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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Na cozinha de Vincent Farges na Fortaleza do Guincho


Cheguei à Fortaleza do Guincho num final de tarde de uma terça-feira de Janeiro. O vento inquietava as ondas e ao longe, o sol escondia-se no horizonte. Dentro de mim, fervilhavam emoções. Ia ser recebida na cozinha de um grande chef, galardoado com uma estrela Michelin, e isso deixava-me particularmente feliz.

chefs que nos cativam pelo seu bom ou mau feitio, outros pela originalidade de ingredientes, outros ainda pelas combinações inesperadas. E depois há outros chefs que nos conquistam pela sua cozinha, pelo carinho e rigor técnico que colocam no que fazem. No modo apaixonado com que falam da comida e dos ingredientes. É aqui que se encontra, para mim, o chef Vincent Farges do restaurante da Fortaleza do Guincho.

Ir para a cozinha do Chef Vincent descobrir alguns dos segredos dos seus pratos fez-me lembrar a série de televisão Kitchen Secrets do chef francês Raymond Blanc. Só que desta vez, a explicação seria só para mim.


Nas duas vezes que estive na Fortaleza do Guincho tive a possibilidade de degustar um prato que me deixou muito boas memórias. Tantas que pedi ao chef Vincent para me desvendar os segredos que tornam este prato tão irresistível. Portanto, a primeira explicação foi como se confecciona sapateira perfumada com yuzu, fina geleia e pequenos legumes marinados com casca de limão.

A primeira coisa que aprendi foi a preparar a gelatina de yuzu. Yuzu é um citrino japonês que se assemelha a um limão, com um perfume e sabores incríveis. Nunca vi à venda e pelo que sei, muitos dos citrinos que chegam à cozinha de Vincent vêm de um produtor no Alentejo, que possui mais de duzentas variedades. Para preparar a gelatina, começou por fazer um xarope com água e açúcar. De seguida dissolveu a gelatina e acrescentou um pouco de sumo de yuzu. Depois de cozer uns minutos, mas sem deixar ferver, retirou do lume e adicionou o restante sumo. Depois segue para o frio. Percebi que é importante usar grande parte do sumo sem passar pelo lume, pois é aqui que vai residir todo o sabor autêntico do fruto.

De seguida, passámos para a sapateira. Juntou a carne da sapateira desfiada com um pouco de creme de lima. Para fazer o creme aqueceu um pouco de natas, juntou gelatina e raspa de lima. Envolveu muito bem e deixou arrefecer em gelo. Assim que o creme atingiu uma boa consistência juntou à sapateira, mexeu e colocou o preparado em película aderente. Formou um rolo e levou ao frio.

No empratamento, a gelatina que envolve o rolo de sapateira é feita a partir de um consomé das pinças e restante carcaça da sapateira, com legumes e ágar-ágar. Depois do consommé feito é colocado num prato e vai ao frio. Assim que solidifica é cortada em rectângulos com medidas precisas para depois combinar com as dimensões do rolo de sapateira.


Mas este prato vive também de uns mini legumes crocantes que lhe dão vida e colorido. Os legumes usados na cozinha da Fortaleza do Guincho vêm da Quinta do Poial. Estes mini legumes são marinados com cascas de limão e tomilho durante dois dias. Os rabanetes para ficarem bem vermelhinhos, são marinados à parte e levam mais sumo de limão.

Antes de empratar, achei curioso o Vincent limpar o prato com gin e ao ver a minha expressão, explicou-me que quando os pratos estão frios é assim o procedimento e quando quentes é com vinagre. No empratamento, começou por colocar a gelatina de yuzu triturada no prato, com uma rapidez e agilidade fazendo parecer tudo fácil. De seguida colocou os rolos de sapateira. Por cima dos rolos colocou os rectângulos de gelatina que prendeu com um pouco de yuzu. Aqui percebi que não se deve tocar muito com os dedos na gelatina, para que esta não perca o brilho. De seguida dispôs os legumes marinados e bolinhas de mamão com raspa de lima. Decorou com flores, acabadas de apanhar e uma pitada de flor de sal. Uma verdadeira obra de arte!


