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Espinho 19 de Agosto de 2017
Sábado:
11h30 - 12h30      Showcooking petiscos no âmbito do Festival Oito24
Entrada Gratuita Mercado Municipal de Espinho

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Como podemos fazer uma alimentação saudável?


« Coma comida. Mas não em excesso. Vegetais, sobretudo. » - é desta forma que Michael Pollan começa o seu livro Em Defesa da Comida e do qual já aqui vos tinha falado. Esta frase define para mim os princípios do que considero ser uma alimentação saudável.

A grande maioria das vezes, penso que existe uma confusão entre comer de forma saudável e fazer dieta para emagrecer. Podemos mudar e reeducar os nossos hábitos alimentares para perdemos peso, mas podemos também querer comer de modo a vivermos melhor. A comida pode-nos trazer felicidade. E se nos privarmos constantemente, se não comermos um pecadinho de boca, em determinados momentos, a felicidade estará sempre fora do nosso alcance. E aqui, chegamos ao que eu considero ser o bom senso alimentar. Para comermos de forma saudável temos que encontrar um equilíbrio.

Nos finais de Julho, estive, a convite do Ministério da Saúde, na apresentação das estratégias para a Promoção da Alimentação Saúdavel, que decorreu no Mercado de Alvalade e contou com a presença de vários chefs portugueses de renome entre outras individualidades. Tive a possibilidade de participar num painel de debate ao lado da Raquel Fortes, do blogue It's Up to You.

( Fotografia de Rute Moura )

O documento com a estratégia pode ser consultado aqui. Nesta proposta, são apresentadas algumas linhas orientadoras em prol de uma alimentação saudável, que tem como principais objectivos « (...) incentivar o consumo alimentar adequado e a consequente melhoria do estado nutricional dos cidadãos, com impacto direto na prevenção e controlo das doenças crónicas ».

Os hábitos alimentares dos portugueses revelam que nos últimos anos se têm afastado da Dieta Mediterrânea, considerada uma dieta de padrão saudável. Portugal tem elementos de herança cultural mediterrânica como os olivais, as vinhas, um estilo de vida de partilha à volta da mesa, feita com produtos frescos da época. Tem também um padrão alimentar Atlântico principalmente no norte do país.

O estilo de vida e as influências de outros modelos alimentares acabaram por se imporem no nosso dia-a-dia, levando-nos a abandonar, em parte, muitas das nossas heranças e tradições em termos de alimentação. Devido aos muitos problemas de saúde, relacionados com a alimentação, que têm vindo ao longo dos anos a aumentar, é importante falarmos do que comemos e do modo como comemos. Entre a correria de casa para o trabalho, muitas vezes, com pouco tempo para cozinhar, como podemos fazer uma alimentação saudável?

Alexandra Bento no seu livro Comer Bem é o Melhor Remédio, diz-nos que a alimentação saudável « é a forma corrente de comer que assegura variedade, equilíbrio e quantidade justa de alimentos escolhidos pela sua qualidade nutricional e pela sua segurança, submetidas a correctas confecções culinárias. Esta deve proporcionar bem-estar físico e psicológico, dar prazer e auxiliar na manutenção de um peso saudável ».

Quem procura fazer uma alimentação saudável deve apostar na variedade e no equilíbrio. Deve ter em atenção alguns aspectos, como por exemplo, o consumo de sal, de açúcar, de gorduras e de produtos processados.

O consumo de sal recomendado, por dia, são 5 g. Ou seja, 5 g a distribuir por tudo o que comemos num dia. No que toca ao sal, lembro-me sempre do conto de Teófilo Braga intitulado O Sal e a Água, em que uma princesa diz ao pai que gosta tanto dele como a comida do sal. O rei só percebeu o que a filha queria dizer quando provou a comida insossa. O sal torna tudo mais saboroso? Ou é uma questão de hábito?

Comer é um prazer e a comida tem que ser saborosa. Mas a verdade é que não precisamos de comer tanto sal. E como podemos reduzir o consumo de sal? Em primeiro lugar tenham atenção aos rótulos de alguns alimentos que consomem, principalmente comida já feita. Em casa, comecem por medir a quantidade de sal que usam para cozinhar e depois, aos poucos, vão reduzindo. Usem uma colher medidora, por exemplo. Outra forma, é substituírem o sal por ervas aromáticas ou especiarias. Em certos pratos, podem usar salicórnia, que hoje em dia, já se encontra com alguma regularidade nos supermercados. Aos poucos e poucos, conseguem ir reduzindo a quantidade de sal usado. Cá em casa, já não coloco sal nas saladas. O importante é começar, depois o palato habitua-se e a nossa saúde agradece!

O açúcar está escondido em muitos alimentos. Desde o pão, passando pelos cereais do pequeno-almoço até aos refrigerantes. O importante, é procurar reduzir alimentos que tenham açúcar na sua composição. A Organização Mundial de Saúde recomenda que o consumo de açúcar seja de cerca de 50g por dia. Se tivermos atenção aos rótulos e aos produtos açucarados no nosso dia-a-dia, podemos comer o bolo de domingo, feito para a família, sem peso de consciência ou ceder à tentação de comer um pastel de nata com o café num dia em que nos encontramos para um lanche com uma amiga. O doce faz parte da nossa vida, mas quando queremos fazer uma alimentação saudável, é fundamental  encontrar o equilíbrio.

