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sexta-feira, 14 de junho de 2013

1º Concurso de Pastéis de Santo António em Pernes


Junho é mês de santos populares, de sardinha assada, bifanas no pão, bailaricos e muitos manjericos para festejar. E é em Junho que se comemora o dia de Santo António de Lisboa. Organizam-se as marchas populares e festeja-se até ser dia. Mas associado a este santo popular e casamenteiro temos também outras tradições.

Na ribatejana vila de Pernes encontramos uns deliciosos pastéis em honra de Santo António. Mas como surgem estes pastéis de tradição conventual em Pernes? Conta-nos o gastrónomo Virgílio Nogueiro Gomes que no local onde hoje está a funcionar a Junta de Freguesia de Pernes se situou em tempos idos um convento. E como era tradição, as noviças davam o nome do santo ou dos santos a que eram devotas a alguns dos doces. E é assim que nascem os Pastéis de Santo António que agora Pernes quer recuperar, depois de registada a marca.


A junta de freguesia, inserido nas festas da localidade, organizou o 1º Concurso de Pastéis de Santo António. E foi assim que ontem, dia 13 rumei até Pernes, juntamente com o ilustre Virgílio Nogueiro Gomes e Carlos Braz Lopes, autor do Melhor Bolo de Chocolate do Mundo para participarmos na escolha dos melhores Pastéis de Santo António através de uma prova cega.

Os pastéis são uma tentação. Por certo, as freiras conheciam o verdadeiro segredo da vida, quem sabe iluminadas por divinos desígnios, e divertiam-se por isso a fazer estes doces para nosso completo arrebatamento. Estes pastéis, forrados com uma massa estaladiça, crocante e por dentro um creme saboroso, que para além das gemas, açúcar, água e leite leva, curiosamente, também pão duro, obrigam-nos a provar um, a experimentar dois e a tentar resistir ao terceiro. São tão bons!


Para além dos Pastéis de Santo António, o júri teve também a tarefa de eleger as melhores Broas dos Santos ou de Pernes. Umas broas com especiarias, farinhas e mel. Mas Pernes guarda ainda outras tradições gastronómicas a reter, como os Rebuçados Perna de Noz, que tive a possibilidade de provar pela primeira vez. Um rebuçado com um caramelo translúcido com um pedaço de noz, embrulhados num papel bonito. Dizia-me Vicente Batalha, um dos responsáveis pelo concurso, que o segredo está no ponto e no vinagre que se adiciona para que o caramelo fique assim tão bonito. Algo que fiquei com imensa curiosidade em ver fazer, assim como os Pastéis de Santo António. Porque as receitas escritas são um elemento importante, material, mas depois a parte como se faz, o imaterial, só se ganha, aprende, ver fazendo, porque há sempre coisas que as mãos hábeis de quem faz bem nos contam, nos transmitem e que não está escrito em lado nenhum.


E para quem ficou, como eu, com vontade de experimentar fazer os deliciosos pastéis, aqui fica a receita:

Pastéis de Santo António

Ingredientes para o creme:
500 g de açúcar
125 g de pão duro
5 dl de leite
6 gemas de ovo
4 dl de água


Ingredientes para a massa:
250 g de farinha
50 g de manteiga
50 g de açúcar
2 ovos inteiros


Para o creme:
Põem-se a água ao lume com o açúcar e faz-se um ponto fraco (ponto espadana). Ferve-se o leite para escaldar o pão e passa-se por um passador fino para se desfazer bem. Junta-se o açúcar em ponto e por fim misturam-se as gemas dos ovos, com cuidado para não talharem. Leva-se novamente ao lume e quando levantar uma bolha ou duas está pronto.

Para a massa:
Amassa-se tudo muito bem com as pontas dos dedos, tende-se com o rolo da massa até obter uma massa fina. Corta-se com um copo por exemplo, e com o auxílio dos dedos molda-se à forma. Enchem-se com o creme. Coze em forno quente.


