sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Feijoada de salsichas, uma receita económica


Há semanas especiais e esta que termina foi mais uma delas. Assisti ao lançamento do livro As Festas da Julie, da querida Julie Deffense, no El Corte Inglés, em Lisboa. As Festas da Julie é um livro cheio de imagens bonitas, e com receitas para muitas festas e convívios com a família e amigos, que abrangem todas as estações do ano. Confesso que ao ver o livro, voltei a sonhar com as casas de gengibre. O meu primeiro livro de cozinha, que recebi quando era miúda, tinha uma e desde essa altura que penso na magia que deve ser fazer uma casa comestível. Pode ser que, agora com a chegada do Natal e com as indicações da Julie eu ganhe coragem e meta mãos à obra. São tão amorosas!


Na passada sexta-feira fui com um grupo de bloggers visitar a fábrica de cervejas em Vialonga. Ali produzem, a cerveja Sagres, que nasceu em 1940, por altura da Exposição do Mundo Portugês. A cerveja é como o vinho, um produto da terra, feita com malte resultante da transformação da cevada, lupo, cereais e água. É interessante perceber, os passos que têm que ser dados até abrimos uma cerveja, de preferência bem gelada, para acompanhar uns tremoços no verão ou até mesmo uma refeição. Para além de fazermos uma visita à fábrica, acompanhados pelo director Nuno Pinto de Magalhães, tivemos a possibilidade de visitar o museu. De ver a evolução das garrafas, dos rótulos, dos anúncios na imprensa e na televisão. De perceber algumas curiosidades, como por exemplo, o aparecimento da Imperial, designação que ficou e usamos ainda hoje, quando queremos uma cerveja no copo tirada à pressão, na zona de Lisboa. A Fábrica de Cerveja Germânia lançou a cerveja Imperial e posteriormente, na altura da I Guerra, por questões patrióticas, muda o nome para Portugália.


E como a cerveja combina bem com comida. Deixo-vos um prato de feijoada de salsichas, que ligeiramente picante, pede uma cerveja bem fresquinha. Desenvolvi esta receita, para a edição de Outubro de 2013 da revista Saber Viver inserida numa rubrica de receitas económicas.


Ingredientes:
1 frasco de 8 salsichas receita alemã
1 cebola
1 folha de louro
2 dentes de alho
1 dl de azeite
700 g de tomate maduro
200 g de cenoura
350 g de couve lombarda
1 lata (800 g) feijão manteiga
6 dl de água a ferver
1 a 2 piripiris
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Refogar a cebola e os dentes de alho picados, com o azeite e a folha de louro.

2. Assim que a cebola quebrar adicionar o tomate cortado, limpo de peles e sementes. Deixar cozinhar durante 3 a 4 minutos.

3. Adicionar a couve lombarda e a cenoura cortadas. Regar com a água a ferver. Temperar com sal e pimenta preta a gosto. Tapar o tacho e deixar cozinhar durante 20 minutos.

4. Juntar as salsichas cortadas, o piripiri e o feijão. Cozinhar durante 10 minutos.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Tartes de mascarpone e nectarinas


Há dias em que apetece algo doce, reconfortante. Que nos compense a alma, pelo cansaço dos dias, pelas emoções sentidas, pelo desgaste das horas. E para satisfazer esses desejos de um miminho especial, deixo-vos a receita de tartes de mascarpone e nectarinas, que preparei para a edição de Agosto de 2013 da revista Saber Viver.


Ingredientes:
280g de massa fina congelada
150 g de mascarpone
175 g de leite condensado
1 pacote de natas
3 ovos
300 g de nectarinas
Canela para polvilhar q.b.


1. Numa taça bater os ovos com o mascarpone, leite condensado e as natas.

2. Distribuir a massa por formas de pequenas tartes, deixando o papel vegetal que vem com cada rodela de massa.

3. Rechear as tartes com o preparado anterior.

4. Cortar as nectarinas em fatias e distribuir pelas tartes.

5. Levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 18 minutos.

6. Servir as tartes frias polvilhadas com um pouco de canela em pó.


Estas tartes ficam deliciosas. As nectarinas podem ser substituídas por outra fruta a gosto e/ou da época. Experimentem!

A cozinhar em Bragança


Queridos leitores,

este ano volto a Bragança. Nos próximos dias 2 e 3 de Novembro estarei na feira Norcaça, Norpesca & Norcastanha 2013 no pavilhão NERBA, a cozinhar juntamente com outros sete bloggers, numa iniciativa intitulada Cozinha de Ensaio.

