quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um workshop com sabor a Laranjinha


Há ideias que surgem nem sabemos muito bem como. Conversa e mais conversa, partilha de ideias, as coisas normalmente vão em crescendo e quando damos por ela estamos com uma ideia nas mãos e um compromisso assumido. Passo então a explicar do que falo.

Um destes dias em conversa com o meu cunhado Hugo e com a Cláudia - o conhecido casalinho Maravilha - surgiu a ideia de dar explicações sobre como confeccionar uma ementa, algo simples, elegante e se possível, rápido, a pessoas que gostariam de aprender a cozinhar. Ou seja, ensinar a preparar uma refeição com entrada, prato principal e uma sobremesa. Uma espécie de workshop previamente combinado e de acordo com as necessidades de quem quer aprender. Ora se bem se falou, mais rapidamente se marcou! Quando dei por mim, já tinha a agenda aberta e a marcar uma data. Um sábado. Dia 4 de Junho. Workshop para dois. Ementa pedida: um amuse-bouche, uma sopa fria, um prato principal e uma sobremesa de colher. Houve ainda um pedido adicional, para utilizar vieiras como ingrediente no prato principal. Ui! Engoli em seco e pensei, não querias fazer um workshop? Ora, aqui tens! Toca a trabalhar e a escolher o que vais ensinar a fazer.

Uma semana antes enviei o que iríamos confeccionar assim como a lista de ingredientes. Eis então a ementa do nosso workshop:

      Amuse-bouche: Queijo feta com maracujá, alecrim e um fiozinho de azeite;

      Sopa fria: Shot frio de beterraba e melão;

      Prato principal: Risotto de ervilhas com vieiras salteadas em manteiga;

      Sobremesa: Pudim de citrinos.

No sábado cheguei a casa dos meus cunhados bem cedinho. Já estava tudo pronto para o workshop. A casa impecavelmente arranjada. A Cláudia, quis registar cada momento da confeção em fotografias.

Depois de explicar novamente qual seria a ementa, começámos a trabalhar. A primeira coisa a fazer foi a sobremesa. O pudim de citrinos é uma receita muito rápida de preparar e não tem mesmo nada onde errar. Seguro, portanto. O Hugo, com uma ou outra indicação minha fez o pudim na perfeição. Enquanto o pudim estava no forno, seguimos para o shot frio, receita publicada na revista Sabe Bem nº1 de Maio/Junho de 2011.

Shot frio de beterraba e melão


Ingredientes:
2 beterrabas cozidas (150g)
1 laranja
300g de melão limpo
flor de sal
pimenta preta de moinho
talos de aipo para decorar


1. Num copo liquidificador colocar a beterraba e o melão cortados aos pedaços e o sumo de laranja. Triturar muito bem.

2. Se ficar muito espesso adicionar um pouco de água.

3. Servir em copos com os talos de aipo, salpicado de flor de sal e de pimenta moída.


O shot fresquinho soube muito bem. Apenas duplicámos a receita, dado que éramos 6.

Ao prepararmos o amuse-bouche começámos por cortar o queijo feta em pequenos rectângulos que colocámos nas colheres de servir. De seguida cortámos ao meio um maracujá e com uma colher de chá, o Hugo colocou as sementes em cima do queijo. Finalizou com uma folha de alecrim e umas gotas de azeite. Esta entradinha foi feita a partir da servida em Estremoz, no restaurante A Cadeia Quinhentista. A última coisa a preparar foi o risotto.

Risotto de ervilhas com vieiras salteadas


Ingredientes:
500g de arroz
4 chalotas
3 dentes de alho
azeite
vinho branco
ervilhas (usámos congeladas)
cebolinho
queijo parmesão ralado
manteiga
vieiras frescas sem a casca
2 cubos de caldo de peixe
água quente


Começámos por picar a cebola e os dentes de alhos. De seguida colocámos a cebola num tacho com azeite e levámos ao lume. Assim que a chalota quebrou adicionámos o arroz e deixámos fritar um pouco. De seguida refrescámos com vinho branco e desligámos o fogão.

Como o arroz é algo que deve ser feito e levado imediatamente para a mesa e como ainda faltavam dois convidados para o almoço, a Caterina e o Pedro, parámos o processo e fomos tratar das vieiras.

Temperámos as vieiras com sal e pimenta. Colocámos a manteiga numa frigideira e levámos ao lume. Assim que ficou quente colocámos as vieiras e deixámos alourar de um lado e depois do outro. Retirámos e reservámos.

