sexta-feira, 6 de julho de 2012

Borrego no forno com tomilho e limão


Eu sei que a carne de borrego não reúne consensos. Mas curiosamente, cá em casa é uma das nossas carnes preferidas. Também sei que sou uma privilegiada. Conheço de perto todo o processo de produção da carne e quando me chega ao prato eu sei que é de qualidade ímpar. E isso, especialmente neste tipo de carne faz toda a diferença. Para quem gosta desta carne aconselho a procurar um talho de confiança e a comprar carne de borrego nacional, daqueles que são criados a pastar e a correr felizes pelos campos.

Ingredientes:
4 fatias da mão de borrego
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 tomate pequeno maduro
zestes (raspa em pequenas tiras) de 1 limão
sumo de 1/2 limão
1 raminho de tomilho
1dl de azeite
sal e pimenta preta de moinho


1. Pré-aquecer o forno a 160ºC.

2. Refogar a cebola com o alho.

3. Acrescentar o tomate picado, limpo de peles e sementes. Temperar com sal e pimenta a gosto. Deixar cozinhar um pouco e retirar do lume.

4. Fora do lume, acrescentar as zestes de limão e o ramo de tomilho. Mexer.

5. Colocar a carne temperada de sal e pimenta a gosto num tacho de forno com tampa.

6. Regar com o refogado e com o sumo de limão. Tapar o tacho.

7. Levar ao forno durante 1h15 minutos.

8. Servir acompanhado com batatas novas cozidas.


A carne de borrego fica deliciosa, cheia de sabor e combina na perfeição com batatinha nova cozida com pele.

Bons cozinhados e bom fim-de-semana!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sandes aberta de requeijão e sementes de sésamo


Nos dias em que chego a casa tarde e a vontade de cozinhar se assemelha à de correr a mini-maratona, a solução para o jantar passa por algo prático e rápido. Por isso gosto de ter sempre à mão queijo ou requeijão no frigorífico, pão, de preferência regional - o de Rio Maior é excelente - verduras e legumes. Depois é só sentar à mesa e cada um faz a sua sandes.


Ingredientes:
4 fatias de pão regional
1 requeijão
1 colher de sobremesa de sementes de sésamo (brancas ou pretas)
1 colher de sopa de cebolinho fresco cortado
100g de salmão fumado
1/2 pepino cortado às rodelas finas
3 rabanetes cortados em rodelas finas
1 mão cheia de agriões
azeite
sal e pimenta


1. Colocar o requeijão numa taça. Juntar as sementes de sésamo e o cebolinho. Temperar com pimenta e sal a gosto. Com um garfo desfazer o requeijão e misturar muito bem com os outros ingredientes de modo a fazer uma pasta.

2. Barrar o pão com a pasta de requeijão e sementes de sésamo. Distribuir o salmão pelas fatias.

3. Por cima do salmão colocar alternadamente uma rodela de pepino e uma de rabanete.

4. Finalizar com folhas de agrião e um fio de azeite.


Quando tenho sopa feita, estas sandes são um excelente complemento.

Experimentem!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Borrego com garam masala e lentilhas vermelhas


Num dia de Verão o borrego juntou-se às lentilhas, socorreu-se de uns pequenos extras e o resultado foi um prato delicioso, cheio de sabor.

Ingredientes:
400g de carne de borrego cortada aos cubos
1 cebola picada
2 dentes de alho
1 lata de tomate pelado (240g) ou tomate fresco
1dl de azeite
2 colheres de sopa de garam masala
1 piripiri
8dl de caldo de carne
3 cenouras cortadas
200g de lentilhas vermelhas
1,5dl de leite de coco
1 raminho de salsa ou coentros picados


1. Colocar o azeite num tacho que assim que estiver quente adicionar a carne e deixar alourar, mexendo de vez em quando. Retirar a carne e reservar.

2. No tacho onde se alourou a carne colocar a cebola e os dentes de alho picados. Mexer e deixar refogar até a cebola quebrar.

3. Adicionar o tomate pelado e o piripiri cortado. Mexer e deixar refogar durante uns minutos.

4. Adicionar a carne, as duas colheres de garam masala, temperar com sal e pimenta preta de moinho. Acrescentar o caldo. Assim que levantar fervura adicionar as cenouras. Deixar cozinhar mais ou menos cinco minutos e acrescentar as lentilhas.

