Vivemos num tempo em que as preocupações com a alimentação são uma questão de saúde pública e não apenas de sobrevivência ou de pura satisfação. A indústria alimentar ao desenvolver-se trouxe-nos novas necessidades, a que o marketing deu vida e que nos fez pensar que sim. Encontramos hoje nas prateleiras dos supermercados muitos produtos que, como diz Michael Pollan na obra O Dilema do Omnívoro, as nossas avós não reconheciam como comida. Escolher bons produtos para a nossa alimentação nem sempre é tarefa fácil tendo em conta o ritmo acelerado das nossas vidas. Eu defendo o que poderei chamar de bom senso alimentar. De entre tudo o que temos actualmente à nossa disposição, a direcção a tomar é a de procurarmos encontrar um equilíbrio. É importante ler os rótulos dos produtos que consumimos e reduzirmos o consumo de gorduras saturadas e de açúcares. É importante comermos sementes, mas não cair nos excessos. É urgente encontrar um equilíbrio sem deixar de saborear as coisas boas que os alimentos nos oferecem.
E como escolher os alimentos bons? Hiromi Shinya, diz-nos em A Enzima Prodigiosa, «(...) os melhores são aqueles que crescem em terra fértil, rica em minerais, sem recurso a aditivos ou fertilizantes químicos e que são ingeridos logo após a colheita. Quanto mais frescas são as verduras, a fruta, a carne e o peixe, mais enzimas terão.» Quantas refeições fazem com legumes por semana? Cozidos, assados, salteados, gratinados e crus, há para todos os gostos, sabendo que é importante diminuir o consumo de fritos. Todos adoramos batatas-fritas, mas sabemos que não as podemos comer todos os dias a bem da nossa saúde. É muito mais fácil cair em tentação do que procurar fazer uma alimentação equilibrada, ou se preferirem saudável. Confesso que nem sempre aceito de espírito aberto algumas tendências da dita alimentação saudável. Para mim comer bem é escolher alimentos frescos, misturar numa refeição, no mesmo prato, proteína, hidratos de carbono, algumas gorduras e muitas verduras. O facto de não termos uma horta com as verduras à nossa disposição, acabadas de sair da terra, não é motivo para não tentar. Para comer bem, é fundamental não saltar refeições, para que quando chegue à hora de comer, não se tenha vontade de comer o mundo. Começar o dia com um bom pequeno almoço. Avaliar o consumo pessoal de pão por dia. Faz sentido acompanharem o almoço e o jantar com pão? Comerem pelo menos duas peças de fruta por dia. Não petiscar salgadinhos e pequenas guloseimas entre as refeições. Há muito que me habituei a levar comigo sempre que saio de casa um iogurte líquido, uma maçã e nos últimos tempos uns queijinhos de triângulo ou daqueles pequenos, redondos, para os momentos em que a fome me parece desespero.
A relação com a comida é muitas vezes emocional. A comida serve de conforto a muitas das nossas emoções, principalmente em dias cinzentos, em que a nossa cabeça se enche de nuvens e com previsão de aguaceiros. Nesses dias, um quadrado de chocolate negro pode trazer de novo o sol e um grande sorriso. Não precisa de ser uma bola da Berlim coberta de açúcar e com creme ou um pacote de bolachas com recheio de chocolate. Se gostarem, cortem uns quantos rabanetes e vão mastigando, tipo snack. É uma forma de entretenimento do palato, satisfaz e compensa os nossos estados de espírito.
Planear, semanalmente, as refeições e procurar um equilíbrio entre os pratos de carne e de peixe. Comer sempre sopa às refeições. É fundamental para quem se preocupa em ter uma alimentação equilibrada e para quem quer emagrecer. Hoje deixo-vos uma sopa deliciosa e saudável. A sugestão deste caldo verde de curgete veio de uma conversa com as participantes no meu último workshop de Entradas e Petiscos, cá em Lisboa.
