Um dos segredos do chef que adorei descobrir é que congela os citrinos inteiros, apenas enrolados em papel de cozinha. Depois é só retirar e ralar a casca. Que perfume bom! Parece que foram apanhados na altura. Cá em casa, vou experimentar proceder desta maneira.

O segundo prato confeccionado, foi vieiras salteadas com cereais, cremoso de cepes e maçã verde, lascas de foie gras, capuchinos e azedas selvagens. Este é um prato que reflecte a passagem de Vincent por Marrocos, onde esteve quatro anos a trabalhar. Um dos segredos da alta cozinha é apresentar pratos que nos parecem fáceis, mas que na realidade exigem muitos e diversos passos até ao resultado final.

Neste prato, o chef começou por explicar como se faz a granola. Junta flocos de aveia ligeiramente tostados, trigo sarraceno frito para ficar crocante, sementes de abóbora, de girassol e pinhões tostados. Depois numa taça juntou hamlou, que é uma massa feita com cereais, mel, canela, amêndoas, caju, entre outros ingredientes, olho de argão e maltosec. Mexeu até fazer uma areia. Por fim, juntou à mistura de cereais.

O foie gras é envolvido num pano com cognac e depois é coberto com sal. Fica dia e meio com sal. Depois é enrolado primeiro em película aderente, depois em folha de alumínio e vai ao congelador. Na altura de servir, retira-se e fazem-se lascas muito finas, que são servidas com flor de sal. O creme de cogumelos é feito com caldo de galinha, cogumelos em pó e uma infusão de cogumelos secos.

Neste prato um dos elementos que me chamou a atenção foi a maçã, pela cor verde, intensa. Para ficar assim coloca-se a maçã em vácuo com ácido ascórbico e sumo de maçã. E os pedaços de maçã absorvem este líquido e ficam lindos. Quando se come, nota-se que estão cheios de sumo.


Em relação ao empratamento, Vincent começou por colocar a granola, o cremoso de cogumelos, a maçã, rodelas de daikon em vinagre, o foie gras, as vieiras e as flores. Por fim raspa de limequat. A par das explicações que ia ouvindo, fui também tendo o privilégio de provar, para perceber a combinação de sabores. Na cozinha do chef Vincent Farges nunca faltam os citrinos. Limequat, foi mais uma variedade de que nunca tinha ouvido falar, mas tem um cheirinho e aroma fabulosos.

Cada prato é pensado cuidadosamente, desde os ingredientes e as texturas. Até a disposição dos vários elementos no prato é colocada tendo em conta o modo como vamos comer, com o objectivo de se aproveitar ao máximo as potencialidades de cada combinação. Não é só uma dádiva para o palato, é também uma festa para os nossos olhos que inevitavelmente se deslumbram com a beleza de cada prato.


Não sei se conseguem imaginar a alegria com que estive na cozinha da Fortaleza do Guincho. Vivi este momento como algo muito especial e único. Aprendi muito e tive a possibilidade de observar de perto o grande chef que é Vincent Farges.

Para descobrirem melhor os segredos da cozinha do chef Vincent, convido-vos a passar pela Fortaleza do Guincho.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Rota das Estrelas na Fortaleza do Guincho


O restaurante do Hotel Fortaleza do Guincho é um local especial, mágico. Com uma localização privilegiada, que nos convida a sonhar. A vista sobre o Atlântico é inspiradora.

A primeira vez que fui ao Fortaleza do Guincho foi no dia da apresentação da carta de Outono de 2012. Mais recentemente, voltei a este restaurante num dos jantares de fecho do evento Rota das Estrelas, no dia 22 de Novembro de 2012. Numa noite especial, com direito a visitar a cozinha e ver ao vivo a azáfama de toda a equipa para que tudo corresse sem falhas.

