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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Em busca dos segredos do Vaticano e da Capela Sistina ...


Um dos dias em que estive em Roma foi dedicado a visitar a Cidade do Vaticano. A visita aos museus e à Capela Sistina já ia marcada, o que nos valeu passar à frente de uma fila que não parecia ter fim, mesmo debaixo de um sol abrasador.

A viagem do hotel até ao Vaticano foi feita de metro. Quando visito uma cidade evito andar de transportes públicos. Para se conhecer uma cidade não há nada como andar a pé, mas há alturas em que para poupar tempo, recorre-se aos transportes públicos. Andar de metro em Roma foi como descer a umas catacumbas escuras, em obras, quentes e apinhadas de gente. Comparativamente, podemos dizer quão excelente rede de metro é a nossa!

Foi com imensas expectativas que visitei os Museus do Vaticano. O que vi correspondeu ao que pensava. A quantidade de obras é enorme e de uma riqueza sem limites. Existem salas cheias de bustos, pátios cheios de obras da antiguidade greco-romana, mobiliário, mapas, entre outras coisas. Mas o que mais me impressionou foram os frescos de Rafael. Ver o original de A Escola de Atenas, imagem sempre presente nos livros de filosofia do secundário, ao vivo foi algo de muito especial e com um certo sabor a nostalgia.

Para o fim da visita ficou algo de impressionante, de uma beleza e grandiosidade indescritíveis, a famosa Capela Sistina. Entrar ali e começar a olhar para todos aqueles frescos de Miguel Ângelo é de nos deixar de boca aberta. Miguel Ângelo, deveria ter em si um pozinhos de divindade, algo entre o humano e o sobrenatural. A obra é impressionante.

Depois de comer rapidamente uma fatia de pizza com cogumelos quentinha, que se encontram à venda por Itália como por cá as nossas sandes, e de um café numa das esplanadas junto a um dos jardins do Vaticano, seguimos viagem para a Basílica de São Pedro. Entrar ali é de ficar quase sem respiração perante a grandiosidade de tudo o que os nossos olhos vêem. Uma das obras que queria muito, muito ver, era a Pietá de Miguel Ângelo, ali exposta. A Basílica é de uma riqueza estonteante. Depois desta visita, duvido que encontre alguma igreja cristã que se lhe assemelhe.

Depois da sair da Basílica, ainda houve tempo para umas fotos na Piazza San Pietro, que me pareceu bem mais pequena ao vivo do que na televisão. Como conseguem colocar ali as multidões de gente nas efemérides religiosas?


Os segredos do Vaticano e da Capela Sistina continuam a aguardar uma nova visita. Quem sabe, um dos desejos para 2012?!

Ao final do dia, rumámos em direcção a Perúgia.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Em Roma, a vida é bela ...


A minha primeira viagem a Roma foi há muitos anos atrás. Fi-la na companhia da princesa Ana e do jornalista Joe Bradley, personagens do filme Férias em Roma, interpretadas por Audrey Hepburn e Gregory Peck. Como eu me diverti e sonhei com as suas aventuras!

Este verão retornei a Roma, mas com outros companheiros de viagem, bem mais reais, a Graciete, o Nuno e o Ricardo. A nossa viagem de férias começou em Roma e passou por várias cidades italianas, terminando em Milão.

Roma chama para si o peso da história de um império. É impossível ficar indiferente aos edifícios, às igrejas, às fontes que por todo o lado nos lembram a importância desta cidade, associada aos irmãos Rómulo e Remo. Os vestígios da imponência de Roma e do seu império são visíveis. Em cada passo dado sentimos a presença de personagens importantes que fizeram história e marcaram a cultura a que chamamos nossa. O Império Romano é relembrado a cada momento, nas estátuas dos vários imperadores, nas ruínas ou no imponente Coliseu, que à noite, iluminado, atinge o seu esplendor. Quantas histórias escondem aquelas paredes? De gladiadores, escravos obrigados a combater? Quantas paixões, negócios e traições ali se terão executado? Trágico, mas simultaneamente misterioso e romântico.


