terça-feira, 22 de abril de 2014

2 workshops no espaço WORK IT no Porto


No sábado, dia 3 de Maio de 2014, regresso ao Porto para dois workshops no espaço WORK IT. Um de manhã, dedicado a Receitas Económicas para Lanches e Piqueniques onde iremos preparar mais de uma dezena de receitas práticas e muito saborosas de comida pronta a levar para uma refeição ao ar livre.


No workshop da tarde iremos confeccionar Entradas e Aperitivos para Dias Felizes, repleto de receitas originais para festas ou outros momentos felizes. Muito práticas mas que irão surpreender. Em ambos as sessões irei dar dicas úteis para quem gosta de cozinhar. No final de cada workshop, haverá degustação de todos os pratos realizados.

Escolham o vosso preferido e inscrevam-se!


Para mais informações:
workit@sott.pt   91 700 1802   espaço WORK IT

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Panquecas de batata com ovo escalfado e espargos grelhados


Gosto de batatas. Em casa dos meus pais, ainda hoje, não podem faltar batatas. Ora se faz sopa, ou se assam no forno, ora vão para o tacho com carne ou bacalhau, e fritas, são simplesmente viciantes. Na apanha da batata, acompanhei muitas vezes os meus pais ou o Avelino - um antigo empregado da casa, que nos adoptou e hoje tem um lugar na família. Quando falo com a minha mãe por telefone, para além de perguntar pelos avós que ainda me restam, gosto também de saber como vai o Avelino. O Avelino que sempre que vou a Santarém me escolhe os ovos frescos e nunca se esquece de me apanhar um raminho de hortelã, que sabe que eu adoro. É ele que quando chegam as batatas novas da terra, as lava e as deixa a secar para eu escolher as que quero trazer. Pequenos mimos impagáveis!

Hoje deixo-vos uma receita, que desenvolvi para a rubrica Batatas com Sabor. Esta sugestão tanto pode ser para uma refeição ligeira ou para um pequeno-almoço tardio.

Panquecas de batata com ovo escalfado e espargos grelhados

Ingredientes para 4 pessoas:
650 g de batatas para puré
1 ovo grande
125 g de farinha com fermento
30 ml de leite
10 g de salsa picada
300 g de espargos
1 a 2 ovos por pessoa para escalfar
6 colheres de sopa de maionese
2 colheres de sopa de mostarda em grão à antiga
1 dl de óleo de amendoim
Sal e pimenta-preta q.b.
Farinha para polvilhar q.b.


1. Descascar e cortar as batatas em pedaços. Levar ao lume num tacho com água.

2. Depois das batatas cozidas, escorrer e com a ajuda de um passe-vite reduzir a puré. Reservar.

3. Numa taça colocar, a farinha, o ovo, o leite e a salsa picada.

4. Adicionar o puré e envolver muito bem.

5. Com um pouco de farinha nas mãos, moldar pequenas bolinhas com a massa. De seguida espalmar as bolas com as palmas das mãos. Repetir a operação até terminar a massa.

6. Levar 0,5dl de óleo numa frigideira ao lume. Quando estiver quente, adicionar as panquecas e deixar fritar de ambos os lados.

7. Quando necessário, adicionar o restante óleo.

8. À medida que se retiram as panquecas da frigideira, colocá-las num recipiente com papel absorvente, para ficarem bem secas.

9. Arranjar e grelhar os espargos.

10. Levar uma panela com água ao lume. Quando ferver, adicionar uma colher de sopa de vinagre de vinho branco. Com a ajuda de uma colher, fazer um vórtice na água. Baixar o lume para o mínimo, e adicionar os ovos um a um, previamente partidos. Assim, que a gema estiver com a consistência desejada, retirar os ovos com uma escumadeira.

11. Numa taça misturar 6 colheres de sopa de maionese com duas colheres de sopa de mostarda.

12. Servir as panquecas com o ovo escalfado, os espargos grelhados e o molho de maionese e mostarda.

Pão doce enrolado com canela


A Páscoa, tal como o Natal, é uma época de juntar a família à volta da mesa. O borrego, o cabrito são carnes muito consumidas nesta altura do ano. Quanto aos doces, variam de região para região, destacando-se os folares e os pães doces. Este ano, preparei um destes pães doces para oferecer a uma parte da família, e outro para o almoço de Páscoa com os meus pais, em Santarém.

