quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Frango assado no forno com laranja e tomilho


Já se nota que os dias estão maiores. Gosto de chegar a casa e ainda ser de dia. Assim que o Inverno nos começa a trazer mais tempo de luz, as flores nas árvores a despontar, sinto mais energia. Sinto-me novamente com vontade de fazer muitas coisas e a sentir que ainda tenho tempo. Isto é psicológico, eu sei! Mas há dias em que a influência do tempo determina o modo de estar e sentimos que precisamos de luz. Sol.

Uma das estratégias que encontro para combater a nostalgia dos dias de Inverno são os assados no forno. No Inverno são uma das minhas formas preferidas de cozinhar.


Ingredientes:
1 frango cortado ao meio
2 cherovias cortadas
10 batatinhas para assar
3 chalotas cortadas ao meio
2 dentes de alho picados
1 ramo de tomilho
Raspa e sumo de 1 laranja
Sal e pimenta-preta q.b.
Azeite q.b.


1. Colocar o frango num tabuleiro de forno. Dispor, em volta do frango, as batatas e as cherovias cortadas.

2. Temperar com sal e pimenta.

3. Dispor o ramo de tomilho em cima do frango.

4. Adicionar os dentes de alho picados, a raspa e o sumo de laranja.

5. Regar com azeite e levar ao forno aquecido a 180ºC aproximadamente 1h30. A meio do processo regar o frango com o molho ou virá-lo.


A laranja e o tomilho deram um toque especial ao frango. A cherovia assada foi uma agradável surpresa. Cortei-a em palitos grossos e ficou óptima.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Sargo assado no forno com alecrim, limão e funcho


O que faz um bom blogue? O que marca o sucesso de um blogue? O número de visitas? De páginas vistas? O número de comentários? Com quase cinco anos de experiência pelo mundo dos blogues de comida, tenho visto muitas coisas boas e outras menos boas. Uma dessas coisas, é a cópia de receitas sem se citar as fontes e a utilização abusiva de fotos tiradas de outros blogues. Eu sei que esta é uma questão que ultimamente tem suscitado alguma polémica. A Suzana e a Moira também já a referiram, mas é importante discuti-la e procurar o que outros pensam sobre o assunto. Na minha opinião, dizer onde se encontrou a receita ajuda a contextualizar o processo de criação/adaptação/cópia da mesma. Ou até mesmo dizer que se resolveu fazer determinada receita e que a inspiração veio do sítio y. Ao mostrar o processo criativo, enriquece-se o trabalho publicado. Ao colocar a fonte estamos a dar a possibilidade ao leitor de ir mais longe se assim o entender. E quanto mais visitas tem um blogue maior é a responsabilidade nesta área!

A receita de hoje foi inspirada no pargo assado em crosta de sal que encontrei no livro A Enciclopédia Culinária de Gunter Beer e Patrik Jaros. Gostei da ideia de o peixe ser assado com funcho e resolvi experimentar.


Ingredientes:
2 sargos
4 rodelas de limão
1/2 bolbo de funcho cortado em fatias
alecrim fresco
sal e pmenta
azeite

1. Rechear a barriga dos sargos com alecrim, as rodelas de limão e o funcho.

2. Colocar os sargos num tabuleiro de forno. Temperar com sal e pimenta a gosto. Regar com azeite e levar ao forno a assar.


O peixe ficou muito agradável. Em termos de sabor o alecrim acaba por marcar a sua presença. Acompanhei este prato com legumes cozidos.


Para concluir a reflexão, nos blogues de comida, as fotos são muito importantes, apesar de existirem na blogosfera portuguesa blogues excelentes sem fotos. Mas a foto ajuda a contar uma história e isso faz a diferença. As fotos não fazem um bom blogue, mas dão uma ajuda preciosa. Eu pelo menos gosto de visitar blogues com imagens cuidadas, apelativas, que me dão vontade de ir para a cozinhar fazer determinada receita. A foto representa um olhar. Uma perspectiva e isso cativa-me.

