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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Folhados de farinheira com maçã

Em Janeiro, o frio, a chuva, os dias ainda pequenos e cinzentos, convidam ao recolhimento. É tempo de estar no quentinho, de colocar leituras em dia e de fazer comidas de tacho ou de forno. A comida quente reconforta, aquece o corpo e a alma.

Um destes dias, para uma refeição ligeira, fiz uns folhados de farinheira com maçã. A ideia permitiu-me dar destino a uma embalagem de massa folhada que tinha das compras do Natal e a uma maçã, que estava na fruteira, já meio enrugada. Estes folhados ficam tão bons! Adoro o contraste de sabor da farinheira com a maçã.

Há receitas em que se polvilha a maçã com um pouco de açúcar quando está a cozinhar. Ou pedem para se regar o preparado com um fio de mel, antes de se fecharem os folhados. Não senti essa necessidade, mas podem sempre optar por fazê-lo. Como se costuma dizer, o saber não ocupa lugar e na nossa cozinha, quem manda somos nós.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Perna de peru recheada com farinheira

Vamos preparar o Natal?

Por aqui, este ano e, à semelhança de há uns anos para cá, desafio-vos a preparar o Natal. Já partilhei uma receita de bacalhau e cachaço de porco assado com castanhas. Deixo-vos, hoje, a receita de perna de peru recheada com farinheira, servida com as batatas e o molho do assado triturado. Simples, prático e resulta tão bem!

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Sopa da pedra

Os dias de Outono pedem comida de conforto. E, uma das sopas que sabem bem nesta altura, é a tradicional sopa da pedra. Conta a lenda que um frade com fome chegou a casa de um lavrador e pediu para fazer um caldo de pedra. Já tinha a pedra, mas faltava-lhe a panela. Os lavradores incrédulos, nunca tinham ouvido falar do caldo de pedra, deixaram o frade fazer a sopa. Depois de colocar a pedra na panela com água, diz aos lavradores que a sopa ficava melhor se tivesse algum tempero. E assim, foi acrescentando chouriço, toucinho, feijão e batatas à sopa. Quando começou a ferver, começa a sair um cheiro delicioso. Depois de o frade comer a sopa, os velhotes perguntam: - Então e a pedra? Ao que o frade, respondeu: Essa, levo-a comigo, para fazer outra sopa ali, mais à frente. A astúcia e manha do frade, e a curiosidade dos aldeões em verem o caldo ou sopa da pedra, levou a que o frade tivesse uma bela refeição!

A sopa da pedra, com um caldo cremoso é uma sopa rica com feijão, batatas, carne e enchidos. Tradicional do Ribatejo, ganhou fama quando o restaurante O Toucinho, em Almeirim, a começou a servir, em 1962.

É uma sopa de cariz rural, apesar de cada família ter a sua receita, hoje, faz parte da cultura popular de Almeirim. « Plantava-se feijão, batata e conservava-se em salgadeiras a carne do porco e produziam-se enchidos. Na generalidade, eram estes produtos a base da sopa tradicional desta região, muito nutritiva e ótima para retemperar as forças exigidas pelos pesados trabalhos agrícolas. Também por ser rica, contendo carne de porco, toucinho e enchidos, valia como uma refeição completa. »

A sopa da pedra é uma sopa encorpada, atraente e bastante reconfortante. Bom apetite!

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Feijoada de enchidos

As leituras fazem parte dos meus dias. Gosto sempre de ir fazendo listas dos livros que quero ler. Para este Outono/Inverno escolhi:
- Histórias e Curiosidades à Mesa de Virgílio Nogueiro Gomes. Um livro que nos transporta por produtos, histórias e estórias. Uma leitura imprescindível para quem gosta de gastronomia.

- A Colher de Ouro de Jessa Maxwell. Adoro romances em que se fala de comida. São sempre verdadeiramente deliciosos.

