quarta-feira, 19 de maio de 2010

Vai uma ginjinha de Óbidos?

Partimos bem cedinho de Lisboa, numa quarta-feira que prometia sol. O nosso destino passaria por Alcobaça, Caldas da Rainha, mas a nossa primeira paragem foi em Óbidos.

Óbidos é uma vila cercada pela muralha de um castelo, ligada a reis e rainhas, que parece saída de um conto de fadas. As ruas são estreitas e limpas, as casas mantêm a traça tradicional, caiadas de branco com barras ora azuis, ora amarelas e, em quase todas as varandas encontramos flores.

Chegámos a Óbidos quando as lojas começaram a abrir e as ruas ainda tinham poucos visitantes. Depois de andar pelas muralhas e de contemplar as vistas, visitámos os espaços comerciais.

Muitas são as lojas dedicadas à ginjinha, tradicional da zona e agora, graças à influência do Festival Internacional de Chocolate, esta bebida é servida em copos ou pequenas chávenas de chocolate.

Óbidos, sem qualquer tradição chocolateira, graças à ideia genial deste festival ficou assim ligada a este ingrediente. Tem muito mais piada beber ginjinha num copo de chocolate, e pela clientela nas várias lojas, não fui só eu a achar ;) Quem quiser pode comprar conjuntos de copinhos ou de chávenas para servir em casa.

Para além da ginjinha em copo de chocolate, encontramos à venda, em várias lojas, garrafas de ginja com elas ou sem elas, ginja com chocolate e até café servido em copo de bolacha revestido a chocolate, que tive que provar, como imaginam.

O comércio da vila é também marcado pelas lojas de artesanato tradicional e contemporâneo, produtos regionais, bordados, mantas, doces e compotas, vinhos, entre outros produtos. Numa dessas lojas tive a possibilidade de ver o processo de fabrico da louça de verguinha, cerâmica tradicional da região.

Antes de seguir viagem, ainda parámos à entrada da vila e espreitámos as bancas com venda de tremoços, frutos secos e doces regionais. Entre os doces regionais vi as famosas Cavacas das Caldas, que já não como há anos e que quando era miúda adorava.

Parámos para almoçar nas Caldas da Rainha. A caminho do restaurante ainda passámos pelo mercado de frutas e legumes, na Praça da República. Favas, cebolas novas, couves, alfaces, abóboras, batatas, cenouras, frutas enchiam as bancas dos vendedores, criando a imagem de uma manta de retalhos colorida.

Quis voltar a um restaurante onde almocei há uns anos atrás e de que guardava boas memórias. Às vezes o melhor é não voltar, porque o que fica é sempre a última impressão e esta não foi nada favorável.

A última paragem antes de regressar a Lisboa foi em Alcobaça. Depois de um curto passeio pela cidade que incluiu a compra de doces regionais (pastéis de feijão e pastéis de amêndoa) e uma entrada rápida numa loja de chita, visitámos o Mosteiro de Alcobaça, outrora pertencente aos monges da Ordem de Cister e que guarda os túmulos de D. Pedro e de D. Inês.

O Mosteiro é uma obra notável. Andar por ali faz-nos recuar no tempo e pensar nas estórias maravilhosas que ali devem ter tido lugar. Os ingredientes inquietam-me a imaginação: monges, segredos, conspirações, amores, guerras ... Um dos espaços que não me deixou indiferente foi a cozinha ;), um espaço enorme. Penso na vida que aquela cozinha já teve, na azáfama que deixou marcas em cada uma daquelas pedras, nos tanques de água, nas fogueiras que cozinharam milhares de refeições. Que deliciosas iguarias dali devem ter saído!


terça-feira, 18 de maio de 2010

Almofadinhas de alheira

O jornal Expresso durante quatro semanas oferece aos seus leitores, no âmbito da colecção Boa Cama Boa Mesa, quatro livros do premiado chef José Avillez. O primeiro livro desta colecção é dedicado a entradas e refeições rápidas, o segundo aos peixes, o terceiro à carne e o último a sobremesas.

No domingo passado sentei-me no sofá e vi com alguma atenção os dois volumes da colecção que já saíram. Apercebi-me que as receitas são interessantes e quero testar algumas.

