quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Creme de courgettes com manjericão

Assim que o tempo mostra sinais de mudança, especialmente, quando os dias começam a ficar um pouco mais frios, o sol a esconder-se mais cedo e a chuva a dar sinais da sua graça, as sopas quentes começam a aparecer na mesa de refeições. Ajudam a reconfortar e são cheias de sabor.

Este creme foi feito com as últimas courgettes frescas que trouxe de Santarém.

Ingredientes:
500 g de courgettes
1 cebola
2 dentes de alho
2 colheres de sopa de azeite
600 ml de água ou caldo de legumes
sal e pimenta q.b.
1 pitada de pimenta caiena
50 ml de vinho branco
150 ml de natas
folhas de manjericão frescas picadas

1. Numa panela colocar a cebola picada e o azeite. Levar ao lume e deixar refogar um pouco.

2. Adicionar as courgettes cortadas em pedaços e o alho. Mexer e adicionar a água. Temperar com sal e com as pimentas. Deixar cozer.

3. Depois da courgette cozida, adicionar o vinho e as natas. Assim que levantar fervura, triturar.

4. Servir a sopa com as folhas de manjericão picadas.

Não abusar da pimenta caiena que é bastante picante. A sopa fica muito cremosa, suave, e muito agradável.

A receita encontrei-a, escrita à mão, numa folha solta sem referência à fonte. Se alguém souber onde foi publicada, eu agradeço.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mousse de amoras silvestres

O ano passado fui de férias aos Açores. Andei pela ilha do Pico, ilha do Faial e ilha Terceira. Começámos o projecto de conhecer as nove ilhas dos Açores há três anos, fortemente impulsionados pelo escritor Onésimo Teotónio Almeida, e até agora já visitámos cinco, com experiências únicas em todas elas.

Num dos dias na Ilha Terceira fomos subir o Monte Brasil. Para além da excelente experiência, uma das coisas que me chamou a atenção foi a quantidade de amoras que encontrei por algumas partes do percurso. Grandes e bem pretinhas. Para além disso, surpreendi-me também por encontrar pessoas a apanharem-nas e pareceu-me que o faziam de forma regular. Com um garrafão de plástico cortado na horizontal com uma fita de um lado ao outro colocada em volta do pescoço, o apanhador de amoras ficava assim com as mãos livres para apanhar tão sensível fruto.

No final do percurso, voltei a encontrar uma outra pessoa a apanhar amoras. Pelo que percebi, apanhava amoras para vender. Com elas se fazem excelentes compotas e licores.

Na altura pensei: "Para o ano também eu vou apanhar amoras! Ao tempo que já não o faço". E este ano assim aconteceu. Apanhei pouco mais de um quilo numa das minhas idas a Santarém, num dia muito quente em que até as lagartixas fugiam do sol! :) Com elas preparei um licor, na tentativa de reproduzir um licor de amoras que provei na ilha do Pico e que por cá não encontrei nenhum que o iguale, um molho para acompanhar salmão e uma mousse de amoras para a festa do meu aniversário. Eis então a mousse.

Ingredientes:
500 g de amoras (aproximadamente)
100 g de açúcar
2 iogurtes naturais
200 ml de natas
2 follhas de gelatina

1. Levar as amoras com o açúcar num tacho ao lume e deixar ferver um pouco. Retirar do lume e triturar com a varinha mágica.

2. Passar o preparado de amoras por um passador de modo a retirar as grainhas.

3. Bater as natas e depois adicionar os iogurtes. Bater mais um pouco.

4. Juntar o creme de amoras que deve estar frio e mexer bem.

5. Colocar as folhas de gelatina em água fria. Escorrê-las e levar ao microondas uns segundos, numa taçinha, para dissolverem.

6. Adicionar a gelatina, mexer e colocar numa taça no frigorífico. Servir bem fresquinha.

A receita da mousse fui buscá-la ao blogue Receitas Quotidianas, na minha confecção, em relação aos ingredientes, apenas acrescentei as folhas de gelatina, pois queria que a mousse ficasse um pouco mais consistente. Depois de triturar as amoras achei que se notava em demasia as grainhas e resolvi passar o creme por um passador. Se não tivessem ficado tão grandes, penso que poderiam dar textura ao creme, mas não foi o caso.