- A Mesa de Deus Os Alimentos da Bíblia de Maria Lecticia Monteiro Cavalcanti. « Este é um livro que nasce de uma conversa da autora, jornalista e crítica gastronómica, com o então padre José Tolentino Mendonça, que assina o prefácio [...]. Demorou dez anos a compilar toda a informação sobre as refeições dos textos sagrados. Pão, vinho, vinagre, azeite, mel, sal, leite e derivados, água, assim como ervas e especiarias, cereais, leguminosas, arbustos e árvores. «Entrar na Bíblia pela porta da cozinha é um argumento mais sério do que se possa supor. E também mais espiritual», escreve José Tolentino Mendonça. «Não é apenas um ensaio exaustivo sobre a mesa bíblica: é um convite a entrar, um abrir da mesa, uma coreografia de odores, uma prática do saborear.» Uma mesa não é só uma mesa. » Este é um daqueles livros que tenho a certeza que vou adorar!

Entre os livros e as leituras, deixo-vos uma receita reconfortante e económica para estes dias de Outono, feijoada de enchidos. Espero que gostem! Bons cozinhados e boas leituras.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Lombinhos de porco recheados com farinheira e castanhas

Os dias frios e chuvosos de Outono pedem comidas quentes e reconfortantes. Cá por casa, nesta altura do ano, o forno não tem tido descanso. Adoro comidas de forno. Resultam bem. Podemos fazer em quantidade e, enquanto estão no forno, libertam-nos para fazermos outras coisas. Um ingediente que tenho usado bastante este ano, são as castanhas. Já fiz carne de vaca com castanhas. Deixo-vos, hoje, uma receita bastante conhecida, os lombinhos de porco com farinheira e castanhas. Espero que gostem!

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Rolo de carne com farinheira

Maio tem sido um mês bonito. Passei por alguns canais de televisão. Fiz o lançamento do meu livro Planear, Cozinhar e Congelar. Tenho trabalhado na horta com a minha mãe. Tenho conseguido cumprir alguns dos meus objectivos de leitura.

Fazer uma horta, foi um dos projectos que decidi iniciar com a minha mãe, depois da morte do meu pai. Tem sido uma actividade que nos uniu ainda mais, que nos motiva imenso. Tratar da horta, escolher o que cultivar, tem-se revelado muito gratificante. Temos, todos os dias, assunto para conversar. Todos os dias, estabelecemos tarefas a realizar, o que é óptimo.

Segundo o psicólogo Fernando Lima Magalhães, « (...) as sensações que as plantas provocam nos cinco sentidos podem levar a benefícios, como sentir prazer pelo observar a beleza das plantas, o tratar das plantas pode fazer sentir um propósito, que é tratar de um ser vivo; a recompensa de ver a planta a crescer pode ajudar a um sentimento de autocontrolo (associar as ações a um resultado positivo), os cheiros da planta ou o efeito positivo no ar pode ser sentido pelo olfato. Por outro lado, se a atenção estiver focada na planta isto permite desligar o cérebro de preocupações e pensamentos negativos, o que reduz a ansiedade, mas de uma forma geral, o contato com a natureza é positivo para a saúde mental, como se nos ajudasse a reconectar com o mundo natural. »

Fazer uma horta, é uma actividade positiva. Faz-nos sentir úteis, temos algo para cuidar. E, é muito gratificante acompanhar o ciclo de uma planta, desde que se coloca na terra até ao momento em que colhemos. Uma das coisas que fazemos, assim que a vou visitar, é ir ver a horta. Nestes dias, caminhamos as duas lado a lado e explica-me quais são as plantas que temos, mostra-me as que já estão em flor, as que já têm fruto e as que precisam de algum cuidado. E depois questiona-me: - sabes quantos pimentos têm aquele catalão? - Não, digo, eu! E responde-me, 10! Tem 10! Sabem o que é mesmo bom, é que estes momentos já ninguém nos tira.

