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segunda-feira, 31 de março de 2014

Um jantar com Vistas


Há cerca de uma semana, numa sexta-feira à tarde, rumei em direcção a sul a convite da Salmarim. Um pouco antes do sol se esconder, cheguei a Castro Marim, uma pacata vila, junto ao rio Guadiana. A primeira refeição desse fim-de-semana em terras algarvias, ocorreu no empreendimento Monte Rei, Golf & Country Club. Já era noite cerrada, quando estacionámos o carro e entrei na moradia onde seria servido o jantar. A sala de jantar, com vista para a piscina e jardim, permitia-nos circular entre a cozinha e um terraço exterior, onde foram servidos alguns aperitivos, num ambiente muito elegante e acolhedor. Enquanto degustávamos os aperitivos, lollipops de polvo e camarão com massa de arroz, íamos conversando sobre sal, comida e turismo na região algarvia, de forma muito animada.


O grupo pode circular pela cozinha à vontade, cumprimentar e ver trabalhar o chef Jaime Perez, que pertenceu à equipa de Ferran Adrià e actualmente está à frente da cozinha do restaurante Vistas. Para minha grande surpresa, para este jantar privado, tivemos também na cozinha os chefs Dalila e Renato do conhecido restaurante Ferrugem. O ambiente vivido nos primeiros momentos, o carinho com que fomos recebidos, fizeram-me sentir que este fim-de-semana ia ser muito especial.


Já sentados à mesa, começámos por experimentar os diferentes tipos de pão. De cebola - este pão tinha a forma de uma pequena cebola - azeitona, orégãos com flor-de-sal e de passas e nozes, que cheirava tão bem. Com o pão foi servido, azeite e manteiga. Adoro experimentar pães diferentes e não resisto a ensopá-los no azeite ou a barrá-los com a manteiga. Foi-nos servido um refrescante vinho branco do Douro, Vale da Poupa de 2012, que nos iria acompanhar por mais alguns pratos.


A primeira entrada revelou-se cheia de sabores frescos e com diferentes texturas. cannellone de manga com sapateira, molho de sapateira, beterraba frita, rebentos e maracujá fresco.


De seguida chegou-nos à mesa um dos pratos que mais gostei. Tártaro de atum com gelado de wasabi e crocante de sésamo. Delicioso. O gelado de wasabi, ligeiramente picante, combinava na perfeição com o atum.


Os chefs Dalila e Renato trouxeram o Minho ao Algarve. O seu prato procurou trazer diferentes texturas. Sarda fumada na cataplana com tomilho servido numa base de gelatina de tomate, acompanhada de cebolas glaciadas em Alvarinho, manteiga de azeite e microvegetais. O chef Renato explicou-nos como retirar a película que reveste a pele deste tipo de peixes. Basta colocar o peixe durante 45 segundos em vinagre e a película, tipo plástico, sai logo muito bem. Por isso, torna-se agradável comer a cavala ou a sarda com a pele.


O chef Jaime Peres tratou do prato de carne e serviu-nos uma desconstrução do bife Wellington. Lombo de vaca com massa folhada, cogumelos com foie gras e crocante de batata. Um prato rico magnificamente acompanhado por um vinho tinto Quinta de Lemos Jaen de 2007.


Terminámos a refeição com uma espuma de baunilha e fruta fresca, e mignardises para acompanhar o café. O sal, foi um ingrediente que acompanhou a refeição do princípio ao fim. O sal, quando doseado com equilíbrio, ajuda a tornar tudo mais saboroso. Este foi um assunto transversal a este jantar especial, não só na comida servida mas também nas interessantes conversas que houve à volta da mesa e com os restantes convidados e chefs. Na memória fica o convívio e os momentos bons vividos num lugar a que me apetece voltar.


Outro olhar sobre este jantar:
- ... o fim do jantar no Monte Rei por Raul Lufinha;

quinta-feira, 27 de março de 2014

O sal tempera a vida


As memórias associadas à comida são sempre ricas e inigualáveis. O momento em que as vivemos não se volta a repetir e por isso, têm um sabor singular. Uma das memórias que guardo de forma especial é da minha avó Gertrudes, de lenço escuro na cabeça, na sua cozinha a fazer queijo fresco. No final, oferecia-me sempre uma ovelhinha, que não era mais do que um resto de queijo coalhado que apertava entre os dedos. Nunca mais comi, mas a memória que guardo desses momentos e do que saboreei é de conforto. É uma memória doce. Talvez por isso tenha tanta curiosidade em perceber como se faz queijo fresco de forma tradicional.

E no fim-de-semana passado tive essa oportunidade. Cheguei a Foz de Odeleite pela manhã. As águas do Guadiana corriam tranquilas em direcção ao mar e contrastavam com o verde da terra e das oliveiras, e do outro lado da margem, avistávamos Espanha. O sol espreitava por entre o azul do céu escondendo as nuvens que tentaram trazer a chuva. Assim que saí do carro, um cheiro doce, quente pairava no ar - o que seria? - questionei-me. Caminhei, com o restante grupo com quem passei o fim-de-semana a convite da Salmarim, em ruas estreitas de pedra até uma pequena loja. Pelo caminho, silêncio e muitas casas bonitas, vazias, à espera da chegada do rebuliço do Verão.

Ao entrar na queijaria João Manuel G. Ribeiro, o cheiro quente e doce intensifica-se. Agora já sei do que é. Deparo-me com uma sala com uma mesa central grande de inox. Panelas ao lume. É aí que a magia do queijo acontece. As mãos sábias de D. Otília vão colocando o queijo nas formas. Meto conversa. Otília Glória Gonçalo Ribeiro tem 78 anos e é a mãe do actual proprietário. Em frente, com a mesma tarefa está Isabel Cavaco de 72 anos e uma jovem, neta de ambas, que desembaraçadamente tira as panelas do lume ou o leite coalhado para a mesa, onde o soro escorre, e se coloca nas formas. A simpatia é imensa. D. Otília explica-nos como se faz o queijo. O filho, tem um rebanho de cabras algarvias, com 150 a 200 cabeças, que produzem o leite utilizado na queijaria.


O leite é fervido. Depois, terá que arrefecer até aos 56 ou 57ºC. Para ajudar a acelerar o processo na sala têm uns recipientes grandes cheios de água onde colocam as panelas com o leite quente. Quando atinge a temperatura desejada adicionam o sal e o coalho. Este último é feito com flor de cardo. As flores, são trituradas e colocadas em água de um dia para o outro. Depois o líquido é coado. O resultado é uma água castanha, que D. Otília me mostrou. Para mim, foi uma surpresa. Sabia que se usava a flor de cardo para coalhar o leite, mas não sabia como era feito. Sei que antigamente, na minha terra, também se usava coalho animal.

