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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um jantar de elogio ao medronho


Desde que me interesso por questões de gastronomia e pela nossa cozinha, que me tenho apercebido da existência de muito produtos portugueses esquecidos ou muito pouco usados. Acho louvável quando surgem iniciativas que tentam recuperar esses produtos. Ainda bem que alguém olha para as coisas boas que temos, que as promove de modo a fazê-las chegar a um público mais alargado. Por isso, foi com bom grado que aceitei participar no primeiro jantar do projecto Endógenos, organizado por Nuno Nobre no restaurante Belém 2 a 8, em Lisboa.

Em relação a alguns produtos portugueses que considero que andam um pouco esquecidos, vêm-me logo à cabeça, as túberas, conhecidas como as nossas trufas e que nunca vi à venda em lojas ou até mesmo em mercados da capital. De seguida os espargos selvagens, que só consegui encontrar no Alentejo, a alfarroba, apesar de hoje em dia conseguirmos encontrar facilmente este produto em farinha é ainda pouco divulgado, as camarinhas, que só me lembro de comer na Nazaré, vendidas pelas praieiras, com um ligeiro travo ácido delicioso e que nunca mais vi. O chícharo, com um aspecto semelhante ao tremoço e que para o encontrar foi uma carga de trabalhos, é pouco conhecido e para (des)ajudar, em algumas regiões do país, o chícharo designa o feijão frade. As cilarcas, que comprei pela primeira vez numa ida ao mercado em Évora e que cozinhei com arroz, bacon e óregãos. Morangos silvestres - temos? Há à venda? A primeira vez que vi morangos silvestres foi num mercado em Bolonha. Por cá, descobri-os, junto à Caldeira numa visita com amigos na Ilha do Faial. A escorcioneira, os cardos - que só provei em conserva, o medronho, para além dos que referi, integram uma lista de recursos endógenos que mereciam ser mais conhecidos e divulgados. De há uns tempos para cá, começaram a aparecer nas grandes superfícies beldroegas à venda. Por que não começarem a apostar em outros produtos? Às vezes, as coisas estão perto de mais para vermos o seu potencial. Temos tantos produtos que mereciam mais destaque, e sei que há por aí muitos consumidores, como eu, à procura de coisas diferentes.

O ingrediente de eleição escolhido para este jantar foi o medronho. E confesso que fiquei logo entusiasmada. Nunca consegui encontrar medronhos à venda. Há uns tempos tive a sorte de uma amiga se lembrar e de me surpreender com uma caixa cheia, a que dei logo destino.

O jantar começou com um cocktail de boas vindas. Uma bebida fresca com aguardente de medronho, Brandymel, sumo de lima e hortelã. Tão boa. Ainda bem que os convidados foram pontuais, porque acreditem, a minha vontade de repetir era grande. Quando nos sentámos à mesa, começámos por petiscar peixinhos da horta em que o polme foi feito com aguardente de medronho o que tornou estes peixinhos mais crocantes. Provámos também uns croquetes de beijinho, penso, que seja a ponta do bife da pá com um ligeiro veio ao meio, o que torna esta carne tão deliciosa. Os croquetes foram servidos com compota de medronho e revelaram-se tenros e suculentos. O toque doce da compota de medronho tornou esta entrada ainda mais apetecível.


Enquanto comíamos os últimos peixinhos, eis que chega à mesa um prato de bacalhau e sardinha ao medronho. A primeira coisa que me chamou a atenção foi um filete de sardinha enrolado e no centro um medronho. Adorei. O bacalhau tinha uma crosta de pão com medronho, e foi servido sobre uma cama de puré de batata-doce. Um prato de sabores tipicamente portugueses, que resultou muito bem.

Arroz malandrinho de medronho com bochechas de porco estufadas com folhas e ramos do medronheiro, foi o prato seguinte. A carne estava tenra e suculenta. Desfiava-se ao toque do garfo. Aqui no arroz, curiosamente, já senti as sementinhas dos medronhos, o que pode não agradar a toda a gente.


A escolha da sobremesa recaiu numa sericaia com medronhos salteados e mel do mesmo fruto. A estrela desta sobremesa foi o mel de medronho, com um travo ácido prolongado que comido só por si, era bastante forte, mas com a sericaia ganhava uma outra dimensão. De tal maneira, que dei por mim a repetir e a experimentar várias vezes o mel.


No final, a acompanhar o café foi-nos servida uma aguardente de medronho, entre muitas conversas e boa disposição, facilitados pelo facto de ter passado este jantar ao lado da Catarina do blogue Dias de Uma Princesa e autora do livro com o mesmo nome.

