Às vezes as coisas estão mesmo ao nosso lado e nós nem damos por elas. Há uns anos atrás, estive de férias na
ilha de São Miguel, nos Açores. Uma semana para descobrir as paisagens encantadoras da ilha e claro, apreciar a sua boa gastronomia.
Num dos dias parámos em
Vila Franca do Campo, depois de deambular pelas ruas sentámo-nos para almoçar num restaurante pequeno, com uma esplanada num primeiro andar, junto a um cais onde chegavam barcos com peixe a saltar. Durante o almoço a nossa vista perdia-se na vastidão de mar azul ou num pequeno ilhéu de onde iam e vinham barcos com turistas. A casa estava cheia e o serviço foi demorado. Mas estávamos de férias e decidimos desfrutar da vista e do momento. E ainda bem que ficámos. Foi aqui que comemos o melhor boca negra grelhado de todas as nossas viagens aos Açores! A frescura e a textura da carne eram tão boas que nunca mais esqueci este peixe.
No passado fim-de-semana fui almoçar com os meus pais. A minha mãe surpreendeu-nos com peixe grelhado e disse-nos: « Este é um peixe que o pai costuma apanhar. Espero que gostem dele grelhado. » Bem, assim que provo um pedaço da carne firme e suculenta do peixe digo para o Ricardo, « Este peixe faz-me lembrar o boca negra! ». « Pois é! », diz-me logo ele. Um peixe vermelho com uma mancha negra perto da boca. Aos anos que o meu pai pesca este peixe. E que maravilha. Que reencontro delicioso!
No regresso a Lisboa, os meus pais oferecem-me um boca negra conhecido por cá, como cantaril. Não quis esperar. No dia seguinte foi logo o nosso almoço. Nem imaginam o orgulho do meu pai quando soube que adorámos o peixe!