5. Quando as lentilhas estiverem cozidas, juntar o leite de coco. Mexer e deixar ferver um minuto.

6. Servir polvilhado com salsa ou coentros picados.


Este prato fica muito bom, com um ligeiro toque picante e muitos sabores a lembrar um destino exótico e misterioso. Experimentem!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Salada de quinoa vermelha com batata-doce


Julho e Agosto, para mim, são os meses de Verão por excelência. Julho antecede a chegada das férias, é o mês em que começo a aproveitar os fins-de-semana para ir à praia, tomar uma bebida fresca ao final do dia numa esplanada, ao pôr-do-sol, a ver o Tejo. As comidas começam a ser mais leves e frescas. As saladas são mesmo a opção.

Ingredientes:
2 batatas-doces (aprox. 385g)
200g de quinoa vermelha
1 cebola roxa picada
1 pepino
2 tomates
75g de azeitonas às rodelas
1 queijo Feta
1 colher de chá de sementes de cominhos
1 raminho de salsa
0,5 dl de azeite
2 colheres de sopa de vinagre
pimenta preta de moinho
sal


1. Cozer as batatas-doces, com a casca, cortadas às rodelas em água temperada com sal. Depois de cozidas, escorrer e deixar arrefecer.

2. Cozer a quinoa em água temperada com sal. Assim que estiver cozida, escorrer e reservar.

3. Cortar o tomate e o pepino, sem casca, aos cubos. Colocar numa saladeira juntamente com a cebola roxa. Acrescentar as azeitonas e o queijo Feta cortado aos cubos.

4. Descascar as rodelas de batata e cortá-las em cubos. Juntar à mistura anterior juntamente com a quinoa.

5. Adicionar as sementes de cominhos e o ramo de salsa picada.

6. Temperar com o azeite, o vinagre, a pimenta preta acabada de moer e sal a gosto. Mexer e servir.


Nesta salada, a batata-doce fica deliciosa em contraste com a textura da quinoa. Uma excelente ideia para uma refeição de verão.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Workshop Operação Verão na Escola de Cozinha Arola


A minha estada no Penha Longa, Hotel Spa & Golf Resort começou com um workshop intitulado Operação Verão na cozinha do restaurante Arola. O próximo será no dia 21 de Julho 2012 e é sobre Paella. Depois de um cumprimento breve ao chef Sergi Arola, eu e os outros participantes, dirigimo-nos para a cozinha e esta é sempre uma sensação tão boa para mim. É passar para o outro lado, é ver os bastidores, é ter acesso a um outro olhar sobre algo que me fascina. Acho que pode ser comparado a quando descobrimos como são feitos os truques de magia. Não se perde o encanto, ficamos é ainda mais maravilhados com o resultado final, depois de vermos os processos. E foi cheia de entusiasmo que coloquei o avental preto distribuído aos participantes, que o coloquei como fazem os verdadeiros profissionais e que ouvi atentamente as explicações do chef Cláudio Cardoso, do restaurante Midori e que confeccionou os pratos de uma operação que exige comidas frescas e deliciosas, ou não fosse este um workshop de comida de Verão.


O chef Cláudio Cardoso começou por nos explicar a confecção do primeiro prato, gaspacho com tomate, morango e melancia, servido com uma espetada e ervilhas de wasabi. Uma entrada fresca, excelente para um dia de calor e a mistura de sabores a fazer-se sentir na boca como uma festa cheia de emoções, finalizado com a textura das ervilhas.


O segundo prato foi atum braseado com ar de ponzu e sunomono de morango. Fiquei impressionada como é fácil brasear o atum, basta ter um pequeno maçarico, daqueles que usamos para queimar o leite creme e já está. O atum é delicioso e este estava magnífico.


Seguiu-se uma salada de vieiras. O chef colocou numa taça abacate, morangos, feijões de soja e vieiras cruas, cortadas em seis. Temperou com pimenta preta de moinho, molho ponzu e finalizou com gema de morango (esferificação) e caviar de framboesas. O sabor do morango marca esta salada. A textura é dada pelos feijões de soja. Fiquei com vontade de reproduzir este prato cá em casa. Pareceu-me simples e com uma interessante mistura de sabores. Um dos segredos da salada reside no molho ponzu que o chef Cláudio referiu que se fazia juntando molho de soja, sumo de lima e sumo de laranja. Ver se um destes dias experimento.


