sábado, 8 de Setembro de 2007

Cozido em terra quente

A minha viagem de férias, deste ano, teve início na ilha de S. Miguel nos Açores. Eu e o meu marido chegámos ao aeroporto no dia 12 de Agosto e resolvemos partir logo à descoberta da ilha, deixando a cidade de Ponta Delgada para outro dia.

Nesse dia demos a volta a ilha e ficámos alojados em Povoação. Mas não é das minhas férias que vos quero falar, quero partilhar convosco algumas das experiências gastronómicas que experienciei.

Nos Açores saboreei para além da morcela assada com ananás, queijo fresco com massa de pimentão (servido usualmente como couvert), lapas na grelha com alho e limão, Frangalho, excelente peixe grelhado, carne de vaca maravilhosa, os famosos bolos lêvedos, as queijadas de Vila Franca do Campo, entre outras iguarias. Para além destes prazeres gustativos, assisti, na Lagoa das Furnas, ao processo de realização do famoso Cozido das Furnas que, como não poderia deixar de ser, também tive o prazer de saborear. Este cozido deve ser único no mundo, dado o processo de cozedura.

Em Ribeira Grande também se faz cozido nas caldeiras, mas de maneira um pouco diferente do das Furnas.

Na Lagoa das Furnas, a Junta de Freguesia disponibiliza um funcionário que vai fazendo a gestão do espaço. Restaurantes e particulares tiram partido destes buracos quentes, não havendo lugares reservados. A distribuição é feita por ordem de chegada. Aqui ficam algumas fotos que documentam o processo:

«(...) No chão, fazem-se buracos com um sacho onde se faz o tão apreciado cozido das furnas. Numa toalha de mesa (que apenas servia para aquele fim), espalhavam-se em circunferência, folhas de repolho e em cima colocavam-se carnes, de porco, vaca, galinha, e toucinho e um saquito onde se metia a morcela (para que ao cozer não se desfizesse e se espalhasse), batatas, doces e da terra e ainda cenouras partidas ao meio, ao alto. Novamente se colocavam folhas de repolho. Claro que as carnes tinham sido previamente temperadas de sal.

A toalha era depois dobrada por cima das últimas folhas, sendo tudo novamente embrulhado noutro pano e depois metido numa saca de sarapilheira, bem amarrada, que se introduzia no tal buraco e se tapava com a mesma terra. Ao fim de 4 a 4 horas e meia o cozido estava pronto. Desenterrava-se e então servia-se. Devo dizer-vos que o sabor daquele cozido não tinha comparação com qualquer outro. Repararam talvez, que me servi sempre dos verbos no passado. É que hoje raramente se faz o cozido como o descrevi. Foi determinado que, em área delimitada, as covas fossem igualmente feitas na terra, mas forradas com uma camada de cimento.

O cozido é agora feito em panela de alumínio, usando os mesmos ingredientes a que me referi, mas em camadas. É tapado com uma tampa de alumínio, bem presa com corda de asa a asa, metida na saca e introduzida na cova e tapada com uma tampa também de cimento. Aí o tempo de cozedura é mais longo, de 5 a 6 horas.

Da mesma maneira se faz o bacalhau "com todos", usando também chouriço, a feijoada e os bolos doces (de chocolate, de mel, de laranja e outros), bem como arroz doce e até compotas. »

LIMA, Zita (2007) - A Cozinha Açoriana, ed. Everest, p.11

Segundo informação no local, passadas 6 a 6 horas meia o cozido está pronto e é retirado das covas ...

Provei este famoso cozido no restaurante Águas Quentes, nas Furnas, onde o chefe Paulo Arruda nos recebeu com inexcedível simpatia e disponibilidade.

Nos ingredientes do cozido, para além das tradicionais carnes e enchidos, da batata da terra e da batata doce, os açorianos juntam também inhame.


Restaurante Águas Quentes
Rua Água Quente, nº 15
9675-040 Furnas
São Miguel - Açores
Tel.: 296 584 482
eMail: aguasquentes@mail.telepac.pt


P.S.: Vale a pena descobrir um pouco mais sobre os Açores através do seguinte blogue: The Azores Islands.

8 comentários:

  1. Obrigada por esta visita guiada. Gostava muito de conhecer os Açores e provar estas delícias =)
    Bjs

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  2. Fico sempre muito sensibilizada quando alguém transporta para a blogosfera a nossa cultura. Adorei as fotos, o texto e quando for aos Açores quero provar um cozido destes.
    Beijinhos.

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  3. Já conheço S.Miguel. Estive 4 dias em Setembro de 2005.
    Excelente ideia aludir à nossa cultura!
    Parabéns.
    Sou uma bloguista caloira:
    panelasnofogao@blogspot.com
    Me dê um toque.

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  4. S. Miguel me deixou saudades.
    Foram 4 dias maravilhosos.
    Gostaria de lá voltar.
    Adorei aquele cozido. Provei os inhames no cozido e gostei.
    Agora utilizo sempre inhames.
    panelasnofogao@blogspot.com

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  5. Muy curioso este cocido, me ha gustado mucho este reportaje, muchas gracias.
    Saludos de España

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  6. É curioso falar desta viagem que fez aos Açores precisamente no meu dia de anos, pois foi lá que nasci! E como o meu pai deliciava-se com o cozido das Furnas!!!!

    patitika :)

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  7. Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre os Açores:

    The Azores Islands

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  8. jajaja hola soy yo adil este es una pasada restaurante y la forma como lu hacen cosido hay estuv e haciendo un anuncio para mes amegos para ver que tal esta azurs pueno amego esto es todo nada mas ray cuedate espero virte moy pronto gracias

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