Depois dos queijos feitos, seguimos viagem. A próxima paragem foi na Casa de Odeleite. A casa pertenceu outrora a João Xavier e à sua mulher, Claudina. Foi um entreposto de trocas no início do século XX. Uma casa que guarda a grandiosidade do seu passado. Aqui os nossos anfitriões, Jorge Raiado da Salmarim e Andrew e Rupert da Casa Rosada fizeram-nos uma surpresa.


Pão acabado de fazer foi colocado na mesa. Chegaram também os queijos frescos que vimos preparar de manhã, a que se juntou azeite e manteiga de azeite. O cheiro bom do pão quente é inspirador. Este pão foi cozido em forno aquecido com lenha de esteva. Mas a surpresa estava no sabor. Provámos pão com e sem sal. O sabor de um e outro era completamente diferente. O mais saboroso, sem dúvida nenhuma era o que tinha levado sal. O outro, parecia-me doce e as fatias não se revelavam gulosas. O sal torna a comida mais saborosa. Faz falta. Tempera a comida e a vida.

Enquanto saboreava o pão com o queijo fresco lembrei-me de D. Otília. De rosto doce e sorriso simpático. Das suas mãos marcadas pelo tempo a colocarem o queijo coalhado nos cinchos. E foi com esta imagem, que segui viagem.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Uma noite de estrelas portuguesas no Vila Joya


A noite estava fresca. Vesti o casaco de malha e parei para ouvir ao longe o barulho das ondas a fustigar a areia. Inspirei fundo e senti-me feliz. Era a primeira vez que estava num dos mais prestigiados restaurantes portugueses, detentor de duas estrelas Michelin. Mas não era só isso que me fez sorrir e sentir como se houvesse um mundo mágico e eu tivesse a sorte de fazer parte dele. A noite em que fui jantar ao Vila Joya (duas estrelas Michelin), no âmbito do International Gourmet Festival, foi a noite dedicada aos chefs e restaurantes premiados pelo famoso guia Michelin em Portugal.

Antes do jantar, teve lugar a apresentação do azeite da primeira colheita de 2013/2014 da Oliveira da Serra, a que agradeço desde já, a minha ida a tão prestigiado festival, incluindo o respectivo transporte. Para esta apresentação o chef Matteo Ferrantino preparou grissinos e uma focaccia que ensopada no azeite, soube muito bem. Do azeite virgem extra Oliveira da Serra apresentado, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a cor. Um verde intenso, dourado. Quando provei, sobressaiu um aroma frutado com um final de boca ligeiramente picante. Muito bom. Tivemos ainda a possibilidade de experimentar uns bolinhos de azeite, feitos pelo chef Vitor Sobral, preparados com esta primeira colheita. Para finalizar a apresentação foi servido gin com uma esferificação em que o azeite marcava presença.


Já sentados à mesa, sabia que a noite ia ser longa, no menu, contei onze pratos. E como num baile, a dança começou e as entradas vieram aos pares, o que de certa maneira, acelerou o ritmo do serviço, que neste tipo de jantares acaba inevitavelmente por se prolongar noite dentro. Ostra Gillardeau, ponzu e tangerina da Madeira, com uns mini pepinos que nunca tinha visto, por Benôit Sinthon, do restaurante madeirense Il Gallo d'Oro (uma estrela Michelin), abriram-nos o apetite, servida com um vinho Quinta de Camarate branco doce fez-nos sonhar com o mar azul em dias de céu limpo. Polvo, limão e batata decorados com folha de ostra, um prato bonito, do chef luso descendente, George Mendes, foi a segunda entrada. Confesso que tinha imensa curiosidade no trabalho deste chef, que conquistou uma estrela Michelin com o seu Aldea em Nova Iorque. Às vezes colocamos as expectativas tão altas, que quando chega ao momento achamos que afinal faltou qualquer coisa. A acompanhar o polvo, um vinho Cortes de Cima Sauvignon Blanc de 2012.


A segunda dupla de entradas foi atum toro envolvido num crocante de quinoa, com beringela e miso, do talentoso chef Hans Neuner do restaurante Ocean (duas estrelas Michelin), e salmão escocês marinado com caviar imperial do chef Henrique Leis, do restaurante Henrique Leis (uma estrela Michelin). Fiquei rendida ao salmão e ao trabalho deste chef. Ambas as entradas foram acompanhadas por um vinho branco Herdade da Calada Baron de B Reserva 2012.


A abrir os pratos principais, foi a vez do chef Ricardo Costa do restaurante The Yetman (uma estrela Michelin) que nos presenteou com salmonete, vieira, lulas e carpaccio de cozido. Que maravilha. O molho com um toque de champanhe, reforçou a grandiosidade deste prato. Acompanhámos o salmonete com champanhe Dom Pérignon.


Mas para mim, um dos melhores pratos da noite foi o do chef Vincent Farges, do restaurante do Hotel da Fortaleza do Guincho (uma estrela Michelin), pregado selvagem servido num caldo de vitela e champanhe com alcachofras de Jerusalém, avelã e trufa de Alba. Uma brisa de Atlântico vinda do Guincho inundou de sorrisos satisfeitos cada garfada deste prato. A acompanhar, um vinho Pelada de 2003.


O chef Albano Estrela, do restaurante Arcadas em Coimbra, também brilhou nesta noite de estrelas. Fez-nos chegar à mesa um cappuccino de trufas pretas e Sot l'Y Laisse (pedaço de frango do dorso) que nos surpreendeu a cada colherada. Um dos pratos que conseguiu captar os tons românticos de Outono como se de um poema se tratasse, foi o chef Leonel Pereira do restaurante São Gabriel. Fez-nos chegar foie gras cozido em vinho tinto, marmelada de açafrão, cebola caramelizada e couve-flor em diferentes texturas. A mim, fez-me lembrar um passeio pelo campo ao pôr do sol num dia de Outono, em que as parras das videiras se enchem de tons amarelos dourados e grenás. Um prato poema, que provamos e queremos voltar a repetir.

