Fazer pão é quase como fazer magia. Com apenas farinha, água e sal, o tanto que se consegue fazer. Um dos meus objectivos deste ano é aprender mais sobre a arte de fazer pão. Para mim, fazer pão não é uma novidade. Desde que me lembro que a minha mãe faz pão. Todas as semanas cozia o pão da semana, numa altura em que não se tinha o hábito nem os meios para congelar e o pão aguentava-se sem ficar com bolor. No início guardava um prato com massa lêveda para na semana seguinte usar como isco. O pão era sempre muito saboroso. Ainda hoje quando faz pão, apesar de ter abandonado a técnica de guardar massa e se ter rendido ao fermento de padeiro fresco, não há quem a iguale.
Na arte de fazer pão há o que se chama de pré-fermentação. Este processo serve para tornar o pão mais saboroso, dar-lhe textura, e ajuda a levedar, diminuindo a quantidade de fermento usado. A pré-fermentação consiste em fazer um pouco de massa previamente e depois juntá-la quando se preparar o pão. Penso que podemos dizer que é uma massa mãe, como quando fazemos o nosso isco. Existem várias maneiras de fazer a pré-fermentação. Eu nesta receita usei a mesma quantidade de farinha e de água. Há também quem coloque sal. Para terem uma ideia, existem, de uma maneira geral, três tipos de pré-fermentação:
poolish,
biga e a massa fermentada/lêveda.
No
poolish usa-se a mesma quantidade de farinha e de água, usando a seguinte fórmula: 100% de água, 100% de farinha e 0.2% de fermento. Como em casa não temos balanças com capacidade de pesar os gramas com precisão, aconselho a usar a experiência do que sabemos ser uma pitada, em relação ao fermento de padeiro seco. O
poolish é muito usado na confecção de baguetes. O processo designado por
biga foi desenvolvido pelos padeiros italianos e é uma pré-fermentação com menos hidratação que o
poolish. É feito seguindo a seguinte fórmula - sim, em padaria usam-se muitas fórmulas! - 100% de farinha, 60% de água e 1% de fermento. A massa fermentada é útil para quem faz o mesmo pão regularmente. Consiste em guardar 1/3 da massa levedada para usar na base, como massa mãe, do próximo pão. Esta massa pode ser guardada no frigorífico durante 3 dias, mas também pode ser congelada. Fazer pão é mesmo um mundo com muitas coisas por descobrir, ou não tivesse esta arte mais de 6000 anos!
Deixo-vos, hoje, um pão de nozes com vinho tinto. A ideia para fazer este pão veio de uma ida ao restaurante da
Herdade do Esporão, onde tive o prazer de participar num almoço para conhecer a nova carta e onde nos foi servido um pão de vinho tinto com avelãs e amêndoas. Gostei tanto que resolvi experimentar fazer cá em casa.