segunda-feira, 27 de junho de 2011

51 dicas para fintar a crise na cozinha

Em tempos de crise fala-se muito mais de poupança do que noutras alturas. Por norma é assim. E quando se fala em poupar é em todas as áreas, nomeadamente na comida. Como é que podemos poupar na cozinha sem perder a qualidade da nossa alimentação?

Poupar na cozinha passa pelo rentabilizar e aproveitar os produtos que compramos, principalmente.

As 51 dicas que a seguir apresento, algumas das quais não são novidade, outras são retiradas da minha prática pessoal ou da minha família e espero que sejam uma ajuda a quem quer poupar na cozinha.

1. Cozinhar em casa - Cozinhar é uma forma de poupar e de comer de forma mais saudável. Mesmo as sobremesas. As coisas feitas por nós têm mais valor e normalmente são mais saudáveis. A comida feita em casa é uma forma de poder!

2. Aproveitar os produtos da estação. Como se sabe, na época os produtos chegam ao mercado em abundância, são mais saborosos e o preço baixa. Como diz Nigel Slater, quem é que quer comer melancia em Janeiro?! Mas como aproveitar os produtos da estação?

Rentabilizá-los em refeições: Há legumes muito versáteis que fazem refeições em conta, por exemplo a courgette. Pode ser usada em sopas, arrozes, pode ser recheada ou servir como acompanhamento. Pode-se numa época comer o mesmo legume de diversas maneiras. E as batatas? Tradicionalmente usamos as batatas em sopa, saladas e acompanhamento. Já experimentaram fazer delas um prato principal, por exemplo recheadas?

Congelar: Pode-se congelar tomate, abóbora, courgette, pimento, cebola, alho-francês, cenoura, etc. Ao congelar deverão cortar os legumes a pensar na forma como os irão usar. Que tal fazer molho de tomate e congelar em caixinhas pronto a usar?

Fazer compotas e/ou conservas são outras excelentes formas de rentabilizar a fruta da época.

Desidratar, pode ser também uma opção. Podem-se desidratar frutas e/ou legumes. 

3. Tomar o pequeno-almoço em casa. Uma torrada, um iogurte, uma peça de fruta e um café, em casa sai mais barato do que um galão e uma sandes numa pastelaria. Esta é a refeição mais importante do dia.

4. Levar o almoço para o trabalho pelo menos duas a três vezes por semana. Se conseguir, veja o dinheiro que poupa.

5. Levar, para o local de trabalho, os lanches (uma peça de fruta (a maçã é ideal), uma sandes, iogurte líquido, bolachas Maria - elementos práticos, que se ingerem rapidamente e não deixam cheiro, uma mão cheia de frutos secos, um copo de gelatina). Ao final do mês, vai notar a diferença.

6. Reservar partes de legumes, folhas, talos, cascas, etc, para fazer caldos.

7. Reservar por exemplo, as cabeças de peixe, ossos de porco, vaca ou galinha para fazer caldo, juntamente com alguns legumes e ervas aromáticas.

8. Aproveitar os caldos de cozedura (por exemplo o caldo de cozedura do bacalhau, camarão, legumes, carne ou peixe). Colocá-los em caixinhas com a indicação da quantidade ou usar sacos de gelo, para depois usar à medida em sopas ou arrozes.

9. Ervas aromáticas - colocar em vasinhos as suas ervas aromáticas preferidas e ir usando. Acontece que compramos um raminho, usamos pouco e quando nos apercebemos já se estragaram. As ervas aromáticas também poderão ser congeladas. Se for em grande quantidade poderão fazer piso ou pesto. Costumo guardar as ervas frescas num copo com água no frigorífico, tapadas com um saco de plástico.

10. Congelar as claras de ovo. Quando fazemos uma receita que exige gemas, não temos que obrigatoriamente dar logo uso às claras. Estas podem ser congeladas e usadas mais tarde em sobremesas, omeletas ou até mesmo acrescentar num bacalhau à Brás. Indicar no recipiente o número de claras que contém.

