As memórias de infância povoam o nosso imaginário e fazem de nós aquilo que somos. Por mais que nos afastemos, mais cedo ou mais tarde essas recordações voltam e temos vontade de recuperar hábitos que nos deixaram felizes.
Em casa da minha mãe havia sempre um saco com bolinhos secos. Bolinhos que se aguentavam meses e sabiam sempre bem. Os que me lembro melhor eram uns torcidos pincelados com gema de ovo com um ligeiro aroma a limão. Eram servidos em todas as ocasiões. Se nos apetecia uma coisinha doce ao pequeno-almoço esses bolinhos combinavam tão bem, até davam para ensopar no leite. Depois de almoço, uma vez por outra lá vinha um prato cheio de bolinhos para a mesa ou quando, aos domingos ficávamos em família a ver filmes à tarde na televisão. Era ver quem agarrava o último que ficava a olhar para nós, entre muitos risos e sessões de cócegas. Momentos que ficam e que me fazem sorrir passados já alguns anos.
Agora também eu gosto de ter cá em casa sempre prontos a servir uns bolinhos secos, que se aguentam meses fechados num frasco que guardo na cozinha. Ora se servem com o café ao pequeno-almoço, ora acalmam a fome enquanto se prepara o jantar e aos domingos, são uma excelente companhia para um chá a meio da tarde.
Hoje deixo-vos estes bolinhos, uma receita tradicional portuguesa, que preparei para a rubrica Sidul, sempre presente nos doces momentos.