Deixo-vos uma sugestão para este fim-de-semana, façam algo com a vossa família que ajude a criar memórias. Não é preciso pensar em coisas complicadas ou em que se gaste muito dinheiro. Por vezes, basta juntar a família na cozinha e preparar uma refeição. Este fim-de-semana, façam com os mais novos ou com os mais velhos, um rolo de carne. Quando chegar à mesa, vai saber ainda melhor! Experimentem.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Lascas de bacalhau com puré de grão-de-bico e crumble de farinheira

Aproximam-se dias mágicos, onde as famílias se reúnem, à volta da mesa. É tempo de celebrações. Nestes dias, o bacalhau da Noruega é a escolha para a Noite da Consoada. Há, quem faça o tradicional bacalhau cozido com todos. Há, quem procure inovar e servir todos os anos uma receita diferente de bacalhau. Há, quem faça render este delicioso peixe e opte por receitas de tabuleiro. Independentemente das receitas ou método de confecção escolhidos, o bacalhau da Noruega é rei da mesa dos portugueses nesta quadra festiva.

E o que fazer com as sobras de bacalhau da Consoada ? Podemos fazer mil e uma receitas, desde arrozes, saladas, massas, gratinados, lasanhas, pastéis, folhados, pizzas e, até, pães recheados.

Para quem gosta de servir pratos de bacalhau inovadores nesta quadra festiva ou, para quem quer dar destino às sobras de bacalhau que eventualmente terão do Natal, deixo-vos uma irresistível e deliciosa sugestão, lascas de bacalhau com puré de grão e um maravilhoso crocante de farinheira. Tenho a certeza que vão adorar esta receita. Experimentem!

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Lombinho de porco recheado com farinheira

Há rotinas que mantenho na Primavera. Uma dessas rotinas, é destralhar a casa. Este processo é muito difícil, para mim que tenho apego às coisas e, acho sempre que me podem vir a fazer falta. Mas quando começamos a equacionar a falta de espaço, quando percebemos que temos as gavetas demasiado cheias, é mais do que tempo de rever o que temos e de avaliar se efectivamente precisamos de tanta coisa.

Na Primavera, cá em casa, tentamos destralhar, desde o closet, passando pelas estantes de livros e revistas, e finalizamos na cozinha. O meu critério é, dar destino a roupas e sapatos que estejam gastos, revistas de cozinha com mais de 10 anos, livros que já li e que não são referências. Na cozinha, pratos lascados, chávenas com rachas, utensílios estragados, caixas sem tampas. Assim, pouco a pouco, consigo trabalhar a arte do desapego e arrumar a casa, libertando espaço.

A Primavera traz-nos a vontade de mudar. E fazermos este processo de renovação da nossa casa, no final, é mesmo muito gratificante.

Enquanto se destralha a casa, na cozinha continuamos a fazer pratos a pensar nas refeições, em família. Um destes dias, para um almoço feliz, preparei um lombinho de porco recheado com farinheira. Fica tão bom!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Chicharada de coelho

A iniciativa Alvaiázere Sabe Bem continua. Caso, visitem algum dos estabelecimentos aderentes, ainda podem fazer a vossa votação. Participem!

Nos finais de Novembro, estive em Alvaiázere, onde fui muito bem recebida. O carinho das pessoas, a simpatia, a disponibilidade de todos, deixaram-me de coração cheio e com vontade de voltar, para além de ser uma terra onde se cozinha muito bem. Entre os diversos motivos de atracção da região, destaca-se o baloiço, colocado segundo Miguel Torga, no "miradouro mais vasto de Portugal" e que tive a oportunidade de visitar. A vista é magnífica.

Os chícharos são um dos produtos pela qual a região é conhecida, mas destaca-se, também, na produção de azeite - encontramos na zona oliveiras milenares, produção de mel, de ervas aromáticas associadas à serra e de vinho.

