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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

As diferentes cores do Pico

O Pico atrai-nos, fascina-nos, capta para si a atenção. Quer queiramos ou não, damos por nós a contemplar o Pico. Ora atravessado ou coberto de nuvens, ora limpo e a reflectir, consoante a hora do dia, diferentes tonalidades como refere Raul Brandão:

"Hoje decidiu morrer em violeta, mas, antes de morrer, passa por todos os tons do violeta. Desfalece e por fim envolve-se numa nuvem para o não vermos exalar o último suspiro. Desconfio que foi posto ali de propósito e à distância calculada para nos atrair e encantar. Nas noites de luar é um fantasma branco e imóvel. A gente espera que ele se mexa. Nas noites negras é um fantasma negro e trágico que se vai pregar na escuridão. Passo dias a olhar para ele. (...)

Espero a hora de assombro em que esta montanha enorme emerge toda vermelha do mar verde, num céu que empalidece e com a nuvem cor-de-rosa agarrada a um dos flancos. É um espectáculo extraordinário - delicado e extraordinário: a vida da nuvem e a cor da montanha. Na base manchas roxas - verdura de pinhais, e no alto o barrete vermelho aguçado até à extremidade." in As Ilhas Desconhecidas.

A minha visita ao Pico começou com um reconhecimento da ilha. Pegámos no carro e fomos contornando a costa, parando em tudo o que era miradouro ou local que permitisse ir ao banho. A paisagem do Pico tem características diferentes das outras ilhas, apesar do verde, das vacas a pastar a céu aberto e claramente felizes, das hortências, das escarpas verdes e húmidas, o Pico é das ilhas mais negras, onde o basalto negro se mostra vivo e intenso, especialmente na parte entre Cachorro e a Criação Velha.

Ao longo da ilha os campos cultivados e murados a pedras são dominados pela cultura do milho, inhame e batata-doce. As figueiras nalgumas partes da ilha são baixinhas, estendem os ramos junto ao solo e deitam assim os seus frutos protegidos da força do vento. Aprendi que as gentes do Pico costumam untar os figos para ajudá-los a amadurecer. Untar os figos consiste em usar uma varinha com algodão na ponta mergulhada em gordura, especialmente azeite. Os figos são untados na ponta e passados cerca de nove dias estão prontos a serem colhidos.

A ilha também produz vinho. As vinhas estão nos famosos currais. Espaços murados a pedra de basalto que permitem proteger do vento e fornecer às videiras o calor suficiente para a maturação da uva. Os vinhos do Pico que provámos, Frei Gigante, Terras de Lava branco e Terras de Lava tinto, têm sido uma verdadeira descoberta. Para além dos vinhos também encontramos diversos licores: mel, amora, funcho, figo, entre outros e a famosa "Angélica". A ilha é também produtora de queijo. O mais afamado é o queijo de São João do Pico, também conhecido como queijo do Pico.

A gastronomia no Pico é rica e variada. Desde o peixe fresco, passando pelos crustáceos, moluscos até às carnes, encontramos várias propostas. No entanto, as nossas experiências gastronómicas, em restaurantes, dignas de destaque no Pico foram duas.

A descoberta do restaurante O Ponta da Ilha, em Manhenha, foi por acaso. Nesse dia andávamos com dois amigos, o João e a Rita, a explorar a ponta sul da ilha. Depois de sairmos da Baía de Engrade e com a fome a apertar decidimos ir almoçar e não demorou muito a encontrarmos um sinal a indicar o referido restaurante.

Começámos a nossa refeição com umas entradinhas: queijo fresco com massa de malagueta (muito comum nos restaurante açorianos), linguiça e morcela.

Para pratos principais deliciámo-nos com peixão grelhado, polvo guisado e lulas grelhadas. Para beber, uma garrafa de Frei Gigante.

Outra das refeições que nos agradou foi no restaurante da Aldeia da Fonte. O dia estava quente e abafado e, escolhemos uma mesa na esplanada, à sombra, debaixo dos plátanos. Ali pouco mais se ouvia que o cantar de um ou outro passarinho que se aproximava.

Começámos o nosso repasto com uma roda açoriana: linguiça, morcela, inhame, favas e laranja. De seguida regalámo-nos com Polvo à Aldeia da Fonte e Novilho assado. A carne de novilho era tenra, quase que se desfazia. Muito boa. O polvo era suculento e apetitoso. Refrescámos o nosso paladar com uma garrafa de Terras de Lava branco fresquinho.
A nossa visita à ilha do Pico ainda envolveu uma visita ao Museu do Vinho, um passeio no mar para observar de perto baleias e golfinhos, a visita a uma adega, várias travessias pelo interior da ilha para contemplar a paisagem e as lagoas e, algumas idas ao banho. Por fazer ficou principalmente a subida ao Pico.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Em férias ...

Estou na Ilha do Pico. Temos sido presenteados com nuvens e de tempos a tempos com alguma chuva. O típico cartão de visita dos Açores em termos de clima. No entanto, a paisagem é deslumbrante marcada, nesta ilha, principalmente, pelo contraste do negro do basalto com os tons de verde intenso com que toda a ilha está pintada.

As experiências gastronómicas passaram, até agora, pelo pão de milho, muito diferente da nossa broa de milho, bolo de milho (um pão baixinho redondo, mas húmido e saboroso), massa sovada, queijo Ponta da Ilha e queijo fresco com uma consistência diferente da que encontramos no continente. Nas refeições temos dado preferência aos peixes: cherne, albacora e filetes de veja.