quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

Comer, Orar, Amar e uma salada de espargos com ovo, salmão e mozzarella


Nas férias, quando li a obra Comer, Orar, Amar de Elizabeth Gilbert registei no meu moleskine duas citações. Uma sobre a cidade de Lucca, que me deixou a sonhar, com vontade de voltar a Itália e perder-me na sensualidade das ruas, das praças, na história dos edifícios, nas trattorias, nos pratos de pasta e comer dos melhores gelados do mundo.

Diz a autora: «(...) deixo os meus tios a gozarem o resto das férias sem mim e prossigo sozinha até à opulenta Lucca, essa pequena cidade da Toscânia com os seus famosos talhos, onde as peças de carne mais bonitas que vi em toda a Itália são exibidas nas lojas espalhadas pela cidade com a sensualidade a que é difícil resistir. Salsichas de todos os tamanhos e cores imaginárias apresentam-se cheias como pernas de senhoras em meias provocantes, balançando suspensas dos tectos dos talhos. As grandes nádegas dos presuntos pendem das janelas, acenando como prostitutas em Amesterdão. Os frangos mostram-se tão roliços e satisfeitos mesmo depois de mortos que imaginamos que se terão orgulhosamente oferecido para serem sacrificados, depois de em vida terem competido entre si para ver qual deles seria o mais gordo. Mas não é só a carne que é maravilhosa em Lucca; são as castanhas, os pêssegos, e os figos, meu Deus, os figos ...» (p.116)

Depois de ler esta passagem, fiquei a pensar: - eu quero ir a Lucca! Quero descobrir os talhos, contemplar as montras, provar as castanhas, apreciar o cheiro dos pêssegos maduros e sentir o doce dos figos. Acho que me perderia, em Lucca, por uma cesta de figos doces e frescos.

Para além de ficar encantada com as iguarias da cidade de Lucca, registei também um prato que a autora descreve e que também aparece no filme, que fui finalmente ver a semana passada.

«Regressei ao meu apartamento e escalfei dois ovos frescos para o almoço. Descasquei-os e dispu-los num prato ao lado de sete espargos (que eram tão finos e viçosos que não precisavam de ser cozinhados). Pus também algumas azeitonas no prato e quatro pedaços de queijo de cabra que trouxera no dia anterior da fromaggeria ao fundo da rua e duas fatias de salmão rosado e oleoso» (p.79)

Esta combinação de ingredientes não me saiu mais da cabeça. Gostei da simplicidade, dos espargos tenros, do queijo e de como combinou, aparentemente, por acaso, estes ingredientes, como se tudo o que colocasse no prato fosse magnífico. Excelente.

Inspirada nos ingredientes referidos na descrição do almoço de Elizabeth, resolvi fazer uma salada que foi apreciada ao jantar, para os dois, depois de uma ida às compras. As primeiras grandes compras na nova casa, para compor o frigorífico e a despensa.


Ingredientes:
2 ovos cozidos
4 fatias de salmão fumado
6 espargos verdes
azeitonas
tomates berry
queijo mozzarella fresco (em mini bolas)
folhas de manjericão
pimenta preta de moinho
azeite

1. Escaldar os espargos.

2. Cozer os ovos.

3. Por prato, colocar três espargos, um ovo cortado, 2 fatias de salmão fumado, azeitonas, tomate berry, queijinhos mozzarella, folhas de manjericão. Polvilhar com pimenta e regar com um fio de azeite.


Servi esta salada com fatias de pão. Os espargos ficaram crocantes, estaladiços, e deram textura à salada. Huumm, uma delícia.


Em relação ao filme, como na maioria das vezes acontece, achei o romance mais rico, mais intenso. No livro gostei das experiências da autora, em Itália, à volta da comida e que o filme apresenta de forma bastante apelativa. Mas desculpem, apesar de achar o Javier Bardem muito interessante, perfeitamente dentro do prazo e saudável ;), acho que não é o Felipe, o brasileiro cinquentão, charmoso, que conquista Elizabeth, na Indonésia. Ou pelo menos, não é o Felipe que eu imaginei! E o português espanholado que falou nas poucas palavras que proferiu, não ajudou. Não ajudou, mesmo nada! :)

Outras receitas adaptadas de obras literárias:
- Sopa de lentilhas vermelhas;
- Arroz de bacalhau do Francisco José Viegas;
- Morangos com mel.

25 comentários:

  1. Bem, adorei esta salada, uma perfeita maravilha.
    Parabéns, e Obrigado

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  2. Laranjinha,
    Ainda não li o livro (será a minha próxima leitura), mas vi o filme e essa cena dos ovos escalfados e os espargos viçosos ficou-me na memória e é a primeira coisa que me vem à ideia assim que vejo um molho de espargos.
    Beijinhos

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  3. Concordo contigo e com a descrição de Itália, é sem dúvida um país a revisitar. E sim, tem os melhores gelados do mundo!
    Ainda não vi o filme, mas como todas as adaptações ficam sempre aquém do romance!
    Adorei a salada, excelente!
    Beijinhos

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  4. Antes de mais! Muitos parabéns pelo blogue, sou nova nestas andanças mas este já é uma passagem obrigatória!