Na visita que fiz a Alvaiázere, fui tomando notas de algumas receitas que quero partilhar convosco. Uma delas, é esta chicharada de coelho. A chicharada, palavra que deveria constar no dicionário de língua portuguesa, é uma feijoada mas feita com chícharos. Espero que gostem!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Hambúrguer de frango com farinheira e maionese de ervas


Quando fui ao jantar que assinalou a 2ª edição da Rota dos Hambúrgueres promovida pela Hellmann's fiquei cheia de vontade de fazer este prato cá em casa. Como vos referi, esta iniciativa está a decorrer até dia 31 de Julho de 2016, em Lisboa e no Porto. Vejam a lista de restaurantes aderentes e aproveitem. As opções são muito variadas.

O facto de podermos ir aos restaurantes comer hambúrgueres originais, com combinações especiais, é por vezes, uma forma de inspiração para os fazermos em casa também. E foi o que me aconteceu. Ao provar o de frango, do chef José Bengaló, fiquei com vontade de também eu o experimentar fazer cá em casa. Juntei farinheira à carne de frango e o resultado foi uma refeição que nos deixou ainda com mais vontade de experimentar novas combinações. Fazer hambúrgueres em casa é tão fácil e todos adoram!

Quem costuma fazer hambúrgueres? Fazem mais de carne ou de peixe? E a maionese, simples ou com temperos?

quarta-feira, 30 de março de 2016

Perna de borrego recheada com farinheira e espinafres


O borrego é uma carne que cá em casa gostamos muito. Adoramos costeletas de borrego grelhadas ou na frigideira, borrego com ervilhas, estufado e até em sopa.

Para estes dias de Páscoa, para uma refeição cá em casa, decidi assar um pedaço de perna de borrego que tinha no congelador à espera de destino.

Uma das coisas que há muito queria experimentar fazer era desossar uma perna de borrego. A de porco faço já há vários anos com relativa facilidade mas a de borrego era um desafio. Quando tirei a carne do congelador pensei, é desta. E assim foi.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Peitos de frango recheados com farinheira e arroz de espinafres


O Cinco Quartos de Laranja comemorou 10 anos no dia 13 de Fevereiro de 2016. Um dos eventos realizados para celebrar esta data, foi uma experiência culinária em jeito de jantar oferecida aos leitores do blogue no espaço Samsung Chef's Experience no Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Para prato principal escolhi confeccionar, com os participantes, peito de frango recheado com farinheira servido com um cremoso arroz de espinafres, que fica maravilhoso. Adoro o sabor da carne de frango com os aromas fortes, cheios de personalidade da farinheira. Um prato que fez sorrisos de satisfação durante o jantar.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Risoto de farinheira e agrião


Assim que o Outono nos bate à porta, chega também a vontade de pratos reconfortantes. Que nos ajudem a superar os dias cinzentos, com chuva que nos fazem chegar a casa com os pés molhados e algumas varetas do guarda-chuva partidas. Pratos que nos façam sorrir de satisfação e esquecer que, em dias de chuva, não se passeia por Lisboa.

Hoje deixo-vos o conforto apaladado de um risoto que desenvolvi para a revista Comer de Julho/Agosto de 2014.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Pastéis de legumes com farinheira e salada de tupinambo


Uma das coisas que gosto de fazer e que me deixa muito entusiasmada é ir às compras e depois vir para casa cozinhar. A partir dos produtos que comprar pensar em receitas e confeccionar uma refeição é sempre um grande desafio. Para mim, é um verdadeiro exercício de imaginação e criatividade. E é sobre esta experiência que nasce hoje aqui, no Cinco Quartos de Laranja, uma nova rubrica intitulada Receitas biológicas Brio.

Os supermercados biológicos Brio convidaram-me a visitar semanalmente as suas lojas e durante os próximos meses apresentar as receitas que vou fazendo com os seus produtos.

