sexta-feira, 8 de Julho de 2011

Sumo de maracujá, laranja e nectarina


Encontrei há uns tempos um livro, A Viagem dos Cem Passos de Richard C. Morais, na Fnac que me chamou a atenção. O que me fez pegar no livro foi uma frase de Anthony Bourdain na capa dizendo que este livro seria "provavelmente o melhor romance de sempre ambientado ao mundo da culinária". Apesar de achar o comentário um pouco exagerado acabei por comprar o livro. Eu não resisto a um romance que gire à volta da comida.

A Viagem dos Cem Passos apresenta-nos a ascensão no mundo da gastronomia do jovem Hassan Haji. Para Hassan, desde muito novo que o seu destino já estava traçado, pois a primeira coisa que recorda "(...) é o cheiro do machli ka salan, um caril picante de peixe, que se elevava desde o soalho até à cama de grades no quarto dos meus pais por cima do restaurante."

Com a morte da mãe, a família viaja da Índia para Londres. O romance está cheio de referências aos deliciosos aromas da cozinha indiana e à sofisticação, elegância, da cozinha francesa. Em relação ao seu contacto com a comida em Londres, diz-nos: "(...) estivemos sentados durante horas em cadeiras de plástico sob uma luz intensa no aeroporto de Heathrow enquanto o meu pai gritava e brandia o seu estrato bancário ao agente da imigração de rosto franzido, decidindo o nosso destino. E foi nessas cadeiras que provei pela primeira vez a Inglaterra: uma sandes de salada de ovo fria e mole envolta num triângulo de plástico. É do pão, em especial, que me lembro, da forma como se dissolveu na minha língua. Nunca tinha provado nada tão determinadamente insípido, molhado e branco."

Em Londres, Hassan é confrontado com um outro mundo, muito diferente daquele a que estava habituado. Entre as muitas descobertas que faz encontra-se o seu contacto com as pinturas de Chardin e como este artista "(...) pintara repetidamente, o mesmo coelho morto, a mesma perdiz morta e o mesmo copo – na cozinha. A mesma mulher e a mesma copeira e o mesmo jovem adegueiro – na cozinha." Identifiquei-me com esta passagem. Também eu, adoro pinturas de naturezas mortas relacionadas com a cozinha. No início do Cinco Quartos de Laranja procurei publicar quadros com cenas que retratavam a cozinha.

Depois de uma viagem pela Europa, o pai decide estabelecer-se em Lumiére, uma pequena localidade francesa. Hassan passa a assegurar a cozinha do restaurante da família. Sem se aperceberem entram numa pequena guerra de palavras e de acções, com a conceituada chef Madame Mallory, dona do restaurante em frente ao da família. Graças a um acidente, Hassan passa a fazer uma viagem de cem passos entre a casa do pai e o restaurante elegante de Madame Mallory. "Uma coisa poderosa, o destino. Não podemos fugir dele. No fim vence sempre." O destino, se existe ou não não sei, mas que às vezes as coisas da vida deixam-nos a pensar sobre como tudo pode estar interligado. Quando damos um passo, a sequência de acontecimentos pode ter consequências inesperadas. Por isso, algumas vezes, o melhor é arriscar. Para Hassan, foi o que aconteceu.

É com Gertrude Mallory que Hassan desenvolve o seu talento natural para a cozinha, onde aprende a conhecer e a seleccionar os produtos frescos, de qualidade. Aprende a reconhecer os diferentes tipos de ostras e que no Inverno as formas de soufflé terão que estar à temperatura ambiente. Aprende também que o sal da vida é não ter medo de provar algo novo. Depois de Lumiére, Hassan parte para Paris. "Para ser sincero, a minha ascensão em Paris ao longo dos vinte anos seguintes não foi tão difícil como se poderia suspeitar. Era como se um espírito invisível retirasse os obstáculos e me ajudasse a tomar o caminho que, acredito, sempre me fora destinado." No livro percebemos que esse espírito deve ter sido Madame Mallory, que mesmo à distância o tentou sempre ajudar. Madame Mallory, revela uma atitude digna de louvor, percebeu que Hassan seria melhor do que ela e não hesitou em proporcionar-lhe a ajuda que conseguisse, mesmo sem nunca o dizer ou o demonstrar. Foi na prática a força invisível, o anjo protector da carreira de Hassan. Quando temos ajuda e alguém que acredita em nós, tudo é mais fácil.

O romance respira comida. Eu fiquei curiosa com as lebres marinadas em vinho branco, louro, alho esmagado, vinagre de malte, mostarda doce alemã e bagas de zimbro secas e esmagadas, com uma salada de pepino e natas azedas colorida com mirtilos, com a omeleta com caras de bacalhau e caviar. Pelos nomes só podem ser coisas boas, de certeza! A Viagem dos Cem Passos é, para além da história de ascensão de Hassan, uma visão do mundo da chamada alta gastronomia, dos problemas que alguns restaurantes enfrentam mesmo com estrelas Michelin.

Este é um livro que recomendo para ler nas férias, entre um sumo de maracujá, laranja e nectarina, numa esplanada a saborear o aroma salgado do mar.


Ingredientes:
500 ml de sumo de maracujá ou polpa de maracujá
300 ml de sumo de laranja
3 nectarinas sem a casca
12 cubos de gelo


1. Colocar os ingredientes no liquidificador e triturar.

2. Distribuir o sumo por copos e servir.


Este sumo fica uma delícia bem fresquinho. As sementes de maracujá trituradas, dão um ar exótico ao sumo e ajudam a dar textura.

Os sumos, cá por casa, nos últimos tempos têm sido a companhia das minhas leituras.

8 comentários:

  1. Que belo sumo! Fiquei muito curiosa com esse livro... Parece-me muito interessante!
    Um beijo
    Babette

    ResponderEliminar
  2. Adorei a cor, deve ser mesmo uma maravilha!

    ResponderEliminar
  3. ESSE SUMO SÓ PODE SER DELICIOSO, COM ESSES FRUTOS...ADOREI.
    ADORO LER , E ACHEI ESSE LIVRO MUITO INTERESSANTE,NA MINHA PRÓXIMA IDA Á FNAC VOU PROCURA-LO.
    BOM FIM DE SEMANA
    BJS

    ResponderEliminar
  4. Fiquei com vontade de ler o livro e experimentar essa delícia. As fotos estão lindas!

    ResponderEliminar
  5. Babette, São e Sabor com Letras,
    o livro tem uma história muito gira. Toda ela em volta de Hassan, o seu crescimento, amores e depois todo o seu progresso no mundo da cozinha. Muito giro. Um livro óptimo para saborear com um sumo fresquinho numa tarde de verão! :)

    Marmita,
    o sumo fica muito agradável. Experimenta. Faz-se num instante, eu usei polpa de maracujá em lata.

    Um beijinho e votos de bom fim-de-semana.

    ResponderEliminar
  6. Um livro parecido é "Nem só de caviar vive o homem" do JM Simmel. Que traz cardápios completos a cada capítulo.
    Quanto ao sumo de maracujá: delícia!!!

    Obrigado

    LionelC

    ResponderEliminar
  7. Fiquei com curiosidade de ler o livro. O sumo tem uma cor linda.
    Bjs

    ResponderEliminar
  8. Lionel,
    não conhecia o livro. Vou procurar. Obrigada.

    Conceição,
    o sumo fica muito agradável. Se leres o livro, depois diz se gostaste.

    Um beijinho.

    ResponderEliminar