Uma das receitas que me chamou a atenção foi uma receita de empadinhas de alheira de caça. Inspirada na receita de José Avillez decidi fazer umas almofadinhas de alheira.


Ingredientes:
1 embalagem de massa folhada (400 g)
1 alheira
1 raminho de salsa
1 ovo

1. Estender a massa folhada. Cortar a massa em rectângulos.

2. Dar um corte na pele da alheira na longitudinal. De seguida colocar alheira numa frigideira e levar ao lume. Virar e assim que a pele estiver quase solta retirar.

3. Esmagar a alheira com um garfo e adicionar um raminho de salsa picada.

4. Distribuir a alheira pela massa.

5. Fechar as almofadinhas, pincelando com água os rebordos da massa. Com um garfo marcar as extremidades da massa.

6. Pincelar com o ovo batido e levar ao forno.

Servi estas almofadinhas de alheira com uma salada mista, com alface, tomate, cebola nova, couve roxa, algumas folhas de rúcula selvagem e azeitonas pretas.

Ficaram uma delícia. Estava com algum receio de a alheira com a massa folhada não resultar muito bem, poderia tornar-se enjoativo por causa da gordura, mas não, saiu muito bem. A massa folhada ficou estaladiça e fez um excelente contraste com o recheio.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Bacalhau salteado com grelos


Todos os anos gosto de ir à Feira do Livro de Lisboa e este ano não foi excepção. Só lá fui uma vez. Ainda tentei combinar com umas amigas, mas por um ou outro motivo acabámos por não combinar nada verdadeiramente. Mas até dia 23 Maio ainda vamos a tempo.

Este ano a minha ida foi a uma sexta-feira ao final da tarde e, não sei se foi pela vitória do Glorioso ou se pela vinda do Papa, o que é certo é que fui bastante comedida nas compras ;). A Rotas das Especiarias de John Keay foi a minha única aquisição. Mas a Feira do Livro vale também pelo espaço onde decorre, em pleno Parque Eduardo VII. Permite-nos dar um passeio no parque e, em dias de sol, as sombras das árvores convidam a uma paragem. Sabe muito bem estar ali, sentada na relva, a ler um livro ou apenas a saborear o momento. Para mim, a Feira do Livro cria este ambiente e o espaço convida à leitura.

Este ano gostei ainda mais do espaço da Feira do Livro. Para além das tradicionais farturas, cachorros, bifanas, gelados e doces regionais, este ano encontrei outros quiosques: um quiosque muito simpático com cupcakes, pão-de-ló de chocolate, entre outras iguarias, um outro dedicado à ginjinha de óbidos e outro ainda com gomas, chupa-chupas, etc.


Num dos livros que folheei na feira vi uma receita de bacalhau à Gomes de Sá. Desde esse dia que fiquei com vontade de fazer um prato de bacalhau. Um destes dias encontrei na revista TeleCulinária nº 1356 de Abril de 2005 esta receita a que não resisti.

Ingredientes:
3 postas de bacalhau
1 molhinho de grelos
600 g de batatinhas para cozer
2 cebolas
3 dentes de alho
1,5 dl de azeite
2 tomates
pimenta
2 ovos cozidos
azeitonas pretas


1. Cozer o bacalhau. Depois de cozido, escorrer e limpá-lo de peles e espinhas. Por fim, Lascá-lo

2. Cozer os grelos.

3. Cozer as batatas cortadas ao meio ou aos quartos.

4. Num tacho largo, levar ao lume o azeite com a cebola às rodelas, os alhos e, quando quentes juntar o tomate cortado em cubos, as batatas, os grelos e o bacalhau. Mexer.

5. Temperar com pimenta e rectificar o sal se necessário.

6. Servir decorado com ovos cozidos e azeitonas.

Este prato fica muito saboroso. A cebolada faz a diferença.


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Carne de porco assada com alecrim, coentros e cominhos

No fim-de-semana descongelei um pedaço de pá de porco com osso e resolvi assar a carne durante a tarde, lentamente no forno. Este é um daqueles assados para os dias em que temos tempo, no meu caso só é possível ao fim-de-semana. Para este assado inspirei-me nesta receita da BBC Good Food.