Uma das coisas que gosto quando visito o Brio é a possibilidade de encontrar produtos de diferentes tipos, que não se encontram tão facilmente noutro tipo de supermercados. Aqui encontramos batatas, cenouras, espargos, favas, beterrabas, mas encontramos também acelgas, ruibarbo, cherovias e tupinambo. Para quem gosta de encontrar e experimentar novos produtos, como eu, aconselho vivamente uma visita.

Por outro lado, tudo tem sabor e cheiro. As maçãs são perfumadas e doces. Deliciosas. A carne, é de animais criados com cuidado e com espaço. Sabe-se quem foi o produtor, e isso para mim é muito importante. Sabermos quem criou o que vamos comer, liga-nos. E isso faz toda a diferença.

Pastéis de legumes com farinheira

Ingredientes:
1 cebola
200 g de alho-francês sem rama
120 g de acelgas ou espinafres
1 farinheira de porco preto biológica
2 embalagens de massa quebrada
1 ovo
0,5 dl de azeite biológico
sal e pimenta preta q.b.


1. Colocar o azeite numa frigideira e levar ao lume com a cebola picada. Quando a cebola tiver transparente, adicionar o alho-francês cortado em rodelas finas.

2. Retirar a pele da farinheira e adicionar ao preparado.

3. Cortar as acelgas e os seus caules e juntar também à mistura.

4. Temperar com sal e pimenta preta a gosto.

5. Estender a massa quebrada. Com um cortador circular (diâmetro aprox. 9 cm) cortar a massa.

6. Em metade das rodelas de massa colocar a mistura de farinheira e legumes.

7. Com um pincel mergulhado em água pincelar a massa em toda a volta.

8. Colocar a outra rodela de massa por cima e com um garfo pressionar os lados de modo a que os pastéis fiquem bem fechados.

9. Com o mesmo garfo picar os pastéis por cima.

10. Pincelar os pastéis com o ovo batido.

11. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC, num tabuleiro forrado com papel vegetal, durante 20 minutos.

12. Servir com salada.


Salada de tupinambo com cenoura e folhas verdes

Ingredientes:
120 g de tupinambo
3 cenouras
mistura de folhas verdes
10 folhas de hortelã
1 colher de sopa de sumo de limão
3 colheres de sopa de azeite biológico
sal q.b.

1. Descascar o tupinambo e as cenouras.

2. Com ajuda de uma mandolina cortar os legumes em fatias finas.

3. Numa taça juntar os legumes cortados, as folhas verdes e a hortelã.

4. Regar com o sumo de limão, o azeite e sal a gosto. Mexer.


Os pastéis de legumes com farinheira resultam muito bem. Os que sobraram do almoço desapareceram sem deixar rasto, no lanche a meio da tarde. Foi a primeira vez que usei tupinambo numa salada em cru e cá em casa adorámos. Fica crocante. Delicioso. Experimentem.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Arroz de grelos com farinheira


A Primavera é uma das estações mais bonitas do ano. É sem dúvida a estação das flores. Para onde quer que olhemos, nesta altura do ano, encontramos os campos cheios de malmequeres, bem-me-queres e papoilas. E no que toca à comida, é a época em que temos à nossa disposição grelos, sejam de couve ou de nabiças, cá em casa adoramos.

A mãos com um molho de grelos tenros e viçosos que trouxe de Santarém, um dos destinos que lhes coube em sorte foi um delicioso arroz com farinheira.


Ingredientes:
350g de arroz carolino
1dl de azeite
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 farinheira
1,1L de água quente
250g de grelos
sal e pimenta preta de moinho


1. Retirar a pele à farinheira e cortá-la em pedaços pequenos ou desfazê-la grosseiramente com um garfo.

2. Refogar a cebola e o alho no azeite.

3. Acrescentar a água, o arroz e a farinheira. Temperar com sal e pimenta.

4. Depois de deixar ferver o arroz cinco minutos, acrescentar os grelos cortados. Assim que o arroz estiver cozido, retirar do lume e servir.