A mousse ficou com uma cor linda que chamou a atenção dos convidados da minha festa. A reacção foi: "O que é isso? Quero provar!". Da mousse nada restou. Fresca, com um sabor muito agradável a amoras e pouco doce, soube muito bem, apesar de eu pretender que ficasse um pouco mais consistente. Da próxima vez, aumento o número de folhas de gelatina.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Salada de beldroegas com pêssego e queijo fresco e a importância de comer vegetais


Beldroegas? Sempre me lembro de ver as beldrogas como uma erva daninha que invadia as hortas. Mas há pouco tempo esta imagem mudou e alterou-se completamente depois de ler o livro de Michael Pollan, Em Defesa da Comida - Manifesto de um Consumidor.

Michael, no seu livro que referi e que já li há já algum tempo, no capítulo III, propõe alguns conselhos práticos e preocupações que deveremos ter de modo a "(...) separar, e a defender, a comida verdadeira da avalanche de produtos parecidos com comida que agora nos rodeiam e enganam, especialmente nos supermercados" (p.173). Comer comida verdadeira é algo que procuro ter sempre presente no meu dia-a-dia, apesar de achar que vivemos uma realidade alimentar diferente da dos Estados Unidos e à qual o livro se refere bastante. Apesar de há uns anos para cá as cadeias de fast-food americanas terem vindo a consolidar a sua presença, o que é certo é que, melhor ou pior, ainda mantemos aspectos da nossa tradição gastronómica de traços mediterrânicos/atlânticos, com ingredientes como o azeite, vinho, ervas aromáticas e bastantes vegetais que acompanham pratos de peixe ou de carne e a sopa. Apesar de cada vez mais sermos bombardeados com produtos da indústria alimentar feitos para nos poupar tempo a preparar refeições, cheios de ingredientes/produtos estranhos e de açúcares (Michael Pollan aconselha-nos a lermos sempre os rótulos e evitar produtos que a nossa bisavó não reconhecesse como comida!), o que é certo é que em qualquer supermercado também existem bons produtos. O importante é saber escolher.

O autor aconselha que se "coma sobretudo vegetais, especialmente folhas - uma dieta à base de vegetais traz-nos grandes benefícios, especialmente pela quantidade de fibra e de antioxidantes. Os antioxidantes combatem os radicais livres, cuja produção aumenta com o avançar da idade. «Mas os antioxidantes fazem ainda outra coisa: estimulam o fígado a produzir as enzimas necessárias para decompor o próprio antioxidante, as quais, uma vez produzidas, continuam a dissolver outros componentes, incluindo eventuais toxinas que se assemelham ao antioxidante. Desta forma, os antioxidantes ajudam a eliminar químicos perigosos, incluindo substâncias cancerígenas, pelo que quanto mais existirem na dieta, mais tipos de toxinas o organismo tem capacidade de destruir. Esta é uma das razões porque é importante comer o maior número possível de diferentes vegetais: todos contêm antioxidantes diferentes, ajudando assim o organismo a eliminar diferentes tipos de toxinas". Não nos surpreende que se diga que comer vegetais e frutas nos faz muito bem. Uma dieta rica em vegetais ajuda-nos a reduzir o risco de desenvolver os problemas de saúde que têm marcado, nas últimas décadas, a dieta ocidental.

Michael Pollan diz-nos que devemos comer alimentos silvestres sempre que pudermos. Quando li esta frase, fiquei a pensar: que tipo de produtos silvestres é que eu tenho acesso? Fala-nos das espécies animais, mas para este texto vou referir apenas a parte que se refere aos vegetais. "Duas das plantas mais nutritivas do mundo são ervas - a anserina-branca e as beldroegas -, e algumas das dietas tradicionais mais saudáveis, como a mediterrânica, recorrem frequentemente a plantas silvestres. Os campos e as florestas estão repletos de plantas que contêm níveis mais elevados de diversos fitoquímicos do que as suas primas domesticadas. Porquê? Porque estas plantas têm de se defender das pragas e doenças sem qualquer ajuda nossa; e porque, historicamente, a nossa tendência foi seleccionar e cultivar plantas mais doces - muitos dos componentes defensivos que as plantas produzem são amargos. As plantas silvestres têm tendencialmente níveis mais altos de ácidos gordos ómega-3 do que as suas primas domesticadas, seleccionadas para durarem após a colheita".

