sexta-feira, 31 de março de 2017

Vamos fazer pão: Pão com sementes


Cada vez mais se fala sobre o pão que comemos. Ou melhor, cada vez mais se fala sobre a qualidade ou falta de qualidade do pão que comemos. Numa ida ao supermercado, quando comprarem pão, leiam o rótulo. Vão perceber que muito do pão de compra não é apenas feito com farinha, sal, fermento e água. Por outro lado, a quantidade de fermento usado no pão industrial é grande. Faz um pão fofo que passado umas horas já está duro. Um dos exemplos, é o papo seco.

Por isso, para quem gosta de pão, para quem procura o sabor autêntico do pão pode fazê-lo em casa. Os ingredientes encontram-se facilmente à venda numa ida ao supermercado, onde felizmente, cada vez mais, há uma interessante oferta de farinhas biológicas. Sal, água e fermento. O fermento usado pode ser fresco, vendido em cubos, ou seco, a chamada levedura seca. Não confundam fermento de padeiro seco (levedura seca) com o fermento químico que usamos para fazer bolos. São dois produtos diferentes.

Podemos fazer pão usando um método simples, directo. Misturamos os secos e os líquidos, amassa-se, leveda e vai para o forno. Foi sempre assim que vi a minha mãe fazer pão. Este é um método que recomendo a quem quer fazer pão pela primeira vez. Para se aventurar na arte maravilhosa de fazer pão em casa, misturar os ingredientes, amassar, levedar e já está. Foi com uma receita assim que comecei a rubrica Vamos fazer pão. Não tenham medo de amassar, é quase terapêutico. Lembrem-se que foi assim que durante séculos se fez pão, metendo as mãos na massa!

Este é o método mais simples. A complexidade de fazer pão aumenta quando começamos a usar pré-fermentos (poolish, biga e/ou massa fermentada conhecida como massa velha) ou usarmos uma massa-mãe, o que em inglês se designa por sourdough ou em francês, levain, feita a partir de uma matriz, starter. Um destes dias, explico-vos como faço e alimento a minha massa-mãe, feita com farinha de centeio integral biológica. Também se pode fazer massa-mãe com farinha de trigo. A minha massa mãe já tem mais de um ano. Há padarias com massas mãe com 100 ou mais anos. Maravilhoso, não é?

O melhor método para cozer o pão em casa é usando um tacho de ferro fundido ou de cerâmica. Há quem faça em tachos de vidro, tipo Pyrex, ou em tachos de barro, mas a verdade é que não são tão eficientes na distribuição do calor. Para quem faz pão em casa de forma regular, vale a pena o investimento num tacho/panela de ferro fundido. Quando forem ao supermercado ou uma loja de produtos para casa, procurem estes tachos. Vão encontrar de vários preços. Este método tem obviamente limitações, mas para fazer um pão para a família, resulta muito bem. Vamos fazer pão?


quinta-feira, 30 de março de 2017

Pargo assado no forno com bacon


« A felicidade é um segredo paciente. » Todos os dias procuro ser feliz. E a felicidade que procuro está nas pequenas coisas, nos sorrisos que vejo nos rostos dos outros, na possibilidade de ajudar uma amiga. Está na alegria de poder contemplar o céu azul ou uma árvore cheia de flores num dia de Primavera. Está num presente que envio a amigos que estão longe ou num telefonema a quem não vejo, há algum tempo. Está na alegria e entusiasmo com que preparo os sacos ou as etiquetas para as lembranças de Páscoa. Está no carinho com que cozinho uma refeição para a família ou um almoço a dois.

Quando fazemos os outros felizes, somos nós, também, muito mais felizes. A nossa felicidade depende das relações, dos laços que fazemos com os outros. O modo como cultivamos as nossas amizades determina os nossos níveis de felicidade. Quantas vezes não ficámos muito mais bem dispostos depois de uma conversa com uma amiga que encontramos por acaso num café ou numa viagem de Metro? Ou quando conhecemos uma pessoa nova, que nos abre horizontes e nos ajuda a crescer? Falar com os outros é tão bom!

O primeiro passo, para sermos todos mais felizes, é aprendermos a valorizar, a guardar no coração as coisas boas. As coisas boas que cada dia nos oferece têm que se sobrepor àquelas que são menos boas. O segredo para sermos felizes é valorizarmos os acontecimentos bons do nosso dia-a-dia. É darmos graças pelas coisas boas que nos acontecem, por mais pequenas que sejam. Agradecer.

Quando agradecemos, reconhecemos que a nossa vida é boa. Que temos sorte. Que coisas boas também nos acontecem, a nós, todos os dias. Uma das coisas que agradeço, todos os dias, é ter uns pais que me ajudam, que olham por mim, que tentam mimar-me com pequenas coisas. Isto é tão precioso para mim! O pargo da receita de hoje foi pescado pelo meu pai.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Carpaccio de abacaxi com maracujá e pimenta-rosa


Sempre que posso gosto de terminar a refeição com uma sobremesa. Mas a sobremesa não tem que ser um bolo, tarte ou uma musse.