Os grelos são uma excelente companhia para a farinheira. Juntos transformaram este arroz num prato delicioso, que, obrigatoriamente se repete.

Outras receitas com grelos:
- Arroz de enchidos com grelos de couve;
- Arroz de grelos com camarão e feijão encarnado;
- Arroz integral com grelos;
- Bacalhau confitado com migas de broa e grelos;
- Bacalhau salteado com grelos;
- Cabrito assado no forno com grelos;
- Risotto de bacalhau com grelos;
- Sopa de bacalhau com grelos e ovos;
- Sopa de feijão branco, grelos e morcela;
- Sopa de feijão frade com grelos.

Bons cozinhados!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Ovos mexidos com farinheira e vinho do Porto


Eu adoro farinheira. Algo que é feito de uma forma tão simples, no fundo é juntar farinha, gordura de porco e temperos. Fica tão delicioso! Encontramos de norte a sul do país uma grande variedade de enchidos. Cada região tem a sua tradição e o modo de confeccionar vai variando um pouco de zona para zona.

Eu tenho a sorte de a minha mãe, uma vez por outra, ter a paciência, o conhecimento e as condições para fazer alguns enchidos. Bem, que já lhe pedi para tentar fazer alheiras, mas ainda não a consegui convencer! Ver se fazemos as duas. Do seu reportório constam as farinheiras, como já disse, chouriços de carne e de sangue e as mais deliciosas morcelas de arroz do mundo.

A farinheira que utilizei nestes ovos mexidos foi feita por ela. E foi das melhores que já fez e das que já comi.


Ingredientes:
6 ovos
1 farinheira
3 colheres de sopa de manteiga
3 colheres de sopa de água
2 colheres de sopa de vinho do Porto
sal e pimenta preta de moinho
salsa picada para servir


1. Tirar a pele à farinheira e cortar em pedacinhos.

2. Colocar a manteiga numa frigideira. Assim que derreter juntar a farinheira e mexer.

3. Bater os ovos com a água, o sal e a pimenta.

4. Juntar os ovos à farinheira e envolver. Regar com o vinho do Porto, mexer e deixar acabar de cozinhar. Não deixar secar muito.

5. Servir polvilhado com salsa picada.


A farinheira faz toda a diferença. Pode transformar os ovos mexidos numa entrada deliciosa que não nos apetece deixar de comer ou então, fica a notar-se que a farinheira não enriqueceu os ovos e que é mesmo o segredo desta entrada.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Peitos de frango recheados com farinheira, nabiças e nozes


O domingo é o dia em que sinto que tenho tempo para descansar da rotina do dia-a-dia, e das visitas à família. A cidade pára da sua azáfama diária e como diz António Gedeão, "aos domingos as árvores crescem na cidade e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas".

Aos domingos gosto de acordar com tempo, ler a meu belo prazer, olhar o mundo pela janela da sala, ver a calma das pessoas a andar, ouvir música e ir para a cozinha descansada. Sem pressas. Com tempo para cozinhar. Com tempo para apreciar o que faço, ter ideias, experimentar novas combinações, novos sabores.

O domingo é o dia em que gosto de me sentar à mesa com tempo. Fazer uma refeição demorada. Ter tempo para apreciar. Desligar a televisão. Conversar e rir.

O domingo é o dia em que gosto de ter tempo.

No passado domingo, para o almoço fiz estes peitos de frango recheados. Comprei um frango do campo e retirei-lhe os peitos. As pernas ficaram para outra refeição e com a carcaça fiz um caldo que usei no arroz de açafrão. Fazer isto, a pensar que tenho todo o tempo do mundo, só mesmo ao domingo.