Quando os outros convidados chegaram e enquanto provávamos o amuse-bouche e o shot frio de beterraba, que fica com uma cor linda, acabámos de cozinhar o arroz.

Adicionámos os cubos de caldo de peixe, usados pois não havia tempo para fazer caldo de peixe, adicionámos água quente e as ervilhas. Temperámos com sal e à medida que o arroz o exigia adicionávamos um pouco de água, mexendo de vez em quando. Assim que o arroz ficou cozido, retirámos do lume, adicionámos uma colher de sopa de manteiga e cebolinho picado. Servimos o arroz polvilhado com queijo parmesão e as vieiras. Seguiu para a mesa. E todos gostaram.

Acho que me safei! Este já está. Que venham mais!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Bolo de alperces frescos


Alperces. Carnudos, suculentos e com um perfume agradável, que nos despertam a vontade de comer. Gosto de comer alperces. É uma fruta sensível, preciosa, dourada. Quando penso em alperces, penso no quintal dos meus pais há muitos, muitos anos atrás. Naquela altura, as férias de Verão eram mesmo férias de Verão. Lembro-me que houve anos em que as férias iam de Junho/Julho a Outubro. Quando regressava à escola já tinha saudades. No quintal, os meus pais tinham uma ameixoeira e dois damasqueiros. A ameixoeira carregava todos os anos, às vezes até os troncos partiam de tão carregados que estavam. Agora os damasqueiros, enchiam-se de folhas e poucos eram os anos em que davam frutos. Em anos que percebíamos que tinham damascos, eu e o meu irmão, não nos tirávamos de volta das árvores para ver se já estavam maduros. E quando chegávamos lá e tinham caído? Ou quando os pássaros os descobriam primeiro do que nós? Oh! Desilusão. :) Eram poucos mas valiam a pena. Tão saborosos!

A minha amiga Ana Assis todos os anos por esta altura oferece-me alperces. Já se tornou uma pequena tradição entre nós.

E todos os anos eu faço uma receita de alperces em sua homenagem. Este ano a receita escolhida foi esta de Bill Granger.


Ingredientes:

Base de caramelo
100g de margarina sem sal
12 alperces cortados ao meio e sem caroço
sumo e raspa de 1 limão
200g de açúcar
1 colher de chá de essência de baunilha

Bolo
100g de manteiga sem sal
200g de açúcar
1 colher de chá de essência de baunilha
300g de farinha com fermento
4 ovos separados


1. Colocar a manteiga, o açúcar, o sumo e raspa de limão numa forma redonda sem buraco. Levar ao lume e deixar derreter. Mexer de vez até formar caramelo.

2. Retirar a forma do lume e colocar os alperces com a parte cortada para baixo.

3. Aquecer o forno a 180ºC.

4. Numa taça, bater a manteiga e o açúcar. Adicionar as gemas, uma a uma, batendo sempre.

5. Juntar a baunilha. Mexer.

6. Adicionar, misturando, a farinha alternadamente com as claras batidas em castelo.

7. Colocar a massa por cima dos alperces. Levar ao forno durante aproximadamente 45 minutos.

8. Depois de retirar do forno deixar arrefecer durante 5 minutos e depois desenformar, virando a forma para um prato de bolos.

O bolo fica uma delícia, a parte da fruta com o caramelo, ligeiramente ácida e simultaneamente doce, combina na perfeição com a parte do bolo. Os alperces frescos em bolos demonstram em pleno a sua acidez. Para quem não for apreciador deste travo característico do alperce deverá aumentar a quantidade de açúcar.


Outras receitas com alperces frescos:
- Alperces grelhados com gelado de baunilha;
- Batido de alperce;
- Tarte Tatin de alperce;
- Bolo de alperces;
- Doce de alperce;
- Tarte de requeijão com alperces.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sopa de courgette com ovos mexidos


Vegetables from an Italian Garden: Season-by-season recipes é a minha mais recente aquisição para a estante de livros de cozinha cá de casa. Apesar de já ter um lugar reservado na estante, o que é certo é que ainda parou por lá muito pouco tempo. Isto de ter um livro novo, cheio de receitas não é para estar parado na estante! Enquanto o encantamento durar, vou querer descobri-lo o mais que puder. Pelo menos, tem sido assim nestes últimos dias.