O último prato apresentado foi um sushi roll que nos deixou com imensa fome, a meio da explicação já estávamos todos a salivar de tal modo que o chef, no final dividiu pelos presentes o rolo de sushi e que favor nos fez. Nós agradecemos, não deixando nada.


Referiu que um dos truques do arroz para sushi é usar a mesma quantidade de água e de arroz. Este sushi é diferente de todos que já comi. O recheio é feito com pele de salmão grelhada com sal, queijo tipo Filadélfia, manga e cebolinho. A pele do salmão fica deliciosa. Um sabor com leves aromas a grelhado, mas com a presença do sabor do salmão. Bom, mesmo. O sushi é servido com uma mousse leve de manga com sete pimentas japonesas que deixa um picante no final de boca delicioso. Que coisa boa!

A sobremesa foi uma mistura de rochas vulcânicas de tangerina e chá verde, folhas crocantes de maracujá e para surpreender o palato, petazetas que explodiam na boca como foguetes de contentamento, num empratamento que deslumbrou.


Depois de tirarmos o avental, saímos da cozinha e sentámo-nos numa mesa do restaurante Arola com vista para o campo de golfe. O dia estava bonito e nós curiosos para provar todas as iguarias que vimos o chef Cláudio Cardoso executar à nossa frente. Quando a comida chegou voltámos a tecer elogios ao modo como o chef conduziu o workshop, à apresentação da comida e ao cunho inovador que o chef tenta colocar nos pratos. Gostámos do modo informal e descontraído com que falou do que fazia. Aposto que ainda vamos ouvir falar muito deste jovem chef. No final, tivemos a certeza que aquilo que nos parecia bom estava realmente bom, muito bom.


As coisas boas que retiramos ao participar neste tipo de iniciativas são por um lado, a possibilidade de falarmos com pessoas que nos ensinam coisas novas, que explicam e tiram dúvidas, e por outro lado, é o facto de conhecermos pessoas novas que se juntam a um sábado de manhã pelos mesmos interesses e que falam horas a fio sobre comida e sobre as coisas boa da vida, como se conhecessem desde sempre. Não há nada melhor.

domingo, 1 de julho de 2012

Cinco Quartos de Laranja na revista Saber Viver - As participações


O Cinco Quartos de Laranja, em parceria com a revista Saber Viver, promoveu um pequeno desafio para oferecer seis meses de assinatura.

Este desafio chegou ao fim. Publico agora as participações, todas elas com palavras muito simpáticas e que me deixaram muito contente. A todos que concorreram o meu muito obrigada!

1
Patrícia Almeida
O movimento de Saber Viver com Cinco Quartos de Laranja.
2
Su
Na vida, para Saber Viver, basta apenas um sorriso largo esboçado no rosto de quem amamos ... e Cinco Quartos de Laranja.
3
Rosa Maria
Há muito que sou fã da revista Saber Viver e agora com a participação do meu blogue predilecto - Os Cinco Quartos de Laranja ... mais uma razão para a ler!
4
Bruna Monteiro
Cinco Quartos de Laranja para Saber Viver: amor, carreira, casa, lazer e saúde.
5
Adília Silva
Com Cinco Quartos de Laranja é mais fácil Saber Viver.
6
Pi
Saúde, beleza e bem estar, tudo isto é Saber Viver, agora com Cinco Quartos de Laranja, também vamos saber comer!
7
Preguiça
A Revista Saber Viver é um guia de saúde, beleza e bem estar, agora com a participação de Cinco Quartos de Laranja irá me ensinar a cozinhar.
8
Maria Lurdes
Com Cinco Quartos de Laranja ao intervalo do almoço, delicio-me com a minha sopa e ainda aprendo, não só a viver bem como a Saber Viver.
9
Cristina David
O Saber Viver ganhou uma nova dimensão e o Cinco Quartos de Laranja um lugar cada vez maior no nosso coração.
10
Sara
Com a ajuda do Cinco Quartos de Laranja na cozinha e com a sabedoria da Saber Viver a minha vida vai ser ainda mais saudável e saborosa.
11
Patrícia Nunes
Bastam apenas Cinco Quartos de Laranja para Saber Viver!
12
Carla
Cinco Quartos de Laranja na Saber Viver vai ser cozinhar e bem comer!
13
Babette
Como máxima de vida
Procuro Saber Viver.
Olhar a água de um rio,
De um sorriso ter prazer.