Ingredientes:
2 peitos de frango
1 farinheira (125g)
150g de nabiças
15g de nozes picadas grosseiramente
2 colheres de sopa de pão ralado
1 colher de sopa de ervas picadas frescas (alecrim e tomilho)
1 colher de chá de manteiga
sal e pimenta


1. Cozer as nabiças em água.

2. Depois de cozidas escorrer muito bem e picar grosseiramente.

3. Pré-aquecer o forno a 200ºC.

4. Colocar a farinheira sem pele numa frigideira anti aderente. Levar ao lume e esmagar com a ajuda de um garfo. Adicionar as nabiças picadas e envolver muito bem. Juntar as nozes picadas.

5. Abrir os peitos de frango ao meio. Temperar com sal e pimenta.

6. Rechear os peitos de frango com a pasta de farinheira. Fechá-los com três ou quatro palitos. Colocar os peitos de frango num tabuleiro de forno.

7. Misturar as ervas picadas com o pão ralado. Polvilhar os peitos de frango com esta mistura.

8. Colocar umas nozes de manteiga por cima dos peitos de frango e levar ao forno durante 20 a 25 minutos.


Servi os peitos de frango recheados com arroz de açafrão.


Arroz de Açafrão

Ingredientes
1 chávena de arroz carolino
3 chávenas de caldo de galinha
1 colher de chá de açafrão das Índias (2g)
sal


1. Cozer o arroz carolino no caldo de galinha, com o açafrão das índias e uma pitada de sal, em lume brando durante aproximadamente 20 minutos.


Os peitos de frango recheados com farinheira combinaram muito bem com o arroz de açafrão. Foi uma refeição deliciosa para um domingo com tempo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Courgette recheada com farinheira e tomate


Setembro continua quente. Parece que finalmente temos os dias de calor que Agosto não trouxe. Agora que as férias terminaram, com estes dias assim, o que apetece realmente é uma ida à praia. Mesmo com calor, por cá o forno continua a funcionar. A sugestão de hoje são uma deliciosas courgettes no forno recheadas com farinheira e tomate. Uma delícia.


Ingredientes:
5 courgettes pequenas
1 farinheira de porco Ibérico
0,5dl de azeite
2 chalotas picada
2 tomates grandes maduros
2 ovos
umas folhas de segurelha ou um raminho de salsa picada
sal e pimenta
2 colheres de sopa de pão ralado
2 colheres de sopa de queijo parmesão ralado


1. Cortar as courgettes ao meio. Com a ajuda de uma faca ou de uma colher Paris retirar o interior das courgettes.

2. Picar a polpa das courgettes.

3. Colocar o azeite numa frigideira com as chalotas picadas. Adicionar a courgette picada. Mexer e deixar cozinhar um pouco.

4. Juntar o tomate picado, previamente limpo de peles e sementes. Deixar cozinhar um pouco.

5. Retirar a pele à farinheira e cortá-la em rodelas. Juntá-la ao preparado anterior e mexer. Temperar com sal e pimenta a gosto.

6. Adicionar os ovos, previamente mexidos e as folhas de segurelha ou a salsa picada.

7. Rechear as courgettes com o preparado anterior.

8. Numa taça misturar o queijo e o pão ralado. Polvilhar as courgettes recheadas com esta mistura.

9. Colocar as courgettes num tabuleiro e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 30 minutos.


Bom apetite!

[ Published in English as Roasted zucchini stuffed with farinheira and tomato ]

sexta-feira, 26 de março de 2010

Pizas ao domicílio no dia do Pai

No dia do Pai, o projecto Pizas ao Domicílio teve mais uma sessão, desta vez foi em casa dos sogros, com a Tia Dulce, os cunhados Hugo e Cristina e, a priminha Mariana.

A sessão começou com a confusão habitual. Uma mesa cheia. Ora se estende a massa, ora quem é que tem o queijo, onde está o molho de tomate! Cinco pessoas numa cozinha todos envolvidos numa tarefa, é obra.

A primeira piza a ir para o forno foi a da Cristina, que optou por um ingrediente que gosta muito. Na base da piza colocou molho de tomate, depois beringela cortadas às rodelas e por fim queijo mozzarella. Foi a primeira a ir para o forno e consequentemente a primeira a ir para a mesa. Ao servir a Cristina optou por colocar rúcula selvagem.