Esta iniciativa pretende colocar cada um dos participantes à prova. Nos vários showcookings a realizar, cada um terá que cozinhar com produtos da região, como perdizes, castanhas, javali, coelho bravo, azedo de caça, trutas, cogumelos e queijo Terrincho. Assim, sem receitas pensadas ou definidas. É seguir a inspiração do momento e a partir dos ingredientes que lhe forem fornecidos criar um prato.

Vai ser um desafio e tanto! Espero conseguir estar à altura.

Apareçam!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Noite de estrelas no restaurante Feitoria


A noite estava quente, ao longe o Tejo corria tranquilo em direção ao mar. Cheguei ao restaurante Feitoria, numa sexta-feira de Setembro, para mais um jantar especial da Rota das Estrelas. Poder usufruir destes jantares, únicos, feitos a várias mãos, com chefs de topo, é algo que me deixa sempre muito entusiasmada.

Este jantar da Rota das Estrelas contou com a participação do chef João Rodrigues do restaurante Feitoria, uma estrela Michelin, sob orientação do chef José Cordeiro, que abriu recentemente o seu próprio restaurante na Praça do Comércio. Para além dos anfitriões, estiveram presentes o chef Leonel Pereira do São Gabriel, uma estrela Michelin, Hans Neuner do Ocean, duas estrelas Michelin e Miguel Vieira do Costes, em Budapeste, com uma estrela Michelin. O jantar foi antecedido por um cocktail, onde foram dados a provar diferentes produtos, desde vinhos, presunto, sushi, carne, conservas e as fabulosas ostras do Sado.

Este jantar repleto de estrelas Michelin foi aberto com uma saudação do Feitoria. Uma caldeirada de sardinha, lula e carabineiro. Cada colherada, sabia a mar. Um mar com ondas, que nos salpica e faz reagir. Um mar, que nos inspira. Para acompanhar a saudação da casa, foi-nos servido um copo de champanhe Moet & Chandon Brut.


O prato que se seguiu seduziu-me. Um cheiro bom, fresco, a lima, despertou-me os sentidos. Hans Neuner, com a sua irreverência, juntou lagostim, lima kaffir, maçã granny smith e iogurte. Mais um prato com sabores do mar, que nos deixou a sonhar com viagens e paragens longínquas. O toque da lima, inesquecível. Este prato foi acompanhado por um vinho de sabor suave, fresco, Terroir II branco de 2012.


No plano das entradas, faltava ainda a grande surpresa dos chefs do Feitoria. Cereja e foie-gras. Um prato para além de tudo, lindo, sofisticado. A cereja perfeita, uma deliciosa surpresa, com recheio de foie-gras. Comparando este prato à roupa de uma mulher elegante e moderna, seria sem dúvida uns sapatos de sapo alto da Louboutin!


O chef Leonel Pereira trouxe-nos do Algarve um prato com uma laranja especial. Serviu-nos salmonete com laranja queimada em 40 dias de cura de sal fumado e com jus de lúcia lima. Que sabor bom o da laranja e tão doce. Para mim, foi um golpe de mestria. Transformar um ingrediente comum, em algo especial. A laranja fez-me lembrar a astuta Sherazade e as histórias das Mil e Uma Noites. Algo tão bom, suscita-nos o desejo de querer mais, repetir, continuar a ouvir o desenrolar da história. Acompanhámos o salmonete com um vinho branco Reserva do Comendador 2011.


Finalizámos os pratos de peixe com um robalo salteado com nabiças, shimengi e lingueirão, com caldo dashi, pelos chefs do Feitoria. Nunca nos seus sonhos mais profundos, Francisco Zeimoto, um dos primeiros navegadores portugueses a chegar ao Japão, pensaria que um dia usaríamos deste lado do mundo, este caldo,um elemento base de muitos pratos da cozinha japonesa, como é o caso da sopa miso. Para beber, um Vale das Areias branco Fernão Pires de 2012.


Pombo assado com mel e alfazema, cogumelo recheado com trigo, legumes frescos, granola e figos pretos, foi o prato de carne dos chefs João Rodrigues e José Cordeiro. O pombo tenro e suculento. Apetecível, como uma viagem de barco, num dia de Verão. Acompanhado por um vinho tinto Vale Areias Syrah 2010.

