segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Um jantar de aniversário no restaurante Quotidiano

No sábado fui ao jantar de aniversário da minha amiga Rute. A Rute é a grande dinamizadora do À Volta das Letras e uma leitora fervorosa, com quem tenho aprendido muito.

O local escolhido para o jantar foi o restaurante Quotidiano. Este restaurante abriu as suas portas há apenas quatro semanas e tinha casa cheia. Antes de nos sentarmos e enquanto esperámos pelos restantes convidados fomos colocando a conversa em dia e tomando uma bebida. Eu escolhi um vinho rosé Defesa e o Ricardo um Martini. Num total de treze pessoas eu apenas conhecia quatro.

Como dizia a Rute, este era um jantar onde os convidados entre si, poucos eram os que se conheciam, mas isso não nos impediu de conversar e rir durante todo o jantar.

O espaço do restaurante apresenta-se dominado por tons claros. Paredes brancas, à excepção de uma onde é visível a pedra original do edifício. Quadros em tons de vermelho pendurados nas paredes sobressaem na decoração, juntamente com um grande candeeiro e outros pequenos pormenores, como um relógio junto à porta principal do restaurante.

Paralelamente à sala de jantar, o restaurante possui um balção com exposição de bolos, chocolates e prateleiras com bolinhos secos, licores e compotas que me fizeram recordar as antigas mercearias.

O Quotidiano apresenta-se como um espaço moderno, de bom gosto e com uma aposta de negócio diferente. Não é apenas um espaço de restaurante, mas antes um local que se pretende dinâmico. Ali é possível beber um chá ao final da noite sentado a uma mesa ou, simplesmente, comer um bolo e tomar um café ao balcão.

Sentados à mesa começámos pelo couvert: azeite da Herdade do Esporão, pão, manteiga com ervas e pasta de atum.

A entrada foi Espetadinha de linguiça com cogumelos e salsa.

Para prato principal a escolha recaiu na Lasanha de Bacalhau com azeitona verde e molho branco, acompanhada de salada, e no Lombo de Porco recheado com ameixa preta e maçãs acompanhado de bolinhos de batata recheados com queijo e uma fatia de dois purés. Ambos os pratos estavam muito bem servidos, mas na minha opinião, considerei o prato de carne mais bem conseguido. A bebida escolhida foi sangria de vinho tinto, que todos considerámos muito boa.

Para sobremesa foi servido um prato com duas mousses, uma de lima e outra de maracujá, ambas bem confeccionadas.

O restaurante Quotidiano tem também um serviço muito atencioso de que gostei muito.

O nosso encontro acabou, em frente ao restaurante, depois de uma longa conversa com um grupo que adorei conhecer. A conversa andou à volta do Farmville no Facebook, o futuro das redes sociais, viagens, leituras, blogues e claro, de comida.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

4 por 6: Tortilha de espinafres com chouriço e Bolos de tangerina e limão


No menu do projecto 4 por 6, esta semana, apresento: Tortilha de Espinafres com Chouriço e Bolos de Tangerina e Limão.

Tortilha de Espinafres com chouriço

A primeira vez que me lembro de comer uma tortilha foi em casa da minha amiga Paula Borralho num fim-de-semana que passei na sua casa. Na altura, a sua irmã mais velha tinha vindo de Espanha e fez para o nosso almoço uma tortilha de que ainda recordo o sabor. Muito boa.

Recordando esses tempos, nesta proposta do 4 por 6 resolvi fazer uma tortilha, que se revela uma óptima sugestão para uma refeição que se queira rápida.


Ingredientes:
2 batatas
Folhas de espinafre
65 g de margarina
60 g de chouriço de carne
6 ovos
1 cebola picada
sal

1. Descascar as batatas. Cortar em pequenos cubos e levar a cozer em água temperada de sal. Depois de cozidas, escorrer.

2. Escaldar durante 2 a 3 minutos as folhas de espinafre. Escorrer muito bem e picar grosseiramente os espinafres.

3. Numa frigideira antiaderente, colocar a cebola e a margarina e levar ao lume. Mexer com uma colher de pau até a cebola quebrar.

