fabrico de pão, é a fermentação. Ela ocorre quando alguns dos açúcares presentes na farinha são convertidos em álcool e gás - dióxido de carbono. Outros aspectos importantes, envolvem o amassar, os tempos de descanso, o enrolar o pão e a cozedura no forno. Para fazermos pão, precisamos de tempo. Ou melhor, precisamos de dar tempo às massas para que a magia aconteça, que o sabor se desenvolva.

Ao longo das semanas, na rubrica Vamos fazer pão procurei explicar como podemos fazer pão em casa, usando o método directo ou recorrendo a pré-fermentos. Nos pré-fermentos apresentei-vos a biga e o poolish. Este último, é um pré-fermento líquido, que pode ser usado em massas pobres ou enriquecidas. Ainda vos quero falar da massa pré-fermentada e na esponja. Expliquei também como se pode fazer fermento natural. O fermento natural pode ser usado directamente para fazer pão, depois de ser refrescado, ou podemos fazer com ele, uma massa-mãe.

O termo massa-mãe, ou massas-mãe, com as suas leveduras selvagens preenche-nos o imaginário e remete-nos para processos ancestrais e artesanais de fazer pão. É como que um regresso às coisas autênticas, mas a designação mais correcta seria pré-fermento. A biga e o poolish também são conhecidos como massas-mãe. Há quem chame massa-mãe líquida ao poolish.


Mas, como podemos fazer uma massa-mãe a partir de um fermento natural?

Para responder a esta questão, consultei a obra A Arte do Pão de Emmanuel Hadjiandreou, onde nos aconselha a fazer a massa-mãe usando 15g de fermento natural, 150g de farinha e 150g de água morna. Fui-me apercebendo que há diferentes maneiras de fazer massa-mãe a partir do fermento natural. Acabei por seguir as indicações do livro Artisan Breads Every Day de Peter Reinhart, onde o autor apresenta a seguinte fórmula para a massa-mãe ( mother-starter ):

Farinha - 100%
Água filtrada - 75%
Cultura de fermento - 33,3%

A partir desta fórmula, comecei a fazer massa-mãe para muitos dos meus pães da seguinte maneira:

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Como podemos fazer uma alimentação saudável?


« Coma comida. Mas não em excesso. Vegetais, sobretudo. » - é desta forma que Michael Pollan começa o seu livro Em Defesa da Comida e do qual já aqui vos tinha falado. Esta frase define para mim os princípios do que considero ser uma alimentação saudável.

A grande maioria das vezes, penso que existe uma confusão entre comer de forma saudável e fazer dieta para emagrecer. Podemos mudar e reeducar os nossos hábitos alimentares para perdemos peso, mas podemos também querer comer de modo a vivermos melhor. A comida pode-nos trazer felicidade. E se nos privarmos constantemente, se não comermos um pecadinho de boca, em determinados momentos, a felicidade estará sempre fora do nosso alcance. E aqui, chegamos ao que eu considero ser o bom senso alimentar. Para comermos de forma saudável temos que encontrar um equilíbrio.

Nos finais de Julho, estive, a convite do Ministério da Saúde, na apresentação das estratégias para a Promoção da Alimentação Saúdavel, que decorreu no Mercado de Alvalade e contou com a presença de vários chefs portugueses de renome entre outras individualidades. Tive a possibilidade de participar num painel de debate ao lado da Raquel Fortes, do blogue It's Up to You.

( Fotografia de Rute Moura )

O documento com a estratégia pode ser consultado aqui. Nesta proposta, são apresentadas algumas linhas orientadoras em prol de uma alimentação saudável, que tem como principais objectivos « (...) incentivar o consumo alimentar adequado e a consequente melhoria do estado nutricional dos cidadãos, com impacto direto na prevenção e controlo das doenças crónicas ».

Os hábitos alimentares dos portugueses revelam que nos últimos anos se têm afastado da Dieta Mediterrânea, considerada uma dieta de padrão saudável. Portugal tem elementos de herança cultural mediterrânica como os olivais, as vinhas, um estilo de vida de partilha à volta da mesa, feita com produtos frescos da época. Tem também um padrão alimentar Atlântico principalmente no norte do país.

O estilo de vida e as influências de outros modelos alimentares acabaram por se imporem no nosso dia-a-dia, levando-nos a abandonar, em parte, muitas das nossas heranças e tradições em termos de alimentação. Devido aos muitos problemas de saúde, relacionados com a alimentação, que têm vindo ao longo dos anos a aumentar, é importante falarmos do que comemos e do modo como comemos. Entre a correria de casa para o trabalho, muitas vezes, com pouco tempo para cozinhar, como podemos fazer uma alimentação saudável?

Alexandra Bento no seu livro Comer Bem é o Melhor Remédio, diz-nos que a alimentação saudável « é a forma corrente de comer que assegura variedade, equilíbrio e quantidade justa de alimentos escolhidos pela sua qualidade nutricional e pela sua segurança, submetidas a correctas confecções culinárias. Esta deve proporcionar bem-estar físico e psicológico, dar prazer e auxiliar na manutenção de um peso saudável ».

Quem procura fazer uma alimentação saudável deve apostar na variedade e no equilíbrio. Deve ter em atenção alguns aspectos, como por exemplo, o consumo de sal, de açúcar, de gorduras e de produtos processados.

O consumo de sal recomendado, por dia, são 5 g. Ou seja, 5 g a distribuir por tudo o que comemos num dia. No que toca ao sal, lembro-me sempre do conto de Teófilo Braga intitulado O Sal e a Água, em que uma princesa diz ao pai que gosta tanto dele como a comida do sal. O rei só percebeu o que a filha queria dizer quando provou a comida insossa. O sal torna tudo mais saboroso? Ou é uma questão de hábito?