Depois de ler o texto de Pollan comecei a valorizar ainda mais as beldroegas. O ano passado já tinha feito uma salada, mas este ano procurei introduzi-las de forma mais sistemática nas refeições cá em casa. Com as beldroegas tenho tenho feito sopas e saladas. Todas as beldroegas que nascem no meu quintal mudaram de estatuto. Até ao ano passado vi-as como ervas daninhas, agora são bem regadas, protegidas, para que cresçam verdinhas e viçosas.


Uma das saladas com beldroegas que entretanto me chamou a atenção foi publicada no Serious Eats e que tentei reproduzir com algumas alterações.

Ingredientes:
1 molhinho de beldroegas
1 pêssego
1 queijo fresco
1 cebola pequena picada
uma pitada de sal e pimenta a gosto
creme de vinagre balsâmico

1. Colocar num prato raminhos de beldroegas, o pêssego e o queijo cortado. Por cima, colocar a cebola picada.

2. Temperar com uma pitada de sal e pimenta a gosto. Regar com o creme de vinagre balsâmico.


A salada fica muito agradável, com contraste de sabores. As folhas de beldroegas frescas são ligeiramente crocantes. Que excelente praga esta que invadiu o meu quintal! ;)

Que outras plantas silvestres poderemos conseguir? Sugestões?

domingo, 5 de setembro de 2010

Viva os figos frescos!

Setembro anuncia o fim do Verão e com ele chega também ao fim a estação dos figos frescos. Não me lembro de em anos anteriores ter privilegiado tanto esta fruta. Usei-os em saladas, sumos, entradas, sandes e fartei-me de me deliciar com eles ao natural. Se este Verão foi marcado por uma fruta, esta foi, de certeza, os figos.

Para aproveitar a recta final do Verão e dos figos frescos, aqui ficam 16 apetitosas sugestões, para serem confeccionadas antes da chegada do Outono:

- Sandes de queijo de cabra fresco com figo;

- Salada de figos com queijo roquefort e pinhões torrados;

- Figos grelhados com salada de mozzarella fresca;

- Salada de massa fusilli com queijo fresco e figos grelhados;

- Salada de figos frescos grelhados com queijo feta e nozes;

- Tostas de presunto, queijo provolone e figos frescos;

- Figos com queijo chévre;

- Salada de figos com queijo mozzarella;

- Laranja com figos, limão e mel;

- Porco com figos;

- Bolo de figos frescos;

- Salada de bacalhau com figos;

- Batido de figo com banana e iogurte;

- Bruschetta de mascarpone, rúcula e figos frescos;

- Salada de figos panados com presunto e queijo;

- Figos recheados com queijo e presunto em molho de frutos silvestres.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Bruschetta de mascarpone, rúcula e figos frescos

Este Verão, a fruta eleita tem sido os figos. Sempre que me lembro que adoro figos, sejam frescos ou secos. Houve uns anos, ainda adolescente e vivia com os meus pais numa localidade a poucos quilómetros de Santarém, onde ainda hoje vivem, que me lembro de tentar secar figos e de ficarem óptimos. Normalmente, depois eram consumidos por altura do dia de Todos os Santos. Desse tempo, ficaram as boas memórias, de assitir à secagem (meio secos, são tão bons! ;)), de virar os figos, de os guardar envolvidos em farinha e depois a satisfação de os encontrar na mesa no dia de festa. Mas o que me dava e ainda me dá imensa satisfação é apanhar os figos. Esticar a mão, escolher aqueles que estão quase a rebentar de doce e comê-los ali mesmo. Hummm! Maravilhoso.

Não me lembro como descobri o blogue Food Blogga, mas quando vi a receita de bruschetta com mascarpone, rúcula e figos frescos achei que tinha a minha cara e coloquei-a logo nas receitas a confeccionar.


Ingredientes:
pão fatiado (2 fatias por pessoa)
2 figos
queijo mascarpone
rúcula selvagem
3 folhas de manjericão picadas
zestes ou raspa de limão
pimenta de moinho

1. Torrar as fatias de pão.

2. Cortar os figos em quatro.

3. Barrar o pão torrado com o queijo mascarpone.

4. Por cada fatia distribuir folhas de rúcula e figo.

5. Para finalizar a bruschetta, polvilhar os figos com um pouco de pimenta de moinho, zestes ou raspa de limão e folhas de manjericão picadas.

