quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Marmelos assados com calda de vinho do Porto e especiarias


Apesar de o tempo ser sempre curto para o que se tem para fazer, eu tenho que andar sempre a ler um livro ou até mais do que um. Nos últimos meses li Madame Bovary de Gustave Flaubert. Um romance que me prendeu do princípio ao fim. Acompanhei os sonhos por uma vida diferente de Madame Bovary e a sua decadência. Ouvimos dizer muitas vezes que a vida é o que fazêmos dela, das circunstâncias que nos rodeiam e daquilo que conseguimos aproveitar e saborear. Tenho aprendido que os momentos, mesmo os que parecem ser mais insignificantes, podem ser especiais se nós os entendermos e os valorizarmos como tal. Madame Bovary procurou a felicidade e o entusiasmo pela vida numa fuga ao quotidiano. Mas essa fuga foi apenas aparente. A vida das pequenas coisas continuou até ao desfecho trágico.

A seguir a Madame Bovary agarrei O Deus das Moscas de William Golding. Um romance que trata da natureza humana. Impressionante como nos transformamos e rapidamente deixamos de ver o que é sensato. A ânsia pelo poder destrói a nossa capacidade de distinguir o bem do mal.

Entre estes dois romances ainda devorei, num fim-de-semana, um livro que achei delicioso The School of Essencial Ingredients de Erica Bauermeister, traduzido entre nós com um título na minha opinião menos conseguido, Ingredientes para o Amor, publicado pela Quidnovi. A história passa-se à volta dos participantes de uma aula de cozinha que se realiza no restaurante de Lillian todas as segundas-feiras. Ao longo dos capítulos vamos entrando na vida de cada um dos participantes, o que procuram e como aquelas aulas de cozinha os irão ajudar ou até a encontrar o amor. O livro fala-nos de pessoas, sentimentos e de como um grupo de desconhecidos com um gosto em comum se acabam por ajudar. Simples, mas adorei.

Nos finais de Novembro terminei A Idade da Inocência de Edith Wharton. Há já uns bons anos que vi em filme a adaptação do romance pelo realizador Martin Scorcese, mas confesso que já não me lembrava de muito, apenas de uma história de amor sem um final feliz. Ler um livro e depois ver um filme é algo que mexe com as nossas expectativas. A mim, normalmente o filme fica sempre um pouco aquém, especialmente se tenho a história do livro bem presente. Nas conversas que tenho tido com amigos, na grande maioria dos casos também sentem o mesmo, mas às vezes apontam-me excepções. Entre essas excepções, ultimamente, falaram-me da trilogia do Senhor dos Anéis. Nos livros nós somos os realizadores das histórias, imaginamos os personagens, os locais, vivemos a história à nossa maneira e isso faz toda a diferença. Um livro e um filme, acabam por ser coisas diferentes, não concordam?

A Idade da Inocência foi um livro que também me prendeu. Acompanhei o amor de Newland Archer, noivo da jovem May, pela condessa Ellen Olenska. Ellen, americana, volta a Nova Iorque numa tentiva de procurar apoio junto da família, pois tenciona-se divorciar do seu marido. Ao contrário do que pensava, encontra uma sociedade agarrada às tradicões, fechada. A impotência perante a força dos hábitos sociais e das famílias leva a que Newland e Ellen se afastem.

Agora estou a ler Uma Pequena História do Mundo de E. H Gombrich - uma história do mundo para jovens leitores, numa escrita muito acessível. Em quarenta pequenos capítulos Gombrich conta a história do Homem desde a Idade da Pedra até à II Guerra Mundial e a divisão do mundo. Para além deste livro, na sexta-feira passada trouxe da biblioteca o último livro de Dan Brown, O Símbolo Perdido. Ainda me lembro como decidi ler o primeiro livro de Dan Brown publicado entre nós. Na altura num processo de selecção, uma das questões que fazia aos candidatos era sobre os seus hábitos de leitura. Várias foram as alusões ao Código Da Vinci e o modo como falavam do livro deixou-me curiosa, apesar de procurar fugir aos livros da moda, o que é certo é que na altura comprei o livro. E mais, acabei por ler todos os livros de Dan Brown traduzidos entre nós.

Em O Símbolo Perdido, Peter Salomon, um amigo de Robert Langdon, é raptado e o nosso herói vê-se envolvido em mais uma aventura desta vez na cidade de Washington. Ainda só vou no início, mas a acção viciante, característica dos livros deste autor, já começou.

Olives & Oranges - recipes & flavor secrets from Italy, Sapain, Cyprus e Beyond de Sara Jenkins e Mind Fox é o livro de gastronomia que chegou recentemente à minha cozinha e que irei, em breve, explorar.

No meio das minhas leituras, de vez em quando, gosto de comer aquilo a que eu diria uma coisinha boa ... Como já bani da minha despensa as barras de chocolate com amêndoas ou com avelãs, ou os pistácios (que vício!), de vez em quando faço uma sobremesa. Marmelos assados foi a última.


Ingredientes:
3 marmelos
sumo de 1 limão
2 dl de água
4 colheres de sopa de açúcar mascado escuro
1 dl de vinho do Porto
1 pau de canela
1 estrela de anis


1. Colocar o sumo de limão, a água, o açúcar, o vinho do Porto, a canela e o anis num tacho. Levar ao lume e deixar ferver uns minutos.

2. Cortar os marmelos ao meio. Retirar as sementes.

3. Num pirex, regar os marmelos com a calda de açúcar, vinho do Porto e especiarias.

4. Levar a assar em forno pré-aquecido. Durante a assadura virar os marmelos e regá-los com o molho.

A calda fica espessa, ligeiramente caramelizada. Muito bom, especialmente para quem é fã deste fruto como eu.


10 comentários:

  1. Que aspecto maravilhoso!! Deu água na boca!

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  2. Acho que te vou começar a chamar formiguinha ou moura de trabalho.

    Ontem fui ver Julie and Julie impossivel não me lembrar de ti...

    bjs

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  3. Que aspecto fantástico!!!
    beijinho.

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  4. Leste-me os pensamentos! : ) Andava à procura de uma receita de marmelos assados.
    Ultimamente mais depressa faço um bolo do que lei um livro. E sinto tanta falta de ler. Os livros vão-se amontoando na estante à espera de ordem de leitura. Chego a ter 2 na mesa de cabeceira mas quando me vou deitar estou tão cansada que a leitura é adiada. Tenho muita pena de não ter mais tempo para a leitura já que é um vício que adoro. E bem mais saudável que um chocolate com avelãs ao qual não consigo resistir. : )

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  5. uiiiiiiiiiiii q foto FANTASTICA!! sabes...nunca comi marmelos a nao ser na marmelada!!! adorei essa tua ideia!!! beijokas

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  6. essa calda caramelizada por cima dos marmelos deixou-me a babar....

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  7. Eu não tenho conseguido ler quase nada, ando há um mês para acabar um livro :(
    Estes marmelos são fantásticos, adoro marmelo assado.
    Bjs
    Moira

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  8. Olá Laranjinha,
    o titulo do teu blogue já me dizia que gostas de ler. Hoje confirmei que não gostas...adoras e devoras e identifiquei-me contigo porque também sou assim, passo as minha hora de almoço a ler, sim não troco esse bocadinho por nada! Gostei das tuas sugestões vou anotar alguns títulos.
    Os teus marmelos estão tentadores, a calda uma maravilha! Tenho alguns reservados para assar este fim de semana e vou por uma caminho semelhante, sem o anis que a filhota não gosta... talvez com gengibre.
    Bjs

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  9. Fiz e amei... Obrigado e parabéns...Bjos <3

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