11. Limão. Quando se usa a raspa de limão poderão congelar o sumo em couvetes e depois usar, por exemplo em limonadas. A raspa também poderá ser congelada.

12. Congelar o resto das natas que não se usaram. Se forem para o frigorífico o mais certo é estragarem-se.

13. Nas compras comparar preços. Não ir só a uma superfície. Se variar, vai perceber que há produtos mais baratos numa superfície comercial do que noutra. Visitar regularmente os mercados de frutas e legumes da zona.

14. Comprar os produtos a granel. Embalados são geralmente mais caros, para além de trazermos uma quantidade de embalagens desnecessariamente. O valor do IVA é mais alto para produtos processados.

15. Fazer compras por exemplo uma vez por semana com uma lista. A lista ajuda a que haja mais controlo no que é realmente necessário.

16. Preparar as ementas da semana a partir de promoções ou dos produtos da estação. Só comprar o que vai realmente cozinhar.

17. Preparar menus económicos.

18. Escolher produtos de marca própria, que são mais baratos e geralmente, de boa qualidade.

19. Congelar a comida em recipientes de vidro que depois possam ir ao forno, sem sujar mais loiça.

20. Ter atenção ao preço por quilo. As embalagens maiores nem sempre são as mais baratas.

21. Aproveitar as promoções e os cupões de descontos que valham mesmo a pena.

22. Não ir às compras com fome ou com as crianças. (Quando vou com fome não resisto a trazer um saquinho de pães com chouriço e sumo, para comer pelo caminho!)

23. Lavar as suas próprias saladas e reaproveitar a água, para regar plantas, por exemplo, ou as ervas aromáticas. As saladas embaladas e pré-lavadas ficam mais caras. Fazer o investimento num centrifugador de legumes, pode ser uma execelente forma de poupar a longo prazo.

24. Moderar o consumo de carne e de peixe.

25. Usar as leguminosas (grão, feijão, lentilhas). São uma excelente alternativa às proteínas animais.

26. Comer sopa. Sempre! As sopas são uma excelente maneira de iniciar a refeição ou poderão constituir só por si uma refeição.

27. Aproveitar o molho de um assado ou de um guisado e usar por exemplo na confeção de um arroz.

28. Usar o pedaço de queijo seco que ficou esquecido no frigorífico para aromatizar uma sopa. Assim, como o osso do presunto. Quando vejo que não vou gastar um queijo em tempo útil, ralo-o, coloco num saco e congelo.

29. Aproveitar o pão duro para fazer pão ralado, açordas, pudins ou até mesmo rabanadas.

30. Fazer regularmente uma inspeção à despensa. Não deixar que os produtos cheguem ao fim da validade.

31. Reaproveitar sobras. Sobrou frango assado ao almoço, fazer ao jantar uma frittata. Se sobraram legumes cozidos, que tal salteá-los em azeite, alho e ervas aromáticas? Até peixe grelhado poderá ir para uma salada.

32. Utilizar a fruta madura. As bananas muito maduras poderão ser usadas em bolos, gelados ou sumos. As peras e as maçãs podem usar usadas em tartes ou em puré como acompanhamento. Compotas são sempre uma alternativa. A fruta pode ser também congelada e depois, usar, por exemplo em sumos ou batidos.

33. Ter atenção ao tipo de carne que se compra. As costeletas do cachaço de porco são por norma mais baratas que as do lombo. A pá de porco é mais barata que a perna.

34. Comprar carne em quantidade fica mais barato. Se tiver uma arca congeladora poderá comprar 1/4 de porco ou 1/2. O mesmo se diz do borrego. Dividir é uma opção. Fale com um familiar ou amigo. Esta prática caiu em desuso, mas já foi muito comum em tempos idos.

35. Comprar um peixe inteiro fica mais barato do que comprar às postas.

36. O peixe congelado pode ser uma alternativa mais barata ao peixe fresco e igualmente bom.

37. Há peixes que caíram em desuso, exemplo carapaus, e fazem óptimas refeições. Usar a imaginação ou fazer uma pesquisa em blogues de cozinha.

