A felicidade é consequência do modo como vivemos. De como aproveitamos cada momento e as oportunidades que nos surgem. A felicidade é o resultado da maneira como deixamos que os outros façam parte da nossa vida. E os momentos felizes com os outros guardam-se para sempre.
O ano passado estive um fim-de-semana em
Castro Marim, onde visitei uma queijaria e tive a oportunidade de
ver a confecção de queijo fresco, que tanto adoro. Conheci o Andrew e o Rupert, fiquei alojada na
Casa Rosada, que eles tratam e cuidam com muito carinho. Recebem hóspedes e têm um quintal cheio de plantas e ervas aromáticas, que convida a muitas refeições ao ar livre, principalmente, nestes dias de Primavera. Num dos dias, o grupo que participou nesta visita foi todo para a cozinha, depois de uma ida ao mercado, em
Vila Real de Santo António, onde o peixe de olhos vivos parece acabado de sair do mar e as frutas e legumes nos relembram o sabor genuíno das coisas boas da terra.
A
Casa Rosada tem uma das cozinhas mais bonitas em que tive a sorte de cozinhar. Num dos cantos, prateleiras cheias de livros de receitas olham para nós impacientes a pedirem que os abram. Todas as peças de cozinha expostas mostram sinais do tempo, revelam-nos que outrora tiveram vida. E se escutarmos bem, segredam-nos ao ouvido histórias de pessoas, de momentos, à medida que as olhamos.
Foi aqui, na preparação do jantar que descobri pela primeira vez a batata-doce roxa. Fiquei tão curiosa que pedi logo para a usar. No grupo estava também a Nicky e o Oliver do conhecido blogue
Delicious Days. A Nicky escrevia na altura o seu
quarto livro e deu-me uma preciosa ajuda a preparar a batata-doce. Cortámo-la às rodelas. Polvilhámos com sal, pimenta, tomilho fresco e dentes de alho esborrachados com a casca. Regámos com azeite e foram para o forno. Uma receita tão simples mas que agradou ao grupo todo, que fez questão de provar assim que chegou à mesa. Este jantar foi um convívio feliz, cheio de boas memórias que guardo de forma especial.
Numa das minhas idas às compras encontrei um destes dias batata-doce roxa e não resisti a trazê-la para a minha cozinha. A primeira receita que fiz foi a que preparámos naquele jantar no dia em que a descobri. A vida é assim, gostamos sempre de repetir as coisas que nos fizeram sentir bem, não é verdade?