quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Um almoço com vista para o Tejo


Um destes dias de início de Primavera fui almoçar, a convite da SANA Hotels, ao restaurante River Lounge do hotel Myriad by SANA Hotels. O dia estava bonito. Soube bem fazer o percurso a pé, do carro ao restaurante, olhar para o céu azul e sentir o perfume das flores que pairava no ar.

A primeira coisa que me chamou a atenção assim que entrei na sala foi a vista. O restaurante tem uma localização que nos permite ter uma um olhar inspirador para o Tejo e para a ponte Vasco da Gama. Sentada, com o Tejo ao lado, soube mesmo bem. Há dias em que estes momentos são mágicos, ajudam-nos a recuperar a tranquilidade que o reboliço do trabalho nos vai roubando.

Enquanto apreciava a vista, fui provando os diferentes pães que chegaram à mesa. Gosto de pão. Adoro provar pães com sabores diferentes e por isso, assim que chegam à mesa, não resisto.


Para entretém de boca foram servidos dois pratos. Vieira marinada, com variações de beterraba, espuma de maçã e legumes crocantes. Um prato fresco com texturas muito agradáveis. Um dos meus preferidos deste almoço.


Magret fumado com foie gras salteado, chutney de toranja e pão de especiarias, foi o segundo prato servido. O sabor da toranja sobressaía de forma intensa e agradável. O vinho servido foi um Sauvignon Blanc - Mar da Palha de 2012, com um aroma delicado, a combinar com as entradas que tinham sabores com personalidade vincada. Na boca, sobressaíam notas tropicais e uma leve acidez.


Salmonete salteado com compota de funcho, crumble de azeitonas e batata com açafrão foi a entrada deste almoço em boa companhia. O prato foi servido com molho de fígado de salmonete e tomate, o que enriqueceu de forma grandiosa todo o prato. O vinho servido foi Vallado Moscatel Galego de 2012, um vinho delicado, com notas florais e um final de boca fresco.


O prato de carne foi porco preto com cannelloni recheados com morchella e ervilhas e a acompanhar, puré de cebola e bacon. Muito saboroso e o recheio dos cannelloni uma verdadeira surpresa. Este foi um prato rico em texturas e sabores. A acompanhar um vinho tinto, Passadouro de 2012, com aromas a café, fruta madura e notas a flores secas que combinou de forma feliz com a carne de porco.


A sobremesa, intitulada Degustação de Primavera, foi servida pelo próprio chef pasteleiro, Anderson Miotto, que nos surpreendeu com uma sobremesa, ou melhor, três sobremesas de fazer crescer água na boca - tarte tatin de ananás, verrine de chocolate e morango e suspiro recheado. Foi o finalizar de uma refeição de forma muito doce. O vinho servido foi um Porto Graham's LBV de 2008 com notas de frutos silvestres.


Depois do café e dos mignardises, o chef Frederic Breitenbucher fez questão de nos vir cumprimentar e falar um pouco da sua cozinha. Uma cozinha que não esquece as influências da região que o viu nascer, Alsácia (França), e que valoriza os produtos e a sua sazonalidade.



Outros olhares sobre a nova carta do River Lounge:
- Tour Gatronómica SANA Hotels #3 - River Lounge por Raquel Lacerda e João Antunes;
- A Primavera de Frederic Breitenbucher no RIVER LOUNGE do Myriad por Raul Lufinha;
- A Nova Ementa Primavera / Verão no Restaurante River Lounge do MYRIAD by SANA HOTELS por Carlos Janeiro.

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Brigadeiro de colher ou colheradas de pura tentação!


As ideias para fazermos uma receita surgem, no meu caso, principalmente das experiências que vou tendo. Um destes dias fui com a minha cunhada Cristina a um outlet em Odivelas. Ela e eu adoramos estes momentos. Entramos nas lojas, escolhemos, experimentamos e acabamos por comprar sempre coisas muito giras. Enquanto fazemos este exercício, os maridos ficam à espera. Numa dessas idas às compras, enquanto esperavam, descobriram um espaço que tinha à venda brigadeiro de colher. Nunca tinha ouvido falar. Chegada a casa, decidi colocar a ideia em prática.

Brigadeiro de colher

Ingredientes para 10 meios copos de shot
1 lata de leite condensado
200 g de natas com 35% de gordura
100 g de Nutella
15 g de chocolate em pó
30 g de manteiga sem sal
Chocolate branco granulado ou avelãs tostadas para servir


1. Colocar todos os ingredientes num tacho e levar ao lume.

2. Mexer com uma vara de arames até obter ponto de estrada.

3. Verter o preparado para os copos.

4. Decorar com chocolate granulado ou avelãs tostadas picadas grosseiramente.


Estes brigadeiros são autênticas colheradas de pura tentação!

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

A magia do café em pratos salgados num workshop Nespresso


O café faz parte do meu dia-a-dia. Adoro o cheiro intenso, torrado do café. E cozinhar com café? - Ao ser confrontada com esta questão no início do workshop da Nespresso, no Peixe em Lisboa, pelo chef Chakall e com a participação do sommelier Rodolfo Tristão, acabei por responder que apenas em sobremesas. Não me lembro de usar café nos meus cozinhados e não sei bem porquê. Todos os dias bebo café. Uma das coisas que me custa é quando viajo para países que não têm vincada a cultura do espresso. Nessas alturas, beber um café como deve ser torna-se uma missão complicada.

