quarta-feira, 3 de junho de 2009

Carne de porco assada no forno com canela e alecrim

Tenho cozinhado muito pouco cá em casa, ultimamente. Apesar de se terem acabado as minhas saídas em trabalho e de aos fins-de-semana visitar os meus pais para dar algum apoio à minha mãe, a razão que me leva a cozinhar menos nestes dias é a iniciativa Lisboa Restaurant Week.

Esta iniciativa promove os chamados restaurantes de luxo com a particularidade de estarem a preço de saldo. Ou seja, uma refeição nalguns dos melhores restaurantes de Lisboa por 20 euros (19 euros + 1 euro para ajuda social) sem incluir as bebibas e cafés. A iniciativa decorreu de 21 a 30 de Maio mas, entretanto foi prolongada até 4 de Junho, o que me permitiu aceitar os convites dos meus amigos Sandra e Nuno e, assim encher a minha agenda de jantares gourmet.

A nossa participação na iniciativa começou no restaurante Spot São Luiz, passou pelo italiano Gemelli, Cop3, hoje irei à Casa da Comida, na quinta-feira ao XL e na sexta ao Suite - Food and Dance.

Os poucos cozinhados que tenho feito têm sido de carne. Ontem para o jantar fiz carne assada no forno inspirada numa receita tradicional da ilha da Madeira que encontrei no livro de Maria de Lourdes Modesto - A Cozinha Tradicional Portuguesa.

Num recipiente misturei uma pitada de sal, 2 piripiris secos picados, agulhas de alecrim seco, 3 cravinhos, pimenta acabada de moer e uma folha de louro partida. Com esta mistura esfreguei a carne e de seguida reguei-a com vinho branco. Adicionei à mistura um pau de canela. Deixei a marinar de um dia para o outro, entretanto virei e piquei a carne pelo menos duas vezes durante este período.

Num tabuleiro coloquei uma cebola e três cenouras cortadas às rodelas, uma cabeça de nabo e um chuchu cortados em cubos, azeitonas pretas às rodelas e dois tomates maduros sem peles nem sementes cortados aos pedaços. Coloquei a carne em cima desta cama de legumes, reguei com a marinada e, por fim, com azeite. Levei ao forno.

Acompanhei este jantar com uma cerveja bem fresquinha.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Carne de vaca com tomate, vinho e ervilhas

Da minha última viagem a Itália trouxe um livro intitulado Step by Step How To Cook Italian. Um livro muito interessante sobre a cozinha italiana. Para além de receitas, apresenta vários dos produtos típicos da cozinha italiana, desde as ervas, queijos, enchidos, pasta, etc. As receitas estão documentadas com várias imagens para ajudar a entender o processo de confecção.

Deste livro houve uma receita que me deixou logo com água na boca. A receita mostra uma carne de vitela com um molho espesso e umas batatinhas novas a pedir que as comam. Como tinha cá em casa ervilhas frescas e batatas novas achei que estava na altura de experimentar a receita que me deixou a salivar.

Cortei 700 g de carne de vaca em cubos e temperei com sal. Misturei quatro colheres de sopa de farinha com um pouco de pimenta acabada de moer e as folhinhas de três hastes de tomilho Passei a carne na farinha. De seguida, coloquei 1 dl de azeite num tacho e levei ao lume. Assim que aqueceu, adicionei a carne e deixei fritar. Depois da carne frita, retirei-a do tacho e coloquei-a num recipiente de forno com tampa.

No tacho onde fritei a carne, adicionei uma cebola picada e com a colher de pau mexi de modo a limpar os sedimentos que ficaram presos. De seguida juntei 1,5 dl de vinho tinto, três tomates pequenos limpos de peles e sementes, três dentes de alho picados, um cubo de caldo de carne, 1 dl de polpa de tomate e 2 dl de água. Deixei cozinhar uns minutos em lume brando.

Reguei a carne com o molho de tomate e vinho tinto. Tampei a caçarola e levei ao forno. Entretanto descasquei um saco com ervilhas frescas que rendeu uns trezentos gramas. Abri o forno e juntei as ervilhas à carne. Deixei mais um pouco no forno e servi com batatas novas cozidas com a pele.

A carne ficou muito boa. Correspondeu às minhas expectativas, apesar de ter feito algumas alterações à receita original, e serviu de almoço num destes domingos em que fiquei em casa.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sopa de rúcula com esparguete e ervilhas

Ultimamente quando visito os meus pais tenho sido responsável por fazer uma sopa para o jantar, tal como costumava pedir à minha mãe, mas desde que ela partiu um pé e enquanto não recuperar está impossibilitada de o fazer.

Uma das sopas que fiz foi uma versão desta pois, como o Ricardo e eu tínhamos gostado muito, achámos que seria uma boa opção e não nos enganámos. Nesta versão acrescentei massa esparguete e ervilhas.


