A jovem alta, morena do 3º C, de cintura fina, era conhecida como a menina do Capuchinho Vermelho. Apesar de já ter deixado de andar de tranças e de saias rodadas com folhos, como tanto gostava a sua mãe de a vestir, o que é certo é que continuava a ser conhecida no bairro como a menina do Capuchinho Vermelho. Aquele casaco com capuz, feito pela sua querida avó que ganhava a vida a costurar para fora, era usado nos dias de inverno frios, chuvosos, em que ia para a escola ao fundo da rua. Gostava tanto do seu casaquinho, que em certos dia de verão chegou a ser vista com ele.
A menina do Capuchinho Vermelho vivia em casa dos pais e não gostava de cozinhar. Não gostava de andar entre tachos e panelas, nem entre assados no forno, cozidos ou grelhados. Tinha mais em que pensar, argumentava ela.
A sua mãe desgostosa gostaria que a filha aprendesse e ela nada. A cozinha, dizia ela, é como um lobo mau escondido numa floresta, com olhos e orelhas grandes, e com uma boca ainda maior pronta para me comer. A mãe, preocupada questionava-se onde é que ela ia buscar aquelas ideias. De certeza que só poderiam vir dos livros que lia a toda a hora. Como qualquer adolescente, a Capuchinho Vermelho preferia visitar a sua página no
Facebook. Andar de bicicleta. Ir às compras. Namorar com o vizinho do prédio do lado.
Os anos passaram-se e um dia chegou a notícia que a sua avozinha, que vivia no outro lado da cidade estava doente. A menina do Capuchinho Vermelho para ajudar a sua querida avó, decidiu que lhe levaria todos os dias um lanche. Mas para isso era preciso aprender a cozinhar! E assim fez. Falou com as vizinhas, viu programas na televisão, pesquisou na
Internet e pediu ajuda à mãe, que se sentia muito feliz com esta mudança da filha. Capuchinho Vermelho aventurou-se na enorme floresta que lhe parecia a cozinha e conseguiu enfrentar o lobo mau que via em cada apetrecho. Para ajudar a sua avozinha aprendeu a fazer
sopas,
bolos,
doces,
sumos e
pataniscas. Ah! As pataniscas de camarão, eram um dos petiscos preferidos da sua avó.
Pataniscas de camarão
Ingredientes:
550g de camarão com casca
3 ovos
175g de farinha de trigo
1 colher de café de fermento em pó
1 cebola picada
1 dente de alho picado
1dl de caldo de camarão
1 colher de sopa de azeite
2 colheres de sopa de leite
1 raminho de salsa picada
óleo para fritar
sal q.b.
pimenta q.b.
1. Descascar o camarão. Cozer as cabeças e triturar. Coar o caldo. Deixar arrefecer.
2. Numa tigela misturar a farinha, o azeite, sal, pimenta e os ovos. Mexer com uma vara de arames e a pouco e pouco adicionar o caldo de camarão e por fim, o leite. Mexer bem.
3. Incorporar na massa a cebola, a salsa e por fim o camarão cortado em pedaços.
4. Tapar o fundo de uma frigideira com óleo. Quando estiver quente, fritar às colheradas, deixando alourar as pataniscas dos dois lados.
5. Ao tirar as pataniscas da frigideira, deixar escorrer e colocar sobre papel absorvente.
O caldo que sobrou da cozedura das cabeças de camarão pode ser congelado e usado, por exemplo, na confecção de um
arroz de peixe ou de marisco. Se verificarem ao fritar que a massa das pataniscas está muito líquida deverão acrescentar um pouco de farinha.
A avó não podia, diziam os médicos, mas uma vez por outra a menina do Capuchinho Vermelho colocava na sua cesta, para acompanhar as pataniscas, uma garrafinha de vinho, de preferência tinto - dizia a avozinha! ;)
Esta história responde ao
desafio que a
Bélinha Gulosa colocou para festejar o quarto aniversário do seu blogue.
Bélinha, muitos parabéns!