Apanhar fruta madura
Descascá-la num vai-vém
Parti-la em gomos finos
Partilhá-la com alguém

Descobrir de forma pura
Que a menina de franja
Volta a juntar a fruta
em Cinco Quartos de Laranja

Porque partilhar acrescenta e faz crescer ... E Cinco Quartos de Laranja ajudam a Saber Viver!
14
Sandra Carmo
Com o Cinco Quartos de Laranja teremos deliciosas e frescas propostas culinárias em completa sintonia com o espirito da revista Saber Viver.
15
Maria João Oliveira
Seja Verão ou Inverno, na praia ou à lareira, a beber limonada ou cacau-quente, com os Cinco Quartos de Laranja vou Saber Viver.
16
Rita Neves
Para Saber Viver e bem comer, cinco sentidos em acção e quartos de laranja no coração!
17
Mané
Há que Saber Viver e para isso temos Cinco Quartos de Laranja.

Com Cinco Quartos de Laranja há outro sabor para Saber Viver.

Cinco Quartos de Laranja é quanto basta para Saber Viver.

Com Cinco Quartos de Laranja há outro sabor no Saber Viver.
18
Teresa Bastos
O Cinco Quartos de Laranja,
Começou a colaborar,
Com a Revista Saber Viver,
Para nos deliciar!
19
Luísa Alexandra Marques
Saber Viver com saúde e emoção, com a ajuda do Cinco Quartos de Laranja que é uma tentação!
20
Sandra Batista
Saber Viver é dar valor aos pequenos momentos que a vida nos proporciona ... tais como saborear Cinco Quartos de Laranja!
21
Margarida Penedo
Receita para Saber Viver: Misturar num caldeirão a escaldar páginas soltas da revista cortadas aos bocados e adicionar gotas mágicas de Cinco Quartos de Laranja bem triturados e agitar, esperar, acreditar ...
22
Cristina Sousa
Cinco Quartos de Laranja reinventados na Saber Viver.
23
Carla Lobo
Cinco Quartos de Laranja vai dar a conhecer experiências únicas para Saber Viver!
24
Nany
Uma receita fácil de seguir com os Cinco Quartos de Laranja: Saber Viver, Saber Amar, Saber Deliciar, Saber Deslumbrar, Saber Partilhar.
25
Goreti
Cinco Quartos de Laranja é o meu blog preferido
com ele aprendo receitas e dicas deliciosas
e na companhia da revista Saber Viver
fica tudo muito mais fácil e divertido!
26
Alexandrina Farinha
Com os Cinco Quartos de Laranja aprende-se a arte de Saber Viver.
27
Nelia Antunes
Quais os melhores ingredientes para Saber Viver? Rir, sorrir, namorar, chorar, Cinco Quartos de Laranja e um de chocolate!
28
Piedade
Como união faz a força, com os Cinco Quartos de Laranja e a revista Saber Viver, vamos todos ficar mais felizes e coisas mais saudáveis comer.
29
Francisco Tellechea
A arte de Saber Viver com Cinco Quartos de Laranja é a aventura que faz sentido.
30
Maria
Saber Viver é saber comer, comer prazer e nunca perder uma só receita do Cinco Quartos de Laranja.
31
Virgínia Pereira
Saber Amar, Saber Viver, Saber Comer ... Cinco Quartos de Laranja!

Das participações a concurso, foi sorteada a seguinte:


#13: Babette

Muitos parabéns! A Babette será contactada através de eMail. Espero que tenham gostado de participar e de ler as muitas e simpáticas palavras expressas em todas as frases concorrentes.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A carta de Verão do restaurante Arola


Sábado, 16 de Junho de 2012. O céu azul lá no alto empurrou as nuvens e deixou o sol brilhar. Eu, saí de Lisboa, ao início da manhã, com um sorriso nos olhos. O tempo estava mesmo propício a um fim-de-semana cheio de mimos e coisas boas no Penha Longa, Hotel Spa & Golf Resort.

Situado perto da vila de Sintra, o hotel é abraçado por uma cintura de verde. Para onde quer que se olhe, a nossa visão encontra o verde dos pinheiros, das oliveiras, dos eucaliptos, dos sobreiros e dos choupos. O verde escuro, intenso, forte da floresta, contrasta com o tom de verde claro do campo de golfe, dando-nos uma imagem de beleza comparada à dos quadros de Cézanne.

