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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Era uma vez uma Casa Cor-de-rosa na Ilha do Farol

Quando cheguei a Santa Luzia, Tavira, de férias procurei conciliar aquilo que gostaria de fazer com as actividades que a restante família também queria, de maneira a que todos os dias tivéssemos uma actividade diferente e assim aproveitarmos o tempo o melhor possível. Uma das actividades que agendei foi a ida ao mercado de Olhão.

Em Abril quando participei no programa Paladares ao Sul, dinamizado pela Associação do Sotavento Algarvio, falhei a visita a este mercado e agora não quis perder a oportunidade. Na passada quinta-feira o programa era passar o dia na Ilha do Farol - como é usualmente conhecida uma das pontas da Ilha da Culatra onde fica o farol - mas antes de apanharmos o barco e seguirmos viagem ainda tive tempo de visitar o mercado que está dividido em dois edifícios. Um deles dedicado ao peixe fresco e o outro às frutas, legumes e carnes. Por mais mercados que visite continuo a deliciar-me com a qualidade dos produtos, a variedade e a apresentação. De férias faço as compras sempre nos mercados. O peixe é fresquíssimo, as frutas e legumes são saborosas e têm cheiro. Um pêssego cheira a pêssego, o tomate a tomate, etc.

A visita ao mercado foi muito rápida, mas ainda descobri o litão seco, um pequeno tubarão que costuma também ser servido na noite de consoada na zona de Olhão.

A viagem até à Ilha da Culatra demorou sensivelmente 45 minutos. O barco ia cheio de veraneantes carregados de chapéus de sol, sacos com toalhas de praia e lancheiras. Procurei um lugar onde pudesse contemplar as vistas e sentir os salpicos da água fresca do mar. Ao longo da viagem a paisagem é bonita. Descobri que há locais marcados pelos respectivos proprietários para a apanha da amêijoa. As canas e as bandeiras são disso sinal. Chegámos à Ilha do Farol antes das 10 horas da manhã e a nossa missão foi descobrir a Casa Cor-de-rosa, dos primos Téte e Gino. Ora é no final desta rua - diziam os meus sogros ... ora não é. Se calhar é na outra rua, acho que é mais junto à água, diziam o Ricardo e o Hugo - e assim andámos um bom bocado até encontrarmos a Casa Cor-de-rosa. Desde que conheci o Ricardo que ouvi falar da Ilha do Farol, das estórias de verão ali passadas com os primos Telma e André, mas esta foi a primeira vez que ali fui e estava cheia de curiosidade. A ideia que construí não correspondeu àquilo que vi. A zona residencial está bem arranjada e organizada. As casas são bonitas, algumas até parecem de brincar.

A manhã passámo-la na praia. E foi preenchida com muitas idas à água, banhos de sol e muita conversa, especialmente com as primas Telma e Téte sobre a Ilha, a Casa Cor-de-rosa que tem cerca de 45 anos e que sempre foi cor-de-rosa. Falámos também das dificuldades do dia-a-dia dos primeiros moradores, do modo como se abasteciam de víveres - durante muitos anos não houve luz eléctrica e só muito recentemente tiveram água canalizada. Condições duras para usufruírem de um pedacinho de paraíso.

Na Ilha do Farol a água é límpida e de vários tons de azul, azul transparente, azul intenso. Não há carros e à noite deve-se ouvir apenas o som das ondas e pouco mais. Silêncio.

À hora marcada, sentámo-nos para almoçar. Que privilégio almoçar com vista para a Ria! Começámos a nossa refeição com ovas de choco feitas na frigideira com azeite, alho e colorau. Uma verdadeira surpresa. Nunca tinha visto nem comido ovas de choco. Estavam macias e são completamente diferentes de outro tipo de ovas que já comi, como por exemplo de pescada ou até mesmo de sardinha.

De seguida veio para a mesa amêijoas à Bulhão Pato, umas amêijoas grandes, fresquíssimas (ainda nessa manhã as tinha visto vivinhas num alguidar com água) e saborosas. A simplicidade dos temperos só se consegue se a qualidade do produto for excelente. Estas amêijoas feitas com alho, azeite e coentros estavam divinais!

O prato principal foi uma magnífica feijoada de chocos feita pelo Gino e pela sua irmã Bélinha. Esta feijoada ainda soube melhor sabendo que foram eles que apanharam os chocos numa das suas muitas idas à pesca.

Para sobremesa foram servidas fatias frescas de melancia, comprada essa manhã no mercado de Olhão, encharcada de ovos e bolo.

Finalizámos a refeição com um vinho branco Quinta da Alorna 2007 de colheita tardia, bem fresquinho, que o Gino fez questão de nos dar a conhecer. Sugestão aprovada! ;)

À tarde demos um passeio até ao pontão da barra. Surpreendi-me mais uma vez com a quantidade de peixe que se consegue observar e acima de tudo com a transparência da água.