Pão doce enrolado
(receita adaptada da revista Saberes & Sabores nº 211)

Ingredientes:
400 g de farinha de trigo
120 g de açúcar demerara
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de canela em pó
6 g de levedura seca de padeiro
2 dl de leite
85 g de manteiga sem sal
70 g de amêndoa granulada ou nozes picadas


1. Misturar a farinha com o sal, 50g de açúcar demerara, a canela e o fermento de padeiro.

2. Aquecer o leite sem deixar ferver. Adicionar 50g de manteiga.

3. Abrir uma cavidade no meio da farinha. Deitar aí o leite morno com a manteiga. Amassar muito bem.

4. Formar uma bola com a massa e polvilhar com um pouco de farinha. Tapar o recipiente e deixar levedar durante 2 horas.

5. Estender a massa numa superfície polvilhada com farinha de modo a obter um rectângulo.

6. Pincelar a massa com a restante manteiga previamente derretida.

7. Polvilhar com 70g de açúcar demerara e a amêndoa granulada.

8. Enrolar como se fosse uma torta e colocar num tabuleiro forrado com papel vegetal.

9. Tapar com um pano e deixar a levedar durante mais 2 horas.

10. Pincelar a superfície do pão com leite e polvilhar com um pouco de açúcar demerara.

11. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 30 minutos.

Caso queiram reduzir o tempo de fermentação da massa, aumentem a quantidade de levedura seca de 6 para 11g. 

domingo, 20 de abril de 2014

Folar de maçã e votos de uma Páscoa Feliz


O que gosto nestas épocas festivas são os encontros de família. Na minha casa, ou melhor na casa dos meus pais, a Páscoa sempre foi motivo de festa. Visitam-se familiares. Trocam-se amêndoas. A mesa enche-se de coisas boas, o cabrito ou o borrego são as carnes de eleição. Conversa-se durante toda a tarde. E para completar a mesa, este ano decidi fazer um folar de maçã.

Folar de Maçã
(receita adaptada da revista Doces Momentos nº 46 de Março de 2014)

Ingredientes:
600 g de farinha
255 g de manteiga sem sal
150 g de açúcar amarelo
100 g de amêndoa granulada
450 g de maçã
3 ovos
1,5 dl de leite
1 saqueta (4,6g) de fermento seco de padeiro
1 colher de sopa de açúcar em pó
1 pitada de sal
Sumo de 1 limão
2 colheres de sopa de mel.


1. Aquecer o leite sem deixar ferver. Retirar do lume e adicionar 175 g de manteiga.

2. Dissolver o fermento na mistura morna de leite e manteiga.

3. Colocar numa taça a farinha, a colher de sopa de açúcar e o sal.

4. Bater os ovos.

5. Juntar os ovos batidos e a mistura de leite e manteiga à farinha. Amassar até a massa ficar homogénea.

6. Tapar a taça com um pano de deixar a levedar durante duas horas, em local reservado.

7. Depois de lêveda, estender a massa, em forma de rectângulo, numa superfície polvilhada com farinha.

8. Derreter 80 g de manteiga. Pincelar a massa com a manteiga derretida. Polvilhar com 150g de açúcar amarelo, um pouco de canela em pó e a amêndoa.

9. Descascar as maçãs. À medida que se descascam regar com o sumo de limão.

10. Cortar as maçãs em pequenos cubos.

11. Colocar as maçãs cortadas em cima da amêndoa.

12. Enrolar a massa de modo a obter um rolo.

13. Cortar o rolo de massa em 14 fatias grossas.

14. Dispor as rodelas numa forma redonda, de 26 cm, untada com manteiga. Tapar a forma e deixar levedar durante 30 minutos.

15. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 50 minutos.

16. Depois de cozido, desenformar ainda quente. Pincelar a superfície com mel, se necessário aquecer um pouco o mel.


A todos, votos de uma Páscoa muito feliz!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Um almoço com vista para o Tejo


Um destes dias de início de Primavera fui almoçar, a convite da SANA Hotels, ao restaurante River Lounge do hotel Myriad by SANA Hotels. O dia estava bonito. Soube bem fazer o percurso a pé, do carro ao restaurante, olhar para o céu azul e sentir o perfume das flores que pairava no ar.

A primeira coisa que me chamou a atenção assim que entrei na sala foi a vista. O restaurante tem uma localização que nos permite ter uma um olhar inspirador para o Tejo e para a ponte Vasco da Gama. Sentada, com o Tejo ao lado, soube mesmo bem. Há dias em que estes momentos são mágicos, ajudam-nos a recuperar a tranquilidade que o reboliço do trabalho nos vai roubando.

Enquanto apreciava a vista, fui provando os diferentes pães que chegaram à mesa. Gosto de pão. Adoro provar pães com sabores diferentes e por isso, assim que chegam à mesa, não resisto.


Para entretém de boca foram servidos dois pratos. Vieira marinada, com variações de beterraba, espuma de maçã e legumes crocantes. Um prato fresco com texturas muito agradáveis. Um dos meus preferidos deste almoço.