Quem procura fazer uma alimentação saudável deve tentar cultivar alguns hábitos. Começar as refeições com sopa. Colocar, de forma regular, produtos hortícolas na mesa. Seja incluídos no prato principal seja como acompanhamento. Às vezes passamos a gostar de determinado legume se o cozinharmos de forma diferente do que temos sempre feito. Não se esqueçam que o palato se educa e que os pais dão o exemplo. Se não comerem legumes, os vossos filhos vão ter resistência a comê-los também. Outro aspecto é a hidratação. Beber água de forma regular. Recomenda-se pelo menos 8 copos por dia.

Para uma alimentação saudável é importante planear as refeições. O planeamento permite dar uma visão geral das refeições da semana e assim saber o que a família irá comer. No planeamento das refeições, em casa, dar preferências aos pratos de peixe. Ter atenção ao excesso de consumo de carne, principalmente das carnes vermelhas. É também muito importante, ter consciência que é fundamental variar o que se come. Todas as semanas procuro ter fruta e legumes diferentes em casa. Esta semana temos couve-flor, tomate, curgete e beterraba, para a semana iremos ter endívias, abóbora e batata-doce, por exemplo. Na fruta acontece o mesmo. Procuro variar o que se come semana a semana.

E por favor, não se esqueçam de tomar o pequeno-almoço. É fundamental não saltarem a primeira refeição do dia. Quando dava aulas, via muitos adolescentes a tomar o pequeno-almoço no bar. A maioria deles pedia um leite com chocolate e um bolo. Quando se decidiu que o bar deveria ter opções mais saudáveis, muitos passaram a comprar o seu pequeno-almoço num supermercado ao lado da escola. Com isto quero mostrar que só se mudam os hábitos alimentares através de uma educação para a alimentação. Que é importante sabermos o que estamos a comer. Sabermos o que é que determinados alimentos contribuem ou não para a nossa saúde. Não sou fundamentalista. Gosto de comer um pouco de tudo. Mas há alimentos que sei que são só para quando o rei faz anos!

No nosso dia-a-dia, todos podemos fazer uma alimentação mais saudável. Basta termos consciência dos alimentos que podemos comer e quais os que devemos consumir de forma pontual.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Salada de massa com tomate e queijo


Lisboa, em Agosto, é uma cidade em que se tem tempo. As ruas com menos trânsito deixam descobrir cantos e recantos que em tempos de azáfama casa/trabalho deixamos escapar diante dos nossos olhos. Vivo em Lisboa, faz brevemente, 26 anos. Como o tempo passa! Desde o primeiro dia que me apaixonei por esta cidade. Pela vida. Pela luz. Pelos bairros antigos. Pelas ofertas culturais. Pelas livrarias que tanto adoro visitar.

Acho que não passa um mês em que não passe pelo Chiado ou pela zona do Saldanha. Entre as mil e uma coisas que gosto de Lisboa, poder olhar para o Tejo, deixa-me feliz. Vejo-o, todos os dias, da minha janela.

E na tranquilidade dos dias em que Lisboa, nesta altura do ano, mergulha, aproveito e dou algum descanso também à minha cozinha. Nestes dias quentes a prioridade tem sido comidas frescas. Deixo-vos, hoje, mais uma salada feita com o tomate da horta.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Molho de tomate


Quando trago tomate fresco, carnudo, cheio de sabor da horta em Santarém sinto-me nas nuvens. Assim que chego a casa começo logo a pensar nas receitas que vou fazer para lhe dar destino.

Na última vez que estive em Santarém trouxe uma caixa com tomate coração de boi. Para acompanhar as refeições costumo cortá-lo às fatias, polvilhar com um pouco de flor-de-sal e um fio de azeite. Fica maravilhoso. O sabor do tomate em toda a sua plenitude numa salada em que a simplicidade domina.

Outro destino que o tomate coração de boi teve foi ir para o tacho. Decidi fazer molho de tomate.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Vamos fazer pão: Pãezinhos de azeitona com tomilho


Cá em casa, todas as semanas, temos pão fresco. Gosto de misturar farinhas e de juntar outros ingredientes à massa. Nesta altura do ano, faço muitas vezes pão para as sandes da praia ou para os lanches a meio da tarde. Os pãezinhos individuais são tão práticos! Vamos fazer pão?

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Salada de tomate com queijo e figos


As coisas boas da horta em Santarém continuam a chegar. Esta é uma época de abundância, principalmente em termos de tomate e outras frutas, como ameixas e pêssegos. Todos os anos, a minha mãe faz uma horta com tomate. Ao longos dos anos foi acedendo aos meus pedidos e hoje temos diferentes variedades de tomate no quintal.

Adoro tomate nesta altura do ano. Acreditam que todos os dias comemos tomate, ou é em saladas, ou no arroz de acompanhamento, ou nas sopas, ou nos estufados. E até em pão. Como diz o ditado, em tempo de tomate não há más cozinheiras!