( Fotografia da direita da autoria de Vasco Célio )

Trocando a ordem inicial do menu, os anfitriões da noite, Dieter Koschina e Matteo Ferrantino, confeccionaram sela de corça, uma carne terna e suculenta - que foi a primeira vez que comi - servida com três texturas de salsify, foie gras fresco e azeite esferificado. Um prato digno de deuses. Terminámos os pratos de carne com lebre, fígado de ganso, feijão branco e cogumelos do conhecido chef José Avillez do restaurante Belcanto (uma estrela Michelin) que nos tem surpreendido com várias criações pautadas sempre pela criatividade e inovação. O prato de lebre estava decorado com uma folha de massa tenra em forma de plátano a lembrar uma filhós, numa alusão ao Outono. Exageradamente, a folha enchia o prato. O sabor da lebre estava demasiado apurado para o meu gosto. A acompanhar as carnes um vinho Batuta de 2010.

( Fotografia da esquerda da autoria de Vasco Célio )

A sobremesa veio pela mão do talentoso chef Vitor Matos que nos apresentou uma variação de grandes crus com frutos silvestres e violetas, servido numa original garrafa de vinho do Porto espalmada a fazer de prato. Uma sobremesa colorida, fresca mas que, na minha opinião, não reflecte o brilhante trabalho que já tive a possibilidade de degustar no restaurante Largo do Paço (uma estrela Michelin) na Casa da Calçada em Amarante. A acompanhar a sobremesa, um Porto Pintas Vintage 2007.

( Fotografia da autoria de Vasco Célio )

Antes dos mignardises e do café, foi-nos servido um batido de rúcula e azeite Oliveira da Serra, geladinho, soube mesmo bem.

Este jantar no Vila Joya foi uma festa de estrelas, em que os nossos mais conceituados chefs brilharam, cada um à sua maneira. Um jantar a doze mãos não é uma tarefa fácil, mas Dieter Koschina e os restantes convidados mostraram que merecem muitas estrelas e tornaram esta noite inesquecível e especial. E especial é também este International Gourmet Festival, que desde 2006, tem vindo a promover a alta cozinha.


Outros olhares sobre este jantar:
- Noite portuguesa, noite feliz por Duarte Calvão;
- International Gourmet Festival: A gloriosa noite dos 12 magníficos por Paulo Brilhante.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Jantar com vista para o mar da Praia da Rocha


Há pequenas coisas que me seduzem e inspiram. Uma delas é acordar e ver o mar. Respirar fundo e sentir o fresco da maresia. Observar as gaivotas. Sentir a praia a espreguiçar-se. E foi este um dos privilégios que tive no fim-de-semana que passei no Bela Vista Hotel & Spa, na Praia da Rocha.

O hotel mais antigo do Algarve guarda na sua história aventuras de espiões, romances, memórias de festas com requinte e glamour. O hotel, resguardado do reboliço da marginal da Praia da Rocha, revela-se um espaço de puro prazer onde é possível usufruir de sossego, de silêncio, mesmo junto ao mar, num ambiente de luxo e requinte.


Nesta estadia tive o prazer de ir jantar ao Vista Restaurante, dirigido pela mão criativa do chef Rogério Calhau, situado no edifício principal do hotel. E como o próprio nome indica, a vista para o azul do mar e para a praia fazem deste restaurante um espaço privilegiado. Inspirador.

A noite estava fresca, mas mesmo assim, o Ricardo e eu decidimos ficar na esplanada do restaurante, a sentir a brisa do mar, e como companhia, uma gaivota que por ali gosta de pousar. Começámos a nossa refeição com o couvert, composto por uma mistura de pães, pão de azeitonas, de sementes e de cebola, que deveríamos barrar com manteiga de azeite, amêndoa tostada com cominhos, e por fim polvilhar com flor de sal. Já tinha ouvido falar da manteiga de azeite, mas ainda não tinha tido a possibilidade de a provar. É uma forma de transformar o azeite num creme com que facilmente barramos o pão mantendo o agradável sabor do azeite. A combinação dos três no pão resultou de forma muito apetitosa. Eu repeti.

Enquanto os últimos veraneantes se despediam da praia, chegava à nossa mesa um entretém de boca, queijo de cabra com pão d'épices, passas, remoulade de maçã e raiz de aipo e ar de maçã. Adorei a complexidade de sabores. O queijo de cabra, de sabor forte, misturado com o doce de maçã e depois suavizado com as fatias de maçã fresca, foi uma excelente maneira de iniciarmos a nossa refeição.


Para entrada escolhi vieira braseada acompanhada de ceviche de vieira e caranguejo de casca mole em tempura. O sabor da vieira com o pimento piquillo em puré foi uma novidade para mim, desperta-nos o palato para a complexidade de sabores do prato. O Ricardo optou pelo gaspacho de fava com coalho de cabra e azeite preto. Que delícia. A minha entrada estava boa, mas o gaspacho de favas surpreendeu. Fresco, aveludado. A dar textura ao gaspacho, favinhas tenras e cubos de pão de especiarias. Que delícia!


Para prato principal escolhemos pregado com alcaparras, tagliolini, essência de salsa, emulsão de manteiga e borrego braseado com crosta de ervas, servido com puré de beringelas, batatas boulangère (laminadas e cozidas em caldo de galinha) e molho de azeitona preta. Ambos bem confeccionados, dignos de um restaurante com estrelas Michelin. Gostei da combinação do peixe, fresco ainda com sabor a mar, servido numa cama de espinafres, com a massa e fui surpreendida por pequenos pedaços de curgete no prato, a fazerem-me lembrar, curiosamente, as ventosas dos tentáculos de polvo. O borrego estava tenro e suculento. O puré de beringela e a batata, ajudaram a tornar este prato sublime. Acompanhamos a refeição com vinhos da região, dois brancos - Cabrita de Silves e Foral de Portimão, e o tinto Cabrita de 2009.


Antes da sobremesa provámos uma trilogia ou texturas de alperce. Gelatina, puré e espuma. Fresco. Irresistível. Para sobremesa escolhemos Pudim Abade de Priscos, com caviar de Porto, sorbet de pêra, redução de Vinho do Porto, espuma e crumble de amêndoa. Uma sobremesa com uma apresentação magnífica. Veio também para a mesa Torta de Alfarroba com mousse de amêndoa e servida com um irresistível sorbet de medronho. A primeira vez que comi uma sobremesa de alfarroba foi no Algarve e gostei tanto, que sempre que há sugestões de sobremesas com alfarroba, essa é sem dúvida escolhida. Esta torta de alfarroba com mousse de amêndoa foi uma das melhores que provei nos últimos tempos.


