quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Filetes de peixe com arroz de abóbora assada


As pescarias do meu pai transformam-se em momentos de alegria para mim. Sabe-me tão bem quando recebo peixe apanhado por ele. Da última vez que fui para os lados de Santarém não resisti e trouxe mais uns peixinhos deliciosos. Este peixe cheira sempre a mar.

Quando o peixe é fresco e de boa qualidade, para mim, não há nada melhor do que o cozinhar sem grandes temperos. Procurar a simplicidade e retirar de um bom produto o seu sabor autêntico, é o meu lema. Foi o que fiz ao cozinhar estes filetes num caldo de legumes.


Arroz de abóbora assada

Ingredientes:
350g de arroz carolino
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1dl de azeite
9dl de água ou caldo de peixe
250g de abóbora assada com tomilho e azeite
sal


1. Num tacho refogar no azeite a cebola e o alho. Juntar o arroz, o sal e o caldo de peixe ou água. Deixar cozinhar com o tacho tapado em lume brando.

2. Passados 10 minutos do arroz estar a cozer, juntar a abóbora esmagada com um garfo. Ir mexendo de vez em quando até o arroz estar cozido.

3. Servir o arroz com os filetes de peixe cozidos num caldo de ervas.



Filetes de peixe cozidos em caldo de legumes

Ingredientes:
3 folhas verdes da rama de alho-francês
1 cenoura cortada em cubos
1 raminho de rama de funcho
3 grãos de pimenta-da-Jamaica
sal q.b.
2 filetes de besugo (ou outro peixe a gosto) por pessoa


1. Colocar os ingredientes num tacho com água. Levar ao lume e deixar ferver até a cenoura estar cozida.

2. Colocar os filetes no caldo com cuidado com a pele virada para baixo. Deixar cozer durante dois a três minutos, dependendo do tamanho dos filetes.

3. Servir os filetes com o arroz de abóbora.


Eu usei besugos pequenos a que retirei os filetes. A cabeça e a espinha do peixe podem servir para fazer um caldo para cozer o arroz.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ginjinha e os sabores de Lisboa


A rotina dos seus dias pouco se tem alterado, no último ano. O Coronel, começa todas as manhãs, depois de tomar o pequeno-almoço, sob o olhar atento de Rosa, a ler o jornal sentado na cadeira de baloiço virado para o jardim. Nos últimos tempos, nunca consegue acabar as leituras. As memórias invadem-lhe o coração e começa inevitavelmente a pensar na vida. A olhar para trás. A recordar. Hoje, o estrondo forte feito por um carro na rua, sobressaltou-o e foi o pretexto para fechar o jornal e pensar em África, onde esteve na Guiné, durante a Guerra do Ultramar.

O barulho seco do carro fez-lhe lembrar uma emboscada que a sua companhia sofreu quando ia de Bissau para Cacheu. O ataque deu-se à entrada desta última localidade, numa estrada, esburacada, onde não circulavam carros há muitos anos. A viagem feita de luzes desligadas, muito lentamente, foi um teste de resistência aos nervos. A noite anterior ao ataque tinha sido passada em Teixeira Pinto e não foi das melhores. Não havia camas para todos os soldados e o Coronel não conseguiu pregar olho. Decidiu ficar no carro mas as melgas, o tempo quente e húmido que lhe deixavam a roupa encharcada de suor, não ajudaram. Na viagem, esteve vinte e quatro horas sem sair do carro até ao momento em que a coluna foi atacada com tiros vindos de todo o lado, que mais parecia uma chuva de granizo. Os seus homens responderam e conseguiram sair da emboscada com o apoio de dois bombardeiros no ar. Mas no meio do fogo, uma bala certeira apagou um dos seus grandes camaradas.

Na guerra vê-se a morte, mas pensa-se na vida. Ali tem-se a certeza que a morte inveja a vida. E no meio de todo o caos, questiona-se ainda mais o sentido da vida. Luta-se para conquistar algo que a certa altura se deixa de saber bem o que é. Perde-se a referência e são os outros que se transformam em apoio, que dão uma ajuda para se voltar a encontrar o norte. A vida é uma bênção. Aqueles que se vêem cair, ajudam a ser quem somos, são a moldura do puzzle que é a nossa vida. Desde a guerra que o Coronel acredita que só morremos quando morrer a última pessoa que se lembrar de nós. Por isso ele gosta de recordar. E se na guerra viveu muitos amargos de boca, foi também ali que encontrou amigos para a vida, com quem passou momentos que até hoje recorda de forma muito feliz. De sorriso aberto.