Um dos motivos que me levou ao Penha Longa foi o convite para participar num workshop e conhecer a nova carta do restaurante Arola, do conhecido chef Sergi Arola, discípulo de Ferra Adrià, agora com o chef Bruno Neves a comandar a cozinha.

O restaurante decorado em tons de branco, cheio de luz, com espaços informais, sofás com almofadas, música ambiente, tem uma vista privilegiada para o campo de golfe. Todo o espaço nos transmite uma enorme sensação de tranquilidade. Em dias de bom tempo, a opção é escolher uma mesa na esplanada.


A nossa refeição começou com um aperitivo já tradicional na casa, pão torrado com tomate, alho e azeite. Não sei se é da nossa ligação com a cozinha do mediterrâneo, mas este entretém de boca é sempre maravilhoso. Começamos por esfregar um alho cortado ao meio no pão, de seguida tomate e por fim regamos com azeite e quem preferir, pode polvilhar com sal. Que maravilha. Faça chuva ou vento, este é um dos amuse-bouche que a mim me sabe sempre bem.

A seguir como entradas provámos sardinhas marinadas com tomate e nem as espinhas sobraram para contar como estava bom. Depois das sardinhas seguiu-se uma salada de caranguejo com tomate, ovo e cebolinho picado, acompanhada com umas tostas finas de pão. Uma das entradas que me deixou a sonhar com mais foi a da beringela. Simplesmente magnífica. Beringela fumada, depois cozida e servida com pinhões, redução de vinagre balsâmico e cebolinho picado. Que sabor bom! Notavam-se umas ligeiras notas a fumado e depois, no final, a dar textura, os pinhões, que enriqueceram esta beringela como um colar de pérolas no pescoço de uma mulher.

Ainda nas entradas provámos lascas de lombo ibérico com maçã, pistácio, malagueta verde e queijo parmesão ralado. Adorei o toque picante da malagueta neste carpaccio, finalizado com a textura do pistácio. De seguida atacámos os calamares que foram servidos cortados em tiras finas, passadas por um polme e fritas, acompanhadas com molho aioli, óptimo para partilhar com amigos. Esta entrada vive da textura crocante e do molho. Outra entrada que nos encantou foi as batatas bravas com tomate picante e molho aioli no topo. Magníficas, para além de terem um aspecto muito simpático, são muito saborosas. O picante deixa-as bravas e nós adorámos.


Mas a entrada que nos deixou completamente rendidos, a sonhar por mais, foi o polvo à la brasa. Pedaços de polvo, tenros, com pimento de piquillo, batata, aioli de pimento, crocante de presunto e decorado com folhas de salsa desidratadas, crocantes. Um prato visualmente muito bonito e que nos conquistou pela deliciosa mistura de sabores.


As entradas foram acompanhadas por um vinho branco Lagoalva de Cima Reserva de 2011.

Já satisfeitos e prontos para ir dormir a sesta à beira da piscina, eis que nos chega à mesa um prato com um delicioso ar a verão, muito fresco, que nos levou a não querer sair da mesa. Bacalhau fresco com gnocchi de azeitona e uma macedónia de tomate e pepino. É notório que o bacalhau se sente um verdadeiro rei no prato, especialmente enaltecido pela frescura da combinação do tomate com o pepino e pelo molho, o verdadeiro segredo deste prato. Caros leitores, este molho vale uma ida ao restaurante Arola. É rico, aromático e deixa-nos a boca a saltar de contentamento com um ligeiro toque picante no final. Ajuda a acentuar a frescura do prato. Nesta altura apeteceu-me chamar o chef Bruno Neves e dar-lhe os parabéns!


O prato de carne foi leitão, confitado, preparado por camadas e cozinhado a baixa temperatura. Foi servido com espargos, maçã e esferificação de manga. O leitão tenro e saboroso combinou bem com a mistura crocante de maçã e espargos, que acrescentaram ao prato notas frescas. O prato de carne foi acompanhado com um vinho tinto Quinta do Cachão 2008, com um sabor a fruta estruturado, muito bom.


