Gosto de conhecer o trabalho de jovens chefs cozinheiros. O futuro está nestes jovens que agora começam a chegar aos restaurantes, a marcar o seu caminho, a definir linhas para as suas cozinhas, a inovar. Um destes dias fui convidada para o almoço de apresentação do projecto Favas Contadas do promissor chef Daniel Estriga, no seu restaurante Conceito Food Store, em Cascais.
Favas Contadas é um projecto gastronómico que procura levar os comensais a viajar por diferentes destinos. A primeira edição é dedicada ao Japão e os jantares decorrem nos dias 30 e 31 de Maio. Cada experiência, que pode ser sob a forma de jantar ou almoço, será realizada sempre por dois chefs e pelos seus convidados. É uma forma de dar visibilidade a jovens cozinheiros que ainda não têm um espaço seu. O chef Daniel Estriga, para este primeiro evento tem na cozinha ao seu lado, o chef Tiago Penão que conheci no restaurante Midori, e o chef pasteleiro, Diogo Lopes.
O restaurante Conceito Food Store abriu sensivelmente há um ano, com uma decoração moderna e acolhedora, junta no mesmo espaço um outro conceito, o de food store, onde se pode adquirir vinhos, compotas e produtos utilizados na confecção dos pratos. Da sala é possível ver o trabalho dos chefs na cozinha.
Esta viagem por sabores do país do sol nascente começou com ostras ao natural servidas com espuma citronella e pérola de ponzu. Refrescantes, com um delicioso sabor a mar e no final de boca um ligeiro picante dado pela mistura de especiarias japonesas, nanami togarashi. Uma mistura de chilli, casca de laranja, sementes de sésamo, pimenta e algas.
De seguida foi servido mexilhão em tempura de cenoura e gengibre, escabeche de legumes e gelatina de lima. Uma combinação cheia de sabor, com uns aromas ligeiramente ácidos no final de boca, a marcarem a personalidade do prato. Os vinhos estiverem a cargo do escanção João Chambel e para este amuse-bouche, foi escolhido um vinho branco Quinta do Gradil Viognier de 2013, que ajudou a manter a frescura e o sabor a mar na boca.
Para entrada foi-nos servido niguiri de unagui, foie e cereja, e niguiri de carapau com escalivada de pimentos. Adorei a combinação dos pimentos. Muito bom. Os niguiri foram acompanhados de uma aromática Quinta do Gradil Aguardente Xo.
Nos pratos de peixe deliciámo-nos com usuzukuri de pregado em caldeirada, um prato a representar o fundo do mar e bacalhau confitado (meia cura) com molho dengaku e legumes nimono. Um prato com texturas e excelente combinação de sabores. O vinho escolhido para estes pratos foi um tinto Quinta do Gradil Petit Verdot de 2012, um vinho, que na minha opinião resultou melhor com o bacalhau.
Antes do prato de carne, refrescámos o palato com sakura (flor de cerejeira ou cerejeiras em flor em japonês) com crumble de cereja e uma base de amêndoa. A flor de cerejeira é a flor símbolo do Japão.
Terminámos os pratos principais da melhor forma com ramen de bochecha de porco. Ramen é uma sopa japonesa muito aromática. Existe até um filme romântico, The Ramen Girl, em que a história anda à volta de uma rapariga que decide aprender a fazer este prato.
Este almoço do projecto Favas Contadas foi finalizado com uma sobremesa de coco, ananás e coentros, pela mão do chef pasteleiro Diogo Lopes. Uma combinação muito interessante. É curioso como os coentros funcionaram deliciosamente nesta sobremesa.
Estes jantares são oportunidades únicas. Momentos especiais de viajar pelo mundo através da comida.