4. Adicionar o chouriço cortado em pedaços pequenos.

5. Numa taça bater os ovos com uma pitada de sal. Adicionar as batatas e os espinafres.

6. Juntar a mistura anterior ao preparado na frigideira. Mexer com a colher de pau até começar a prender. Deixar cozer em lume muito brando.

7. Servir a tortilha com salada de tomate.

Como não me tenho dado muito bem a virar as tortilhas, acabo por não o fazer e prefiro deixar cozer assim muito lentamente.

Receita adaptada da revista TeleCulinária nº 1095, Fevereiro de 2000.


Bolos de Tangerina e Limão

Estes bolos ficam macios e delicados. A parte de cima fica tipo bolo e a debaixo pudim.

Ingredientes:
2 ovos
100g de açúcar
200 ml de leite
80 ml de sumo de tangerina
2 colheres bem cheias de farinha (usei farinha com fermento)
raspa de 3 tangerinas
raspa de 1 limão pequeno
uma pitada de sal

1. Bater as gemas com o açúcar.

2. Adicionar a raspa de limão e a raspa de tangerina, o sumo de tangerina, o leite e a farinha. Mexer bem com uma vara de arames.

3. Bater as claras em castelo com uma pitada de sal para ficarem bem firmes.

4. Envolver as claras no preparado anterior.

5. Dividir a massa por pequenas formas untadas com margarina.

6. Colocar as formas num tabuleiro com água quente e levar ao forno.

7. Servir nas formas ou desenformar depois de frio.

Esta receita deu para 6 pequenas formas. Os créditos desta receita são da Cláudia do blogue: SaborSaudade.

Uma delícia. São uns dos melhores bolinhos que comi nos últimos tempos.



Vamos então às contas:
Bom Apetite!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Salada de lulas com batata-doce e molho de salsa e limão

Cá em casa procuro fazer uma alimentação equilibrada. Uso muitos vegetais e não dispenso as sopas. Mas mesmo assim, acabo por fazer mais pratos de carne do que de peixe. Ultimamente tenho procurado contrariar essa tendência. Esta salada de lulas é disso exemplo.


Ingredientes:
1 embalagem de lulas limpas (750 g)
3 batatas doces pequenas
1 raminho de salsa
3 talos de aipo (mais tenros)
rúcula selvagem
4 colheres de sopa azeitonas pretas
4 colheres de chá de alcaparras
sumo de 1 limão
3 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de maple syrup
sal
pimenta

1. Cozer as batatas descascadas e cortadas em cubos. Não deixar cozer demasiado para que a batata não se desfaça.

2. Num recipiente juntar as azeitonas, o aipo cortado, a salsa picada e as alcaparras. Temperar com azeite, sal, pimenta, sumo de limão e maple syrup.

3. Depois das batatas cozidas, escorrer e reservar.

4. Grelhar as lulas cortadas em argolas.

5. Numa saladeira de servir juntar as lulas, as batatas e o preparado de azeitonas, aipo e salsa. Por fim, acrescentar duas mãos cheias de rúcula. Mexer e servir.

Receita adaptada a partir da receita de lulas com batata-doce e molho de salsa e limão, publicada no artigo de Yotam Ottolenghi`s .

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Marmelos assados com calda de vinho do Porto e especiarias

Apesar de o tempo ser sempre curto para o que se tem para fazer, eu tenho que andar sempre a ler um livro ou até mais do que um. Nos últimos meses li Madame Bovary de Gustave Flaubert. Um romance que me prendeu do princípio ao fim. Acompanhei os sonhos por uma vida diferente de Madame Bovary e a sua decadência. Ouvimos dizer muitas vezes que a vida é o que fazemos dela, das circunstâncias que nos rodeiam e daquilo que conseguimos aproveitar e saborear. Tenho aprendido que os momentos, mesmo os que parecem ser mais insignificantes, podem ser especiais se nós os entendermos e os valorizarmos como tal. Madame Bovary procurou a felicidade e o entusiasmo pela vida numa fuga ao quotidiano. Mas essa fuga foi apenas aparente. A vida das pequenas coisas continuou até ao desfecho trágico.