Ingredientes:
1 cebola grande
3 batatas médias
3 alhos-franceses (apenas a parte branca)
3 cabeças de nabo
3 L de água
sal
azeite
3 cenouras
folhas de rúcula
massa esparguete
ervilhas

1. Numa panela colocar a cebola, as batatas, os alhos franceses e as cabeças de nabo tudo cortado aos pedaços. Adicionar a água, temperar de sal e levar ao lume.

2. Depois dos legumes cozidos, triturar com a varinha mágica.

3. Levar novamente ao lume e quando levantar fervura adicionar as cenouras cortadas às rodelas, esparguete cortado, duas mãos cheias de ervilhas e folhas de rúcula. Regar com um fio de azeite e deixar acabar de cozinhar.

Depois de fazer a sopa em casa dos meus pais já a voltei a fazer cá em casa. Ontem, quando os visitei voltei a "inventar" outra, mas essa fica para outra ocasião.

domingo, 31 de maio de 2009

Do mercado até à mesa do 100 Maneiras a escrever com os sentidos

No sábado acordei cedo. Ou melhor acordei mais cedo do que é habitual acordar a um sábado. Normalmente, como quase toda a gente (penso eu!) aproveito os fins-de-semana para ficar um pouco mais na cama, recuperar o sono perdido de toda uma semana.

Este sábado acordei mais cedo para participar no curso Gastronomia: Escrever com os sentidos promovido pela Escrever Escrever e leccionado pela jornalista Mónica Franco. Este foi o terceiro curso que fiz na Escrever Escrever. O primeiro foi um curso de escrita de viagens e o segundo Gastronomia: na tela, no papel e na mesa, onde passei um maravilhoso serão e onde me senti muito bem, sentada à mesa, a falar sobre a cultura e a gastronomia japonesas através de filmes, romances e a degustar uma refeição característica do país do sol nascente.

O curso deste sábado começou com uma visita ao Mercado da Ribeira com o Chef Ljubomir Stanisic do restaurante 100 Maneiras. Assim que entrei no Mercado surpreendi-me com o espaço e com a luminosidade. Encontrei um mercado, aparentemente, sem muita azáfama, grandes corredores, num espaço encantador e cheio de luz. Do Mercado da Ribeira guardo o sabor a cacau quente, o cacau quente da Ribeira, que cheguei a ir beber depois de umas noitadas pelo Bairro Alto e 24 de Julho, nos meus tempos de estudante.

Ljubomir Stanisic depois de consultar a sua lista de compras distribuiu um saco por cada um dos participantes do curso. E assim apanhados de surpresa, ficámos com a responsabilidade e o privilégio de o ajudar a fazer as compras. O critério definido para a escolha dos produtos foi apenas um: a frescura. Pepinos, limões, alhos-franceses, cebolas roxas, courgettes, molhos de grelos, uma abóbora grande com gomos da cor da laranja, foram alguns dos produtos que tivemos que escolher para os nossos sacos, entre cheiros e toques. O cheiro que guardei desta experiência foi o do limão. Um limão maduro, pintado de amarelo vivo, cheira agradavelmente bem. Experimentem.

A nossa visita ao Mercado levou-nos ainda à zona do marisco e do peixe fresco, onde fomos apresentados a Rosa, Rosa Peixeira como é conhecida. Entre um sorriso luminoso e uma pele que dispensa o uso de cremes para se manter jovem, como ela própria referiu, Rosa contou-nos que se levanta por volta da 1h30 da manhã para fazer as compras na lota e conseguir regressar ao Mercado com peixe para a sua venda. Impressionou-me a energia da Rosa Peixeira, a rapidez com que escamava e esventrava os peixes era semelhante ao modo com que falava e tentava conquistar os clientes, assim sem papas na língua.

Depois das compras seguimos para o restaurante 100 Maneiras no Bairro Alto. Aqui começou uma breve festa de experiências para o nosso paladar. Entre a conversa e boa disposição que imperava no diálogo com o nosso anfitrião, provámos um original pão com chouriço servido em espeto de bambu, um tira gosto composto de sorbet de manjericão, lima e champanhe (delicioso) e uma sopa fria de tomate servida num pequeno copo de vidro colocado numa base de ardósia, que nos soube muito bem.

A conversa que tivemos com Ljubomir Stanisic, ao longo da nossa degustação, passou pelo conceito de cozinha de mercado que impera no restaurante 100 Maneiras e pelas suas fontes de inspiração. Foi notório nas palavras do chef a paixão pelo Bairro Alto e, como não poderia deixar de ser a vida do Bairro inspirou-o naquilo que faz. Uma dessas influências está bem presente num dos aperitivos que serve. Um estendal (inspirado nos estendais de roupa do bairro e na pala de Siza Vieira no Parque das Nações) com tripa de bacalhau seca frita em azeite a 205 graus. Outro aspecto curioso são os saleiros e pimenteiros que se encontram nas mesas. Assemelham-se às pedras da calçada portuguesa.

