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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Da terra do Pinóquio até Montecatini


Ficámos duas noites em Montecatini Terme. A primeira noite chegámos cansados e recolhemos logo aos quartos. A segunda noite já nos permitiu dar um passeio com calma pelas ruas centrais desta cidade termal. Eram quase onze da noite e ainda havia lojas e cafés abertos. Imensas pessoas a passear na rua. Qualquer cidade em Itália tem movimento. Pessoas na rua. Comércio. Cafés e restaurantes com clientes.

O passeio deste dia tinha começado em Lucca. Depois de Lucca seguimos viagem até Collodi, terra do carpinteiro Gepeto que deu vida a Pinóquio. Ali existe um parque temático do Pinóquio e os jardins históricos de Garzoni, para além de vendedores com bonecos do Pinóquio de todos os tamanhos e preços. A nossa visita foi curta. A noite estava quase a chegar e ainda queríamos visitar Montecatini Alto


O caminho até Montecatini Alto é feito a subir. Uma subida com algumas curvas fechadas, que às vezes nos deixam o coração apertado, mas com uma vista fabulosa e inspiradora para o vale que rodeia esta localidade. Assim que chegámos e saímos do carro, eis que se aproximam uns noivos e os seus fotógrafos. Não resisti a tirar uma foto.


Depois de um breve passeio por Montecatini Alto, de ver o funicular a chegar, de subir até perto da torre, decidimos jantar na praça principal. Ao princípio da noite, grande parte dos restaurantes já tinham as suas esplanadas cheias. Nós lá conseguimos arranjar lugar num dos restaurantes e para jantar eu optei por uma sopa de farro, muito deliciosa, fiquei com vontade de a reproduzir. Para a mesa veio também zonzellone con prosciutto, uma salada Caprese e pratos de pasta.


Depois do passeio nocturno pelas ruas movimentadas de Montecatini Terme, regressámos ao hotel. No dia seguinte esperava-nos um passeio de barco pelas Cinco Terras.

domingo, 20 de novembro de 2011

Em Lucca a falar português


Chegámos a Lucca, na viagem de férias de Agosto, a meio da manhã de sábado, no dia a seguir de termos jantado em Pisa. A maior parte das lojas estava fechada, mas nas ruas circulavam muitos turistas. Lucca, como quase todas as cidades italianas, tem um passado histórico rico. Foi fundada pelos Etruscos, os Romanos estabeleceram ali uma colónia e, em 1799 foi conquistada por Napoleão. O centro histórico de Lucca está dentro de muralhas.

Depois de um passeio pelas ruas da cidade, de espreitar algumas lojas com pasta fresca à venda, de passar pela Piazza dell'Anfiteatro, um dos ex-libris da cidade, eis que o estômago começa a dar horas e antes que seja tarde, o melhor é encontrar um restaurante para almoçar.


Nem sempre aquilo que nos parece fácil o é. Nesta nossa viagem a Lucca encontrar o restaurante previamente escolhido revelou-se uma verdadeira saga com tantos caminhos percorridos quase como os episódios da série de TV Dallas.

Quando visitamos uma cidade, uma das primeiras coisas que procuramos fazer logo é arranjar um mapa para nos conseguirmos orientar. Em Lucca, quando chegámos, o ponto de informação turística estava fechado. Pensámos que estando Lucca dentro de umas muralhas não nos deveria ser difícil encontrar o que quer que fosse. Por isso, andámos de rua em rua à procura do restaurante escolhido para o nosso almoço. Mas estávamos bem enganados. Lucca tem muitas ruas, umas largas, outras bem estreitas e muitas, umas parecidas com as outras, especialmente aos olhos de uma pessoa que ali vai pela primeira vez. É já ali. Afinal não era. Se calhar é para acoli e não era. Mais uma tentativa. E mais outra. Isto tudo com o Ricardo a não querer perguntar indicações - mas porque é que os homens acham sempre que conseguem descobrir um local numa terra estranha sem perguntar aos locais?