As idas à praia do Biombo, onde se enchiam de ostras frescas, camarão e cerveja Cuca, ficaram na memória do Coronel como momentos muitos especiais. Depois de comerem bem, rematavam o final das refeições com umas garrafas de ginjinha. A zona era segura e passavam lá horas e horas nos dias de folga. Eram momentos de pausa, de paragem e de silêncio no meio de toda a confusão que os rodeava. Iam para ali conversar, ouvir o mar, comer e beber ginjinha. O Eduardo Canelas era o responsável pelo fornecimento. O Coronel nunca conseguiu saber como é que ele arranjava a bebida. Pelos rótulos, a ginjinha vinha de umas tascas, perto do Rossio, onde costumavam passar, mas como chegava às mãos do Eduardo, foi sempre um segredo bem guardado.

Desde que voltou, em 1975, que faz questão de ter sempre uma garrafa de ginjinha em casa. Pois há dias, em que se lembra e gosta de brindar àqueles que nunca irá esquecer. Hoje, será um desses dias.


Ginjinha ou Licor de Ginja

Ingredientes:
1Kg de ginjas
1L de aguardente
1Kg de açúcar branco
1 pau de canela


1. Colocar todos os ingredientes num recipiente com tampa. Fechar.

2. Nos primeiros 3 ou 4 dias, agitar pelo menos uma vez por dia o recipiente até o açúcar estar dissolvido.

3. Guardar num local escuro durante seis meses.


Agradeço à minha colega Rosário Cruz, que num dia solarengo de Junho, me surpreendeu com um saco de ginjas na minha secretária. Obrigada! Foi com elas que fiz esta ginjinha.

Esta história faz parte de uma viagem gastronómica por Lisboa onde se inclui:
- Bacalhau à Brás e os sabores de Lisboa;
- Pastéis de nata e os sabores de Lisboa.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tarteletes de abóbora com camarão e tomilho


Há alturas em que gosto de escrever sobre o que tenho feito ou sobre alguma coisa que me chamou a atenção. O texto de hoje enquadra-se nesse espírito.

Ontem, foi noite de Óscares e fiquei ainda com mais vontade de ver alguns filmes, como O Artista, Cavalo de Guerra, A Dama de Ferro e Albert Nobbs.

Acabei este fim-de-semana a leitura do livro O Grande Livro dos Chefs de Fátima Moura. E gostei bastante. Abre-nos a porta ao universo de alguns dos melhores chefs da nossa praça. Até já escolhi algumas receitas para colocar em prática.

Na edição do mês de Março de 2012 da revista Activa, saiu uma receita do Cinco Quartos de Laranja, o que me deixou muito feliz.

Até dia 29 de Fevereiro decorre a festa de aniversário do Cinco Quartos de Laranja. Quem quiser participar, ainda o pode fazer. Consultem as condições de participação.

Este fim-de-semana ainda houve tempo para ir ao mercado e comprar os frescos para a semana e cozinhar. A cozinha é mesmo o coração da casa. Uma das coisas que fiz foram estas tarteletes de abóbora com camarão e tomilho:


Massa

Ingredientes:
300g de farinha sem fermento
90g de manteiga
1 ovo
0,5dl de água


1. Trabalhar a farinha com a manteiga. Juntar o ovo batido e amassar.

2. Adicionar a água e envolver muito bem.

3. Estender a massa numa superfície polvilhada com farinha.

4. Forrar as tarteletes com a massa. Picar o fundo da massa com um garfo.


Recheio

Ingredientes:
300g de abóbora em puré
200g de miolo de camarão
2 dentes de alho picados
azeite q.b.
4 ou 5 hastes de tomilho fresco
2 ovos
100g de queijo creme
sal e pimenta preta de moinho
1 pitada de pimenta caiena


1. Cortar o camarão em pedaços.

2. Colocar um fio de azeite numa frigideira. Levar ao lume. Adicionar o alho picado e o camarão. Temperar com sal e pimenta preta de moinho. Por fim, juntar folhas de tomilho frescas de 3 a 4 hastes.