6. Servir com creme de vinagre balsâmico.

Apesar de ter feito algumas alterações em relação à receita original, o resultado final foi muito bom. O doce do figo contrasta de forma muito agradável com o aroma do limão e do manjericão. Estas bruschettas foram uma excelente entrada, mas poderão ser servidas num lanche de verão. De certeza que irão surpreender.

E vocês, como preferem os figos?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tortilhas mexicanas

No Verão costumo dar uma boa arrumação na despensa. A minha despensa é uma pequena divisão e nas paredes, a toda a volta, está cheia de prateleiras. A minha cunhada Cristina uma das coisas que gosta de fazer quando vem cá a casa é ir à despensa, a desculpa que me dá é ver se eu tenho coisas novas, mas acaba por me falar sempre do cheiro da despensa. Um cheiro que mistura o aroma das especiarias, dos chás, das farinhas, dos chocolates que existem sempre por ali abertos, prontos a que se tire um quadradinho, entre outros produtos. Na arrumação da despensa procuro identificar, essencialmente, produtos que possam estar em fim de validade. Desagrada-me encontrar produtos em que o prazo de validade já passou há algum tempo. O sentimento que tenho na altura é de desperdício e que estive desatenta. Às vezes compro produtos, faço uma ou duas receitas e acabam por ficar esquecidos. Alguns produtos até sei que os tenho, mas por alguma razão vou sempre adiando o seu uso. Acho que isto acontece a toda a gente, não é?

Nesta última arrumação, uma das coisas que identifiquei que tinha que usar foi uma embalagem de tortilhas mexicanas. Um destes dias cheguei a casa com alguma pressa para jantar e resolvi dar uso à embalagem de tortilhas. Sem receita e com os ingredientes disponíveis, lá dei asas à imaginação e preparei uma refeição que ficou muito agradável, pois não sobrou nada. ;)

Coloquei ao lume uma frigideira com uma cebola picada e um bom fio de azeite. Deixei refogar um pouco. Adicionei um pimento verde picadinho e deixei refogar mais um bocadinho. De seguida juntei dois tomates grandes e bem maduros, a que previamente tirei a pele e as sementes. Mexi e deixei cozinhar o tomate um pouco. Juntei uma mão cheia de azeitonas pretas às rodelas, uma embalagem de mexilhões em escabeche, previamente escorrida, três courgettes baby cortadas às rodelitas, piripiri, sal, uma pitada de pimenta caiena e queijo feta aos cubos. Mexi, deixar estar mais um minuto ou dois ao lume e depois servi.

As tortilhas foram feitas seguindo as indicações da embalagem. Para um jantar que se quis rápido, até resultou numa refeição muito agradável. As coisas boas e apetitosas nem sempre têm que ser complicadas, não é?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sumo de ameixa e meloa

Voltar ao trabalho depois de um mês de férias exige alguma habituação. O primeiro dia ainda vamos com espírito de férias, depois à medida que o trabalho nos vai aparecendo, temos que obrigatoriamente entrar no ritmo. Eu costumo dizer "um dia de cada vez e não custa nada", passados dois a três dias já estamos no ritmo habitual, as conversas e as saudades da boa vida de férias, dos dias sem relógio, acabam por ficar para trás. Em relação ao regresso ao trabalho, confesso que tenho um sentimento ambíguo, por um lado penso: "Já entrei ao serviço! Estas férias passaram tão rápido, não deu para fazer tudo o que queria" mas por outro lado, também quero voltar, ver os colegas, saber como foram as suas férias, pensar nos projectos para o próximo ano de trabalho, traçar objectivos, na prática sinto necessidade de fazer coisas e de estar envolvida naquilo que escolhi como profissão.

Apesar de ser bom voltar ao trabalho, nalgumas coisas o espírito de férias ainda se manifesta, uma delas é a minha vontade de fazer sumos, especialmente devido ao calor que se faz sentir. Hoje proponho mais uma sugestão.

Ingredientes:
13 ameixas vermelhas maduras
1/2 meloa
8 folhas de hortelã
gelo q.b.

1. Tirar a casca à meloa. Cortar a meloa em pedaços.

2. Limpar as ameixas de peles e caroços.

3. Colocar no copo da varinha mágica ou num liquidificador a meloa, as ameixas, as folhas de hortelã e cubos de gelo. Triturar.

Humm! Bem fresquinho, ao final da tarde, depois de um dia de trabalho, sabe muito bem.