Eu já farta de tanto andar e voltar ao mesmo sítio sem encontrar o tão desejado restaurante resolvi meter conversa com um jovem que estava parado com a sua bicicleta, cheio de sacos, em frente a uma loja. Meti conversa em italiano, a frase decorada para perguntar onde é, mas eis que o moço não me entende. Nisto, apercebe-se que sou portuguesa e diz-me que o melhor é falarmos em português, pois de certo que nos iríamos entender muito melhor. Eu, cheia de fome e cansada de andar às voltas, achei que era uma fantástica ideia. E foi assim que conheci o Stefano.

O Stefano esteve um ano em Portugal, na cidade do Porto, a estudar. Para ele, esta foi uma excelente oportunidade para colocar em prática os seus conhecimentos de português. Amavelmente, disponibilizou-se a servir-nos de guia até ao restaurante Vecchia Trattoria Buralli, situado numa praça pacata, longe da confusão dos turistas. Durante o percurso, Stefano falou-nos de Lucca, das suas noventa igrejas, e é que comum as pessoas perderem-se ali pois há muitas ruas, falou-nos da diferença entre Portugal e Itália. Disse-me que cá em Portugal, as pessoas falam com mais calma e que ele gosta imenso disso. Durante o percurso, Stefano ia-nos trauteando algumas das conhecidas óperas de Puccini e de Luigi Boccherini, ambos filhos da terra.

Já no restaurante, fizemos os nossos pedidos e para a mesa veio bruschetta com tomate e outra com lardo, javali com polenta, que já tinha comido, noutra viagem, em Bolonha, carne de porco assada com batatas, salmão grelhado e pasta com molho de tomate. O vinho escolhido foi Il Selvatico, de Montecarlo, uma localidade próxima de Lucca. Aqui uma vez mais, achei que o pão que serviram deixou muito a desejar. Achei-o seco e quase sem sal. Bom pão, tínhamos comido nós em Florença.


Depois do almoço ainda houve tempo para visitar a Catedral. Uma das coisas curiosas de Lucca é a torre Guinigi. É uma torre com árvores no topo. Segundo o nosso anfitrião, na altura da construção da torre, como não podia ser mais alta, colocaram árvores, para assim estarem mais perto do céu.


E assim, a falar português saímos de Lucca. A terra do pai do Pinóquio esperava por nós.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Um jantar em Pisa


Chegámos a Pisa vindos de San Gimignano. A paisagem pelo caminho foi marcada por campos de vinhas, girassóis e muito verde. A Toscana é uma região magnífica em termos de paisagem. Em Pisa, depois de me enganar no caminho e de fazer os meus companheiros de viagem andarem mais do que era suposto, acabámos por fizer uma visita rápida à famosa torre inclinada, a que se seguiu algumas fotografias antes de o sol se esconder.


De seguida e sem recomendações, fomos escolher o local para jantar. A escolha recaiu na Osteria I Santi. Decidimos ficar na esplanada. Aqui escolhemos uma salada Caprese e bruschettas de tomate, um arroz do mar, tagliatelle com cogumelos, lasanha, ravioli com courgette e pinhões. A refeição soube bem. Agradável numa noite quente de Verão.


Daqui, cansados, partimos para Montecatini Terme. No dia a seguir estaríamos em Lucca.

San Gimignano e o melhor gelado do mundo


Depois de almoçar em Siena partimos para San Gimignano, uma localidade em plena região da Toscana. San Gimignano é conhecida pelas suas catorze torres e pelo centro histórico de arquitetura medieval. Depois de andarmos pelas ruas empedradas e limpas, de ver os edifícios cuidados e com flores, de visitar algumas lojas de artesanato e de produtos alimentares, de ouvir um grupo de jovens a cantar fomos até à Piazza della Cisterna.


Com o fim da tarde a aproximar-se, fomos à procura do verdadeiro motivo da nossa visita a San Gimignano, a Gelateria di Piazza, considerada a melhor do mundo (de 2006 a 2009). O espaço era pequeno, mas estava cheio de gente a querer provar os gelados. Eu não resisti especialmente ao aroma de figo. Foi este gelado que me motivou a que no dia dos meus anos usasse pela primeira vez a máquina de gelados. Por estes gelados, de certeza que voltaria a esta encantadora vila medieval.