Para sobremesa, pêssegos escalfados, framboesa coalhada e sorvete de verbena limão, acompanhados por um vinho licoroso da Hungria, Oremus Tokaji Aszú Puttonyos, que me fez lembrar as colheitas tardias, vinhos com aromas a frutas secas, algo muito guloso. Os chefs do Feitoria não nos deixaram sair, sem nos presentear, com uma sobremesa de chocolate, avelã, fava tonka, toffee e gelado de baunilha. Irresistível. Acompanhada por um Porto Quinta da Casa Amarela Vintage 2011.


Houve a possibilidade de no fim do jantar conversar com os autores dos pratos da noite e trocar algumas impressões. Eu não resisti e quis saber como era feita a cura da laranja do chef Leonel Pereira, que não tem parado de me surpreender, com as imensas coisas boas que nos tem dado a provar.


Esta foi mais uma noite cheia de estrelas, no Feitoria, que tão bem sabe receber e acarinhar quem por lá passa.


Outros jantares no Feitoria:
- Um jantar de estrelas no restaurante Feitoria;
- Do ouvido à boca, a nova carta do restaurante Feitoria.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Piza de chouriço com tomate cereja e queijo


Quando faço piza há qualquer coisa mágica no ar que me transporta até ao país de uma das línguas mais românticas que conheço. Itália. Desde pequena que fui alimentando um sentimento romântico, apaixonado pelas pessoas, pelas cidades e pela comida italiana.

Itália é dos países, que tenho a sorte de já ter visitado, por várias vezes. E venho sempre apaixonada pelos gelados, pelas massas e pelas pizzas! Hoje para a rubrica Momentos Président avec Plaisir, deixo-vos a sugestão de uma saborosa piza.


Ingredientes para piza:
Massa para a base da piza
250 g de molho de tomate
250 g de queijo Mozzarella & Emmental ralado Président
115g de chouriço picante
230g de tomate cereja
Folhas de manjericão q.b.


1. Estender a massa em duas bases para pizza.

2. Colocar o molho de tomate nas bases, de seguida o chouriço cortado às rodelas e o tomate cereja cortado ao meio.

3. Polvilhar com queijo Mozzarella & Emmental ralado Président.

4. Levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante 25 minutos.

5. Servir com folhas de manjericão.


Ingredientes para a massa da piza:
500 g de farinha
15 g de fermento de padeiro
15 ml de azeite
3 dl de água morna
Sal q.b.


1. Colocar numa taça a farinha, o azeite e sal.

2. Dissolver o fermento de padeiro na água morna.

3. Regar a farinha com a água. Amassar e formar com a massa uma bola.

4. Tapar a taça com um pano e deixar a levedar durante uma hora.

5. Dividir a massa em duas pequenas bolas iguais e deixar a levedar mais uma hora.


Ingredientes para o molho de tomate:
1 Kg de tomate maduro
3 chalotas
2 dentes de alho
0,5 dl de azeite
1 dl de vinho branco
2 folhas de alho-francês
1 talo de aipo
Sal q.b.


1. Escaldar o tomate com água a ferver durante cinco minutos. Retirar a pele e as sementes.

2. Colocar as chalotas picadas num tacho com o azeite e os dentes de alho também picados. Deixar refogar até a chalota começar a quebrar.

3. Adicionar o tomate picado, as folhas de alho-francês e o aipo. Temperar com sal e regar com o vinho branco. Deixar cozinhar até parte do líquido se ter evaporado.

4. Retirar o talo de aipo e as folhas de alho-francês. Com a ajuda de um passe-vite triturar a mistura.

5. Levar ao lume e deixar apurar, mexendo de vez em quando.


A massa desta piza fica alta. Mas cá em casa adorámos. Já tinha saudades de comer uma piza!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Almôndegas com especiarias no forno


Há pratos que por um motivo ou por outro outro nunca me lembro de fazer. Um desses pratos é as almôndegas. Mas a pedido do Ricardo, acabei por trazer numa ida às compras, carne picada e fazer finalmente as tão desejadas almôndegas.

No dia em que as cozinhei acabei por ficar umas horas com a minha sobrinha Marta de apenas três anos. Uma ida ao jardim, uma corrida atrás de um pato, que eu já tratava por senhor pato - as figuras que nós fazemos! - e muitas brincadeiras comigo e com o Ricardo. No final do dia houve direito a jantar. E a Marta adorou estas almôndegas com massinha e molho de tomate. Nem imaginam como fiquei contente.


Ingredientes:
500 g carne porco picada
3 g de orégãos em pó
3 g alho granulado ou 2 dentes de alho picados
1 cebola picada
3 g cominhos
10 g salsa
20 g pão ralado
1 ovo
2 colheres de sopa de azeite
200 g de massa
1 folha de louro
Queijo ralado q. b.