Na hora das sobremesas chegou-nos à mesa iogurte cremoso com doce de frutos vermelhos, crumble e gelado de coco assim como uma copa catalana com creme de bolacha, gelado de laranja, crumble, creme de limão e finalizado com açúcar mascavado ligeiramente queimado. Ainda hoje não consigo dizer qual delas era a melhor. Quem sabe se não encontro aqui um pretexto para justificar, ao Ricardo, uma nova ida ao Arola! Quando passarem por lá, para não ficarem na dúvida como eu, o melhor será escolherem as duas e dividir. Depois digam-me se tenho ou não razão.


Como dois amigos que se sentam à mesa e conversam, foi assim que decorreu a pequena entrevista que fiz ao chef Bruno Neves, a quem agradeço desde já a disponibilidade.

1. Quem é o chef Bruno Neves?

Tenho 33 anos, trabalho há cerca de 14 anos em cozinha. No princípio, começou como um hobby, depois trabalhos no verão para ganhar uns trocos. Depois quis seguir uma carreira completamente diferente daquela que acabei por seguir. Como não havia dinheiro para ir para a faculdade acabei por seguir este caminho. O bichinho começou a crescer, a crescer, e finalmente tomei o gosto pela cozinha. Tive a sorte de encontrar chefs que apostaram em mim. Que me incentivaram a aprender ainda mais como o chef Fasto Airoli, os chefs da Escola de Hotelaria de Lisboa, o chef Manuel Gabriel e o chef António Henriques. Depois como sou uma pessoa ambiciosa, não consigo estar parado. Gosto das coisas. Interesso-me. E esse interesse levou-me a evoluir ainda mais. Trabalhar com chefs bons. Na Bica do Sapato, no Eleven, no Four Seasons, em Angola também - estive lá cerca de sete, oito meses - e finalmente no Arola, antecedida de uma semana de formação intensiva no Arola de Barcelona.


2. Como é que foi a sua experiência em Angola?

Foi uma experiência diferente, não digo que seja má nem boa. Há quem goste e há quem não goste, mas aprende-se sempre qualquer coisa. No meu caso, aprendi, não em termos técnicos mas nas relações interpessoais. Ali a cultura é completamente diferente da nossa. Um ritmo mais calmo, não se pode ser tão exigente em termos técnicos. Enfim, o mais importante foi a gestão das pessoas. Muitos produtos vinham de Portugal mas de vez em quando haviam algumas dificuldades. O avião vem não vem. Atrasa-se. Os produtos não chegam.


3. E como tem sido a sua experiência no Arola?

É um conceito de cozinha diferente. Já implementado pelo chef Sergi Arola. Aqui o conceito que existe e que o chef Arola implementou com muito sucesso é baseado numa ideia informal: As pessoas podem partilhar e falarem à vontade sobre a comida. Uma relação informal com a comida. Nada de muitas formalidades. Repare que o restaurante tem mesas redondas e vários sofás com almofadas. Para ajudar a relaxar, para comer com tempo. Queremos que as pessoas venham cá pelo prazer da comida, pelo prazer do convívio. Queremos que o cliente fique satisfeito, se sinta bem recebido e que volte. Isso é o fundamental. Com a minha entrada e uma coisa que eu gosto bastante é usar ingredientes portugueses, não digo receituário mas comida ao gosto português. O conceito pode ser o do chef Arola com coisas que são imagem de marca como por exemplo, as Batatas Bravas, mas há liberdade para criar e colocar na ementa e é desta maneira que tento pôr o meu cunho pessoal.


4. E qual é o seu contributo pessoal? O que é que pode acrescentar?

Primeiro que tudo temos que nos adaptar ao sítio onde estamos. Procuro manter o conceito, apostar em produtos de boa qualidade. Prefiro ter menos quantidade e mais qualidade. Com uma carta muito grande acaba-se por perder em qualidade. Aposto em produtos portugueses como o borrego, o leitão, o bacalhau, o robalo ... receitas ao gosto que eu já conhecia ou receituário típico depois dando-lhe um pequeno "twist", uma pequena reviravolta adaptando-as ao conceito do chef Sergi Arola.


5. O que é cozinhar para si?

Há vezes em que é uma obrigação! (risos) Não gosto muito de cozinhar para mim. Gosto de cozinhar para os outros. Quando é para mim não sou exigente, é só uma forma de me alimentar. Gosto muito de cozinhar para os amigos e para os clientes do restaurante.


