quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Puré de batata-doce com castanhas


O Outono traz-nos o cheiro bom das castanhas assadas pela cidade. É um cheiro tão apetitoso. As castanhas, ricas em amido, são deliciosas cozidas com erva-doce e servidas com manteiga, como muitas vezes a minha sogra faz, por altura do S. Martinho. Mas eu confesso que gosto muito mais delas assadas com sal grosso e servidas com um copo de jeropiga.

As castanhas são um produto que actualmente conseguimos encontrar à venda todo o ano, seja congeladas, prontas a usar, ou em puré, geralmente em lata, que uso principalmente para doces.

Quando a revista Saber Viver me lançou o desafio de criar cinco acompanhamentos, para a edição de Janeiro de 2013, decidi que tinha que incluir as castanhas. O resultado foi um delicioso puré, que vos aconselho a experimentar, agora que as castanhas nos começam a chegar em força.


Ingredientes:
575 g de batata-doce
300 g de castanhas congeladas
1 cebola
2 dentes de alho
9 dl de água
0,5 dl de azeite
1 dl de leite ou natas
Noz moscada q.b.
Sal q.b.


1. Colocar numa panela a batata-doce descascada e cortada em pedaços pequenos juntamente com as castanhas, os dentes de alho e a cebola cortada em pedaços.

2. Temperar com sal e tapar com a água. Levar ao lume e deixar cozinhar.

3. Assim que os legumes estiverem cozidos, retirar do lume, escorrer.

4. Colocar os legumes cozidos num robot de cozinha com o azeite, o leite, sal e noz moscada a gosto. Reduzir a puré.


Este puré pode ser um excelente acompanhamento para peru, porco assado, borrego ou até mesmo, filetes de peixe passados na frigideira com azeite e alho. Fica tão bom!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A minha primeira experiência com a Yämmi: Sopa de cherovia


Já há algum tempo que tinha pensado em comprar uma máquina de cozinha. Mas tendo em conta os preços elevados, fui sempre adiando essa decisão até que finalmente chegou a Yämmi. Para além de ter um nome apetitoso, chegou ao mercado com um preço acessível. Desconfio que vai ser uma prenda de Natal para muitas pessoas.

Confesso que estava muito curiosa com a máquina. Foi a primeira vez que usei este tipo de máquinas para cozinhar e estava com algumas dúvidas, por exemplo, se me iria ambientar, se iria perceber como é que funcionava, se conseguiria fazer tudo certinho para que a receita resultasse, já que me diziam que tinha que ser tudo muito preciso.

A primeira coisa que fiz foi montar a Yämmi e perceber para que servia cada uma das peças e acessórios. Perdi algum tempo a tentar encontrar o medidor que tapa a tampa do copo, até que descobri que estava ainda na placa de esferovite que protege o equipamento dentro da caixa. Depois de tudo montado e previamente lavado na máquina da louça - tive o cuidado de colocar as borrachas na parte de cima da máquina, para apanharem menos calor - fui ler o manual de instruções e ver como se faziam algumas receitas do livro que acompanha a Yämmi. Uma das coisas que procurei descobrir foi como se fazia um refogado, como se procedia para cozer os alimentos, o que fazer para bater as claras em castelo, como fazer para cozinhar a vapor, como preparar massas. No fundo, procurei perceber o que significam estes três eixos tão importantes para aprender a funcionar com este tipo de máquinas: temperatura, velocidade e tempo.

A primeira receita que decidi fazer foi uma sopa. Como era a primeira vez que ia usar a máquina, a sopa seria uma opção segura. Para esta sopa decidi fazer um refogado para ver como funcionava e correu tudo muito bem. Eu que em relação às máquinas tenho sempre algumas resistências, achei que a Yämmi era muito fácil de usar, muito intuitiva. Enganei-me a primeira vez a colocar o tempo, marquei cinco segundos em vez de cinco minutos, mas como calculam, ao ouvir o sinal sonoro que o programa tinha terminado, rapidamente me apercebi do meu erro e rectifiquei a situação. Noutras receitas, já não me voltei a enganar. O facto de a máquina cumprir a sua função sem ser necessário estarmos ao pé e alertar-nos quando termina, é um descanso. Podemos estar a fazer outras coisas, quando simultaneamente "estamos" a cozinhar.

A Yämmi vem com uma balança, que pesa ao grama. A balança é exterior à máquina, o que nos permite retificar pesos sem grandes preocupações. A minha balança antiga, já foi reformada.