A segunda piza foi da nossa prima Mariana que teve deste modo uma auspiciosa estreia a fazer pizas. Estendeu a massa, decidiu os ingredientes e a sua disposição. Revelou-se muito à vontade na cozinha. Na escolha dos ingredientes, teve um critério engraçado: "Eu só escolho coisas que sei que gosto".

Começou por colocar molho de tomate, de seguida cogumelos, tomate cereja, ananás de conserva, camarões, bacon às tirinhas, fiambre, azeitonas verdes, queijo mozzarella ralado e queijo parmesão. Quando chegou à mesa foi um sucesso. Muito saborosa.

A terceira piza a sair do forno, foi a piza do sogro Joaquim. Na sua piza colocou molho de tomate, chouriço picante, mortadela com azeitonas verdes, ameixas secas, kiwi cortado às rodelas, queijo da ilha em tirinhas, camarão, tomate cereja, azeitonas verdes, queijo mozzarella ralado e queijo parmesão. Um sucesso. Foi considerada a piza mais saborosa, mas também não poderia ser de outra forma. Ai de quem se atrevesse a fazer uma piza melhor! :)

A quarta piza a ser provada, foi a do Hugo. Na sua piza não usou molho de tomate. Colocou camarões, cogumelos frescos laminados, tomate cereja, bacon às tirinhas, frango desfiado, ananás, rodelas de banana e queijo mozzarella ralado. Chegou à mesa decorada com folhas de rúcula.

Depois de todas as pizas servidas, seguiu-se um sistema de voto em que teríamos que classificar as pizas de 1 a 3 em termos de sabor e de apresentação. De destacar a participação efusiva do meu sogro, cunhado e prima Mariana nesta fase! Apesar do sistema de contagem de votos ter sido "duvidoso" ;), com várias tentativas de favorecimento próprio, o que é certo é que esta piza foi eleita a mais bem apresentada.

A última piza a chegar à mesa foi a minha e a do Ricardo. Não usei molho de tomate. Coloquei na base da piza queijo mozzarella ralado, cogumelos frescos, fatias de beringela, farinheira, queijo camembert, queijo mozzarella ralado e queijo parmesão. Antes de servir coloquei chalota cortada fininha e folhas de rúcula. Desta vez, achei que a minha piza não saiu especial. Faltou-lhe sabores contrastantes.

Foi uma noite muito divertida, uma maneira diferente de reunir a família e comemorar o dia do Pai.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Pizas à sexta ...

Nos últimos tempos, o jantar de sexta-feira tem sido pizas. A rotina é mais ou menos a mesma. O Ricardo faz a massa na máquina do pão. Eu antes de regressar a casa do trabalho compro algum ingrediente que possamos usar.

Nesta sexta-feira de pizas resolvi confeccioná-las sem molho de tomate. A primeira piza a ir para o forno foi a de farinheira com brócolos e tomate seco.

Para esta piza refoguei em azeite uma cebola e dois dentes de alho picados. Assim que a cebola quebrou adicionei tomate seco em azeite, cortado em pedaços. Mexi. De seguida adicionei uma farinheira cortada em pedaços e sem pele. Por fim, adicionei brócolos cozidos e esmagados grosseiramente. O Ricardo finalizou esta piza com azeitonas verdes sem caroço cortadas ao meio.

A seguir seguiu-se a piza com beterraba, cogumelos e queijos.

Polvilhei a base da piza com queijo mozzarella ralado. De seguida coloquei rodelas de uma chalota, cortadas fininhas. Distribui pela base as meias rodelas de beterraba, cogumelos frescos laminados e queijo chévre. Por fim, adicionei queijo ricotta e polvilhei com queijo mozzarella ralado. Assim que saiu do forno polvilhei com orégãos secos. Uma delícia.