A seguir a Madame Bovary agarrei O Deus das Moscas de William Golding. Um romance que trata da natureza humana. Impressionante como nos transformamos e rapidamente deixamos de ver o que é sensato. A ânsia pelo poder destrói a nossa capacidade de distinguir o bem do mal.

Entre estes dois romances ainda devorei, num fim-de-semana, um livro que achei delicioso The School of Essencial Ingredients de Erica Bauermeister, traduzido entre nós com um título na minha opinião menos conseguido, Ingredientes para o Amor, publicado pela Quidnovi. A história passa-se à volta dos participantes de uma aula de cozinha que se realiza no restaurante de Lillian todas as segundas-feiras. Ao longo dos capítulos vamos entrando na vida de cada um dos participantes, o que procuram e como aquelas aulas de cozinha os irão ajudar ou até a encontrar o amor. O livro fala-nos de pessoas, sentimentos e de como um grupo de desconhecidos com um gosto em comum se acabam por ajudar. Simples, mas adorei.

Nos finais de Novembro terminei A Idade da Inocência de Edith Wharton. Há já uns bons anos que vi em filme a adaptação do romance pelo realizador Martin Scorcese, mas confesso que já não me lembrava de muito, apenas de uma história de amor sem um final feliz. Ler um livro e depois ver um filme é algo que mexe com as nossas expectativas. A mim, normalmente o filme fica sempre um pouco aquém, especialmente se tenho a história do livro bem presente. Nas conversas que tenho tido com amigos, na grande maioria dos casos também sentem o mesmo, mas às vezes apontam-me excepções. Entre essas excepções, ultimamente, falaram-me da trilogia do Senhor dos Anéis. Nos livros nós somos os realizadores das histórias, imaginamos os personagens, os locais, vivemos a história à nossa maneira e isso faz toda a diferença. Um livro e um filme, acabam por ser coisas diferentes, não concordam?

A Idade da Inocência foi um livro que também me prendeu. Acompanhei o amor de Newland Archer, noivo da jovem May, pela condessa Ellen Olenska. Ellen, americana, volta a Nova Iorque numa tentiva de procurar apoio junto da família, pois tenciona-se divorciar do seu marido. Ao contrário do que pensava, encontra uma sociedade agarrada às tradições, fechada. A impotência perante a força dos hábitos sociais e das famílias leva a que Newland e Ellen se afastem.

Agora estou a ler Uma Pequena História do Mundo de E. H Gombrich - uma história do mundo para jovens leitores, numa escrita muito acessível. Em quarenta pequenos capítulos Gombrich conta a história do Homem desde a Idade da Pedra até à II Guerra Mundial e a divisão do mundo. Para além deste livro, na sexta-feira passada trouxe da biblioteca o último livro de Dan Brown, O Símbolo Perdido. Ainda me lembro como decidi ler o primeiro livro de Dan Brown publicado entre nós. Na altura num processo de selecção, uma das questões que fazia aos candidatos era sobre os seus hábitos de leitura. Várias foram as alusões ao Código Da Vinci e o modo como falavam do livro deixou-me curiosa, apesar de procurar fugir aos livros da moda, o que é certo é que na altura comprei o livro. E mais, acabei por ler todos os livros de Dan Brown traduzidos entre nós.

Em O Símbolo Perdido, Peter Salomon, um amigo de Robert Langdon, é raptado e o nosso herói vê-se envolvido em mais uma aventura desta vez na cidade de Washington. Ainda só vou no início, mas a acção viciante, característica dos livros deste autor, já começou.

Olives & Oranges: Recipes and Flavor Secrets from Italy, Spain, Cyprus, and Beyond de Sara Jenkins e Mind Fox é o livro de gastronomia que chegou recentemente à minha cozinha e que irei, em breve, explorar.

No meio das minhas leituras, de vez em quando, gosto de comer aquilo a que eu diria uma coisinha boa ... Como já bani da minha despensa as barras de chocolate com amêndoas ou com avelãs, ou os pistácios (que vício!), de vez em quando faço uma sobremesa. Marmelos assados foi a última.