Uma das coisas que tinha algum receio era o barulho. Será que a máquina a cozinhar faria muito barulho. Não. Achei que não faz muito barulho. Houve alturas, principalmente quando me coloco em frente ao computador, que até me esqueci que tinha a máquina a funcionar, não fosse o sinal sonoro que emite quando acaba um programa. Até ao momento a Yämmi satisfez as minhas expectativas, mas as experiências continuam.


Sopa de cherovia com gengibre e rama de funcho

Ingredientes:
300 g de cherovias
160 g de alho-francês sem rama
135 g de cebola
20 g de raiz de gengibre
5 g de rama de funcho
9 dl de água ou caldo de legumes
0,5 dl de azeite
Sal q.b.


Versão Yämmi:

1. Descascar e picar a cebola.

2. Cortar o alho-francês às rodelas. Descascar e picar o gengibre.

3. Colocar a cebola, o alho-francês e o gengibre no copo da Yämmi. Regar com o azeite. Refogar na velocidade 1, durante 5 minutos, à temperatura máxima (ST).

4. Adicionar as cherovias descascadas e cortadas em pequenos cubos e a rama de funcho.

5. Regar com a água ou caldo de legumes. Temperar com sal. Deixar cozinhar durante 25 minutos na velocidade 1 a 100ºC.

6. Triturar durante 3 minutos, progressivamente da velocidade 3 até à velocidade 7.
Versão tradicional:

1. Descascar e picar a cebola.

2. Cortar o alho-francês às rodelas. Descascar e picar o gengibre.

3. Colocar a cebola, o alho-francês e o gengibre numa panela. Regar com o azeite. Refogar até a cebola quebrar.

4. Adicionar as cherovias descascadas e cortadas em pequenos cubos e a rama de funcho.

5. Regar com a água ou caldo de legumes a ferver. Temperar com sal. Deixar cozinhar até os legumes estarem cozidos.

6. Com a ajuda da varinha mágica, reduzir a sopa a puré.


Nesta sopa podem substituir a cherovia por batata. Resulta muito bem servida com um fio de azeite por cima. Cá em casa adorámos esta sopa. Cremosa, a notar-se o ligeiro aroma picante do gengibre e a frescura da rama de funcho. A quantidade de água usada depende, caso se prefira uma sopa mais espessa ou mais líquida.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Hambúrguer com queijo e molho picante de iogurte grego


Conta-nos a história que o hambúrguer foi levado para os Estados Unidos por imigrantes da região de Hamburgo, na Alemanha. Pensa-se que foi no século XVII, que marinheiros alemães entraram em contacto com uma receita de carne crua, picada e temperada. E como sabemos, as receitas são como os contos, acrescenta-se sempre mais um ponto. Os alemães não estiveram com meias medidas e começaram a cozinhar a carne. Mas será nos Estados Unidos que a receita será aperfeiçoada, que vai começar a ser servida com pão em estilo de sandes e ganhar a projecção que hoje todos conhecemos.

O hambúrguer é um dos símbolos da fast food, apesar de haver vários restaurantes e chefs que procuram dar uma outra dimensão ao hambúrguer. Eu também acho que um hambúrguer feito com boa carne e bem temperada, pode resultar numa excelente refeição. Existem tantas variações quantas a nossa imaginação conseguir alcançar. Confesso que ainda hoje guardo na memória o anúncio de televisão a uma famosa cadeia de hambúrgueres quando chegou ao mercado português. Aparecia um hambúrguer, grelhado, suculento, a fazer crescer água na boca, e em cima um ovo, com a gema a pedir que se mergulhasse uma batata frita estaladiça. Há imagens que povoam o nosso imaginário gastronómico para sempre. É possível comer bons hambúrgueres. E uma das formas que temos é por exemplo, fazê-los em casa.

Desenvolvi esta receita para a rubrica Momentos Président avec Plaisir.


Ingredientes:
850 g de carne de vaca picada
150 g de queijo Mozzarella & Emmental ralado Président
3 dentes de alho
10 g de salsa
1 cebola roxa cortada às rodelas
Alface para servir
Sal e pimenta-preta q.b.
Azeite q.b.

Ingredientes para o molho:
125 g de iogurte grego natural
1 colher de chá de pasta de harissa


1. Colocar a carne picada numa taça.

2. Adicionar os dentes de alho picados, o queijo e a salsa picada.

3. Temperar com sal e pimenta preta a gosto. Mexer muito bem.

4. Moldar os hambúrgueres.

5. Aquecer uma chapa ou frigideira com um fio de azeite no fundo. Assim que estiver bem quente colocar os hambúrgueres. Deixar cozinhar sensivelmente durante um minuto e meio de cada lado.

