O dia acordou com o sol a brilhar num céu azul sonhador. O percurso para este dia estava definido, depois de uma reunião com os nossos amigos e companheiros de viagem, o Nuno e a Graciete, e de pelo meio termos ainda uma deliciosa conversa com o empregado de mesa do hotel sobre futebol. O modo como José Mourinho é amado pelos italianos é verdadeiramente comovente, ao ponto de deixar-nos orgulhosos e felizes por sermos portugueses.
De Montecatini iríamos até às Cinque Terre. A ideia que tinha das Cinco Terras, pequenas aldeias de pescadores situadas nas encostas escarpadas ao pé do Golfo dos Poetas, era algo de romântico e que me fazia sonhar com boa comida, ruas estreitas, casas coloridas e mulheres italianas a fazer pasta junto à entrada das casas.
Apanhámos o barco em La Spezia ao final da manhã. O sol era tão quente que tive que improvisar e fazer do casaco um chapéu para colocar na cabeça. A viagem durou aproximadamente uma hora. Partimos de La Spezia e fomos passando por Portovenere e pelas famosas Cinque Terre, a saber, Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso al Mare.
As casas penduradas nas rochas, pintadas com cores coloridas parecem verdadeiros postais. É curioso como conseguiram construir nestas encostas. Mas o que mais me impressionou foi ver a luta silenciosa e pacífica dos veraneantes por um bocado de rocha para estender a toalha e aproveitar o sol e o mar. Ali só pensei, que boas praias nós temos em Portugal!
Decidimos parar apenas em Monterosso al Mare. A última localidade do percurso de barco. Aqui deparámos com pessoas a aproveitarem o sol com as toalhas estendidas nas rochas, mas também uma praia com areal e muitos chapéus de sol. Decidimos ir almoçar, num bar/restaurante mesmo junto à praia.
Escolhemos uma salada de farro, meloa com presunto, mexilhões recheados e cerveja bem fresca. No final, pedimos ainda uma enorme taça de gelado que nos soube a dias frescos, às sombras das árvores e a grossas gotas de chuva gelada. Com o calor que se fazia sentir, estar a almoçar a ver e a sentir o aroma do mar transformou esta refeição num momento muito especial.
Depois do almoço pensámos em ir molhar os pés no mar, mas descobrimos que a praia era paga. Dezassete euros por dia com direito a chapéu e duas cadeiras. Com espreguiçadeira o valor passava para vinte e três euros.
Um pouco antes do pôr-do-sol apanhámos o barco de regresso. Na viagem, a sentir o aroma fresco da água do mar, pensei que também gostaria de fazer o percurso a pé pelo Caminho do Amor que liga as Cinque Terre ou até mesmo a respectiva viagem de comboio.
De La Spezia seguimos viagem por uma estrada cheia de curvas até Collecchio, nome que me fez lembrar um dos júris do programa americano de cozinha Top Chef. No dia seguinte, a viagem continuaria.
Este apontamento integra-se no relato da minha viagem, o ano passado, a Itália.



