Mostrar mensagens com a etiqueta Nespresso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nespresso. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Jantar Nespresso Gourmet Weeks ou o elogio ao café


O café faz parte das minhas rotinas diárias. Gosto do cheiro do café logo pela manhã. Gosto de terminar as refeições com café. Uso o café em algumas das minhas receitas, principalmente nos doces. Agora uma refeição com café do princípio ao fim ou em pratos de carne ou peixe, parece-me um grande desafio. E foi isso que a Nespresso propôs a vários chefs. Criarem uma refeição em que o café fosse o ingrediente em destaque. Sabemos que em sobremesas os aromas do café resultam muito bem, mas e em pratos de carne e peixe?

O primeiro jantar desta Nespresso Gourmet Weeks teve lugar no restaurante Feitoria com os chefs João Rodrigues e Ricardo Costa do Yeatman. Seguiu-se o Porto. O primeiro foi no restaurante Pedro Lemos e hoje será no Ferrugem, o restaurante da conhecida dupla Renato e Dalila. Amanhã, será no restaurante Oitavos com os chefs Cyrill Deviliers, Joaquim de Sousa e Francisco Siopa.

Um dos jantares em que tive a possibilidade de estar presente foi o do dia 11 de Julho no restaurante River Lounge do hotel Myriad by SANA Hotels. Cheguei ao final da tarde, ainda a tempo de ver o pôr do sol com vista para o Tejo e a ponte Vasco da Gama. A vista privilegiada deste restaurante já por si merece uma visita.

O jantar começou com uns aperitivos, que enquanto íamos conversando com os restantes convidados, souberam muito bem. A sopa fria de melancia com um toque de gengibre ou os canudos de abacate foram dos meus preferidos. Como o final de tarde estava quente, a frescura destas entradinhas destacou-se.

Sentados à mesa, entre uma selecção de pães - foi aqui que comi o melhor pão de caril, tão perfumado e com uma cor linda - para mergulhar no azeite com vinagre balsâmico, chegou o amuse-bouche preparado pelo chef Frederic Breitenbucher, duo de foie gras e coxa de pato com chutney de figos com especiarias, geleia de espresso leggero ao vinho do Porto. Um prato complexo, com uma excelente harmonização de sabores.


A entrada esteve a cargo do chef Patrick Lefeuvre, do restaurante Flor de Lis, que nos serviu um ravioli de lavagante com aipo, infusão de marisco e lungo leggero. Para mim foi um prato que me fez viajar pelo mar, pelo fundo do mar, com algas, muitas texturas e cores, com vida. A base com uma complexidade de verdes e algas, que íamos pescando a cada garfada. Por fim, o marisco e uma rede crocante a dar textura a toda esta aventura de sabores. Um prato muito bom, onde o café brilhou sem se sobrepor. A acompanhar as entradas um vinho verde Soalheiro de 2014.


O prato de peixe foi uma preparação do chef Frederic, um pregado salteado com fondant de espargos verdes, couve-flor caramelizada com espresso origin Brazil e fava tonka, batata vitelotte e braisage de limão. Este prato fez-me gostar ainda mais do trabalhado deste chef. Achei curioso o uso da fava tonka num prato de peixe. A fazer brilhar os sabores do pregado, um vinho M.O.B de 2012, da região do Dão.


Vitela com puré de cenoura branca, cogumelos selvagens em aroma de foie e ristretto origin India foi o prato de carne preparado pelo chef Luís Mourão. Neste prato houve uma surpresa maravilhosa. Um bombom de chocolate, intenso, que ao derreter na boca provocava uma verdadeira explosão de sabores. Que coisa boa! Para acompanhar o prato de carne foi-nos servido um vinho do Douro, VT de 2008.


A sobremesa foi preparada pelo chef anfitrião da noite, que nos surpreendeu com geleia de café e caramelo com crumble de chocolate e gelado de ristretto. Ainda hoje penso no sabor fresco e delicioso do gelado. Uma maravilha. Quinta do Alqueva de 2005, foi o vinho escolhido para acompanhar a sobremesa.


E para terminar a refeição, café, como não podia deixar de ser! Estes jantares são uma provocação aos nossos sentidos. Os pratos, elegantes, são visualmente muito apelativos. E depois os sabores são uma viagem por ingredientes que arrumamos em gavetas e que os chefs nos levam a perceber que afinal resultam em outros contextos. O café, foi um deles!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A magia do café em pratos salgados num workshop Nespresso


O café faz parte do meu dia-a-dia. Adoro o cheiro intenso, torrado do café. E cozinhar com café? - Ao ser confrontada com esta questão no início do workshop da Nespresso, no Peixe em Lisboa, pelo chef Chakall e com a participação do sommelier Rodolfo Tristão, acabei por responder que apenas em sobremesas. Não me lembro de usar café nos meus cozinhados e não sei bem porquê. Todos os dias bebo café. Uma das coisas que me custa é quando viajo para países que não têm vincada a cultura do espresso. Nessas alturas, beber um café como deve ser torna-se uma missão complicada.