6. Numa taça misturar o iogurte grego com a harissa.

7. Servir os hambúrgueres em pão, com folhas de alface, rodelas de cebola roxa e molho de iogurte.


Para fazer os hambúrgueres usei um molde, que se encontra à venda facilmente em lojas para produtos para casa. Usei carne bem fria e depois de moldar os hambúrgueres, levei-os mais 30 minutos, aproximadamente, ao frigorífico, enquanto preparava o resto da receita. Quem preferir pode preparar antecipadamente os hambúrgueres e congelar. Basta colocá-los num tabuleiro ou caixa, em camadas, separados entre si e cobertos com película aderente e levar ao congelador. Nesta receita optei por colocar azeite na frigideira, mas podem optar por pincelar com azeite os hambúrgueres.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O meu showcooking no Mercado de Sabores 2013 no Porto


Este ano o Outono brindou-nos com um fim-de-semana de sol e céu azul, mesmo convidativo a sair de casa. Para mim, foi muito bom voltar ao Porto, desta vez para um showcooking no Mercado de Sabores do Continente iniciativa inserida no Porto.Come 2013, realizado no edifício da Alfândega, mesmo junto ao Douro.

O Mercado de Sabores é uma iniciativa que procura aproximar os produtores do Continente e os consumidores. Ali é possível falar com quem produz muitos dos legumes que levamos para casa, carnes, frutas, vinhos, azeite, entre muitas outras coisas, de várias regiões do país.

O meu showcooking teve lugar no sábado, dia 5 de Outubro de 2013, às 17h, logo a seguir ao do chef Rui Paula. Para esta apresentação escolhi uma receita do meu livro Cozinha para Dias Felizes, açorda de curgete servida com lascas de bacalhau assado no forno. Decidi fazer a açorda, num gesto simbólico, dado que fui a madrinha da Rua da Curgete no Mega Pic-Nic do Continente e tive a possibilidade de contactar com alguns produtores.

Desta vez e em comparação com o ano passado, o palco era muito maior, assim como o espaço para a assistência. Assim que vi onde iria estar a cozinhar, o meu coração bateu um pouco mais acelerado, as mil e uma borboletas que preenchem o meu estômago nestas situações começaram a bater as asas de forma descontrolada e pensei, será que sou capaz? Inspirei fundo e segui em frente. Uma das coisas que adoro nos showcookings é o contacto com o público. É como receber visitas em casa, enquanto preparamos a refeição, vamos conversando, rindo, falando do que estamos a fazer e de como isso nos irá deixar satisfeitos. Eu pelo menos encaro sempre assim as minhas apresentações. Na minha apresentação tive a ajuda preciosa de duas alunas de pastelaria da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto, a Flávia e a Leonor.


Soube muito bem no final perceber que gostaram da minha açorda e que havia quem quisesse repetir. Não há melhor elogio para quem cozinha que é ver o ar de satisfação de quem prova.

O meu tempo durante a tarde estava contado. Imediatamente a seguir à minha apresentação segui para o programa da RTP, Sabores de Portugal, apresentado por Sónia Araújo, que estava a ser emitido a partir do Mercado de Sabores. Adorei estar à conversa com a Sónia, que me colocou muito à vontade com a sua enorme simpatia. Falámos sobre o Cinco Quartos de Laranja, sobre a minha experiência enquanto blogger de comida e sobre o Cozinha para Dias Felizes. Adorei mais esta visita à televisão.


O resto da tarde foi passada a provar e a descobrir algumas das coisas boas que estavam em exposição no Mercado de Sabores. Descobri as curgetes redondas amarelas, provei o bolo do caco, o ananás dos Açores, as uvas do Vale da Rosa, os azeites, os queijos, os enchidos. Ainda houve tempo para pedir algumas dicas sobre como usar a máquina de cozinhar, Yämmi, com que estavam a fazer demonstrações.

No final do dia, senti que tive um sábado preenchido. Ali, a ver o Douro a caminhar em silêncio em direcção ao mar, sorri, pensei nas coisas boas desse dia e senti-me muito feliz. Agradeço à organização da Porto.Come e ao Mercado de Sabores do Continente por esta oportunidade. Obrigada a todas as leitoras que fizeram questão de estar presentes. O vosso carinho é tão bom. Nem imaginam a força que me dão a sentir que devo continuar a apostar neste caminho.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Compota de melão e pêra


A felicidade não se constrói sozinha. Sermos felizes implica a relação com os outros. Fico feliz quando posso festejar o sucesso de alguém que me rodeia. Fico feliz quando sei que tenho amigos com quem posso partilhar as coisas boas que me fazem sorrir e me dão força para continuar. Fico feliz quando vejo o sorriso no rosto de uma criança. Quando alguém me diz obrigada. Quando me sento à mesa com a família. Quando caminho na praia. Quando me sento no sofá da sala a ler um livro. Quando abraço a minha mãe e conversamos a tarde de domingo toda. Quando chego a casa e sei que há alguém à minha espera.