38. Desligar o fogão uns minutos antes de terminar de cozinhar algo. Deixar o recipiente fechado que acaba de cozinhar. A tampa ajuda a reduzir o tempo de cozedura.

39. Adeqúe o recipiente ao bico. Não coloque um tacho pequeno no bico grande. Parte da energia perde-se.

40. Demolhar o seu próprio bacalhau. Comprar bacalhau demolhado congelado é muito prático, mas fica mais caro.

41. Uma vez por outra procurar cozinhar com o que se tem em casa. Temos sempre mais coisas do que pensamos. Vai ver que saem excelentes refeições.

42. Para reaquecer a comida dê preferência ao micro-ondas.

43. Aos domingos fazer um almoço tardio e servir ao jantar uma sopa ou salada, algo mais leve.

44. Ao jantar procurar fazer refeições com menos hidratos de carbono e proteínas animais.

45. Sobrou um resto de vinho, no frigorífico oxida e depois já ninguém quer beber. Congelar e usar em assados, guisados ou arrozes.

46. Cozer leguminosas em quantidade. Reservar em embalagens e congelar à medida do que se pretende.

47. Valorize nas suas refeições alguns produtos económicos: massas, arroz, cenouras, batatas, frango, algumas conservas, leguminosas, ovos, bananas, maçãs e peras.

48. O almoço de domingo foi cozido à Portuguesa. O que fazer com o que sobrou? Com o resto dos legumes e enchidos fazer uma sopa. Adicionar massa e um raminho de hortelã. Com a carne magra, picar e fazer croquetes. Fazer uma bôla com os restos do cozido, pode ser uma excelente forma de aproveitar as carnes que sobraram.

49. Descongelar ao natural. Sem água e sem o uso do micro-ondas.

50. Abrir o frigorífico ou o congelador o menos possível. De uma só vez retirar o que se precisa. Quando mais vezes se abrir, mas tempo demora até atingir a temperatura ideal.

51. Fazer pão em casa sem o recurso a farinhas pré-preparadas.


Podemos ainda aumentar a lista. Quais as vossas dicas?!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Salada de bacon com queijo feta e tomate


Há dias em que me apetecem refeições rápidas, especialmente quando tenho pouco tempo ou chego cansada a casa e não me apetece estar na cozinha. Cozinhar sem vontade, normalmente não me traz bons resultados. Por isso opto sempre por algo que não haja margem para falhar e fique saboroso. Na passada terça-feira foi um desses dias. Abri o frigorífico vi o que tinha disponível e fiz esta salada.


Ingredientes:
folhas de espinafres
agrião para salada
100g de bacon cortado em tirinhas
queijo feta
tomate cereja
azeitonas pretas
azeite e vinagre q.b.


1. Numa frigideira anti-aderente saltear o bacon.

2. Num prato dispor as folhas de espinafre e de agrião. Por cima colocar o tomate cortado ao meio, as azeitonas, o bacon e o queijo feta desfeito com a mão.

3. Temperar com pimenta, azeite e vinagre a gosto. Servir.


Na salada não coloquei sal, pois o bacon e as azeitonas para mim já têm sal suficiente.

Para dias em que se pretende algo rápido, esta salada é uma excelente opção. Os espinafres e os agriões poderão ser substituídos por outros verdes a gosto.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Voltar a Sevilha


Calor. Apanhei imenso calor. Ao pôr-do-sol, na Andaluzia estavam por volta dos trinta graus centígrados! Mesmo com calor foi bom voltar a Sevilha, agora sem o peso da tradição pascal e a funcionar em pleno. Visitar uma cidade em festa, não nos permite perceber como é que respira, como é o seu pulsar. Agora sim, teria essa oportunidade.

Sevilha é uma cidade com ritmo, com gente, com história e boa comida. Gosto das várias esplanadas que encontramos pela cidade. As esplanadas são reveladoras de como os habitantes se relacionam com o chamado "viver a cidade". A meio da tarde, o calor exige a sombra de uma esplanada, algumas borrifadas com pequenos jactos de gotículas de água que ajudam a refrescar. Sentados na esplanada, o calor pede como uma fera faminta a frescura de uma bebida. Eu não me contentava só com uma. Primeiro optava por uma água com limão e depois por um copo de limonada, que naquele calor, para quem não está habituado, sabiam como água no deserto.