O livro está organizado pelas quatro estações do ano. Em cada estação apresenta receitas com os legumes da época, de maneira a que consigamos desfrutar da frescura dos produtos e comer, muitas das vezes de forma mais económica. O livro possui por estação um marcador colorido, verde para a Primavera, amarelo para o Verão, castanho para o Outono e cinzento para o Inverno. Para além disso, apresenta uma breve explicação dos produtos e de como os devemos cultivar no nosso quintal. Que pena só ser sobre legumes, gostava imenso que tivesse receitas de fruta por estação. Um livro de receitas de fruta por estação será que encontro?

Das duas vezes que estive em Itália, uma das coisas que me chamou a atenção nos mercados foi a variedade de legumes. Encontrávamos alcachofras como quem por cá encontra couves. Rúcula e radicchio como encontramos alface. Courgettes de várias cores e feitios. Por cá, quanto muito encontramos muitas da mesma qualidade. Cogumelos e tomate seco, eram muito comuns. Para além de muitos outros legumes que nem sabia o nome. Recordo-me da frescura das cebolas, das variedades de tomate e até de encontrar uns morangos pequeninos silvestres. Ir aos mercados é sempre uma experiência magnífica. Ajuda a perceber em muito a cultura de um povo.

Num curto espaço de tempo já fiz duas receitas do livro e adivinhem com que ingrediente? Courgettes, claro está! O meu pequeno reino das courgettes continua a dar que falar na minha cozinha, desta vez é uma sopa.


Ingredientes:
7 courgettes pequenas
3 colheres de sopa de azeite
3 ovos
30g de queijo parmesão ralado
1 raminho de coentros picados ou de manjericão
1,2L de água
sal e pimenta q.b.

1. Colocar o azeite numa frigideira anti aderente e levar ao lume. Adicionar as courgettes cortadas em cubinhos. Deixar cozinhar em lume médio, mexendo de vez em quando até estarem macias.

2. Colocar as courgettes numa panela e tapar com água. Temperar com sal e pimenta. Levar ao lume.

3. Bater os ovos com o queijo e os coentros picados. Temperar com sal e pimenta.

4. Colocar os ovos na frigideira ainda quente, fora do lume. Levar ao lume para acabar de cozinhar os ovos, mexendo de vez em quando.

5. Adicionar os ovos mexidos às courgettes na panela e servir.

Quando li a receita achei muito estranho fazer um caldo com courgettes e depois servi-lo com ovos mexidos! Reli várias vezes a receita e era mesmo assim. Como nestas coisas gosto de quebrar os meus preconceitos avancei e ainda bem que o fiz. A sopa ficou óptima. A mistura do caldo, com as courgettes e o ovos fica muito saborosa. Os ovos como levam o queijo e os coentros (não tinha manjericão) ajudam a dar corpo à sopa.

Mais uma receita para homenagear o reino das courgettes!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Focaccia de alecrim com cogumelos Porcini e alperces


Já há algum tempo que queria fazer uma focaccia. Mas ora passa hoje, ora passa amanhã e nunca mais fiz a focaccia. Até que sexta-feira chegou!

A minha amiga Ana Assis ofereceu-me dois sacos de alperces fresquinhos e carnudos, como faz sempre todos os anos. Com tantos alperces resolvi espreitar alguns dos meus livros de cozinha à procura de receitas deliciosas e dignas de serem feitas com tão preciosa fruta. Ao procurar na A Enciclopédia da Culinária de Patrik Jaros e Gunter Beer eis que encontro uma focaccia. E o que me salta à vista na foto? Alperces! Naquele momento, saí do sofá em direção à cozinha a pensar: - a receita está escolhida. Parece-me excelente!

Depois de colocar o livro aberto na mesa da cozinha, li com atenção as instruções e não é que me enganei?! A receita levava alperces mas eram secos! Oh, santa cabeça desatenta! :( Mesmo assim, não desisti e resolvi fazer a focaccia. Não ia deixar escapar esta oportunidade.


Ingredientes:
500g de farinha
20g de fermento de padeiro
250ml de água
1 pitada de sal
50ml de azeite
1 ovo
40g de cogumelos porcini secos
1 colher de sopa de óleo vegetal
200g de alperces secos
2 colheres de sopa de vinagre de sidra de maçã
1 pezinho de alecrim fresco
7 a 10 folhas de louro
1 colher de chá de sal grosso
3 colheres de sopa de mel


1. Peneirar a farinha para uma tigela larga. Fazer um sulco no centro e adicionar 50ml de água e o sal, de seguida o fermento desfeito e mexer até formar a base de uma massa. Misturar essa base com farinha suficiente para obter uma massa macia. Tapar e deixar levedar durante 15 minutos.