6. Como é que determina a apresentação visual de um prato?

Não é automático. Muitas das vezes só chego ao empratamento final depois de várias tentativas. Os pratos têm que ter uma estrutura. A carne em baixo, os legumes em cima. Compro vários livros de culinária para arranjar inspiração. É importante ir vendo e experimentando. Outra coisa que é importante é quando levamos os sabores à boca, eles têm que conjugar. Normalmente a proteína tem que estar sempre um pouco afastada da guarnição, para distinguir bem. Molhos sempre colocados não pela carne ou peixe todo, mas de maneira a mostrar estes últimos  com alguma subtileza.


7. Reparei que a equipa é jovem. Como é que gerir a cozinha com esta equipa?

Para já tento encaminhá-la. Um chef é tão bom quanto a sua equipa. Não posso bloquear as ideias das pessoas. Tento sempre ouvir a sua opinião. Quando estou a desenvolver novos pratos peço ideias e sugestões de maneira a que eles se sintam envolvidos e motivados. Todos os elementos da equipa não estão cá só para confeccionar, estão também para contribuir com a sua opinião para a elaboração da carta. As pessoas sentido-se envolvidas trabalham ainda mais e melhor. Pessoas que trabalham dez a doze horas juntas, se fizerem sempre as mesmas coisas todos os dias perdem a motivação. É muito complicado. Nas horas críticas funciona como a tropa. Mas nos outros momentos tento criar o melhor ambiente possível e dar uma certa liberdade de actuação às pessoas.


8. E nós em Portugal, temos o melhor peixe do mundo?

Concordo plenamente. Há peixe que em Portugal usamos que mais ninguém no mundo sabe utilizar. Algo que deveríamos dar mais valor. Recentemente vi uma reportagem na TV em que o peixe português é utilizado em restaurantes em várias partes do mundo. E cá, muitas vezes acabamos por não o valorizar tanto. Como a cavala, a sardinha, o salmonete ... apesar de constatar que recentemente tem havido um esforço para os promover. Há muita gente que tem a ideia que sardinhas, só grelhadas! Mas não. Se o produto for bem tratado é uma mais valia. Por outro lado, mais vale uma sardinha bem grelhada do que um foie gras. Gosto muito de uma boa sardinha grelhada! (risos)


9. Vou provar a nova carta de verão. Em termos gerais o que é que caracteriza a nova carta?

Acho que é uma carta sazonal e com produtos frescos. Estamos na época do verão e aproveitando o ambiente que rodeia aqui o Arola, muito verde e fresco que caracteriza aqui o Penha Longa. Um carta muito fresca e muito leve. Temos um bacalhau fresco com água de tomate, leitão, maçã ...


10. Já está a trabalhar na próxima carta?

Sim, já comecei. À medida da disponibilidade, vou trabalhando aos poucos. Pesquiso em livros e sítios da Internet. Falo com outros chefs. Entre colegas aqui no Penha Longa. Os cozinheiros são como os ciganos, conhecem-se todos uns aos outros. (risos) Vou também a feiras e a eventos como o Mercado do Peixe, a Alimentária, o Peixe em Lisboa entre outros. Vou vendo o que os meus colegas de profissão andam a utilizar. É assim que funciona. Sempre a ver com a sazonalidade. Numa carta de inverno não vou colocar morangos, apesar de agora haver todo o ano. (risos) Comer um morango no verão e no inverno são coisas completamente diferentes. E depois tento fazer coisas que eu gosto, recorrendo sempre aos contributos da minha equipa.


11. O seu sonho é ... ?

Todo o chef tem o sonho de um dia abrir o seu próprio restaurante. Também sou realista e sei que é muito, muito difícil. Mas não é impossível. Ter um restaurante implica um investimento de valor monetário muito elevado, em equipamentos, pessoal e produtos. É complicado. Por enquanto o meu objectivo é continuar a trabalhar em grande cadeias de hotéis que nos suportam. São a nossa almofada até em termos de evolução. Por exemplo, aqui no Penha Longa tenho liberdade para criar, para comprar, para experimentar. Se fosse um restaurante meu, possivelmente não poderia correr tantos riscos. Mas como sou novo, tenho ainda muita coisa para aprender. Quero continuar a evoluir através de pequenos passos consistentes.


Muito obrigada.