Pude também ver ao longe a Ilha da Barreta, mais conhecida por Ilha Deserta. Ao pôr-do-sol regressámos a Olhão com a sensação de um dia muito bem passado.


sábado, 7 de agosto de 2010

De Tavira à Terra Estreita

Na quarta-feira comecei o dia com uma ida ao Mercado de Tavira. Quando viajo tenho sempre o hábito de visitar mercados. Gosto de ver a variedade de produtos, o modo como estão arrumados e deliro com a mistura de cores. As bancas enchem-se de diferentes tons (vermelhos, verdes, laranjas, etc.) alinhados quase geometricamente. Os mercados reflectem os gostos e hábitos de uma população.

No Mercado de Tavira adorei a parte do peixe, notava-se que era muito fresco. Andei de banca em banca e surpreendi-me com uns carapaus enormes, com a cor do atum, com o tamanho da corvina, com o bonito que é mesmo bonito, entre outros. Para casa, os meus sogros trouxeram douradas, mas ficámos, o Ricardo e eu, a pensar nas ferreiras e nos besugos, mas a compra já estava feita.

Na secção das frutas, os figos conquistaram todas as atenções. Nesta pequena visita descobri os figos da mina, os figos castelhanos e os orelhas de mula, estes últimos ainda não provei. Todos os anos aqui no Algarve elegemos uma fruta. Houve anos em que foram as uvas, especialmente a uva D. Maria que aparece no final de Agosto, outros os pêssegos, mas este ano são sem dúvida os figos. Desde que cá estamos não há dia em que não comamos figos.

O dia foi passado na praia da Terra Estreita ou Praia de Santa Luzia, para a qual temos que ir de barco. A viagem é curta mas mesmo assim sabe bem e é muito agradável sentir o fresco da água, observar as gaivotas a levantar voo à passagem do barco e nos dias de maré baixa ainda encontramos alguns pescadores na apanha da amêijoa. Como em quase todas as praias por aqui, a água é azul, um azul claro e límpido e, a temperatura, este ano, ronda os 25ºC. Uma maravilha.


Ao jantar, o Ricardo grelhou as douradas compradas de manhã na praça e ficaram no ponto. Está mesmo um especialista em grelhados. Como já referi noutro post, um dos truques para que a pele do peixe não fique agarrada à grelha é pincelar o peixe com azeite. Outro truque é não tirar as escamas.

Acompanhámos as douradas com batata cozida, uma salada mista (alface, tomate, pepino e pimento) e uma garrafa de vinho verde bem fresquinha.

Terminámos o dia numa esplanada em Santa Luzia a beber licor de amêndoa amarga com limão e gelo.

Assim, a vida sabe muito bem! ;)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Salmorejo à Andaluzia no reino dos Algarves

A estas férias de verão está associada uma rotina que tem sido mais ou menos assim: levantar cedo, passar toda a manhã e o princípio da tarde na Praia do Barril, beber um sumo de fruta natural numa das esplanadas, ler, regressar a casa, almoçar e dormir a sesta. Não há pressas. O tempo não está contado. As férias são mesmo assim! :)

Na rotina de férias não cozinho - por enquanto. Passar férias com a família é um privilégio e muitas das vezes ainda sou surpreendida, como foi o caso de ontem ao almoço. Depois de chegarmos da praia a tia Dulce tinha à nossa espera uma sopa fria que costuma comer na Ilha Canela em Espanha, onde passa parte das férias. A sopa é Salmorejo, uma sopa fria cremosa que se distingue do Gaspacho por ser mais densa e na região da Andaluzia não levar nem pimento nem pepino.


Ingredientes:
1,5 kg de tomates bem maduros
2 a 3 dentes de alho
azeite
vinagre balsâmico cremoso
4 a 5 fatias de pão de véspera
presunto picado
clara de ovo cozida picada
orégãos secos
cubos de gelo

1. Limpar os tomates de peles e sementes.

2. Triturar ou colocar no liquidificador o tomate, o alho, o azeite e o vinagre balsâmico.

3. Adicionar o pão cortado em fatias finas e triturar novamente.

4. Servir em taças com um cubo de gelo, com o presunto, a clara de ovo picada e orégãos.

A sopa ficou óptima. Adorei tanto que voltei a repetir!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Feira da Serra em Tavira

O programa Paladares ao Sul dinamizado pela Associação do Sotavento Algarvio, incluiu uma ida às compras na cidade de Tavira. No Sábado, antes do almoço descobrimos a loja de produtos biológicos Beterraba, no mercado de Tavira, onde nos deslumbrámos com a variedade de produtos, desde legumes frescos, massas, chocolates, farinhas, lacticínios e até produtos de cosmética.

À tarde passámos pela loja gourmet e garrafeira Vital, na Praça da República, um espaço pequeno mas acolhedor, cheio de produtos portugueses como conservas, doces, vinhos, licores, azeites, entre muitos outros.