2. Deixar de molho os cogumelos.

3. Escorra e pique grosseiramente os cogumelos. Adicioná-los à massa juntamente com o ovo e o azeite. Em seguida ir acrescentando a restante água e ir amassando, até a massa ficar elástica.

4. Formar uma bola com a massa, polvilhar com farinha e tapar. Deixar a levedar até triplicar de volume, aproximadamente 1h30.

5. Colocar os alperces numa tigela e deitar o vinagre por cima. Tapar e deixar macerar.

6. Depois da massa lêveda, colocá-la num tabuleiro untado com óleo vegetal. Esticá-la até aos rebordos com as duas mãos.

7. Polvilhar a massa com as agulhas de alecrim. Pressionar ligeiramente os alperces marinados e as folhas de louro na massa. Polvilhar com sal marinho grosso. Por fim, regar com o mel.

8. Pré-aquecer o forno a 180ºC. Deixar a massa levedar durante mais 15 minutos. Cozer durante 35 minutos. Retirar e deixar arrefecer no tabuleiro. Servir cortado.


Fiz apenas uma alteração na massa. Na receita original está indicado que se deve bater a massa sensivelmente a meio do processo de levedura, mas eu não o fiz.

O resultado final surpreendeu. A focaccia ficou muito saborosa. Assim que saiu do forno, deixámos arrefecer um bocadinho e veio para a mesa ainda quentinha. Foi o complemento a uma sopa que fiz para o jantar nesse dia.

Nesta focaccia, a cada dentada dão-se pequenas explosões de sabor. Ora por um lado, sentimos o perfume do alecrim e do louro (eu retirei as folhas na altura em que parti a focaccia), ora o adocicado dos alperces e de vez em quando, toda esta festa de sabor é surpreendida por uma pedrinha de sal, que dá imensa piada. É como se fosse o fogo de artifício de uma festa de Verão.

Boa Semana!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Costeletas de borrego com massa de pimentão e tomilho


Porque hoje é sexta-feira, aqui fica uma sugestão prática, rápida e muito agradável. É principalmente uma sugestão colorida com elementos da terra. A carne, o pimentão, o tomilho e um raminho de flores do campo. Ontem, a cidade de Lisboa foi invadida por vendedoras de raminhos de flores alusivos ao dia de espiga, desde a Estefânia ao Cais do Sodré, por onde passei a caminho do Museu das Comunicações, ao Chiado, havia raminhos de flores do campo por todo o lado. São muito bonitas e fazem-me lembrar tanto a minha infância!


Ingredientes:
750g costeletas de borrego
1 colher de sopa bem cheia de massa de pimentão
1 colher de chá de tomilho
sumo de 1 limão
sal e pimenta q.b.
1dl de azeite
2 chalotas cortadas em meias luas


1. Temperar as costeletas com sal, pimenta, massa de pimentão, o tomilho e o sumo de limão.

2. Levar ao lume o azeite, adicionar as costeletas e o molho, e as chalotas cortadas em meias luas. Deixar cozinhar. Se necessário rectificar o sal.

3. Servir as costeletas com cuscuz.


A massa de pimentão e o limão dão um toque muito especial às costeletas de borrego.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Courgettes balsâmicas


Enquanto a época das courgettes durar, eu quero aproveitá-la muito bem. Posso dizer sem qualquer problema: - sou fã de courgettes! Quero continuar a experimentar, testar e provar receitas, de preferência sempre diferentes, feitas com esta simpática abobrinha.

A receita de hoje encontrei-a na revista Continente Magazine de Maio de 2011.


Ingredientes:
2 courgettes cortadas às rodelas
4 colheres de sopa de vinagre balsâmico
2 dentes de alho picados
1 colher de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de azeite
sal e pimenta q.b.
pimentos vermelhos de conserva ou assados

1. Untar as courgettes com um pouco de azeite.

2. Grelhar as rodelas de courgette.

3. Temperar com sal e pimenta a gosto.

4. Preparar o molho: juntar o azeite, o vinagre, o alho picado e o açúcar.

5. Regar as courgettes grelhadas com o molho.

6. Cortar os pimentos às tiras.

7. Servir as courgettes com os pimentos por cima.


Estas courgettes foram um excelente acompanhamento a um prato de carne. Para mim, ficaram óptimas. Mas sabem que eu sou suspeita, não sabem? ;)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Uma história e 16 sugestões de bolos com fruta para o Dia da Criança


Era uma vez um reino distante. Situado longe do tempo e do espaço. Entre a memória e a imaginação. Entre a chuva e o arco-íris. Desse reino, conta-se que era habitado por uns seres, que tinham a capacidade de assumir diferentes formas, a que davam o nome de espíritos da gastronomia. Não havia zangas, nem teimas. Nem choros, nem birras. Viviam em harmonia e eram felizes.