3. Numa taça juntar a abóbora, o queijo creme e os ovos. Mexer bem com uma vara de arames.

4. Adicionar o camarão salteado, se tiver largado muito água, escorrê-la previamente. Mexer bem.

5. Temperar com uma pitada de pimenta caiena, pimenta preta de moinho e sal.

6. Colocar este recheio nas tarteletes. Polvilhar as tarteletes com tomilho fresco.

7. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 40 minutos.



Para fazer o puré de abóbora. Cozi um pedaço de abóbora em água. De seguida escorri muito bem e triturei.

As tarteletes ficam deliciosas. O toque do tomilho é imprescindível. Experimentem e digam-me se gostaram!

Boa semana.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

32 ideias para acompanhamentos ...


Quando preparamos as nossas refeições acontece, muitas das vezes, termos dificuldade em saber o que servir como acompanhamento. Para vos ajudar a pensar e a preparar as vossas refeições, deixo-vos trinta e duas ideias de deliciosos acompanhamentos:

- Arroz de açafrão;
- Arroz de caldo de peixe;
- Arroz de ervilhas;
- Arroz de espinafres;
- Arroz de feijão verde;
- Arroz de pimentos com nabiças;
- Arroz de tomate e pimento;
- Batatas assadas no forno com ervas e alecrim;
- Batatas com molho frio;
- Brócolos gratinados;
- Cenouras assadas com maple syrup e sálvia;
- Chips de beterraba;
- Courgettes balsâmicas;
- Courgettes grelhadas com manjericão e limão;
- Couves com azeite e alho;
- Couves com castanhas;
- Couves salteadas com pinhões e sementes de cominhos;
- Cuscuz com romã e coentros;
- Cuscuz com tomate cereja e laranja;
- Cuscuz de marmelo com espinafres;
- Esparregado;
- Legumes assados no forno;
- Massa cuscus com pesto;
- Migas de tomate;
- Milho e batata-doce;
- Puré de abóbora com caril;
- Puré de batata;
- Puré de batata com manjericão;
- Puré de batata e cherovia;
- Puré de feijão branco;
- Puré de grão;
- Salada de batatas com beldroegas e alcaparras.


Experimentem!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Bolo de chocolate e laranja


Passei a manhã de ontem numa visita à Quinta da Regaleira, em Sintra. O dia esteve bonito. Com sol e céu azul. É o que se poderia dizer um dia inspirador, convidativo a um passeio por uma quinta cheia de mistérios e segredos. Gosto de visitar esta quinta. Apesar de ir ali quase sempre em trabalho, nunca me canso de admirar as estátuas, o poço iniciático, de tentar "descobrir" caminhos secretos, de admirar a vista.


Quando cheguei a casa, ao final da tarde, deliciei-me com uma generosa fatia de bolo de chocolate e laranja. Depois de um passeio, de andar a subir e a descer, de acelerar para apanhar o comboio, nada melhor do que uma fatia de bolo para compensar as energias gastas num prazenteiro passeio.


Bolo de chocolate com laranja

Ingredientes:
5 ovos
2dl de azeite
225g de açúcar
raspa de uma laranja
1dl de sumo de laranja
125g de chocolate 70% de cacau
25g de cacau em pó
225g de farinha com fermento


1. Bater os ovos com o azeite e o açúcar.

2. Adicionar a raspa e o sumo de laranja.

3. Adicionar o chocolate derretido em banho-maria.

4. Juntar, por fim, a farinha e o cacau.

5. Colocar a massa numa forma (26 cm) untada com margarina e levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 40 minutos.


Calda de laranja

Ingredientes:
2dl de sumo de laranja
3 colheres de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de água


1. Levar os ingredientes num tacho ao lume. Deixar ferver um a dois minutos, mexendo para que o açúcar se dissolva.

2. Assim que o bolo sair do forno, desenformar e ainda quente regar com a calda de laranja.


Cobertura de chocolate

Ingredientes:
150g de chocolate
1dl de natas


1. Derreter o chocolate em banho-maria.

2. Juntar as natas e mexer.

3. Barrar o bolo depois de frio com a cobertura de chocolate.



A combinação de chocolate e laranja tornam este bolo irresistível.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Bacalhau confitado com migas de broa e grelos


Quando recebo boas notícias apetece-me logo comemorar e partilhar. As coisas boas só têm um verdadeiro valor quando as vivemos com os outros. Por isso, hoje trago-vos uma boa notícia.