Os jantares da Rota das Estrelas são sempre feitos a várias mãos e para esta noite foram convidados uma mão cheia de grandes chefs. Estes jantares são únicos. É um privilégio ter a oportunidade de numa mesma refeição apreciar pratos de chefs como Aimé Barroyer, Benoit Sinthon, Guillaume Salvan, Dieter Koschina, Jean-Luc Ortu e do anfitrião do evento, o chef Vincent Farges que é de uma simpatia contagiante e é sem dúvida, um dos meus chefs preferidos.

O jantar começou com um prato do chef Vincent, sapateira com yuzu e legumes marinados com casca de limão, que já tinha tido a oportunidade de provar e citando o crítico gastronómico Miguel Pires, é um prato fora de série. O vinho servido foi Quinta de Santa'Ana Sauvignon Blanc de 2011.


De seguida chegou-nos à mesa um prato do chef Aimé Barroyer, alcatra de coelho e fava rica. Foi a primeira vez que provei um prato do chef Aimé. Correspondeu às minhas expectativas. O vinho escolhido para acompanhar este prato foi Niepoort Rosé.


Benoit Sinthon preparou-nos um prato com uma complexidade de sabores muito interessante, lagostim com refogado de crustáceos e polenta de São Jorge com tinta. O vinho que acompanhou este prato foi o Quinta do Vallado Moscatel Galego de 2011, um vinho perfumado. Atraente.


Guillaume Salvan surpreendeu-nos com paté quente ao vapor e foie gras de pato servidos com um caldo rau ram, muito saboroso, com um toque de especiarias, cogumelos e couve. Foi acompanhado por um vinho Quinta do Pinto Grande Escolha de 2009.


O chef anfitrião do evento preparou uma tranche de cherne - delicioso - servido com cogumelos, alho-francês, presunto e molho do assado. Estava muito bom. O prato foi acompanhado com o vinho Charme Amadeus de 2007.


Pombo com trufa branca e topinambours foi o prato apresentado pelo chef Dieter Koschina para esta noite. Um prato, rico, cheio de sabores. Para acompanhar este prato, foi escolhido um vinho fabuloso, Quinta do Vale Meão de 2010.


Jean-Luc Ortu trouxe-nos um prato de veado, que estava tenro e suculento, com puré de salsifis, frutos e legumes de Outono, onde sobressaia o dióspiro e a pera em vinho tinto. O vinho escolhido foi Herdade do Peso Reserva de 2008.


Terminámos a refeição com duas sobremesas de uma apresentação grandiosa. Uma de chocolate e menta do chef Daniel Marques.


A segunda sobremesa, foi uma delícia da Madeira com manga, papaia e maracujá do chef Yves Michoux. E que delícia! A fruta ajudou a dar um toque de frescura a esta sobremesa de sabores tropicais.


Participar em alguns dos jantares da Rota das Estrelas foi uma das coisas boas que este ano que agora termina me trouxe. Estes jantares, para quem aprecia experiências gastronómicas diferentes e especiais, são momentos únicos e que valem a pena.

E o restaurante da Fortaleza do Guincho fechou com chave de ouro a edição de 2012 da Rota das Estrelas. Parabéns chef Vincent!


Outro olhar sobre este jantar:
- Festa na Fortaleza por Alexandra Prado Coelho.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Os sabores de Outono chegam à Fortaleza do Guincho


O Outono traz-nos os sabores bons e quentes das castanhas, dos marmelos, dos dióspiros e das romãs. O Outono tem no ar o cheiro a lareira, os aromas do vinho novo e o conforto das comidas de forno. O Outono esconde a nostalgia dos dias quentes de verão e a força verde, floral, da Primavera. É uma estação de mudança que começa com as folhas caídas das árvores, as primeiras chuvas e a vinda dos dias frios que pedem agasalho.