O espírito da Sede era irmão do espírito da Fome. Onde estava um, mais cedo ou mais tarde chegava o outro. Gostavam de andar lado a lado e às vezes de competir um pouco entre si, mas de forma saudável, claro está! Se um gostava de comer chocolate, o outro adorava limonada. Se um se perdia pelo cheiro do pão no forno, o outro encantava-se com o aroma do café acabado de tirar e assim, com divergências, viviam em perfeita harmonia.

Em cima de uma árvore gigante, quase sem fim, vivia o espírito da Curiosidade Gastronómica. Velho, por vezes rabugento, mas muito exigente. Não tinha barbas, mas se as tivesse seriam, por certo, grandes, muito grandes e brancas. Gostava de saber tudo e tinha um interesse inesgotável por comida. Vivia rodeado de livros e de instrumentos estranhos que só ele percebia para que serviam. Há quem diga que eram tachos, panelas, conchas, escumadeiras, corta-bolachas e outros apetrechos que tais! Para o ajudar, na tarefa infinita de saber, tinha dez pequenos anõezinhos que todos os dias recolhiam raízes, frutos, bagas, folhas e outras coisas mais para Curiosidade usar nas suas experiências. Do seu laboratório, havia dias em que saía um cheiro intenso e convidativo. Despertava todos os sentidos do espírito da Fome, que ficava numa inquietação incrível!

Mas neste reino, existia ainda um outro espírito. O espírito da Comida. Vivia feliz e sentia-se satisfeito com todas as iguarias do reino. Saciava-se com o cheiro dos poejos, com a suculência de uma ameixa madura, com o doce de uma pêra acabada de colher, entre muitas outras coisas deliciosas. Os cheiros, os sabores e as texturas eram a sua perdição! Quando o encontravam estava sempre a comer.

Tudo corria bem neste reino escondido entre a memória e a imaginação, entre a chuva e o arco-íris. Até o espírito da Dieta, prima da Fome e da Sede, vivia em perfeita harmonia com todos os espíritos do reino. Tudo corria bem até ao dia em que chega àquelas terras uma criatura estranha e bizarra que se intitulava Saciedade. Oh! Pela memória, pela imaginação, como foi possível enviarem semelhante criatura para o nosso reino? - diziam os habitantes revoltados, quase enjoados e já com leves sintomas de fastio.

Saciedade quis dominar os espíritos da Fome e da Sede. Quis acabar com a Comida e fazer desaparecer a Curiosidade Gastronómica. Noite e dia, Fome e Sede viviam em agonia. Um chorava para Norte, o outro, gritava para Sul. E nisto andávamos. Até que um dia, Comida, farta de ser perseguida por tão vilã criatura, decidiu reunir os seus amigos, incluindo a Dieta, a prima direita dos Lights e dos Seres Sem Açúcar e uma decisão foi tomada!

No dia seguinte partiriam. Decidiram passar para a outra margem do rio que banhava as terras do reino, aventurar-se na densa floresta e chegar ao outro lado das montanhas. Aquele outro lado onde vivem pessoas. Seres estranhos, é certo, mas que gostam de saciar a Sede e a Fome. Que têm imensa Curiosidade Gastronómica e que adoram provar coisas novas, mesmo quando estão em Dieta. Onde as crianças se riem quando vêem Comida. Um lugar onde os espíritos desse reino sem nome, irão por certo ser felizes!


E com esta pequena história, desejo a todos - nós! ;) - um feliz Dia da Criança! E como em qualquer comemoração que se preze, tem que haver bolo. Para festejarmos este dia, aqui ficam dezasseis sugestões de bolos com fruta:

- Bolo de alperces;
- Bolo de ananás;
- Bolo de ananás e coco;
- Bolo de banana;
- Bolo de figos frescos;
- Bolo de laranja;
- Bolo de maçã e canela;
- Bolo de maçã e coco ralado;
- Bolo de marmelo assado com nozes;
- Bolo de marmelo com canela, laranja e amêndoa;
- Bolo de mascarpone com maçã;
- Bolo de natas e laranja;
- Bolo de nêspera;
- Bolo de peras caramelizadas;
- Bolo de tangerina;
- Torta de laranja.