Mas o workshop não era como preparar ou saborear um café perfeito, mas sim como usar café em pratos salgados e harmonizá-los com vinhos. Chakall, com a sua habitual boa disposição, começou por nos explicar o que iria cozinhar. Vieiras, costeletas de borrego e por fim, uma sobremesa com duo de chocolate. Fiquei cheia de curiosidade em perceber como o chef iria usar o café.

Vieiras Ristretto


Ingredientes:
Vieiras com coral (de preferência com a concha)
3 chalotas
2 cafés expresso intenso (Dharkan, Kazaar ou Ristretto)
1 colher de chá de mel cheia
Manteiga q.b.
Redução de vinagre balsâmico q.b.
Sal q.b.


1. Picar as chalotas.

2. Levar ao lume uma frigideira com manteiga. Assim que derreter adicionar as chalotas.

3. Quando as chalotas quebrarem, regar com o café. Juntar uma colher de chá de mel e deixar cozinhar.

4. Levar outra frigideira ao lume com uma colher de sopa de manteiga. Quando derreter, adicionar as vieiras e deixar alourar de ambos os lados.

5. Temperar as vieiras e molho de chalotas e café com sal.

6. Servir as vieiras na sua concha, com um fio de redução de vinagre balsâmico e coentros picados.


As vieiras foram acompanhadas por um vinho branco, Coleção Privada Verdelho 2012 de José Maria da Fonseca. Rodolfo Tristão explicou-nos que existem dois tipos de verdelho, o dos Açores e o do continente. Este último, comparativamente, plantado em zonas mais frescas, revela-se um vinho mais mineral e com notas de citrinos mais exuberantes. É importante não confundir o verdelho com o verdejo, que pelos vistos, nada tem a ver com esta casta. O vinho escolhido trouxe frescura ao sabor denso e apetitoso da vieira.

O segundo prato que Chakall confeccionou foi borrego com um molho especial de café e cacau que nos deixou a todos curiosos com o resultado final. Um molho com café e cacau, uma combinação mágica, só podia ser inspirador.

Borrego com molho de café e cacau


Ingredientes:
Costeletas de borrego
1 colher de sopa de cacau
2 cafés expresso Indriya from India
1 colher de chá de malagueta moída
2 colheres de sopa de natas
1 lima
2 a 3 hastes de tomilho-limão fresco
2 dentes de alho
1 colher de sopa de concentrado de tomate
1 colher de sopa de uvas secas
3 a 4 pacotes de açúcar
Azeite q.b.
Manteiga q.b.
Vinho tinto q.b.
Coentros frescos picados
Sal q.


1. Colocar numa frigideira azeite e levar ao lume. Assim que estiver quente colocar duas ou três costeletas. Retirar as costeletas e reservar.

2. Juntar ao azeite uma colher de sopa de manteiga. Adicionar o alho picado, coentros picados, o cacau, uma pitada generosa de malagueta, o café expresso, o concentrado de tomate, um pouco de vinho tinto e deixar reduzir.

3. Antes de retirar o molho do lume, adicionar as natas, as passas de uva, o açúcar e sumo de 1/2 lima. Mexer e temperar com sal. Retirar do lume.

4. Temperar as costeletas com sal e levar a alourar numa frigideira com manteiga. Adicionar tomilho-limão, sumo de 1/2 lima e sal. Assim que as costeletas estiverem douradas de ambos os lados retirar.

5. Servir as costeletas com o molho de café e cacau.


As costeletas foram acompanhas por batata e batata-doce assadas no forno em cubos com azeite, sal e tomilho. Chakal explicou que optou pelo café Indriya from India porque foi cultivado junto a uma plantação de especiarias e por isso o café aparentar alguns sabores exóticos e resultar muito bem no molho para a carne. Pode ser substituído pelo Roma.

Para harmonizar com o prato de carne, Rodolfo Tristão escolheu um vinho tinto, Periquita Reserva de 2011, com notas a madeira e a cacau. Na boca revelou-se um pouco adstringente, mas fez um bom par com a carne de borrego.


Para sobremesa foi-nos servido uma mousse de chocolate branco com framboesa e café expresso (forte) e bolo de chocolate sem farinha. A acompanhar, espressos Indriya e Ristretto. Antes de experimentarmos as combinações Rodolfo Tristão explicou-nos como provar café. Primeiro fazer uma apreciação visual, o creme - normalmente dizemos espuma - que ao contrário da espuma não desaparece e impede que os aromas do café se percam. O creme vai ficando na chávena à medida que bebemos. A cor do creme também nos diz se o café é mais ou menos intenso. Mais escuro, mais intenso. Agitar o café e depois sorver. Nesta última parte, olhamos sempre uns para os outros. Sorver?! Sim, diz-nos o sommelier, para que entre ar e nos ajude a perceber os aromas do café. Tivemos também a oportunidade de harmonizar a sobremesa com um moscatel de Setúbal, Alambre de 2008.


Com este workshop gostei de conhecer mais um pouco sobre o mundo mágico do café e principalmente fiquei com vontade de o usar em algumas receitas salgadas. Talvez começar por umas costeletas de borrego, o que vos parece?