O que faz um bom blogue são as pessoas. A qualidade que colocam naquilo que fazem, as afinidades que conseguem criar. Eu gosto de visitar blogues onde encontro afinidades, onde as pessoas me levam a pensar, onde sinto que aprendo, onde me estimulam, onde há estórias. E depois persistência. Muita persistência. E mesmo, depois disso, continua a pergunta: o que faz um bom blogue?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Salada de lentilhas castanhas com acelgas, cogumelos e queijo feta


Às vezes questiono-me o que quero com o Cinco Quartos de Laranja? O que significa este blogue para mim? Está quase a fazer cinco anos e o que é que eu alcancei com este projecto? Houve alturas em que tive dúvidas, incertezas. Mas agora não.

Se sou uma boa cozinheira? Uma entendida das artes gastronómicas? Não é assim que me vejo, acho que sou apenas uma curiosa. Uma aprendiz. Alguém que gosta de experimentar e principalmente de aprender. Aprender. Por isso procuro ler, arranjo referências e estou aberta a sugestões.

Quando comecei o Cinco Quartos de Laranja não sabia muito bem qual o caminho a seguir. Queria um blogue temático e escolhi a gastronomia. Inicialmente pensei em falar de cozinha na arte, na literatura, no cinema. Comecei, mas rapidamente o Cinco Quartos de Laranja se transformou num registo diário da minha vida. Um registo pautado pela comida. Conto as minhas histórias tendo como ponto de partida a mesa. O Cinco Quartos de Laranja não é só meu. É de todos os que passam por aqui, dos meus amigos, de todos aqueles com quem me cruzo e que me ajudam a ser quem sou, que marcam a minha vida.

Este blogue tem sido um exercício. Principalmente de escrita. Todos os dias procuro partilhar alguma coisa, dar um bocadinho da minha vida aos outros, sempre numa perspectiva positiva. É também para mim, uma forma de exercer a criatividade. Encontrar um ingrediente que nunca usei e chegar a casa e dar-lhe destino. Como foi o caso de um molho de acelgas que um destes dias encontrei à venda. Quando as comprei achei que talvez as pudesse usar numa massa, quando cheguei a casa mudei de ideias e acabaram numa salada.


Ingredientes:
200 g de lentilhas castanhas
1 molho de acelgas
100 g de queijo feta
8 tomates cereja
200 g de cogumelos shiitake frescos
3 dentes de alho
1/2 limão
1 colher de sobremesa de sementes de cominhos
azeite
sal e pimenta a gosto

1. Cozer as lentilhas. Depois de cozidas escorrer.

2. Lavar e limpar as folhas de acelgas. Cortá-las grosseiramente e levar a cozer em água. Depois das folhas cozidas, escorrer e mergulhar em água fria. Escorrer novamente.

3. Cortar o queijo feta em cubos.

4. Cortar os cogumelos em fatias.

5. Colocar os dentes de alho picadinhos numa frigideira. Tapar o fundo com azeite e levar ao lume. Quando quente, adicionar os cogumelos e deixar saltear.

6. Colocar numa saladeira as lentilhas, as acelgas, os cogumelos com o alho, o tomate cereja cortado ao meio, o queijo feta, as sementes de cominhos, sal e pimenta. Regar com o sumo de limão e azeite a gosto. Servir.


As acelgas foram uma boa descoberta. Gostei e ficaram muito bem nesta salada feita de improviso. É isto que o Cinco Quartos de Laranja me tem dado. Satisfação!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Doce de tangerina


Com tantas tangerinas que foram chegando à minha cozinha desde Dezembro, que lhe tive que ir dando destino. Para além de oferecer à família e amigos, fiz um delicioso bolo de tangerina, usei em sumos e acabei por fazer doce.


