Florença é uma cidade magnífica, que esconde encantos, histórias e que cada edifício, praça ou escultura é de uma beleza ofuscante. Voltar lá
passados dois anos deixou-me muito entusiasmada. O dia estava quente e os magotes de turistas já enchiam as ruas. Por lá várias vezes ouvi falar português de ambos os lados do Atlântico. Quando num país estrangeiro ouço a minha língua, tenho uma sensação de conforto, de aparente cumplicidade, como se não andasse por ali sozinha.
O dia em Florença começou numa esplanada com um
capuccino e um
croissant, na companhia de vários pombos que irritantemente insistiam em visitar a nossa mesa.
Um passeio pelas ruas, umas fotos junto à imponente
Basílica de Santa Maria del Fiore, uma passagem pelo mercado de San Lorenzo e uma visita mais demorada ao
Mercado Central. Não resisto a
visitar os mercados.
Gosto dos cheiros, das cores, de ver os produtos e de os comparar com a nossa realidade. Gosto de ver o que as pessoas compram, o que preferem, de as ouvir falar com os vendedores. No mercado, encontrámos tomate seco, cogumelos frescos e secos de várias variedades, flores de courgette, tomate cereja lindo, frutos silvestres, queijos e mais queijos, massas de diversos tamanhos, cores e feitios, diferentes variedades de pão e até milho preto, que para mim foi uma novidade. Neste mercado era também possível comprar comida já feita.
Depois do mercado, passámos de fugida pela
Piazza della Signoria e fomos seguidos pelos olhares atentos de
David e de
Neptuno, atravessámos o
rio Arno pela
Ponte Vecchio, com imensas joalharias, e fomos almoçar ao restaurante
Alfredo sull'Arno, um restaurante de cozinha típica da
Toscana e com uma vista privilegiada sobre a ponte. Aqui começámos a nossa refeição com
crostini de fígado de galinha. Depois vieram para a mesa um inesquecível
risotto de cogumelos, um apetitoso arroz com camarão, um interessante
taglierini all'alfredo com cogumelos
porcini e
prosciutto gratinado no forno e um bife com um magnífico molho de vinagre balsâmico. A escolha das sobremesas recaiu num doce de frutos silvestres e numa fatia de tarte merengada, que souberam muito bem. O vinho escolhido foi um vinho
chianti tinto
Caspriano. Esta foi uma das nossas melhores refeições desta viagem por
Itália.
Depois do almoço fomos até à
Piazzale Michelangelo de onde se tem uma vista fabulosa sobre a cidade de Florença. Sentámo-nos numa esplanada e passámos umas boas duas horas a olhar a cidade lá do alto. Perante a beleza de Florença foi fácil perceber o
síndrome de Stendhal.
Ao final da tarde voltámos ao centro de Florença. Mais um passeio demorado pelas ruas, ver os artistas a trabalhar nas praças, olhar os edifícios e uma passagem mais atenta pela
Piazza della Signoria e as suas estátuas. A
estátua de David, cópia do original de
Michelangelo, é uma das imagens mais conhecidas da praça e da cidade. Não me canso de olhar para ela. De a fotografar de vários ângulos. Adoro fotografar os rostos e alguns pormenores das estátuas.
Ao final do dia sentámo-nos na esplanada da
Pizzeria i'Lorenzaccio e pedimos para começar a nossa refeição uma sopa cheia de legumes e depois para cada um uma pizza. Pedimos de queijo com rúcula, de legumes grelhados com presunto, de queijo e pimentos. As pizzas souberam muito bem, mas
em Itália haveríamos de comer muito melhor.
Depois do jantar, assistimos a um concerto de música na
Piazza della Signoria inserido nas comemorações do 65º aniversário da libertação da cidade pelos Aliados, ao mesmo tempo que nos deliciávamos com um gelado, sob um céu estrelado e uma noite quente. Antes de sairmos de Florença demos mais um passeio e contemplámos o rio na
Ponte Vecchio.
Florença é uma cidade mágica, expoente máximo do
Renascimento, uma cidade que nos conquista e apaixona. É uma cidade que precisa de tempo para ser visitada. Tempo para ver e olhar cada pormenor, sentir a magia fascinante dos vários monumentos, obras de arte e das grandes personalidades históricas a ela associadas. A quantidade de turistas que invadiu a cidade no mês de Agosto não nos deu coragem para ficar à espera nas filas de tudo o que era interessante ver. Com grande pena nossa não visitámos a
Galleria degli Uffizi. Por isso e por tudo o que nos faltou ver, Florença exige uma nova visita.
No dia seguinte
Siena esperava por nós.