Antes de sairmos de San Gimignano tivemos a oportunidade de contemplar a paisagem envolvente, típica da região da Toscana. Os campos verdes, as vinhas, os ciprestes e as casas cor-de-terra amarelada a destacarem-se na paisagem, foram também um dos pontos altos desta nossa viagem. E foi a sonhar com esta paisagem inspiradora que seguimos viagem. Pisa seria o nosso próximo destino.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Siena, uma cidade de tradições


Siena é uma cidade bonita, com ruas estreitas cuidadas, onde as casas pintadas em tons terra contrastam com o verde da paisagem Toscana. Siena seduz-nos com o seu casario medieval, com as festividades e a boa comida. Segundo a lenda foi fundada por Sénio, filho de Remo, por isso encontramos várias estátuas pela cidade da loba a amamentar duas crianças, tal como na cidade de Roma. Nasceu ali também o Monte dei Paschi di Siena, actualmente, o banco mais antigo do mundo.

Assim que ali chegámos, a primeira coisa que procurámos visitar foi a Piazza del Campo, um dos ex-libris da cidade. Todos os caminhos da cidade vão dar a esta praça em forma de meia lua e ligeiramente inclinada. A praça estava preparada para receber um evento especial, as corridas de cavalos sem sela, uma tradição local a que dão o nome de Palio e se realiza duas vezes por ano, uma delas a 16 de Agosto. A praça estava cheia de turistas, alguns sentados nas esplanadas a almoçar, outros, como nós, de passagem. Os edifícios ostentavam estandartes (bandeiras de seda), os palios, com os brasões das paróquias (contrade) da cidade. Ali na praça, junto à Fonte Gaia, lembrei-me do filme Sob o sol da Toscana, que vi antes de ir, quando um dos protagonista participa numa festa local e, vestido de pajem, faz uma dança com bandeiras estandarte. Essa festa deveria ser em Siena.


Depois seguiu-se um passeio pelas ruas estreitas que nos levou desde a Piazza del Campo até à Piazza del Mercato. Aí, a zona do mercado estava vazia, mas, por sua vez, no espaço envolvente estavam parados vários camiões de diferentes televisões para fazerem a cobertura da corrida. Mais uma subida, por ali algumas das ruas são íngremes, bastante íngremes mesmo. Siena é uma cidade com muito comércio. Encontramos várias lojas de artesanato, produtos alimentares, mercearias com fruta fresca à porta, massas variadas, cogumelos secos, azeites, entre outras coisas. Também se encontram galerias de arte com obras de artistas da região ou nacionais. As obras são quase todas quadros com paisagens da Toscana, campos de girassóis, vinhas, papoilas e casas, que transmitem uma enorme tranquilidade. Quase que apetece trazer um pouco daquela paisagem connosco.


À hora de almoço escolhemos o restaurante Hostaria Il Rialto, numa rua estreita e escondida das artérias principais e cheias de turistas. Para almoçar escolhemos pici com cogumelos, uma massa maravilhosa, cheia de sabor, ravioli com manteiga e sálvia, papardelle com ragú, ossobuco - que estava magnífico - peito de frango grelhado, um prato de tripas com molho de tomate - típico da região - e para acompanhamento feijão cozido com tomate e sálvia. As sobremesas foram um bacio, um bolinho com frutas cristalizadas e cobertura de chocolate e Cantucci di Prato, uns biscoitos de amêndoa e anis servidos com vin santo (vinho doce). A comida estava muito boa, saborosa, bem confecionada. O cozinheiro e dono do restaurante, veio até à mesa conversar um pouco connosco, falar da sua cozinha e de alguns pratos. Esta foi uma das nossas melhores refeições desta viagem.


Depois do almoço visitámos uma loja de artesãs onde assistimos à preparação de flores com uma cobertura de cera, que lhe dá um aspeto brilhante e vivo, e velas. Achei muito interessante o processo de realização das velas, que são feitas através da passagem por tanques com ceras de diferentes cores. Uma passagem pela Catedral de Siena, com uma fachada magnífica, cheia de estátuas e seguimos viagem.


Fomos então à procura do melhor gelado do mundo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Florença, a cidade mágica do Renascimento


Florença é uma cidade magnífica, que esconde encantos, histórias e que cada edifício, praça ou escultura é de uma beleza ofuscante. Voltar lá passados dois anos deixou-me muito entusiasmada. O dia estava quente e os magotes de turistas já enchiam as ruas. Por lá várias vezes ouvi falar português de ambos os lados do Atlântico. Quando num país estrangeiro ouço a minha língua, tenho uma sensação de conforto, de aparente cumplicidade, como se não andasse por ali sozinha.