Ingredientes:
2 L de sumo de tangerina
sumo de 4 limões
1/2 vagem de baunilha aberta
zestes de 4 a 5 tangerinas
400 g de açúcar gelificante
700 g de açúcar amarelo
2 colheres de sopa de mel

1. Colocar os ingredientes num tacho. Levar ao lume, mexer de vez em quando, até obter o ponto estrada.


Este doce fica delicioso, com um ligeiro travo amargo, que lhe dá uma certa personalidade. Foi a primeira vez que fiz doce de tangerina e gostei bastante. Cá em casa tem sido comido em tostas ou então com pão e queijo tipo flamengo.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Um jantar de pizas e uma interessante coincidência


No sábado passado recebi a Helena e o Miguel, para um jantar de pizas cá em casa. As mesmas regras de sempre. Os convidados pensam numa piza, de preferência que ainda não tenha sido feita e como a piza escolhida envolve algum secretismo, só no dia é que sabemos o que cada um vai colocar na piza. Apesar de termos alguns ingredientes disponíveis, aconselhamos os nossos convidados a trazem os ingredientes principais. Nós fornecemos a massa para a base da piza, feita na máquina do pão. A receita da massa é a mesma de sempre.

O nosso jantar começou com umas entradinhas: azeitonas, queijo de cabra e ovelha curado, queijo de Azeitão, e salmão:


Salmão fumado com alcaparras e limão
salmão fumado
alcaparras
sumo de 1 limão
cebolinho picado

1. Colocar o salmão fumado num prato.

2. Dispor as alcaparras. Regar com o sumo de limão e polvilhar com o cebolinho picado.


Esta entrada é muito simples, mas fica muito agradável. Desde que a comi no Restaurante Stravaganza que fiquei com vontade de experimentar. Em noite de pizas, achei que seria adequada.

Servi o pão no cestinho que a Helena me ofereceu no dia do almoço em sua casa. O cestinho está sempre agora na minha cozinha. :)

Quando a massa para a piza ficou pronta, dirigimo-nos para a cozinha. Tinha chegado a hora de estendermos a massa e descobrirmos o que iríamos fazer. E coincidência das coincidências, não é que tínhamos pensado em usar espargos ... ovos ... queijo! Como? Sim! Sem sabermos tínhamos pensado na mesma piza! :) Nem imaginam o que nos rimos com esta coincidência. Como se costuma dizer, o mundo é pequeno, mas quando se está em sintonia, fica ainda mais pequenino e as coincidências acontecem naturalmente.


O Ricardo desde que viu a receita da piza de espargos com ovos no livro Pizza de John Lanzafame que ficou com vontade de experimentar. De vez em em quando lembrava-me que queria aquela piza dos espargos com ovo. De tanto o ouvir, aceitei. Aceitei, mas o livro ainda continua num caixote, dos vários cheios de livros que ainda temos para arrumar. Portanto, a piza seria feita de cabeça! Isso pensávamos nós! :)


A piza de espargos com azeite trufado e nozes da Helena e do Miguel resultou na perfeição. Ficou linda e não sobrou nada! A receita foi já publicada pela Helena. Espreitem! Voltou a ficar linda.


Perante a coincidência, há que surpreender. Abri o frigorífico e a despensa e fiz algumas escolhas. Depois da massa estendida coloquei queijos parmesão e mozzarella ralados. Dispus uma camada de cogumelos shiitake cortados, filetes de anchova em azeite, escorridos, fatias de tomate, alcaparras e terminei com mais queijo mozzarella ralado. Servimos com rúcula selvagem. Foi a primeira vez que usei anchovas numa piza. Acabaram por sobressair entre todos os outros ingredientes.


Acompanhámos a preparação das nossas pizas com vinho branco verdelho da Herdade do Esporão.

Para sobremesa a Helena brindou-nos com uma mousse de chocolate, daquelas que eu gosto, intensas! Cremosa, leve, mas em que dá para colocar a colher sem cair. Não resisti a repetir! :) Eu fiz um bolo de pêra e nozes. Apesar de sabor estar agradável, achei que as peras deveriam estar um pouco mais maduras. Mesmo depois de cozido, notavam-se que estavam rijas.