Nesta visita a Pernes tive ainda a possibilidade de conhecer o trabalho da Gradirripas, empresa que faz as tábuas de madeira usadas por Jamie Oliver. As tábuas têm um design apelativo e robusto. Cá em casa já temos uma. Mas ficou a vontade de ter mais umas quantas, já que são tão giras e práticas.


Agradeço à Junta de Freguesia de Pernes o convite e o modo amável com que nos receberam. Quem quiser provar estes deliciosos pastéis pode passar por Pernes e participar na festa de Santo António que decorre até domingo, 16 de Junho de 2013, quando serão dados a conhecer os primeiros classificados do Concurso de Pastéis de Santo António.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Uma tarde de Outono pelo campo ...

Depois de uns afazeres, ao final da manhã de sábado, rumei para os lados de Santarém para almoçar com os meus pais. Estava um dia frio. Muito frio. Mesmo assim, depois de almoço, resolvi dar uma voltinha pelo campo e espreitar a natureza, o que nasce, o que morre, o que renasce ... enquanto, o Ricardo acendia a lareira, que nos fez companhia durante toda a tarde e parte da noite.

As folhas amarelecidas são sinal de despedida. O Outono revela-se o fechar de um ciclo. Terminam os sinais do Verão, e por entre as chuvas e o frio, começa uma outra fase, de adormecimento, mas também de vida. Já dissemos adeus aos marmelos, ao tomate, aos figos, às abóboras e às uvas.

As aboboreiras envaidecidas pelas chuvas, continuam a dar flor por entre as ervas que crescem desenfreadas e a formar fruto, mas acabarão por ser arrancadas à vida, pelo frio das primeiras geadas, que tudo cobrem de branco.

Os figos, alguns teimam em não partir, como um animal pequeno que se prende ao conforto da mãe.

Agora é tempo de azeitona, de azeite ...

... de laranjas e de tangerinas, que com o seu perfume, intenso, ácido, nos chamam para que as provemos.

Quando visito um pomar, não resisto ao chamamento das árvores e dos frutos. E desta vez não foi diferente. Mesmo com o frio cortante, acabei por desprender das árvores duas tangerinas e saboreei-as ali mesmo. É curioso, como um local, como um momento nos condiciona e altera o sabor. Nenhuma fruta me sabe tão bem, como a apanhada por mim.

sábado, 11 de setembro de 2010

Reencontro com amigos

Todos os anos no dia um de Janeiro costumo elaborar uma lista de coisas que gostaria de fazer nesse ano. Um dos tópicos que tenho colocado é visitar amigos queridos que já não vejo há algum tempo. Amigos que pelas circunstâncias da vida acabamos por não conviver como gostaríamos.

No passado mês de Agosto fui visitar um casal de amigos, a São e o Nuno que já não via há aproximadamente seis anos. A última vez que os visitei foi em Castro Verde, quando o seu filho nasceu. Agora voltei a visitá-los na sua casa na Chamusca e já com o Nuno Júnior bem crescido. A São é uma amiga de quem só guardo boas recordações, muito alegre e conversadora. Dividi casa com ela nos nossos tempos de faculdade. Foram anos muito bem dispostos e cheios de estórias para contar. Ainda me lembro de algumas tardes de Inverno que passávamos na conversa. Como fazia frio, ligávamos um aquecedor a gás que tínhamos e ali ficávamos. Ora conversávamos, ora tentávamos jogar GP3 (mas sem grande sucesso!), Tetris, Bubble Bobble, etc. Numa das vezes colocámos o aquecedor muito perto de uma das portas, quando reparámos, a porta aqueceu tanto que já estava ligeiramente castanha! Uma outra vez, o Ricardo questionou-se sobre quem é que teríamos lá em casa pois, contou-nos ele mais tarde, só ouvia risos e muita conversa. Quem seriam os convidados? Para sua surpresa, éramos apenas nós as duas! :) Muitos também foram os almoços e jantares feitos naqueles anos. Uma dos convidados habituais lá de casa, era um outro colega, o Custódio David, que a São também convidou para este encontro.