Para além da dimensão individual, a felicidade é o resultado de uma relação social que se faz com os outros. Há pequenos gestos, simpatias, que não se esquecem e nos deixam felizes. Por isso, quis participar na festa de aniversário do blogue Receitas para a Felicidade da doce Mariana, autora do livro Receitas da Felicidade para Robôs de Cozinha, que o ano passado fez questão, no dia do seu aniversário, com festa em casa, de me ir cumprimentar num momento tão especial para mim.

Para tornar o seu aniversário um pouco mais doce, preparei uma compota de melão e pêra, que adoro. Uma das coisas que me faz feliz é começar o dia com pão fresco barrado com doce. Tão bom!

Compota de melão e pêra:

Ingredientes:
1,5 kg de melão limpo de casca e sementes
500 g de peras limpas de casca e caroço
0,5 dl de sumo de limão
1 pau de canela
1 kg de açúcar amarelo


1. Colocar a fruta cortada em pedaços pequenos numa panela.

2. Juntar o sumo de limão, o açúcar e o pau de canela.

3. Levar ao lume e deixar apurar até obter o ponto estrada.

4. Guardar em frascos esterilizados.


A todos, votos de um fim-de-semana feliz.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Marmelos salteados com pêra


Outubro chegou chuvoso. O dia esteve cinzento e obrigou-nos a andar de chapéu de chuva sempre que se saía à rua, apesar de estar quente e abafado. Com chuva gosto de ficar em casa, mas neste dia decidi ir até ao restaurante U Chiado, na baixa de Lisboa, e participar no workshop organizado pela Sabor do Ano.


O objectivo do workshop era dar a conhecer alguns dos produtos eleitos pelos consumidores e certificados com o selo Sabor do Ano. Depois das apresentações e de experimentar o Moscatel de Setúbal da Venâncio Costa Lima, fomos para a cozinha com a chef Vanessa Silveira. Do nosso workshop saíram bruschettas de pasta de azeitona, com queijo Feta e rúcula, bacalhau assado no forno com batatas a murro e esparregado de grelos. E no final, uma deliciosa tentação de chocolate com carpaccio de ananás dos Açores e nata azeda. Acompanhámos os nosso pratos com um vinho branco de 2012 da Adega de Favaios. Foi uma tarde muito bem disposta, que deu colorido a um dia cinzento e nostálgico.

A sugestão de hoje tem sabores de Outono e sabe muito bem em dias de chuva. Nesta altura do ano adoro os marmelos. Nos dias chuvosos, gosto tanto de ligar o forno e assar uns quantos com vinho do Porto ou até mesmo com laranja. Em alternativa resultam muito bem como acompanhamento de carnes. Fiz esta receita para a edição de Janeiro de 2013 da revista Saber Viver, inserida num artigo sobre acompanhamentos.

Marmelos salteados com pêra

Ingredientes:
3 marmelos
2 peras Rocha
1 pau de canela
3 cravinhos
50 g de manteiga
0,5 dl de vinagre de sidra
80 g de açúcar amarelo
1 limão


1. Descascar os marmelos e à medida que se descascam e se limpam de sementes, colocar numa taça com água e sumo de um limão, para não oxidarem.

2. Descascar e cortar as peras e colocar também na água com os marmelos.

3. Levar uma frigideira ao lume com a manteiga, a canela e os cravinhos. Assim que a manteiga derreter adicionar os marmelos cortados em pequenos cubos. Deixar cozinhar durante dois minutos.

4. Adicionar o vinagre e mexer. Assim que o vinagre evaporar, adicionar as peras cortadas em pequenos cubos.

5. Adicionar o açúcar e mexer. Deixar cozinhar até as frutas estarem macias.


O contraste de sabor dos marmelos com a pêra resulta muito bem. Mas eu sou suspeita, adoro marmelos!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Showcooking no Mercado de Sabores 2013 no Porto


Queridos Leitores,

no próximo sábado, dia 5 de Outubro de 2013, rumo mais uma vez ao Porto, que tão bem me recebe. Irei realizar um showcooking, às 17h, na Alfândega do Porto onde se realiza o Mercado de Sabores do Continente, iniciativa inserida no Porto.Come 2013. Este ano, vai haver um conjunto alargado de showcookings e workshops apresentados por chefs de renome e bloggers.

Este momento é muito especial para mim. Comecei a cozinhar em público na edição do ano passado deste evento. Seria para mim uma honra ver-vos lá. Terão oportunidade de degustar o que irei confeccionar.

Apareçam!