Ljubomir Stanisic referiu também que se inspira, para além da vida do bairro, em pequenas coisas do quotidiano como por exemplo o detergente para lavar as mãos de cor verde (produto que o inspirou para a criação do limpador de palato que provámos), a noite lisboeta, sexo, as padarias e o pão com chouriço, entre outras coisas.

Depois da conversa com o artista/artesão de sabores da cozinha do 100 Maneiras e com as bocas a salivar de apetite lá fomos nós almoçar. Por sugestão de um dos colegas, o Miguel, o local escolhido foi o restaurante Estrela da Bica.

O restaurante Estrela da Bica revelou-se, assim que entrámos, um local agradável e cuidado, a lembrar por alguns traços as tabernas de antigamente. As mesas de madeira, rústicas, sem toalhas, algumas delas antigas, a ementa escrita a giz em quadros de ardósia, uma estante com livros e um espaço com sofás, nitidamente a convidar para uma cerveja fresca numa tarde de calor tórrido.

Começámos o nosso almoço com umas entradinhas maravilhosas: Babaganoush (pasta de beringela) com pão torrado e Tiborna.

Para prato principal quase todos escolhemos lombo de porco com batatas assadas no forno, que se revelaram as vedetas do prato graças ao sabor picante que nos levavam a pedir para reforçar o copo de sangria fresca.

O Miguel escolheu a opção vegetariana, um prato muito bem apresentado.

Para sobremesa fomos surpreendidos com um bolo de espinafres e agrião e panacota de chocolate com molho de morangos.

Melhor ainda do que o almoço foi o convívio com todos os colegas de curso que conheci naquela manhã. Bem dispostos e divertidos. Escusado será dizer que o almoço foi feito de boa disposição e muitas gargalhadas.

Depois do almoço voltámos ao curso e aos trabalhos de escrita dirigidos pela nossa formadora. Escrevemos inspirados primeiro pelo cheiro das ervas aromáticas: os orégãos, o tomilho, o endro, o cerefólio e o manjericão e, depois pelo filme Ratatouille. Por fim, analisámos textos sobre crítica gastronómica. E sem darmos conta do tempo passar, a hora de acabar chegou. No fim, ficou a promessa de novos cursos e de novas experiências ligadas ao mundo dos sabores.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

4 por 6: Piza de fiambre com cogumelos e piza dois queijos com tomate e azeitonas

Já há algum tempo que tinha pensado fazer para o projecto 4 por 6 uma proposta de refeição económica de piza. Entretanto, como estava envolvida cá em casa com as quintas-feiras de piza, a ideia foi sendo colocada de parte até à semana passada em que resolvi executá-la.

A massa para a piza foi feita na máquina do pão, tal como já é habitual. O molho de tomate seguiu as mesmas indicações.

Piza de Fiambre com Cogumelos

Numa piza coloquei molho de tomate, fiambre cortado em tiras e uma lata de cogumelos laminados. Polvilhei com queijo mozzarella ralado e seguiu para o forno.

Piza dois queijos com tomate e azeitonas

Na segunda piza coloquei molho de tomate, azeitonas pretas cortadas às rodelas, um queijo mozzarella cortado em cubos, fatias de cebola branca, um tomate cortado em cubos, queijo mozzarella ralado e orégãos secos.

Para terminar a refeição proponho um café Nespresso.

Vamos então às contas:


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Salada de laranja sanguínea com rúcula, beterraba e queijo feta

Chegou, finalmente, o tempo quente. Apetece ir à praia, comer gelados, andar de chinelos, dormir a sesta, comer fruta fresca e saladas.

Quando regressei de uma das minhas viagens por cá resolvi fazer uma salada. Como ainda tinha duas laranjas sanguíneas que tinha trazido de Itália no frigorífico, resolvi dar-lhe um destino interessante.


Cortei uma beterraba cozida em fatias finas e dividi por dois pratos. De seguida adicionei rúcula, alface, queijo feta cortado em cubos, nozes partidas grosseiramente, gomos de laranja, fatias de cebola branca e cebolinho picado. Temperei com sal, pimenta e azeite.


Esta combinação resultou muito bem.

Infelizmente acabaram-se as laranjas sanguíneas!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Peras, perais e Peral

Regressei, hoje, de uma breve viagem à aldeia da Sobrena, freguesia de Peral junto à vila do Cadaval, conhecida pela capital da Pêra Rocha. Fiz esta viagem por motivos profissionais, mas não pude deixar de admirar os extensos perais que ali encontrei ou, não estivéssemos nós na famosa região produtora de Pêra Rocha . Para além dos perais deixei-me seduzir pelas hortas das gentes daquela aldeia.




O que me chamou a atenção nestas couves foi o tamanho. São enormes!

Os pêssegos e os alperces simplesmente tentadores ...

Flor das amoras silvestres.

Na aldeia quase todas as casas, junto à estrada principal, têm jardins cheios de flores, mas as rosas ali são rainhas. Lindas. Lindas. Enchem o chão de pétalas.