Roma é uma cidade de amores. Foi aqui que a princesa Ana e Joe Bradley se apaixonaram um pelo outro. Os telhados com pequenos terraços cheios de flores deixam-nos a sonhar. Por todo o lado circulam vespas e ainda se encontram os famosos Fiat Cinquecento. Em quase todas as praças encontramos artistas a vender as suas obras ou vendedores com interessantes reproduções de quadros. A vista da cidade ao pôr do sol a partir dos jardins da Villa Borghese é inspiradora, a Fontana di Trevi, mesmo apinhada de gente, tem um charme especial, as esplanadas, tudo isto nos transmite um ambiente convidativo ao dolce far niente. No final do filme Férias em Roma, a resposta à questão de um jornalista sobre qual seria a cidade europeia que mais a marcou, Ana, responde: - "Roma, sem sombra de dúvida, Roma!". Para mim, passou a ser uma das minhas cidades preferidas.


Roma é uma cidade de boa cozinha. A nossa primeira incursão gastronómica foi no restaurante Antica Enoteca, numa ruazinha entre a Piazza del Popolo, a Piazza di Spagna e o rio, um espaço muito agradável, com frescos alusivos à produção de vinho. No centro do restaurante, junto a uma das paredes, encontramos um balcão comprido de madeira escura, onde é possível sentar e beber uma bebida. Aqui pedimos presunto de Parma com mozzarella de búfala, rolinhos de bresaola com laranja, ravioli de carne com molho de cogumelos, tortellini de ricotta com molho de quatro queijos, tagliata de vaca com batatas. Acompanhámos a refeição com um vinho tinto Colle Ticchio. Para sobremesa escolhemos tiramisù e um mil folhas com morangos e chantilly. Esta primeira refeição foi excelente. A comida estava óptima, principalmente os pratos de pasta.


Outras das refeições dignas de registo foi na Osteria Pucci. Um restaurante de cozinha romana muito boa, situado no bairro Trastevere. Bairro onde começa a história do livro Receitas de Amor. Aqui comemos um carpaccio de polvo e alguns pratos de pasta. Escolhemos macarrão com molho de tomate e manjericão, Cacio e Pepe e lasanha. A comida agradou-nos imenso. Achámos que as pastas estavam excelentes. A massa fresca e um bom molho faz toda a diferença. Mas a revelação foi mesmo o prato Cacio e Pepe, tradicional de Roma e arredores. Uma receita tão simples, mas muito deliciosa. É apenas a combinação de massa cozida, esparguete por exemplo, queijo ralado e pimenta acabada de moer. Em alguns locais é servido num cestinho feito a partir de queijo fundido.


Em relação aos gelados, passámos pela gelataria Alberto Pica e pela mais antiga, Giolitti. Em cada uma delas procurámos provar sabores diferentes. Adorámos o sabor a mirtilo que experimentámos na Giolitti. Ao pequeno almoço pedia invariavelmente um cappuccino e um cornetto, a designação para croissant, em Roma.

Em Roma deliciei-me ainda com as imensas lojas de roupa e de sapatos de design italiano que encontramos por toda a cidade, perfumadas de puro luxo. Visitei a Basílica Papal Santa Maria Maggiore, magnífica, o Panteão - com o seu impressionante tecto abóbado, passei pelo Monumento a Vittorio Emanuel II, conhecido como a máquina de escrever, dedicado ao primeiro Rei da Itália unificada e que actualmente serve de monumento ao soldado desconhecido, pelo Campo di Fiori, pela Piazza Navona, pelo Arco de Constantino, passeei à beira rio e não resisti a tentar visitar a igreja de Santa Maria in Cosmedin. Aqui a fila para entrar, como em muitos locais, era enorme. Tirei uma foto à Boca da Verdade, onde Gregory Peck docemente engana Audrey Hepburn numa cena muito divertida e segui viagem por uma Roma inundada de turistas por todo o lado e onde atravessar uma passadeira é mesmo uma aventura.


Que mais se pode dizer de uma cidade com séculos de existência, com centenas de igrejas, por onde passaram vários povos, pano de fundo de milhares de estórias, ponto de encontro e de paixões. Onde se come e vive muito bem. Onde tudo me parece belo e charmoso. A mim, só me resta dizer que em Roma, a vida é bela!