Atravessámos a ponte velha de Tavira, também conhecida como ponte romana, contemplámos o Gilão e fomos visitar a loja Ex-Libris Gourmet, na Rua 5 de Outubro. Um outro espaço de mercearia fina em Tavira, com doces regionais, vinhos, licores, sal, chás, compotas, conservas, chocolates e até ginjinha de Óbidos, servida em copo de chocolate.

Acabámos a tarde com uma visita à Feira da Serra, no Jardim do Coreto, junto ao antigo mercado, onde encontrámos artesanato, doces regionais, queijos, azeites, enchidos, compotas, ervas, chás, aguardentes de medronho, entre outros produtos tradicionais da Serra do Caldeirão e de outras zonas do país.

Deslumbrei-me com o expositor das especiarias. Tantas e tão variadas.


O pão com chouriço feito em forno de lenha. Apetecível. Que cheirinho bom. Após tirar a fotografia, a senhora que assistia o nosso padeiro disse em tom divertido: "Amanhã apareces no jornal!". A cestaria.

As compotas e os doces regionais (folar do Algarve, os morgadinhos de amêndoa, broas de alfarroba, os queijos de figo ...), tudo uma tentação.


Depois da prova de doces, reconheço que o doce de alfarroba me conquistou.


Regressámos de táxi ao hotel rural Quinta do Marco, onde estávamos alojadas. E não é que o senhor taxista não sabia ao caminho! Entre andar para cá e para lá ... entre contactar a central e um outro taxista que dizia que sabia o caminho, mas que afinal não sabia, o nosso humor subiu ao rubro. Em vez de desesperar começámos a rir e a brincar com a situação. Dentro de um táxi quatro moçoilas perdidas no interior algarvio, não deve ser história que aconteça todos os dias! No fim, até o taxista ria nervosamente com a situação. No entanto, não me lembrei de lhe pedir para voltarmos à estrada principal, a partir de onde eu sabia o caminho! Isto de ir no banco de trás e na galhofa com a Ameixinha, Mónica e Pipoka, é o que dá! :)


terça-feira, 27 de abril de 2010

Workshop de bolinhos algarvios


Na doçaria algarvia a amêndoa tem um lugar de honra, destaca-se principalmente nos doces feitos com a chamada pasta de amêndoa ou maçapão.

No fim-de-semana que passei em terras do Sotavento Algarvio, a convite da Associação Sotavento Algarvio e da sua directora, Margarida Tomás, tive a oportunidade de participar num workshop de bolinhos algarvios, no Palácio da Galeria, em Tavira.

Os trabalhos do workshop estiveram a cargo de Maria do Céu Cruz que nos ensinou todo o processo de preparação dos morgadinhos e dos queijinhos de amêndoa. Neste workshop tive a companhia da nossa anfitriã Margarida, da Ana Santos e das outras ilustres convidadas, Ameixinha, Carlota, Helena, Isabel, Mónica e Susana, a que me juntei na sexta-feira à noite. O programa "Paladares ao Sul" começou na quinta-feira, mas por motivos profissionais só me juntei ao grupo na sexta-feira ao jantar.

O nosso workshop começou com a preparação da massa e para isso foi necessário:
- 1 kg de amêndoa sem pele picada finamente
- 300 g de açúcar moído finamente
- 4 claras

Primeiro misturou-se muito bem a amêndoa com o açúcar. De seguida adicionaram-se as claras uma a uma.

Depois da massa preparada, tirámos pequenas bolinhas que seguindo as indicações da nossa anfitriã recheámos com doce de ovos.

Dar forma a bananas, peras, limões, morangos revelou-se um pouco mais complicado do que à partida poderia parecer. Ainda tentei fazer uma pêra e uma fatia de melancia, mas como não resultou, rapidamente optei por dar forma a um limão, a uma maçã, mas sai-me muito melhor a fazer queijinhos. :)

Depois de toda a massa moldada, a D. Maria do Céu pincelou os bolinhos com gema de ovo e de seguida foram coloridos com corante alimentar.

A D. Maria do Céu explicou-nos que encontramos outro tipo de bolos feitos com esta pasta de amêndoa, que simpaticamente levou para nós provarmos:

Brigadeiro. Feito com a massa de amêndoa com pele, recheado também com doce de ovos. Maravilhoso.

Bolinho feito com a pasta de amêndoa com pele, mas que vai ao forno. Uma delícia.

Depois do workshop tive a possibilidade de visitar a D. Maria do Céu na Feira da Serra, em Tavira.

Não resisti a trazer do seu expositor alguns bolinhos, nomeadamente este ouriço que achei uma ternura.


Para saberem mais sobre este fim-de-semana:
- Waffles de canela e baunilha e uma mão cheia de boas recordações;
- Paladares ao Sul I;
- Sotavento Algarvio - Sensações à flor da pele;
- O (meu) Algarve;
- Estórias do Sotavento Algarvio;
- Sotavento Algarvio - Paladares ao Sul.