Com a conversa, nem nos apercebemos do tempo a passar. Quando olhámos para o relógio constatámos que o nosso jantar durou mais de oito horas muito felizes. As coincidências existem e são boas, especialmente quando as pessoas se ligam e estão em sintonia. E isso é mesmo muito especial! :)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pão de cerveja e nozes


Recebi a minha máquina do pão como presente de Natal dos meus sogros há uns anos. As primeiras experiências de pão foram com as farinhas já preparadas para pão. Há excepção de uma ou outra variedade, confesso que não fiquei entusiasta com o pão feito na máquina. Em casa dos meus pais, a minha mãe sempre fez pão e acho que isso também me deixou mais exigente. Durante algum tempo a máquina só foi usada para fazer a massa da piza, até recentemente.

Há bem pouco tempo, o Ricardo decidiu começar a fazer pão na máquina mas sem as farinhas preparadas. Para esse efeito, procurei uma revista da Vaqueiro que sabia que tinha lá umas quantas receitas para máquina do pão. Depois de as analisar e verificar os ingredientes disponíveis em casa, optámos pela receita de pão de cerveja com nozes.


Ingredientes:
1,5 dl de cerveja à temperatura ambiente
25 g de margarina
25 g de açúcar mascavado
uma pitada de sal
410 g de farinha Tipo 55 ou 65
25 g de padeiro fresco
2 colheres de sopa de água quente
50 g de miolo de noz

1. Colocar na cuba da máquina do pão pela seguinte ordem os ingredientes: cerveja, a margarina, o açúcar, o sal e a farinha.

2. Dissolver o fermento de padeiro na água quente e deitar sobre a farinha. Polvilhar com nozes picadas grosseiramente.

3. Colocar a cuba na máquina e seleccionar o programa 4 (de pão doce).


O pão ficou muito agradável. Saboroso. Gostámos tanto, que já repetimos várias vezes. Espero que esta seja a primeira de muitas receitas de pão! Depois de mais algumas experiências, tenho que eu começar, mas utilizando o processo manual! ;)

Esta receita é da revista Saberes & Sabores nº 180 de Fevereiro de 2009.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Risotto de caril vermelho


Para o jantar de amigos na passada sexta-feira resolvi fazer um risotto com pasta de caril, o que para mim foi uma novidade.


Segui as orientações da receita original, mas como quase sempre, fiz as minhas adaptações:

Ingredientes:
3 chalotas picadas
2 dentes de alho picados
1,5 dl de azeite
1 tomate grande bem maduro
1 colher de chá de pasta de caril vermelho
1 colher de sopa de gengibre ralado
1 colher de chá de paprika
1,5 dl de vinho branco
150 g de cogumelos shiitake cortados
350 g de arroz para risotto
800 g de camarão com a casca
200 ml de leite de coco
180 g de ervilhas congeladas
1 L de caldo de camarão (aprox.)
1 raminho de coentros picados
sal
1 limão cortado aos gomos ou em rodelas (facultativo)


1. Cozer o camarão com a casca. Descascar os camarões e reservar. Triturar as cascas e as cabeças. Coar o caldo.

2. Num tacho colocar o azeite, as chalotas, o alho, o gengibre, o tomate limpo de peles e sementes. Deixar refogar um pouco.

3. Adicionar a paprika, a pasta de caril e o arroz. Mexer e refrescar com o vinho branco.

4. Adicionar os cogumelos e o leite de coco. Deixar cozinhar uns minutinhos e acrescentar um pouco de caldo de camarão. Adicionar um pouco de sal.

5. Juntar as ervilhas. À medida que o arroz vai cozendo, adicionar pouco a pouco caldo de camarão. Uns minutinhos antes de arroz estar cozido, juntar o miolo de camarão.

6. Antes de servir, juntar um ramo de coentros picados. Servir com gomos ou rodelas de limão.


O risotto ficou muito bom. A pasta de caril e o leite de coco marcam a diferença neste risotto. Cá em casa, foi um sucesso!

Como o risotto é um prato que não pode esperar pelos convidados, eu comecei por preparar o arroz antes dos convidados chegarem e parei no passo 3. Quando já estávamos sentados à mesa, quase a terminar as entradas, fui para a cozinha finalizar o risotto.