Jantar neste restaurante foi uma experiência com sabor a poesia, noites mágicas e estrelas a brilhar no firmamente. Serviço prestável e simpático, a fazer-nos sentir bem. A sala de jantar decorada em tons de branco e azul, com elegância e requinte, recordam-nos a proximidade do mar e inspiram-nos a aproveitar cada momento ali passado. Para quem visita o Algarve este Verão, aconselho uma visita ao Vista Restaurante, para uma refeição de requinte num espaço que vai por certo deixar vontade de voltar.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Um desafio com sabor a Verão e uma salada de lulas com grão

Foto fornecida por Bela Vista Hotel & Spa

O Verão sabe a dias longos, idas à praia, banhos de sol, gelados, comidas leves e frescas. Sabe a momentos especiais para que nos preparamos durante o resto do ano. Momentos que servem para recarregar as energias, de preferência num local com um ambiente muito especial.

O Bela Vista Hotel & Spa, constituído por um palacete, a Casa Azul e uma novíssima ala designada Bela Vista Jardim localizado sobre o mar na Praia da Rocha, em Portimão, disponibiliza trinta e oito quartos e suites todos com uma decoração única com a assinatura de Graça Viterbo. A atmosfera que aqui se vive é simplesmente surpreendente.

O glamour do Bela Vista Hotel & Spa estende-se até à piscina, rodeada por um deck de madeira e espreguiçadeiras a convidar a momentos de puro lazer. Quem deseja estar na praia, o hotel tem acesso privado à Praia da Rocha. O Bela Vista Hotel manteve a traça original do palacete, construído em 1918, com madeiras e painéis de azulejos, tectos trabalhados e portas maciças, tudo envolvido por um design contemporâneo. Este belíssimo edifício conta com uma história rica na realização de eventos e por onde passaram inúmeros hóspedes ilustres.

Fotos da autoria de Francisco de Almeida Dias

Este palacete foi palco, durante a segunda guerra mundial, da passagem de muitas famílias em fuga dos nazis e de algumas peripécias com espiões. Numa altura em que Portugal politicamente se mantinha neutro, à Casa Azul, chegavam hóspedes misteriosos, com missões secretas que colocavam Portugal no mapa de muitos acontecimentos dignos de argumentos de Hollywood.

No palacete, encontra-se também o Vista Restaurante com uma vista fantástica sobre o mar e assinatura do chef Rogério Calhau, que permite revisitar a cozinha portuguesa interpretada com um toque contemporâneo.

Fotos da autoria de Francisco de Almeida Dias

Para que um dos leitores do blogue possa ter um miminho especial este verão, o Cinco Quartos de Laranja e o Bela Vista Hotel & Spa promovem um desafio onde serão oferecidos um jantar no Vista Restaurante e uma noite para duas pessoas no Bela Vista Hotel, com pequeno-almoço incluído.

O desafio consiste em elaborar um prato e é aberto a todos os leitores do Cinco Quartos de Laranja. Para participar deverão:

i) Fazer uma receita leve e fresca para o Verão;

ii) Tirar uma fotografia à receita confeccionada;

iii) Publicar a participação na página do Cinco Quartos de Laranja no Facebook:
- [obrigatório] Anexando a fotografia respectiva;
- [obrigatório] Indicando o nome da receita e as instruções de confecção;
- [opcional]     Quem tiver um blogue pode indicar adicionalmente o link para a respectiva publicação posterior a 21 de Junho de 2013 e com referência a este desafio.

iv) [obrigatório] Fazer Gostar/Like na página do Bela Vista Hotel & Spa no Facebook;

v) Cada leitor pode participar uma vez;

vi) O desafio decorre até às 24h do dia 30 de Junho de 2013;

vii) O chef Rogério Calhau, responsável pelo Vista Restaurante, irá selecionar a receita vencedora tendo em consideração os seguintes critérios: originalidade, inovação da receita e apresentação.

viii) No dia 10 de Julho de 2013 é anunciado(a) o(a) vencedor(a), que posteriormente será contactado(a) pelo Bela Vista Hotel & Spa. Serão oferecidos uma noite para duas pessoas, com pequeno-almoço e um jantar pré-definido pelo Bela Vista Hotel com seleção de bebidas no Vista Restaurante, válido entre 1 de Setembro e 31 de Outubro de 2013, mediante disponibilidade do hotel.


Participem! A visita a este hotel será com certeza uma experiência muito especial. Para vos inspirar, deixo-vos uma receita de uma salada de lulas com grão:


Ingredientes:
600 g de lulas
500 g de grão cozido
1,5 dl de azeite
2 dentes de alho
1 malagueta
250 g de tomate cereja
70 g de alface
1 ramo de salsa
Sal e pimenta preta q.b.


1. Colocar 1dl de azeite numa frigideira juntamente com a folha de louro, a malagueta cortada e os dois dentes de alho esmagados. Levar ao lume e deixar frigir um pouco.

2. Adicionar as lulas cortadas em rodelas. Temperar com sal e pimenta preta a gosto e deixar cozinhar.

3. Numa taça misturar as lulas, o grão cozido, a alface, o tomate cereja e a salsa. Temperar com o restante azeite e o vinagre. Temperar com sal e pimenta preta a gosto. Mexer e servir.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Rota das Estrelas no restaurante Ocean


A felicidade começa a desenhar-se a partir do momento em que nos é permitido sonhar. O sonho é o motor da vida. Mas quando conseguimos viver ao vivo o que sonhámos, isso é a felicidade no seu estado mais puro, mais autêntico. A coisa boa de sonharmos é podermos ultrapassar as certezas aparentes da vida, conseguirmos ir para além do que pensamos como improvável. Para os sonhos terem forma, basta que se encontre a rota certa num oceano de possibilidades e que as estrelas lá do alto nos sorriam. E foi como um sonho que recebi o convite para ir jantar ao Ocean no passado dia 19 de Maio 2012. Um sonho que me encheu de sorrisos e de uma felicidade que quase não me cabia no peito.

E foi ao início da tarde de sábado que cheguei ao Vila Vita Parc Resort & Spa e procurei sentir o ambiente maravilhoso que ali se vive. Um sonho que ganhou forma e por isso, o melhor seria aproveitá-lo o mais intensamente possível. Foi como algo bom que sabemos que terá um fim que procurei aproveitar assim cada instante que passei no Vila Vita Parc. Almocei no restaurante Adega, dedicado à cozinha portuguesa, passei pelos jardins, vi as fontes, sonhei com um mergulho nas piscinas, depois de me refastelar numa das espreguiçadeiras colocadas na relva com vista para o mar e fui até à praia colocar os pés na areia. Soube tão bem ali estar. Todos os espaços estão cuidados e pensados para a comodidade dos clientes. Na altura senti-me uma verdadeira privilegiada.


