quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Leite-creme tradicional da Beira Alta


Setembro foi um mês grande e doce. Um mês cheio de coisas boas. Conheci novos restaurante e visitei outros de que gosto muito. Um dos a que voltei foi ao To.B, um restaurante na zona do Chiado com hambúrgueres feitos com carne dos Açores. Fui até lá no dia em que festejou um ano de existência e tive a possibilidade de provar um novo hambúrguer, com cogumelos, a entrar brevemente na carta.

Passei pelo hotel Ritz Four Seasons para um jantar organizado pelo Lidl para apresentação de vinhos franceses à venda nas suas lojas. A prova de vinhos foi apresentada pelo enólogo Paulo Laureano. Provar vinhos para mim é sempre uma experiência muito especial, transforma-se numa viagem maravilhosa em busca de memórias e associações "olfacto-gustativas". Os vinhos apresentados, à venda a partir de dia 2 de Outubro de 2014, de várias regiões francesas entre elas a conhecida região de Bordéus, revelaram-se uma boa surpresa, não apenas em termos de qualidade, mas nos preços, que oscilam entre os 2,79 e os 9,99 euros. Desta noite, destaco um vinho espumante, Créamont de Bordeaux AOC Baron Louis Felix, que servido com uma salada de polvo marinada com citrinos ajudou a acentuar os sabores frescos do prato. Entre brancos e tintos, na maioria das vezes a minha escolha vai para os tintos. E deste jantar destaco os tintos Côtes du Rhône Fruité 2013 e Bordeaux Saint-Emilion Grand Cru AOP Chateau vieux Labarthe 2011, vinhos com notas e aromas a frutos e especiarias, que caem bem, na minha opinião, com pratos de carne ou de bacalhau.

Hoje damos as boas-vindas a Outubro. Por Lisboa, já se começa a sentir o cheiro a castanha assada. Este mês traz-nos a chuva e o frio. Na cozinha, nasce a vontade de preparar pratos de forno e sopas reconfortantes. Cada mês é um desafio, uma folha em branco à espera de aventuras. A pouco e pouco, vou marcando na agenda novos trabalhos, workshops e as datas para entrega de textos e receitas. Espero que este mês seja doce. E doce é muitas vezes sinal de sobremesa. Por isso, hoje deixo-vos uma receita docinha, que me traz sempre memórias felizes à volta da mesa.

Leite-creme
( in Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto )

Ingredientes:
5 dl de leite gordo
80 g de açúcar
4 a 5 gemas
25 g de farinha de trigo
1 casca de limão
100 g de açúcar para queimar


1. Bater as gemas com o açúcar e a farinha até obter uma mistura homogénea e fofa.

2. Regar a massa com o leite fervido com a casca de limão. Mexer muito bem.

3. Levar a mistura a cozer ao lume até espessar um pouco.

4. Coloca-se o preparado numa taça ou taças. Deixar arrefecer.

5. Na altura de servir, polvilhar com o açúcar e queimar com o ferro quente.

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Curd de morango


Quando me perguntam qual a minha fruta preferida, confesso que tenho alguma dificuldade em escolher uma só. Adoro fruta. Não passa um dia em que não coma pelo menos uma peça de fruta, senão duas ou três. Na fruteira durante todo o ano procuro ter maçãs. A preferida para o dia-a-dia é a royal gala, a que se segue a reineta, para assar no forno com vinho, especialmente nos dias mais frios ou chuvosos de Outono, em que começa a apetecer ligar o forno.

Nas peras, a escolhida é a pêra rocha. Este ano, com as várias idas ao mercado procurei trazer outras variedades produzidas também em Portugal e da zona Oeste. As bananas, é fruta comum cá por casa. E que bem que sabe uma bananinha! Vai bem com quase tudo, até com queijo da Ilha de São Jorge no final de uma refeição, em jeito de sobremesa improvisada.

De vez em quando, quando encontro ananases dos Açores bem perfumados, não resisto e trago para casa. Comido ao natural faz as delícias no final de uma refeição.

Não digo que não a uma taça de cerejas frescas e doces, a um pêssego maduro, às nêsperas beijadas pelo sol, aos alperces perfumados, a fazerem lembrar um campo de flores carregadas de pólen, e aos figos. Como eu adoro figos!

Assim que chegam os marmelos, os kiwis, os dióspiros e as romãs, tento sempre aproveitar este tipo de frutas o melhor que consigo. Marmelos salteados ou assados no forno com borrego, tão bons!

Desde que a Primavera nos traz os primeiros morangos que nunca mais cá faltam em casa. Em sumos, batidos, bolos, saladas, gelatinas, compotas e numa coalhada (curd), resultam na perfeição.

