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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

De Assis ao Lago Trasimeno


Fazia calor e o céu brilhava de azul intenso. O estômago dizia-nos que já passava da hora de almoço. Quando chegámos a Assis, vindos de Perúgia, a nossa primeira preocupação foi encontrar um local para nos sentarmos e almoçar. O primeiro sítio que escolhemos foi uma simpática esplanada coberta pela sombra de uma grande árvore. O sítio parecia-nos fresco e acolhedor, com várias mesas redondas tapadas com toalhas de tecido. À pergunta se nos poderíamos sentar, fomos rapidamente recebidos com: "Já não servimos. Só até às duas", respondeu-nos educadamente o empregado. Ora bem, seguimos em peregrinação até outra porta que nos servisse almoço. Escolhemos um restaurante pequeno, com vários comensais sentados, junto a uma escadaria com missionários e alguns turistas sentados. Perante a pergunta, se ainda serviam almoço, a jovem que andava atarefada a servir às mesas disse-nos:"Não. Só até às duas!". Entre nós, trocámos olhares e pensámos que em Assis só servem refeições até às duas da tarde!? Estávamos tramados! É que o ponteiro do relógio já estava nas três.


Perante o desejo fracassado de um almoço farto e reconfortante, acabámos por nos sentar na esplanada de um café. O que pedir? Uma fatia de piza para cada um e uma salada Caprese. A salada - deliciosa e refrescante - foi quase por favor, pois ao meu pedido informaram-me prontamente que a cozinha estava fechada, mas vá lá, iam fazer! Esta não foi uma das refeições dignas de registo da nossa viagem, mas pelo menos ficou-nos o aviso. Em terra alheia, o melhor é almoçar cedo!

Assis é uma cidade limpa, cuidada e cheia de turistas (nomeadamente de cariz religioso). Ruas estreitas, com caminhos empedrados. Casas bonitas e cuidadas. Com varandas cheias de flores. No centro, encontrámos várias lojas de doces e gelados. Montras cheias de suspiros.


Para além de contemplarmos a bonita vista sobre o vale em volta da cidade, entrámos na Basílica de São Francisco de Assis. Foi aqui que nasceu e morreu São Francisco. Na Basílica pode-se visitar o seu túmulo.


Saímos de Assis ao final da tarde. Chegámos a Passignano Sul Trasimeno, uma localidade veraneante, junto ao Lago Trasimeno ao pôr-do-sol. Um passeio junto ao lago e depois de algumas fotos escolhemos jantar na esplanada do restaurante do Hotel Lido, com uma vista privilegiada sobre a Ilha Maggiore e com a Lua, lá no alto, a olhar para nós.


Decidimos começar a refeição com uma mistura de peixes do lago fritos. Em Itália as frituras de peixe ou marisco são muito comuns. Eu nesse dia, para prato principal, optei por um risotto de mascarpone com meloa cantalupe. Curiosa combinação de sabores. O ligeiro travo doce do arroz era cortado com o sabor fresco da meloa. Depois do jantar, assim que entrei no carro adormeci. Quando acordei, já tínhamos chegado ao nosso próximo destino, Florença.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Em Perúgia com a boca a saber a chocolate


Chegámos a Perúgia ao princípio da noite, vindos de Roma. Uma das primeiras coisas que fizemos foi procurar um restaurante para jantar. Depois de passarmos pelo centro histórico cheio de esplanadas e de gente na rua, de ver alguns menus, optámos pelo Il Falchetto, um restaurante de comida típica da região da Úmbria.

É bom chegarmos a uma cidade e sermos bem recebidos gastronomicamente. Quando sou bem recebida, lembro-me sempre do episódio sobre os Açores, do programa No Reservations, em que Anthony Bourdain diz que os povos que não dão importância à comida são povos compostos por pessoas sem graça. Em Itália as pessoas são belíssimas e a comida, mamma mia, così buona! Perúgia não foi excepção.

No Il Falchetto comemos penne com molho de tomate e azeitonas, escolha da Graciete, gnocchi de espinafres com ricotta e molho de tomate no forno, opção do Ricardo, risotto de gambas com courgette e tomate cereja, preferência do Nuno e eu rendi-me aos tortellacci com abóbora e açafrão. Uma refeição deliciosa e um excelente cartão de boas-vindas a esta cidade.


Depois do jantar, seguiu-se um passeio pela zona histórica e uma paragem na gelataria Gambrinus. Aqui o gelado de melancia foi uma revelação. Por Itália escolhi sempre que possível as gelatarias com a palavra artigianale. Esta palavrinha faz muita diferença quando se fala em sabor e qualidade. A Gambrinus, em Perúgia, tornou-se uma das nossas gelatarias de eleição desta viagem.

O centro histórico de Perúgia é feito de ruas estreitas, edifícios de pedra bem cuidados, uma zona central cheia de esplanadas e espaços comerciais. É notória a antiga presença dos etruscos e romanos. Aqui visitei o Palazzo dei Priori e a Catedral de San Lorenzo. Andei pelas ruas pequenas e estreitas, passei pelo Arco Etrusco e contemplei a paisagem envolvente. Gostei de Perúgia. Uma cidade interessante, sem o peso de turistas que encontramos em Roma, e muito acolhedora. Uma cidade em que senti que conseguia pensar e olhar. Mas não podia sair de Perúgia sem provar o seu famoso chocolate!


Antes de partirmos rumo a Assis, fizemos uma visita à Augusta Perusia, uma lojinha decorada com cartazes alusivos a filmes em que o chocolate é protagonista. Aqui encontrámos diferentes tipos de massa com chocolate, gelados e pequenos bombons com nomes apelativos, alguns de artistas italianos como Leonardo da Vinci, Caravaggio, entre outros, e o famoso Baci que ajudou a afirmar Perúgia como a cidade do chocolate.


Eu quase que me perdia perante a montra de bombons com ar delicioso e convidativo. Experimentei vários, alguns repeti e não contente, ainda provei uma bolinha de gelado de chocolate. Que "chocoloucura"! E foi com a boca a saber a chocolate que seguimos viagem.