Antes do jantar participei numa prova de presunto da marca Jabu com a presença de um cortador e com comentários do responsável da empresa importadora Iguarias de Excelência, Bruno Costa, que nos foi revelando algumas curiosidades sobre o presunto. De seguida houve lugar para uma prova comentada de caviar harmonizada com champanhe. Provámos de forma tradicional, ou seja na mão entre o polegar e o indicador como nos explicou o dinamizador, ovas de caviar de diferentes proveniências, desde o rio Mississippi, passando pela China e a França até ao selvagem Beluga do Irão, da House of Caviar & Fine Food. Achei interessante perceber as diferenças que existem nos diferentes caviares, desde o tamanho das ovas até ao sabor mais ou menos salgado.


E foi ao pôr-do-sol que nos sentámos para jantar. Não consegui deixar de reparar na vista fabulosa para o mar que o envidraçado da sala trazia até aos meus olhos. Um verdadeiro luxo.

Como o jantar se inseria na iniciativa Rota das Estrelas, na cozinha a preparação era feita a várias mãos estreladas, Dieter Koschina do restaurante Vila Joya, Ricardo Costa do restaurante The Yeatman, Benoît Sinthon e Yves Michoux do restaurante Il Gallo D'Oro e Hans Neuner, o anfitrião. Dos chefs, as estrelas da noite, apenas conhecia as apresentações feitas no Peixe em Lisboa, de Ricardo Costa e de Hans Neuner e por isso estava cheia de curiosidade com a ementa do jantar.


O jantar começou com as entradas da responsabilidade do chef Koschina que nos deliciou o palato com macarron de beterraba com enguia fumada, simplesmente delicioso. De seguida, tempura de caviar, que igualou o macarron. O chef Koschina começou muito bem a sua participação, mas deixou-me completamente rendida ao seu trabalho quando nos foi servido choco recheado com morcela sob favas acompanhado de uma hóstia. E não satisfeito com a nossa completa rendição, este premiado chef, ainda nos surpreende com uma geleia de tomate com lasanha de chouriço e ovo de codorniz, que estava simplesmente sublime. O vinho escolhido para acompanhar as entradas foi o Weingut am Nil Riesling 2011.

Da responsabilidade do chef Ricardo Costa veio para a mesa uma composição de vieiras, santola e molho de azeite, prato que me confirmou que o talento tem forma e sabor. O vinho escolhido foi Grauburgunder Weingut am Nil 2010. O prato seguinte, uma criação de Benoît Sinthon, vindo da Madeira, foi lagostim com gaspacho, flor de courgette, geleia de tomate e bolo do caco, um prato colorido e muito apelativo. O vinho escolhido foi Herdade dos Grous 2010.

Hans Neuner supreendeu-nos com um coelho recheado com fígado servido com couve de bruxelas, ragout de coelho e molho Madagáscar. Com este prato foi servido o melhor vinho da noite para mim, Herdade dos Grous Reserva Magnum 2008. Hans não contente com a nossa satisfação em relação ao seu prato de coelho ainda nos serviu uma tranche de novilho Nebraska Hereford, carne de bovino americano, com míscaros, amêndoa e moleja acompanhada por um vinho Herdade dos Grous Moon Harvested Magnum 2008, que nos soube muito bem. Quem cozinha assim merece um oceano de estrelas!

Para sobremesa, adoçámos a boca com um arroz doce sem canela acompanhado com lima, sorbet de banana, maracujá e espuma de coco. A sobremesa do pasteleiro Yves Michoux surpreendeu pela apresentação e serviu-nos sorbet de morango, parfait de iogurte e macarrons, tudo composto fazendo lembrar uma elegante mala de senhora, mas o caramelo apresentava características um pouco duras demais para o que seria suposto. As sobremesas foram acompanhadas com Murganheira Czar Grand Cuvée Rosé 2005.


O jantar foi um dos melhores que tive nos últimos tempos, pela comida naturalmente, mas também pela companhia e por todo o ambiente vivido nessa noite. Mágico, é mesmo a palavra.

Este jantar foi o mote para uma entrevista ao chef Hans Neuner do restaurante Ocean, premiado com duas estrelas Michelin:


Foto da autoria de
GUERRILLA Food Photography
1. Que alterações identifica na cozinha do Ocean desde 2007?

Bem, fui eu quem inaugurou a cozinha do Ocean, por isso a cozinha que fazemos hoje é uma evolução constante do que fazíamos no início. Mas é claro que hoje sou um chef mais maduro, com um maior conhecimento da região e das suas particularidades, da sua cultura gastronómica ... e também tenho um leque muito mais vasto de fornecedores, produtores locais que fazem um trabalho de grande qualidade, e que vou conhecendo melhor.


2. Que preocupações tem quando pensa numa nova carta?

Eu mudo a carta do Ocean com frequência porque me divirto a variar os pratos, a explorar pequenos pormenores, a construir coisas novas, mas tenho sempre a preocupação de utilizar os produtos sazonais e da região. De resto, há que manter o rigor das técnicas, mas também invertê-las um pouco, brincar um pouco com as coisas. Por exemplo, ainda há uns dias estive em Marraquexe, para explorar o mundo das especiarias ... é fascinante e muito complexo, um desafio para a minha cozinha, sem dúvida.


3. O que é que procura transmitir a quem vai degustar os seus pratos?

Eu gosto de divertir as pessoas que provam os meus pratos, gosto que elas participem no acto da degustação, brincando com algumas peças de loiça, por exemplo, ou com os amuse-bouche, recriando memórias e sentimentos, como a paixão que os portugueses têm pela cerveja com tremoços. Mas também gosto que as pessoas sintam prazer nos meus sabores, que sintam a minha paixão pela cozinha e o desejo de voltarem ao Ocean. Creio que esta é a compensação maior, as pessoas voltarem.


4. Como define a sua cozinha?

É uma cozinha feita sobretudo a partir do mar, já que o Algarve tem um peixe e mariscos maravilhosos, e dos produtos regionais, e por isso será bastante mediterrânica. Mas o meu lema é fazer uma cozinha o mais simples possível, explorando ao máximo o sabor e as texturas dos produtos.