Em Sevilha almoça-se e janta-se tarde, comparativamente com os nossos horários e por isso, os sevilhanos passam muito tempo na rua. Isto sem esquecer a sua hora da siesta, feita normalmente entre as 14h e as 17h00, onde tudo fecha, à exceção de bares, restaurantes e algumas lojas de cadeias internacionais.

Sevilha tem imenso comércio. Lojas e mais lojas, de muitas marcas que por cá e por quase todas as grandes cidades encontramos facilmente. O desafio é procurar e encontrar alguma que seja um pouco diferente. Por isso num dos passeios pelas ruas da cidade voltei a uma lojinha deliciosa de bolinhos e chocolates - La Cure Gourmande - que por cá ainda não vi! As lojas de regalitos estão por todo o lado, anunciadas com referências às Sevilhanas, especialmente aos seus fatos com folhos e bolinhas, os abanicos e as t-shirts com alusões à festa dos touros. Nesta visita, voltei também à Praça de Espanha, onde as andorinhas se fizeram notar, ora cruzando o céu azul, ora chilreando intensamente de uma felicidade quase louca, ao Real Alcazar e tinha intenções de visitar a Catedral, mas encontrava-se encerrada temporariamente. Mais um pretexto para voltar a Sevilha! ;)

Em Sevilha há passeios de charrette. Por várias vezes parei para ver os cavalos com o seu pêlo luzidio. São mesmo bonitos! Ali parados, juntos, entre a Catedral e o Real Alcazar, ou junto à Praça de Espanha, com as charrettes cuidadas, com as rodas pintadas de preto e amarelo, dão um ar ainda mais interessante à cidade.


No sábado foi dia de casamentos em Sevilha. Encontrámos pelos menos cinco. Entre eles, houve uma noiva que me chamou a atenção. O que me prendeu o olhar não foi o vestido, nem o ramo e nem mesmo o véu. De aliança no dedo, sentada junto à berma de uma praça, foi a sua expressão que me fez querer registar a sua imagem. Pelo olhar, pelo rosto não vi indicações de que estivesse a sonhar com o doce encanto da noite de núpcias. E o noivo? Onde estaria? Ali sentada, acendeu um cigarro e bafurada atrás de bafurada, revelou que os seus pensamentos estariam longe daquela praça, longe do encanto de ser princesa por um dia. Em que estaria a pensar esta noiva de olhar caído?


Mas nem só de compras e passeios vive uma pessoa, é importante também escolher os locais para comer. No primeiro dia, optei pela simpática sugestão do Join Nets e fui almoçar ao restaurante Eslava. Quando lá chegámos, estava cheio. Cheio, a abarrotar, como costumamos dizer. Nem ao balcão tínhamos um espacinho. Já eram quase três da tarde e tivemos que esperar por uma mesa isto entre umas canhas, uns pires de tremoços com azeitonas e o barulho cantado dos castelhanos que nos rodeavam.

Mas quando é um bom restaurante a espera vale a pena. Eu antes mesmo de me sentar, dizia que dali já não saía sem comer um apetitoso ovinho sobre um bolo de boletos e vinho caramelizado, que estava constantemente a ser servido. Quando vou a um restaurante gosto de ver o que as outras pessoas pedem, gosto de ver o aspecto dos pratos e aquele ovinho simpático e amoroso não me saía da cabeça. Dito e feito. Foi a primeira tapa que pedi. Eu, o Ricardo e os amigos que nos acompanharam nesta viagem.


Os nuestros hermanos quando se trata de mesa, têm por hábito compartilhar. Um prato, que pode ser uma tapa ou uma ración, vários garfos e assim, acompanhados de uma canha ou um copo de vinho vão comendo, falando alto, rindo. E imbuídos deste espírito de partilha, pedimos para a mesa gaspacho, salmorejo, espetada de carne de boi sobre molho de mel, vieiras sobre creme de algas, peito de pato com pão de queijo e marmelada de laranja. Partilhámos ainda uma tarte de chocolate com essência de laranja e um gelado de torrón com chocolate quente. Depois deste repasto magnífico só apetecia procurar a sombra de uma laranjeira e dormir a sesta! Mas em vez disso, mergulhámos nas ruas estreitas e frescas do bairro de Santa Cruz, a judiaria de Sevilha.