Ingredientes:
1,800 kg de pá de porco (usei com osso)
3 dentes de alho
1 colher de chá de pimenta preta em grão
1 colher de chá de coentros em grão + 1 colher de sopa
1 colher de sopa de sementes de cominhos
1 piripiri seco
1 raminho de alecrim
5 colheres de sopa de azeite

1. Numa frigideira antiaderente alourar a carne de todos os lados.

2. Esmagar os dentes de alho com o sal, a pimenta e a colher de chá de coentros em grão, num almofariz.

3. Adicionar o piripiri picado, as colheres de sopa de coentros em grão e de sementes de cominhos, e as folhas de alecrim fresco. Mexer bem e barrar a carne com esta mistura.

4. Regar com o azeite e levar ao forno, previamente aquecido, a assar lentamente durante três horas e meia. Durante a assadura ir virando a carne de vez em quando.

A carne fica muito agradável. A mistura de ervas e especiarias dão uma graça imensa a este assado.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Salmão em crosta de azeitona preta e amêndoa


Estou quase a terminar o livro de Michael Pollan, Em Defesa da Comida, editado entre nós pela D. Quixote. Num dos capítulos, o autor dá-nos alguns conselhos práticos para que consigamos separar a comida verdadeira "da avalanche de produtos parecidos com comida que agora nos rodeiam e enganam, especialmente nos supermercados". Eis então alguns dos seus conselhos:

- Não coma nada que a sua bisavó não reconhecesse como comida (alerta-nos para produtos alimentares altamente processados em que os seus ingredientes nada se parecem com comida, especialmente devido ao uso de aditivos químicos e dos derivados de milho e soja);

- Evite produtos alimentares que contenham ingredientes que sejam a) estranhos, b) impronunciáveis, c) mais do que cinco, ou d) que incluam xarope de milho com alto teor de frutose;

- Evite produtos alimentares que se auto-intitulam benéficos para a saúde;

- Faça as suas compras nas zonas periféricas do supermercado e mantenha-se longe do centro;

- Sempre que possível, mantenha-se fora do supermercado.

Os conselhos de Michael Pollan são interessantes e deixam-me a pensar, especialmente quando preparo alguma refeição. Penso nomeadamente na origem dos produtos que estou na altura a usar.


Ingredientes:
4 postas de salmão
sal
pimenta
1 limão (sumo e raspa de 1/2 limão)
1 cebola
3 colheres de sopa de azeite
pasta de azeitona preta
miolo de amêndoa laminado

1. Temperar os lombos de salmão com sal, pimenta, sumo e a raspa de limão. Deixar uns minutos a marinar.

2. Cortar a cebola em rodelas ou meias luas fininhas. Dispor a cebola num tabuleiro de forno.

3. Escorrer os lombos de salmão. Com ajuda de papel de cozinha secar um dos lados e barrar com a pasta de azeitona. Por cima espalhar amêndoa laminada. Regar com o azeite e levar ao forno (previamente aquecido a 180ºC durante cerca de 10 minutos).


A receita original da revista Saberes & Sabores de Maio de 2008, sugeria como acompanhamento migas de espargos, mas dado que tenho imensos espinafres verdinhos e tenros no quintal a pedirem que se lhe dê uso, resolvi acompanhar este prato com espinafres salteados com alho.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pudim de mel do Algarve

No final do programa Paladares ao Sul, organizado pela Associação Sotavento Algarvio, as participantes receberam um cabaz com produtos algarvios e o desafio de (re)criarem receitas da cozinha desta região, como já referi neste post. Do cabaz comecei pelos biscoitos de alfarroba, que desapareceram num instante, depois usei o piripíri com aguardente de medronho e, na receita de hoje vou usar o mel. A receita deste pudim de mel é do livro Dieta Mediterrânica Algarvia, que também nos foi oferecido durante o referido programa. Ingredientes: 12 ovos 500 g de açúcar 2 colheres de sopa de mel 1 colher de sopa de azeite raspa de 1 limão 1 colher de chá de canela manteiga para untar a forma 1. Bater os ingredientes todos juntos. 2. Deitar a mistura numa forma previamente untada com manteiga. 3. Levar ao forno a cozer em banho-maria (cerca de uma hora em forno médio). Este pudim fica intenso e bem doçinho. Na receita original aconselham a servir o pudim no recipiente onde é confeccionado, mas eu optei por desenformar.