5. Olhando para o seu percurso, quais foram, para si, as suas grandes influências?

A minha maior influência, sem qualquer dúvida, foram os anos de aprendizagem em grandes restaurantes de nível e com estrelas Michelin. O úlltimo foi o Adlon, em Berlim.


6. Entre a Áustria e Portugal existe uma grande diferença em termos gastronómicos. Foi fácil adaptar-se aos sabores e produtos portugueses? Existe algum que destaque?

Não foi muito difícil, uma vez que a alta-cozinha tem as suas regras e os produtos base são muito idênticos nos diversos países, mas é óbvio que houve todo um período de pesquisa e de experimentação da gastronomia portuguesa e em particular da algarvia. Até porque há imensos produtos da região, como o peixe e o marisco, que fazem esta cozinha muito diferente da austríaca.


7. Como é que chega à ideia final de um prato? De que inspirações se alimenta a sua criatividade?

Para chegar à ideia final de um prato há que fazer várias tentativas e não ter medo de experimentar coisas novas. É um processo que por vezes leva muito tempo, meses, anos, ou não! Depende. O que mais inspira são as viagens ... paisagens, pessoas, culturas diferentes ...


8. O Ocean recebeu recentemente a sua segunda estrela Michelin. No dia-a-dia o que significam estas duas estrelas?

No dia-a-dia significa sobretudo mais trabalho e mais responsabilidades. É o peso do prestígio do Guia, inevitável. Mas ao nível do conceito da cozinha, a segunda estrela não alterou nada. Apresentamos hoje os pratos que apresentávamos quando só tínhamos uma estrela. Mas agora conseguimos chegar a mais pessoas, não só portugueses, como também estrangeiros, pessoas que viajam para comer nos melhores restaurantes.

9. A terceira estrela é um sonho alcançável?

Por enquanto não ... nada é impossível, não é? (risos)


10. É importante participar na Rota das Estrelas?

Sim, claro, é muito importante o intercâmbio entre os diversos chefs e restaurantes com estrela Michelin. Trata-se de uma cozinha muito específica e exigente, e neste tipo de eventos damos não só a conhecer o nosso trabalho a um número maior de pessoas, como também trocamos ideias, técnicas e tendências.


11. Foi fácil trabalhar na mesma cozinha com tantos chefs estrelados, Dieter Koschina, Ricardo Costa, Benoît Sinthon e Yves Michoux?

Somos todos amigos e assim torna-se muito fácil trabalhar! Sobretudo, divertimo-nos muito! As equipas é que sofrem sempre um bocadinho mais, pois têm que nos aturar! (risos)


12. Qual o prato que mais gostou da ementa da Rota das Estrelas, no Ocean?

Hummm não é fácil responder a essa pergunta, pois tivemos coisas muito boas, mas, pessoalmente, gostei muito dos Choquinhos Recheados com Morcela do meu colega Koschina.


Os sonhos são feitos de estrelas e por isso, às vezes, é preciso atravessar um oceano para encontrar sabores que nos desafiam. O restaurante Ocean do Vila Vita Parc merece sem dúvida uma visita em nome de uma estrela brilhante de felicidade.


[ Fotos da GUERRILLA Food Photography fornecidas por Amuse Bouche ]

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Quando a satisfação tem por nome Piri Piri


Piripíri é o nome de uma malagueta pequena e vermelhinha mas com picante suficiente para nos deixar a boca em fogo e os olhos a pedir socorro. Piri Piri é também o nome da steak house situada no exterior do Sheranton Algarve & Pine Cliffs Resort, e onde a qualidade do que ali se serve leva-nos a querer voltar, uma e outra vez.

Num fim-de-tarde, de um dos dias que passámos no Sheraton Algarve & Pine Cliffs Resort, com uma ligeira brisa fresca a lembrar que o Verão ainda não chegou, eu e o Ricardo fomos jantar ao Piri Piri, mesmo junto à entrada do resort. O restaurante tem uma sala ampla no interior onde podemos encontrar um carrinho de madeira com produtos e molhos picantes em exposição. Nos dias quentes, o melhor é ficar na esplanada e aproveitar cada momento do Verão.

O Sr. Fraga, responsável pelo restaurante recebeu-nos de braços abertos e, habituado a receber bem, tratou de nos encaminhar na descoberta dos pratos de carne e outros bons petiscos que a casa serve.

A nossa degustação começou com o couvert, cenouras temperadas com alho e salsa e um queijo de cabra. De seguida foi-nos servido um gaspacho com pão estaladiço, salpicado de salsa, flor de sal e azeite. Fresquinho, foi uma excelente maneira de nos prepararmos para o que se iria seguir.

Começámos por provar as saladas frias e para a mesa veio salada de bacalhau com grão e salada de polvo. Estas saladas são pontos altos da nossa gastronomia. A combinação dos ingredientes é fabulosa e assim frescas, são de comer e chorar por mais.

Para a mesa veio também bolinhos de sapateira que ainda estavam morninhos e não podiam esperar, tâmaras com bacon que já não comia há uns bons anos e que adoro, camarão com alho e piripíri e amêijoas, mesmo a pedir que se molhe o pão no molho.


Depois passámos para as carnes. E a nossa mesa encheu-se de frango com piripíri, prato que deu o nome à casa, Angus rib eye, lombo de vitela Donald Russel e costeletas de borrego da Nova Zelândia, estas últimas servidas com mostarda em grão. Como acompanhamento para as carnes provámos puré de batata com trufa que estava excelente e que fiquei com vontade de reproduzir, batatas gratinadas, batatas, assadas e ratatouille. A acompanhar a carne vieram também vários molhos desde chimichurri, béarnaise, molho holandês, entre outros. Alguns dos molhos tinham a marca picante da casa.

A carne servida é suculenta, tenra e com uma ligeira doçura que nos leva a viajar por campos verdes com animais felizes a pastar, e que quase esboçam um sorriso a cada dentada na erva fresca. É essa felicidade que nos querem transmitir quando se deixam sacrificar para nosso deleite e produzem esta carne maravilhosa.

As carnes ali servidas vêm da Argentina e outras partes da América do Sul, Escócia e Austrália. Desta última, vem a carne Wagyu, em que as vacas recebem um tratamento de luxo, ouvem música clássica e bebem cerveja. A produção desta carne é inspirada na carne Kobe do Japão, mas como o Japão não exporta, os australianos tomaram a iniciativa. A carne portuguesa, restringe-se ao frango. Por enquanto, os produtores nacionais - foi nos dito - ainda não conseguem manter os mesmo níveis de alta qualidade ao longo do ano.