Um palavra de apreço ao chef Luís Miguel Rodrigues que nos demonstrou as diversas aplicações do medronho num menu. Estamos tão habituados a olhar para este fruto sempre na perspectiva do licor ou aguardente. Este jantar veio mostrar que é possível confeccionar este ingrediente de múltiplas maneiras. O medronho mereceu este elogio. E de certo, merece muitos mais na(s) nossa(s) cozinha(s).

21 comentários :

  1. E que elogio!! Ficou tudo com tão bom aspecto :)

    ______________________
    aculpaedasbolachas.com

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    1. Obrigada, Diogo.
      Para mim, foi uma experiência muito especial este jantar. Adoro medronhos e nunca encontro à venda.
      Um beijinho.

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  2. Ficou com um optimo aspecto.

    https://bolinhosdoces.blogspot.pt

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    1. Silvia,
      eu rendi-me à sardinha com o medronho. Ficou mesmo bonita e boa!
      Um beijinho.

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  3. Que jantar fantástico.

    ______________________
    Ana Teles | blog: Telita na Cozinha

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    1. Ana,
      eu achei a ideia muito interessante. Sei que o projecto vai promover outros jantares.
      Um beijinho.

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  4. Belo jantar!
    Beijinhos
    http://sudelicia.blogspot.pt/

    temos um grande passatempo no facebook! participa:
    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=705821982776483&set=a.705816672777014.1073741828.702561799769168&type=1&theater

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  5. Adoro o seu blog, mas... lamento, mas mel de medronho não existe, pelo menos no conceito "normal" de mel que conhecemos e sei do que falo! Quanto muito seria uma "invenção" gastronómica qualquer, agora mel... não!

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    1. Caro Anónimo,

      obrigada pelo seu cometário.

      O mel de medronheiro é produzido por abelhas que se encontram e/ou recolhem pólen num campo de medronheiros. Já agora, sugiro que consulte este link.

      Um beijinho.

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    2. Peço desculpa, mas esse link não significa, nem valida absolutamente nada! Marketing é marketing! Existem produtos que na sua embalagem dizem light e não significa que sejam menos calóricos, ou mais benéficos para a saúde!
      Terei todo o gosto em lhe explicar, no terreno, tudo aquilo que tenha curiosidade em aprender sobre mel e/ou medronho, e tirará as suas próprias conclusões! Abraço

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    3. Caro Anónimo,

      tinha a ideia que era assim, mas estou disposta a aprender. Tenho imensa curiosidade no medronho. Se quiser enviar-me alguma informação, pode fazê-lo para o meu email. Terei muito gosto.

      Um beijinho.

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    4. Antes de mais os meus parabéns pelo seu blog que sigo com muita atenção!

      Não costumo comentar, mas desta vez não resisti.
      Gostaria de saber qual o conceito de mel do ponto de vista do comentador anónimo.
      O medronheiro é uma ericácia e, portanto, bastante apreciada pelas abelhas que ali procuram o seu alimento.
      É lamentável como nós portugueses não conhecemos e/ou não conseguimos dar valor a um produto tão apreciado noutros países.

      Se não conhece "mel de medronho", talvez deva conhecer o "miele do corbezzolo".

      Com os melhores cumprimentos.

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  6. bem, que aspecto delicioso! Fico tentada a passar por lá.
    Se quiser uns medronhos diga que eu arranjo-lhe. Os meus pais têm vários medronheiros na região Oeste e este ano estão carregadinhos. Já fizémos licor de medronho e doce e este fim-de-semana vou fazer o seu bolo de medronho :)
    Obrigada pela partilha das suas receitas. Adoro ler a sua página e faço muitas das suas receitas.
    Um beijinho
    Sandra Lopo (sandra.lopo@gmail.com)

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    1. Olá Sandra,
      fico muito contente que acompanhe o Cinco Quartos de Laranja. Tenho a certeza que vai adorar o bolo de medronhos.
      Muito obrigada pela oferta. Estou tentada a aceitar. :)
      Um beijinho.

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    2. Não passa pela região Oeste um dia destes? Os medronhos estão no frio e maduros, não sei é como os poderia entregar-lhe. Eles estão em casa da minha mãe no Bombarral, mas eu trabalho em Torres Vedras logo tb os podia entregar aqui, ou então na Quinta da Fonte em Oeiras onde o meu marido trabalha e também os podia levar. Sandra Lopo

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    3. Sandra,
      vou enviar-lhe um email.
      Um beijinho.

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  7. Respostas
    1. Estado Líquido,
      muito obrigada.
      Um beijinho.

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