A receita, de hoje, é uma salada fresca e muito colorida. Para além da base de tomate decidi acrescentar figos. Uma salada perfeita para saborear num dia quente de Verão.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Foi em Julho que ...


Foi em Julho que os meus amigos Nancy e Nuno se casaram. Uma festa bonita que nos levou de Tuc-Tuc, desde a Avenida da Liberdade até ao Castelo de São Jorge, em Lisboa. É tão bom podermos viver estes momentos com os amigos. Festejar a vida, o amor, com os outros, torna-nos mais felizes e gratos.

Em Julho recebi a Paula, o Ricardo e a Mafalda, amigos de longa data, cá em casa. Num dos dias, Domingo, preparei-lhes um pequeno-almoço em jeito de brunch, com muitas coisas boas, ovos, sumos, leite, café, pão fresco e torrado (acho que conquistei mais uns fãs para o pão que faço cá em casa!), queijos, presunto, compotas e fruta fresca. Nem imaginam o gosto com que preparo estes momentos. A partilha à mesa é uma dádiva. É tão bom podermos dar carinho, amizade, simpatia, o nosso cuidado com os outros, em forma de refeição. Há amigos que merecem muito!


Fui pela primeira vez à praia este ano, num dos primeiros dias de Julho. O Ricardo e eu gostamos de ir até à praia ao final do dia, quando a força do sol já se foi. Fazemos um passeio à beira-mar. E quando o pôr-de-sol chega, acabamos o nosso dia a tomar um café numa das esplanadas que ainda estejam abertas. Confesso que há dias em que trocamos o café por um gelado. Sabe tão bem!


As minhas sobrinhas estiveram, num fim-de-semana de Julho, cá em casa. Fizemos pizzas e pão. A alegria delas a mexer na massa foi contagiante. A alimentação é saúde e se envolvermos as crianças na preparação da comida, vão valorizá-la de outra maneira. Acreditem que até comem os legumes a que muitas vezes fazem cara feia!

Uma das coisas que adoro sempre que vou a Santarém, é visitar a horta, no quintal, dos meus pais. E nesta altura está ainda tudo tão bonito. Aproveito e trago sempre muitos produtos hortícolas. Trouxe curgetes e flores de curgete. Apanhei ameixas vermelhas e amarelas, abrunhos, amoras e o primeiro tomate da época. Espreitei os marmelos e as romãs. Ter uma terra com uma horta é tão bom!

Em Julho, fui aprender um pouco mais sobre peixe e marisco num workshop Pescanova realizado no Mercado da Ribeira pelo chef Miguel Mesquita. Podem ver aqui as receitas que preparámos.

O Mercado de Alvalade foi renovado, tem agora um espaço de lazer para crianças e uma zona com mesas, muito acolhedora. Nesta renovação foi criado também um espaço para exposição de fotografia. Eu estive lá a cozinhar no dia da inauguração. Foi uma manhã deliciosa. O desafio era preparar receitas com produtos à venda no mercado. Entre as várias coisas que fiz contam-se uma limonada, um gaspacho, uma salada de bacalhau e uma deliciosa cataplana de peixe e marisco.


Voltei ao mercado no dia 22 de Julho, a convite do Ministério da Saúde para participar num painel de debate durante a apresentação do programa de Promoção da Alimentação Saudável. Um destes dias volto a falar-vos deste programa e de algumas das minhas ideias sobre como podemos ter uma alimentação saudável. Para já, podem consultar o programa. A alimentação é saúde, o nosso bem mais precioso.

Em Julho, houve tempo para as primeiras sardinhas assadas, comidas num almoço de família com a tradicional salada de tomate com pimentos assados. Adoro. Uma das minhas comidas de Verão são as sardinhas assadas!


Julho consolidou os dias quentes de Verão. Trouxe a vontade de partir de férias. Que Agosto nos traga a magia dos dias longos de Verão. Que nos traga a possibilidade de olhar para o céu numa noite estrelada e agradecer cada dia, cada minuto, de alegria. Que Agosto seja um mês de descanso, que nos possibilite reunir forças e recuperar energias. Bom mês de Agosto para todos vocês!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Doce de ameixa branca


Tenho a sorte de ter um quintal com muitas árvores de fruto. Algumas levei-as de Lisboa, quando vivi durante muitos anos num segundo-andar com um delicioso quintal. Quando nos mudámos para a casa onde hoje vivo, decidi dar um bocadinho do quintal à família e aos amigos. Distribui flores e ervas aromáticas.

Para Santarém levei todas as árvores que nasceram dos caroços que colocávamos no quintal. Agora, passados uns anos, começamos, em Santarém, a ter fruta que nasceu no quintal de Lisboa. A vida só tem piada quando lhe damos algum colorido!

E para aproveitar a fruta que vou trazendo, nesta altura do ano, adoro fazer doces e compotas. É uma forma de guardar os sabores e os aromas da fruta de Verão num frasco e depois ir saboreando ao longo do ano. A receita que vos trago, hoje, é doce de ameixa branca. Fica tão bom!