O vinho escolhido para acompanhar a nossa refeição foi uma garrafa de vinho tinto Castelo D'Alba reserva, que foi uma boa surpresa.

Para sobremesa, deliciámo-nos com uma mousse de chocolate e crème brûlée. Assim, que a minha colher partiu a camada de açúcar caramelizado do creme queimado, foi inevitável, surgiu-me a memória do rosto satisfeito e feliz de Amélie Poulain sempre que se preparava para comer esta sobremesa. Quem me visse, de certeza que descobria, em mim, o mesmo ar de felicidade e contentamento que Amélie esboçava.

Com as sobremesas, provámos um licor de chocolate e piripíri, produção da casa.

Esta foi uma refeição magnífica, em que a carne servida era de excelente qualidade e chegava à mesa suculenta e deliciosa. Ao serviço, tenho apenas palavras de elogio a proferir. Simpático, disponível e sempre preocupado com o cliente.

E foi assim, com a alma cheia que nos despedimos do Sr. Fraga, com a promessa de voltar.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Do Sheraton Algarve & Pine Cliffs Resort até à praia da Falésia


Há locais que nos marcam de forma inspiradora. Deixam-nos a sonhar. Foi o que me aconteceu no Sheraton Algarve & Pine Cliffs Resort, onde estive alojada no passado fim-de-semana, a convite do mesmo.

Este local, inspirou-me pelo tom verde intenso dos pinheiros, pelo azul do mar, pelo ocre das falésias, pelo cheiro a flores e a campo. Por todo o lado, encontramos espaços com alecrim, alfazema, tomilho, laranjeiras, limoeiros, figueiras e verde, muito verde, marcado pela mancha de pinheiros e pela relva dos campos de golfe. A cada passo dado, inspira-se e expira-se tranquilidade e boa vida.

Durante o fim-de-semana procurei aproveitar o espaço o melhor que consegui. Andei a pé, pelos caminhos serpenteados entre o hotel, as vivendas, o alojamento do Clube de Férias e não resisti a espreitar para as magníficas villas que ali se encontram, entre cercas de vegetação, e pensar nas vidas que enchem aquelas grandiosas mansões.


Ao contemplar o horizonte e a falésia, o mar fala-nos ao ouvido e é obrigatório uma ida à praia. Apanhar sol e um mergulho na água são uma excelente forma para começar um fim-de-semana de puro prazer e fruição. Depois da praia, o cansaço dos pés sujos de areia, pede-nos para fazer uma paragem à beira da piscina e sempre que o calor aperta, é inevitável procurar a frescura da água tranquila, deitada ao nosso lado.


Tudo está preparado para proporcionar uma experiência de absoluta tranquilidade, de sossego e de descanso. Simultaneamente, o espaço está pensado para a comodidade de toda a família, desde a própria infraestrutura até ao serviço. Inclusive, existe uma área - o Porto Pirata - para a diversão das crianças, com mini-golfe. Depois de aqui entrarmos, esquecemo-nos que existe um mundo lá fora, de tal maneira é a sensação de conforto.

Por todo o resort encontramos pequenos jardins com fontes de água. A doce e fresca melodia da água a correr está omnipresente por todo o espaço, contribuindo para uma sensação de frescura geral. A par da água, a arquitetura com traços de inspiração árabe conjuga-se com a tradição portuguesa da azulejaria em grandes painéis a retratarem trajes e profissões de outrora, juntamente com alguns pormenores típicos da região, como as conhecidas chaminés algarvias.


Num dos dias, eu e o Ricardo, almoçámos na esplanada do restaurante O'Grill, junto a uma das seis piscinas do resort. Ali sentados a ouvir o barulho harmonioso e apaziguador da água deixámos-nos invadir por toda a tranquilidade que o verde do campo de golfe e dos pinheiros nos ofereciam. Uma vez por outra, visitava-nos um pardalito destemido.

Iniciámos a nossa refeição com umas amêijoas frescas salteadas com coentros e molho de espumante. As amêijoas estavam deliciosas e o molho não se ficava atrás. Por isso, não resistimos a ensopar o pão no molhinho! Para prato principal, eu escolhi robalo grelhado que deveria ter vindo do mar há poucas horas. O Ricardo optou por uma posta de espadarte, a lembrar uma das nossas viagens pelos Açores. Neste dia, a seguir ao almoço entrevistei o chef Fabien Martinez.


O nosso segundo almoço teve lugar no Corda Café. Um espaço junto a uma outra piscina, no sentido oposto ao da falésia, com uma ementa de refeições mais rápidas e leves. Para entrada escolhemos uma salada de mozzarella com tomate e pesto. Como tinha gostado tanto do robalo do primeiro almoço, aqui decidi repetir. Para mim veio filetes de robalo grelhado com amêijoas, alcaparras e legumes. O Ricardo optou por um generoso bife com batatas fritas. Finalizámos a refeição com um gelado e um cheesecake.


Um dos locais que me fascinou assim que saí do hotel, pela primeira vez, foi a zona de pinhal, com vista para o mar, e com umas convidativas espreguiçadeiras colocadas à sombra. Depois de um dos almoços, não resisti e decidi ver o mar daquela perspetiva. Que coisa boa! É impossível o sono não chegar. O melhor é não resistir ...


... e foi o que fiz!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Algarve Chefs Week, com o chef Fabien Martinez


No fim-de-semana passado fui, com o Ricardo, até ao Algarve conhecer a ementa do chef Fabien Martinez, no restaurante Jardim Gourmet, do Sheraton Algarve Pine Cliffs Residence, no âmbito da iniciativa Algarve Chefs Week.

Esta iniciativa, que vai na segunda edição, junta oito chefs dos principais hotéis de cinco estrelas do Algarve e pretende valorizar a gastronomia Algarvia e o papel que os chefs têm na mesma, tentando assim reforçar o destino Algarve em termos turísticos. Esta iniciativa decorre, este ano, de 25 de Maio a 2 de Junho.

O custo da refeição é de trinta euros sem bebidas. Do preço da refeição, um euro reverte a favor da associação de solidariedade social, CASA (delegação de Faro).