Ingredientes para o molho de tomate:
1 lata de tomate pelado
1 cenoura cortada em quatro
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
1 dl de azeite
3 folhas de rama de alho-francês
Sal q.b.


1. Refogar em duas colheres de sopa de azeite, a cebola picada.

2. Numa taça colocar a carne, as especiarias, a salsa, a cebola refogada, o pão ralado e o ovo. Temperar com sal e pimenta.

3. Mexer a carne de modo a que a mistura fique uniforme.

4. Moldar a carne em pequenas bolas.

5. Colocar as almôndegas num tabuleiro de forno.

6. Levar ao forno, pré-aquecido a 190ºC, durante 15 minutos.

7. Cozer a massa em água com sal e uma folha de louro.

8. Colocar os ingredientes para o molho de tomate numa panela. Levar ao lume e deixar cozinhar.

9. Retirar a rama de alho-francês e a cenoura. Triturar com um passe-vite.

10. Depois de cozida, escorrer a massa. Envolver a massa no molho de tomate.

11. Servir as almôndegas com a massa. Polvilhar com queijo ralado.


Estava com algum receio que a Marta não reagisse muito bem ao sabor dos cominhos nas almôndegas. Comeu e até repetiu. Fiquei tão orgulhosa!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Arroz de alheira com couve, uma receita económica


Esta foi mais uma daquelas semanas que me preenche e deixa feliz. Gosto de chegar ao final da semana e perceber que fiz coisas, que aprendi, que conheci novas pessoas interessantes e que ultrapassei obstáculos. Em termos de leituras voltei ao romance A Sétima Porta de Richard Zimler. Deste autor, um dos meus livros preferidos é O Último Cabalista de Lisboa. E assim, com A Sétima Porta, continuo a seguir as aventuras da família Zarco.

Participei também, esta semana, num workshop promovido pela Margão, juntamente com outros bloggers. Aqui foi-nos entregue uma caixa com ingredientes mistério e tínhamos que preparar com eles um prato em trinta minutos. Um desafio ao estilo do Masterchef. Adorei participar. No meu prato usei todos os ingredientes da caixa e preparei lombinho de porco com legumes salteados numa cama de puré de batata, castanha e queijo.

Tive o prazer de assistir a uma aula sobre foie gras no El Corte Inglés pela Rougié. Foi-nos explicado a diferença entre um paté, que é para barrar no pão, e o foie gras. Como é feita a congelação e como se pode preparar. No final, houve direito a degustação e a minha ideia sobre foie gras mudou. Adorei. Um destes dias, experimentarei utilizar este ingrediente.

Voltei ao Come Prima, um dos meus restaurantes italianos preferidos aqui em Lisboa. Houve uma festa com Pizza Napoletana e cerveja, com direito a música e muita animação. Definitivamente um restaurante a retornar, não só pela qualidade da comida servida como também pela simpatia com que nos sabem receber.

Hoje, ao final do dia, quando chegar a casa, espero ter um prato reconfortante e quentinho, para ajudar a ultrapassar estes dias de chuva e céu cinzento. Neste sentido, apresento uma sugestão para um prato de arroz de alheira com couve que para além de reconfortante é extremamente económico. Desenvolvi esta receita, para a edição de Outubro de 2013 da revista Saber Viver inserida numa rubrica de receitas económicas, em que o ingrediente principal não poderia ser superior a dois euros para uma dose de quatro pessoas.


Ingredientes:
1 alheira Mirandela (200g)
1 dl de azeite
1 cebola picada
2 dentes de alho
300g de tomate
450 g de couve lombarda
300 g de arroz carolino
1,2 l de caldo de escaldar as couves
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Separar as folhas de couve e colocá-las num recipiente. Regar as folhas de couve com água a ferver durante 5 a 7 minutos.

2. Escorrer a couve e aproveitar o caldo.

3. Levar ao lume um tacho com o azeite, a cebola e os dentes de alho picados. Deixar refogar até a cebola quebrar. Acrescentar o tomate picado, limpo de peles e sementes e deixar cozinhar mais um pouco.

4. Adicionar o caldo de escaldar as couves. Assim que levantar fervura adicionar o arroz, a couve cortada, a alheira sem pele e cortada em pedaços. Cozinhar em lume brando.

5. Temperar com sal e pimenta preta. Assim que o arroz estiver cozido, retirar do lume e servir.


A alheira torna este arroz muito saboroso.