O dia em Florença começou numa esplanada com um capuccino e um croissant, na companhia de vários pombos que irritantemente insistiam em visitar a nossa mesa.

Um passeio pelas ruas, umas fotos junto à imponente Basílica de Santa Maria del Fiore, uma passagem pelo mercado de San Lorenzo e uma visita mais demorada ao Mercado Central. Não resisto a visitar os mercados.


Gosto dos cheiros, das cores, de ver os produtos e de os comparar com a nossa realidade. Gosto de ver o que as pessoas compram, o que preferem, de as ouvir falar com os vendedores. No mercado, encontrámos tomate seco, cogumelos frescos e secos de várias variedades, flores de courgette, tomate cereja lindo, frutos silvestres, queijos e mais queijos, massas de diversos tamanhos, cores e feitios, diferentes variedades de pão e até milho preto, que para mim foi uma novidade. Neste mercado era também possível comprar comida já feita.


Depois do mercado, passámos de fugida pela Piazza della Signoria e fomos seguidos pelos olhares atentos de David e de Neptuno, atravessámos o rio Arno pela Ponte Vecchio, com imensas joalharias, e fomos almoçar ao restaurante Alfredo sull'Arno, um restaurante de cozinha típica da Toscana e com uma vista privilegiada sobre a ponte. Aqui começámos a nossa refeição com crostini de fígado de galinha. Depois vieram para a mesa um inesquecível risotto de cogumelos, um apetitoso arroz com camarão, um interessante taglierini all'alfredo com cogumelos porcini e prosciutto gratinado no forno e um bife com um magnífico molho de vinagre balsâmico. A escolha das sobremesas recaiu num doce de frutos silvestres e numa fatia de tarte merengada, que souberam muito bem. O vinho escolhido foi um vinho chianti tinto Caspriano. Esta foi uma das nossas melhores refeições desta viagem por Itália.


Depois do almoço fomos até à Piazzale Michelangelo de onde se tem uma vista fabulosa sobre a cidade de Florença. Sentámo-nos numa esplanada e passámos umas boas duas horas a olhar a cidade lá do alto. Perante a beleza de Florença foi fácil perceber o síndrome de Stendhal.


Ao final da tarde voltámos ao centro de Florença. Mais um passeio demorado pelas ruas, ver os artistas a trabalhar nas praças, olhar os edifícios e uma passagem mais atenta pela Piazza della Signoria e as suas estátuas. A estátua de David, cópia do original de Michelangelo, é uma das imagens mais conhecidas da praça e da cidade. Não me canso de olhar para ela. De a fotografar de vários ângulos. Adoro fotografar os rostos e alguns pormenores das estátuas.


Ao final do dia sentámo-nos na esplanada da Pizzeria i'Lorenzaccio e pedimos para começar a nossa refeição uma sopa cheia de legumes e depois para cada um uma pizza. Pedimos de queijo com rúcula, de legumes grelhados com presunto, de queijo e pimentos. As pizzas souberam muito bem, mas em Itália haveríamos de comer muito melhor.


Depois do jantar, assistimos a um concerto de música na Piazza della Signoria inserido nas comemorações do 65º aniversário da libertação da cidade pelos Aliados, ao mesmo tempo que nos deliciávamos com um gelado, sob um céu estrelado e uma noite quente. Antes de sairmos de Florença demos mais um passeio e contemplámos o rio na Ponte Vecchio.


Florença é uma cidade mágica, expoente máximo do Renascimento, uma cidade que nos conquista e apaixona. É uma cidade que precisa de tempo para ser visitada. Tempo para ver e olhar cada pormenor, sentir a magia fascinante dos vários monumentos, obras de arte e das grandes personalidades históricas a ela associadas. A quantidade de turistas que invadiu a cidade no mês de Agosto não nos deu coragem para ficar à espera nas filas de tudo o que era interessante ver. Com grande pena nossa não visitámos a Galleria degli Uffizi. Por isso e por tudo o que nos faltou ver, Florença exige uma nova visita.


No dia seguinte Siena esperava por nós.