Depois de nos sentarmos e sermos muito bem recebidos pelo nosso anfitrião, o Sr. Vítor, a nossa refeição começou com o couvert de pães variados (de azeitonas, de centeio e branco) e manteiga. De seguida foi-nos servido queijo de cabra gratinado em folha de brick, com morango e redução de vinho do Porto. O queijo de cabra gratinado para mim é sempre um excelente amuse-bouche e com o toque fresco e ácido do morango a quebrar a intensidade do queijo em paralelo com o contraste da textura estaladiça da massa, resultou na perfeição.


A entrada servida foi melão com presunto de Parma e mousse de frango fumado em redução de Porto e balsâmico. O presunto com melão é uma combinação de sucesso conhecida, mas o elemento surpresa para mim, nesta entrada, foi a mousse de frango fumado. Intensa e a combinar bem com o contraste doce e fresco da fruta.


Para limparmos o palato - a mousse de frango exigia-o - foi-nos servido um sorbet de limão com mel, tangerina e tomilho. Muito fresco, preparou as nossas papilas gustativas para o prato principal.


Tamboril e medalhão de lagosta em ensopado de arroz de coentros. Este é um prato de mar a lembrar que estávamos no Algarve, combinado com a tradição portuguesa do arroz de tomate polvilhado com o sabor agradavelmente pronunciado dos coentros frescos. Uma maravilha.


Terminámos a nossa refeição com um bolo de chocolate com fios de ovos, sorbet de tangerina e molho de morango. O sabor a café e chocolate do bolo foi cortado com o suave aroma cítrico do sorbet de tangerina.


Acompanhámos a nossa refeição com um vinho branco da Quinta do Barranco Longo.

A oportunidade de degustar o menu do chef Fabien Martinez foi-nos gentilmente oferecida pelo Sheraton Algarve Pine Cliffs Residence.

Esta refeição, com um serviço de mesa irrepreensível, foi muito agradável. Permitiu-nos viajar num mundo de sabores com tradição portuguesa mas com inovação e requinte. Todos os pratos tiveram pormenores que os diferenciam do que estamos habituados.

Antes da refeição, e no meio da atarefada rotina diária do meu interlocutor, tive a possibilidade de conversar com o chef Fabien Martinez:

1. Quem é o chef Fabien? Fale-me da sua experiência profissional e da sua paixão pela comida.

Quem é o chef Fabien?! Bem, tenho um percurso algo atípico em termos de cozinha. Nasci na Coreia do Sul e fui viver para França aos quatro anos de idade. Por lá estudei e graduei-me. Passei por Paris onde trabalhei para chefs muito famosos como, por exemplo, o chef Alain Passard que obteve três estrelas Michelin, em 1995. Aprendi o básico de cozinha com eles, aprendi a dureza que o trabalho na cozinha envolve. Aprendi a ser preciso. Aprendi também muito sobre os ingredientes e a sua riqueza. Aprendi a importância de respeitá-los e a necessidade dos ingredientes serem de qualidade. Depois fui para Miami, nos Estados Unidos, onde trabalhei para Michel Roux e onde fui responsável pelo lançamento e supervisão dos serviços de comida de três linhas de cruzeiro. Um tipo de operação muito diferente de um restaurante com estrelas Michelin, pois envolve organizar e preparar mais de 2.000 refeições por dia. É um tipo de comida menos preciso e dado a pormenores, no entanto foi uma experiência muito rica em termos humanos. Envolveu liderar uma equipa com uma grande mistura de culturas e lidar com pessoas de múltiplas formações e também com motivações diferentes. Que mais posso dizer? ...


2. E aqui em Portugal, no Algarve? Que tipo de ingredientes é que utiliza? Reparei que usa com frequência os coentros!?

Sim, a minha cozinha é como o meu bilhete de identidade. Sou um francês de ascendência asiática que viveu e trabalhou em várias zonas do mundo, como o Norte de África, em mais que um país árabe no Médio Oriente, Ásia e agora em Portugal. Este percurso enriqueceu-me muito. Aprendi imenso, nomeadamente a lidar com os ingredientes. Em relação à cozinha Portuguesa, sinto que tem uma carga de tradições e história muito grande. Podemos falar em ingredientes muito importantes como o bacalhau, o porco e claro, não esquecer a galinha. Uma grande riqueza tanto na variedade como na qualidade dos ingredientes. Eu tento utilizá-los no meu dia-a-dia. Por exemplo, no menu de hoje, na iniciativa Algarve Chefs Week, utilizei como ponto de partida a cozinha francesa mas utilizando os ingredientes ibéricos, nomeadamente os portugueses. Uma combinação muito boa.


3. É da opinião que Portugal tem o melhor peixe do mundo?

Eu diria antes que o carácter diferenciador do vosso peixe é a sua frescura! As características do mar e da vossa costa, especialmente aqui no Algarve, fazem com que o peixe seja muito rico em proteína e seja de uma frescura ímpar. Por exemplo, em certas zonas da Ásia, como o Japão, é-se muito exigente com o peixe que se come. Muito do peixe fresco que é consumido é importado, nomeadamente de Portugal.


4. E a Algarve Chefs Week? Porquê? O que está por detrás desta iniciativa?

Bem, a Algarve Chefs Week nasceu da ideia da valorização da comida Algarvia. Não só em termos de ingredientes e de receitas, mas também do papel que os chefs têm na mesma. Promove ainda uma troca de experiências entre os vários chefs que como eu trabalham os ingredientes locais. Considero um factor muito positivo. Permite-nos partilhar técnicas e receitas. Esta iniciativa promovida pelos principais hotéis de cinco estrelas do Algarve serve também para reforçar a importância do destino turístico por excelência que o Algarve representa. Serve ainda para promover uma causa. Este ano, por cada refeição servida, será entregue um euro à Associação de solidariedade social, CASA (delegação de Faro). Espero que consigamos angariar uma boa quantia.


5. Tinha mais uma pergunta - penso que já falou um pouco sobre isso - e que era, como é que chegou a este menu? Que sabores/sensações quer partilhar com os seus clientes?

Bem, tento trabalhar alguns ingredientes tipicamente portugueses, como por exemplo o presunto, o melão, o tamboril. Parto de uma receita tradicional mas vou utilizando técnicas e combinações menos tradicionais de maneira a que o resultado final possa ser uma espécie de fusão com a "cozinha internacional".


Para quem gosta de boa comida internacional, mas com sabores portugueses, aconselho uma visita ao restaurante Jardim Gourmet para conhecer os menus do chef Fabien Martinez. Vai valer a pena.