Desta vez, antes de nos sentarmos à mesa começámos por petiscar um queijo da Murta, paiola alentejana e vinho Moscatel.

A São para o almoço fez um bacalhau com maionese que estava muito saboroso. Num tabuleiro colocou uma boa camada de cebola cortada às rodelas. Em cima, dispôs as postas de bacalhau barradas com maionese. Regou com um bom fio de azeite e levou ao forno. Serviu o bacalhau com puré de batata e uma salada de alface.

Para sobremesa brindou-nos com uma mousse de chocolate.

Depois de almoçar e de algumas garrafas de vinho verde, foi difícil sair da mesa e até acompanhar o ritmo do pessoal da Chamusca no que toca à bebida. ;) A vontade de conversar era desenfreada, queríamos saber coisas uns dos outros e de outros colegas que nos acompanharam nos tempos da faculdade. Nesse dia, acabámos por marcar um outro encontro.

Na semana seguinte, encontrámo-nos em Óbidos, que já visitei este ano, depois de um café numa esplanada à entrada da vila e de decidirmos ir visitar o jardim Buddha Eden, achámos que para passear o melhor era carregar as baterias, por isso e por sugestão do David, resolvemos ir até Nadrupe e almoçar no restaurante Aldeia Velha. Achei imensa piada ao nome Nadrupe, nunca tinha ouvido falar e inicialmente nem sabia dizer muito bem. Pelo caminho encontrámos outras localidades com nomes muito engraçados como Papagovas.

O almoço no restaurante Aldeia Velha foi muito agradável. Todos escolhemos polvo à lagareiro e estava delicioso. O polvo estava tenro e as batatas bem assadas. Foi uma boa escolha.

Depois do almoço fomos passear até ao jardim Buddha Eden, na Quinta dos Loridos, perto do Bombarral. O dia estava muito quente e começámos o nosso percurso procurando as sombras. O jardim está ainda em construção, mas encontramos espaços muito interessantes. Gostei particularmente do lago e das estátuas de terracota. A nossa visita terminou na loja de vinhos da quinta, onde trouxemos algumas garrafas de vinhos ali produzidos.

Terminámos este nosso encontro numa esplanada na praia da Consolação a comer tremoços e a beber imperial. Na despedida ficou a promessa de não estarmos tantos anos sem nos encontrar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Como se faz uma colmeia?

No domingo de Páscoa, o almoço foi borrego assado no forno, feito pela minha mãe. Como é normal em alturas de festa, o almoço prolongou-se entre a conversa e o prazer de estarmos juntos. Contarmos as novidades, sabermos um pouco do que se passa com cada um.

Borrego assado no forno com batatas.

A seguir ao almoço resolvi dar uma voltinha pelo campo. O tempo estava mesmo convidativo a um passeio. Céu azul intenso e sol. Adoro contemplar a natureza nesta altura do ano. Está tudo florido. Bonito.

Bem-me-queres.

Reparem na beleza das flores dos marmeleiros e dos pessegueiros.

Ainda há laranjas nas árvores. Acabei por tazer um saco cheio. São doces e muito sumarentas.

As ovelhas a pastar tranquilamente.


As faveiras em flor. As cepas a rebentarem.


Para além do meu passeio tive a oportunidade de ver pela primeira vez a preparação de uma colmeia.

A preparação dos quadros com cera e depois a sua fixação com cera derretida.


Depois dos quadros prontos, a colmeia é untada com um perfume sólido, de cheiro intenso a flores e citrinos, para cativar as abelhas para a colmeia.

Cera para derreter.

Ao ver este trabalho lembrei-me inevitavelmente do filme de animação A História de uma Abelha e de como as abelhas decidem fazer frente aos humanos, depois de descobrirem que estes comercializam o mel.

No final, depois de ver a colmeia pronta a receber um enxame que ali queira ficar, ganhei ainda mais respeito por estes insectos tão especiais.