E foi para provar a nova carta de Outono que no passado dia 2 de Outubro de 2012 fui convidada para jantar no restaurante Fortaleza do Guincho, premiado com uma estrela Michelin. À frente da cozinha, encontramos o chef residente Vincent Farges, que sob a orientação de Antoine Westermann desenvolve um trabalho merecedor de mais estrelas à frente deste restaurante. Westermann, consultor do restaurante e chef do restaurante Drouant, em Paris, detentor de três estrelas Michelin, também esteve presente na apresentação da nova carta. Desde que conheci o chef Vincent que tinha imensa curiosidade em visitar o Fortaleza do Guincho. De certeza que este jantar ia ser muito especial. Eu levava no peito um entusiasmo imenso.

O hotel respira requinte. Sente-se no ar o perfume do luxo, das coisas boas e especais da vida. A sala do restaurante tem vista para o mar. Ao ouvir o marulhar da água nas rochas, imaginei o quanto dever ser magnífico estar ali durante o dia. A vista só pode ser fabulosa.

Sentados à mesa, fomos recebidos com uma mousseline de alcachofras com algas frescas perfumadas com coentros. Algo encantador para o palato. Uma interessante mistura de texturas, dada pelos cogumelos frescos, as algas e a salicórnia. Uma entrada fresca, inocente, mas inesquecível. Mas antes não resisti ao pão com manteiga.


De seguida, chegou-nos à mesa sapateira perfumada com yuzu, fina geleia e pequenos legumes marinados com casca de limão. Um prato com beldroegas, cebola crocante, rabanetes e abóbora. Na boca sobressai o sabor cítrico do limão. As entradas foram acompanhadas por um vinho Quinta de Sant'Ana Sauvignon Blanc de 2011.


Peito de codorniz assado com pralin de amêndoas-nozes-argão e coxas confitadas em fricassé de cepes e cebolas novas, foi o prato que se seguiu. Um autêntico prato de Outono. Quente e reconfortante. Entre os presentes, comentámos que o chef Vincent surprendia-nos de forma muito positiva com os pratos que ia fazendo chegar à mesa cheios de coisas boas. Penso que para um chef nada deve ser mais gratificante que a satisfação dos seus clientes. Vincent neste dia deve ter sido um chef feliz.


Cherne da nossa costa assado com legumes confitados com limão, funcho crocante e sucos da cozedura. Assim que o prato chegou à mesa, o aroma do peixe assado fez-me recordar o delicioso aroma de peixe no forno com tomate maduro e delicioso. Um prato reconfortante e o cherne marcou muitos pontos de tão bom que estava. A codorniz e o cherne foram acompanhados por um vinho Herdade da Calada Baron de B. Reserva de 2009.


O prato de caça foi veado salteado, puré de abóbora com cinco especiarias, frutos do Outono, girolles e molho condimentado com pimenta da Tâsmania. A pimenta fazia-se notar e deu um toque muito especial a este prato que foi acompanhado por um vinho tinto Gloria Reynolds de 2004.


Para sobremesa mousseline de manga em massa crocante com frutos tropicais e sorvete de líchias. E ainda, cremoso de pimenta Séchuan sobre uma dacquoise com figos frescos, gelado de baunilha-canela, molho de vinho do Porto com especiarias. Uma sobremesa com um aspecto requintado. A acompanhar foi servido um vinho colheita tardia Jurançon Suprême de Thou de 2009.


A acompanhar o café, mignardises e chocolates. Eu não resisti aos macarons.

No final do jantar o chef e a sua equipa vieram à sala e foram aplaudidos por todos os presentes. Há experiências gastronómicas que valem muito a pena. Esta foi uma delas.



Outros olhares sobre este jantar:
- Outono à beira-mar por Adriana Freire;
- Outono glorioso no Guincho por Virgílio Nogueiro Gomes.