Magret fumado com foie gras salteado, chutney de toranja e pão de especiarias, foi o segundo prato servido. O sabor da toranja sobressaía de forma intensa e agradável. O vinho servido foi um Sauvignon Blanc - Mar da Palha de 2012, com um aroma delicado, a combinar com as entradas que tinham sabores com personalidade vincada. Na boca, sobressaíam notas tropicais e uma leve acidez.


Salmonete salteado com compota de funcho, crumble de azeitonas e batata com açafrão foi a entrada deste almoço em boa companhia. O prato foi servido com molho de fígado de salmonete e tomate, o que enriqueceu de forma grandiosa todo o prato. O vinho servido foi Vallado Moscatel Galego de 2012, um vinho delicado, com notas florais e um final de boca fresco.


O prato de carne foi porco preto com cannelloni recheados com morchella e ervilhas e a acompanhar, puré de cebola e bacon. Muito saboroso e o recheio dos cannelloni uma verdadeira surpresa. Este foi um prato rico em texturas e sabores. A acompanhar um vinho tinto, Passadouro de 2012, com aromas a café, fruta madura e notas a flores secas que combinou de forma feliz com a carne de porco.


A sobremesa, intitulada Degustação de Primavera, foi servida pelo próprio chef pasteleiro, Anderson Miotto, que nos surpreendeu com uma sobremesa, ou melhor, três sobremesas de fazer crescer água na boca - tarte tatin de ananás, verrine de chocolate e morango e suspiro recheado. Foi o finalizar de uma refeição de forma muito doce. O vinho servido foi um Porto Graham's LBV de 2008 com notas de frutos silvestres.


Depois do café e dos mignardises, o chef Frederic Breitenbucher fez questão de nos vir cumprimentar e falar um pouco da sua cozinha. Uma cozinha que não esquece as influências da região que o viu nascer, Alsácia (França), e que valoriza os produtos e a sua sazonalidade.



Outros olhares sobre a nova carta do River Lounge:
- Tour Gatronómica SANA Hotels #3 - River Lounge por Raquel Lacerda e João Antunes;
- A Primavera de Frederic Breitenbucher no RIVER LOUNGE do Myriad por Raul Lufinha;
- A Nova Ementa Primavera / Verão no Restaurante River Lounge do MYRIAD by SANA HOTELS por Carlos Janeiro;
- River Lounge do Myriad Sana por Jorge Nunes.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Brigadeiro de colher ou colheradas de pura tentação!


As ideias para fazermos uma receita surgem, no meu caso, principalmente das experiências que vou tendo. Um destes dias fui com a minha cunhada Cristina a um outlet em Odivelas. Ela e eu adoramos estes momentos. Entramos nas lojas, escolhemos, experimentamos e acabamos por comprar sempre coisas muito giras. Enquanto fazemos este exercício, os maridos ficam à espera. Numa dessas idas às compras, enquanto esperavam, descobriram um espaço que tinha à venda brigadeiro de colher. Nunca tinha ouvido falar. Chegada a casa, decidi colocar a ideia em prática.

Brigadeiro de colher

Ingredientes para 10 meios copos de shot
1 lata de leite condensado
200 g de natas com 35% de gordura
100 g de creme de cacau com avelã
15 g de chocolate em pó
30 g de manteiga sem sal
Chocolate branco granulado ou avelãs tostadas para servir


1. Colocar todos os ingredientes num tacho e levar ao lume.

2. Mexer com uma vara de arames até obter ponto de estrada.

3. Verter o preparado para os copos.

4. Decorar com chocolate granulado ou avelãs tostadas picadas grosseiramente.


Estes brigadeiros são autênticas colheradas de pura tentação!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A magia do café em pratos salgados num workshop Nespresso


O café faz parte do meu dia-a-dia. Adoro o cheiro intenso, torrado do café. E cozinhar com café? - Ao ser confrontada com esta questão no início do workshop da Nespresso, no Peixe em Lisboa, pelo chef Chakall e com a participação do sommelier Rodolfo Tristão, acabei por responder que apenas em sobremesas. Não me lembro de usar café nos meus cozinhados e não sei bem porquê. Todos os dias bebo café. Uma das coisas que me custa é quando viajo para países que não têm vincada a cultura do espresso. Nessas alturas, beber um café como deve ser torna-se uma missão complicada.

Mas o workshop não era como preparar ou saborear um café perfeito, mas sim como usar café em pratos salgados e harmonizá-los com vinhos. Chakall, com a sua habitual boa disposição, começou por nos explicar o que iria cozinhar. Vieiras, costeletas de borrego e por fim, uma sobremesa com duo de chocolate. Fiquei cheia de curiosidade em perceber como o chef iria usar o café.