Outra das nossas refeições memoráveis foi no restaurante Robles Placentines. Aqui refastelámo-nos com tortitas de choco fritas, ovos revueltos da matanza, queijo brie frito com creme de framboesa, rollitos robles com mostarda fresca, salada de lagostins, espinafres com grão e delícias de ibérico que estava, nem vos digo! A carne simplesmente maravilhosa, desfazia-se ao mais leve toque do garfo.


Antes de sairmos de Sevilha ainda jantámos no restaurante Taberna Azafrán, perto do hotel onde ficámos e estava cheio. A opção foi tapas e como os sevilhanos fazem tapas de tudo, foi mais uma vez uma excelente oportunidade para provar vários pratos. Aqui pedimos calamares recheados com ovas, polvo ao pimentão La Vera, almôndegas de choco na sua tinta, ventresca de atum ao brandy, bife de porco com bacon e molho diabla, alcachofras recheadas com presunto e ovo, salmão com picadinho de alcaparras, salada de gambas e rolitos de beringela e queijo. Depois do jantar foi obrigatório darmos uma voltinha ao quarteirão!


Nesta visita houve a promessa de visitar o terraço do hotel EME, que se destaca, perto da catedral, por um certo encanto exótico e uma atmosfera luxuosa. Mas o cansaço do final do dia, não nos permitiu fazer jus à nossa vontade. Bem, lá terá de ficar para a próxima!

Nesta visita a Sevilha não descobri nenhum mercado de frutas e legumes, não vi nenhuma tourada. No entanto, fiquei ainda mais enamorada pela cidade do pintor de Las Meninas, das elegantes Carmencitas e dos aspirantes a Don Juan.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O que leva afinal, na cesta, o Capuchinho Vermelho?


A jovem alta, morena do 3º C, de cintura fina, era conhecida como a menina do Capuchinho Vermelho. Apesar de já ter deixado de andar de tranças e de saias rodadas com folhos, como tanto gostava a sua mãe de a vestir, o que é certo é que continuava a ser conhecida no bairro como a menina do Capuchinho Vermelho. Aquele casaco com capuz, feito pela sua querida avó que ganhava a vida a costurar para fora, era usado nos dias de inverno frios, chuvosos, em que ia para a escola ao fundo da rua. Gostava tanto do seu casaquinho, que em certos dia de verão chegou a ser vista com ele.

A menina do Capuchinho Vermelho vivia em casa dos pais e não gostava de cozinhar. Não gostava de andar entre tachos e panelas, nem entre assados no forno, cozidos ou grelhados. Tinha mais em que pensar, argumentava ela.

A sua mãe desgostosa gostaria que a filha aprendesse e ela nada. A cozinha, dizia ela, é como um lobo mau escondido numa floresta, com olhos e orelhas grandes, e com uma boca ainda maior pronta para me comer. A mãe, preocupada questionava-se onde é que ela ia buscar aquelas ideias. De certeza que só poderiam vir dos livros que lia a toda a hora. Como qualquer adolescente, a Capuchinho Vermelho preferia visitar a sua página no Facebook. Andar de bicicleta. Ir às compras. Namorar com o vizinho do prédio do lado.

Os anos passaram-se e um dia chegou a notícia que a sua avozinha, que vivia no outro lado da cidade estava doente. A menina do Capuchinho Vermelho para ajudar a sua querida avó, decidiu que lhe levaria todos os dias um lanche. Mas para isso era preciso aprender a cozinhar! E assim fez. Falou com as vizinhas, viu programas na televisão, pesquisou na Internet e pediu ajuda à mãe, que se sentia muito feliz com esta mudança da filha. Capuchinho Vermelho aventurou-se na enorme floresta que lhe parecia a cozinha e conseguiu enfrentar o lobo mau que via em cada apetrecho. Para ajudar a sua avozinha aprendeu a fazer sopas, bolos, doces, sumos e pataniscas. Ah! As pataniscas de camarão, eram um dos petiscos preferidos da sua avó.