    Sinto exactamente o mesmo em vários romances, livros que foram transformados em filmes. As personagens dificilmente se chegam aos calcanhares daquilo que imaginamos. Adoro ler por isso! Dá-nos a possibilidade de imaginar e construir os nossos próprios cenários!

    http://editemoments.blogspot.com/

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  5. o filme é mesmo inspirador.. eu sai de lá com vontade de ir logo para Bali :))
    dando um saltinho a Itália para me perder na gastronomia italiana eheheh
    bjs

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  6. Lucca é realmente uma cidade amorosa! Não li o livro e quando fui ver o filme houve um pequeno "incidente" ;) por isso tenho que ir uma 2ª vez.

    Adorei a salada!!!!

    Beijinhos,
    Carlota

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  7. Laranjinha, interessante hoje termos ambas um post sobre "comer, orar, amar", embora por motivos diferentes :)

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  8. Se Freud lia isso, o homem até se levantava da tumba para poder analisar a coisa he he
    Não li e não vi o filme, mas se puder escolher, prefiro ler o livro primeiro :)
    A salada ficou de orar, comer e amar :)

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  9. adoro!! eu gosto muito quando as pessoas fazem receitas de um livro. é triste, mais os espargos são muito caro aqui. E eu assisti o filme comer, orar, amar aqui no brasil, e todos riram quando o gente Portugues/espanhol/Brasileiro apareceu, com música de Samba. hehe. mais, eu gosto todos os piadas americana :P

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  10. Ainda não vi o filme, comecei a ler o livro e emperrei, tenho que tentar de novo.
    Mas adorei esta tua salada toda colorida e fiquei com uma enorme vontade de ir a Lucca, conheço grande parte de Itália mas não passei por Lucca.

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  11. Eu vi o filme e não li o livro!!
    Lembro-me perfeitamente da cena dos espargos e ovos.Ficou linda a tua salada.
    Eu adorei o filme o livro deve ser ainda melhor.

    Bjs

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  12. Eu também vi o filme...e não li o livro! Gosto bem mais de fazer o contrário, mas tenho sofrido de um mal chamado tempo! A cena do pequeno-almoço está perfeitamente recriada por ri! Lindas as fotos! Um beijinho :)

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  13. Essa salada também a mim me ficou na cabeça, mas, ao contrário de ti, ainda não fiz a experiência. Quanto ao filme, sou uma daquelas que gostou bastante do livro - sem no entanto o achar uma coisa do outro mundo- mas que não gostei nada, mesmo nada do filme. A história é contada a correr e fazem a Liz parecer um bocado aluada, em vez de uma mulher com um enorme conflito interior.
    E estou totalmente de acordo contigo: apesar de um regalo para os olhos, aquele não foi o Felipe que eu imaginei... Muito longe disso!

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  14. Que lindo ficou o pratoooo!!!

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  15. Que salada tão simples e no entanto tão rica em paladar!! O livro está em espera para ser lido, o filme, não me cativa muito. Já vi o 'trailler', e sendo uma fã do J.B., deu para perceber que aquilo não soava muito bem.

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  16. Adorei o colorido da salada embora não seja grande fã de espargos. Não li o livro e fui daquelas que saiu desoladissima porque o filme me soube a pouco. Já tinha ouvido a autora a falar da sua experiência e penso que o filme não lhe fez jus. Também achei o Bardem fraquinho e quando falava então...

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  17. Nem li o livro, está à espera de tempo, nem vi o filme mas adorei a saladinha, bem colorida e apresentada
    beijinhos

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  18. Laranjinha
    Tem tudo o que gosto.
    Beijo

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  19. Não li o livro mas vi o filme no fds. Também não me encheu completamente as medidas, não sei se foi por ter criado muitas expectativas... também tinha ficado "alerta" quando ela fez esse prato e se deleitou com ele, sentada no chão com a sua camisa de dormir acabada de comprar...
    São aqueles nadas que se revelam muito: tb cuidar de nós próprios!
    Babette

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  20. Eu li o livro e vi o filme. Adorei ambos, sabendo à partida que o filme não poderia superar o livro. No entanto, no meu entender a mensagem subjacente está lá.
    Concordo contigo relativamente À personagem intepretada pelo Javier Bardem, também imaginei um Felipe diferente.
    Falando agora na tua sugestão apresentada, eu que não aprecio espargos até fiquei com vontade de dar uma garfada na tua foto.
    Beijinhos
    Romã

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  21. Normalmente por aqui acontece o mesmo... primeiro vem o livro e só depois o filme....
    E continuamos sempre com aquela expectativa que o filme poderá sempre superar o livro...
    Umas vezes sim...outras não...
    Itália é um sítio perfeito para visitar e voltar a visitar...
    E esta tua sugestão... simples e muito colorida... ideal para fugir à rotina...
    Eu aponto-me... ;)
    Beijinhos nossos...

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  22. Compuseste um prato tão bonito, tã colorido que dá logo vontade de dar uma trinca =) *

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  23. Mallory,
    adorei o teu comentário feito em português. Muito bem! Por cá, os espargos também são caros. Imagino a piada que ai no Brasil devem ter achado ao JB no filme! :)
    Um beijinho grande,

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  24. eu acho que a maioria dos filmes adaptados de livros nunca chegam as noassas expectativas.
    este ainda nao vi nem li mas outros casos desiludiram-me
    no entanto a asalada nao
    acho uma combinaçao muito boa

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