Vieiras Ristretto


Ingredientes:
Vieiras com coral (de preferência com a concha)
3 chalotas
2 cafés expresso intenso (Dharkan, Kazaar ou Ristretto)
1 colher de chá de mel cheia
Manteiga q.b.
Redução de vinagre balsâmico q.b.
Sal q.b.


1. Picar as chalotas.

2. Levar ao lume uma frigideira com manteiga. Assim que derreter adicionar as chalotas.

3. Quando as chalotas quebrarem, regar com o café. Juntar uma colher de chá de mel e deixar cozinhar.

4. Levar outra frigideira ao lume com uma colher de sopa de manteiga. Quando derreter, adicionar as vieiras e deixar alourar de ambos os lados.

5. Temperar as vieiras e molho de chalotas e café com sal.

6. Servir as vieiras na sua concha, com um fio de redução de vinagre balsâmico e coentros picados.


As vieiras foram acompanhadas por um vinho branco, Coleção Privada Verdelho 2012 de José Maria da Fonseca. Rodolfo Tristão explicou-nos que existem dois tipos de verdelho, o dos Açores e o do continente. Este último, comparativamente, plantado em zonas mais frescas, revela-se um vinho mais mineral e com notas de citrinos mais exuberantes. É importante não confundir o verdelho com o verdejo, que pelos vistos, nada tem a ver com esta casta. O vinho escolhido trouxe frescura ao sabor denso e apetitoso da vieira.

O segundo prato que Chakall confeccionou foi borrego com um molho especial de café e cacau que nos deixou a todos curiosos com o resultado final. Um molho com café e cacau, uma combinação mágica, só podia ser inspirador.

Borrego com molho de café e cacau


Ingredientes:
Costeletas de borrego
1 colher de sopa de cacau
2 cafés expresso Indriya from India
1 colher de chá de malagueta moída
2 colheres de sopa de natas
1 lima
2 a 3 hastes de tomilho-limão fresco
2 dentes de alho
1 colher de sopa de concentrado de tomate
1 colher de sopa de uvas secas
3 a 4 pacotes de açúcar
Azeite q.b.
Manteiga q.b.
Vinho tinto q.b.
Coentros frescos picados
Sal q.


1. Colocar numa frigideira azeite e levar ao lume. Assim que estiver quente colocar duas ou três costeletas. Retirar as costeletas e reservar.

2. Juntar ao azeite uma colher de sopa de manteiga. Adicionar o alho picado, coentros picados, o cacau, uma pitada generosa de malagueta, o café expresso, o concentrado de tomate, um pouco de vinho tinto e deixar reduzir.

3. Antes de retirar o molho do lume, adicionar as natas, as passas de uva, o açúcar e sumo de 1/2 lima. Mexer e temperar com sal. Retirar do lume.

4. Temperar as costeletas com sal e levar a alourar numa frigideira com manteiga. Adicionar tomilho-limão, sumo de 1/2 lima e sal. Assim que as costeletas estiverem douradas de ambos os lados retirar.

5. Servir as costeletas com o molho de café e cacau.


As costeletas foram acompanhas por batata e batata-doce assadas no forno em cubos com azeite, sal e tomilho. Chakal explicou que optou pelo café Indriya from India porque foi cultivado junto a uma plantação de especiarias e por isso o café aparentar alguns sabores exóticos e resultar muito bem no molho para a carne. Pode ser substituído pelo Roma.

Para harmonizar com o prato de carne, Rodolfo Tristão escolheu um vinho tinto, Periquita Reserva de 2011, com notas a madeira e a cacau. Na boca revelou-se um pouco adstringente, mas fez um bom par com a carne de borrego.


Para sobremesa foi-nos servido uma mousse de chocolate branco com framboesa e café expresso (forte) e bolo de chocolate sem farinha. A acompanhar, espressos Indriya e Ristretto. Antes de experimentarmos as combinações Rodolfo Tristão explicou-nos como provar café. Primeiro fazer uma apreciação visual, o creme - normalmente dizemos espuma - que ao contrário da espuma não desaparece e impede que os aromas do café se percam. O creme vai ficando na chávena à medida que bebemos. A cor do creme também nos diz se o café é mais ou menos intenso. Mais escuro, mais intenso. Agitar o café e depois sorver. Nesta última parte, olhamos sempre uns para os outros. Sorver?! Sim, diz-nos o sommelier, para que entre ar e nos ajude a perceber os aromas do café. Tivemos também a oportunidade de harmonizar a sobremesa com um moscatel de Setúbal, Alambre de 2008.


Com este workshop gostei de conhecer mais um pouco sobre o mundo mágico do café e principalmente fiquei com vontade de o usar em algumas receitas salgadas. Talvez começar por umas costeletas de borrego, o que vos parece?