Ingredientes:
3 marmelos
sumo de 1 limão
2 dl de água
4 colheres de sopa de açúcar mascado escuro
1 dl de vinho do Porto
1 pau de canela
1 estrela de anis


1. Colocar o sumo de limão, a água, o açúcar, o vinho do Porto, a canela e o anis num tacho. Levar ao lume e deixar ferver uns minutos.

2. Cortar os marmelos ao meio. Retirar as sementes.

3. Num pyrex, regar os marmelos com a calda de açúcar, vinho do Porto e especiarias.

4. Levar a assar em forno pré-aquecido. Durante a assadura virar os marmelos e regá-los com o molho.

A calda fica espessa, ligeiramente caramelizada. Muito bom, especialmente para quem é fã deste fruto como eu.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Salada de frango com batata palha


Num dos dias em que fui às compras ao supermercado resolvi comprar um frango assado já pronto. Depois de pacientemente esperar na fila, fazer as compras e voltar à fila, lá trouxe o frango quentinho e super apetitoso. Mas, depois de chegar a casa, arrumar as compras olhei para o saco do frango e pensei em recriar a nossa receita tradicional de frango assado com batatas fritas. Iria servir o frango com as batatas, mas de uma maneira diferente. A ideia foi fazer uma salada.

Uma das coisas que noto quando viajo, é a pouca expressão da cozinha portuguesa. Em Londres encontrei pastéis de nata e uma cadeia famosa de frango assado com piripiri, Nando`s, no Canadá, em Montreal, descobri um restaurante com nome na cidade, dedicado aos sabores lusos, por lá também encontrei frango de churrasco, mas pouco mais.


Ingredientes:
1/2 frango assado
1 pimento vermelho assado
batata frita palha
alface
canónigos
rúcula
tomate cereja

molho vinagrete:
azeite
vinagre
1 colher de sopa de condimento de mostarda

1. Numa taça colocar o frango desfiado, o pimento cortado em tiras, os tomates cereja, os canónigos, a alface e a rúcula. Por fim adicionar a batata palha e servir com o molho vinagrete.

2. Para o molho: misturar azeite, vinagre e condimento de mostarda. Mexer bem.

A batata palha deve ser colocada na salada na altura que vai para a mesa, pois tem tendência a amolecer.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Tangerinas


As tangerinas são feitas de pequenos gomos, cheios de sumo e aroma. Para além do sabor, o que mais me atrai nesta fruta, é o cheiro. Intenso. Inconfundível.


Receita com tangerina:
- Flan de Manga e Tangerina


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Magret de pato com vinagre balsâmico


Esta foi a primeira vez que fiz magret de pato. Para mim, cá em casa, o uso de pato reduzia-se ao nosso tradicional arroz de pato e pouco mais, situação que ando a procurar alterar.


Ingredientes:
2 peitos de pato
2 colheres de sopa de azeite
4 cebolas pequenas ou chalotas cortadas ao meio
1 colher de sopa de açúcar
1 haste de alecrim
7 colheres de sopa de vinagre balsâmico
6 colheres de sopa de caldo de legumes ou de carne (usei caldo da cozedura de legumes)
1 colher de chá de farinha Maizena
sal
pimenta preta
bagos de romã


1. Saltear as cebolas no azeite. Adicionar o açúcar e mexer.

2. De seguida, adicionar o caldo, o vinagre balsâmico e o alecrim. Deixar cozinhar um pouco em lume médio.

3. Adicionar a farinha Maizena. Mexer e deixar engrossar o molho.

4. Retirar o molho da frigideira e passá-lo num passador de modo a separar a cebola e o alecrim do molho

5. Dar uns cortes na diagonal de modo a fazerem um xadrez, nos peitos de pato.

6. Temperar com sal e pimenta a gosto.

7. Alourar os peitos de pato na frigideira onde se fez o molho, inicialmente em lume forte e depois médio.

8. Servir os peitos de pato cortados com o molho, bagos de romã e arroz branco.

Os bagos de romã combinam de forma agradável com a carne de pato e o molho.


Esta receita foi uma adaptação desta receita.


A carne fica tenra, suculenta. Muito bom. Sem dúvida uma receita a repetir.