Depois da colmeia colocada no sítio, aventurei-me mais um pouco e eis senão quando encontro um poço. Espreito e apercebo-me que entre a camada de verde que cobre a superfície da água há umas cabecinhas de rã a espreitar, a aproveitar o sol, tranquilamente.


Adoro estes passeios!

segunda-feira, 22 de março de 2010

A chegada da Primavera

Depois de tantos dias cheios de chuva e mais chuva, soube bem sentir a chegada da Primavera. O sol espreitou e com ele uma vontade enorme de sair de casa e de passear. Foi o que fiz, em parte, este fim-de-semana.

O sábado passei-o em Santarém. Depois do almoço fiz questão de passear um pouco. Nos campos começam aparecer os bem-me-queres e outras flores. As árvores de fruto enchem-se de flores e preparam-se os terrenos de cultivo. Esta é uma altura em que o campo está muito bonito, nota-se a força da natureza prenha de vida.

No domingo, acabei por documentar a chegada da Primavera no meu pequeno quintal, em Lisboa.

À tarde rumei para o teatro. Assisti à peça Paranormal com Joaquim Monchique e fartei-me de rir. Uma tarde de boa disposição foi talvez a melhor forma de celebrar a chegada da Primavera.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais um passeio por terras ribatejanas


No sábado fui visitar os meus pais. Para o almoço a minha mãe fez Arroz de Coelho, um dos meus pratos favoritos feitos por ela. Lembro-me que durante a minha infância e adolescência este era um prato que eu adorava e que ela fazia sempre que eu lhe pedia, especialmente na época da caça. O meu pai foi caçador durante anos, tal como o meu avô Júlio e depois o meu irmão. Recordo essa época com alguma alegria. Era uma festa sempre que o caçador chegava com os seus trófeus presos à cartucheira. Juntava-se a família à mesa. Para quem não aprecia este desporto, é difícil compreender o entusiasmo de quem o pratica.

Depois a acompanhar o café serviu um prato com fritos feitos da massa do pão e ovos, polvilhados com açúcar.

Como eu adorava comer estes fritos com café.

A tarde foi preenchida com um breve passeio pelo quintal, observar as árvores, as gotas de água, o canteiro de endívias. Lindas, mas será que se irão aguentar quando a geada chegar?

O Ricardo ficou encantado com as gotas de água, em jeito de pedras preciosas, nas folhas de couve galega e tirou estas imagens, ao estilo de uma blogger que adoramos, a Lucullian Deligths. No final do dia, ainda deu para dar uma ajudinha a apanhar azeitona.

domingo, 7 de junho de 2009

Flores, frutos e legumes

Quando vou a Santarém é quase certo ir espreitar as hortas e as árvores de fruto. Começo pelo quintal dos meus pais. Gosto de ver o que semearam, o que está a crescer e o que já está a dar fruto. Depois aventuro-me pelos quintais de dois vizinhos mesmo ali ao lado. Quando vejo alguma coisa que acho interessante, perco a vergonha e chego mesmo a entrar.

O Ricardo também me costuma acompanhar nestas aventuras. Fotografamos tudo o que achamos bonito ou curioso. Os frutos. As flores. Os malmequeres. Os legumes a crescer. Quem nos encontra até acha piada e ri-se.

Pêra.

Folha e um pequeno pepino.

Figos.

Nesta altura do ano encontrei pronto a colher feijão verde, cebolas, courgettes, alfaces e pêssegos. Não resisti aos encantos de uma nespereira. Comi uma mão cheia de nêsperas madurinhas, doces, que eu própria apanhei. Souberam tão bem!

As nêsperas são a única fruta que me recuso a comprar nos supermercados. Não gosto. Acho que não têm sabor. Houve alturas em que até cheguei a comprar, mas acabei sempre por me arrepender, por achar que a qualidade não justifica. A pele dura, muita água e nenhum sabor, na minha opinião.