A receita, com uma das frutas preferidas cá de casa, que hoje vos deixo, foi desenvolvida para a edição de Maio/Junho de 2014 da revista Comer, inserida num artigo que escrevi sobre o morango.


Curd (coalhada) de morango

Ingredientes para 1 frasco de 550ml:
350 g de morangos
130 g de açúcar
10 g de amido de milho
3 ovos
30 ml de sumo de lima
Raspa de 1 lima
60 g de manteiga sem sal


1. Colocar os morangos numa panela pequena. Tapar e levar ao lume durante cinco minutos, tendo atenção para não deixar queimar os morangos.

2. Bater os ovos com o açúcar, o amido, a raspa e o sumo da lima. Adicionar a mistura aos morangos.

3. Levar o preparado de morangos e os ovos ao lume em banho-maria. Ir mexendo sempre até engrossar.

4. Retirar do lume e adicionar a manteiga.

5. Guardar ainda quente em frascos.


E vocês, qual a vossa fruta preferida? Quais as frutas que não podem faltar em vossa casa?

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Uma visita ao Mercado de Sabores


A quinta edição do Mercado de Sabores do Continente este ano realizou-se em Lisboa e teve como tema a comida de rua, ou street food. Eu fui visitar o espaço logo no primeiro dia, 12 de Setembro, à tarde.


Uma das coisas que me motiva a visitar este tipo de eventos, é, por um lado a comida, a variedade de produtos oriundos de diversas zonas do país, a possibilidade de conhecer os produtores e por outro, as actividades que se realizam, como os workshops e as demonstrações de cozinha dos vários chefs.

A primeira coisa que fiz assim que cheguei foi fazer uma visita pelos expositores. Comecei pela zona da banana da Madeira, passei pelos produtores de dióspiro e romãs, descobri o polvo em azeite na zona das conservas, não resisti a provar as uvas dos diferentes produtores representados, os queijos bons de várias zonas do país, o pão - de Gimonde, de Rio Maior, broa de Avintes - a carne de vaca maturada grelhada. Descobri a carne maturada através da leitura do livro Aventuras da Carne, na altura por cá, era assunto pouco falado, que eu soubesse. Hoje, é interessante ver este tipo de oferta no mercado nacional. Parei também na zona das ervas aromáticas. Adoro usar ervas nos meus cozinhados e foi com agrado que descobri o anis e tive a possibilidade de provar uma folha de stevia, um substituto natural do açúcar. E digo-vos, é mesmo doce. Das Aromáticas Vivas diziam-me enquanto eu provava: "É mais doce do que o açúcar!"


Ao final da tarde assisti ao workshop de ovos moles, um dos ex libris da cidade de Aveiro. Para a preparação dos ovos moles são precisos 5 dl de água, 1 kg de açúcar e 1 kg de gemas. O segredo dos ovos moles está no ponto de açúcar. Mistura-se a água com o açúcar até obter ponto espadana e depois juntam-se as gemas. Dito assim parece fácil, mas quando passamos para a prática, sabemos que a experiência ajuda muito. Para a preparação das hóstias usam farinha, água e um fio de azeite para que a massa não cole. Ali, usaram folhas de hóstia já prontas. Penso que é daquelas coisas que para fazer em casa deve ser mesmo um verdadeiro desafio, por isso ainda nunca me atrevi a experimentar. Depois de pronta a massa é colocada em moldes. A hóstia é ligeiramente molhada e depois é então recheada com os ovos moles. Coloca-se outra hóstia por cima e vai à prensa. De seguida são cortados os ovos moles com as diversas figuras marinhas que tão bem conhecemos.


Durante esta visita assisti também ao processo de fabrico de queijo fresco de forma artesanal. O leite é aquecido e o sal ao ser adicionado é colocado num saco de mousseline para se ir dissolvendo e evitar que se acumule no fundo. O leite é coalhado com a flor de cardo. O líquido preparado com o cardo triturado fica com um tom acastanhado, pronto a usar, depois de coado. Eu tenho um certo fascínio por este processo. Ver se este é o ano em que me aventuro a fazer queijo fresco cá por casa, ou não fosse esse um dos vários desejos que ainda tenho por realizar.


Durante a tarde decorreram várias demonstrações de cozinha realizadas pelos alunos da Escola de Hotelaria de Lisboa e pelo conhecido chef Hélio Loureiro, que apresentou pizzas com ingredientes portugueses.


Passar pelo Mercado de Sabores foi mais uma forma de conhecer o que de bom se produz em Portugal.