Pataniscas de camarão


Ingredientes:
550g de camarão com casca
3 ovos
175g de farinha de trigo
1 colher de café de fermento em pó
1 cebola picada
1 dente de alho picado
1dl de caldo de camarão
1 colher de sopa de azeite
2 colheres de sopa de leite
1 raminho de salsa picada
óleo para fritar
sal q.b.
pimenta q.b.


1. Descascar o camarão. Cozer as cabeças e triturar. Coar o caldo. Deixar arrefecer.

2. Numa tigela misturar a farinha, o azeite, sal, pimenta e os ovos. Mexer com uma vara de arames e a pouco e pouco adicionar o caldo de camarão e por fim, o leite. Mexer bem.

3. Incorporar na massa a cebola, a salsa e por fim o camarão cortado em pedaços.

4. Tapar o fundo de uma frigideira com óleo. Quando estiver quente, fritar às colheradas, deixando alourar as pataniscas dos dois lados.

5. Ao tirar as pataniscas da frigideira, deixar escorrer e colocar sobre papel absorvente.

O caldo que sobrou da cozedura das cabeças de camarão pode ser congelado e usado, por exemplo, na confecção de um arroz de peixe ou de marisco. Se verificarem ao fritar que a massa das pataniscas está muito líquida deverão acrescentar um pouco de farinha.


A avó não podia, diziam os médicos, mas uma vez por outra a menina do Capuchinho Vermelho colocava na sua cesta, para acompanhar as pataniscas, uma garrafinha de vinho, de preferência tinto - dizia a avozinha! ;)

Esta história responde ao desafio que a Bélinha Gulosa colocou para festejar o quarto aniversário do seu blogue.

Bélinha, muitos parabéns!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Uma ideia, duas saladas


Um destes dias para continuar a usar a produção do magnífico Reino das Courgettes, resolvi fazer uma salada do livro Vegetables from an Italian Garden: Season-by-season recipes, que comprei recentemente e do qual me apetece fazer todas as receitas. Adoro comprar livros a pensar que vou fazer imensas receitas a partir deles, que os vou usar convenientemente!

Acontece também às vezes comprar livros que depois acabam por morrer nas estantes, à espera de serem ressuscitados através de uma receita, de uma inspiração. Podemos ter muitos, mas acabamos por consultar sempre aqueles de que gostamos mais, que se revelam mais úteis.

Adoro comprar livros, de ler livros, de quase respirar livros mas cada vez mais procuro ser exigente nas minhas aquisições. O Vegetables from an Italian Garden foi sem dúvida uma boa compra.


Ingredientes:
2 courgettes pequenas
300g de feijão branco cozido
200g de camarão cozido sem a casca
5 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de sumo de limão
1 colher de sopa de vinagre de vinho branco
1 mão cheia de azeitonas pretas
sal e pimenta q.b.


1. Escaldar as courgettes em água a ferver durante 5 a 7 minutos.

2. Cortar as courgettes às rodelas.

3. Colocar numa taça as courgettes, o feijão, o camarão e as azeitonas.

4. Temperar com sal e pimenta a gosto. Regar com o azeite e com o vinagre misturado com o sumo de limão.


Depois de fazer esta salada e como ainda tinha courgettes, resolvi fazer uma nova versão. Substitui o feijão por grão cozido, o camarão por queijo feta cortado em pequenos cubos. Uma mudança de ingredientes e eis que surge uma nova salada!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Bolo de café do Mississipi para a Ana


Desde que li o livro Os Vários Sabores da Vida de Anthony Capella que só penso em fazer sobremesas de café. O livro, a que voltarei uma outra vez, não nos fala de sobremesas mas de café, do negócio do café, de um romance, de um jovem que queria ser escritor e que se vê envolvido num compromisso que o leva a África e ao Brasil, e a descobrir o amor. O livro captou-me a atenção pelos vários aromas do café. Eu, que adoro café, fiquei impelida a fazer receitas com café, principalmente sobremesas. A este tipo de livros eu costumo classificar como perigosos, não pelo conteúdo em si, mas pelo facto de me seduzirem a cozinhar! :)

Quando vi que a Ana desafiava os seus leitores a festejar o seu aniversário com um bolo, soube logo que me iria associar à festa com um bolo de café. A receita é do livro As Melhores Receitas com Café, Edições Asa.