Mas o workshop não era como preparar ou saborear um café perfeito, mas sim como usar café em pratos salgados e harmonizá-los com vinhos. Chakall, com a sua habitual boa disposição, começou por nos explicar o que iria cozinhar. Vieiras, costeletas de borrego e por fim, uma sobremesa com duo de chocolate. Fiquei cheia de curiosidade em perceber como o chef iria usar o café.

Vieiras Ristretto


Ingredientes:
Vieiras com coral (de preferência com a concha)
3 chalotas
2 cafés expresso intenso (Dharkan, Kazaar ou Ristretto)
1 colher de chá de mel cheia
Manteiga q.b.
Redução de vinagre balsâmico q.b.
Sal q.b.


1. Picar as chalotas.

2. Levar ao lume uma frigideira com manteiga. Assim que derreter adicionar as chalotas.

3. Quando as chalotas quebrarem, regar com o café. Juntar uma colher de chá de mel e deixar cozinhar.

4. Levar outra frigideira ao lume com uma colher de sopa de manteiga. Quando derreter, adicionar as vieiras e deixar alourar de ambos os lados.

5. Temperar as vieiras e molho de chalotas e café com sal.

6. Servir as vieiras na sua concha, com um fio de redução de vinagre balsâmico e coentros picados.


As vieiras foram acompanhadas por um vinho branco, Coleção Privada Verdelho 2012 de José Maria da Fonseca. Rodolfo Tristão explicou-nos que existem dois tipos de verdelho, o dos Açores e o do continente. Este último, comparativamente, plantado em zonas mais frescas, revela-se um vinho mais mineral e com notas de citrinos mais exuberantes. É importante não confundir o verdelho com o verdejo, que pelos vistos, nada tem a ver com esta casta. O vinho escolhido trouxe frescura ao sabor denso e apetitoso da vieira.

O segundo prato que Chakall confeccionou foi borrego com um molho especial de café e cacau que nos deixou a todos curiosos com o resultado final. Um molho com café e cacau, uma combinação mágica, só podia ser inspirador.

Borrego com molho de café e cacau


Ingredientes:
Costeletas de borrego
1 colher de sopa de cacau
2 cafés expresso Indriya from India
1 colher de chá de malagueta moída
2 colheres de sopa de natas
1 lima
2 a 3 hastes de tomilho-limão fresco
2 dentes de alho
1 colher de sopa de concentrado de tomate
1 colher de sopa de uvas secas
3 a 4 pacotes de açúcar
Azeite q.b.
Manteiga q.b.
Vinho tinto q.b.
Coentros frescos picados
Sal q.


1. Colocar numa frigideira azeite e levar ao lume. Assim que estiver quente colocar duas ou três costeletas. Retirar as costeletas e reservar.

2. Juntar ao azeite uma colher de sopa de manteiga. Adicionar o alho picado, coentros picados, o cacau, uma pitada generosa de malagueta, o café expresso, o concentrado de tomate, um pouco de vinho tinto e deixar reduzir.

3. Antes de retirar o molho do lume, adicionar as natas, as passas de uva, o açúcar e sumo de 1/2 lima. Mexer e temperar com sal. Retirar do lume.

4. Temperar as costeletas com sal e levar a alourar numa frigideira com manteiga. Adicionar tomilho-limão, sumo de 1/2 lima e sal. Assim que as costeletas estiverem douradas de ambos os lados retirar.

5. Servir as costeletas com o molho de café e cacau.


As costeletas foram acompanhas por batata e batata-doce assadas no forno em cubos com azeite, sal e tomilho. Chakal explicou que optou pelo café Indriya from India porque foi cultivado junto a uma plantação de especiarias e por isso o café aparentar alguns sabores exóticos e resultar muito bem no molho para a carne. Pode ser substituído pelo Roma.

Para harmonizar com o prato de carne, Rodolfo Tristão escolheu um vinho tinto, Periquita Reserva de 2011, com notas a madeira e a cacau. Na boca revelou-se um pouco adstringente, mas fez um bom par com a carne de borrego.


Para sobremesa foi-nos servido uma mousse de chocolate branco com framboesa e café expresso (forte) e bolo de chocolate sem farinha. A acompanhar, espressos Indriya e Ristretto. Antes de experimentarmos as combinações Rodolfo Tristão explicou-nos como provar café. Primeiro fazer uma apreciação visual, o creme - normalmente dizemos espuma - que ao contrário da espuma não desaparece e impede que os aromas do café se percam. O creme vai ficando na chávena à medida que bebemos. A cor do creme também nos diz se o café é mais ou menos intenso. Mais escuro, mais intenso. Agitar o café e depois sorver. Nesta última parte, olhamos sempre uns para os outros. Sorver?! Sim, diz-nos o sommelier, para que entre ar e nos ajude a perceber os aromas do café. Tivemos também a oportunidade de harmonizar a sobremesa com um moscatel de Setúbal, Alambre de 2008.


Com este workshop gostei de conhecer mais um pouco sobre o mundo mágico do café e principalmente fiquei com vontade de o usar em algumas receitas salgadas. Talvez começar por umas costeletas de borrego, o que vos parece?