A fruta apresentada de forma apelativa, cá em casa, funciona muitas vezes como uma fantástica sobremesa. Um destes dias para um almoço demorado, daqueles em que faço uma carne assada no forno durante algumas horas - fica tão suculenta que facilmente repetimos e no final sobra sempre muito pouco - servi uma travessa de abacaxi cortado em fatias finas com maracujá, hortelã e pimenta-rosa. Fresco, soube tão bem! Há dias em que fazer uma sobremesa não custa mesmo nada. Gostam?

terça-feira, 28 de março de 2017

Fettuccine com miolo de camarão


Quando faço um prato de massa penso em Itália. Os italianos conseguem, com a simplicidade de alguns ingredientes, fazer pratos cheios de sabor, que nos impelem a repetir e a partilhar com a família. Os pratos de massa são práticos e de uma maneira geral, preparam-se num abrir e fechar de olhos. São pratos que toda a gente gosta, desde os mais pequenos até aos mais crescidos.

Um dos pratos de massa que é recorrente cá em casa, é feito com miolo de camarão salteado com bastante alho na frigideira, a que depois junto massa fresca cozida e uma mão cheia de ervas picadas. Fica tão bom! Preparei esta receita para a rubrica Pescanova. Gostam?

segunda-feira, 27 de março de 2017

Espetadas de borrego com curgete


Os dias chuvosos convidam a ficar em casa. E foi o que o Ricardo e eu acabámos por fazer no fim-de-semana que passou. Aproveitei e preparei alguns ingredientes para usar nas refeições da semana. Dá jeito, quando se chega a casa tarde, ter sopa pronta, alface já lavada e legumes cozidos para saltear em azeite e alho. Num abrir e fechar de olhos, fazemos uma refeição em 15 minutos, tendo já muitas das coisas pré-preparadas. Mas nem só de trabalho se fez o nosso fim-de-semana. Aproveitámos para ver alguns episódios das nossas séries preferidas do momento. This is Us, com uma banda sonora fabulosa e Big Little Lies. Adoro séries de televisão e ando sempre a tentar ver o que sai.

Houve tempo para leituras. Dei mais um avanço nos dois livros que estou a ler, A Princesa Azul e a Felicidade Escondida de Filipa Sáragga e TOP Tesouros de Origem Portuguesa de Fortunato da Câmara. Dos jornais, destaco este artigo, Casas de Papel, no jornal Expresso sobre livros e bibliotecas de algumas figuras conhecidas portuguesas que fazem da escrita o seu mundo. “Todas as bibliotecas são autobiográficas”, escreveu Alberto Manguel. A minha biblioteca, ou direi antes, a minha estante, é um misto de filosofia, romances e obras de cozinha. Todos os meses compro livros de cozinha. É uma paixão!

O fim-de-semana fez-se também à volta da mesa. No domingo tivemos um pequeno-almoço demorado, se quiserem podem ver a nossa mesa seguindo o Instagram do Cinco Quartos de Laranja, e houve refeições com pratos de peixe e de carne, alguns mais simples, outros mais demorados. Um dos pratos que preparei foi espetadas de borrego grelhadas com curgete. Um prato cheio de sabor. Fica muito bom!

sexta-feira, 24 de março de 2017

Vamos fazer pão: Pão de Deus


Só conheci o que era pão de Deus quando vim estudar para Lisboa. Lembro-me que entrei num café, e pedi uma arrufada e como estavam mesmo à minha frente, apontei para a montra. Fui logo corrigida, pão de Deus foi o nome que ouvi. Durante uns anos ainda andei baralhada. Se em zonas diferentes do país o mesmo bolo teria nomes diferentes. Mas não. O pão de Deus leva uma cobertura de coco ralado, enquanto que a arrufada, característico da zona de Coimbra, tem no topo açúcar. Mesma massa, coberturas diferentes, logo bolos com nomes diferentes. O meu preferido é o que leva uma cobertura de coco. Adoro! O coco dá-lhe um toque tão especial.

O pão de Deus resulta bem para começar o dia, para um lanche, ou para fazer com os miúdos em dia de festa. É sempre uma alegria! Na rubrica Vamos Fazer Pão, hoje, vamos preparar pão de Deus. Gostam?

quinta-feira, 23 de março de 2017

Caril de borrego com grão-de-bico


Não me lembro da primeira vez que comi um prato com caril. Por isso, posso dizer que gosto de caril desde sempre. Gosto do perfume, gosto do sabor misterioso das especiarias que nos fazem viajar para outras zonas do mundo, gosto do toque picante que fica no final de boca. Para mim, a personalidade do caril reside no perfume das especiarias e na subtileza do picante. Tem que ter um toque suave mas picante, sem ser um fogo a arder na boca.

O caril é um ingrediente que associo sempre à Índia, apesar de ser usado em outras cozinhas. A comida tem esta capacidade maravilhosa, transporta-nos através do paladar por outros países e culturas. A receita de hoje é um tentador caril de borrego com grão-de-bico que fica mesmo muito bom! Espero que seja uma receita que vos ajude a viajar.