Ingredientes:
225g de farinha com fermento
300ml de café forte, quente
50ml de brandy
150g de chocolate para cozinhar
225g de manteiga partida aos pedaços
225g de açúcar
2 ovos
1 1/2 colher de chá de essência de baunilha
1 pitada de sal
cacau em pó para polvilhar
margarina ou spray para untar a forma
natas batidas ou gelado para acompanhamento


1. Pré-aquecer o forno a 140ºC.

2. Peneirar a farinha para uma taça. Adicionar o sal.

3. Aquecer o café, o brandy, o chocolate e a manteiga em banho-maria. Mexer até estarem ligados. Deitar esta mistura numa taça grande. Adicionar aos poucos o açúcar e bater até estar completamente dissolvido.

4. Juntar a farinha, misturando muito bem, depois os ovos um a um, e por fim a essência de baunilha. Bater até estar tudo bem ligado.

5. Deitar o preparado num forma previamente untada com margarina e polvilhada com cacau. Levar ao forno a cozer durante aproximadamente 65 minutos ou até que um palito inserido no bolo saia seco.

6. Deixar arrefecer na forma durante 15 minutos. Desenformar e depois de frio, polvilhar com cacau em pó.

7. Servir acompanhado de natas batidas ou gelado.


Este bolo fica compacto, intenso, húmido, com um agradável sabor a café.

Espero que este bolo tenha ajudado a tornar mais doce e mais especial a comemoração do aniversário da Ana.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Salada de bacalhau com laranja à andaluza


Quando viajo faço-me sempre acompanhar de um livrinho preto, como na brincadeira costumo dizer. Um livrinho preto? - dito assim até parece algo estranho, mas não é. É simplesmente um moleskine onde gosto de apontar o que como, onde e algumas impressões da viagem. Mesmo quando por cá vou aos restaurantes, acompanha-me sempre!

Na minha última viagem, que foi na Páscoa à Andaluzia, comi pela primeira vez uma salada de bacalhau com laranja, em Ronda, uma cidade cheia de romantismo. O que me surpreendeu foi a laranja. Curioso juntar laranja a uma salada de bacalhau. Mas não é que fica bom, muito bom até. Não acreditam? Então experimentem e digam-me de vossa justiça.


Ingredientes:
650g de batatas cortadas em quadrados cozidas
2 postas de bacalhau cozidas e desfiadas
4 ovos cozidos
3 dentes de alho
2 cebolas
1,5dl de azeite
2 laranjas
1 raminho de salsa ou coentros picados
azeitonas pretas (facultativo)


1. Numa frigideira colocar o azeite. Levar ao lume e adicionar a cebola e o alho. Deixar frigir até a cebola quebrar.

2. Colocar as batatas, o bacalhau e os ovos cozidos cortados numa taça.

3. Quando o refogado de cebola estiver pronto, retirar do lume e regar com ele, depois de deixar arrefecer um pouco, a mistura de batata. Mexer. Temperar com sal e pimenta a gosto.

4. Adicionar as azeitonas, um raminho de salsa ou de coentros picados. Juntar as laranjas, previamente descascadas e cortadas.

A salada que comi em Ronda não tinha azeitonas, mas eu como adoro, achei que não ficava nada mal!

Daqui a umas horas parto novamente em viagem para a Andaluzia. Passarei por Sevilha com destino a Granada. Estou com imensas expectativas em relação a Granada. Alguma sugestão? Restaurantes? Locais a não perder? Depois conto-vos a minha viagem.

Bons feriados!