Está a decorrer, como penso que sabem, até às 24h do dia 29 de Fevereiro o desafio Seis anos e uma receita com laranja, com o intuito de festejar os seis anos do Cinco Quartos de Laranja, que me tem trazido muitas e boas recordações. E a boa notícia é que para além da garrafa de vinagre condimentado de figo e canela, seis dos leitores que participarem no desafio, receberão também, através de sorteio, uma garrafa de azeite virgem extra Herdade do Esporão DOP Moura oferta da Esporão S.A..

Para agradecer este patrocínio, a receita de hoje é um elogio ao bom azeite.


Bacalhau confitado

Ingredientes:
3 lombos de bacalhau (800g)
6 dentes de alho com camisa
2 folhas de louro
10 grãos de pimenta da Jamaica
1 raminho de tomilho
1 haste de alecrim
azeite virgem extra Herdade do Esporão DOP Moura q.b.
sal q.b.


1. Pré-aquecer o forno a 100ºC.

2. Retirar a pele das postas de bacalhau. Cortar os lombos ao meio, de modo a retirar as espinhas do meio das postas.

3. Colocar os lombos num tabuleiro de forno. Temperar com um pouco de sal. Em volta dispor os dentes de alho, as folhas de louro, a pimenta da Jamaica, o tomilho e o alecrim.

4. Regar generosamente com azeite. O bacalhau deve ficar mergulhado em azeite até mais ou menos a meio.

5. Levar ao forno durante aproximadamente 1h15, mas dependendo da altura dos lombos, pode ser menos tempo. O bacalhau deve assar lentamente. O azeite não deve ferver.




Migas de broa e grelos

Ingredientes:
200g de broa de milho sem a côdea
500g de grelos
1dl de azeite virgem extra Herdade do Esporão DOP Moura
sal e pimenta q.b.


1. Cozer os grelos em água temperada com sal. Assim que estejam cozidos, escorrer e passar por água fria. Escorrer novamente.

2. Colocar 1 dl de azeite numa frigideira. Levar ao lume. Assim que o azeite estiver quente, adicionar a broa de milho cortada em cubinhos. Mexer e deixar frigir um pouco. De seguida, adicionar os grelos cozidos e envolver muito bem com a broa. Temperar com pimenta preta de moinho e sal a gosto.

3. Servir os lombos de bacalhau com as migas de broa e grelos. Regar generosamente com o azeite do bacalhau.


Este é um daqueles pratos que nos preenchem e fazem sentir que a vida vale a pena quando é bem saboreada.

Fico a aguardar as vossas participações até dia 29 de Fevereiro. As condições de participação poderão ser consultadas aqui. Vamos fazer destes seis anos uma grande festa!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Tortelloni com bacon, espinafres e tomate cereja


Há dias em que a vontade se resume a pouco. Em que necessitamos de fugir da rotina e dedicar-nos a pequenos prazeres, apenas possíveis em dias de férias. Uma ida à zona de Belém para um café, ver o rio e os barcos a passarem no Tejo. Depois um almoço feito em três tempos, mas reconfortante, como o dia e a disposição exigem.


Ingredientes:
250g de tortelloni de queijo (massa com a mesma forma dos tortellini, mas maior)
1dl de azeite
65g de bacon
2 dentes de alho picados
200g de folhas de espinafre
8 tomates cereja
sal e pimenta preta de moinho
7 a 8 folhas de manjericão
2 colheres de sopa bem cheias de queijo grana padano ralado


1. Numa colocar o azeite e o bacon cortado em pequenas tiras. Deixar frigir um pouco o bacon.

2. Entretanto, colocar a cozer a massa, seguindo as indicações do fabricante.

3. Adicionar as folhas de espinafre, mexer e deixar cozinhar um pouco. De seguida acrescentar o tomate cereja cortado ao meio. Temperar com sal e pimenta a gosto.

4. Escorrer a massa, colocar numa taça. Adicionar a mistura anterior à massa, as folhas de manjericão rasgadas com as mãos e mexer.

5. Polvilhar com o queijo grana padano ralado e servir.


A tarde resume-se à companhia de um livro - Um Quarto com vista de Edward Morgan Forster, espreitar pela janela e ver o sol. Quem sabe, se ainda haverá vontade para fazer um bolo e uma grande chávena de café.

Há dias assim ...