Comer é um prazer e a comida tem que ser saborosa. Mas a verdade é que não precisamos de comer tanto sal. E como podemos reduzir o consumo de sal? Em primeiro lugar tenham atenção aos rótulos de alguns alimentos que consomem, principalmente comida já feita. Em casa, comecem por medir a quantidade de sal que usam para cozinhar e depois, aos poucos, vão reduzindo. Usem uma colher medidora, por exemplo. Outra forma, é substituírem o sal por ervas aromáticas ou especiarias. Em certos pratos, podem usar salicórnia, que hoje em dia, já se encontra com alguma regularidade nos supermercados. Aos poucos e poucos, conseguem ir reduzindo a quantidade de sal usado. Cá em casa, já não coloco sal nas saladas. O importante é começar, depois o palato habitua-se e a nossa saúde agradece!

O açúcar está escondido em muitos alimentos. Desde o pão, passando pelos cereais do pequeno-almoço até aos refrigerantes. O importante, é procurar reduzir alimentos que tenham açúcar na sua composição. A Organização Mundial de Saúde recomenda que o consumo de açúcar seja de cerca de 50g por dia. Se tivermos atenção aos rótulos e aos produtos açucarados no nosso dia-a-dia, podemos comer o bolo de domingo, feito para a família, sem peso de consciência ou ceder à tentação de comer um pastel de nata com o café num dia em que nos encontramos para um lanche com uma amiga. O doce faz parte da nossa vida, mas quando queremos fazer uma alimentação saudável, é fundamental  encontrar o equilíbrio.

Quem procura fazer uma alimentação saudável deve tentar cultivar alguns hábitos. Começar as refeições com sopa. Colocar, de forma regular, produtos hortícolas na mesa. Seja incluídos no prato principal seja como acompanhamento. Às vezes passamos a gostar de determinado legume se o cozinharmos de forma diferente do que temos sempre feito. Não se esqueçam que o palato se educa e que os pais dão o exemplo. Se não comerem legumes, os vossos filhos vão ter resistência a comê-los também. Outro aspecto é a hidratação. Beber água de forma regular. Recomenda-se pelo menos 8 copos por dia.

Para uma alimentação saudável é importante planear as refeições. O planeamento permite dar uma visão geral das refeições da semana e assim saber o que a família irá comer. No planeamento das refeições, em casa, dar preferências aos pratos de peixe. Ter atenção ao excesso de consumo de carne, principalmente das carnes vermelhas. É também muito importante, ter consciência que é fundamental variar o que se come. Todas as semanas procuro ter fruta e legumes diferentes em casa. Esta semana temos couve-flor, tomate, curgete e beterraba, para a semana iremos ter endívias, abóbora e batata-doce, por exemplo. Na fruta acontece o mesmo. Procuro variar o que se come semana a semana.

E por favor, não se esqueçam de tomar o pequeno-almoço. É fundamental não saltarem a primeira refeição do dia. Quando dava aulas, via muitos adolescentes a tomar o pequeno-almoço no bar. A maioria deles pedia um leite com chocolate e um bolo. Quando se decidiu que o bar deveria ter opções mais saudáveis, muitos passaram a comprar o seu pequeno-almoço num supermercado ao lado da escola. Com isto quero mostrar que só se mudam os hábitos alimentares através de uma educação para a alimentação. Que é importante sabermos o que estamos a comer. Sabermos o que é que determinados alimentos contribuem ou não para a nossa saúde. Não sou fundamentalista. Gosto de comer um pouco de tudo. Mas há alimentos que sei que são só para quando o rei faz anos!

No nosso dia-a-dia, todos podemos fazer uma alimentação mais saudável. Basta termos consciência dos alimentos que podemos comer e quais os que devemos consumir de forma pontual.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Salada de massa com tomate e queijo


Lisboa, em Agosto, é uma cidade em que se tem tempo. As ruas com menos trânsito deixam descobrir cantos e recantos que em tempos de azáfama casa/trabalho deixamos escapar diante dos nossos olhos. Vivo em Lisboa, faz brevemente, 26 anos. Como o tempo passa! Desde o primeiro dia que me apaixonei por esta cidade. Pela vida. Pela luz. Pelos bairros antigos. Pelas ofertas culturais. Pelas livrarias que tanto adoro visitar.

Acho que não passa um mês em que não passe pelo Chiado ou pela zona do Saldanha. Entre as mil e uma coisas que gosto de Lisboa, poder olhar para o Tejo, deixa-me feliz. Vejo-o, todos os dias, da minha janela.

E na tranquilidade dos dias em que Lisboa, nesta altura do ano, mergulha, aproveito e dou algum descanso também à minha cozinha. Nestes dias quentes a prioridade tem sido comidas frescas. Deixo-vos, hoje, mais uma salada feita com o tomate da horta.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Molho de tomate


Quando trago tomate fresco, carnudo, cheio de sabor da horta em Santarém sinto-me nas nuvens. Assim que chego a casa começo logo a pensar nas receitas que vou fazer para lhe dar destino.

Na última vez que estive em Santarém trouxe uma caixa com tomate coração de boi. Para acompanhar as refeições costumo cortá-lo às fatias, polvilhar com um pouco de flor-de-sal e um fio de azeite. Fica maravilhoso. O sabor do tomate em toda a sua plenitude numa salada em que a simplicidade domina.

Outro destino que o tomate coração de boi teve foi ir para o tacho. Decidi fazer molho de tomate.